A espiritualidade marista de marcelino champagnat



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A ESPIRITUALIDADE MARISTA

DE MARCELINO CHAMPAGNAT
Michael Green fms

INTRODIÇÃO



(a) O fundamento marial da espiritualidade de Marcelino

A compreensão que Marcelino tinha dele mesmo e da sua missão, suas ações e as expressões da sua espiritualidade refletem seu tempo. E deveria ser assim, pois Marcelino era um homem do seu tempo, como somos do nosso. Nós vivemos num momento dado e num lugar preciso. A maravilha da nossa fé cristã é que Deus armou sua tenda entre nós; é através das pessoas e dos acontecimentos de nossas vidas que nos aproximamos do Deus eterno, o encontramos e lhe respondemos. É importante saber disso quando NÓS, Maristas de hoje, buscamos nossa inspiração na espiritualidade de Marcelino. Podemos, então, contemplar suas intuições fundamentais, e não ficar distraídos com expressões particulares que fazem parte do seu tempo. É sobretudo nessas intuições que descobrimos o caráter marial da sua espiritualidade.


A tríplice imagem de Maria que recebemos de Lucas e que se adapta bem à identidade dos primeiros Marsias, nos oferece a chave: primeiramente com Maria da Anunciação, Marcelino está profundamente consciente da ação de Deus na sua pessoa e em torno dele; ele está aberto a tudo que Deus lhe pede, e pelo poder do Espírito Santo, ele pode deixar que Deus tome posse de todo o seu ser. Em seguida, com Maria da visitação, ele parte prontamente em direção às regiões montanhosas para levar Boa nova de um Deus amável e a promessa segura que o reino de justiça e de fidelidade está próximo. Finalmente, com Maria do Pentecostes, ele constrói a Igreja em volta dele, entre aqueles que estão desencorajados, que têm o coração ferido e buscam razões para esperar. Fazer isso com Maria – antes que para Ela ou em sua honra – eis a essência da espiritualidade de Marcelino. Como todos os fundadores maristas do seu tempo, ele quis cooperar com a obra de Maria. “É vossa obra,” gostava de repetir.
Nesse sentido, a espiritualidade marista que Marcelino nos transmite está em conformidade com a compreensão que a Igreja tem de Maria na vida cristã: a Theotokos, aquela que traz Deus consigo. A antiga oração dos cristãos do século II em Alexandria, conhecida sob o nome latim de Sub Tuum Praesidium, confirma este título de Maria que iria ser oficializado mais tarde pelo Concílio de Éfeso. É importante que este hino, ainda cantado em vários lugares do mundo marista, esteja no coração da identidade e da missão Marista: ser como Maria, Theotokos. Como Maria, discípula, o Marista acolhe primeiramente o Deus-Vida que busca nascer em seu coração. Como Maria, discípula, ele vai além desta comunhão com Deus para fazer nascer o Deus-Vida nas pessoas menos preparadas e nos lugares menos atraentes. Como Maria, mãe, ele reúne a família em torno dele, em pé, no meio da Igreja nascente.
Estes fundamentos teológicos e bíblicos de nossa espiritualidade marista sugerem que ela repousa sobre três pilares. O primeiro é a perspectiva da Anunciação, da qual tiramos nossa maneira marista de rezar. A segunda é a perspectiva da Visitação, de onde tiramos nossa maneira de ser apóstolo. A terceira é a perspectiva do Pentecostes, de onde tiramos nossa maneira de viver a comunidade. Oração, apostolado e comunidade são as três dimensões da vida de todo cristão; para o marista, estes elementos são modelados a partir de Maria. Tomando como base esse fundamento teológico e bíblico, chegamos a Marcelino. Nós colorimos nossa espiritualidade a partir do seu estilo distintivo: simples, modesto e humilde. Herdamos dele uma maneira de nos aproximarmos dos outros sem pretensões, de maneira agradável, através de relações realistas, em um espírito de família que gravita em torno da educação e da atenção dada aos jovens.
Até o momento do seu último suspiro, Marcelino esteve associado aos seus Pequenos Irmãos de Maria e ao Projeto Marista, maior, do qual ele foi co-fundador. Era um projeto de múltiplas facetas e de envergadura mais ambiciosa. Um projeto que, com o tempo, se desenvolveu de maneira bem diferente daquela que os seus fundadores haviam imaginado. Seremos no entanto negligentes (para não dizer desonestos), se as realidades atuais nos fizessem perder de vista que Marcelino dava muita importância ao grande grupo marista. Ele conservou no seu quarto uma das três cópias do Juramento que os aspirantes maristas fizeram em Fourvière, em 1816. Mesmo tendo havido mais de uma vez razões e ocasiões para agir como cavaleiro solitário, ele nunca o fez. Também resistiu a várias tentativas de unir os irmãos com outras congregações fundadas na região de Lyon. Ele os manteve afastados de outros grupos que considerava de natureza muito diferente. Essa foi uma intuição chave de Marcelino: que os Pequenos Irmãos de Maria fariam parte de um movimento marista maior que era distinto das obras e iniciativas existentes na Igreja. A espiritualidade da qual somos herdeiros nos desafia a guardar essa dupla integridade – não nos fundir com outros grupos de tradição muito diferente, mas também não romper nossa união primeira com a Família marista. Depois das nossas fundações, várias espiritualidades maristas diferentes foram desenvolvidas, mas cada uma tem por raiz vivificante seu caráter marista.
(b) Discípulos, sim; clones, não.

Enquanto Marcelino permanece uma figura que inspira e funda nosso tipo particular de espiritualidade marista, devemos tomar cuidado para não sermos seus clones modernos. Na Igreja, os carismas dos grandes santos foram desenvolvidos em ricas tradições espirituais, mas permanecem como dons do Espírito Santo ao serviço da Igreja. Marcelino foi um desses santos chamados a fundar o que Lumen Gentium chama “as espiritualidades mais admiráveis.” Ainda que, em certa medida, a personalidade de um fundador de uma tradição espiritual vá sempre contribuir para definir a natureza dessa espiritualidade, é importante continuar vigilante para evitar todo culto da personalidade. Se uma espiritualidade não conduz a Jesus e não leva seus membros à uma comunhão mais intensa com a vida e a missão da Igreja, não se trata de uma tradição espiritual autenticamente cristã.


Podemos ilustrar isso através da experiência dos primeiros irmãos. Há pouca dúvida de que a personalidade cativante de Marcelino tenha sido um fator determinante para atrair novos irmãos. Como também pouco duvidados que esses últimos amavam Champagnat e, por vezes, o lisonjeavam. Ele era o mestre deles no caminho do Evangelho, o guia espiritual e pedagógico, e de várias maneiras era também o pai na dimensão humana. Essa foi a experiência de Francisco, Luís-Maria, João Batista e de muitos outros. Sabemos, no entanto, que eles não pretendiam ser pequenos Champagnat. Mesmo quando alguns dos seus contemporâneos descreveram Francisco como o retrato vivo do Fundador, ele não o era por sua personalidade, seu comportamento, seus interesses e seus escritos; ele era muito diferente de Marcelino.Isso é ainda mais evidente em Luís-Maria e João Batista. No caso do irmão Silvestre ou Lourenço, nós encontramos alguém com uma personalidade completamente diferente. Portanto, cada uma dessas diferentes personalidades era verdadeiramente marista à maneira de Champagnat. Eles estiveram com ele desde o início e deram sua vida pela causa marista, adquirindo assim uma profunda experiência de Jesus, de Maria, da vida e da missão da Igreja.
Um outro exemplo é aquele do irmão Ludovic Laboureyras, este francês amável e enérgico que conduziu os irmãos a estabelecerem escolas na Austrália, em 1872. Ludovic era muito jovem para ter conhecido pessoalmente Marcelino, mas está muito evidente de que esse último era um verdadeiro herói para ele, uma fonte profunda de inspiração. Antes de embarcar para Sidney, Ludovic deixou seus preparativos e seus co-irmãos em Paris para fazer uma peregrinação particular à Lyon e à Saint-Chamond. Durante esses dias, ele foi à Capela de Nossa Senhora de Fourvière, depois à l’Hermitage, onde rezou sobre o túmulo de Marcelino e onde chegou mesmo a dormir sobre sua cama. Passou tempo com os irmãos mais idosos que conheceram Marcelino, como o irmão Francisco. Somente assim Ludovic se sentiu preparado para iniciar sua missão. Ele queria que o espírito de Marcelino penetrasse nele no mais profundo dos seus ossos; Marcelino representava tudo para ele. Portanto, em seus numerosos escritos posteriores, ele nunca fez referência a Marcelino. Evidentemente ele fala de Jesus e, freqüentemente, de Maria, do amor dos seus irmãos e do trabalho da Igreja, mas permanece mudo a respeito de Marcelino, sua primeira fonte de inspiração. A vida posterior de Ludovic demonstrou o quanto ele era um verdadeiro filho de Champagnat, mas ele era também ele mesmo: sua espiritualidade marista lhe permitiu encontrar Deus, colocar-se generosamente ao seu serviço e transmitir à uma nova Província marista um espírito conforme o de Champagnat.


2. Três temas fundamentais da espiritualidade de Marcelino

(a) Com Maria da Anunciação

Deus encontrou Marcelino e Marcelino se deixou descobrir. Como Maria, ele era atento à ação de Deus em sua vida, mesmo quando Deus se apresentou a ele de maneira inesperada e desconcertante na pessoa de um padre que recrutava jovens para o seminário. Isso não quer dizer de nenhuma maneira que a relação de Marcelino com Deus tenha sido, sobretudo, passiva. Suas peregrinações à La Louvesc, depois do ano escolar pouco louvável em Saint-Sauveur e após o ano difícil que passou no pequeno seminário, nos demonstram quanto ele estava decidido na sua busca. Suas resoluções de retiro revelam alguém decidido e sincero, mas também um ser consciente de sua necessidade de Deus. Ainda que as respostas não tenham sido sempre fáceis, seu Fiat, como o de Maria, vinha do fundo do seu coração e envolvia toda a sua vida.


Sua prática da presença de Deus, adotada depois do tempo de aprendizagem no Seminário, era sem dúvidas o fruto desta fé transmitida por sua mãe, sua tia e desenvolvida através de outras experiências quando criança. Ela era essencial para compreender sua espiritualidade. Marcelino buscou estar sempre consciente da presença de Deus. Sua relação com Deus era, pois, sem surpresa, íntima e confiante. Da mesma maneira era sua relação com Maria. A espiritualidade marista é excepcionalmente sólida e afetiva: suas imagens e palavras provêm da família. Na época em que a Igreja da França se comprazia com suas solenidades e se liberava da velha eclesiologia e suas práticas espirituais, Marcelino preferia uma maneira mais simples de aproximar-me de Deus como um Pai. Ele utilizava a maneira campesina de se dirigir a Maria: Nossa Boa Mãe. Era aos corações de Jesus e de Maria que se dirigia, muito mais do que à sua majestade e ao seu poder. Evitou os símbolos ou as imagens que não tinham uma relação com a experiência das pessoas simples. A partir das suas intuições, ele desenvolveu um tipo de tradição espiritual que era acessível e atraente a todos. Quando desejam falar do divino, da sua vida espiritual ou oferecer aos outros os benefícios de suas experiências espirituais, os Maristas preferem intuitivamente uma linguagem e imagens provenientes daquilo que eles mesmos viveram. Isso explica porque a espiritualidade marista foi facilmente inculturada lá onde os maristas a levaram, nas diversas partes do mundo. Evidentemente, ela está presente também no seu apostolado que é, ao mesmo tempo, integrado e familiar. No seu trabalho, os Maristas são desprovidos de pretensões e abertos às relações. Naqueles que os servem, eles vêem irmãos e irmãs, pais e mães. Buscam criar um espírito de família entre as pessoas onde trabalham. Há, pois, uma complementaridade entre sua espiritualidade e seu estilo apostólico.
Apesar do ritmo de vida desgastante que exigia muito tempo e um pragmatismo eficaz, Marcelino compreendeu que o tempo passado com Deus não poderia ser sacrificado: tempo de oração e tempo de meditação. Uma espiritualidade autenticamente marista deve assegurar-se desse tempo privilegiado. Para o Marista que vive num mundo moderno, cada vez mais secularizado e num ritmo frenético, descobre aqui um desafio salutar.Como Maria, os Maristas são chamados a conservar muitas coisas em seus corações.

(b) Com Maria da Visitação

Em Marcelino, havia uma pressa exagerada, por vezes imprudente, para empreender diversos projetos. Assim também foi com Maria. Lucas emprega uma linguagem forte para descrever a pressa de Maria para ir visitar Elizabete: ela dirigiu-se “apressadamente”. Como Maria, Marcelino vai por montes e vales – sem levar em conta a segurança e o conhecimento dos lugares. Eis aqui uma diferença fundamental entre a visão ativa e a visão monacal do apostolado. A vida do monge é organizada no interior dos muros do monastério, mesmo se as portas ficam abertas e reine dentro um grande espírito de hospitalidade. É o visitante que se apresenta ao monastério, e não o monge que vai em busca daquele que está necessitando de ajuda. Uma espiritualidade apostólica marista pede à pessoa para deixar sua casa e entrar na casa do outro, onde acontece o encontro. Este é o jeito de Maria e de Marcelino. Desde o momento que ele deixou a paróquia para ir viver com os jovens irmãos em La Valla, Marcelino respondia à intuição de sair de sua casa para ir ao encontro do outro, pouco importando onde ele se encontrasse. Para um Marista, aproximar-se do mundo dos jovens é uma exigência ao mesmo tempo física e espiritual: entrar em seu território para conhecê-los, para partilhar da sua cultura, das suas inquietudes, das suas esperanças, suas alegrias e dificuldades. Na terminologia marista, podemos falar de uma “presença”. O Marista busca as ocasiões e as razões para ser presença junto aos jovens, para influenciá-los através daquilo que ele é e através da Boa nova que traz no seu coração.


O que leva Marcelino à ação é mais o seu coração do que sua razão. Sua preocupação com as pessoas de La Valla, com seus irmãos e seus alunos, com os membros da sua própria família revela sua generosidade espontânea. Seu gesto de doação ia além do que uma pessoa racional julgaria necessário e sábio. Este seu estilo está muito evidente na visita que fez ao irmão João Batista, doente, em Bourg-Argental, antes de se perder na neve, na sua ordem para dar seu colchão a um indigente ou ainda pelo seu desafio feito aos irmãos para não se desesperarem com o jovem João Batista Berne. O que deveria ser feito devia sê-lo com urgência e audácia: o recrutamento de Grajon imediatamente após a morte do jovem Montagne, os problemas preocupantes de 1822 e de 1826 que pareciam concorrer contra ele, a grande dívida contraída durante a construção de l’Hermitage. Todos estes exemplos expressam segurança e audácia que ele tirava da sua comunhão com o Senhor, na sua confiança em Maria de quem realizava a obra. Ele soube também difundir seu entusiasmo entre os irmãos, como foi o caso com o irmão Lourenço que, cada semana, dirigia-se ao Bessat tendo como única provisão alimentar um pouco de batatas.
O Magnficat é o hino marista por excelência. Com Maria e com Marcelino, o Marista está inteiramente seduzido pela experiência do amor de Deus em sua vida – um amor gratuito, mas apaixonadamente acolhido. Ele o canta quando encontra o outro e sente a alegria desse encontro. Ele leva ao outro uma mensagem de dignidade: “Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite?” Ao encontrar um Marista, uma semente de vida nova, portadora de vida divina, é plantada e provoca uma alegria contagiosa: “Pois quando a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria em meu ventre.” Lucas escreve estas palavras maravilhosas do Magnificat após o primeiro encontro de Maria com Elizabete. O Marista manifesta um sentimento mais profundo para com Deus e sua Boa Nova de justiça e de fidelidade após haver encontrado o outro. Os frutos do encontro são o nascimento de Jesus e a vinda do Reino de Deus.
Maria veio à Elizabete como a uma irmã. Na Anunciação, ela era uma discípula, e mais tarde, em Pentecostes, ela será uma mãe, mas aqui ela é uma irmã. Estas três imagens de Maria segundo Lucas dão ao Marista um tríplice sentido à sua espiritualidade específica. Na Visitação, Maria é aquela que se faz próxima e solidária, mas ela se aproxima como uma irmã. Para Marcelino, o ideal da relação mestre-aluno era uma relação de um irmão mais velho com seu irmão mais novo. Ele utiliza também a metáfora do pai. O estilo marista feito de humildade, de modéstia e de simplicidade se aplica de maneira adequada a essas imagens de uma família amorosa e ativa.
De uma certa maneira, o termo “espiritualidade apostólica marista” é tautológico. Uma verdadeira espiritualidade marista não pode ser senão apostólica. Segundo a perspectiva de Lucas, a Anunciação e a Visitação são as duas faces de uma mesma medalha; uma completa a outra. É importante observar o fracasso do ramo marista voltado à oração contemplativa e à adoração eucarística. Esta iniciativa fracassou apesar do empenho pessoal que o Padre Colin lhe dedicava, e o Padre Eymard fundou uma Congregação religiosa sobre bases diferentes e com espiritualidade distinta.


(c) Com Maria do Pentecostes

A espiritualidade marista é essencialmente comunitária, segundo um estilo de família distintivo. A maneira marista de formar a comunidade esta bem resumida pela expressão espírito de família. Uma boa família encontra sua fonte e sua força no amor. O ensinamento de Marcelino segundo o qual para educar uma criança é preciso primeiro amá-la, assume todo seu sentido no contexto familiar. Esta é uma metáfora central para compreender bem a comunidade marista e sua maneira de ser. Na comunidade encontramos o amor, a hospitalidade, o perdão, a simplicidade, o respeito, a confiança de uns para com os outros, o sentido de pertença e o sentimento de estar em sua própria casa. O espírito de família caracteriza um lugar e um apostolado marista verdadeiros.


O amor é fruto da oração e da comunhão com o Senhor e é, ao mesmo tempo, sustentada por tal comunhão. O tipo de amor que une a família marista e a mantém é caracterizado por uma intuição quase maternal para cuidar do outro. Uma mãe é forte e profundamente compassiva. Ele crer na bondade da pessoa. Ela perdoa e espera. Ela congrega e une. Ela guia, suporta e sabe quando deve estar presente. Os Maristas, homens ou mulheres, são chamados a dar apoio de uma maneira maternal, marial. É assim que a Igreja nasce de maneira simples e comum entre todos. As pessoas sentem-se à vontade na Igreja – uma Igreja com um rosto marial, construída sobre relações de amor, antes que sobre estruturas e autoridade.
Finalmente, a família marista é um lugar onde o Espírito recebe vida. O Marista se mantém com os membros da família sempre pronto a ajudá-los para que sejam plenos e transformados pelo Espírito, e venham a ser pessoas cheias de esperança.

3. Atraídos por Marcelino, hoje.

As pessoas são apaixonadas pela história, por fazer parte da história. Todos nós fazemos parte da história de Jesus, da história da salvação, mas a revelação de um Deus encarnado nos permite um engajamento ainda maior. Para nós Maristas, fazemos parte de uma história nessa grande história: a de Marcelino. Eis o que atrai os jovens e os velhos a Marcelino. Eles ouvem essa maravilhosa e cativante história da boca daqueles que foram seduzidos por ela, então eles vêm e se reúnem para fazer parte da história marista iniciada por Marcelino e seus primeiros irmãos, e que continua até hoje. Atualmente, várias pessoas passam a fazer parte dessa história graças aos Maristas com os quais entram em contato. E envolvendo-se mais, elas aprendem mais da história, não somente sobre Marcelino, mas também sobre homens e mulheres que, em grande número, têm escrito a história marista da sua região e em outras partes. Essas histórias são entusiasmantes.


Marcelino è o primeiro a atrair os jovens e aqueles que colaboram com a missão marista.

(a) O que atrai os jovens

O que os jovens encontram atraente em Marcelino é o homem de ação que conseguiu fazer a diferença. Na sua busca de sentido e de identidade, os jovens são freqüentemente recompensados quando eles encontram pessoas integradas, apaixonadas e intrépidas. Os jovens buscam inspiração e encontram em Marcelino um modelo. Sua audácia, sua iniciativa para a ação, sua integridade, sua determinação em seguir seus princípios, mesmo diante da oposição dos seus superiores.

Eles o admiram também como alguém que não é perfeito, que não está fora do alcance. Eles são atraídos pelo seu aspecto comum que não o impede de realizar coisas extraordinárias. O adolescente que formava grupo com os amigos, que perseverava nos estudos apesar das dificuldades, que se divertia num bar, que continuava um jovem sempre sincero e popular, eis o que atrai os jovens. Eles compreendem o homem que deve suportar seu vigário na luta com um problema de álcool, que não tem quase dinheiro, decepcionado e por vezes abandonado por seus amigos. Este é um santo acessível aos jovens.

(b) O que atrai os leigos

Os adultos que aprendem a conhecer Marcelino o fazem freqüentemente após serem atraídos por Maristas que conhecem ou com os quais trabalham. Sentem-se à vontade com eles e partilham sua pedagogia marista ou os valores e a maneira de ser na família marista.


O pragmatismo de Marcelino, sua simplicidade, seu senso comum, sua sinceridade e sua força são traços de caráter encantador para os educadores. Eles pressentem o homem realista que sabe o que é trabalhar com jovens e sabe permanecer confiante e idealista. Eles gostam do homem que mantém os pés no chão e o bom humor.

Conclusão: espiritualidade no coração do que fazemos
Porque é um documento sobre a espiritualidade de Marcelino, Agua da Rocha é fundamentalmente mais importante para nós do o texto “irmão” que o precedeu: Missão Educativa Marista – Um projecto para o nosso tempo. Este documento descreve o que nós fazemos e como o fazemos e, até certo ponto, por que o fazemos. Resume algo de nossa herança e nosso carisma fundador. Foi, para nós, uma das mais significantes publicações no que diz respeito ao estudo e à articulação da nossa missão e à formação dos Irmãos e dos Leigos Maristas dentro do Instituto. Mas o coração do que somos, como os homens e mulheres Maristas, seguindo o estilo de Champagnat, é o conteúdo de Água da Rocha. Isto toca a verdadeira essência do que somos como Maristas. O grande dom que nos foi confiado para trabalhar na Igreja não é nosso talento ou a nossa eficácia como educadores da juventude: é antes, a nossa espiritualidade marista. No fundo, é o caminho do Evangelho, a sua essência. É um modo de encontrar Deus, deixando que o seu reino tome raízes no nosso coração, e que nos envie a proclamá-lo além fronteiras. Se nós não somos espiritualmente Maristas, e se as nossas escolas e diferentes apostolados não são espiritualmente Maristas, então também nós não somos Maristas; pelo menos não o somos de coração.


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