A diversidade cultural brasileira sob o olhar de um deputado federal



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A DIVERSIDADE CULTURAL BRASILEIRA SOB

O OLHAR DE UM DEPUTADO FEDERAL “
Senhor Presidente,

Senhoras e Senhores Parlamentares,


Quando em 1500, oficialmente, dava-se início a História do Brasil, encontravam-se alicerçados aqui povos indígenas responsáveis por diversos movimentos culturais de que, infelizmente, poucos registros temos. Isto comprova, naturalmente, que a História, em si, da ‘terra brasilis’ já existia, mas os registros de então não se faziam por meio da escrita, e, sim, apenas pelas ações desenvolvidas.

Neste sentido, vemos o quanto é fundamental se registrar fatos - independente do tempo ocorrido - pois, do contrário, pouco contexto prático pode ser compreendido.

Assim, ao nos depararmos com um sujeito, seja ele quem for, esteja onde estiver e seja parte de qual momento histórico for - de uma forma ou de outra , temos necessidade de fazer o seu registro. Desde constatações básicas como o tom da sua pele, o seu tipo físico, sua fala, até o seu comportamento, seu modo de agir.

Não menos imparcial análise fazemos ao nos envolvermos com grupos sociais - independentemente de seu tamanho, classe social, localização espacial e temporal...ou qualquer outra coisa que o permita ser definido de acordo com suas características ou particularidades diversas.

Partindo deste princípio, temos refletido sobre o fato de um indivíduo, um grupo de pessoas e uma sociedade, como a brasileira, no que tange a definições acerca de sua identidade cultural. E logo nos vem à mente: como nós, brasileiros, podemos reconhecer em nosso próprio País o que, verídico e originalmente é nosso ?

Nestes meses de junho e julho, por exemplo, dançamos e nos alegramos, de norte a sul, de leste a oeste do País com cantigas, comidas, bebidas, vestimentas e outros ícones das festas juninas e julinas. Mas será que a essência deste momento cultural é mesmo brasileira ?

Assim, também, gritamos para o mundo a panacéia cultural que avassala o País, denominada Carnaval. E o que representa , de fato o Carnaval ? Seriam as festas tidas como populares mais importantes “desfiladas” no Rio e em São Paulo? Ou aquelas verdadeiramente “pé-no-chão” do contagiante Carnaval nordestino...ou tudo não passa de um ‘enfeitar o pavão’ (ainda mais do que já o é!), originário do Entrudo, festa de origem portuguesa ?

As festas, tantas, populares deste Brasil afora e adentro...a tal ‘coisa’ que simplificadamente chamam de cultura...enfim, como dizer ou afirmar que temos uma identidade cultural ?

Que correntes migratórias trouxeram contribuições neste contexto, e que hoje são confundidas com algo que pensamos ser originalmente tupiniquim ? Seriam os polacos, italianos, ucranianos, portugueses, alemães ou japoneses também responsáveis pela construção da identidade do meu Estado, neste momento por mim representado, o Paraná ?

Mais ainda, poderia uma atividade cultural como o Fandango, que no Paraná tem sua raiz em Paranaguá, manter viva não só a tradição deste próprio movimento cultural como a existência social de uma ilha, como a de Valadares ?

Desta forma, desejamos, nesta oportunidade, discorrermos passageiramente sobre a diversidade cultural brasileira, por meio de reflexões sobre cultura e suas manifestações ; as migrações ocorridas para o Estado do Paraná ; e outros temas ou sub-temas.

A começar pela compreensão da própria palavra ‘cultura’, cujo próprio significado indica uma transformação na vida do ser humano, seja por que meio e tempo forem. Isto denota a verdade de que não existe um cidadão mais ou menos culto do que o outro, pois cada passo dado no dia-a-dia de um ser humano, dentro do contexto em que vive, resulta em uma ampliação da sua própria cultura.

Todavia, há, evidentemente, diversidade cultural, fator fundamental para o desenvolvimento de políticas públicas na área da cultura.

O reconhecimento e a valorização da diversidade cultural estão ligados à busca da solidariedade entre os povos e ao desenvolvimento dos diversos intercâmbios culturais.

É fundamental o respeito, a valorização e o convívio harmonioso das diferentes identidades culturais existentes dentro de um País. No caso do Brasil, consegue-se perceber que proteger e promover as expressões culturais em sua diversidade é direito assegurado dos cidadãos.

Como elementos populares específicos ao processo cultural brasileiro, podemos apontar dois exemplos. Ambos símbolos da Identidade Cultural Brasileira, o samba e a feijoada, ainda que oriundos de instâncias sociais menos favorecidas em que também as culturas populares sofrem ou sofreram o mesmo processo discriminatório - por mais que detivessem um rico acervo cultural. Há, também, as chamadas expressões culturais locais ou regionais da cultura brasileira. Na linguagem cotidiana, reconhecemos as peculiaridades de culturas típicas, tais como a nordestina, pantaneira ou paranaense.

Desejamos destacar aqui a necessária interface entre cultura e educação. O conceito de diversidade cultural deve produzir nos processos educacionais e nos espaços da escola uma fonte de recurso para a manutenção da identidade de ambos (manifestação cultural e escola), dada a relevância de ambas numa comunidade. Ainda, não há como deixar de lado que a escola é um espaço de construção e reconstrução simbólica, e os profissionais da educação são, também, profissionais da cultura.

Segundo este mesmo ambiente em que cultura e educação se encontram, questionamo-nos sobre, afinal, o que é compreendido na sociedade brasileira como sendo, de fato, cultura. Variadas as formas de entendimento, cultura se torna senso amplo quando administrada como sinônimo de erudição ou conhecimento letrado. Expressão artística, educação e até bons modos. Na realidade, cultura nada mais é do que uma rede de significados e práticas de um grupo social a que chamamos de cultura. Cultura é, portanto, a constante construção, algo que se adquire na convivência em grupos.

Exatamente por poder ser construída é que a cultura pode ser tão variada, pois cada grupo desenvolve a sua, não impedindo de compreender a outra.

Cultura popular brasileira designa os saberes e fazeres do povo brasileiro. Mas que povo é esse ? Quem são esses brasileiros, afinal ?

O povo brasileiro é um povo plural, cuja trajetória, desde sua formação até os dias de hoje, tem possibilitado o encontro e a combinação de tradições culturais diversas, pertencentes à História Brasileira; esta, marcada por conflitos e contradições.

Oficialmente, a escola nos ensina que o nosso povo é o “resultado da junção de representantes de três raças: o branco, o negro e o índio”.

O branco – os colonizadores. Portugueses, espanhóis, franceses e holandeses, no início. Depois, alemães, italianos, ucranianos, judeus ortodoxos, libaneses que para cá migraram em busca de melhores oportunidades. Com experiências e conhecimentos distintos, diferiam na fé uns católicos, outros protestantes, ou ainda seguidores do judaísmo e islamismo.

Os negros que para cá vieram, oriundos da África, pertenciam a diferentes sociedades tribais – principalmente das costas ocidental, austral e oriental – falando línguas distintas. Eram vistos como mão-de-obra, ao invés de indivíduos dotados de uma história e de valores próprios dos diferentes povos dos quais se originavam.

Já em relação aos índios que aqui viviam, é impossível saber em quantos povos se organizavam. Atualmente, são mais de 200 sociedades, cada qual com sua língua, modo de agir e pensar; sua política, regras sociais, ética, maneira de adornar o corpo e de educar os filhos; também seus rituais. O colonizador os igualava no nome: índios; postura também tomada pelos cidadãos oriundos da África: negros.

Ainda hoje, as sociedades indígenas brasileiras lutam pelo reconhecimento de suas identidades e necessidades específicas, como a demarcação de territórios onde possam viver, cada uma a seu modo.

Constituindo-se imparcialidade, o povo brasileiro, além de multiétnico, é pluricultural , desde os primeiros tempos. Nunca houve uma única cultura branca, outra negra e outra indígena. A formação do povo brasileiro se dá pela contribuição da unidade dos povos ‘brancos, negros e índios’.

Destaque-se aqui, na continuidade das reflexões acerca da cultura, a importância do elemento folclórico dentro dos estudos oferecidos na escola, pois este ‘saber do povo’ (como bem define folklore, em inglês), pois identificam os modos de ser e de pensar dos diferentes grupos que integram o povo brasileiro e que se desenvolveram como parte de uma história que continua em curso.

Quando nos referimos a cultura popular estamos falando não apenas sobre as manifestações festivas e às tradições orais e religiosas do povo brasileiro, mas ao conjunto de suas criações, às maneiras como se organiza e se expressa, aos significados e valores que se atribui ao que faz, aos diferentes modos de trabalhar, aos jeitos de falar, tipos de música que cria, às misturas que faz na religião, na culinária, na brincadeira.

Mais ainda, a cultura brasileira reflete os vários povos que constituem a demografia desse país sul-americano: indígenas, europeus, africanos, asiáticos, árabes etc. Como resultado da intensa miscigenação de povos, surgiu uma realidade cultural peculiar, que sintetiza as várias culturas.

Como já nos referimos, a formação da cultura brasileira se deu pela presença inicial dos indígenas, africanos e brancos, inicial e prioritariamente oriundos de Portugal. Durante 322 anos, o País foi colônia de Portugal, e houve uma transplantação da cultura da metrópole para as terras sul-americanas.

A imigração européia foi incentivada não só para suprir o fim da mão-de-obra escrava, mas, também, foi promovida pelo governo que tinha a intenção de branquear o Brasil e europeizar sua cultura. Afinal, a maior parte da população, no século XIX, era composta por negros e mestiços. Dentre os diversos grupos de imigrantes que apontaram no Brasil, foram os italianos que chegaram em maior número entre 1870 e 1950. Em seguida, os alemães num fluxo contínuo desde 1824. Estes conseguiram manter seus costumes do país de origem – notadamente os que se fixaram na zona rural do Brasil meridional.

Já os que se fixaram nas grandes fazendas e nos centros urbanos do Sudoeste (portugueses, italianos, espanhóis e árabes), rapidamente se integraram na sociedade brasileira, perdendo muitos aspectos da herança cultural do país de origem. A contribuição asiática veio com a imigração japonesa (atualmente comemorando o centenário da chegada deste grupo étnico que aqui também se estabeleceu). De forma mais limitada, destinou-se em maior parte a São Paulo e ao interior do Paraná.

Enfim, o processo imigratório foi de extrema importância para a formação da cultura brasileira. Esta foi, ao longo dos anos, incorporando características dos quatro cantos do mundo. Basta pararmos para pensar nas influências trazidas pelos imigrantes e veremos um leque de resultados: o idioma português, a culinária italiana, as técnicas agrícolas alemãs, os sons trazidos da África, dentre tantas outras.

Desta ‘mistura’ toda surgiram ‘brasilinismos’ inúmeros, gerando produções importantes como na música: samba, choro, bossa nova, MPB ; na culinária, a feijoada, dentre outros tantos pratos; nas artes visuais, o trabalho de Aleijadinho ; na arquitetura, com a culminância no movimento modernista através, principalmente, da construção de Brasília, por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.

Não é exagero algum afirmarmos que o Brasil é um País de cultura amplamente rica e diversificada. A origem dessa característica está no peculiar processo de formação da sociedade brasileira, que, desde o seu nascimento recolheu a contribuição de povos e etnias, como conquistadores ou aventureiros, e que deixaram a sua marca cultural aqui, acrescentando valores novos aos trazidos pelos pioneiros desbravadores.

Claramente, visualiza-se, portanto, a cultura brasileira como sendo pautada em riqueza e diversidade.

Não posso deixar de compartilhar, aqui, um pouco da história do Paraná, Estado que represento nesta Câmara de Deputados. Paraná, em guarani, significa "rio caudaloso". As primeiras movimentações dos colonizadores no estado do Paraná tiveram início no século XVI, quando diversas expedições estrangeiras percorreram a região à procura de madeira de lei.

No século XVII, portugueses e paulistas começaram a ocupar a região, a partir da descoberta do ouro e à procura de índios para o trabalho escravo. A mineração, no entanto, foi legada a segundo plano pelos colonizadores, que se dirigiram em maior número às terras de Minas Gerais. Até o século XVIII, existiam apenas duas vilas na região: Curitiba e Paranaguá. Esse processo retardou a ocupação definitiva da área, que pertenceu à província de São Paulo até meados do século XIX, com sua economia baseada na pecuária.

A história oficial do Paraná começa em 29 de agosto de 1853 com a lei assinada pelo Imperador Dom Pedro II, que desmembrou a região da Província de São Paulo. Logo após ter conquistado a sua autonomia, teve início um programa oficial de imigração européia para a região, principalmente de poloneses, alemães e italianos que vieram em busca de riquezas. O progresso, elevação de nível econômico, cultural e social do povo do Paraná foram os principais motivos para a transformação da região em província.

Em 1880 houve a abertura de estradas e rodovias, o que acelerou a ocupação. Em seguida, aconteceu o grande fluxo de migrantes mineiros e de outros estados pelo valor das terras e sua grande fertilidade. O Paraná se torna Estado em 1889.

No século XX a história do Paraná foi marcada pela opulência das moradas e dos "barões da erva-mate", donos de engenhos. A madeira farta atraía os ingleses que povoaram os vazios das florestas derrubadas. Neste mesmo século começaram a chegar os imigrantes não-europeus, como os japoneses na segunda década. O Paraná viveu, então, os ciclos do ouro, da madeira, da erva-mate e do café, até passar a diversificar sua economia.

Atualmente, o Paraná é conhecido como o maior e mais ativo celeiro do País. Seu parque industrial não pára de crescer e diversificar-se. O aproveitamento do extraordinário poder energético de uma bacia hidrográfica, formada principalmente pelos rios Paraná e Iguaçu, é um dos responsáveis por este grande crescimento. Os últimos anos foram marcados por grandes transformações e pela sua consolidação como um dos mais importantes estados brasileiros, ocupando o seu lugar em importância econômica.

A capital, Curitiba, foi fundada em 1693, como Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais e Curitiba se tornou capital do Estado em 1853. A ocupação de seu território foi lenta e somente em 1870, quando foi iniciado o processo de colonização por imigrantes europeus, também outros imigrantes se estabeleceram nos arredores da cidade, dedicando-se a atividades agrícolas e artesanais. Além desses grupos majoritários, também vieram para a região imigrantes japoneses, franceses, ingleses e suíços. A cidade de Curitiba tem sido modelo de planejamento urbano e qualidade de vida para seus habitantes.

Cada canto deste estado que represento tem marcas de rica história. São José dos Pinhais, localizada na região metropolitana de Curitiba, município em que fomos Prefeito por duas gestões consecutivas, além de representar uma das maiores arrecadações do Estado, dá-nos a oportunidade, juntamente com um bom número de outros municípios, de aqui estarmos assegurando - juntamente com colegas Deputados Federais - o Paraná.

Alegria, descontração e criatividade, características marcantes do povo paranaense e brasileiro, em geral, são expressadas por meio de inúmeras atividades de cunho cultural. São as linguagens culturais (artes plásticas e cênicas, literatura, música, dança...a gastronomia, as festas populares como o Carnaval e o Fandango...), e tantas outras formas de expressão que o brasileiro desenvolve para demonstrar sua riqueza de idéias e emoções.

O Carnaval, por exemplo, é vivenciado por um significativo número de dias em boa parte do País, ainda que se diferencie em sua forma de acontecer. Rio e São Paulo se destacam, mundialmente, pela competente demonstração de como apresentar uma imensa festa de muitas e variadas riquezas, necessariamente organizadas de tal modo que a grande festa do Carnaval daquelas cidades possa ser "vendido" com a qualidade que se espera, principalmente por turistas nacionais e internacionais que para lá se deslocam.

Já o "outro" Carnaval, o que se parece bem mais com o seu antecessor Entrudo português, acontece em grande número de regiões no País, mas é nos estados do Nordeste que a grande folia se aproxima verdadeiramente do que o povo entende por diversão ou alegria, de fato.

Historicamente, o Carnaval brasileiro surgiu em 1723, com a chegada dos portugueses das Ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde. Lá, a principal diversão dos foliões era jogar água nos outros. Em 1855 surgiram os primeiros grandes clubes carnavalescos, precursores das atuais escolas de samba. No início do século XX, já havia diversos cordões e blocos que desfilavam pelas cidades. No Rio, a primeira escola de samba foi fundada em 1928, e a partir de então tantas outras foram surgindo até se chegar à grande festa que é hoje - resultado claramente manifesto da alegria e cultura do povo.

Dentre tantos outros movimentos populares, pedimos licença para ilustrar esta fala com outro movimento cultural que no Brasil se desenvolve - e que ainda se encontra mais reduzido a pequenos grupos - que é o caso do Fandango. Importante demonstração artística também no Paraná, o Fandango, também de inspiração portuguesa, articula-se nas regiões norte e nordeste (a Marujada - A Barca) e o Fandango do Paraná.

Sendo um baile de salão fundamentado no folclore e tradições de um grupo (como na Ilha de Valadares, em Paranaguá), tema de expressão autêntica da cultura e tradições de uma comunidade.

Mas nem só de festas e movimentos tipicamente expressos por atividades culturais alegres vive a alma de um povo, a sua cultura fundamental.

Não menos representativo da cultura de um País, sua religiosidade pode marcar uma forte tendência em sua formação.

O Brasil tem se mostrado um país religiosamente diverso, com tendência a tolerância e mobilidade entre as religiões. Sendo a população brasileira majoritariamente cristã (mais de 80% da população), o catolicismo prevalece, herança da colonização portuguesa.

No entanto, a mão-de-obra escrava, vinda principalmente da África, trouxe suas próprias práticas religiosas, que sobreviveram à opressão dos colonizadores, dando origem às religiões afro-brasileiras.

Um pouco mais tarde, por volta da segunda metade do século XIX, começa a ser divulgado o espiritismo no Brasil, sendo este o país com o maior número de espíritas no mundo.

Nas últimas décadas, as religiões protestantes têm crescido bastante em número de adeptos.

Interessante perceber, no Brasil, em especial, o número acentuado de simpatizantes do espiritismo e de religiões afro-brasileiras, que também se denominam "católicos", seguindo alguns ritos da Igreja Católica. Este sincretismo é um traço histórico no Brasil.

Sendo o catolicismo romano a principal religião do Brasil, aqui desde o século XVI, destaque-se o fato de ter sido introduzido por missionários que acompanharam os exploradores e colonizadores portuguesas nas terras do país recém-descoberto. O Brasil é considerado o maior país do mundo em número de católicos, com mais de 70% da população declarando-se católica, de acordo com o IBGE.

Entre as tradições populares do catolicismo no Brasil estão as perigrinações à Igreja de Nossa Senhora Aparecida, no lugar onde a santa teria feito sua aparição na cidade de Aparecida do Norte, Estado de São Paulo. Nossa Senhora Aparecida acabou por tornar-se a Padroeira do Brasil. Outras festas católicas importantes são o Círio de Nazaré, em Belém do Pará, e a Festa do Divino, além das romarias de Juazeiro do Norte e Bom Jesus da Lapa.

No momento, o Brasil passa por uma verdadeira metamorfose no tocante as suas práticas religiosas mais comuns. Nas grandes cidades, as ofertas religiosas são as mais variadas e não se restringem ao catolicismo popular e ao pentecostalismo, pois as crenças espíritas, esotéricas, afro-brasileiras e até o budismo também se fazem presentes. Há uma diversidade religiosa nunca antes vista em nossa sociedade.

Tida como a "religião brasileira", a Umbanda é aceita pela maioria de seus adeptos como tendo seu início histórico no Brasil.

Assim seguem, entre outras religiões aqui praticadas, o Neopaganismo, Xamanismo, Cristianismo Ortodoxo, Islamismo, Judaísmo e Mormonismo. Neste último caso, ressalte-se que o Brasil conta com o 2o maior país com população mórmom no mundo.

Contando com mais de 13 milhões de membros, entre 176 países, o Mormonismo é uma das denominações que mais cresce.

Não posso deixar de citar aqui a "Conferência Geral da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias...e do... Décimo Quarto Simpósio Internacional de Direito e Religião”, ocorridos em outubro de 2007, em Salt Lake City, no Estado de Utah, Estados Unidos.

Entre 3 representantes brasileiros, convidados, tive a oportunidade de lá estar, sendo que me coube falar sobre "Os Desafios da Identidade Religiosa e Diversidade - Perspectivas Brasileiras".

Como conclusão do encontro, destacamos que grandes e importantes ensinamentos desse Simpósio reforçam a vontade de persistir e preservar em busca de significativos valores. Esse aprendizado vai ao encontro da missão que vimos propondo e desenvolvendo como Parlamentar, ou seja, restabelecer valores éticos, morais e espirituais na família brasileira.

Enfim, cada vez que nos aprofundamos em estudos e vivências religiosas percebemos o quanto cada uma carrega em sua essência uma carga cultural de significativo valor, dando respaldo aos seus seguidores para contarem com força espiritual, dentre outras. Ou seja, também a religiosidade...ao lado de outros momentos tidos como parte da cultura de um povo, vão construindo a identidade e, ao mesmo tempo, a diversidade cultural de uma nação.

Ao nos encaminharmos para a finalização temporária da temática cultural tão diversa no Brasil, desejamos apontar dois grandes momentos que estão se passando.

O primeiro, dada a valorização que o povo brasileiro entende sobre as festas juninas e julinas, cabe-nos, a este exemplo, sentir como a grande homenagem a santos populares como Santo Antônio, São João, São Pedro e São Paulo constituem força, por meio de movimentos culturais, dada às comunidades que se utilizam daqueles ícones religiosos.

O segundo, os nossos cumprimentos a todos os representantes japoneses que vivem no Brasil, neste momento em que se comemora (em especial na data de amanhã, 18 de junho de 2008) 100 anos da imigração/presença Japonesa no Brasil. Nesta data, oficialmente desembarcou o primeiro grupo de japoneses com o intuito de se estabelecer em nosso País.

Finalmente, inúmeras são as contribuições da Cultura no desenvolvimento de um País, não sendo diferente no caso do Brasil.

O Estado que ora representamos, com exemplares como o Fandango, na dança; o Barreado, na gastronomia; a presença maciça de imigrantes oriundos de tantos cantos do mundo; enfim, o Paraná me orgulha por aqui o fazer presente...e a cada dia que passa desejo conhecer mais e mais sobre toda a sua diversidade cultural, assim como da diversidade brasileira como um todo, lembrando o que certamente muito valorizamos na máxima: "só se gosta daquilo que se conhece".

Senhores e Senhoras Deputados. Representamos, nesta Casa, um País cuja diversidade cultural é muito rica, tanto por seus valores amalgamados por inúmeras contribuições étnicas, quanto pelas raízes advindas desta terra chamada Brasil.

Assim, permitam-me defender a tese de que o nosso papel tem uma preponderante ação frente aos valores que o povo brasileiro tem, os quais acredito necessitarem, constantemente, do nosso apoio.

Vamos, então, através da Cultura, conhecer o nosso quinhão de terra, seja ele qual for e em que tempo estiver.



Obrigado.

LUIZ CARLOS SETIM

Paraná – Deputado Federal


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