A história de israel no antigo testamento



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Esquema 4: Monarquia na Palestina


(desde Roboão até a queda de Jerusalém)



DATA

REINO

DO NORTE

PROFETAS

REINO

DO SUL

ASSÍRIA

SÍRIA

931

909
885

841

752
722


640

586


Din. Jeroboão

Jeroboão
Nadabe



Din. Baasa

Elá


(Zinri)

Din. Onri

Onri (Tibni)

Acabe
Acazias

Jorão



Din. Jeú

Jeú
Joacaz

Joás

Jeroboão II



Zacarias

Últimos reis:

Salum


Menaem

Pecaías


Peca

Oséias


Queda de Samaria

Aías

Semaías


Ido
Azarias

Hanani


Jeú

Elias


Micaías

Eliézer


Eliseu

Joiada


Zacarias

Jonas


Oséias

Amós


Isaias - Obede
Miquéias

Jeremias


Hulda
(Ezequiel)

(Daniel)


Roboão
Abias

Asa


Josafá

Jorão


Acazias

(Jeoacaz -

Joacaz)
Atalia

Joás
Amasias

Azarias

(Uzias)
Jotão

Acaz

Ezequias


Manassés

Amom


Josias

Joacaz


Eliaquim (Jeoiaquim)

Joaquim


Zedequias
Queda de Jerusalém

Assur-Nassir-Pal II


Salmaneser III

Tiglate-Pileser III
Salmaneser V

Sargão II

Senaqueribe

Esar-Hadom

Assurbanipal

Babilônia

Nabopolassar

Nabucodonosor


REZOM

Ben-Hadade

Hazael

Ben-Hadade


Rezim



• Capítulo 9: O reino dividido

Os dois reinos que surgiram após a morte de Salomão são comumente conhecidos e diferenciados pelos apelativos de "Norte" e "Sul". Este único designa o estado mais pequeno, governado pela dinastia de Davi desde sua capital em Jerusalém até 586 a.C. consistia nas tribos de Judá e Benjamim, as que apoiaram a Roboão com um exército quando o resto das tribos se levantaram em rebelião contra as opressivas medidas de Salomão e seu filho (1 Rs 12.21). O Reino do Norte designa as tribos dissidentes, que fizeram a Jeroboão seu rei. Este reino durou até 722 a.C., com sua capital sucessivamente em Siquem, Tirsá e Samaria.

As designações bíblicas comuns para estes dois reinos são "Israel" e "Judá". A primeira está restringida usualmente em seu uso ao Reino do Norte, enquanto que a segunda se refere ao Reino do Sul. Originalmente o nome de "Israel" foi dado a Jacó (Gn 32.22-32). Durante toda sua vida já foi aplicado a seus filhos (Gn 44.7), e sempre, desde então, qualquer descendente de Jacó tem sido chamado "israelita". Desde os tempos patriarcais até a ocupação de Canaã, "Israel" tem especificado a totalidade da nação hebraica. Esta designação prevaleceu durante a monarquia de Davi e Salomão, inclusive quando estava dividida, a princípios do reinado de Davi.

A tribo de Judá, que estava estrategicamente situada e excepcionalmente forte, chegou a sua proeminência durante o tempo de Saul (ver 1 Sm 11.8, etc.). Depois da divisão em 931 a.C., o nome de Judá identificava o Reino do Sul, que continuou sua aliança com a dinastia davídica. A menos que não se indique outra coisa, os nomes de "Israel" e "Judá" neste volume representam respectivamente os reinos do Norte e do Sul 182. Outro apelativo para o Reino do Norte é "Efraim". Embora este nome é originalmente dado a um dos filhos de José (Gn 41.52), designa especificamente a tribo que conduziu a nação à secessão. Estando situada no norte de Benjamim e Judá, "Efraim" representava a oposição a Judá e com freqüência incluía a totalidade do Reino do Norte (ver Isaias e Oséias).


Cronologia

Este é o primeiro período na história do Antigo Testamento em que algumas datas podem ser fixadas com virtual certeza. A história secular, descoberta mediante a investigação arqueológica, proporciona uma lista epônima 183 que conta para cada ano na história da Assíria desde 891 a 648 a.C. 184 Ptolomeu, um brilhante erudito que viveu aproximadamente em 70-161 a.C., compôs um cânon, relacionando os governantes babilônicos e persas, desde o tempo de Nabonassar (747 a.C.), até Dario III (332 a.C.) 185. Além disso, também dá uma lista dos governantes gregos, Alexandre e Filipo da Macedônia, os governantes ptolemaicos do Egito e os governantes romanos que chegam até o ano 161de nossa era. Como astrônomo, geógrafo, historiador e cronologista, Ptolomeu proporciona uma vital informação. O mais valioso para os historiadores modernos é o material astronômico que fez possível comprovar a precisão de seus dados em numerosos pontos, de forma tal que "o cânon de Ptolomeu pode ser utilizado como guia histórica com a maior confiança" 186. Dois fatos significativos subministram o elo entre a história assíria e o relato bíblico dos reis hebraicos durante o período do reino dividido. As inscrições assírias indicam que Acabe, rei de Israel, participou da batalha de Karkar (853 a.C.) contra Salmaneser III, e que Jeú, outro rei de Israel, pagou tributo ao mesmo rei assírio em 841 a.C. Ao equiparar os dados bíblicos concernentes aos reis hebraicos Acazias e Jorão com este período de doze anos da história assíria, Thiele tem sugerido uma pista para a adequada interpretação da cronologia 187. Com estas duas datas definitivamente estabelecidas no sincronismo entre a história hebraica e a assíria, propõe um esquema de absoluta cronologia para o período que vá desde a desagregação até a queda de Jerusalém. Isto serve como uma clave prática para as interpretações das numerosas referências cronológicas nos relatos de Reis e Crônicas.

Permitindo um ano como fator variável, as datas terminais para Israel (a queda de Samaria) e para Judá (a queda de Jerusalém) estão fixadas respectivamente como 722 e 586 a.C.

O mesmo pode dizer-se para a batalha de Karkar em 853 a.C. a data para o começo dos dois reinos está sujeita a maior variação.

Uma simples adição de todos os anos admitidos para os reis hebraicos totalizam quase quatro séculos. Sobre a base desta tabulação, muitos eruditos , tais como Hales, Oppert, Graetz e Mahler, têm datado a desagregação do reino salomônico dentro do período de 990-953 a.C. A data mais popularizada é a dada por Ussher, adotada por Edercheim, e incorporada na margem de muitas Bíblias durante o século passado. Os recentes descobrimentos arqueológicos relacionados com a história contemporânea do Próximo Oriente têm iluminado muitas passagens bíblicas que necessitavam uma reinterpretação dos dados bíblicos.

O período do reino dividido está adequado a um período aproximado de três séculos e meio. Sobre a base da cronologia assíria e a história contemporânea do Próximo Oriente, Olmstead, Kittel, Albright e outros datam o começo deste período dentro dos anos 937-922 a.C. 188 O mais amplo estudo da cronologia para o período do Reino Dividido está publicado no livro de E. R. Thiele, "The Mysterious Numbers of the Hebrew Kings". Mediante um detalhado analise de ambos dados estatísticos, no relato bíblico e na história contemporânea, conclui que o 931 a.C. é a mais razoável data para o começo deste período. Enquanto que muitas cronologias foram construídas sob a presunção de que existem numerosos erros no presente texto de Reis e Crônicas, Thiele começa com o suposto de que o texto presente é confiável. Com isso em mente, o número de referências cronológicas que permanecem problemáticas à luz de nosso entendimento de tal período, é muito menor que os problemas textuais que implicam o resultado a priori da presunção de que o texto hebraico está errado 189.

Apesar de que permaneçam ainda sem resolver problemas na cronologia de Thiele, parece ser a mais razoável e completa interpretação das datas escriturísticas e dos fatos históricos contemporâneos que nos são conhecidos até o presente. De ser a data do ano 959 a.C. confirmada como correta para o começo do templo de Salomão, poderia apelar-se a uma reinterpretação de parte desta cronologia. Ao presente, esta data é aceita com um alto grau de probabilidade 190. Através de todo este analise do reino dividido, a cronologia do período do reino dividido de Thiele é adotada como padrão. Qualquer desvio da mesma é indicado oportunamente.

Alguns dos fatores básicos que têm uma relação sobre a analise das datas cronológicas deste período merecem uma breve consideração 191. Em Judá, o sistema do ano de acesso e sua contagem foi utilizado desde o princípio dos tempos de Jorão (850 a.C.), quem adotou o sistema do não acesso que se tem utilizado em Israel desde os dias de Jeroboão I 192. Durante os reinados de Joás e Amasias (800 a.C.), ambos reinados mudaram ao sistema do ano de aceso 193. A questão da co-regência deve ser considerada estabelecendo uma cronologia para este período. Às vezes, os anos durante os quais um pai e um filho governaram juntos foram acreditados a ambos reis, calculando a duração de seu reinado.


Datas importantes

Um certo número de datas são de importância para uma adequada compreensão de qualquer período histórico. Os três acontecimentos mais importantes desta era do reino dividido são os que se seguem:

931 – A divisão do reino

722 – A queda de Samaria

586 – A queda de Jerusalém

Sem ter de acudir a listas tabulares para estes reinos, com datas para cada rei, resulta apropriado sugerir um índice cronológico para estes séculos. O desenvolvimento acontecido no Reino do Norte conduz por si mesmo a um esquema simples na ordem cronológica, como se segue:


931 – Dinastia de Jeroboão i

909 – Dinastia de Baasa

885 – Dinastia de Onri

841 – Dinastia de Jeú

752 – Últimos reis

722 – Queda de Samaria


Todos os reis, os profetas e importantes acontecimentos podem ser aproximadamente datados utilizando esta estrutura cronológica 194. Os acontecimentos contemporâneos no Reino do Sul podem ser convenientemente relacionados a esta estrutura de referência. Colocando os quatro importantes reis de Judá em sua própria seqüência, e agregando uma data, se converte numa questão simples para desenvolver uma cronologia que preste de forma simplificada. As datas aproximadas ficam logo aparentes sobre a base da seguinte perspectiva:
931 – Dinastia de Jeroboão I Roboão

909 – Dinastia de Baasa

885 – Dinastia de Onri Josafá

841 – Dinastia de Jeú

752 – Últimos reis Uzias

722 – Queda de Samaria

Ezequias

640 – Josias

586 – Queda de Jerusalém
Utilizando estas datas sugeridas como um esquema útil, a questão das datas cronológicas no relato bíblico pode ser reduzida a um mínimo. Embora as datas individuais para cada rei sejam dadas subseqüentemente, não são necessárias para uma compreensão do desenvolvimento geral. Para propósitos de exame, as datas acima citadas são suficientes, enquanto que as individuais se fazem de maior importância para um estudo detalhado.
O relato bíblico

A primeira fonte literatura da era do reino dividido é 1 Reis 11.1 até 2 Reis 25.30 e 2 Crônicas 10.1-36.23. Pode achar-se material suplementar em Isaias, Jeremias e outros profetas que refletem a cultura contemporânea.

A única fonte que apresenta um relato histórico contínuo do Reino do Norte é 1 Reis 12.1-2 Reis 17.41. integrado neste registro estão os acontecimentos contemporâneos do Reino do Sul. Com a terminação do Reino do Norte no ano 722 a.C., o autor do livro dos Reis continua o relato do Reino do Sul em 2 Reis 18.1-25-.30, até que a queda de Jerusalém em 586 a.C. Um registro paralelo para o Reino do Sul, desde 931 a 586 a.C., se dá em 2 Crônicas 10.1-36.23, onde o autor conclui com uma referência final ao cesse do cativeiro sob Ciro (538 a.C.). o relato em Crônicas suplementa a história registrada no Reino do Norte, e nos livros dos Reis, onde têm uma relação direta sobre os acontecimentos do Reino do Sul.

Devido a que cada reino teve aproximadamente uma lista de vinte governantes, é essencial uma simples analise para evitar a confusão. A memorização de duas listas de reis, com freqüência impede um cuidadoso analise deste período como fundo essencial no estudo das mensagens proféticas do Antigo Testamento. Já que um variado número de famílias governou o Reino do Norte, em contraste com uma única dinastia em Judá, sugere-se um simples bosquejo baseado nas dinastias reinantes em Israel. Isto pode ser utilizado como uma conveniente estrutura para a associação de outros nomes e acontecimentos. Veja-se o seguinte esquema:



ISRAEL BOSQUEJO EM REIS JUDÁ

Dinastia de Jeroboão 1 Reis 12-15 Roboão

Abias

Dinastia de Baasa 1 Reis 15-16 Asa



Dinastia de Onri 1 Reis 16-22 Josafá

2 Reis 1-9 Jorão

Acazias

Dinastia de Jeú 2 Reis 10-15 Atalia



Joás

Amasias


Uzias

Últimos reis 2 Reis 15-17 Jotão

2 Reis 18-25 Acaz

Ezequias a

Zedequias

Já que Israel cessou de existir como governo independente, a última parte de Reis se dedica ao relato do Reino do Sul. Israel ficou reduzida a uma província assíria.

Para um detalhado bosquejo do relato bíblico para o período do Reino Dividido, como se dá em Reis e Crônicas, ver a seguinte relação:



ISRAEL – REINO DO NORTE

JUDÁ – REINO DO SUL

Jeroboão

1 Reis 12.25-14.20



Roboão

1 Reis 12.1-24

2 Cr 10.1-12.16


Abias

1 Reis 15.1-8

2 Crônicas 13.1-22


Nadabe

1 Reis 15.25-31



Asa

1 Reis 15.9-24

2 Crônicas 14.1-16.14


Baasa

1 Reis 15.32-16.7






Elá

1 Reis 16.8-20






Zinri

1 Reis 16.8-14






Onri

1 Reis 16.21-28






Acabe

1 Rs 16.29-22-40



Josafá (ou Jeosafá)

1 Reis 22.41-50

2 Crônicas 17.1-20.37


Acazias

1 Reis 22.51-53

2 Reis 1.1-18





Jorão (filho de Acabe)

2 Reis 1.17-8-15

2 Reis 9.1-37


Jorão (filho de Josafá)

2 Reis 8.16-24

2 Crônicas 21.1-20


Jeú

2 Reis 10.1-36



Acazias

2 Reis 8.25-29

2 Crônicas 22.1-9


Joacaz

2 Reis 13.1-9



Joás (filho de Acazias)

2 Reis 12.1-21

2 Crônicas 24.1-27


Joás (filho de Joacaz)

2 Reis 13.10-24



Amasias

2 Reis 14.1-22

2 Crônicas 25.1-28


Jeroboão II

2 Reis 14.23-29



Uzias (Azarias)

2 Reis 15.1-7

2 Crônicas 26.1-23


Zacarias

2 Reis 15.8-12






Salum

2 Reis 15.13-15






Menaém

2 Reis 15.16-22






Pecaías

2 Reis 15.23-26






Peca

2 Reis 15.27-31









Jotão

2 Reis 15.32-38

2 Crônicas 27.1-9


Oséias

2 Reis 17.1-41



Acaz

2 Reis 16.1-20

2 Crônicas 28.1-27





Ezequias

2 Reis 18.1-20-21

2 Crônicas 29.1-32.33





Manassés

2 Reis 21.1-18

2 Crônicas 33.1-20





Amom

2 Reis 21.29-26

2 Crônicas 33.21-25





Josias

2 Reis 22.1-23.30

2 Crônicas 34.1-35.27





Joacaz (Salum)

2 Reis 23.31-34

2 Crônicas 36.1-4





Jeoiaquim (Eliaquim)

2 Reis 23.35-24.7

2 Crônicas 36.5-8





Joaquim (Jeconias)

2 Reis 24.8-17

2 Crônicas 36.9-10





Zedequias (Matanias)

2 Reis 24.18-25.7

2 Crônicas 36.11-21





O exílio e o retorno

2 Reis 25.8-30

2 Crônicas 36.22-23



Acontecimentos concorrentes

As relações internacionais são vitalmente significativas durante esses séculos, quando o império salomônico se dividiu em dois reinos, e que finalmente sucumbiu a forças e poderes estrangeiros. Estando estrategicamente situado no Crescente Fértil, entre o Egito e a Mesopotâmia, não podiam escapar à pressão de várias nações que surgiam com grande poder durante esse período. Conseqüentemente, para uma adequada compreensão da história bíblica, essas nações merecem consideração.


O reino da Síria 195

O reino de Aram, com Damasco como capital, é melhor conhecido como Síria. Durante dois séculos gozou de poder e prosperidade a expensas de Israel. Quando expandiu seu reino, derrotou a Hadade-ezer, governante de Zobá, e estabeleceu amizade com Toí, rei de Hamate. Salomão estendeu a fronteira de seu reino a 160 km além de Damasco e Zobá, conquistando Hamate sobre o Orontes e estabelecendo cidades de aprovisionamento naquela zona. Durante a última parte de seu reinado, Rezom, que tinha sido um jovem oficial militar sob as ordens de Hadade-ezer em Zobá, com anterioridade a sua derrota por Davi, se apoderou de Damasco e pôs os cimentos para o ressurgir do reino arameu da Síria. A rebelião surgida sob Roboão serviu de pretexto para esta oportunidade. Durante dois séculos, Síria chegou a ser um serio adversário por o poder na zona sírio-palestina.

A guerra entre Judá e o Reino do Norte, com Asa e Baasa como respectivos governantes, permitiu à Síria, sob Ben-Hadade, a oportunidade de emergir como a nação mais forte em Canaã, por volta do final do século IX a.C. Quando Baasa começou a fortificar a cidade fronteiriça de Ramá, somente a 8 km ao norte de Jerusalém,Asa enviou os tesouros do templo a Ben-Hadade como um suborno, fazendo uma aliança com ele e contra o Reino do Norte. Embora isto fez com que se cumprisse o imediato propósito de Asa e fosse relevada da pressão militar procedente de Baasa, em realidade deu à Síria a superioridade, de tal forma que os dois reinos israelitas foram com o tempo ameaçados de invasão desde o norte. Tomando possessão de uma parte do reino de Israel no norte, Ben-Hadade esteve em condições de controlar as rotas das caravanas à Fenícia, que proporcionou uma imensa riqueza a Damasco, reforçando assim o reino da Síria.

A supremacia da Síria como poder militar e comercial foi moderada pelo Reino do Norte, quando a dinastia de Onri começou a governar no 885 a.C. Onri quebrantou o monopólio comercial com a Fenícia, ao estabelecer relações amistosas com Etbaal, rei de Sidom.

Isto resultou no matrimônio de Jezabel e Acabe. O crescente poder da Assíria no leste serviu como outra prova para a Síria nos dias de Acabe. Durante os anos em que Assurnasirpal, rei da Assíria, ficou tranqüilo sem passar pela Síria para o norte, estendendo seus contatos no Mediterrâneo, Acabe e Ben-Hadade freqüentemente se opuseram um ao outro. No curso do tempo, Acabe ganhou o equilibro do poder. No 853 a.C., contudo, Acabe e Ben-Hadade uniram suas forças na famosa batalha de Qarqar, no vale do Orontes, ao norte de Hamate 196. Embora Salmaneser III afirmou haver obtido uma grande vitória, resulta duvidoso que isso for verdade, já que não avançou sobre Hamate nem sobre Damasco até vários anos mais tarde.

Imediatamente após isto, a hostilidade sírio-efrimítica continuou, sendo morto Acabe numa batalha. Como a Assíria renovou seus ataques contra a Síria, Ben-Hadade não pôde ter o apoio de Jorão. Quando morreu Ben-Hadade, aproximadamente por volta do 843 a.C., a Síria foi fortemente pressionada pelos invasores assírios, assim como sofreu a falto de apoio do Reino do Norte.

Hazael, o seguinte governante, usurpou o trono e se converteu em um dos reis mais poderosos, estendendo o domínio da Síria até a Palestina. Embora Jeú, o novo rei de Israel, se submeteu a Salmaneser III pagando impostos (841 a.C.), Hazael resistiu a invasão deste rei assírio com suas únicas forças. Em poucos anos, Hazael esteve em condições de expandir seu reino, quando os assírios retrocederam. Se anexou um extenso território do Reino do Norte a expensas de Jeú. Após o ano 841 a.C., Joacaz, rei de Israel, estava tão debilitado que os exércitos de Hazael passaram através de seu território e tomaram possessão da planície filistéia, destruindo Gate, exigindo tributo ao rei de Judá em Jerusalém.

Ben-Hadade (cerca de 801 a.C.) fracassou em manter o reino estabelecido por seu pai Hazael.

Durante os últimos anos de seu reinado, Hadade-Nirari III da Assíria submeteu a Damasco o bastante como para exigi-lhe um forte tributo. Além de tudo isso, Ben-Hadade deveu enfrentar-se com uma hostil oposição procedente dos estados sírios do norte. Isto deixou Damasco numa condição tão fraca que quando a pressão assíria continuou, Joás reclamou para Israel muito do território tomado por Hazael. Nos dias de Jeroboão II (793-753), Síria inclusive perdeu Damasco e "os acesso de Hamate", restaurando a fronteira norte amparada por Davi e Salomão (2 Sm 8.5-11).

Damasco teve uma vez mais uma oportunidade para afirmar-se quando o poderoso Jeroboão morreu em 753 a.C. Rezim (750-732 a.C.), o último dos reis aramaicos em Damasco, voltou a ganhar a independência síria. Com a acessão ao trono assírio de Tiglate-Pileser III (745 a.C.), tanto a Síria como o Israel estiveram sujeitas à invasão e a um pesado tributo. Enquanto Tiglate-Pileser (Pul) estava lutando na Armênia (737-735 a.C.), Rezim e Peca organizaram uma aliança para evitar o pagamento do tributo. Embora Edom e os filisteus se uniram à Síria e ao Israel numa espécie de aliança anti-assíria, Acaz, rei de Judá, enviou tributo a Pul, rogando-lhe uma aliança. Em resposta a este convite, Pul executou uma campanha contra os filisteus, estabelecendo contato com Acaz, e em 732 tinha já conquistado Damasco. Samaria foi salva nesta época, quando Peca foi substituído por Oséias, quem voluntariamente pagou tributo como um rei marionete. Com a morte de Rezim e a queda de Damasco, o reino da Síria chegou a seu fim, para não voltar a levantar-se jamais.


O grande império assírio

No canto noroeste do Crescente Fértil, estendendo-se por uns 563 km ao longo do rio Tigre, e com uma largura aproximada de 322 km, se encontrava o país da Assíria. O nome provavelmente se deve ao deus nacional, Assur, e uma de suas cidades foi assim chamada. A importância da Assíria durante o período do reino dividido fica imediatamente aparente pelo fato de que no topo de seu poderio absorveu os reinos da Síria, Israel e Judá, e inclusive o Egito, até Tebas. Por aproximadamente dois séculos e médio exerceu uma tremenda influência sobre os acontecimentos da terra de Canaã, e daqui que com tanta freqüência apareça nos registros bíblicos.

Embora alguns eruditos traçam os começos da Assíria a princípio do terceiro milênio, se conhece pouco da época anterior ao século XIX, quando os agressivos estabelecimentos comerciais desta zona estenderam seus interesses comerciais na Ásia Menor. Nos dias de Samsi-Adã I (1748-1716), Assíria gozou de um período de prosperidade, com Assur com sua cidade mais importante.

Durante vários séculos a partir de então, Assíria foi escurecida pelo reino heteu na Ásia Menor e o reino mitanni que dominava a zona superior do Tigre-Eufrates.

A verdadeira história da Assíria tem seus começos aproximadamente no ano 1100 a.C., com o reinado de Tiglate-Pileser I (1114-1076 a.C.). De acordo com os anais próprios, estendeu o poder de sua nação para o oeste no mar Mediterrâneo, dominando as nações menores e fracas existentes naquela zona. Não obstante, durante os seguintes dois séculos o poderio assírio retrocede, enquanto que Israel, sob Davi e Salomão, surge como um poder dominante no Crescente Fértil.

Começando com o século IX, Assíria emerge como um poder crescente. As listas epônimas assírias desde aproximadamente o 892 a.C. ao 648 a.C. fazem possível correlacionar e integrar a história da Assíria com o desenvolvimento de Israel, como se registra no relato bíblico. Assurnasirpal II (883-859 a.C.) estabeleceu Calá como sua capital. Após ter desenvolvido um forte poderio militar, começou a pressionar para o oeste, aterrorizando as nações que se opunham com dureza e crueldade cruzando o Eufrates e estabelecendo contatos comerciais sobre o Mediterrâneo. Freqüentes contatos com os sírios no sul, tiveram com resultado a batalha de Qarqar, sobre o rio Orontes, em 853 a.C., nos dias de se filho Salmaneser III (858-824 a.C.). Na coalizão encabeçada por Ben-Hadade de Damasco e Acabe, rei de Israel, se uniram 2000 carros de guerra e 10.000 soldados, constituindo a maior unidade neste grupo. Embora o rei assírio afirmou sua vitória, resulta duvidoso que assim fosse, já que Salmaneser III evitou o contato com os sírios durante vários anos após a batalha. Em 848 e de novo em 845 a.C., Ben-Hadade resistiu duas invasões sírias mais, mas não se faz menção de qualquer força israelita que ajudasse os sírios nessas ocasiões. Jeú, quem usurpou o trono na Samaria (841 a.C.), fez proposições de subordinação a Salmaneser III, enviando-lhe tributo. Isto deixou a Hazael, novo rei de Damasco, com o problema de resistir a agressão assíria. Embora Salmaneser acossou a Síria durante uns poucos anos nos dias de Hazael, voltou sua atenção às conquistas de zonas no norte apor o ano 837 a.C., proporcionando a Canaã um respiro da pressão assíria durante várias décadas.

Por quase um século, o poder assírio se perde nas neblinas do fundo histórico. Samsi-Adã V (823-811 a.C.) se manteve muito ocupado suprimindo revoltas em várias partes de seu reino. Hadade-Nirari III (810-783 a.C.) atacou Damasco antes de terminar o século, capacitando os israelitas para obterem um respiro da pressão Síria. Salmaneser IV (782-773 a.C.), Assurdão III (772-755) e Assur-Nirari (754-745) mantiveram com êxito a importância da Assíria como nação poderosa, mas não foram o suficientemente fortes como para expandir seus domínios como tinha feito o precedente governante.

Tiglate-Pileser III (745-717 a.C.) foi um guerreiro sobressalente que conduziu sua nação à ulteriores conquistas. Na Babilônia, onde era reconhecido como rei, era conhecido como Pulu. 1 Reis 15.19 se refere a ele como Pul. Na conquista de territórios adicionais ao oeste, adotou a política de dividir a zona em províncias submetidas para um mais seguro controle. Embora esta prática já tinha sido utilizada anteriormente, ele foi efetivo em aterrorizar as nações ao trocar grandes grupos de pessoas de uma cidade conquistada com cativos de uma zona distante. Isto definitivamente eliminou a possibilidade de uma rebelião. Também serviu como processo de nivelação lingüística, de modo tal que a língua aramaica substituiu outros idiomas no grande território do reino. Ao princípio de seu reinado, Pul exigiu tributo de Menaém, rei de Israel, e Rezim, rei de Damasco. Já que Judá era a nação mais forte em Canaã naquela época, é possível que Azarias pudesse ter organizado uma coalizão de forças para opor-se aos assírios. Parece que seus sucessores, Jotão e Acaz, resistiram a pressão procedente de Israel e a Síria unindo-se a elas, igual que os filisteus e o Edom, ao opor-se a Pul. Em seu lugar, Acaz iniciou amistosas relações com Pul, em resposta do qual as forças assírias avançaram até o país dos filisteus em 733 a.C., possuindo territórios a expensas dessas nações opostas.

Após um terrível assédio, caiu a grande cidade de Damasco, Rezim foi morto e o reino sírio capitulou. Samaria conjurou a conquista substituindo a Peca com Oséias.

Salmaneser V (727-722 a.C.) seguiu com os procedimentos e a política de seu pai. Nos dias de Oséias os israelitas estavam ansiosos em terminar com sua servidão da Assíria.

Salmaneser respondeu com uma invasão do país e por três anos assediou a Samaria. Em 722 a.C., Sargão II, que servia como geral no exército, usurpou o trono e fundou uma nova dinastia na Assíria. Nos registros se afirma que capturou a Samaria, embora alguns acreditem que Salmaneser V foi realmente quem tomou a cidade, e Sargão se adjudicou o êxito. Governando desde 721-705 a.C., utilizou a Assur, Calá e Nínive como capitais, porém finalmente construiu a grande cidade de Korsabade, pela qual é melhor lembrado. Sua campanha contra Asdode no 711 pode ser a que se menciona em Is 20.1. o reino de Sargão terminou abruptamente com sua morte numa batalha.

Senaqueribe (704-681 a.C.) fez famosa a cidade de Nínive como sua grande capital, construindo uma muralha de 12 a 15 metros em volta e de quatro quilômetros de longitude, ao longo do rio Tigre. Em seus anais, ele anota a conquista de Sidom, Jope, quarenta e seis cidades amuralhadas em Judá, e seu assalto a Jerusalém nos dias de Ezequias. Em 681 foi morto por dois de seus filhos.

Embora Senaqueribe tinha-se detido nas fronteiras do Egito, seu filho Esar-Hadom (681-668 a.C.) avançou ao Egito e derrotou Tiraca. Seu interesse na Babilônia está evidenciado pela reconstrução da cidade de Babilônia, possivelmente porque sua esposa pertencia à nobreza da Babilônia. Senaqueribe nomeou a Samasumukim como governante da Babilônia; mas este último se rebelou, após um período de governo de dezesseis anos, contra seu irmão Assurbanipal, e pereceu na queima da Babilônia (648 a.C.). Durante o reinado de Esar-Hadom, Manassés, rei de Judá, foi tomado cativo na Babilônia (2 Cr 33.10-13). A morte chegou a Esar-Hadom quando dirigia seus exércitos contra o Egito.

Durante o reinado de Assurbanipal (668-630 a.C.), o Império Assírio alcançou o zênite em riqueza e prestígio. No Egito levou seus exércitos até algo assim como 800 km pelo rio Nilo, capturando Tebas em 663 a.C. A guerra civil (652 a.C.) com seu irmão, que estava a cargo da Babilônia, resultou com a captura dessa cidade em 648. embora fosse cruel e rude como general e militar, Assurbanipal é melhor lembrado por seu profundo interesse na religião, no científico e em obras literárias. Enviando escribas por toda a Assíria e a Babilônia para copiar registros de criação, dilúvios e a antiga história do país, obteve uma grande quantidade de material na grande biblioteca real de Nínive.

Em menos de três décadas após a morte de Assurbanipal, o reino assírio, que havia exercido tão tremenda influência por todo o Crescente Fértil, se desvaneceu para não tornar levantar-se jamais. Os três governantes que o sucederam foram incapazes de enfrentar-se com os reinos que surgiam na Média e na Babilônia. Nínive caiu em 612 a.C. Comércio as batalhas de Harã (609) e Carquemis (605) desapareceu o último vestígio da oposição assíria. Expandindo-se para o oeste, o reino babilônico absorveu o Reino do Sul e destruiu Jerusalém no ano 586 a.C.


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