A história de israel no antigo testamento



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Mapa 4: As divisões tribais




A última data para a conquista com Josué (1250-1225 a.C.) limita o período permitido aos Juízes, incluindo os dias de Eli, Samuel e Saul, a dois séculos ou menos. Com este cômputo em 1 Reis 6.1 e Juízes 11.26, se considera estes serem inserções, não fiáveis historicamente. Embora Garstang considere a referência em 1 Reis como uma inserção, ele a data antes e a aceita como confiável. Esta cronologia mais curta necessitaria uma ulterior sincronização de períodos de opressão e permanência nos dias dos Juízes .

Obviamente, qualquer pauta cronológica proposta para esta era dos juízes não é senão uma solução sugerida. Os dados da Escritura são suficientes para estabelecer uma cronologia absoluta. Parece completamente certo que os autores de Josué e Juízes não tentam dar um relato que encaixe numa completa cronologia para o período em questão. A fé nas tradições de 1 Reis 6.1 e Juízes 11.26 exige a cronologia mais longa.

Israel não tinha capital política nos dias dos juízes. Siló, que foi estabelecido como centro religioso nos dias de Josué (Js 18.1), continuou como tal nos dias de Eli (1 Samuel 1.3). já que Israel não tinha rei (Juízes 17.6; 18.1; 19.1; 21.25), não existia uma praça central onde um juiz pudesse oficiar. Aqueles juízes intervinham em lugares de liderança, segundo a situação local ou nacional pudesse demandar. A influência e o reconhecimento de muitos deles estava indubitavelmente limitado a sua comunidade local ou tribo. Alguns deles eram líderes militares que libertaram os israelitas do inimigo opressor, enquanto que outros foram reconhecidos como magistrados aos que o povo se dirigia para decisões políticas ou de caráter legal. Sem ter um governo central, nem capital, as tribos israelitas foram governadas espasmodicamente sem imediata sucessão, quando um dos juízes falecia. Com alguns dos juízes restringidos a zonas locais, é também razoável supor que várias judicaturas se superpuseram.

Para a representação bíblica e gráfica das condições desta época, como se dá em Juízes e em Rute, considere-se a seguinte análise:


I. Condições prevalecentes Jz 1.1-3.6

Áreas não ocupadas Jz 1.1-2.5

Ciclos religioso-político Jz 2.6-3.6

II. Nações oprimidas e libertadores Jz 3.7-16.31

Mesopotâmia – Otniel Jz 3.7-11

Moabe – Eúde Jz 3.12-30

Filistéia – Sangar Jz 3.31

Canaã (Hazor) – Débora e Baraque Jz 4.1-5.31

Midiã – Gideão (Jerubaal) Jz 6.1-8.35

Abimeleque – Tola e Jair Jz 9.1-10.5

Amom – Jefté Jz 10.6-12.7

Ibsã, Elom e Abdom Jz 12.8-15

Filistéia – Sansão Jz 13.1-16.31



III. Condições culturais nos dias dos juízes Jz 17.1 – Rt 4.22

Mica e sua idolatria Jz 17.1-13

Migração dos danitas Jz 18.1-31

Crime e guerra civil Jz 19.1-21.35

A história de Rute Rt 1.1-4-22
A anotação "Naqueles dias não havia rei em Israel; porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos" (Jz 21.25, ACF) descreve claramente as características que prevaleceram na totalidade do período dos Juízes.

O versículo que serve de apertura a Juízes sugere que este livro tem relação com os acontecimentos que tiveram lugar após a morte de Josué. O relato de Juízes 2.6-10 pode apoiar a idéia de que alguns desses acontecimentos se referem em parte à conquista de certas cidades sob o mando de Josué. A conquista de Hebrom em Jz 1.10-15 pode colocar-se como paralelo ao relato de Josué 15.14-19. outras declarações refletem as mudanças que aconteceram num longo período de tempo. Jerusalém não foi conquistada nos dias de Js (15.63) e, de acordo com Juízes 1.8, a cidade foi queimada pelo povo de Judá, porém no versículo está claramente estabelecido que os benjamitas não desalojaram os jebuseus de Jerusalém. A cidade não foi realmente ocupada pelos israelitas até os dias de Davi. A vitória judaica deve ter sido somente temporária.

Embora Josué havia derrotado as principais forças da oposição quando conduzia Israel rumo a Canaã e dividiu a terra nas diversas tribos, muitos locais permaneceram em mãos dos cananeus e outros habitantes. Em sua mensagem final aos israelitas, Josué advertiu ao povo de não se misturarem ou contraírem matrimônio com os habitantes locais que sobraram, senão que os admoestou a afastar aquelas gentes idolátricas e ocuparem suas terras. Se realizaram ulteriores tentativas para desalojar essas gentes, porém segundo o escrito se deduz que os israelitas só foram parcialmente obedientes.

Enquanto conquistaram algumas zonas, certas cidades fortemente fortificadas, tais como Taanaque e Megido, permaneceram em possessão dos cananeus. Quando Israel foi o suficiente forte, quis forçar aquelas gentes ao trabalho e a pagarem tributos; mas fracassaram em seu propósito de expulsá-los fora da terra. Conseqüentemente, os amorreus, cananeus e outros permaneceram na terra que tinha sido entregue por completo a Israel para sua possessão e ocupação. Teria parecido completamente natural que, quando Israel se tiver debilitado, aquelas pessoas voltassem a tomar possessão de suas terras, cidades e povoados que Israel uma vez tinha conquistado deles (ver Juízes 1.34).

A ocupação parcial da terra deixou Israel em permanentes dificuldades. Mediante a fraternização com os habitantes, os israelitas participaram no culto a Baal, conforme apostatavam do culto a Deus. Os povos particularmente mencionados de serem os culpados de que Israel se afastasse de Deus, foram os cananeus, os heteus, os amorreus, os perizeus, os heveus e os jebuseus. Durante este período de apostasia, os matrimônios mistos conduziram a maiores abandonos no serviço e verdadeiro culto a Deus. no curso de uma geração, o populacho de Israel chegou a ser tão idólatra que as bênçãos prometidas por Deus através de Moisés e Josué foram retiradas. Ao renderem culto a Baal, os israelitas romperam com o primeiro mandamento do Decálogo.

O juízo chegou em forma de opressão. Nem o Egito nem a Mesopotâmia eram o bastante fortes como para dominar o Crescente Fértil durante esta era. A influência egípcia na Palestina tinha diminuído durante o reinado de Tut-ank-Amon (1360 a.C.). Assíria surgia poderosa (1250 a.C.), mas já não interferia nas questões de Canaã. Isto permitiu aos povos das imediações, assim como as cidades-estado, usurparem as possessões de Israel em Canaã. Os oponentes políticos desta época são os mesopotâmicos, moabitas, filisteus, cananeus, midianitas e amonitas. Estes invasores levaram vantagem dos israelitas, arrebatando-lhes suas propriedades e colheitas. Quando a situação chegou a fazer-se insuportável, se desesperaram o bastante como para voltar-se para Deus.

O arrependimento foi o seguinte passo deste ciclo. Conforme os israelitas perdiam sua independência e se submetiam à opressão, reconheceram que estavam sofrendo as conseqüências de sua desobediência a Deus. quando se conscientizaram de seu pecado, se voltaram para Deus em penitência. Sua chamada não foi em vão.

A libertação chegou através de campeões que Deus enviou para desafiar os opressores.

Chefes militares que conduziram os israelitas a atacar o inimigo, foram, como notáveis, Otniel, Eúde, Sangar, Débora e Baraque, Gideão, Jefté e Sansão. Especialmente dotados com uma divina capacidade, aqueles chefes rejeitaram os inimigos e Israel de novo gozou de um período de paz e tranqüilidade.

Estes ciclos religioso-políticos se sucederam freqüentemente nos dias dos Juízes. O pecado, a tristeza, a súplica e a salvação eram coisa corriqueira. Cada geração, aparentemente, tinha bastante gente que era ciente da possibilidade de assegurar-se o favor de Deus e suas bênçãos, e a idolatria era repelida, restaurando-se a adesão aos preceitos de Deus, que ficavam assim instaurados.


Os juízes e as nações opressoras

A opressão por um período de oito anos por uma força de invasão procedente dos planaltos da Mesopotâmia, deu começo ao primeiro ciclo. Garstang sugere que Cusã-Risataim era um rei heteu que se anexara ao norte da Mesopotâmia, também conhecido como Mitanni, e estendeu seu poder até a terra de Israel 116. Otniel, da tribo de Judá, tomou a iniciativa em converter-se no campeão da causa de Israel, conforme o Espírito do Senhor caiu sobre ele. Seguiu a isto um período de calma de quarenta anos.

Moabe foi a seguinte nação que invadiu Israel. Apoiados pelos amonitas e os amalequitas, os moabitas ganharam uma posição no território de Israel, e exigiram tributos. Eúde, da tribo de Benjamim, se levantou como libertador nos dezoito anos da dominação moabita. Tendo pagado o tributo, Eúde obteve uma audiência privada com Eglom, o rei de Moabe. Utilizando a espada com a mão esquerda, Eúde o atacou quando estava desprevenido, e o matou, fugindo depois antes que fosse descoberta sua façanha. Os moabitas ficaram desmoralizados, enquanto os israelitas se encorajaram para apoiar Eúde em toda sua ofensiva contra o inimigo. Aproximadamente uns 20.000 moabitas perderam a vida no encontro, o que proporcionou a Israel uma notável vitória. Com a expulsão de Moabe, Israel gozou de um período de tranqüilidade de oito anos. durante esta época, Ramsés II, que governava o Egito (1290-1224 a.C.) e seu filho Merneptah (1224-1214), mantiveram um equilíbrio de poder com os heteus, controlando a Palestina tão longe como até o sul da Síria. A única menção de Israel nas inscrições egípcias procede da fanfarronaria de Merneptah de que Israel era considerada como um ermo 117. Em sua totalidade as condições de paz prevaleceram por algum tempo.

Somente num versículo se faz menção à carreira de Sangar. Não se indica nada a respeito da opressão, nem existem tampouco detalhes referentes à origem de Sangar nem a seu passado.

Uma lógica inferência parece ser que os filisteus penetraram dentro do território de Israel e que Sangar se levantou para oferecê-lhes resistência, matando a 600 inimigos num valoroso esforço.

O acosso realizado pelos cananeus, seguido de um período de vinte anos, conforme a influência egípcia declinava na Palestina sob Merneptah e outros governantes fracos, aconteceu por volta do século XIII. Enquanto Jabim, rei dos cananeus, perseguiu os israelitas desde Harosete dos Gentios, situada perto do arroio de Quisiom, na entrada noroeste da planície do Esdraelom.

Durante a época desta opressão cananéia, Débora ganhou o reconhecimento como profetisa na terra de Efraim, perto de Ramá e Betel. Tendo enviado por Baraque, não somente o admoestou para que entrasse na batalha, senão que pessoalmente se uniu a ele em Cedes, de Naftali.

Ali, Baraque reuniu uma força combatente e se dirigiu rumo ao sul ao monte de Tabor, situado ao nordeste da planície triangular de Esdraelom. Contudo, devido a que Sísara tinha a vantagem de 900 carros de guerra em sua força combatente, Baraque teve medo de assumir a responsabilidade de combater os cananeus com seus 10.000 infantes. Inclusive ainda quando Débora lhe assegurou a vitória, conforme os cananeus foram atraídos com engano até o Quisiom, Baraque não quis aventurar-se sem sua corajosa acompanhante.

As forças cananéias foram surpreendentemente confundidas. Um cuidadoso exame do relato parece indicar que quando os carros de guerra do inimigo estavam no vale de Quisiom, uma repentina chuvarada reduzia a vantagem dos cananeus. Os carros guerreiros deveram ser abandonados ao ficarem entalados na lama (5.4,20-21; 4.15) 118. Com as forças cananéias derrotadas e Sísara morto por Jael, os israelitas ganharam uma paz que durou quarenta anos. a vitória foi celebrada num cântico que expressa o louvor pela ajuda divina (Juízes 5).

A reversão de Israel à idolatria foi seguida por incursões procedentes do deserto sírio, por nômades hostis montados em camelos, conhecidos como midianitas, amalequitas e Filhos do Oriente, que chegaram a apossar-se das colheitas e do gado dos israelitas. Sete anos de depredação foi um período excessivo, de tal forma que os israelitas precisaram procurar refúgio seguro nas cavernas e nos lugares montanhosos.

Num povoado chamado Ofra, Gideão estava ocupado secretamente buscando grão para seu pai, quando o anjo do Senhor o comissionou para libertar seu povo. Embora Ofra não possa ser definitivamente identificado, provavelmente estava situado perto do vale de Jizreel na Palestina central, onde a pressão midianita era maior. O primeiro que fez Gideão foi destruir o altar de Baal no estado de seu pai. Apesar que os membros da população se alarmaram diante do fato, o pai de Gideão, Joás, não era partidário da idolatria. Por esta memorável ação, Gideão foi chamado Jerubaal, que significa "Baal contenda contra ele" (Jz 6.32).

Quando as forças do inimigo estavam acampadas no vale de Jizreel, Gideão reuniu um exército. Pelo uso de um velo de lã exposto duas vezes à intempérie, teve a certeza de que Deus certamente o havia chamado para libertar Israel (Jz 6.36-40). Quando Gideão anunciou a seu exército de 32.000 homens reunidos, de Manassés, Aser, Zebulom e Naftali, que qualquer que tiver medo podia voltar para sua casa, viu sair 22.000 homens de suas fileiras. Como resultado de uma nova comprobação, perdeu outros 9700 homens. Com uma companhia de somente 300 homens preparou-se para a batalha, e se dispus a atacar as hordas nômades.

Nas ladeiras do monte Nebo, perto da terminação oriental da planície de Megido, permanecia acampada a grande hoste dos midianitas com seus camelos. Gideão, dividindo seu bando de 300 homens em três companhias, realizou um ataque surpresa durante a noite. No princípio da metade da guarda —após as dez da noite—, quando o inimigo dormia profundamente, os homens de Gideão tocaram as buzinas, e quebraram os cântaros, e deram o grito de batalha, dizendo: "Espada do SENHOR, e de Gideão!" (Jz 7.20). os midianitas sumidos na maior confusão fugiram através do Jordão. Por sua fé em Deus, Gideão pus assim em fuga o inimigo e libertou os israelitas da opressão (ver Hb 11.32).

Na perseguição dos midianitas, a condição sem lei dos dias dos Juízes se reflete de novo (Juízes 8). Após pacificar os ciumentos efrateus, que não haviam partilhado a grande vitória, Gideão encaminhou os midianitas rumo a Transjordânia, tomando uma apreciável quantidade de botim de objetos valiosos, de ouro, colares de camelos, jóias de todo tipo, igual que ornamentos de púrpura, dos que vestiam os reis midianitas. Como resultado, o povo ofereceu a Gideão o reinado hereditário. A rejeição de Gideão reflete sua atitude de resistência à monarquia. Contudo, Gideão se fé um éfode de ouro com os despojos tomados ao inimigo. Se aquilo era um ídolo, um simples memorial de sua vitória, ou uma ação contrária ao éfode com que se ornavam os sumos sacerdotes (Êx 27.6-14), é algo que não fica claro. Em todo caso, o objeto se converteu num símbolo para Gideão e sua família, tanto como para os israelitas, facilitando o caminho à idolatria. Embora Gideão tinha ganho a segurança para Israel contra seus invasores por meio de sua vitória militar, durante quarenta anos, sua influência em religião foi negada. Pouco depois de sua morte, o povo voltou-se abertamente ao culto de Baal, esquecendo-se do Deus que tinha garantido sua liberação.

Abimeleque, um filho da concubina de Gideão, se nomeou rei a si mesmo em Siquem, por um período de três anos após a morte de Gideão.

Ganhou a adesão dos habitantes dessa cidade, matando traiçoeiramente a todos os setenta filhos de Gideão, exceto a Jotão. Este último, dirigindo-se aos homens de Siquem, desde o monte Gerizim, por meio de uma parábola, compara a Abimeleque com uma sarça que foi convidada a reinar sobre as árvores. Invocou a maldição de Deus sobre Siquem por sua conduta com a família de Gideão.

A revolta logo explodiu sob Gaal, quem incitou os siquemitas a rebelar-se. No transcurso da luta civil que se seguiu, Abimeleque foi morto finalmente por uma pedra de moinho que uma mulher deixou cair sobre sua cabeça quando se aproximava a uma torre fortificada dentro da cidade.

Isto acabou com todas as tentativas de estabelecer a monarquia em Israel nos dias dos Juízes.

Pouco se conhece a respeito de Tola e de Jair. Já que não se conhecem grandes feitos que lhes concernam, suas responsabilidades foram meramente judiciais. Tola, da tribo de Issacar, parou em Samir, situada em algum lugar do país nas colinas de Efraim. Atribui-se a ele um governo de 23 anos.

Jair realizou seu ofício de juiz no território de Gileade, ao leste do Jordão, durante 22 anos. o fato de que tivesse uma família de 30 filhos indica não só uma ostentosa poligamia, senão também seu nível e sua posição de riqueza na cultura da época.

A apostasia de novo prevaleceu em Israel, voltado ao culto de Baal e outras deidades pagãs. A opressão desta época provém de duas direções: os filisteus pressionavam desde o sudoeste e os amonitas invadiram desde o oriente. A liberação da Transjordânia e sua zona chegou sob a liderança de Jefté.

A causa de ser filho de uma prostituta, Jefté foi condenado ao ostracismo desde sua comunidade familiar em idade precoce. Chegou a ser um chefe de bandoleiros ou capitão de foragidos em Tobe, que provavelmente estava situada ao nordeste de Gileade. Quando os gileaditas buscaram um líder, foi chamado Jefté. Antes de aceitar esta nomeação, se fez um solene pacto mediante o qual os anciãos gileaditas o reconheceram como chefe e líder.

Quando Jefté apelou aos amonitas, estes responderam com a força. Antes de apresentar batalha, fez um voto em que se obrigava a cumpri-lo, caso voltar vitorioso.

Fortificado pelo Espírito do Senhor, Jefté obteve uma grande vitória, de forma que os israelitas foram liberados dos amonitas, que os haviam oprimido durante dezoito anos.

Quando Efraim protestou que não os tinham chamado para tomarem parte da batalha contra os amonitas, Jefté soube responder militarmente com seu exército.

Sacrificou Jefté realmente a sua filha em cumprimento do voto que havia pronunciado? Naquele dilema, não teria agradado certamente a Deus que se realizasse um sacrifício humano, ação que em nenhum lugar da Escritura tem a divina aprovação. De fato, este foi um dos grandes pecados pelos quais os cananeus deviam ser exterminados. Por outra parte, como podia agradar a Deus, não cumprindo seu voto? Embora os votos em Israel eram voluntários, uma vez que uma pessoa fazia um voto, estava sob a obrigação de cumpri-lo (Nm 6.1-21). A clara implicação em Juízes 11 indica que Jefté cumpriu o seu (versículo 39). Sua maneira de fazê-lo está sujeita a várias interpretações.

Que os líderes israelitas não se conformavam com a religião pura nos dias dos Juízes, resulta aparente nos registros bíblicos 119. Jefté, que tinha um passado metade cananeu, pôde ter-se conformado com a execução do seu voto, prevalecendo os costumes pagãos, sacrificando sua filha 120. Devido a que as montanhas eram consideradas como símbolos da fertilidade pelos cananeus, sua filha foi às montanhas a guardar luto por sua virgindade com objeto de evitar qualquer possível cessação da fertilidade da terra 121. Periodicamente, durante cada ano, as donzelas israelitas empregavam quatro dias lembrando o luto da moça sacrificada 122. Se a familiaridade Jefté com a lei o deixou ciente do desgosto de Deus com os sacrifícios humanos, ele pôde ter dedicado sua filha ao serviço do tabernáculo 123. Assim fazendo, pôde ter cumprido com seu voto e conformado sua atuação à idéia essencial da completa consagração significada na oferta de fogo. Já que sua filha era única, Jefté perdeu todo o direito de suas esperanças na posteridade 124. Deste modo, pôde ter conjugado suas obrigações do cumprimento do voto pronunciado sem realizar nenhum sacrifício humano, um voto que talvez tivesse sido realizado apressadamente sob uma determinada pressão.

Embora a forma na qual Jefté cumpriu seu voto não está detalhada na narrativa bíblica, enfrentou o desafio de libertar seu povo da opressão e está considerado como um herói da fé (Hb 11.32).

Ibsã julgou em Israel durante sete anos. se ignora se Belém, o lugar de sua atividade e sepultamento, é a bem conhecida cidade de Judá ou um povo de Zebulom. A menção de trinta filhos e trinta filhas indica sua posição, riqueza e influência.

Dez anos como juiz são atribuídos a Elom. Em Aijalom, na terra de Zebulom, teve seu lar e seu lugar de serviço a seu povo.

Abdom, o seguinte juiz na lista, viveu em Efraim. Estando numa posição de proporcionar asnos para os setenta membros de sua família, Abdom deve ter sido um homem de grandes riquezas, e influenciou em seu país. Julgou em Israel durante oito anos.

Israel foi oprimida simultaneamente pelos amonitas e filisteus (Jz 10.6). enquanto Jefté derrotou os primeiros, Sansão é o herói que resistiu e desafiou o poder dos últimos.

Devido a que Sansão nunca aliviou completamente a Israel da dominação filistéia, é difícil datar o período de 40 anos que se menciona em Juízes 13.1. vinte anos é o período que se calcula que Sansão ostentou sua liderança (Jz 15.20).

Sansão foi um grande herói dotado de uma força sobrenatural, recordado em primeiro lugar por suas façanhas militares. Que foi um nazireu, foi anunciado a seus pais danitas antes de seu nascimento. Manoá e sua esposa foram instruídos mediante revelação divina de que seu filho começaria a libertação de Israel da opressão filistéia. Através de numerosos relatos, referências, se conhece o fato de que o Espírito do Senhor estava sobre ele (13.25; 14.5,19; 15.14). Suas atividades estiveram limitadas à planície marítima e ao país das colinas de Judá, onde empreendeu a luta contra a ocupação filistéia do território israelita.

Numerosos relatos que somente podem ser uma amostra de tudo o que Sansão fez, estão registrados no livro dos Juízes. Em seu caminho para Timnate, destrocou um leão com suas próprias mãos. Quando foi obrigado a subministrar trinta ornamentos de festa para os filisteus, que desonestamente obtiveram a resposta da charada que ele colocou em suas bodas em Timnate, matou trinta deles em Ascalom. Em outra ocasião, soltou trezentas raposas com ramas incendiadas para destrocar as colheitas dos filisteus. Em resposta a suas represálias, Sansão matou muitos filisteus perto de Etã. Quando os homens de Judá o entregaram amarrado de mãos ao inimigo, suas amarras ficaram frouxas conforme o Espírito do Senhor chegou sobre ele. Sem outras armas que suas mãos, matou mil homens com a queixada fresca de um asno. Em Gaza arrancou as portas durante a noite e as levou consigo quase a 64 quilômetros ao leste, a uma colina perto do Hebrom.

As relações de Sansão com Dalila, cujas simpatias estavam com os filisteus, o conduziram a sua ruína. Por três vezes repeliu com êxito os filisteus, quando a mulher o traiu; não obstante, quando revelou o segredo de sua colossal força e poder a ela, e cortaram seus cabelos, Sansão perdeu sua força. Os filisteus lhe arrancaram os olhos e o forçaram a trabalhar num moinho como um escravo. Porém Deus restaurou sua força para sua façanha final e pôde derrubar as colunas do templo de Dagom, matando mais filisteus dos que havia matado em seus anteriores encontros.

A despeito de sua fraqueza, Sansão ganhou renome entre os heróis da fé (Hb 11.32).

Dotado de tão grande força, sem dúvida poderia ter feito muito mais; contudo, envolvido no pecado, fracassou em sua missão de libertar Israel. De todos modos, fez o bastante como para fazer desistir os filisteus para que Israel não fosse despojado da terra prometida.


Condições religiosas, políticas e sociais

Os últimos capítulos do livro de Juízes e o livro de Rute descrevem as condições que existiam nos dias dos heróicos chefes, tais como Débora, Gideão e Sansão. Sem referências misturadas com as atividades de qualquer dos juízes particulares mencionados nos capítulos precedentes, é difícil datar estes acontecimentos especificamente. Os rabinos associam a história de Mica e a emigração danita com a época de Otniel; porém, a causa da falta de detalhes históricos, é impossível ficar certos da confiabilidade disto e das tradições similares dos rabinos. O mais que pode ser feito é limitar tais acontecimentos aos dias "quando os juízes governavam" e "não havia rei em Israel" (Rt 1.1 e Jz 21.25).

Mica e sua casa de deuses são um exemplo da apostasia religiosa que prevaleceu nos dias dos juízes. Quando Mica, um efraimita, devolveu 1160 siclos roubados a sua mãe, ela deu 200 siclos e um ourives, o qual fez uma imagem gravada em madeira e recoberta em prata, juntamente com outra imagem fundida de prata. Com aqueles símbolos idolátricos, Mica estabeleceu um santuário ao que agregou um éfode e terafins, e fez sacerdote a um de seus filhos. Quando um levita procedente de Belém, por acaso se deteve naquela capela no monte Efraim, Mica fez um acordo com ele, alugando seus serviços como seu sacerdote oficial, com a esperança de que o Senhor faria prosperar sua empresa.

Cinco danitas enviados como grupo de reconhecimento para localizar mais terra para sua tribo, se detiveram no santuário de Mica para pedir conselho a este levita. Após ter-lhes assegurado o êxito de sua missão, continuaram seu caminho e encontraram condições favoráveis para a conquista de mais território em Laís, uma cidade situada na vizinhança do manancial do rio Jordão. Como resultado, seiscentos danitas emigraram para o norte. No caminho, convenceram o levita que era melhor para ele servir como sacerdote para uma tribo, antes que para um único indivíduo. Quando Mica e seus vizinhos objetaram a questão, os danitas, muito mais fortes, se limitaram simplesmente a tomar o levita e os deuses de Mica e levá-los a Laís, desde então chamada Dã. Ali, Jônatas, que indubitavelmente era o levita, estabeleceu um santuário para os danitas como um substituto para Siló. Caso não houver nenhuma omissão na genealogia (18.30) deste Jônatas, é muito verossímil que a emigração tivesse lugar nos primeiros dias do período dos Juízes.

O crime sexual em Gabaá e os acontecimentos que se seguiram conduziram a Israel a uma guerra civil. Um levita das colinas da terra de Efraim e sua concubina, de retorno de uma visita aos pais da mulher em Belém, se detiveram em Gabaá pela noite. Tinham passado por Jebus, esperando receber melhor hospitalidade em Gabaá, que era uma cidade benjamita. Durante a noite, os homens de Gabaá exigiram e obtiveram a concubina do levita. Na manhã ela foi achada morta na porta da casa. Ele tomou o cadáver e a levou a seu lar; e cortando-a em doze peças, a enviou por todo o país. Todo Israel, desde Dã até Berseba, ficou tão horrorizado por semelhante atrocidade, que se reuniram em Mispá. Ali, ante uma reunião de 400.000 homens, o levita falou do que tinham feito com eles os benjamitas.

Quando a tribo de Benjamim recusou entregar os homens de Gabaá que tinham cometido aquele crime, explodiu a guerra civil. Os benjamitas dispuseram de uma força combativa de 26.000 homens, incluindo uma divisão de homens armados de estilingues. O resto de Israel, então, se reuniu em Betel, onde estava situada a Arca do Senhor, para receber conselho de Finéias, o sumo sacerdote, para a batalha. Por duas vezes as forças israelitas foram derrotadas em seu ataque a Gabaá. A terceira vez, porém, a conquistaram e queimaram a cidade, matando a todos os benjamitas, exceto seiscentos deles que fugiram e acharam refúgio na rocha de Rimom. A destruição e devastação de Benjamim foi completa, até o extremo de que a totalidade da tribo foi arrasada. Após quatro meses, se efetuou uma reconciliação com os seiscentos homens que restavam. Tomaram-se medidas para a restauração e o matrimônio daqueles homens, de forma tal que os benjamitas pudessem ser restaurados na nação de Israel.

A história de Rute subministra uma visão rápida de uma era mais pacífica nos dias em que os Juízes governavam 125. Esta narrativa fala da emigração de uma família israelita —Elimeleque, Noemi e seus dois filhos— para o Moabe, quando havia fome em Judá. Ali, os dois filhos casaram com duas mulheres moabitas, Rute e Orfa. Após a morte de seu marido e ambos os filhos, Noemi voltou a Belém acompanhada de Rute. No curso do tempo, Rute casou com Boaz e, subseqüentemente, fogueira na linha genealógica davídica da família real de Israel.

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