A educaçÃo no processo de constituiçÃo de sujeitos: o dito nas produçÕes e o feito no cotidiano



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Objetivos Específicos:





  • inventariar a produção existente sobre o pantanal sul-mato-grossense, tomando como eixo central a articulação de três categorias: Homem - Educação e Cultura;

  • analisar, nas produções selecionadas, as temáticas e focos privilegiados sobre a constituição do homem que habita a região do pantanal;

  • verificar nas formas de expressão da produção sobre o homem pantaneiro o modo como produzem a sua vida material e de como se apropriam, através da educação, das especificidades culturais;

  • identificar e analisar os aspectos que dão conformação ao processo identificatório desses sujeitos;

  • identificar o processo de transformação do cotidiano do homem pantaneiro e de como os processos educativos formais e não-formais atuam sobre essas mudanças, tanto nas produções inventariadas como na pesquisa de campo nas fazendas pantaneiras;

  • evidenciar o papel que a presença da escola tem para a vida desses sujeitos buscando elucidar a polêmica questão da necessidade de uma escolarização específica para a escola rural;

  • possibilitar através do conhecimento desses produtos regionais, crivados pela marca da educação, o acesso da comunidade acadêmica, do Estado de Mato Grosso do Sul e de toda a sociedade para a compreensão da identidade metamorfoseada do homem pantaneiro;

  • reunir e analisar produções já realizadas sobre o homem pantaneiro e sua educação como uma forma de patentear o desenho de uma singularidade que se realiza na universalidade;

  • formar e disponibilizar um banco de dados das produções inventariadas em suas diversas formas de expressão: produções científicas; expressões artísticas e culturais e mídia: impressa e eletrônica e a circulação pela rede mundial de computadores;

  • contribuir para a discussão e elaboração de uma proposta de trabalho para as escolas da região e para uma proposta de Capacitação de Recursos Humanos;

  • organizar e divulgar produções científicas sobre a pesquisa, em seminários e produções bibliográficas (periódicos, livros, etc.).


Revisão de literatura
O processo de subjetivação da cultura pantaneira, através da educação, orientará os caminhos desta investigação. Para isso é preciso alicerçar as idéias que dão sustentação à importância do processo educativo na constituição do homem pantaneiro através da apropriação da cultura.

Em sua caminhada, o sujeito apreende as experiências que são sociais, reelabora-as individualmente e as devolve para a sociedade. É nesse processo de internalização das experiências que ele se constitui como sujeito ao se apropriar da simbologia da cultura em que vive.

Nesse sentido, é que se torna importante considerar as influências culturais às quais o sujeito se vê exposto, para poder apreender nesse “cenário”, como ele se percebe e como ocorrem as suas transformações nesse movimento.

Cada homem é único, tanto genética como culturalmente e vai se submeter a toda sorte de influências sociais. Será dependente, portanto, das oportunidades de Educação ao longo da vida e das experiências que realizar. A constituição desse sujeito no mundo é assim gerada por uma complexa rede de relações humanas – o que os homens construíram, todos os acontecimentos de que foram agentes, numa seqüência de experiências que se somam ao longo de sua história - criando um processo ao qual o sujeito se vincula ao espaço social e no tempo histórico.

Tanto a cultura como a identidade são criações históricas e coletivas. A constituição da identidade ocorre nos movimentos que o sujeito consegue realizar em direção aos desafios do mundo. Nessa caminhada, envolvendo ações e relações, ocorrem situações de identificação e diferenciação que atuam na consciência do sujeito.

Na concepção vigotskiana, coerente com os pressupostos do materialismo histórico, organismo e meio determinam-se mutuamente, portanto o biológico e o social não estão dissociados. Nesta perspectiva, a premissa é de que o homem constitui-se como tal através de suas interações sociais. O desenvolvimento da estrutura humana é entendido assim, como um processo de apropriação pelo sujeito da experiência histórica e cultural.

Nesse processo, o indivíduo ao mesmo tempo que internaliza as formas culturais, transforma-as e intervém em seu meio. Dessa maneira, o homem é visto como alguém que transforma e é transformado nas relações produzidas em uma determinada cultura. Segundo Vigotski (1984) é portanto na relação dialética com o mundo que o sujeito se constitui e se desenvolve. Deste modo, o ser humano não só é um produto de seu contexto social, mas também um agente ativo na criação deste contexto.

Muitos são os paradoxos que hoje vivenciamos frente às mudanças que estão postas na sociedade. Há necessidade de nos relacionarmos em um contexto cada vez mais marcado pela heterogeneidade e pela sua evidência, embora se faça presente uma falsa pressão homogeneizadora. Um contexto que encurta espaços e distâncias e que leva também mais facilmente ao isolamento e à exclusão. Segundo Díaz-Aguado (2000) lutar contra a exclusão é adaptar a educação à diversidade dos alunos; respeitar o direito a própria identidade e progredir no respeito pelos direitos humanos.

A conformação do homem pantaneiro passa pela concepção de que a singularidade se constitui a partir das relações sociais e culturais que o sujeito estabelece ao longo de sua vida. Só é possível pensar e lidar com a diferença se ela for considerada como algo produzido pela natureza histórica do homem e não como algo dado, natural.
As especificidades não são intrínsecas às regiões, por exemplo, e sim são determinações do modo de organização da sociedade capitalista. As diferenças são universais (...) As especificidades subordinam-se à unidade cultural, pois o singular é sempre uma forma de realização do universal. (ALVES, 2006, p.19)
Considerar o homem como um ser histórico e concreto pressupõe que o processo de desenvolvimento humano se efetiva a partir da assimilação e apropriação do saber, social e historicamente construído na evolução da humanidade.
O homem que percebe e pensa o mundo enquanto ser sócio-histórico, está ao mesmo tempo armado e limitado pelas representações e conhecimentos da sua época e da sua sociedade [...] No decurso de sua vida, o homem assimila a experiência das gerações precedentes; este processo realiza-se precisamente sob a forma de aquisição das significações... A significação é, portanto, a forma sob a qual um homem assimila a experiência humana generalizada e refletida. (LEONTIEV, 1978, p. 94)

O nosso papel na questão das diferenças deve ser o de apontar essas supostas diferenças e, principalmente, desvelar suas causas, identificando as condições concretas de vida e a maneira como ocorre o processo de desenvolvimento e de apropriação do saber. Assim, o indivíduo vai integrando concepções a um quadro coerente, do real, o qual confere forma e sentido à sociedade e à condição social a que pertence.


Perdendo a capacidade de se relacionar com o “diferente”, com algo efetivamente exterior, permanece apenas a capacidade de fazer referência à representação que se tem desse outro externo. Em outras palavras, decorrente desse modelo, aprendemos a desenvolver uma forma de pensar que excluí a reflexão sobre outras possibilidades de vida, de escolarização [....] (SILVA, 2005; p.6-7)
É por meio da interiorização que o indivíduo apreende ou interpreta os acontecimentos, através do ponto de vista de pessoas significativas dentro de sua estrutura social. Esses acontecimentos tornam-se, então, subjetivamente significativos para ele próprio.

A representação é “socializada”, por necessitar de ajustes e modificações para corresponder às expectativas do contexto social onde se apresenta. Isto leva a considerar o caráter idealizado da representação: “... quando o indivíduo se apresenta diante de outros, seu desempenho tenderá a incorporar e exemplificar os valores oficialmente reconhecidos pela sociedade e até [...] mais do que o comportamento do indivíduo como um todo”. (GOFFMAN, 1983, p. 41)

Nogueira (1989) afirma que:
No pantanal, existem hoje, dois tipos de identificação cultural, que marcam esse homem. O contraste sociocultural se deve ao desnível sócio-econômico. A diferença de poder aquisitivo entre o proprietário da terra e o "peão", que trabalha em troca de salário mínimo, é grande. (p. 11)
Ainda Nogueira aponta que o universo sociocultural também vai ser marcado por dois tipos de identificação cultural. De um lado, ressalta a cultura do "patrão", que valoriza toda uma tradição da burguesia; por outro, há a cultura rústica do empregado, que se apóia em um saber empírico.
Pode-se pois concluir que o pantanal de mato grosso do sul não se constitui apenas no sacrário vivo da fauna e da flora, nem se restringe ao império dos latifúndios da pecuária de corte. O conjunto sócio-econômico e cultural, que configura o ecossistema pantaneiro rural, organiza-se, fundamentalmente, sobre a ótica de duas tendências culturais em oposição: a cultura do proprietário das terras e a cultura do peão e/ou vaqueiro. Originalmente, por razões já citadas, patrão e peão possuíram grau de instrução semelhante e condições de vida similares, o que garantia as mesmas possibilidades culturais. Posteriormente em decorrência dos fatores econômicos e sociais, também mencionados, os patrões ascenderam às condições de refinamento cultural, assimilaram hábitos da aristocracia rural e passaram a importar costumes das metrópoles. Enquanto isso os peões, os empreiteiros e as demais categorias de subalternos foram distanciando-se cada vez mais desses padrões sócio-culturais refinados, refugiando-se na rusticidade, advinda e conservada por força da própria condição de pobreza em que permaneceram. (NOGUEIRA, 1989, p. 138)

De acordo com esse enfoque, a apreensão das funções da educação e da escola só é possível após a detecção das leis que regem a sociedade. É dessa forma, que segundo Alves (2005), a determinação de forças sobre as relações sociais torna possível a intencionalidade da educação escolar.


[....] não se sustenta mais, em nossos dias, qualquer elaboração que postule, teoricamente, a oposição entre campo e cidade. O capital estabeleceu sua hegemonia plena sobre a cidade e o campo e dissolveu a diferença que os antagonizara. [...] Ainda hoje, sob formas diferenciadas, é proclamada a necessidade de se desenvolver uma educação no campo ajustada às suas peculiaridades. Há, ainda, aqueles que teimam em afirmar a necessidade de a educação escolar no campo exercer a função de fixar crianças e jovens à terra, visando conter a sua evasão para as cidades. [...] Dessas cogitações derivam postulações que pleiteiam uma educação autônoma e específica para a zona rural.Quando escolas são mantidas na zona rural, fica evidente a falsidade da idéia de uma educação atrelada aos “valores do campo”, pois, mesmo que esses valores existissem, o professor é da zona urbana e o material didático é o mesmo utilizado nas escolas das cidades. Mais importante, ainda, é o fato de a eletrificação rural ter colocado os habitantes do campo em contato com o mundo urbano, por meio da televisão. Influenciados pelas novelas da Globo, as gírias e os comportamentos das camadas médias cariocas são repetidos, hoje, por garotos e garotas nos sítios, fazendas e empresas rurais. (ALVES, 2006, p. 38;40)

Conforme Vigotski, a estrutura fisiológica humana, aquilo que é inato, não é suficiente para produzir o indivíduo humano, na ausência do ambiente social. As características individuais, como modo de agir, de pensar, de sentir, valores, conhecimentos, visão de mundo etc. dependem da relação do ser humano com o meio físico e social e especialmente das trocas estabelecidas com os seus semelhantes, sobretudo dos mais experientes de seu grupo cultural.

Assim, se se pretende estudar o processo de constituição da identidade do sujeito, é importante rever o trabalho que ele realiza, observar o movimento de seu desenvolvimento nas múltiplas inter- relações.

O sujeito constitui-se no transcurso de sua vida, através da apropriação da cultura historicamente acumulada. Esse processo acontece numa gradual interiorização do externo, social e a sua transformação em interno, individual que se produz na comunicação e nas relações sociais que esse mesmo sujeito estabelece, na atividade que realiza, de acordo com as suas condições objetivas de vida.

Essa reflexão garante ao processo de identidade um caráter de mobilidade - é um processo em movimento - que está sempre se (re) fazendo e, ao sujeito um papel ativo em sua própria constituição, pois embora se constitua nas relações sociais ele interioriza as significações a partir de uma elaboração que é pessoal. Nesse sentido, para Silva ,
[...] em termos de aproximação geral, podemos conceber identidade como uma fusão dinâmica de traços que caracterizam, no tempo e no espaço, de maneira inconfundível, uma pessoa, um objeto, ou qualquer outra entidade concreta. Desejos, ações, pensamentos, sentimentos etc. são conjugados ou fundidos ao longo da existência da pessoa, permitindo que outras pessoas a diferenciem e reconheçam-se na sociedade. (1995:31)

A consciência humana possui um conteúdo psicológico que, segundo Leontiev (1978), só poderá ser estudado a partir das relações que o ser humano estabelece com o mundo. Nessa perspectiva, as transformações ocorridas em sua estrutura também poderão ser observadas na atividade que ele realiza e onde estende as suas relações.

A tentativa de estudar o processo de constituição do sujeito que expressa sua identidade implica em se considerar o trabalho que ele executa, por se entender que na atividade, o psiquismo humano se desenvolve e estabelecem-se muitas das relações que levarão às transformações da estrutura desse psiquismo.

Entretanto, o sujeito não assimila rapidamente a experiência histórico - social com a qual entra em contato em suas relações sociais. Ele passa por um longo processo de formação e desenvolvimento, através do qual vai construindo os aspectos que permitirão reconhecê-lo como a personagem, na representação de cada papel. A consciência individual vai sendo formada pela atividade que o sujeito desenvolve.


Mas a estruturação de suas funções e a ação dos processos que a constituem se dão de maneira diferenciada pelo desenvolvimento ontogenético individual. Pois, ainda que as condições do meio social em que os indivíduos vivem sejam historicamente estáveis, constrói-se especificidades dentro de uma configuração mais ou menos semelhante. Isto porque para se realizar uma atividade, é preciso que, individualmente, ela se torne necessária para quem a executa [...] (LEÃO, 1999, XII)

A cultura, nessa perspectiva é o processo pelo qual o homem acumula experiências, que ele vai sendo capaz de realizar, discernir entre elas, fixar as de fato favoráveis e, como resultado da ação exercida, converter em idéias as imagens e lembranças, a princípio coladas às realidades sensíveis e, depois generalizadas, a partir desse contato inventivo com o mundo natural

Sabe-se que, o ser humano incorpora instrumentos culturais através da linguagem e, dessa forma, os processos psicológicos afetivos e cognitivos são incorporados de seu ambiente cultural e social. Mas, o sujeito vai se transformando aos poucos, ao longo do tempo, desdobrando-se em muitos outros, conforme as relações vivenciadas.

A questão que se coloca é tentar entender como se dá esse movimento, como acontecem nessas relações, as suas transformações. Torna-se importante observar se as transformações envolvem saltos qualitativos ou não; se as mudanças no sujeito revelam desenvolvimento no nível da consciência, se há superação das contradições, ou se elas simplesmente se alternam e se substituem umas às outras no processo de constituição da identidade.

A esse respeito, Silva destaca que:
[...] em relance rápido, perigoso raspar apenas a superfície, no aparente homem nenhum se define ou se explica, em essência, pela sua impressão digital... Para ver e enxergar a identidade de alguém é melhor dar golpes contínuos de esguelha, variando os ângulos do olhar. O descuido deforma, quando não adultera os elementos da imagem; o ser humano é sempre muito mais [...] (SILVA, 1995, p. 30)
É por essas reflexões que se diz: “Identidade é história. Isto nos permite afirmar que não há personagens fora da história, assim como não há história (ao menos história humana) sem personagens”. (CIAMPA, 1994, p.157)

Entende-se que as leituras feitas sobre o processo de constituição do sujeito pela abordagem histórico- cultural da Psicologia constituem-se num referencial muito rico para discutir as formas como se consolida essa constituição e, nesse sentido as produções realizadas pelos estudiosos da região pantaneira desempenham um importante papel como responsável pela necessidade de (in) formar os pesquisadores sobre as idéias e/ou posturas na relação Cultura/ Educação.

Sendo assim, aponta-se a necessidade de se entender e estudar, em sua totalidade, as produções realizadas para, através da análise dos estudos, poder identificar e analisar os aspectos que dão conformação ao processo identificatório dos sujeitos que vivem na região do Pantanal.

Com isso, esta pesquisa pretende considerar as especificidades da região, suas singularidades históricas, seus condicionamentos regionais e políticos, entendidos a partir da dimensão da totalidade.

As linguagens e sinais que vêm se alterando e perdendo-se expressam as mudanças que já se operam no cotidiano do homem pantaneiro. A partir dessas considerações é que se objetiva elaborar uma proposta pedagógica adequada, que possa ser expandida para a região e investir nas pessoas que ali vivem e trabalham. As análises realizadas acerca da educação, que se faz e que se vive, para a constituição dos sujeitos pantaneiros oferecerão subsídios para a elaboração e implantação de programas, políticas e práticas educacionais, sociais e culturais.
Metodologia
Uma análise crítica implica em fazer falar o silêncio. É preciso realizar a análise do discurso daquilo que é dito e escrito, mas é preciso ir além da evidência. Assim, torna-se necessário buscar onde não se poderia achar. É mister estranhar o óbvio para fazer despontar o novo. Uma categoria importante na narrativa, no discurso é a alegoria, ou seja, a confirmação de um simbolismo concreto em que cada símbolo corresponde ao simbolizado. É nesta perspectiva que se entende, neste trabalho, a questão do discurso escrito e narrado, do simbolismo e do lugar e espaço que ocupam nesta investigação.

O substrato de nossas reflexões apóia-se em uma determinada concepção de homem como um ser histórico que se constrói ao se relacionar com o mundo concreto, ao estabelecer relações e interações com outros homens, e que se apropria dos dados da cultura através das mediações simbólicas que estabelece e, que se configura por sua totalidade.

O conhecimento e a consciência das contradições na nossa vida nos possibilitam criar novas formas de representar o mundo construindo novas idéias que resultam em novos saberes e novos fazeres. Vigotski (1984) preconizava que a consciência e as funções superiores têm sua raiz no espaço exterior e não no interior. É na mediação com os objetos e com as pessoas nas condições objetivas de vida social que o indivíduo internaliza essas funções superiores.

Sobre essas formas de representar e atuar no mundo é que vão sendo constituídas subjetividades e identidade, que se constrói pelo reconhecimento das diferenças.

O projeto será desenvolvido em duas etapas:

Primeira fase, período em que se fará o levantamento da produção científica e de outras formas de expressão culturais e artísticas existentes no Estado e fora dele, sobre o homem que vive na região do pantanal:



  • delimitação do universo a ser pesquisado, referente às produções existentes;

  • inventário da produção que tenha por base a relação educação/cultura/identidade do homem que vive na região do Pantanal - produções científicas (teses, dissertações, artigos de periódicos, livros e capítulos de livros) – expressões da cultura artística e de outras formas de manifestação regional (literatura, música, artes plásticas, poesia, dança; etc.) – as formas de divulgação desses produtos (sites- documentários - mídia impressa e eletrônica, etc.);

  • elaboração e preenchimento de uma planilha de identificação para a coleta dos dados das produções selecionadas;

  • levantamento dos critérios de análise das produções selecionadas;

  • preenchimento final da planilha mediante os indicadores de análise;

  • análise das diferentes leituras presentes nas produções com o objetivo de desvelar as relações existentes no campo de estudo em questão;

  • desenhar o quadro de indícios de cada eixo dos inventários a fim de compor o retrato do homem pantaneiro e de sua constituição através da apropriação da cultura pela educação.

Segunda fase, período em que se fará um Estudo de Caso em duas escolas de fazendas da região pantaneira, com formas diferenciadas de gestão:



  • conhecer as duas fazendas selecionadas;

  • elaborar um plano de trabalho e de instrumentos de coleta para a pesquisa de campo;

  • resgatar o desenvolvimento da escola presente no espaço pantaneiro;

  • caracterização da escola nesse espaço e das pessoas que fazem esse espaço educativo;

  • analisar a importância da escola para os sujeitos que vivem na região, identificando as apropriações realizadas ;

  • identificação dos impactos da escolarização na vida desses sujeitos;

  • estudo das representações dos sujeitos na escola localizada em duas Fazendas do Pantanal;

  • elaboração de material com subsídios para uma proposta curricular e para a capacitação dos recursos humanos da região.

Essa fase da investigação empírica implica na: “análise dos fatos que são aspectos ou fenômenos da própria realidade, conhecidos pelo homem. Os fatos podem ser observados mediante a observação externa ou objetiva ou através dos conteúdos que o próprio sujeito nos oferece de suas vivências, de sua consciência”. (URT, 1992, p.176)

A análise e a discussão dos dados será feita a partir do referencial da teoria sócio-histórica que pressupõe um caminho teórico e metodológico que privilegia a explicação dos fatos, a compreensão do processo e o rompimento com conceitos cristalizados. Dessa forma, pode-se desvelar as contradições presentes na singularidade do sujeito pantaneiro que se realiza na universalidade e se materializa na forma como produz sua existência: sua atividade e sua educação como formas de apropriação da cultura.



Cronograma de Execução 




CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO FÍSICA DO PROJETO







MÊS DE EXECUÇÃO

MÊS DE EXECUÇÃO



















10º

11º

12º

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15º

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18º

19º

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22º

23º

24º

Levantamento dos fundamentos, fontes primárias e secundárias, necessárias à interlocução e interpretação da relação homem-cultura e educação.

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Levantamento da produção científica acerca da cultura pantaneira, privilegiando a tríade: Homem – cultura – educação: (teses e dissertações UFMS-UEMS- UCDB-UNIDERP –UFGD)

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Levantamento da produção científica acerca da cultura pantaneira, privilegiando a tríade: homem – cultura – educação nos periódicos – livros – capítulos de livros disponíveis nas bibliotecas universitárias de Mato Grosso do Sul , bibliotecas particulares, sebos e bancos oficiais disponíveis na Internet: periódicos Capes - banco de dissertações e teses da Capes.

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Levantamento de outras formas de expressão da cultura pantaneira: literatura – jornais - poesia – música – artes plásticas – artesanato – que possam patentear aspectos do homem dessa região e de como se dá o seu processo educativo.

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Levantamento em outras formas de comunicação e divulgação dos aspectos que possam patentear aspectos do homem dessa região e de como se dá o seu processo educativo: literatura – jornais - poesia – música – artes plásticas – artesanato – culinária, etc

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Após o levantamento inventariar o material selecionado através do preenchimento de planilhas específicas para registro desses dados.

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Leitura das várias linguagens disponibilizadas pelo material selecionado.

























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Analisar as planilhas por agrupamento: produção científica: teses, dissertações, periódicos, livros, e outras formas de expressão culturais e sociais.




























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Cruzar as análises dos três agrupamentos que permitam um diálogo para a compreensão da constituição do homem que vive na região do pantanal.































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Selecionar e entrevistar pessoas que são personagens fundamentais para a compreensão do processo de educação e constituição do homem da região pantaneira.








































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Selecionar duas escolas situadas em fazendas do pantanal sul -mato-grossense (com diferenças na gestão).











































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Observar o contexto das fazendas com suas particularidades e conhecer as pessoas que nelas vivem.











































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Caracterização das duas escolas: histórico, situação atual, etc. através de análise documental.











































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Observação das escolas, de seu cotidiano e de sua “paisagem” pedagógica.














































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Entrevistar o corpo técnico e pedagógico das escolas – professores e alunos.

















































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Aplicação de outros procedimentos necessários à coleta de dados: desenhos, autoscopia, fotografia,etc.

















































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Análise de todo material selecionado na primeira fase de levantamento e inventário e na segunda fase nas escolas das fazendas do pantanal.




















































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Articulação de toda a produção selecionada e analisada nas duas situações da pesquisa para discussão final dos resultados.


























































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Encaminhamentos para subsidiar a elaboração de programas e projetos pedagógicos direcionados aos sujeitos que vivem na região pantaneira, através da capacitação de professores e da construção de textos didáticos apropriados para essa população garantindo a universalidade do saber a partir da constatação que a identidade é um processo que se sustenta na articulação do individual com o social.
































































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Organização de Seminários para divulgação da pesquisa e apresentação de trabalhos em eventos científicos.









































































Elaboração do Relatório Final -



































































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Elaboração e envio de artigos para publicação
















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Benefícios esperados
A equipe de pesquisa pretende, ao compreender a constituição do sujeito que vive no pantanal sul-mato-grossense, que se faz pela apropriação da cultura através da educação, revelar suas especificidades e singularidades que só podem ser explicitadas a partir da consideração que é no universal que se dá a sua realização.

Pretende-se organizar e divulgar produções científicas que corroborem para:




  • compreender a constituição do sujeito histórico-concreto que vive na região do pantanal sul-mato-grossense alicerçada em questões culturais universais e não na comparação dos indivíduos entre si, a fim de orientar políticas curriculares, que promovam o reconhecimento das diferenças sem resvalar para ações discricionárias;

  • constituir um banco de dados sobre a produção acerca do homem pantaneiro e de sua educação e conformação.

  • orientar programas, políticas e práticas sociais e educacionais;

  • subsidiar as escolas acerca da construção de proposta pedagógica e capacitação de professores.


Estratégias de difusão dos conhecimentos gerados


  • organização de Seminários promovidos pelo GEPPE (Grupo de estudos e pesquisa em Psicologia e Educação) www.propp.ufms.br/ppgedu/geppe, sob nossa coordenação, para divulgação dos resultados por etapa;

  • participação sob a forma de Mesa Redonda e comunicação oral em eventos científicos nacionais e regionais, apresentando resultados da pesquisa;

  • publicação sob a forma de artigos (previsão de encaminhamento de dois artigos por ano para Revista Qualis A);

  • apresentação e discussão dos resultados junto aos órgãos estaduais de Mato Grosso do Sul e às entidades e instituições ligadas à educação, cultura e artes.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

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URT, S. C. MORETTINI, M.(org.) A Psicologia e os desafios da prática educativa. Campo Grande, MS: Editora da UFMS, 2005.

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