A escolha da Hora Certa



Baixar 0.75 Mb.
Página1/16
Encontro04.08.2016
Tamanho0.75 Mb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   16
GREGORY SZÂNTO

ASTROLOGIA

A Escolha da Hora Certa


Como escolher o momento certo para

assinar contratos, começar a construção de uma casa,

abrir firmas,

optar por um novo emprego,

inaugurar uma loja,

etc., etc., etc.

Tradução

MAURO DE CAMPOS SILVA




EDITORA PENSAMENTO

São Paulo



À Faculty of Astrological Studies, que tanto tem feito para promover

a causa da verdadeira astrologia

Que todo homem seja um mestre do tempo.

- Shakespeare - Mackbeth


Parte Um – A TEORIA

1- A ASTROLOGIA DE ESCOLHA

Seguir o fluxo: o objetivo da astrologia de eleição
Há nos negócios humanos uma corrente

Cujo fluxo, ao ser seguido, leva ao sucesso;

Desprezado, todo o curso da vida do homem

Confina-se aos baixios e às tormentas.

Shakespeare (Júlio César)1

A astrologia de eleição ou astrologia eletiva é a arte de escolher o momento certo para dar início a um empreendimento. A escolha do tempo certo é a essência da vida. Para tudo há uma hora certa e uma hora errada. Agir na hora certa garante o sucesso. Agir na hora errada certamente assegura o fracasso.

O objetivo deste livro é mostrar como escolher a hora certa. O potencial da astrologia de eleição, ou das eleições, como sucintamente se costuma chamá-la, é grande, maior talvez do que o de qualquer ou­tra área da astrologia, pois é o único ramo dessa ciência onde temos escolha, onde, em vez de interpretarmos um horóscopo já existente, criamos um.

Porém, é fundamental que, desde o início, estabeleçamos com precisão qual é a nossa finalidade. Apesar do imenso potencial que existe nesse campo, apesar da extraordinária importância em possibilitar o exercício de nossa liberdade de escolha, selecionando ativamente o mo­mento certo para um empreendimento, a capacidade de eieger um ho­róscopo em grande parte se perdeu. Nessas circunstâncias, é necessário começar novamente, formulando as regras aplicáveis especificamente à astrologia de eleição.

O que significa então escolher o momento certo para um empreen­dimento? Significa escolher o momento apropriado para esse empreen­dimento. Há um momento adequado e um momento inadequado para o que quer que se faça sob o céu Essa é a premissa básica da astrologia de eleição, isto é: há um momento certo para o empreendimento em si mesmo. Como saber qual é esse momento? Para saber o tempo certo, é necessário primeiro entender a natureza do tempo. Isso significa entender como ele é formado e como ele se reflete nos corpos celestes que são as ferramentas da astrologia.

Portanto, dividi o livro em duas partes. Na primeira, examinarei a natureza do tempo e sua correlação com os corpos celestes. Depois, na segunda parte, formularei as regras de escolha. Para fins de eleição, a natureza do tempo depende de dois princípios. Em primeiro lugar, o tempo varia em qualidade de hora para hora, de dia para dia, de mês para mês e a cada período sucessivo. Em segundo lugar, cada empreen­dimento tem o seu próprio ciclo inerente.

Originalmente, a astrologia de eleição foi uma das quatro pedras angulares da astrologia, sendo as outras três a mundial, a natal e a ho­rária. Mas, com o interesse pelo mundo além dos limites do individual tornou-se restrito, somente as duas últimas áreas sobreviveram na forma original depois do século XVII. Embora as razões disso possam ser atri­buídas a uma mudança geral de perspectiva por um período mais longo, o declínio imediato na compreensão da astrologia de eleição pode ser rastreado até a época de William Lilly.

É um dos anacronismos da história pensar que, ocasionalmente, a preferência ou o antagonismo de uma pessoa considerada protagonista de sua área de estudos possa mudar todo o padrão futuro. A posição de Lilly como o principal astrólogo de sua época foi aceita como inatacável. Contudo, seu interesse assentava-se na astrologia horária e na astrologia natal, sobre as quais escreveu detalhadamente, enquanto silenciou em relação à astrologia de eleição. Seu ajudante. Henry Coley, escreveu muita coisa sobre esse ramo da astrologia, mas, ao fazer isso, utilizou as regras de Lilly para as astrologias horária e natal, que eram total­mente inadequadas à astrologia de eleição.

Como resultado desse acidente histórico, a astrologia horária, que consiste no levantamento de um horóscopo para o momento em que é feita uma pergunta, e onde se tem que interpretar a resposta, alcançou uma popularidade que alguns dificilmente podem achar justificada pelo seu potencial. Ao mesmo tempo, os princípios da astrologia de eleição foram confundidos até não serem mais reconhecidos e, assim, uma área que sempre fora considerada como tendo o maior potencial prático aos poucos foi negligenciada.

Particularmente, o resultado de se utilizarem as regras de astrolo­gia natal e horária para a astrologia eletiva foi que, em vez de tomar o próprio empreendimento como ponto de partida e escolher o momento adequado aos seus ciclos naturais, o astrólogo foi encorajado a começar com o horóscopo de um indivíduo para só então tentar acomodar a ele o empreendimento.

Associar a astrologia de eleição à astrologia natal significa fazer a pergunta errada. Esta seria: qual o momento certo para John Brown fa­zer algo? Se é esta a pergunta a ser formulada, então devem-se analisar as direções de John Brown para que se encontre o melhor momento em seu ciclo pessoal. Esse seria um caso em que as regras da astrologia natal seriam aplicáveis.

A astrologia de eleição, entretanto, está relacionada com a pergunta: qual o momento certo para dar início a este empreendimento particular, para fundar uma universidade, para lançar este foguete, para estabelecer es­te tratado de paz, de modo que sejam um sucesso? Isso não significa negar que num caso específico possa ser necessário levar em conta um ou mais indivíduos. Num capítulo posterior, tratarei especialmente da comparação entre o horóscopo de eleição e o horóscopo de indivíduos, e mesmo de organizações. Mas o ponto de partida sempre deve ser o empreendimento, pois ele tem seu próprio padrão de tempo.

A astrologia de eleição, de fato, está mais intimamente ligada aos princípios da astrologia mundial, a outra área que na mesma época caiu ao esquecimento e que novamente está sendo cada vez mais reconhecida. Nesse ramo da astrologia, os ciclos das nações, dos governos e dos negócios referentes aos povos são estudados com base no fato de que cada um possui o seu próprio ciclo independente. Quando se examina, por exemplo, o mercado de ações, observa-se que seus ciclos operam e se correlacionam com aqueles dos planetas, independentemente dos ciclos de qualquer indivíduo.

Nas eleições, portanto, nós nos afastamos do indivíduo em direção ao mundo "lá fora" ou a algum aspecto específico deste último. E para intendermos a natureza desse mundo no tempo, precisamos, em relação a este, reconhecer os dois aspectos básicos que mencionei acima: o tempo descritivo e o tempo cíclico, como os chamarei neste livro. O tempo descritivo baseia-se na premissa de que cada momento possui a sua própria qualidade, assim como acontece com cada pessoa, com cada coisa. O tempo e suas criações são um só. Cada filho do tempo, todo aquele que nasce num momento possui as qualidades desse momento. Essa é a base da astrologia em geral, e é por isso que podemos descobrir o caráter de um ser humano observando o momento em que ele nasceu. Do mesmo modo, ao analisar um empreendimento, suas qualidades dependem do momento da sua criação.

Por ser o universo uma unidade, a qualquer momento do tempo sua qualidade será refletida em todas as suas partes. Uma hora tranqüila impregnará de paz toda forma de existência, sendo espelhada na suave quietude de um dia de verão e na constante agitação das ondas do mar. E como os planetas também fazem parte do universo, a qualidade dessa hora será refletida no seu estado.

Segundo o princípio do tempo descritivo, podemos escolher a qualidade própria para um empreendimento, uma vez que conheçamos quando e como essa qualidade é refletida pelos corpos celestes. Assim, se na fundação de uma instituição religiosa decidimos que as qualidades adequadas são as de permanência, duração e estabilidade espiritual, asseguramos que os planetas reflitam essas qualidades. Por outro lado, se estamos interessados na fusão de um grupo de companhias têxteis, procuraremos as qualidades que reflitam as necessidades desse empreendimento particular.

O tempo cíclico baseia-se na premissa de que os eventos ocorrem e se repetem de acordo com um padrão definido. Os médicos estão familiariza­dos com acidentes e com certas doenças que ocorrem em ciclos regulares. Shakespeare escreveu: "Quando chegam, as aflições não vêm sozinhas, mas aos magotes."2 O que os médicos e os dramaturgos não sabem, porém, é quando esses eventos ocorrerão. Sem alguns meios de reflexão como os corpos planetários, cujas órbitas podem ser previstas com precisão, não é possível medir a duração do momento ou saber quando ele virá.

Fay Weldon escreveu em seu romance Praxis: "As vidas humanas viajam no tempo como as ondas do mar, alcançando picos de experiên­cia, depois caindo novamente, recuperando as forças, para mais uma vez subirem."3 A maioria das pessoas tem consciência dos eventos em sua vida como acontecimentos independentes que caem como a chuva. Poucas reconhecem o padrão de que são parte esses eventos aparentes. Menos ainda percebem que eles são urdidos no próprio tecido da vida. Há um padrão sob a superfície dos eventos, e é ele que compõe a realidade mais profunda de nossas vidas envoltas no tempo.

A existência humana, com seu fluxo e ré fluxo, sua ascensão e queda, obedece aos ciclos inerentes do seu ser. Todos os outros aspectos da vida, cada princípio e cada empreendimento, possuem também seus ciclos inerentes. Dentro desses ciclos há um momento certo e um mo­mento errado: um tempo de facilidades e um tempo cheio de dificul­dades, tempos de esperança e tempos de delongas. Perceber a natureza cíclica do tempo favorece o segundo método de escolha.



  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   16


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal