A educaçÃo medieval e a regra de são bento



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A EDUCAÇÃO MEDIEVAL E A REGRA DE SÃO BENTO.
Jefferson Soares da Silva (acadêmico de pedagogia da Unicentro); Carlos Herold jr. (professor do departamento de Pedagogia/Unicentro – orientador).
Palavras-chave:educação, monasticismo, São Bento

Introdução
O advento do cristianismo é considerado um processo de grande importância para a História e também da História da pedagogia, pois as novas concepções de homem, sociedade e educação provocaram uma ruptura em relação ao mundo antigo (CAMBI, 1999)

Dentre as várias possibilidades de análises históricas sobre a educação encetadas pelo desenvolvimento do cristianismo, escolhemos analisar o surgimento e o desenvolvimento das características da educação no monasticismo.

Para analisar a educação de São Bento, dividimos o trabalho em três momentos: no primeiro, estudamos o contexto histórico em que  viveu e pensou São Bento. No segundo, a partir da Regra por ele proposta, analisamos a relação entre sua visão de mundo e sua visão de educação. No terceiro, tendo por base esses referenciais, estudamos como é organizada, hoje, a vida cotidiana de um mosteiro beneditino, verificando a presença da Regra de São Bento em um contexto diferente do de sua criação e a forma como os futuros monges analisam seu processo formativo. Para tanto, fizemos entrevistas e levantamento de documentação no mosteiro da ressurreição em Ponta Grossa.
Material e métodos

Foi feita revisão literária e analise de dados referentes ao Mosteiro da Ressurreição de Ponta Grossa, PR. A busca foi feita em livros e materiais referentes à regra de São Bento e em cadernos de estudo utilizados por pessoas que realizaram experiência do monasticismo pelos períodos de 2 e 3 anos.
Desenvolvimento

1)As transformações históricas no século VI e o surgimento do Monasticismo.

O cristianismo propicia o nascimento de um novo “tipo” de homem, igualitário, solidário, humilde, casto e pobre. A família é reinventada, baseando-se agora no amor e as relações de trabalho tornam-se colaborativas. É neste contexto que nasce o movimento monástico tendo inicio já no tempo de Cristo, direcionando homens e mulheres para uma vida eremítica e de oração (CAMBI, 1999).

Houve formas de monaquismo pré-cristão na Índia, Palestina e Egito. No século lll a vida ascética apresenta-se através de Santo Antão, patriarca do monaquismo (BESEN, 2007).

Nesta nova estrutura educativa, a que talvez mais profundamente e historicamente deixa uma marca fundamental no ocidente, foi o mosteiro (CAMBI, 1999).

São Bento tem grande importância dentro deste contexto.  Dito "patriarca dos monges ocidentais", nasceu por volta de 480 em Núrsia (Itália) de nobre família rural romana. Estuda artes literárias em Roma, mas em seguida retira-se para os montes Sabinos passando a levar uma vida eremítica. Procurado e descoberto por discípulos funda 12 mosteiros na região de Vicevaro (MARTINS, 2007). 
2)A educação na Regra de São Bento.

Em Monte Casino escreve a regra zelando pelo senso de equilíbrio e discrição dos romanos.  Utiliza-se da tradição monástica tanto ocidental como oriental, adaptando-a a condições de vida de sua época.  A educação partir de São Bento, que ao mesmo tempo rígida, procura um equilíbrio onde os fortes tenham seus dons aperfeiçoados e que não afugentasse os fracos. A regra beneditina sofreu mínimas alterações, pois o gênio legislativo e fino conhecimento da psicologia humana são úteis na atualidade desta forma os monges vivem, na atualidade, a oração que permeia todo o seu dia, pois São bento dizia "nada se anteponha ao oficio divino", orações estas que tem seus horários pré-estabelecidos. Iniciando com as vigílias as 04:20h, com missas e laudes 06:15h,  tercia 09:00h, sexta 12:00h, pela manhã 14:30h, vésperas 17:30h, completas 19:00h (MARTINS, 2007).

O trabalho seja manual, intelectual surge como colaborador no processo de conversão, percebendo a ociosidade como inimiga da alma. Segundo São bento "são verdadeiros monges se vivem do trabalho de suas mãos, como também os nossos pais e os apóstolos" o trabalho e visto como intimamente ligado aos valores evangélicos ali vividos.  Este trabalho monástico foi pioneiro no desenvolvimento de técnicas em diversos setores da agricultura (drenagem,aclimatação de plantas) também para a construção civil como pontes, igrejas, estradas.  No artesanato na fabricação de utensílios, trabalhos artísticos, cerveja, e lógico um imenso esforço dedicado a educação humana e religiosa dos povos (BESEN, 2007).
 3) Educação e cotidiano em um Mosteiro.

As crianças eram entregues à educação do mosteiro, por ser um destino melhor do que serem vendidas aos bárbaros.  Elas eram consideradas imperfeitas, como as mulheres, e as corrigiam com castigos, os quais somente aconteciam com a autorização do abade, para evitar os sadismo de pessoas violentas da época. Os monges eram orientados para agirem, para com elas, com cautela, disciplina e vigilância, mas também com moderação e prudência. Após completarem 18 anos escolhiam entre a vida monástica ou matrimonial (MANACORDA, 2006).

A atividade intelectual do mosteiro originariamente era a Lectio Divina, seu alimento espiritual. Por isso deram importância primacial ao ofício divino, recitado no coro 7 vezes durante o dia e uma vez durante a semana. Pode-se dizer que o lema de São Bento é ora et labora (ora e trabalha) sendo que o espírito de oração deve empregnar toda à vida do monge, inclusive o trabalho. A jornada de trabalho é ordenada a partir dos horários da celebração do ofício divino, entre as orações da tercia (09:00h) e sexta (12:00h) pela manhã e entre noa (14:30h) vésperas (17:30h) pela tarde, somando 6 horas de trabalho. Normalmente os mosteiros do Brasil todos seguem esta instrução, com raras exceções que não realizam a hora tercia (MARTINS, 2007).

 

Conclusão



É grande e relevante a contribuição do monaquismo para a igreja, mas também para a história, principalmente na construção da sociedade feudal. Foram os monges beneditinos que evangelizaram os anglo-saxãos e outros povos germânicos (Inglaterra, Bélgica, Holanda, Norte da Alemanha etc.), ensinaram aos povos bárbaros os princípios de cultura, transmitiram as crianças e adolescentes os conhecimentos científicos e a formação Cristã, através de escolas monasteriais que prepararam o nascimento das universidades (BESEN, 2007).

Segundo Azevedo (2007) os copistas salvaram das ruínas os tesouros da cultura romana, que através de seus códigos e obras de arte, passaram para as gerações vindouras. Não seria descabido afirmar que toda a alta Idade Média lhes pertence.

Foi possível perceber, através dos documentos, a contribuição da educação monasterial tornando-se um dos alicerces para a nossa educação atual. Ainda hoje os monges vivem praticamente da mesma forma que na antiguidade, pois a regra de São Bento é a única que não sofreu nenhuma alteração significativa. Não vivem alienados ao mundo secular, mas procuram principalmente elevar o espírito através da oração, entregando diariamente sua vida em amor e penitência pela humanidade.
Referências

BESEN, Pe. José Artulino. O Monaquismo. In: Comunidade Católica Shalom, 2007 (http://www.comunidadeshalom.org.br/formacao/liturgia/monaquismo.html)


CAMBI, Franco. História da Pedagogia. Trad. Álvaro Lorencini. São Paulo:Edunesp, 1999.
MANACORDA, Mario Alighiero. História da educação: da antiguidade aos nossos dias. 12.ed. São Paulo: Editora Cortez, 2006.
MARTINS, Dom André. São Bento. In: Abadia da Ressurreição, 2007 (http://www.ressurreicao.org.br/origem.html).
PONCE, Aníbal, Educação e luta de classes, São Paulo: Cortez, Autores Associados, 1983.
REGRA DE SÃO BENTO, tradução de D. Basílio Penido, OSB. Editora Vozes RJ, 1992.


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