A evoluçÃo do estudo da pobreza: da abordagem monetária à privação de capacitações



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A EVOLUÇÃO DO ESTUDO DA POBREZA:

da abordagem monetária à privação de capacitações



Área: Pobreza e Desigualdade

Ana Márcia Rodrigues da Silva

Mestra em Economia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Professora do curso de Economia – Universidade Estadual de Goiás (UEG)

Professora da Faculdade Cidade de Coromandel

Email: anamarciarodrigues@hotmail.com

anamarciarodrigues@gmail.com

Fernanda Calasans Costa Lacerda

Mestra em Economia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Professora do curso de Economia – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) Professora da Faculdade Juvêncio Terra (FJT) – Vitória da Conquista/BA

Email: fecalasans@gmail.com



fecalasans@uol.com.br

Henrique Dantas Neder

Doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

Professor Associado do Instituto de Economia – Universidade Federal de Uberlândia (UFU)

Email: hdneder@ufu.br



hdneder@gmail.com

Resumo

A pobreza é muito complexa para ser restrita à insuficiência de renda. Este é um problema multidimensional que se expressa em termos de deficiência de capacitações básicas e insatisfação de necessidades humanas. O artigo proposto objetiva tratar da trajetória evolutiva do estudo da pobreza, com especial atenção para o período mais recente, enfatizando a necessidade de se ampliar o foco de investigação para além da insuficiência de renda e de se considerar a multidimensionalidade da pobreza na elaboração das políticas que objetivem o seu combate. Essa trajetória está fortemente vinculada com a ampliação do conceito de desenvolvimento econômico como o processo capaz de promover melhorias econômicas e sociais para a população, através da ampliação de suas oportunidades de escolhas, redução das desigualdades socioeconômicas e eliminação da pobreza. Com o propósito de tornar mais perceptível essa evolução no estudo sobre a pobreza, selecionou-se três abordagens de análise: a abordagem unidimensional monetária; a abordagem das necessidades básicas; e a abordagem das capacitações. Inicialmente, o trabalho discute a visão unidimensional monetária, destacando o predomínio desta nos estudos sobre a pobreza. Esta visão da pobreza está fundamentada no pensamento econômico utilitarista. É dessa forma que a renda (ou consumo), aparece como indicador exclusivo de bem-estar. Após a discussão unidimensional, apresentam-se os principais argumentos da abordagem das necessidades básicas, ressaltando algumas diferenças na definição dessas necessidades durante três estágios de desenvolvimento dessa abordagem. Sendo assim, destaca a evolução da abordagem das necessidades básicas, desde a concepção de necessidades materiais, incorporando necessidades não-materiais, até a formulação de um conceito universalista. A pobreza aqui pode ser traduzida como a insatisfação das necessidades humanas. Posteriormente, enfoca-se a abordagem das capacitações, originada nos trabalhos do economista Amartya Sen e que pode ser considerada uma visão inovadora a respeito do desenvolvimento e da pobreza. Dentro desta abordagem, o espaço de avaliação da pobreza se amplia da igualdade de oportunidades para a igualdade de capacitações. Além disso, ela representa um avanço importante no estudo científico sobre a pobreza, pois defende o seu caráter multidimensional e incentiva a formulação de métodos de mensuração e políticas que busquem a superação da pobreza e a melhoria na qualidade de vida de todos. Sob a perspectiva multidimensional das capacitações, a pobreza deve ser entendida como privação das capacitações básicas. Neste caso, o indivíduo carece de oportunidades para atingir níveis minimamente aceitáveis de alguns funcionamentos, como estar bem nutrido ou aptidão em escapar da morbidade até as mais abrangentes realizações como funcionamentos psicológicos e culturais. Dando continuidade ao enfoque multidimensional da pobreza, são apresentadas as diferenças e similaridades entre as abordagens das necessidades básicas e das capacitações. Por fim, reforça-se a importância da realização de análises e pesquisas que considerem a multidimensionalidade da pobreza. Com base na abordagem das capacitações e das necessidades humanas, a pobreza é caracterizada como um fenômeno multidimensional, relacionado não apenas às variáveis econômicas, mas, sobretudo a variáveis culturais e políticas. Deste modo, considerações vinculadas estritamente à insuficiência de renda tornam-se ineficazes para o estudo da pobreza.

Palavras-chaves: Pobreza Multidimensional. Necessidades Básicas. Capacitações.


Abstract



Poverty is too complex to be restricted to insufficient income. This is a multidimensional problem that is expressed in terms of basic capabilities deficiencies and dissatisfaction of human needs. The proposed article aims to address the evolutionary trajectory of the study of poverty, with special attention to the most recent period, emphasizing the need to broaden the focus of research beyond the income deficit and to consider the multidimensional nature of poverty in policy that aim at combating them. This trajectory is strongly linked with the expansion of the concept of economic development as a process that promotes social and economic improvements for the population, by expanding their opportunities for choices, reducing socioeconomic inequalities and eliminating poverty. To the effect to become the more noticeable the evolution in the study on poverty, three approaches have been selected for analysis: one-dimensional monetary approach, the basic needs approach, and the capabilities approach. Initially, we argue the monetary one-dimensional view, highlighting the predominance of studies on poverty. This view of poverty is rooted in utilitarian economic thought. It is thus the income (or consumption) appears as unique indicator of well-being. After the one-dimensional discussion, we present the main arguments of the basic needs approach, noting some differences in defining these needs during three stages of development of this approach. Thus, it highlights the evolution of the basic needs approach, from material needs concept, incorporating non-material needs, to the formulation of a universal concept. The poverty here can be translated as dissatisfaction of human needs. Subsequently, is focused on the capabilities approach, which originated in the work of economist Amartya Sen and can be considered an innovative vision regarding the development and poverty. Within this approach, the space of poverty assessment is expansed from equal opportunities for equal capabilities. Moreover, it represents an important advance in the scientific study of poverty, because it argues its multidimensional character and encourages the development of measurement methods and policies that aim at eliminating poverty and improving the quality of life for all. Under the capabilities multidimensional approach, poverty must be understood as the deprivation of basic capabilities. In this case, the individual lacks the opportunity to achieve minimally acceptable levels of some functionings, as being well nourished or ability to escape the morbidity until the most comprehensive accomplishments as psychological and cultural workings. Continuing the multidimensional approach to poverty, are exposed the differences and similarities between the approaches of basic needs and capabilities. Finally, it reinforces the importance of analysis and research to consider the multidimensionality of poverty. Based on the capability approach and human needs, poverty is characterized as a multidimensional phenomenon related not only to economic variables, but especially the cultural and political variables. Thus, considerations strictly linked to insufficient income become ineffective for the study of poverty.


Key words: Multidimensional Poverty. Basic Needs. Capabilities.
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