A dádiva do rabino



Baixar 7.11 Kb.
Encontro29.07.2016
Tamanho7.11 Kb.

A DÁDIVA DO RABINO


Com as lembranças que ficaram da leitura que fiz, há algum tempo, de uma maravilhosa história, vou procurar recontá-la. Seria a minha versão de uma história que deve ter muitas outras versões mas, por certo, um só título, a Dádiva do Rabino.

É a história de um mosteiro e de uma Ordem decadentes. O que existia era o que restara de tempos difíceis. Havia sido uma grande Ordem com muitas ramificações, há uns duzentos anos atrás, mas só restavam agora cinco monges, um abade e quatro outros, e todos com mais de 70 anos de idade. Realmente a Ordem estava no fim e o mosteiro em ruínas.

Ocorre que, na floresta densa que cercava o mosteiro, havia uma pequena cabana, em que um rabino de uma cidade vizinha costumava usar para retiro e meditação.

Os monges sempre percebiam quando o rabino estava presente e, um dia, ocorreu ao abade que via a sua Ordem agonizando, visitar o rabino e perguntar se ele tinha alguma sugestão que pudesse salvar o mosteiro.

O rabino recebeu muito bem o abade e, quando este explicou o motivo da sua visita, o rabino pode apenas se solidarizar com ele dizendo que entendia o que estava acontecendo. Disse que “o espírito havia abandonado as pessoas” e que o mesmo havia acontecido na sua cidade onde quase ninguém ia mais à sinagoga e, diante dos fatos, restou apenas chorarem juntos. Depois leram trechos da Torá e falaram de coisas profundas. Mas, quando chegou o momento de regressar, o abade, abraçando o rabino, disse que o encontro tinha sido maravilhoso, mas aproveitou a oportunidade para insistir e perguntou se o rabino não tinha, pelo menos, algum conselho que pudesse salvar a Ordem agonizante. Infelizmente não tenho, voltou a dizer o rabino, mas a única coisa que posso afirmar é que o “Messias é um de vocês”.

Quando o abade regressou ao mosteiro, todos os monges o cercaram e perguntaram sobre a visita e sobre o que o rabino havia falado. O abade falou da visita e relatou que diante do estado de desolação em que as suas comunidades viviam, tinham chorado juntos. Que tinham lido partes da Torá e que a única coisa que o rabino havia dito, e que era algo enigmática, é que o Messias é um de nós e que ele, o abade, não sabia exatamente o que o rabino tinha desejado dizer.

Nos tempos que se seguiram, os velhos monges meditaram acerca do possível significado das palavras do rabino. O Messias é um de nós? Um dos monges do mosteiro? Se fosse, qual deles seria? Talvez o abade. Sim, possivelmente seria o abade, o líder por mais de uma geração. Mas poderia ser o irmão José, um homem santo e todos sabiam que José era um homem iluminado. Certamente não seria o irmão Mário, às vezes irritadiço mas, afinal, que quase sempre ele estava certo nas suas colocações. Talvez Felipe fosse o Messias. Por certo o rabino não se referia a mim, que sou apenas uma pessoa comum, pensava um dos monges. Mas suponha que seja eu o Messias. Ho! Não. Eu não poderia ser tanto.



Pensando assim, os monges começaram a se relacionar mutuamente com um extraordinário respeito porque um deles era o Messias. E porque a floresta em que viviam era muito bonita, acontecia que as pessoas da cidade iam lá para passar o dia e aproveitavam para visitar o velho mosteiro, orar e meditar na capela em ruínas e, procedendo desta forma, sentiram a aura de extraordinário respeito que rodeava os cinco monges e que se irradiava e penetrava na atmosfera do lugar. Havia algo de estranhamente atraente. Não se davam conta do porquê, mas eles começaram a voltar mais freqüentemente e passaram a trazer os seus amigos a este local tão especial. E os amigos passaram a levar outros amigos. E aconteceu que alguns jovens que visitavam o mosteiro conversavam com os velhos monges e alguns perguntaram se podiam se juntar a eles. Depois outros e mais outros manifestaram o mesmo desejo. Assim a Ordem prosperou e, graças à Dádiva do Rabino, tornou-se um grande e vibrante centro de luz e de espiritualidade.


Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal