A história é busca, portanto escolha. Seu objeto não é o passado



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Encontro08.02.2020
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Bloch:

A história é busca, portanto escolha. Seu objeto não é o passado: "A própria noção segundo a qual o passado enquanto tal possa ser objeto de ciência é absurda." Seu objeto é "o homem", ou melhor, "os homens", e mais precisamente "homens no tempo".” (p.24) Isso dá a ideia de estudar, principalmente o autor de um documento do que os fatos relatados. (acho que é CARR)

“Há muito tempo, com efeito, nossos grandes precursores, Michelet, Fustel de Coulanges, nos ensinaram a reconhecer: o objeto da história é, por natureza, o homem.” (p.54)

“Toda coletânea de coisas vistas é, em uma boa metade, de coisas vistas por outro. Economista, estudo o movimento das transações este mês, esta semana: é com a ajuda de estatísticas que não foram feitas pessoalmente por mim.” (p.70) Essa ideia fomenta a necessidade de se estudar, em primeiro lugar, o autor e não os fatos.

Em tal caso, sem nenhuma dúvida, o historiador se sente, em relação à boa testemunha de um fato presente, em uma posição algo humilhante. Fica como que no fim de uma fila na qual os avisos são transmitidos, desde a frente, de fileira em fileira. Não é um lugar muito bom para se ser informado com segurança. Assim, um tempo atrás, presenciei, durante uma troca de guarda noturna,7 passar, ao longo da fila, o grito: "Atenção! Buracos [de obus] à esquerda!" O último homem recebeu-o sob a forma "Para a esquerda", deu um passo nesse sentido e foi tragado.” (p.71) Isso mostra a fragilidade que é a informação e o cuidado que o historiador deve ter diante de tantas outras que podem deturpar uma ideia, um acontecimento, um lugar, etc

“O historiador "escolhe e peneira", "organiza racionalmente uma matéria" cuja receptividade passiva "só levaria a negar o tempo; por conseguinte, a própria história".” (p.30)

“Marc Bloch demonstra como o historiador deve conduzir sua análise com o auxílio de uma dupla linguagem, a da época estudada, o que lhe permite evitar o anacronismo, mas também a do aparato verbal e conceitual da disciplina histórica atual: "Estimar que a nomenclatura dos documentos possa bastar completamente para fixar a nossa seria o mesmo, em suma, que admitir que eles nos trazem a análise toda pronta." (p.30)

[Do mesmo modo, essa solidariedade das épocas tem tanta força que entre elas os vínculos de inteligibilidade são verdadeiramente de sentido duplo. A incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado. Mas talvez não seja menos vão esgotar-se em compreender o passado se nada se sabe do presente.]” (p.65) Aqui parece retratar a ideia do diálogo do presente e do passado (acho que é Carr essa ideia).

[Portanto, não há senão uma ciência dos homens no tempo e que incessantemente tem necessidade de unir o estudo dos mortos ao dos vivos.” (p.67)

A ambos pede-se simplesmente para se lembrarem de que as investigações históricas não sofrem de autarquia. Isolado, nenhum deles jamais compreenderá nada senão pela metade, mesmo em seu próprio campo de estudos; e a única história verdadeira, que só pode ser feita através de ajuda mútua, é a história universal.] (p.68) Dessa forma, deve-se estudar as diversas vertentes que a história tem, sendo elas do lado do vencedor, ou do derrotado, dos que são considerados grandes centros, ou pequenas margens da história.

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“É que os exploradores do passado não são homens completamente livres. O passado23 é seu tirano. Proíbe-lhes conhecer de si qualquer coisa a não ser o que ele mesmo lhes fornece [, conscientemente ou não].” (p.75) Ou seja, temos um controle mínimo, ou nenhum, sobre o que sabemos. Sabemos apenas o que o passado nos permite.



“Nossa civilização terá realizado um grande progresso no dia em que a dissimulação, erigida em método de ação e quase em virtude burguesa, ceder lugar ao gosto pela informação, isto é, necessariamente, pelas trocas de informações.” (p.86) Talvez seja algo referente a descentralização da informação. O estudo sem discriminação ou privilégio.

“Compreender, no entanto, nada tem de uma atitude de passividade. Para fazer uma ciência, será sempre preciso duas coisas: uma realidade, mas também um homem.” (p.128)

CARR:


NENHUM DOCUMENTO PODE NOS DIZER MAIS DO QUE AQUILO QUE O AUTOR PENSAVA.” (P.52)

“TODA HISTÓRIA É “HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA”, DECLAROU CROCE, QUERENDO ASSIM DIZER QUE A HISTÓRIA CONSISTE ESSENCIALMENTE EM VER O PASSADO ATRAVÉS DOS OLHOS DO PRESENTE E À LUZ DE SEUS PROBLEMAS, QUE O TRABALHO PRINCIPAL DO HISTORIADOR NÃO É REGISTRAR MAS AVALIAR (...)” (P.56)



“EM PRIMEIRO LUGAR, OS FATOS DA HISTÓRIA NUNCA CHEGAM A NÓS “PUROS” (...) NOSSA PRIMEIRA PREOCUPAÇÃO NÃO DEVERIA SER COM OS FATOS QUE ELE CONTÉM, MAS COM O HISTORIADOR QUE O ESCREVEU.” (P.58)

“ESTUDE O HITORIADOR ANTES DE COMEÇAR A ESTUDAR OS FATOS.” (P.59)

A análise crítica de um documento 1.2

O historiador deve ter o cuidado de verificar a veracidade dos documentos analisados, visto que existem fraudes de documentos, objetos, escritos, etc. que não são de tal época, mas são “vendidas” como tais. (p.96-100) Essa importância que é dada por Bloch referente a fraude, pode ter sido algo subjetivo à experiência que o autor teve na Segunda Guerra Mundial, visto que no campo de batalha, artimanhas podem ser ensinadas para enganar o inimigo.

“O historiador, já o dissemos, não estuda o presente com a esperança de nele descobrir a exata reprodução do passado. Busca nele simplesmente os meios de melhor compreender, de melhor senti-lo. É do que as falsas notícias da guerra dão, se não me engano, um exemplo muito bom.” (p.108)

Essa parte fala de como são analisados documentos e os comparativos que o historiador pode fazer para saber se é verídico o relato que se é estudado. Comparando com outros documentos da mesma época, letra, papel, termos, etc. Essa criticidade traz uma proximidade maior com a realidade. Assim, poderia ser deduzido o acontecimento narrado. Marc Bloch dá como exemplo a atribuição da teoria da relatividade de Einstein, atribuída a Pascal por Vrain-Lucas. Segundo ele, seria impossível que Pascal tivesse desenvolvido essa teoria, visto que a relatividade é uma teoria que demandou muitos estudos e gerações e que apenas um homem, por mais conhecimento que este possuísse, não conseguiria desenvolver sem a experiência que o tempo passou para outras eras. Logo, seria completamente descartável a ideia que Vrain-Lucas quis, equivocadamente, passar.



“Existem duas maneiras de ser imparcial: a do cientista e a do juiz.” (p.125)

“Chega um momento, porém, em que os caminhos se separam. Quando o cientista observou e explicou, sua tarefa está terminada. Ao juiz resta ainda declarar sua sentença.” (p.125) Ou seja, o autor não deve emitir uma verdade absoluta, mas deixar que outros trabalhos continuem a partir do ponto em que ele terminou sua pesquisa.

CARR:


“NÃO HÁ VERDADE HISTÓRICA “OBJETIVA” (P.44)

“OS POSITIVISTAS, ANSIOSOS POR SUSTENTAR SUA AFIRMAÇÃO DA HISTÓRIA COMO UMA CIÊNCIA, CONTRIBUÍRAM COM O PESO DE SUA INFLUÊNCIA PARA ESTE CULTO DOS FATOS.” (P.45)

“A HISTÓRIA CONSISTE NUM CORPO DE FATOS VERIFICADOS.” (P.45)

“(...) NEM TODOS OS FATOS SOBRE O PASADO SÃO FATOS HISTÓRICOS, OU TRATADOS COMO TAL PELO HISTORIADOR.” (P.46)



“O HISTORIADOR É NECESSARIAMENTE UM SELECIONADOR.” (P.48)

“O PROCESSO DE RECONSTITUIÇÃO GOVERNA A SELEÇÃO E INTERPRETAÇÃO DOS FATOS.” (P.57)

AS PRÓPRIAS PALAVRAS QUE USA – TAIS COMO DEMOCRACIA, IMPÉRIO, GUERRA, REVOLUÇÃO – TÊM CONOTAÇÕES PRESENTES DAS QUAIS ELE NÃO SE PODE DIVORCIAR.” (P.60)

“SANTO AGOSTINHO VIA A HISTÓRIA DO PONTO DE VISTA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS; TILLAMONT, DO PONTO DE VISTA DE UM FRANCÊS DO SÉCULO XVII; GIBBON, DAQUELE DE UM INGLÊS DO SÉCULO XVIII; MOMMSEN, DAQUELE DE UM ALEMÃO DO SÉCULO XIX. NÃO HÁ POR QUE PERGUNTAR QUAL ERA O PONTO DE VISTA CORRETO.” (P.62)



“OS FATOS DA HISTÓRIA NÃO SÃO NADA, A INTERPRETAÇÃO É TUDO.” (P.63)

“MINHA PRIMEIRA RESPOSTA À PERGUNTA: “QUE É HISTÓRIA?” É QUE ELA SE CONSTITUI DE UM PROCESSO CONTÍNUO DE INTERAÇÃO ENTRE O HISTORIADOR E SEUS FATOS, UM DIÁLOGO INTERMINÁVEL ENTRE O PRESENTE E O PASSADO.” (P.65)

CONCLUSÃO

Para concluir sobre a análise crítica da ideia de Marc Bloch e Carr, nada melhor que a própria frase do autor de Apologia da História: “Na base de quase toda a crítica inscreve-se um trabalho de comparação.” (p.109)

BIBLIOGRAFIAS

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