A história da ideia de trabalho e a crítica de karl marx



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A HISTÓRIA DA IDEIA DE TRABALHO E A CRÍTICA DE KARL MARX

Ítalo Andrade Lima1

E-mail: italoandrad27@hotmail.com

Orientador: Prof. Dr. José Expedito Passos Lima2


RESUMO

A presente proposta de comunicação objetiva uma exposição sobre o conceito de trabalho, no decorrer da história, isto é, aquela apresentada nos escritos bíblicos, aquela presente nos economistas políticos clássicos, bem como a crítica a tal conceito presente nos escritos de Karl Marx. Trata-se da ideia de trabalho, desde aquela presente nos escritos antigos, a saber, o trabalho como meio de dignificação do homem, até aquela presente nos economistas políticos clássicos, que identificam a origem das desigualdades por meio de contos e fábulas, a saber, o famoso Robinson. Nesse sentido o trabalho, ou a divisão social do trabalho, pode ser identificada, como lei eterna e natural, cabendo apenas pensar sobre a garantia da harmonia social. Para Marx, a economia política clássica, de forma consciente, toma como ponto de partida, de sua reflexão teórica, a oposição de interesses de classe, salário e lucro, lucro e renda da terra, considerando tal oposição uma lei natural da sociedade. Para Marx, todo trabalho é dispêndio de força humana, tanto no sentido fisiológico, quanto no sentido de um fim determinado. Na forma capitalista de produção, tal fim será a produção de mercadorias, sendo as mercadorias, expressão de uma mesma substancia social, o trabalho. Marx sustenta que os economistas vulgares, apenas do valor do trabalho, sua expressão monetária de preço necessário ou natural, todavia trata-se, antes de qualquer coisa de investigar a relação de compra e venda da força de trabalho. A crítica de Marx estará vinculada à necessidade de se esclarecer as determinações que regem o nascimento, a existência e o desenvolvimento dessa forma particular de produção, realizando uma reflexão, tanto da essência quanto dos fenômenos políticos desse modo de produção. Esta pesquisa se inscreve no âmbito de uma filosofia prática, na medida em que tem como método de pesquisa uma exposição do movimento do real: compreendendo que o ideal nada mais é que o material transposto e interpretado pelo pensar. A ideia de trabalho como fundamento do ser social e, na forma capitalista de produção, da expropriação da força de trabalho como fundamento desta forma de produção. Para tal investigação, utilizaremos, entre outras obras os Grundrisse; O Capital; Crítica ao Programa de Gotha e; Salário, Preço e Lucro.



Palavras-chave: História, Trabalho, Karl Marx.
ABSTRACT

The proposed communication objective a presentation on the concept of work, throughout history, ie the one presented in biblical writings, that in this classical political economists, as well as a criticism of such a concept present in the writings of Karl Marx. It is the idea of ​​working from that present in ancient writings, namely the work as a means of dignifying man up to that present in the classical political economists, that identifies the origin of inequalities through tales and fables, namely , the famous Robinson. In this sense the work, or the social division of labor, can be identified as eternal law and natural, fitting only think about the guarantee of social harmony. For Marx, classical political economy, consciously, takes as its starting point, its theoretical reflection, the opposition of class interests, profits and wages, profit and rent, considering such opposition a natural law of society. For Marx, all labor is the expenditure of human strength, both in the physiological sense, as towards a specific purpose. In the capitalist form of production, such order will be the production of goods, being goods, expression of the same substance social work. Marx argues that the vulgar economists, only the value of the work, its denomination of natural or necessary price, however it is, before anything to investigate the relationship of buying and selling of labor power. Marx's critique is linked to the need to clarify the provisions governing the birth, existence and development of this particular form of production, performing a reflection of both the essence of political phenomena such as mode of production. This research falls under a practical philosophy, in that as a research method has an exhibition of real movement: understanding that the ideal is nothing else than the material transposed and interpreted by thinking. The idea of ​​work as the foundation of social being and, in the form of capitalist production, the expropriation of the workforce as the foundation of this form of production. For this research, we use, among other works the Grundrisse, Capital, Critique of the Gotha Program and; Wages, Price and Profit.



K


1 Graduado em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará.

2 Professor Adjunto do Curso de Filosofia da Universidade Estadual do Ceará.
eywords:
History, Work, Karl Marx.

  1. INTRODUÇÃO:

  1. INTRODUÇÃO:

O presente artigo objetiva expor a história da ideia de trabalho, utilizando como ponto de partida aquela presente nos escritos antigos, bem como aquela formulada pelos economistas clássicos e a crítica de Karl Marx a tal concepção. Faremos uma reflexão sobre o trabalho presente nos escritos bíblicos, a saber, a ideia de trabalho como meio de subsistência, como algo natural, próprio da natureza humana, como o dom divino. Todavia, o trabalho também se apresenta como um peso, que demonstrando a submissão deste com relação ao trabalho, fardo que os homens levarão até o fim de suas vidas. Nas formulações presentes nos escritos dos economistas políticos clássicos, veremos que o trabalho aparece já como meio de produção de mercadorias. Daí ser preciso uma investigação sobre a origem da riqueza das nações, proposta por Adam Smith, as considerações sobre o valor de troca, presente nos escritos de David Ricardo. Formulações que tendem a superar aquelas do interior da tradição fisiocrata. Não obstante, Smith e Ricardo avançarem na perspectiva de constituir uma concepção de trabalho, que buscasse compreender o trabalho concreto presente na vida real, revela-se também a origem das desigualdades, a origem do lucro e a teoria do valor, em Karl Marx. Trata-se, antes de qualquer coisa, de se compreender as relações sociais de produção, ou seja, o processo de trabalho, em que sua forma particular decorre da contradição capital e trabalho.

Uma das passagens clássicas da Bíblia que bem retratam a concepção de trabalho é aquela que representa a relação homem e natureza, bem como situa o trabalho como algo dispendioso de força física e intelectual. O trabalho aparece como meio pelo qual os homens efetivam sua existência material, meio este que depende da natureza. Mais ainda, o trabalho, nessa passagem, remonta ao pecado da desobediência, ao castigo que todos os homens carregarão até sua morte. Diz a bíblia:

Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comeres, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o teu sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado, porque tu és pó e ao pó tornarás1

A Terra, o homem e a relação entre ambos aparece mediada pela ação divina, sendo esta mesma ação que determina ao homem o ato do trabalho. Trabalho aparece como meio de garantir a existência material, dispêndio de força que os homens agora terão de efetuar, dada a desobediência ao divino.

Os homens, dessa maneira, terão agora de trabalhar para comer e beber, ou seja, para garantir as condições básicas de sua existência. O trabalho é, agora, algo doloroso, e que exige esforços e o meio pelo qual o homem proverá sua existência. Ademais, o trabalho é antes de qualquer coisa um castigo, que os todos os homens carregarão. Um castigo de histórico, que passará de geração a geração. Nesse sentido diz a Bíblia:

Detesto todo o trabalho com que me afadigo debaixo do sol, porque devo deixar tudo para o homem que virá depois de mim. E quem sabe se ele será sábio ou insensato? De qualquer modo, ele será dono de tudo o que eu fiz debaixo do sol. De fato, há quem trabalhe com sabedoria, conhecimento e sucesso. E depois tem que deixar seus bens para outro que com nada se afadigou. Também isso é coisa fugaz e grande mal. Então, que proveito resta para o homem de todo o trabalho e esforço mental com que se afadigou debaixo do sol? Sim, os seus dias todos são dolorosos, a sua tarefa é penosa, e até de noite ele não pode repousar. Também isso é fugaz2

O caráter social desse castigo é fundamental, trata-se de um castigo que será retransmitido geração a geração. O trabalho, então, passa a ser uma atividade social, pertencente a todos os homens, mas sempre mediadas pelo divino, como pode ser notado na seguinte passagem bíblica: “mais vale estar a dois do que estar sozinho, porque dois tirarão maior proveito do seu trabalho. De fato, se um cai, poderá ser levantado pelo companheiro. Azar, porém, de quem está sozinho: se cair, não terá ninguém para o levantar.”3

O trabalho, na perspectiva bíblica, deve ser considerado como um dom de Deus, na medida em que é o próprio Deus que concede aos homens os meios necessários para sua existência. A fadiga deve ser interpretada como sacrifício necessário para garantia da manutenção da vida terrena. O castigo – o trabalho – como meio pelo qual os homens suprem suas necessidades terrenas. Sendo toda essa estrutura regida pela ação divina, que atua como regulador das ações humanas, distribuindo aos bons as recompensas e aos maus os castigos. Segundo a passagem bíblica:

Conclui que a felicidade para o homem é comer e beber, usufruindo de toda a fadiga que ele realiza debaixo do sol, durante os dias de vida que Deus lhe concede. Essa é a sua porção. Todo homem que recebe de Deus riquezas e bens para que possa sustentar-se, ter a sua porção e desfrutar do seu trabalho, considere isso dom de Deus. Desse modo, o homem não se preocupa demais com sua vida fugaz, porque Deus o mantém ocupado na alegria do coração4
A concepção de trabalho, presente nos economistas políticos clássicos, a saber, seus principais expoentes Smith e Ricardo, buscam uma investigação sobre o trabalho, mais precisamente o trabalho como meio de criação de valor. Empenhados na investigação sobre a origem das riquezas, ambos passam a refletir sobre em que condições se originam o lucro, por isso uma investigação sobre o trabalho. Smith descreve que:

Logo que começa a existir riqueza acumulada nas mãos de determinadas pessoas, algumas delas utilizá-la-ão naturalmente para assalariar indivíduos industriosos a quem fornecerão matérias-primas e a subsistência, a fim de obterem um lucro com a venda do seu trabalho, ou com aquilo que esse trabalho acrescenta ao valor das matérias-primas. Ao trocar-se o produto acabado por dinheiro, por trabalho ou por outros bens, numa quantidade superior à que seria necessária para pagar o preço das matérias-primas e os salários dos trabalhadores, parte dela tem de constituir os lucros do empresário do trabalho, que arrisca o seu capital nesta aventura. O valor que os trabalhadores acrescentam às matérias-primas consistirá, portanto, neste caso, em duas partes, uma das quais constituídas pelos respectivos salários, a outra pelos lucros do patrão, relativos ao volume de matérias-primas e salários por ele adiantados. Ele não teria qualquer interesse em empregá-los se não esperasse obter, com a venda do seu trabalho, um pouco mais do que o necessário para reconstituir a sua riqueza inicial; e não teria qualquer interesse em empregar um maior número de bens, de preferência a um volume menor, se os lucros que aufere não fossem proporcionais ao volume do capital empregado5

Smith tem como ponto de partida uma crítica à concepção fisiocrata6 da economia, importante ainda destacar o contexto histórico que situava Smith. A Inglaterra do século XVIII passava por um momento de forte industrialização, de surgimento e consolidação dos centros urbanos, da expulsão dos camponeses e do regime de cercamento de terras. Nesse contexto, Smith busca uma investigação dos fenômenos político-sociais atentando, para o fato de que o lucro capitalista não tem as suas origens, exclusivamente, na agricultura, mas este também decorre das indústrias. Segundo Smith:

O grande aumento da quantidade de trabalho que, em consequência da divisão do trabalho, o mesmo número de pessoas é capaz de executar deve-se a três circunstâncias: primeira, o aumento de destreza de cada um dos trabalhadores; segunda, a possibilidade de poupar o tempo que habitualmente se perdia ao passar de uma tarefa a outra; e, finalmente, a invenção de um grande número de máquinas que facilitam e reduzem o trabalho, e tornam um só homem capaz de realizar o trabalho de muitos7

O trabalho passa ser interpretado como fonte criadora de mercadorias, que postas no mercado podem vir a gerar lucro à quem as detém. Nesse aspecto, Smith passa a refletir sobre a divisão do trabalho, caracterizando tal divisão como algo favorável para uma produção cada vez mais crescente e, consequentemente, para um lucro cada vez mais crescente. A vocação para a troca é uma tendência inerente a natureza humana.

A relação entre trabalho e capital é compreendida de forma harmoniosa, ou seja, na medida em que um determinado indivíduo compra a força de trabalho de outro, ambos têm a ganhar nesse processo, o primeiro pelo fato de ao final do processo produtivo efetivará o seu lucro na circulação da mercadoria produzida: o segundo, pelo fato de por meio do seu trabalho, ou melhor, por meio da venda de sua força de trabalho, receber em troca aquilo que é preciso para a sua subsistência, o salário. Sobre isso, Smith afirma que:

Nas nações civilizadas e prósperas, embora um grande número de pessoas não exerça qualquer actividade e muitas delas consumam o produto de dez vezes, frequentemente de cem vezes, mais trabalho do que aquelas que as exercem, ainda assim o produto de todo o trabalho da sociedade é tão grande que, em geral, se encontram abundantemente providas, e um trabalhador, ainda que da classe mais baixa e mais pobre, se for frugal e industrioso, poderá usufruir de uma quota-parte maior de bens necessários à vida e ao conforto do que qualquer selvagem8

Trata-se, portanto, de uma investigação sobre a origem das riquezas, chegando à conclusão de que o trabalho produtivo9, é a fonte de toda a riqueza10. Tratava-se agora de formular uma teoria que melhor proporcionasse uma maior produção de riquezas: daí a sua preocupação com a divisão do trabalho, a produtividade do trabalho, dentre outras. Elemento fundamental para o entendimento de Smith é, a sua pretensão em afirmar que o sistema posto – o capitalismo – é algo harmonioso, localizando as desigualdades como algo natural à sociedade, através de explicações que remontam contos e fábulas11.

David Ricardo12 identifica o trabalho como meio pelo qual pode-se medir o valor de cada mercadoria, ou seja, substância pela qual se pode calcular o valor de cada mercadoria. Ricardo, seguindo Smith, compreende o trabalho como substância criadora de valor, substância essa que também pode ser comprada ou vendida. Segundo Ricardo:

O trabalho, como todas as outras coisas que são compradas e vendidas e cuja quantidade pode ser aumentada ou diminuída, tem seu preço natural e seu preço de mercado. O preço natural do trabalho é aquele necessário para permitir que os trabalhadores, em geral, subsistam e perpetuem sua raça, sem aumento ou diminuição13

Ao tratar da remuneração do trabalhador, o salário, Ricardo é enfático na defesa que este deve ser regulado de acordo com o necessário para subsistência material do trabalhador, pois, na medida em que se aumenta demasiadamente o salário, o risco de uma ruptura da harmonia constituída na relação de compra e venda, produção e circulação, pode se manifestar, ou seja, o equilíbrio, próprio do mercado pode ser afetado.

(...) se a remuneração do trabalhador fosse sempre proporcional ao que ele produz, a quantidade de trabalho utilizada na produção de um bem e a quantidade de trabalho que esse bem pode adquirir seriam iguais, e ambas mediriam com exatidão as variações nas outras coisas. Mas não são iguais: a primeira é, freqüentemente, um padrão invariável que indica corretamente as alterações nas outras coisas; a segunda está sujeita a tantas flutuações como os bens que se compram com ela14

Notemos que as formulações elaboradas no interior da economia política clássica apontam para a ação humana: o trabalho como único meio de garantia da vida material. Nesse sentido, Deus deixa de ser aquele que provê, quer a riqueza, quer a pobreza, os homens passam a ser os geradores destes contrastes e o divino perde a sua onipotência, na medida em que deixa de ser o criador de todas as coisas. Agora, todas as coisas são criadas pelo trabalho produtivo.

Como apresentado nos Manuscritos Econômico-Filosóficos, Marx caracteriza o trabalho como intercâmbio entre homem e natureza, segundo Marx, o “trabalhador nada pode criar sem a natureza, sem o mundo externo sensível. Este é o material onde se realiza o trabalho, onde ele é ativo, a partir do qual e por meio do qual produz coisas”15. No capítulo V da obra O Capital, Marx afirma que “antes de tudo, o trabalho é o processo de que participam o homem e a natureza, processo em que o ser humano com sua própria ação, impulsiona, regula e controla seu intercâmbio material com a natureza”16.

Nota-se que é o reino das necessidades, as condições de existência, que movem o homem ao trabalho, o existir implica na transformação da natureza e do próprio homem. Movido por certa necessidade, o homem modifica a natureza agindo por uma ação consciente, adequando a natureza às suas necessidades, transformando-a e se transformando num mesmo processo. Alterando o seu meio, criando novos meios de produção, (re) criando novos instrumentos de intercâmbio, desenvolvendo-se cognitivamente, etc. Enfim, diferenciando-se do trabalho de outros animais por tal fator, a consciência que impulsionada pelas necessidades opera um processo de transformação da natureza.

Como categoria universal, o trabalho, na qualidade de atividade de transformação da natureza, forma geral da atividade humana, está presente em todo e qualquer modo de produção, independentemente do modelo de organização da produção econômica, social, política e jurídica estabelecida. Segundo Marx:

Em todos os estágios sociais, o produto do trabalho é valor-de-uso, mas, só um período determinado do desenvolvimento histórico, em que se representa o trabalho despendido na produção de uma coisa útil como propriedade ‘objetiva’, inerente a essa coisa, isto é, como seu valor, é que transforma o produto do trabalho em mercadoria. Em consequência, a forma simples de valor da mercadoria é também a forma-mercadoria elementar do produto do trabalho, coincidindo, portanto, o desenvolvimento da forma-mercadoria com o desenvolvimento da forma do valor17

O trabalho quando põe os fins e os meios para a sua realização, como atividade dirigida para transformação da natureza, com sua característica teleológica ultrapassa a condição de sujeição ao meio, que parece ser comum aos demais animais, que apesar de transformarem, mesmo que objetivamente, a natureza de modo involuntário, não ultrapassando a relação de sujeição em relação a ela. A realização de uma finalidade torna-se o princípio que age no sentido de transformar a natureza, a consciência estimula a ação impulsionada pelo objetivo de atender uma dada necessidade. A finalidade integra o mundo da realidade, impulsionada por esta e realizada por meio da ação humana, do trabalho. Constata-se, portanto, segundo Marx que:

O processo de trabalho, que descrevemos em seus elementos simples e abstratos, é atividade dirigida com o fim de criar valores-de-uso, de apropriar os elementos naturais às necessidades humanas; é condição necessária do intercâmbio material entre o homem e a natureza; é a condição natural eterna da vida humana, sem depender, portanto, de qualquer forma dessa vida, sendo antes comum a todas as suas formas sociais.18

Na sociedade burguesa, a divisão entre os meios de produção e os produtores, transforma uma massa, anteriormente camponesa e artesã em “trabalhadores livre” para venderem sua força de trabalho. Sendo nesse processo – de compra e venda da força de trabalho, do trabalho assalariado – que o trabalho excedente – trabalho não pago – toma forma de capital, ou seja, capital é o trabalho socialmente expropriado, acumulado e posto a funcionar de forma crescente, gerando assim, cada vez mais, capital. Segundo Marx:

A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos de classe. Não fez mais do que estabelecer novas classes, novas condições de opressão, novas formas de luta em lugar das que existiram no passado.19

O processo que gera o trabalhador assalariado surge ainda no interior do sistema feudal. O advento do sistema capitalista tem suas origens no declínio do modo de produção feudal. Com o desenvolvimento das forças produtivas e o movimento de acumulação de capital, cai por terra o sistema econômico feudal, inaugurando outro modo de produção, pautado, agora, na propriedade e nos meios de produção privados, bem como no trabalho assalariado. Marx afirma que “o processo que produz o assalariado e o capitalista tem suas raízes na sujeição do trabalhador. O processo consistiu numa metamorfose dessa sujeição, na transformação da exploração feudal em exploração capitalista”20.

Notemos que é ainda no interior do modo de produção feudal que surgirá “duas espécies diferentes de possuidores”, de um lado os possuidores “do dinheiro, de meios de produção e de meios de subsistência, empenhados em aumentar a soma de valores que possui, comprando a força de trabalho alheia” - e de outro os “trabalhadores livres” - “vendedores da força de trabalho”21-. É este movimento – de acumulação de capital e desenvolvimento das forças produtivas – que dará origem ao modo de produção capitalista. Marx descreve que:

A chamada acumulação primitiva é apenas o processo histórico que dissocia o trabalhador dos meios de produção. É considerada primitiva porque constitui a pré-história do capital e do modo de produção capitalista22

No modo de produção capitalista, teremos "duas espécies de possuidores", como já descrito anteriormente, note que a primeira espécie, a classe capitalista - detentora do dinheiro, da propriedade e dos meios de produção - apesar de não participar objetivamente – de não despejar sua força de trabalho durante o processo de produção - será dela - de tal classe - o bônus por tal produção. Em outros termos, afirmamos que apesar da classe capitalista não produzir tais mercadorias, toda produção social, e, conseqüentemente, todo capital produzido e efetivado no mercado a esta classe. Nesse sentido, Marx afirma que:

no início é apenas ponto de partida torna-se, em virtude da mera continuidade do processo, da reprodução simples, o resultado peculiar, constantemente renovado e perpetuado da produção capitalista. De um lado, o processo de produção transforma continuamente a riqueza material em capital, em meio de expandir valor e em objetos de fruição do capitalista. Por outro lado, o trabalhador sai sempre do processo como nele entrou, fonte pessoal de riqueza, mas desprovido de todos os meios para realizá-la em seu proveito. Uma vez que, antes de entrar no processo, aliena seu próprio trabalho, que se torna propriedade capitalista e se incorpora ao capital, seu trabalho durante o processo se materializa sempre em produtos alheios.23

Apresenta-se aqui mais uma característica deste modo de produção, a separação entre a riqueza socialmente produzida e quem, de fato, a produz. Segundo Marx, "a separação entre o produto do trabalho e o próprio trabalho, entre condições objetivas do trabalho e a força subjetiva do trabalho, é, portanto, o fundamento efetivo, o ponto de partida do processo de produção capitalista"24.

Estavam estabelecidos os meios necessários para o desenvolvimento pleno do modo de produção capitalista, tínhamos agora a propriedade e os meios de produção sob o domínio de uma classe, estabelecendo a divisão social do trabalho, entre quem detém os meios de produção e quem depende, exclusivamente, da sua força de trabalho para sobreviver.

É nesse processo que a força de trabalho tornar-se-á uma mercadoria, afinal, não haveria outra condição para sobrevivência do “recém-formado” proletariado a não ser vender sua própria força de trabalho, bem como não haveria outro mecanismo para geração e acumulação de capital, para a classe capitalista, a não ser se tal classe passasse a comprar trabalho alheio, expropriando parte do que é produzido, constituindo uma nova relação social de produção, pautada agora na apropriação do produto final do trabalho humano. Como descrito por Marx,

Com tão imenso custo, estabeleceram-se as 'eternas leis naturais' do modo capitalista de produção, completou-se as o processo de dissociação entre trabalhadores e suas condições de trabalho, os meios sociais de produção e de subsistência se transformam em capital, num pólo, e, no pólo oposto, a massa da população se converteu em assalariados livres, em 'pobres que trabalham', essa obra-prima da indústria moderna.25

Toda produção da vida humana tem seu ponto de partida na transformação da natureza em produtos que tenham como fim a reprodução social da espécie. Nos marcos do capital, o trabalho necessário para transformação da natureza passa a ser assalariado, e, seu produto, não mais destinado a quem o produz, mas, a quem lhe compra a força de trabalho. Durante o processo de produção, a mercadoria terá um valor condizente ao valor da força de trabalho despejada para sua confecção, ou seja, quanto mais trabalho despejado, mais valor terá uma mercadoria. Assim, o que determinará o valor de uma mercadoria será o trabalho, que, por sua vez, acumulado transformar-se-á se em capital. Ou como bem explica Marx,

não se compra força de trabalho para satisfazer as necessidades pessoais do adquirinte por meio dos serviços que ele presta ou do que ela produz. O objetivo do comprador é aumentar seu capital, produzir mais mercadorias que contem mais trabalho do que ele paga e cuja venda realiza a parte do valor obtido desse modo de produção. A força de trabalho só é vendável quando conserva os meios de produção como capital, reproduz seu próprio valor como capital e proporciona, com o trabalho não pago, uma fonte de capital adicional26.

No modo de produção capitalista, a força de trabalhado torna-se uma mercadoria, isto porque a relação entre produtor e produto passa a ser mediada pela relação de compra e venda da força de trabalho, portanto, o trabalho passa a tomar forma de trabalho assalariado. Reportamo-nos, novamente a Marx, quando este afirma que “a existência do trabalhador assalariado encontra-se reduzida às mesmas condições de qualquer outra mercadoria. O trabalhador tornou-se uma mercadoria e terá muita sorte se puder encontrar um comprador”27.

Enquanto categoria particular, o trabalho – uma vez expropriado - passa a ser o mote do desenvolvimento do modo de produção capitalista. Consideramos, desse modo, que Marx aborda a categoria trabalho tanto em sua forma universal, trabalho como ação de transformação da natureza, exterior ao homem e, portanto, meio de atender suas necessidades; quanto em sua forma específica, trabalho enquanto mercadoria, por isso, afirmamos, assim como Marx, que o processo de produção inicia-se na compra e venda da força de trabalho, assim, a atividade vital ao homem torna-se atividade vital para produção e acumulação de capital. O trabalho, portanto, é fundamental na produção do ser social, e quando seu produto é apropriado, dar-se-á origem ao capital28. Nesse sentido Marx afirma que:

O sistema pressupõe a dissociação entre os trabalhadores e a propriedade dos meios pelos quais realizam o trabalho. Quando a produção capitalista se torna independente, não se limita a manter essa dissociação, mas a reproduz em escala cada vez maior. O processo que cria o sistema capitalista consiste apenas no processo que retira ao trabalhador a propriedade de seus meios de trabalho, um processo que transforma em capital os meios sociais de substituição e os de produção e converte em assalariados os produtores diretos.29
Em sua crítica a economia política clássica, Marx busca demonstrar que antes de tudo é necessária uma reflexão sobre desse conceito de trabalho formulado pelos economistas políticos clássicos. Marx destaca que o exame de sua forma – forma do trabalho - deve ser o ponto de partida para tal análise. Segundo Marx, “a questão que se debate aqui não é o maior ou menor grau de desenvolvimento dos antagonismos sociais oriundas das leis naturais da produção capitalista, mas estas leis naturais, estas tendências que operam e se impõe com férrea necessidade"30

Marx, em sua obra O Capital, faz simultaneamente uma exposição da forma de produção capitalista, sendo essa própria exposição uma crítica. Conforme o próprio Marx, trata-se do “reconhecimento da negação e da necessária destruição dele; porque apreende, de acordo com seu caráter transitório”31. Dessa maneira, Marx realiza uma crítica, não apenas as formulações expostas na economia política clássica, mas busca uma compreensão do real e, ao mesmo tempo, uma crítica ao modo que os indivíduos fazem sua história.

A exposição critica de Marx tem como um de seus aportes a análise sobre as contradições no interior do modo de produção capitalista. Contradição entre capital e trabalho, valor de troca e valor de uso, alienação e liberdade, classe capitalista e proletariado. Sobre o conceito de capital, Marx afirma que

“O desenvolvimento exato do conceito de capital é necessário, porque é o conceito fundamental da Economia moderna, da mesma maneira que o próprio capital, cuja contraimagem abstrata é seu conceito, é o fundamento da sociedade burguesa. Da concepção rigorosa do pressuposto fundamental da relação tem de resultar todas as contradições da produção burguesa, assim como o limite em que a relação impulsiona para além de si mesma.”32

O trabalho deve ser investigado não apenas enquanto atividade em si, mas atividade que é determinanda por um determinado tipo de organização social, pois o que diferencia cada época não é aquilo que os indivíduos produzem, mas, como eles produzem. Dessa maneira, Marx destaca que na forma capitalista de produção, o trabalho enquanto criador de valor de troca, decorrente desse modo de produção, tende a inverter as relações, afinal a força de trabalho, aparece ela mesma como mercadoria. Para Marx o “trabalho criador de valor de troca caracteriza-se, finalmente, pelo fato de as relações sociais entre as pessoas se apresentarem por assim dizer como que invertidas, como uma relação social entre as coisas (...) uma relação que se esconde sob a aparencia das coisas.”33

Na crítica aos escritos formulados pelos economistas políticos clássicos34, Marx irá identificar que apesar dos avanços realizados por este, ainda há muito a ser investigado. Sobre a teoria do valor, Marx rejeita a tese dos economistas políticos clássicos, que buscavam estabelecer a diferença ente valor de uso e valor, exclusivamente pelo fato de um possível diferença entre os aspectos qualitativos e quantitavos. Para Marx, tratavasse de analisar a relação de identidade qualitativa que possibilita a comparação quantitativa. Dessa maneira, a quantidade é a substancia particular que cada mercadoria tem, distinta em intensidade e, por isso seu valor. Sobre isso, Marx afirma que:

“A economia política analisou, de fato, embora de maneira incompleta, o valor e sua magnitude, e descobriu o conteúdo que ocultam. Mas nunca se perguntou por que ocultam esse conteúdo, por que o trabalho é representado pelo valor do produto e a duração do tempo de trabalho pela magnitude desse valor. Fórmulas que pertencem, claramente, a uma formaçao social em que o processo de produção domina o homem e não o homem o processo de produção, são consideradas pela consciencia burguesa uma necessidade tão natural quanto o próprio trabalho produtivo.”35

Consideramos por fim que a ideia presente nos escritos bíblicos, aquela que o divino apresenta-se como mediador das relações sociais, é deixada de lado, quer seja nos escritos da economia política clássica, quer seja na crítica marxiana. Dessa maneira, os indivíduos reais, produzem suas vidas reais.

Todavia a diferença presente entre a economia política clássica e à critica formulada por Marx esta vinculada à uma desnaturalização das relações sociais e, portanto, uma desnaturalização das contradições sociais, presente nas formulações, tanto de Smith, quanto de Ricardo. Segundo Marx, a “economia política confunde duas espécies muito diferentes de propriedade: a que se baseia sobre o trabalho do próprio produtor e, a sua antítese direta, a que se fundamenta na exploração do trabalho alheio. Esquece que esta só cresce sobre o túmulo daquela.”36

Por isso, Marx fundamentar sua crítica tomando como base a contradição imanente à forma de produção capitalista, contradição esta que parece ser deixada de lado pela economia política clássica.

Uma ideia parece comum entre os escritos bíblicos e aquele formulado já em Smith e Ricardo e aprofundado em Marx. A ideia de trabalho como sacrifício, como fardo. Analisado de forma diferente, em Smith e Ricardo, o trabalho como fardo é descrito através de contos e fábulas, o fardo é carregado por aqueles que mal administram seus recursos, afinal os pobres são aqueles que muito gastam, sem pensar no amanha. Em Marx, a ideia de trabalho como fardo, aparece na medida em que este pensador verifica que, na forma de produção capitalista, toda a produção realizada pela classe trabalhadora aparece para o outro, para o dono dos meios de produção, da propriedade e do dinheiro. O trabalho, nesta medida, é algo que é expropriado a fim de acumulo de capital de outrem. Por fim, Marx aponta que o: “desenvolvimento das contradições de uma forma histórica de produção é o único caminho de sua dissolução e do estabelecimento de uma nova forma.”37

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada Edição Pastoral. Tradução, introdução e notas de Ivo Storniolo e Euclides Martins Balancim. São Paulo: Ed. Paulus, 2000.

MARX, Karl. Manuscritos Econômico-Filosóficos. Trad. Jesus Raniere, São Paulo: Boitempo. 2004.

. Manifesto Comunista. Trad. Álvaro Pina. São Paulo: Boitempo. 1998.

. MARX, Karl. Contribuição à crítica da economia política. Tradução: Maria Helena Barreiro Alves. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

. Grundrisse: manuscritos econômicos de 1857-1858: esboços da crítica da economia política. [1857-8] Trad. Márcio Duayer e Nélio Schneider. São Paulo, SP: Boitempo; Rio de Janeiro, RJ: Ed. UFRJ, 2011.

. O capital: crítica da economia política, Volume I. [1867] Trad. Reginaldo Sant’Anna. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1971.

. O capital: crítica da economia política, Volume II. [1867] Trad. Reginaldo Sant’Anna. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1971.

RICARDO, D. Princípios de economia política e de tributação. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1965.



SMITH, Adam. Riqueza das Nações. Lisboa: Ed. Fundação Calouste Gulbenkian, 1981.

1 BÍBLIA, Gn 3:17-19.

2 BÍBLIA, Eclesiastes, 2, 18-23.

3 BÍBLIA, Eclesiastes, 4, 9-10.

4 BÍBLIA, Eclesiastes, 5, 17-19.

5SMITH, Adam. Riqueza das Nações. Lisboa: Ed. Fundação Calouste Gulbenkian, 1981, p. 148-149

6 A saber, os fisiocratas, dentre eles Quesnay, afirmam que toda a produtividade natural tem sua origem na terra, nessa concepção, só o trabalho agrícola configura-se como trabalho produtivo.

7 SMITH, Adam. Riqueza das Nações. p, 83.

8 SMITH, Adam. Riqueza das Nações, 70-71

9 Na concepção de Smith trabalho produtivo é aquele que objetivado transforma um dado objeto em mercadoria, assim, o trabalho é a verdadeira medida do valor de troca de todos os bens.

10Em sua investigação, Smith chega à conclusão de que o trabalho é fonte das riquezas e mais, chega a formular sua teoria do valor-trabalho, sendo um avanço com relação aos fisiocratas, na medida em que identifica que os valores das mercadorias correspondem à quantidade de trabalho médio necessário para sua fabricação, a exemplo, Smith descreve o seguinte trecho: “Se, por exemplo, num país de caçadores, custa habitualmente o dobro do trabalho matar um castor que matar um veado, um castor valerá ou trocar-se-á naturalmente por dois veados. É natural que aquilo que constitui normalmente o produto de dois dias ou de duas horas de trabalho valha o dobro do que é habitualmente produzido num dia ou numa hora de trabalho.” SMITH, Adam. Riqueza das Nações, 147

11 Vide aquela que relata que os ricos são aqueles que melhor economizam o dinheiro e os pobres são aqueles que o gastam por inteiro, ficando a mercê da venda de sua força de trabalho.

12 Um dos principais expoentes da economia política clássica e, considerado por muitos, como o herdeiro teórico de Adam Smith.

13RICARDO, D. Princípios de economia política e de tributação. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1965., p. 81.

14 Ibidem, p. 34.

15 MARX, Karl. Manuscritos Econômico-Filosóficos. Trad. Jesus Raniere, São Paulo: Boitempo. 2004, p. 160.

16 MARX, Karl. O capital: crítica da economia política, Trad. Reginaldo Sant’Anna. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1971, p.297.

17 MARX, Karl. O capital: crítica da economia política, p. 70.

18 MARX, Karl. O capital: crítica da economia política, p. 208.

19 MARX, Karl. Manifesto Comunista. Trad. Álvaro Pina. São Paulo: Boitempo. 1998, p. 40.

20 MARX, Karl. O capital: crítica da economia política, p. 831.

21 Cf. MARX, Karl. O capital: crítica da economia política, p. 832.

22 MARX, Karl. O capital: crítica da economia política, p. 830.

23 MARX, Karl. O capital: crítica da economia política, p. 164.

24 Ibidem, p. 664.

25 MARX, Karl. O capital: crítica da economia política, p. 878.

26 MARX, Karl. O capital: crítica da economia política, p. 718.

27 MARX, Karl. Manuscritos Econômico-Filosóficos, p. 102.

28 Cf. MARX, Karl. O capital: crítica da economia política.

29 MARX, Karl. O capital: crítica da economia política, p. 830.

30 MARX, Karl. O capital: crítica da economia política, p. 4.

31 Ibidem, p. 17.

32 MARX, Karl. Grundrisse: manuscritos econômicos de 1857-1858: esboços da crítica da economia política. [1857-8] Trad. Márcio Duayer e Nélio Schneider.Pag. 261

33 MARX, Karl. Contribuição à crítica da economia política. Tradução: Maria Helena Barreiro Alves. São Paulo: Martins Fontes, 2003, p. 19-20.

34 Marx afirma ao tratar dos escritos de Ricardo que: “Mas, a seguir, descobre que a influencia diabólica da Inglaterra no mercado mundial, influencia que, a seu parecer, não decorre das leis naturais da produção capitalista, torna necessária a intervenção do estado, isto é, a proteção daquelas leis da natureza e da razão pelo estado ou, por outra, o sistema protecionista. Ele descobre ainda que os teoremas de Ricardo e de outros em que se formulam as oposições e contradições, socialmente existentes, não constituem ideias resultantes do movimento economico real, mas, ao contrário, os aspectos opostos existentes na produção capitalista da Inglaterra e de outros países são o resultado das teorias de Ricardo e de outros! Descobre por fim que, em última instancia, é o comercio quem distrói as belezas e harmonias inatas do modo capitalista de produção. Um passo mais e ele descobrirá, talvez, que o único mal da produção capitalista é o próprio capital.” MARX, Karl. O capital: crítica da economia política, p. 652-653

35 MARX, Karl. O capital: crítica da economia política, p. 90.

36 Ibidem, p. 883.

37 MARX, Karl. O capital: crítica da economia política, p. 559.

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