A contribuiçÃo da literatura infantil para o ensino de geografia nas séries iniciais



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A CONTRIBUIÇÃO DA LITERATURA INFANTIL PARA O ENSINO DE GEOGRAFIA NAS SÉRIES INICIAIS
Tatiane Maria Kasprik (UNICENTRO), e-mail: tatianekasprik@hotmail.com

Fernando de Moraes Gebra (Orientador – Dep. de Letras/UNICENTRO), e-mail: fernandogebra@yahoo.fr
Palavras-chave: Geografia, Literatura, Ensino.
RESUMO

Este projeto tem como objetivo primordial, reconhecer a contribuição da Literatura Infantil para o ensino de Geografia nas séries iniciais, co-relacionando os conteúdos programáticos pertinentes a esta fase com o lúdico presente na Literatura infantil, a fim de contextualizar os conceitos das categorias de análise da Geografia, como o espaço, sob a ótica humanística, permeada por uma visão sócio-construtivista.


INTRODUÇÃO
Para o desenvolvimento do ensino geográfico, é necessário selecionar os conteúdos mais significativos e relevantes. A leitura do mundo, do ponto de vista da espacialidade, demanda da apropriação pelos alunos de um conjunto de instrumentos conceituais de interpretação e de questionamento da realidade sócio-espacial. Não adianta transmitir conceitos previamente definidos, e sim propiciar condições para que os alunos possam formá-los. Essa é a proposta defendida por Vygotsky, que permeará o trabalho referente ao ensino-aprendizagem. Corroborando com esta proposta, identificamos pontos comuns desta metodologia de trabalho com a da Geografia Humanística. Para melhor elucidar os pressupostos escolhidos, optou-se por validar os conceitos das categorias de análise da Geografia, na leitura da obra de Christofoletti, visto que a Geografia humanística procura valorizar a experiência do indivíduo e do grupo, visando compreender o comportamento e as maneiras de sentir das pessoas em relação aos lugares, permeada pela Literaura Infantil, cujo foco, será explorar tais conceitos através do lúdico.
MATERIAIS E MÉTODOS
Frente ao desafio de reunir conhecimentos científicos e conhecimentos escolares, com a intenção de contribuir para a formação de cidadãos mais independentes, mais críticos e mais participativos, tem-se a necessidade de equacionar de forma eficaz os pressupostos da ciência geográfica, seus conceitos referentes ao seu objeto de investigação, ou seja, relacionar ciência e prática escolar, ou, mais objetivamente, como tratar essa ciência em sala de aula.

Christofoletti, na sua obra Perspectivas da paisagem, faz referencia à visão paradigmática da Geografia Humanística, que cujo foco de identificação baseia-se num conjunto de relações culturais entre um grupo e lugares particulares, ou seja, uma aproximação simbólica de uma porção do espaço por um determinado grupo ou elemento constituinte da realidade, isto é, parte do princípio de que cada indivíduo tem sua experiência de vida.

Assim, pretende explicar que o aluno deverá conhecer a si mesmo, seu espaço, o reconhecimento de seu próprio mundo, tal como o trajeto casa-escola, adentrando aos poucos no universo de conceitos a que está inserido.

Dessa maneira, a Geografia resgata o seu papel fundamental na formação de nosso aluno, considerando-o enquanto sujeito de seu tempo, responsável e co-responsável pelo espaço em que vive. O objeto de estudo é o espaço, estando a categoria lugar nele implícita.

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, lugar “traduz os espaços com os quais as pessoas têm vínculos mais afetivos e subjetivos que racionais e objetivos: uma praça, onde se brinca desde menino, a janela onde se vê a rua, o alto de uma colina, de onde se avista uma cidade.” (1997, p.76). O lugar é onde estão as referências pessoais, é o sistema de valores que direcionam as diferentes formas de perceber e constituir a paisagem e o espaço geográfico.

Isso significa que lugar é uma categoria de pertencimento, que vai além moradia ou da escola. A partir daí, a análise poderá ser encaminhada para o entendimento do espaço geográfico, através de sucessivas aproximações do real estudado.

Essa capacidade interpretativa deve ser estimulada, tornando o aluno capaz de utilizar textos cuja finalidade seja compreender um conceito, apresentar uma informação nova, criar hipóteses etc. A Literatura infantil salvaguarda em sua estrutura uma fonte riquíssima de aprendizagem, pois tem o poder de trabalhar diferentes conceitos, informações, de forma lúdica. Por isso, ressalta-se a importância da Literatura infantil, que pode e deve estar presente em todos os momentos de aprendizagem, inclusive para o ensino da Geografia.

Tendo em vista que se quer desenvolver uma prática pedagógica que se apóie numa concepção que, ao mesmo tempo, atenda e responda como os alunos aprendem, como os professores ensinam e quais os conteúdos devem ser ensinados, recorre-se à contribuição de Vygotsky. De acordo com o referido autor, no que se refere ao desenvolvimento humano, deve-se considerar a importância dos conteúdos pedagógicos como resultantes de uma produção social que determina o processo de ensino-aprendizagem.


RESULTADOS E DISCUSSÕES
Para a viabilização deste projeto, foram selecionados livros infantis cujas temáticas têm relação com o conteúdo programático proposto nas séries iniciais do Ensino Fundamental, com o objetivo de ampliar, expandir o tema, o assunto e/ou a problemática abordada em sala de aula.

O primeiro tema a ser abordado pela 1ª série do ensino fundamental é o lugar onde a criança/educando vive. O objetivo desta unidade é levar o aluno a reconhecer, no seu cotidiano, os referenciais espaciais de localização, orientação e distância, para que possa representar e localizar o espaço onde vive.

A Literatura terá, neste caso, o papel de trabalhar o lúdico destas informações, fazendo com que a criança espacialize o conteúdo estudado com a leitura de livros infantis. Todavia, os livros infantis não terão somente o papel de fixar o conteúdo trabalhado. Muitas temáticas poderão partir da leitura e análise de uma história infantil, como uma história em quadrinhos.

Muito prazer, dona rua! é um livro escrito por Murilo Cisalpino, com ilustrações de Zeflávio Teixeira, da Editora Spicione. Por meio de versos rimados e originais que vão guiando o leitor por tudo o que existe numa rua, esse livro proporciona uma reflexão sobre os hábitos de quem vive nas grandes cidades.

Pode-se observar pela sinopse do livro que a temática “o lugar onde a criança vive”, ficará mais rica em informações, além de criativa e divertida, pois a linguagem utilizada terá como recurso não só o lúdico utilizado pelo autor, como também as ilustrações. Assim, os alunos terão um acervo de conhecimentos suficientes para interagir com o conteúdo proposto, articulando as observações de seu meio com as trazidas pelo livro, visto que nesta fase as crianças precisam de um estímulo concreto para a compreensão e aprendizagem dos conteúdos.

Ao professor cabe, portanto, promover a compreensão, subsidiando a produção de leituras prazerosas, despertando o gosto pela leitura de diferentes gêneros literários.

Logo, ensinar e aprender são funções tanto do aluno quanto do educador. A partir desse princípio, quanto mais prazerosa for a troca realizada entre os dois, mais rápido e eficiente será o desenvolvimento do processo cognitivo.


CONCLUSÃO
Portanto, ensinar e aprender Geografia significa ir além da realidade aparente e visível, pois os elementos visíveis da paisagem não contêm explicações e os porquês de certas formas de organização do espaço. Assim, evidencia-se a necessidade do conhecimento da dinâmica da natureza e da Literatura infantil enquanto recurso didático-pedagógico e lúdico.

É meta deste trabalho propor parâmetros para tornar as aulas de Geografia um momento de observação e reflexão, bem como construir o conhecimento a partir da própria experiência do educando, e daí ampliar para outras realidades. Nesse processo, o professor tem o papel fundamental de estimular e mediar a aprendizagem.



O lúdico faz parte do processo educativo, uma vez que alia o conhecimento, o cotidiano e a fruição. Logo, a leitura de histórias infantis deve ser um momento de prazer, de envolvimento e descoberta, bem como de interpretações e contextualizações intrínsecas ao conteúdo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CISPALSINO, Murilo. Muito prazer Dona Rua! São Paulo: Spicione, 1989.
CHRISTOFOLETTI, Antonio. Perspectivas da paisagem. 3. ed. São Paulo: Difel, 1985.

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. Geografia e História. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Fundamental. 3. ed. Brasília: A Secretaria, 1997.
VYGOTSKY, L. S. Aprendizagem e desenvolvimento intelectual na idade escolar. São Paulo: Ed. Edusp, 1988.


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