A construçÃo da identidade a formação da minha identidade



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A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE

A formação da minha identidade

A questão da identidade sempre foi objeto de estudo, pois sempre houve interesse em se saber como ela surgia e como ela se formava. O sujeito constrói sua identidade na interação com outro. Todos nós temos um núcleo ou essência interior, o nosso “eu”, que é formado e modificado num dialogo contínuo com o mundo cultural exterior.

Entendemos por identidade o conjunto de caracteres próprios e peculiares de cada indivíduo, a integração dinâmica de traços que caracterizam de maneira inconfundível, cada ser no tempo e no espaço.

Essa construção da identidade repousa na independência, autenticidade, autonomia e autodeterminação do sujeito, pois o contexto em que está inserido pode possibilitar ou não suas experiências, de modo a atingir os atributos necessários à sua identidade. Nossa identidade é nosso modo de ver, sentir, pensar e agir sobre o mundo.


Identidade

O ser humano é uma totalidade que se realiza materialmente no tempo e no espaço, e, ao mesmo tempo, é uma individualidade, parte dessa totalidade.

Ciampa (1984) afirma que nossa identidade é uma totalidade contraditória, múltipla e mutável, mas ao mesmo tempo una. Por mais que apresentemos contradições no modo de ver, pois podemos mudar com o tempo, continuamos sendo o eu na sua essência: único, singular e reconhecido como tal.

Uma vez que nossa identidade não é social, não podemos separá-la da sociedade, pois as diferentes formas de apresentá-las estão relacionadas com as diversas configurações do social.

Embora o sujeito seja uma totalidade, em cada situação da vida manifesta uma de suas partes, como se fosse um desdobramento das múltiplas configurações. Sua identidade manisfesta-se de várias maneiras através de uma rede de representações que permeia todas as relações, na qual uma identidade reflete a outra.

Segundo Ciampa (1984), antes de nascermos já temos uma representação no mundo. E nesse processo de formação da identidade são apresentados dois conceitos importantes:




Diferença - O grupo social nos dá a diferença: nosso nome, que nos torna únicos e singulares.

Igualdade - E nos dá igualdade: nosso sobrenome, que nos iguala.


Vários autores consultados como Ciampa, Bock, Wallôn, Vygotsky, concordam que, na formação da identidade, o conhecimento próprio é dado pelo conhecimento recíproco dos indivíduos através de seus grupos sociais, com sua história, tradições, valores, etc.

Inicialmente há uma identidade total entre a criança e o outro. Num outro momento, a criança passa a perceber o outro como alguém que está fora dela. Num terceiro momento, é capaz de se colocar no lugar do outro, sem perder sua própria identidade.

No processo de formação da identidade, o sujeito é individual e singular, mas ao mesmo tempo exerce uma multiplicidade de papéis sociais (professora, aluna, mãe, filha esposa, amiga, vizinha). Bock (1988) nos diz que assumir cada um desses papéis significa aprender a ser e a internalizar cada um desses valores, expectativas e julgamento dos outros a respeito de si próprio e idéias a respeito de si e dos outros. Assim vão se formando a auto-imagem (a imagem que cada um tem de si) e a auto-estima (o valor que cada um atribui a si mesmo). Nesse processo de formação do eu, temos modelos ao nosso redor de que tiramos características com as quais nos identificamos e procuramos assimilar.

Para compreendermos a identidade de alguém, precisamos compreender sua história, entender o outro como constitutivo de si próprio, e também o contexto social, político e cultural em que está inserido e que, por estar em processo de transformação, leva a pessoa a também alterar sua identidade.
Identificações

A formação da identidade está intimamente associada às identificações passadas. A integração da personalidade é a soma das antigas introjeções maternas e paternas e recentes identificações com figuras ideais. Em nossa identidade, encontram-se resquícios significativos de pais, professores, vizinhos, amigos, heróis da tv, de histórias, da vida real, além dos costumes, tradições, normas, valores sociais e morais da família e do grupo social a que pertencemos. Todos estes elementos são analisados, selecionados e integrados por nosso eu, resultando uma identidade integrada e diferenciada.

Para D’Andrea (1978), identidade é, então, a capacidade do sujeito de colocar-se em oposição e conseguir o reconhecimento do outro.

O ser humano busca as realizações interiores, cujas expectativas nem sempre correspondem às condições do meio. A definição de sua identidade está, pois, em conquistar seu valores, sua profissão, seu modo de ser, mesmo que este seja contrário ao que o meio lhe impõe. Nesse reconhecimento do outro é que firmamos nossa identidade.

O sujeito que, no final da adolescência, ainda não conseguiu afirmar sua identidade, não sintetizou e integrou esses modelos em sua vida, poderá ser uma pessoa em permanente crise, confusa e desajustada, que representará papéis difusos e contraditórios, nos quais dificilmente se encontrará.

Buscando entender a identidade como produção social e histórica, nos reportamos a Oliveira (1994), que aborda Wallôn e Vygotsky em seus enfoques sociais.




A identidade segundo Wallôn

Em seus estudos sobre o eu, Wallôn diz que a construção do conceito do eu só é compreendida numa estreita relação com o outro. Para ele, esta identidade é uma individualização progressiva que as circunstâncias de vida impõem e que fazem com que nos tornemos uma pessoa única e peculiar.



A identidade segundo Vygotsky

Enquanto Wallôn nos fala de uma subjetividade construída social e historicamente, Vygotsky fala de uma crescente apropriação de modos de ação culturalmente elaborados e apropriados a partir do contato social. Nessa interação, o sujeito internaliza, e torna seu, o modo de ação que eram partilhados com os outros.



As transformações que ocorrem na sociedade moderna provocam mudanças em nossas identidades pessoais, muitas vezes abalando a idéia que temos de nós próprios, o que pode provocar as chamadas “crises de identidade”.

A abordagem do sujeito com uma identidade única e singular, mas ao mesmo tempo múltipla, contradiz com a visão da pós-modernidade. Hall (1999) coloca que o sujeito de identidade unificada e estável está se fragmentando e que ele é composto de várias identidades, às vezes contraditórias ou não resolvidas.

Na visão da pós-modernidade, o sujeito assume identidades diferentes em momentos diferenciados. Somos confrontados com uma grande infinidade de possíveis identidades, com as quais nos identificamos pelo menos temporariamente. As identidades podem ser variáveis e contraditórias, mudando de acordo com a forma como o sujeito é questionado ou representado. A identidade está sujeita a várias construções/ transformações e influências, num processo constante.


A construção da identidade

Sendo processo, a identidade se define nas relações vividas no cotidiano. Podemos dizer que sua construção ocorre à medida que nos vemos como pessoas, participantes de um grupo com características próprias, que procuram, no grupo, uma identidade enquanto seres sociais e a constroem na individualidade como seres únicos. Agnes Eller (1992) diz que “[...] o homem nasce inserido em sua cotidianidade. O amadurecimento do homem significa, em qualquer sociedade, que o indivíduo adquire todas as habilidades imprescindíveis para a vida cotidiana da sociedade (camada social) em questão. É adulto quem é capaz de viver por si mesmo a sua cotidianidade”.

A nossa formação como pessoas e como profissionais é influenciada pelos mais variados aspectos da vida humana: psicológicos, filosóficos, históricos, e outros. A partir dessa influência, formamos a nossa identidade, que influenciará a nossa vida profissional e pessoal e que permeará o nosso cotidiano. No realizar das mais variadas tarefas (físicas, intelectuais), revelamos a nossa identidade pessoal e profissional que nos torna seres únicos e insubstituíveis, pois cada um de nós tem um jeito especial de direcionar o trabalho e encontrar soluções cotidianamente.
O cotidiano e a identidade

O cotidiano de cada pessoa compreende afazeres da vida pessoal, atividades de trabalho e atividades de lazer. As atividades de lazer envolvem, de modo geral, televisão, reuniões sociais, leituras, trabalhos manuais, uso da Internet, viagens, passeios, etc.

Nessas ocasiões, interagimos com grupos, levando influências de nossa vida pessoal e profissional e recebendo influências do cotidiano da vida de cada um dos elementos do grupo e do local onde vivemos.

As leituras enriquecem o nosso cotidiano com as palavras e imagens que hoje encontramos nos mais variados livros. É pela leitura que adquirimos informações e também desenvolvemos o nosso imaginário.

A Internet contribui com informações e imagens, além de aumentar o numero de nossos amigos pelo bate-papo ou pelo uso do e-mail.

Nos afazeres da vida pessoal, executamos tarefas de acordo com os papéis que desempenhamos: pai, mãe, filho, irmão, irmã, esposo, esposa, etc.

É nesse sentido que formamos a nossa identidade pessoal: como algo que vai sendo construído num processo de consciência gradativa das capacidades, possibilidades e probabilidades de execução.

Dessa maneira, refletindo sobre o cotidiano e a escola, Borsato (1998), nos diz que a sala de aula repete as lendas gregas dos heróis Sísifo e Prometeu. Sísifo nasceu condenado a rolar eternamente uma grande pedra ao pico de uma montanha donde ela recaía sem cessar. Prometeu empreendeu um trabalho à primeira vista mais extraordinário. Subiu aos céus, roubou o fogo dos deuses e criou, com a força desse fogo, a primeira civilização. Fazendo uma analogia, a autora afirma que

Portanto, nós professores nos assemelhamos a Sísifo, quando, todas as semanas, meses e anos, repetimos, de alguma forma e várias vezes, conteúdos ensinados às mais diversas turmas. É claro que, mesmo repetindo esse ato, rolamos a pedra sempre de formas variadas. Também nos assemelhamos a ele pelo eterno recomeço e pela energia despendida nesse recomeçar cotidiano.

E igualmente nos assemelhamos a Prometeu, quando ao roubar o fogo dos deuses, construímos, junto com o aluno, o conhecimento novo. Quando no ordinário da vida, no repetir do dia a dia, atingimos ambigüamente o extraordinário do momento em que um aluno com dificuldades conseguiu melhorar; quando usamos uma técnica nova e ela deu bons resultados; quando conhecemos um conteúdo novo e o repassamos para a turma com êxito; quando abordamos um assunto sob uma nova perspectiva e assim sucessivamente. E quando um aluno que dizia não ter entusiasmo pela disciplina que lecionamos, de repente, afirmar que está entusiasmado? É aí que o extraordinário da vida escolar se revela. Então, professor, não é essa paixão pela sala de aula que torna o nosso cotidiano tão gratificante? (BORSATO, 1998).


A minha identidade como professor
“Ser educador, hoje, é acreditar nas possibilidades da escola, na capacidade do ser humano de transformar-se, ter esperança de dias melhores, de realizar um bom trabalho e tê-lo reconhecido”.
Nesse sentido é que se faz necessário discutirmos nossa identidade, quem somos e o que fazemos, porque, segundo Habermas apud Silva (1995) a identidade do professor depende, em grande parte, da apropriação das experiências forjadas na dinâmica histórica da escola (brasileira), do pertencer ao grupo social chamado professorado e do participar em interações socializadoras com meus pares.

A identidade como professores é resultado da nossa formação, das nossas experiências, do nosso trabalho, da nossa inserção em um determinado momento histórico e social. Conforme ressalta Pimenta (1996), a identidade não é um dado imutável. Nem externo, que possa ser adquirido, mas é um processo de construção do sujeito historicamente situado. A profissão do professor emerge em dado contexto e momento históricos, como resposta a necessidades que estão postas pela sociedade, adquirindo estatuto de legalidade.

No que se refere à educação escolar, constatamos que, no mundo contemporâneo, ela não tem correspondido às exigências da população envolvida, nem às exigências das demandas sociais, o que nos leva a questionar a importância de definir a nossa identidade profissional como professores, tendo sempre em mente:


  • Qual professor se faz necessário nas escolas de hoje em virtudes das mudanças do mundo contemporâneo?

O ideal é um professor que conduza o ensino no sentido de atender as proposta de uma educação voltada à preparação dos alunos para o mundo do trabalho e para a prática social?
Assim, é preciso definir uma nova identidade para o professor de hoje. Um professor cuja profissão tenha um novo significado social, no qual as práticas pedagógicas sejam diferenciadas, novos valores e conhecimentos sejam colocados como forma de humanização do processo educativo. Esse professor precisa construir seu saber-fazer a partir das necessidades e desafios do ensino do mundo moderno.

O professor é um ser em movimento, com valores, crenças e atitudes que constituem a sua identidade. Também estão presentes suas motivações, interesses e expectativas, que determinam o modo de ser do profissional. É a identidade que define o seu modo de ser no mundo num dado momento, com sua cultura e história. Quando se fala em identidade, diz-se que ela é construída, e o sujeito só é sujeito nas suas relações com o outro. Dessa forma, a identidade do professor só existe nas suas relações com seu trabalho, com sua cultura, com as instituições educacionais e com seu aluno. Uma identidade profissional se constrói a partir da significação social da profissão, da revisão constante dos significados sociais da profissão, da revisão das tradições, mas, também, da reafirmação de práticas consagradas culturalmente e que permanecem significativas.

Constrói-se, também, pelo significado que cada professor confere à atividade docente no seu cotidiano, a partir de seus valores, de seu modo de situar-se no mundo, de sua história de vida, de suas representações, de seus saberes, de suas angústias e anseios, do significado que tem em sua vida a opção de ser professor. A identidade relaciona-se intimamente com as formas que caracterizam as funções e papéis sociais que assumimos e como reagimos diante deles, levando em conta os saberes da experiência.
O papel da experiência

Os saberes da experiência são aqueles que os professores produzem no cotidiano docente, num processo permanente de reflexão sobre sua prática mediatizada pelos colegas de trabalho e pelos textos produzidos por outros educadores. A identidade se constrói, então, no confronto com novas teorias educacionais e através da visão crítica, dos valores, da postura perante esse mundo de conhecimento, da história de vida, dos saberes e do sentido conferido à profissão.

A identidade é respaldada pela memória, quer individual, quer social. Percebemo-nos no nosso dia-a-dia como pessoas inseridas num certo contexto familiar e comunitário, num contexto de classe, num segmento de cultura, num trabalho que nos direciona para uma postura compreensivo-reflexiva da nossa ação e do nosso jeito de ser.

Na nossa ação como professores, na nossa maneira de agir, revelamos ou escondemos uma identidade complexa que nos caracteriza dentro e fora das salas de aula.




O resgate da nossa história

Uma tentativa possível e indicada para nos conhecermos melhor, para compreendermos como somos, para analisarmos a nossa prática docente diante da atual realidade, procurando modificá-la, enriquecê-la, poderá ser a reflexão sobre a nossa história de vida e nossas memórias.

Laneve apud Pimenta (1996, p.83) aponta, entre outros fatores, o registro sistemático das experiências, a fim de que se constitua a memória da escola, como uma rica possibilidade aos professores de aliarem a sua prática à constituição da teoria. Assim, as memórias, quando analisadas e refletidas, contribuirão para rever e atualizar a nossa prática pedagógica e também para a elaboração teórica dos saberes da nossa experiência.

Segundo Pimenta (1996) “Nas práticas docentes, estão contidos elementos extremamente importantes, tais como:

- a problematização;

- a intencionalidade para encontrar soluções;

- a experimentação metodológica;

- o enfrentamento de situações de ensino complexas;

- as tentativas mais radicais, mais ricas e mais sugestivas de uma didática inovadora, que ainda não está configurada teoricamente”.

Quando falamos em registrar e documentar, estamos falando de escolhas, de recapitular nossas práticas mais significativas, do processo de elaboração e execução dessas práticas, bem como de seus resultados; de rever as questões que nos causam inquietações, as dúvidas e os caminhos a seguir.




A memória “constitui potencial para elevar a qualidade da prática, assim como para elevar a qualidade da teoria”. Isso nos leva a ver o ensino escolar como uma prática social, em que os novos saberes pedagógicos vão sendo construídos da prática e para a prática. Conhecer diretamente as realidades escolares, os sistemas de ensino, realizar observações, coletar dados sobre determinadas situações do dia-a-dia, propor e desenvolver projetos nas escolas, saber o que dizem os teóricos da educação, começar a olhar, ver e analisar as escolas em que trabalhamos, constituem passos importantes na tentativa de colaborar com a construção da nossa identidade como professor. Devemos entender, também, que a nossa formação é, na verdade, auto-formação, uma vez que nós re-elaboramos os nossos saberes iniciais em confronto com nossas experiências práticas, cotidianamente vivenciadas nos contextos escolares. É num processo coletivo de troca de experiências e práticas que nós, professores, iremos construir nossos saberes como aqueles que, constantemente, refletem na e sobre a prática.

A repercussão da nossa identidade como professor fica mais forte quando se sabe que, por meio da atividade de educar – proporcionada na escola – a reflexão sobre a nossa identidade afetará a edificação das identidades de nossos alunos. Em síntese...


Refletir a prática ou ter uma atitude questionadora evidencia a necessidade de rever e analisar a nossa própria história de vida, como pessoa e profissional que a viveu, que a interpreta e a re-elabora. Nesse sentido, cabe a cada um de nós indagar – num exercício que nos leva a elucidar os nossos problemas – sobre nossas falhas, para que possamos criar mecanismos de abertura a novos enfoques e dar prosseguimento ao desejo de criar, inovar e enriquecer a nossa ação, nossa profissão e nossa vida.

(Re) conhecendo minha sala de aula
Embora na sociedade atual coexistam diferentes formas de acesso ao reconhecimento, é possível afirmar que a escola constitui-se num lócus ainda privilegiado de aprendizagem.

Trata-se de (re) significá-la. De acordo com Candau:

A escola está chamada a ser, nos próximos anos, mais do que um lócus de apropriação do conhecimento socialmente relevante, o científico, um espaço de diálogo entre diferentes saberes – científico, social, escolar, etc. – e linguagens. De análise, crítica, estímulo ao exercício da capacidade reflexiva e de uma visão plural e histórica do conhecimento, da ciência, da tecnologia e das diferentes linguagens. É no cruzamento, na interação, no re-conhecimento da dimensão histórica e social do conhecimento que a escola é chamada a se situar.(2000, p.14)
Resumo:

A temática tem como finalidade a reflexão sobre o significado da sala de aula enquanto espaço de diálogo, de vivência, de interação e de encontro entre diferentes saberes e linguagem. Esse espaço adquire sentido na relação com a vida dos alunos e com a vida dos alunos e com o contexto societário global.


E que espaço tão bem retrata vivências e histórias, além de refletir diferentes saberes e linguagem? A sala de aula!
Pensar sobre o significado desse espaço e a trama de relações nele existentes implica fazermos algumas perguntas:
. Alunos, quem são eles?

. Como acontecem as relações entre escola, família e comunidade?

. Estou com os meus alunos na escola? E na vida?


  • Alunos, quem são eles?

“ o fundamental na sala de aula é a professora e a criança. É o professor e o aluno.” (GARCIA, 1997, p.12)


A aprendizagem envolve, em sua complexidade, diferentes aspectos que não podem ser negligenciados. Além da inteligência, a aprendizagem envolve aspectos orgânicos, corporais, afetivos e emocionais que precisam estar em harmonia par que ela ocorra de forma satisfatória.

A sala de aula é um espaço dinâmico e interativo. Lugar de troca, partilha e construção conjunta. Lugar de conhecimento mútuo: precisamos conhecer nossos alunos e eles precisam nos conhecer também.

Conhecer nossos alunos é um processo que se inicia desde os primeiros dias de aula. Quanto maior for esse conhecimento, maior será a eficácia da nossa ação pedagógica, pois podemos mobilizar interesses, curiosidade, conhecimento prévio, aspectos das histórias de vida, articulando-os com os conhecimentos que integram o currículo a ser desenvolvido. Conhecer nossos alunos nos auxiliará a trabalhar com as condições e a respeitar as diferenças.
A escola e as diferenças
No livro “CUIDADO, ESCOLA” (Harper et al, 1980), encontramos uma afirmação bastante forte:

“A escola não leva em conta as diferenças.”


Há, realmente, uma tendência à homogeneização e à exclusão da diferença. Em contrapartida, há a proposta de se construir uma sociedade inclusiva, que reconheça e conviva com as diferenças. E quais são as diferenças que precisam ser reconhecidas?


  1. Diferenças nas condições materiais de vida: as condições de vida, o local de residência, o meio ambiente e o tempo de que se dispõem os pais para se ocupar das crianças e ajudá-las nas tarefas escolares, desempenham um papel decisivo nos resultados obtidos pelos alunos nas escolas.

  2. Culturais: quando a criança chega à escola, ela traz consigo experiência, atitudes, valores, hábitos de linguagem, que constituem a cultura de sua família e de seu meio social. A escola precisa reconhecer essas características sem desrespeitá-las ou inferiorizadas.

  3. Diferenças nas experiências adquiridas fora da escola: as experiências e conhecimentos variam fortemente segundo o ambiente de onde provêm os alunos e estas experiências precisam ser incorporadas ao trabalho escolar, como ponto de partida.

  4. Diferenças de atitude dos pais em relação à escola: as expectativas dos pais em relação à escola variam conforme o meio social de onde vêm ou em que vivem. O papel da escola é garantir o sucesso escolar de todos os alunos, por meio da aquisição dos conhecimentos, valores e atitudes.




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