A contribuição da corrente elétrica de alta voltagem no reparo de úlcera de pressão



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A contribuição da corrente elétrica de alta voltagem no reparo de úlcera de pressão.
Dani Andréia Novello Orejuela (Uniamérica) Janaina Paula Aroca (Orientadora-Uniamérica), e-mail: jparoca@uol.com.br
Palavras chaves: Estimulação elétrica, Fisioterapia, Cicatrização.
Resumo

As úlceras de pressão se constituem em problema para reabilitação do paciente acamado, além de estarem associadas a altas taxas de morbi/mortalidade, sendo, entretanto, dispensada pouca atenção à prevenção e ao tratamento das mesmas. Este trabalho teve por objetivo avaliar o efeito do tratamento por estimulação elétrica de alta voltagem sobre a área e profundidade de úlceras de pressão de pacientes acamados. Foi possível verificar que todas as úlceras tratadas obtiveram melhora, com diminuição das suas dimensões, sugerindo que do uso de correntes elétricas para o tratamento de úlceras de pressão é válido, auxiliando na resolução do seu quadro.


Introdução

As úlceras de pressão, também conhecidas como úlceras de decúbito ou escaras, são áreas localizadas de necrose celular e destruição vascular que sofreram exposição prolongada a compressões que excederam a pressão capilar (KOTTKE e LEHMANN, 1994). Trata-se de um acometimento secundário, principalmente em pacientes incapazes de mover-se, que impossibilita a participação do paciente em várias atividades físicas do programa de reabilitação, e comumente o que parece ser uma pequena ferida é na realidade uma lesão profunda, por vezes estendendo-se até o osso, com formação de cavidades e fístulas (GONÇALVES e PARIZOTO, 1998).

Apesar de grandes avanços feitos pela medicina moderna, pouca atenção tem sido dada à prevenção das úlceras de pressão. É importante ressaltar que elas estão normalmente associadas com as altas taxas de morbidade e mortalidade. Na fisioterapia, estudos realizados demonstram que as correntes elétricas exercem um efeito positivo no tratamento de úlceras de pressão, auxiliando na resolução do processo inflamatório e aceleração do processo de cicatrização.

O uso da estimulação elétrica para promover a cicatrização das feridas não é uma abordagem recente. O principio é que as feridas que cicatrizam normalmente demonstram características elétricas que podem ser superpostas à feridas que não estão cicatrizando na velocidade normal, na tentativa de disparar o processo de cicatrização e reparo (LOW e REED, 2001).

Existem evidências acerca do uso da estimulação elétrica de alta voltagem (EEAV) no tratamento de edema e principalmente de lesões cutâneas crônicas, podendo se tornar um valioso recurso a ser utilizado pelo fisioterapeuta em nosso meio. Contudo, a sua utilização no nosso país ainda é restrita, seja decorrência da pequena oferta de equipamentos, bem como do atual nível de conhecimento dos profissionais (DAVINI et al., 2003). Assim, julgou-se oportuno verificar os efeitos da EEAV no processo de reparo de úlcera de pressão de pacientes acamados.

Materiais e métodos
Participaram deste estudo voluntários acamados, que apresentassem úlceras de pressão não infectadas, em qualquer estágio, independentemente do local de ocorrência. As úlceras forma submetidas a tratamento utilizando o equipamento de estimulação pulsada de alta voltagem, modelo Neurodyn High Volt® (IBRAMED), com os seguintes parâmetros: T = 10 µs, f = 100 Hz, 180 volts. Os eletrodos ativos foram posicionados sobre a úlcera com a polaridade negativa, interpostos com gaze estéril embebida em soro fisiológico. O eletrodo dispersivo foi posicionado a aproximadamente 20 cm dos eletrodos ativos, na região posterior direita do tórax. A avaliação da úlcera foi realizada por um mesmo operador na semana antes do início do tratamento, e após, a cada semana, segundo os seguintes critérios: Área da ferida: considerada a maior largura e maior altura (medidas com paquímetro digital) para se determinar o diâmetro aproximado. Profundidade da ferida: utilizando swab esterilizado para verificar a maior profundidade da ferida, que era registrada em cm. Aparência da ferida: avaliada quanto à presença e quantidade dos seguintes tecidos: de granulação, necrótico e infeccioso. Além disso, foram tomados registros fotográficos em todas as avaliações para acompanhamento da evolução da ferida.
Resultados e discussão
Foram estudadas e tratadas cinco úlceras de pressão. Estas úlceras estavam presentes em um total de dois pacientes. Com objetivo de facilitar o entedimento dos resultados, as úlceras foram denominadas em úlcera 1, 2, 3, 4 e 5. As úlceras 1, 2 e 3 pertencem ao paciente A. As úlceras 4 e 5 pertencem ao paciente B.

A localização das úlceras foram em sacro, tracanter e tuber esquiático. As medidas sagital, transversal e de profundidade de cada úlcera tratada, antes e após o tratamento, podem ser observadas na tabela 1.







ÚLCERAS




1

2

3

4

5




S

T

P

S

T

P

S

T

P

S

T

P

S

T

P

7 dias antes atendimento

9,5

5,5

0

4,5

3,5

0

1,5

0,7

0

7,0

6,5

2,0

8,5

7,0

2,0

antes do 1º atendimento

10

5,0

0

6,0

3,5

0

1,5

0,9

0

7,5

6,0

2,4

8,5

6,5

2,4

final do 10° atendimento

8,8

4,6

0

5,1

3,1

0

0,6

0,5

0

6,7

5,6

0,6

8,6

5,6

0,9
S=media sagital T=medida transversal P=medida da profundidade

Tabela 1 – Medidas das úlceras em 3 tempos (cm).


Em termos de porcentagem, a úlcera 1 obteve melhora de 10% em média (média entre medida transversal e sagital). A úlcera 2 obteve melhora de 13,2%. Úlcera 3, 57,7%. Úlcera 4 melhorou 30,8% em média (média da medida transversal, sagital e profundidade). A úlcera 5 melhorou 22,9%.

Griffin et al (1991) em seu estudo sobre a eficácia da EEAV em 17 úlceras de pacientes com lesão dorso-espinhal demonstraram redução significativa no tamanho das úlceras tratadas comparadas com as que receberam tratamento placebo. Pizano (2007) encontrou resultados semelhantes ao avaliar a EEAV na cicatrização de 4 úlceras cutâneas crônicas. Corroborando com esses resultados, Houghton et al (2003) constataram efeito positivo da EEAV sobre o reparo de 42 úlceras cutâneas crônicas de diferentes etiologias.

Os mecanismos pelos quais a EEAV promove a cicatrização de úlceras cutâneas não estão totalmente esclarecidos, porém, uma das hipóteses mais provável para explicar o sucesso dos tratamentos parece estar relacionada ao efeito bactericida promovido por esse recurso terapêutico. Especula-se que as mudanças eletroquímicas são as principais responsáveis por esse efeito, pois parecem ocasionar mudanças no pH, geração de calor localizado e, por fim, o recrutamento de fatores antimicrobianos já presentes no organismo. Visto que a quantidade de estudos existentes na literatura a respeito desse tema é bastante limitada, a necessidade de novos estudos é evidente, devido a grande incidência desse tipo de lesões em nosso país. A outra hipótese refere-se ao aumento circulatório (DAVINI et al, 2005) o que acarretaria em maior disponibilidade energético na região tratada.
Conclusões
A análise dos resultados obtidos demonstrou que as úlceras tratadas com o método proposto apresentaram diminuição importante em suas dimensões. Dessa forma, sugerímos que a intervenção fisioterapêutica através do uso de correntes elétricas para o tratamento de úlceras de pressão é válida, auxiliando na resolução do seu quadro.
Referências Bibliográficas
DAVINI, R; NUNES, C; GUIRRO, E; GUIRRO, R. Estimulação elétrica de alta voltagem: uma opção de tratamento. Revista Brasileira de Fisioterapia. v. 9, n. 3, p. 249-256, 2005.

GONÇALVES, G; PARIZOTTO, N. Fisiopatologia da reparação cutânea: atuação da fisioterapia. Revista Brasileira de Fisioterapia. Ano 4, n. 1, p.5-13, 1998,

GRIFFIN, J. W; TOOM, R. E; MENDIUS, R. A; et al. Eficacy of high voltage pulsed current for healing of pressure ulcers in patients with spinal cord injury. Physical Therapy, v. 71, n. 6, p. 433-444, 1991.

HOUGHTON, P.; KINCAID, C.; LOVELL, M.; CAMPBELL, K.; KEAST, D.; GAIL-WOODBURY, M; HARRIS, K. Effect of electrical stimulation on chronic leg ulcer size and appearance. Physical Therapy,v. 83, n. 1, p. 17-28, 2003.

KOTTKE, F; LEHMANN, J. Tratado de medicina física e reabilitação de Krussen. 4. ed. São Paulo: Manole, 1994.

LOW, J.; REED, A. Eletroterapia explicada: princípios e prática. 3. ed. São Paulo: Manole, 2001.



PIZANO, C. A.. Estimulação elétrica de alta voltagem em úlceras cutâneas crônicas. UNIMEP, 2007.


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