A energia Eólica



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10/11/2001

A Energia Eólica


Gilberto De Martino Jannuzzi
Energia eólica é uma forma de energia solar produzida pelos ventos. As massas de ar que se movimentam na atmosfera devido a diferenças de pressão causadas pelo aquecimento irregular da superfície da Terra. Enquanto o sol aquece o ar, água e terra de um hemisfério, o outro é resfriado por radiação térmica enviada ao espaço. Diariamente a rotação da Terra espalha esse ciclo de aquecimento e resfriamento sobre sua superfície. O aquecimento desigual de oceanos e superfícies da terra, que possuem diferentes capacidades de absorver e armazenar calor acaba provocando os deslocamentos de massas de ar.
A humanidade aprendeu a aproveitar a energia dos ventos para executar uma série de trabalhos ao longo dos tempos. Os usos mais tradicionais incluem os moinhos de ventos usados para moagem, irrigação, bombeamento de água. Outra utilização importante até os dias de hoje é a movimentação de embarcações a vela. Mais recentemente, utiliza-se a energia eólica para a produção de eletricidade.
A produção mundial de eletricidade a partir da energia eólica cresceu de praticamente zero no início da década de 80 para mais de 20 TWh/ano no final da década de noventa, com um montante investido em torno de um bilhão de dólares. A capacidade de geração acumulada no mundo atingiu 10 GW. A taxa de crescimento no cenário internacional durante a década de 90 foi de 23%, a maior taxa entre as tecnologias de geração de eletricidade.
Esses dados revelam uma relativa maturidade dessa tecnologia e sua competitividade comercial. Isso fez com que países como a Dinamarca aumentassem a contribuição da energia eólica na sua matriz energética, com cerca de 12% do total de eletricidade produzida anualmente através de aerogeradores. Esse é um dos mais altos percentuais do mundo até o momento.
Algumas regiões como a União Européia já fixaram metas de 10% da eletricidade produzida em 2030 através de aerogeradores. Esse tipo de sinalização de longo prazo é fundamental para viabilizar esforços de pesquisa, desenvolvimento e demonstração e criação de mercado para a tecnologia eólica.
O Brasil despertou muito recentemente para a exploração do seu potencial de energia eólica. Trabalhos acadêmicos na área de energia eólica tiveram início significativo desde a década de 70, mas somente em 1992 tivemos a instalação de aerogeradores de maior porte (72kW) em 1992 na ilha de Fernando de Noronha. A capacidade instalada é hoje de cerca de 35 MW com sistemas espalhados nos estados do CE, PR, PE e MG e a partir da crise de energia deste ano, novos empreendimentos estão sendo rapidamente viabilizados.
Embora o avanço da energia eólica para produção de eletricidade seja sem dúvida bastante significativo, seu potencial é ainda muito pouco aproveitado. O potencial de produção de energia no mundo é de 20-50 mil TWh/ano, ou seja mais de 100 vezes o consumo anual do Brasil. Isso sem considerar o potencial “offshore”, ou seja o potencial de se colocar aerogeradores em plataformas marinhas. Essa tem sido a opção preferencial em alguns países europeus devido a problemas ambientais de uso do solo. É bom mencionar que esse tipo de tecnologia na verdade possui menor impacto no uso do solo quando comparada com energia solar ou de biomassa. No Brasil , o potencial está sendo inventariado por diferentes instituições, mas tudo indica que é significativo, especialmente na região Nordeste. Nessa região o regime de ventos possui uma interessante característica que se complementa com a disponibilidade hidráulica da região, ou seja, durante os meses mais secos do ano é quando existe maior potencial de geração de eletricidade a partir de energia eólica.
A indústria de geração de eletricidade através da energia eólica tem conseguido avanços técnicos em três áreas principais: aumento das turbinas que passam a produzir mais energia elétrica e possuem melhor aproveitamento dos ventos, uma diminuição de custos e possibilidades cada vez melhores de integração à rede convencional. Essas melhorias técnicas tem contribuído para o sucesso da geração eólica.
Além disso, é importante notar que em muitos países tem havido a preocupação de consumidores e de governos de oferecer vantagens para o desenvolvimento dessa tecnologia e de um mercado para a mesma. Consumidores tem sinalizado suas preferências com relação às vantagens ambientais da geração eólica e preferiram pagar um pouco mais caro por essa forma de energia. Essa demanda estimulou um ciclo virtuoso onde o aumento de escala de produção de aerogeradores tem levado mais investimentos e melhorias técnicas. O conjunto desses fatores acabam aumentando a competitividade da energia eólica.
O aproveitamento da energia eólica no Brasil merece ser olhado com atenção. Já existe no país produção de aerogeradores utilizando tecnologia alemã e vários pequenos grupos acadêmicos com conhecimento básico para conduzir um programa mais ambicioso de desenvolvimento tecnológico. As características dos ventos brasileiros, condições meteorológicas e clima exigem desenvolvimento e adaptações de projetos e materiais dos aerogeradores mais adequados e eficientes. Essas definições poderão compor um programa nacional de desenvolvimento tecnológico junto com a indústria local. Em particular a bem sucedida capacitação da indústria de aviação nacional poderá contribuir nesse esforço uma vez que existem diversas interfaces com a indústria de aerogeradores.
Algumas iniciativas para o desenvolvimento de tecnologia nacional estão sendo financiadas com recursos da FAPESP e provavelmente o recém criado Fundo Setorial Setorial de Energia CT-ENERG também induzará outros projetos de desenvolvimento e demonstração para a geração de eletricidade a partir de energia eólica.
No entanto, esta não é a única frente a ser enfrentada. Será de fundamental importância maior arrojo na definição de uma política pública de incentivos a utilização de energia elétrica gerada a partir da energia eólica. São ainda necessárias importantes definições regulatórias para criação de um mercado sustentável para essas tecnologias, seja para estimular concessões de fazendas eólicas (ou locais com potencial de exploração), seja para garantir a demanda e preços competitivos ao consumidor.
Os desafios são consideráveis para todas a tecnologias de geração de eletricidade a partir de fontes renováveis no Brasil. No entanto, a energia eólica poderá apresentar resultados significativos e em curto prazo.


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