A contribuiçÃo do cristianismo para a ética texto para reflexão



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A CONTRIBUIÇÃO DO CRISTIANISMO PARA A ÉTICA

Texto para reflexão


Dissertar sobre a contribuição do cristianismo para a ética é, seguramente, uma tarefa bastante desafiadora, não somente por se tratar de um arco de tempo que abrange pelo menos dois mil anos de história, como pelas mutações sofridas, especialmente quando se trata da experiência advinda do mundo da pratica, com os desafios que o cristianismo enfrentou em cada período histórico. Há de sublinhar ainda, para começo de conversa, que o cristianismo não somente influenciou 0 mundo com a sua ética, mas também recebeu do mundo importantes contribuições para a formulação da ética cristã, como reconhece a constituição pastoral Gaudium et Spes. Apenas para validar essa constatação com alguns exemplos, basta citar que a ética paulina foi bastante influenciada pelo estoicismo; a ética agostiniana pelo platonismo e neo-platonismo, enquanto a ética tomista recebeu forte influência da ética aristotélica. Dai se constata que a tradição de uma ética constitutivamente cristã teve seu inicio por volta do século III, já com Clemente de Alexandria e Orígenes. Estruturalmente teológica por sua própria natureza, soube integrar elementos da , especialmente da filosofia grega. Claro que todas estas influências, embora trazendo o risco de descaracterização do que seja propriamente cristão, ajudaram muitíssimo na concretização do conceito da ética cristã e da sua possibilidade de universalidade.

Assim colocado o problema, nos sentimos na obrigação de definir o que seja característico da ética cristã. Como ponto de partida vale dizer que a sua fonte de luminosidade se apóia no terreno movediço da experiência histórica, mas na revelação de Deus ao homem, com seus balizamentos seguros, dentro daquilo que é considerado definitivo. Assim a vemos a experiência espiritual de Moisés, ainda no Antigo Testamento, que sobe ao monte para receber as tabuas da lei, que guiaria o povo à liberdade, na terra prometida; assim a vemos ainda no indicativo de Paulo, quando añmla que devemos procurar o que está no alto, onde se encontra Cristo, sentado à direita de Deus. É no alto que está a nossa meta, não nas coisas da terra (Cf. C01 3,1-2). De certo modo esta impostação coincide com a filosofia clássica, uma vez que para os gregos existe política sem ética, e nem ética sem metafísica. Por outro lado, a ética cristã seria redutivamente idealista e sem validade antropológica se não levasse em conta a experiência histórica, aonde o homem vai se auto construindo a partir de suas limitações, de seus desafios e de seus dramas. Não somos nem anjos e nem demônios, estamos a meio termo, com possibilidade de perfeição e de falha, como sustenta Paul Ricoeur “Se levasse em conta a imperfeição humana e a sua busca de crescimento, a ética cristã não teria um rosto humano”.

A partir dos tempos modernos, com forte apoio no pensamento de Tomás de Aquino, as categorias fundamentais da ética cristã vão tomando um rosto bem mais definido. Já nos séculos XV a XVII, com Antonino de Florença e sua Suma Teológica, publicada em quatro volumes e Afonso Maria de Ligúrio e sua Opera Mórula, também publicada em quatro volumes, a teologia Moral Cristã começa a dar passes firmes, adquirindo mais autonomia conceitual, metodológica e didática.

A Teologia Moral Cristã se construiu a partir dos fundamentos divinos. Ele fez aliança conosco para que n'Ele tenhamos vida. Por isso um dos conceitos mais caros para a Teologia Moral Cristã é o conceito de dignidade humana. De tudo o que Deus criou, o homem foi o que ele quis por si mesmo. A Bíblia diz que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança (Gn 1,26-27). A partir desta base fundamental se tece toda e inspiração para o mundo da práxis. Dentro da Ética Cristã, a disciplina da bioética vai denunciar que todo atentado contra a vida humana, como aborto, homicídio, abandono, trabalho escravo, torturas etc., é atentado contra a vida humana e contra o próprio criador. A vida há de ser respeitada e protegida desde a fecundação ate à morte natural. Todas as instituições e modos de organização social, começando pela família, devem contribuir para que a vida humana seja vivida com dignidade. Ela é um dom, mas e também uma responsabilidade colocada em nossas mãos. Por isso outra disciplina importante dentro da Teologia Moral, a Moral Sexual e Matrimonial, visa educar para que a sexualidade seja conjugada com a responsabilidade e a família seja o ninho onde a vida possa ser protegida e se desenvolver com toda a sua mudança. A Moral Social Cristã, outra disciplina da Teologia Moral, sustenta que ao estado cabe o papel de zelar pelo bem comum. No pensamento de Tomás de Aquino se trata do bem comum material dos cidadãos, que deve ser disposto em quantidade suficiente para se viver bem, assegurando ainda que a distribuição dos benefícios do desenvolvimento econômico deve alcançar a totalidade dos cidadãos. Esta é a razão de ser do estado. Mas cabe ainda a todos os corpos intermédios, tais como, sindicatos, cooperativas e associações, bem como todas as instâncias educativas da sociedade, começando pelo importante papel dos intelectuais, contribuir para que o bem comum seja o bem de todos. Bem, que na concepção cristã não se reduz ao bem material, mas sem este se torna impossível adquirir outros bens. O bem simbólico (educação) e bem espiritual (intimidade com o criador) completa o elenco dos bens capitais. Estas três categorias de bens, que segundo a ética cristã, são importantíssimas para o desenvolvimento humano.

Esta estruturação da ética cristã, que abrange quase vinte séculos de historia, contou a contribuição de muitos teólogos e filósofos cristãos. As homilias dos grandes pregadores, as encíclicas papais e os estudos teológicos e compõem este universo da ética cristã.

Pe. Moacir Pinto, pároco de Conceição da Barra.



Diocese de São Mateus.


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