A história de israel no antigo testamento



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Mapa 3: A conquista de Canaã



Em seu lugar, os gabaonitas foram encarregados de subministrar lenha e água para o acampamento israelita.

Gabaom era uma das grandes cidades da Palestina. Quando capitulou ao Israel, o rei de Jerusalém se alarmou grandemente. Em resposta a seu chamamento, outros reis amorreus de Hebrom, Jarmute, Laquis e Eglom formaram uma coalizão com ele para atacar a cidade de Gabaom.

Tendo feito uma aliança com Israel, a cidade sitiada mandou imediatamente mensageiros em demanda de socorro para aquele lugar. Mediante a marcha de toda uma noite desde Gilgal, Josué apareceu inesperadamente em Gabaom, onde derrotou e empurrou seu inimigo através do passo de Bete-Horom, também conhecido como vale de Aijalom até Azeca e Maqueda.

A ajuda sobrenatural nesta batalha resultou numa esmagadora vitória para os israelitas.

Além do elemento surpresa e pânico em campo inimigo, as pedras de saraiva provocaram enormes baixas entre os amorreus, mais das que realizaram os combatentes de Israel (Js 10.11). E também aos israelitas foi dado um longo dia para que perseguissem seu inimigo. A ambigüidade da linguagem concernente a este longo dia de Josué tem dado origem a variadas interpretações. Era esta uma linguagem poética? Solicitou Josué uma maior duração da luz do sol ou para descanso do calor do dia? 109 Se for uma linguagem poética, então somente se trata de uma chamada feita por Josué por ajuda e fortaleza 110. Como resultado, os israelitas estiveram tão cheios de fortaleza e vigor que a tarefa de um dia foi executada em só meio dia.

Aceito como uma prolongação da duração da luz, isto foi um milagre no qual o sol ou a lua e a terra ficaram detidos 111. Se o sol e a lua detiveram seus cursos regulares, pôde ter sido um milagre de refração ou uma miragem dada sobrenaturalmente, estendendo a luz do dia de forma tal que o sol e a lua pareceram ficar fora de seus cursos regulares. Isto proporcionou a Israel mais tempo para perseguir a seus inimigos 112. A chamada de Josué em favor da ajuda divina pôde ter sido uma solicitude de alívio para que diminuísse o calor do sol, ordenando que o sol permanecesse silencioso ou surdo, quer dizer, que evitasse brilhar tanto. Em resposta, Deus enviou uma tormenta de saraiva que proporcionou tanto o alívio do calor solar como a destruição do inimigo. Os soldados, refrescados, realizaram um dia de marcha em meio dia de duração desde Gabaom até Maqueda, uma distância de uns 48 km 113, e lhes pareceu um dia completo quando em realidade só havia transcorrido meio dia. Embora o relato de Josué não nos proporcione detalhes de como aconteceu aquilo, resulta aparente que Deus interveio em nome de Israel e a liga amorrea foi totalmente derrotada.

Em Maqueda, os cinco reis da liga amorrea foram capturados numa caverna e subseqüentemente liquidados por Josué. Com a conquista de Maqueda e Libna —esta última situada na entrada do vale de Ela, onde mais tarde Davi venceu a Golias—, os reis daquelas duas cidades igualmente foram mortos. Josué, então, assaltou a bem fortificada cidade de Laquis (a moderna Tell-ed-Duweir), e ao segundo dia de assedio derrotou essa praça forte. Quando o rei de Gezer tentou ajudar Laquis, também pereceu com suas forças; contudo, não se afirma que se conquistasse a cidade de Gezer. O seguinte movimento de Israel foi a vitória ao tomar Eglom, que atualmente está identificada com a moderna Tell-el-Hesi.

Desde ali, as tropas atacaram para o leste na terra das colinas, e bloquearam o Hebrom, que não foi facilmente defendida. Então, dirigindo-se para o sudoeste, caíram como uma tromba e tomaram Debir, ou Quiriate-Sefer. Embora as fortes cidades-estado de Gezer e Jerusalém não foram conquistadas, ficaram isoladas por esta campanha, de forma tal que a totalidade da área meridional, desde Gabaom até Cades-Barnéia e Gaza ficaram sob o controle de Israel quando Josué conduziu sues guerreiros endurecidos pela batalha de novo ao acampamento de Gilgal.

A conquista e ocupação do norte de Canaã está brevemente descrita. A oposição foi organizada e conduzida por Jabim, rei de Hazor, que tinha sob seu mando uma grande força de carros de batalha. Uma grande batalha teve lugar perto das águas de Merom, com o resultado de que a coalizão cananéia foi totalmente derrotada por Josué. Os cavalos e os carros de combate foram destruídos, e a cidade de Hazor queimada até reduzi-la a cinzas. Não se faz menção da destruição de outras cidades na Galiléia.

Hazor, identificada como Tell-el-Quedah, está estrategicamente situada aproximadamente a 24 km ao norte do mar da Galiléia, a uns 8 km ao oeste do Jordão. Em 1926-28, John Gasrtang dirigiu uma escavação arqueológica deste lugar. Mais recentemente, escavações de maior importância foram realizadas em Hazor, dirigidas pelo Dr. Yigael Yadin, em 1955-58 114. A acrópole em si mesma consistia em vinte e cinco acres que alcançavam uma altura de quarenta metros e que aparentemente foi fundada no terceiro milênio a.C. uma área mais baixa para o norte consistente numas sessenta e sete hectares esteve ocupada durante o segundo milênio a.C., e talvez tivesse uma população tão importante como de 40.000 habitantes. Nos registros do Egito e da Babilônia, Hazor é freqüentemente mencionada, indicando sua importância estratégica.

A parte baixa da cidade, aparentemente foi construída durante a segunda metade do século XVIII da era dos hicsos. Depois que Josué destruísse este poderoso centro cananeu, o poder em Hazor deve ter sido restabelecido o suficiente para suprimir a Israel, até que foi novamente esmagada (Jz 4.2), após o qual Hazor foi incorporada pela tribo de Naftali.

Em forma resumida, Js 11.16-12.24 relata a conquista da totalidade da terra de Canaã para Israel. O território coberto pelas forças de ocupação estendia-se desde Cades-Barnéia ou as extremidades do Negueve, e chegava ao norte até o vale do Líbano, embaixo do monte Hermom.

Sobre o lado oriental do Jordão, se divide a área que previamente tinha sido conquistada sob Moisés e que se estendia desde monte Hermom ao norte, até o vale de Arnon, ao leste do Mar Morto.

Existe uma lista de trinta e um reis derrotados por Josué. Com tantas cidades-estado, cada uma com seu próprio rei e tão pequeno território, foi possível para Josué e os israelitas o derrotarem àqueles governantes locais em pequenas federações. Todavia, embora os reis foram derrotados, nem todas as cidades foram realmente capturadas ou ocupadas. Mediante sua conquista, Josué submeteu os habitantes até o ponto de conseguir, no subseqüente período de paz, que os israelitas puderam estabelecer-se na terra prometida.
O reparto de Canaã

Apesar de que os reis líderes tinham sido derrotados, e prevalecesse um período de paz, restaram muitas zonas não ocupadas na terra (13.1-7. Josué foi divinamente comissionado para reparti o território conquistado às nove tribos e meia. Rubem, Gade e a metade de Manassés tinham recebido suas partes ao leste do Jordão, sob Moisés e Eleazar (Js 13.8-33; Nm 32).

Durante o período da conquista, o acampamento de Israel esteve situado em Gilgal, um pouco ao nordeste de Jericó, perto do Jordão. Sob a supervisão de Josué e Eleazar, o reparto foi feito a algumas das tribos, enquanto ainda estavam ali acampadas. Calebe, que tinha sido um homem de fé incomum quarenta e cinco anos antes daquela época, quando os doze espias foram enviados a Canaã (Nm 13-14), então recebeu uma especial consideração, sendo recompensado com a cidade de Hebrom em sua herança (14.6-15). A tribo de Judá se apropriou da cidade de Belém, além da zona existente entre o Mar Morto e o Mar Mediterrâneo.

Efraim e a metade de Manassés receberam a maior parte da zona ao oeste do Jordão, entre o mar da Galiléia e o Mar Morto (Js 16.17-18).

Siló foi estabelecido como o centro religioso de Israel (Js 18.1). Foi ali onde as tribos restantes foram convidadas a possuírem seus territórios já designados. Enquanto se deu a Simeão a terra ao sul de Judá, as tribos de Benjamim e de Dã receberam sua parte imediatamente ao norte de Judá. A posse de Issacar, Zebulom, Aser e Naftali foi repartida ao norte de Manassés, começando do o vale de Megido e monte Carmelo.

As cidades para refúgio foram designadas por toda a terra prometida (20.1-9). Ao oeste do Jordão essas cidades eram Cades em Naftali, Siquem em Efraim e Hebrom em Judá. Ao leste do Jordão, em cada uma das áreas tribais estavam as seguintes: Bezer em Rubem, Ramote de Gileade dentro das fronteiras de Gade e Golã de Basã na área de Manassés. A essas cidades, qualquer podia fugir buscando segurança para caso de vingança de sangue pela morte de um homem.

A tribo de Levi não recebeu reparto territorial, já que era a responsável dos serviços religiosos em toda a nação. As outras tribos tinham a obrigação de proporcionar toda classe de facilidades aos levitas e, dessa forma, a terra de pastoreio de cada uma das quarenta e oito estavam a disposição dos levitas para que pudessem dar alimento a seus rebanhos.

Com uma recomendação por seus fiéis serviços e uma admoestação a permanecerem fiéis a Deus, Josué despediu as tribos transjordanas que haviam servido com o resto da nação, sob seu mando, na conquista do território ao oeste do Jordão. Após seu retorno à Transjordânia, erigiram um altar, uma ação que alarmou os israelitas que se tinham comportado devidamente em Canaã. Finéias, o filho do sumo sacerdote, foi enviado a Siló para encarregar-se da situação. Sua investigação lhe assegurou que o altar levantado na terra de Gileade servia ao propósito de manter um devido culto a Deus.

A Bíblia não estabelece quanto tempo viveu Josué após suas campanhas militares. Uma inferência baseada no livro de Josué, 14.6-12, é que a conquista da Canaã foi executada num período de aproximadamente sete anos. Josué pode ter morrido pouco depois disto ou pode ter vivido uns vinte ou trinta anos, como máximo. Antes de morrer a idade de 110 anos, reuniu a todo o Israel em Siquem e severamente os admoestou a temer ao Senhor. Os lembrou que Deus tinha advertido a Abraão que não servisse nenhum ídolo e tinha verificado o convênio da aliança feito com os patriarcas trazendo Israel à terra prometida. Foi realizada uma aliança pública na qual os chefes asseguraram a Josué que eles serviriam o Senhor.

Depois da morte de Josué, Israel cumpriu esta promessa só até acabar a geração mais velha.



Quando governavam os juízes

Os acontecimentos registrados no livro de Juízes estão intimamente relacionados aos dos tempos de Josué. Uma vez que os cananeus não tinham sido totalmente desalojados e a ocupação de Israel não era completa, similares condições continuaram no período dos Juízes. Em conseqüência, o estado de guerra continuou em zonas locais ou em cidades que foram ocupadas de novo no curso do tempo. Referências tais como as citadas em Juízes 1.1; 2.6-10 e 20.26-28 parecem indicar que os acontecimentos em Josué e Juízes estão intimamente relacionados cronologicamente ou que são, inclusive, sincrônicos.



A cronologia deste período é difícil de discernir. O fato de que tenham sido sugeridos quarenta ou 50 métodos diferentes para medir a era dos Juízes, é indicativo do problema. Os anos conforme estão repartidos para cada Juiz no relato bíblico, são como se segue:





Anos

Juízes

Opressão mesopotâmica

8

3.8

Otniel – liberação e tranqüilidade

40

3.11

Opressão de Moabe

18

3.14

Eúde

80

3.30

Opressão cananéia – Jabim

20

4.3

Débora e baraque – liberação e tranqüilidade

40

5.31

Opressão midianita

7

6.1

Gideão – liberação e tranqüilidade

40

8.28

Abimeleque – o rei marionete

3

9.22

Tola – período de dignidade

23

10.2

Jair – período de dignidade

22

10.3

Opressão amonita

18

10.8

Jefté – liberação e tranqüilidade

6

12.7

Ibsã – magistratura

7

12.9

Elom – magistratura

19

12.11

Abdom – magistratura

8

12.14

Opressão filistéia

40

13.1

Sansão – façanhas e magistratura

20

15.20

TOTAL

410 anos



Sem dúvida, este cálculo de anos e tabulação é o que tem Paulo na mente quando divide o período de Josué até Samuel, incluindo 40 anos para a dignidade de Eli (At 13.20). inclusive com a aceitação da precoce data da ocupação de Canaã sob Josué (1400 a.C.), é impossível permitir uma seqüência cronológica para esses anos, já que Davi estava plenamente estabelecido no trono de Israel por volta do ano 1000 a.C. em 1 Reis 6.1 se calcula um período de 480 anos desde a época do Êxodo até o quarto ano do reinado de Salomão. Inclusive permitindo um mínimo de 20 anos cada um para Eli, Samuel e Saul, 40 anos para Davi, 4 anos para Salomão, 40 para a peregrinação no deserto e um mínimo de 10 anos para Josué e os anciãos, um total de 154 anos deveria ser adicionado a 410, resultando na enorme suma de 566 anos. a obvia conclusão é que o período dos Juízes não corresponde a uma seqüência cronológica.

Garstang leva em conta para este período, considerando a Sangar, Tola, Jair, Ibsã, Elom e Abdom como juízes locais cujos anos são sincrônicos a aqueles dos períodos mencionados 115. Omitindo isto da tabulação cronológica, o número total de anos entre o Êxodo e o quarto ano do reinado de Salomão aproxima-se da cifra de 480 anos. Em Juízes 11.26 se dão 300 anos como o tempo transcorrido entre a derrota dos amonitas sob Moisés e os dias de Jefté. Restando os anos de Josué e dos anciãos, e agregando 20 para Sansão, o tempo que corresponde aos Juízes desde Otniel a Sansão se aproximaria a três séculos (1360-1060 a.C.).

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