A história de israel no antigo testamento



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• Capítulo 13: Judá sobrevive ao imperialismo assírio

O governo de noventa anos da dinastia davídica em Jerusalém foi bruscamente terminado com a acessão ao poder de Atalia no ano 841 a.C. A fruição da política praticada de forma ímpia por Josafá levou a malvada filha de Acabe e Jezabel ao trono de Judá, menos de uma década depois da morte de Josafá. De acordo com a divina promessa feita a Davi, a linhagem real foi restaurada após um interlúdio de sete anos.

Durante este período, quando oito reis da dinastia davídica governaram sobre Judá, a etapa religiosa mais significativa foi a do reino de Ezequias. O relato histórico de esses dois séculos está registrado em 2 Reis 11.1-21.26 e 2 Crônicas 22.10-33-25. contemporâneo de Ezequias foi o grande profeta Isaias, que também proporciona uma informação suplementar.
Atalia – Um reinado de terror

Com o sepultamento de seu filho Acazias, Atalia se encarregou do trono no Reino do Sul no 841 a.C. Para assegurar sua posição como governante, ordenou a execução de todos os descendentes reais, iniciando assim um reinado de terror. Aparentemente não escapou nenhum dos herdeiros ao trono, exceto Joás, o menino filho de Acazias. Durante o reinado de sete anos de Atalia, Jeoseba, irmã de Acazias, escondeu o herdeiro real no templo.

Uma drástica mudança no clima religioso se seguiu à morte de Josafá. Sendo uma fanática seguidora de Baal, como o foi sua mãe Jezabel, Atalia promoveu este culto idolátrico para ser praticado em Jerusalém e por toda Judá. Os tesouros e objetos do templo foram tomados e aplicados ao culto de Baal. Matã serviu como sumo sacerdote em Jerusalém.

Sem dúvida o derramamento de sangue e a perseguição do baalismo no Reino do Norte, sob Jeú, fez que Atalia empreendesse com mais ardor o estabelecimento do culto à fertilidade naquela época de Judá.

Joiada, um sacerdote que tinha sido testemunho do ressurgimento religioso na época de Asa e Josafá, foi o instrumento na restauração da linhagem real. A seu devido tempo, assegurou o apoio da guarda real e Joás foi coroado rei na corte do templo. Quando Atalia ouviu as aclamações, tentou entras, porém foi detida, arrestada e executada no interior do palácio.
Joás – Reforma e reincidência

Joás não era senão um menino se sete anos quando começou seu longo reinado (835-796 a.C.). Devido a que Joiada instigou a coroação de Joás, a política de estado foi formulada e dirigida por ele enquanto viveu.

Com a execução de Atalia, o culto de Baal também ficou destruído. Os altares de Baal foram destroçados e Matã, o sacerdote, morto. Joiada iniciou uma aliança na que o povo prometeu servir a Deus. enquanto viveu, o interesse geral prevaleceu no verdadeiro culto a Deus, embora alguns dos lugares altos ainda ficaram em uso.

O templo e seus serviços tinham ficado grandemente abandonados durante o reinado do terror, e Joás, de acordo com o conselho de Joiada, apoiou a restauração dos holocaustos.

Como o templo devia ser utilizado novamente, e de forma oficial, ficou obvio que devia ser reparado. Para tal propósito, os sacerdotes foram instruídos para coletar fundos por toda a nação, porém seus esforços foram infrutíferos. No vigésimo terceiro ano do reinado de Joás (cerca de 812 a.C.), se adotou um novo método para obter fundos. Foi colocada uma caixa no átrio, ao lado direito do altar. Em resposta a uma proclama pública, o povo dava com entusiasmo no princípio, como o havia feito quando Moisés pediu donativos para construir o tabernáculo.

Artesãos e artistas puseram mãos à obra, reparando e embelezando os lugares escolhidos.

Do ouro e da prata que ainda restavam, fizeram os ornamentos apropriados. A liberalidade do povo para este propósito não diminuiu as contribuições regulares em favor dos sacerdotes.

O apoio popular à verdadeira religião alcançou uma nova altura sob a influência de Joiada, com a restauração do templo.

Pouco tempo depois, o juízo divino caiu de novo sobre Judá. Após a morte de Joiada, a apostasia surgiu novamente, conforme os príncipes de Judá persuadiam a Joás de voltar aos ídolos e aos aserins. Embora os fiéis profetas advertiram o povo, este ignorou as admoestações dos santos varões. Quando Zacarias, o filho de Joiada, advertiu ao povo que não prosperaria se continuavam desobedecendo aos mandamentos do Senhor, foi lapidado no átrio do templo. Joás nem sequer se lembrou da bondade de Joiada, podendo ter salvado a vida de Zacarias.

Hazael já havia estendido seu reino sírio-palestino para o sul, a expensas do Reino do Norte. Após a conquista de Gate, na planície filistéia, se encarou com Jerusalém, somente a 53 km terra adentro (2 Rs 12.17-18). Para evitar uma invasão deste rei guerreiro, Joás despojou o templo dos tesouros que tinham sido dedicados desde os tempos de Josafá, e os enviou a Hazael juntamente com o ouro do tesouro do palácio. A causa deste sinal de servidão, Jerusalém ficou livre da humilhação de ter sido sitiada e conquistada. Presumivelmente deve ter sido o falho em pagar tributo o que empurrou o rei arameu a enviar um contingente de tropas contra Jerusalém, algum tempo depois (2 Cr 24.23-24) 242. Devido a que o "rei de Damasco" não está identificado pelo nome, é altamente provável que Ben-Hadade II já tivesse sido substituído por Hazael sobre o trono da Síria. Desta vez, o exército sírio entrou em Jerusalém 243. Após matar alguns dos príncipes, e deixando a Joás ferido, voltaram a Damasco com o botim. Os servidores do palácio aproveitaram-se da situação para vingar o sangue de Zacarias, assassinando seu rei. Joás foi sepultado na cidade de Davi, mas não no túmulo dos reis.

Nesse ínterim, Asa tinha derrotado um grande contingente armado com seu pequeno exército, porque se colocou ao serviço de Deus, depositando nEle toda sua fé. Joás tinha sido destruído por uma pequena unidade armada inimiga. Aquilo foi um claro juízo de Deus. após a morte de Joiada, Joás permitiu a apostasia que se infiltrou em Judá, e inclusive tolerou o derramamento de sangue inocente.
Amasias – Vitória e derrota

Com a brusca terminação do reino de Joás, Amasias foi imediatamente coroado rei de Judá.

Embora reinou um total de vinte e nove anos (796-767 a.C.), foi o único governante somente durante um curto período. Após o 791 a.C., Uzias, seu filho, começou a reinar como co-regente sobre o trono de Davi.

Tanto Judá como Israel tinham sofrido muito seriamente sob o agressivo poder de Hazael, rei da Síria. Sua morte na virada do século marcou o ponto crucial na fortuna dos reinos hebraicos. Joás, que ascendeu ao trono de Samaria no 798 a.C., organizou um forte exército que em seu momento desafiou o poder sírio. Amasias adotou uma política similar para Judá, capacitando sua nação para recuperar-se da invasão e do sangue real vertido.

Um dos primeiros atos de agressividade de Amasias foi recuperar o Edom. Jorão tinha derrotado os edomitas, porém havia falhado em submetê-los a Judá. Embora Amasias dispunha de um exército de 300.000 homens, se fez com uma tropa mercenária de outros 100.000 homens procedentes de Joás, o rei de Israel. Um homem de Deus veio adverti-lo que se utilizasse tais soldados israelitas, Judá seria derrotado na batalha. Em conseqüência, Amasias descartou os contingentes do Reino do Norte, ainda quando tinha pagado por seus serviços. Com seu próprio exército, derrotou os edomitas e capturou o Seir, a capital. Ao voltar a Jerusalém, Amasias introduziu os deuses edomitas em seu povo e lhes prestou culto. Sua idolatria não ficou impune, já que um profeta anunciou que Amasias sofreria a derrota por seu extravio no reconhecimento de Deus (2 Cr 25.1-16).

Amasias, com uma vitória sobre o Edom em seu Haber, se confiou tanto em seu poder militar que desafiou Joás à batalha. As tropas israelitas, que tinham sido rejeitadas sem realizar o serviço militar, foram tão provocadas que rapinaram as cidades de Judá desde Bete-Horom até a Samaria (2 Cr 25.10-13). Isto pôde ter sido a causa da deliberada decisão tomada por Amasias de romper a paz que havia existido entre Israel e Judá por quase um século. Joás acusou bruscamente a Amasias de ser demasiado arrogante e o advertiu de que o cardo, que tinha realizado uma presunçosa demanda ao cedro do Líbano, seria esmagado por uma besta selvagem.

Amasias não prestou atenção que persistiu em confrontar seu exército contra o do Reino do Norte. Na batalha de Bete-Semes, Judá foi completamente derrotado. Os vencedores derrubaram parte da muralha de Jerusalém, rapinaram a cidade, e tomaram cativo a Amasias (2 Rs 14.11-14).

Com reféns reais e um grande botim, Joás retornou jubiloso a Samaria. Quão desastrosa pôde ter sido esta derrota para Amasias, é algo que não se detalha na Sagrada Escritura. o ato de abrir uma fenda na muralha sanguinária uma total submissão na linguajem do mundo antigo.

Thiele data a invasão de Israel em Jerusalém no 791-790 a.C. 244 Isto coincide com o tempo em que Uzias, com dezessete anos de idade, começou a reinar. Com a captura de Amasias, que tinha realizado tal fanfarronada em seu estúpido desafio a Israel, os líderes de Judá fizeram a Uzias co-regente. O fato de que Amasias vivesse até quinze anos após da morte de Joás (2 Rs 14.17), sugere que possivelmente o rei de Judá foi retido como prisioneiro no trono de Judá, enquanto que Uzias continuava como co-regente 245. Naquele tempo, Jeroboão II, que já tinha sido co-regente com seu pai desde 793, assumiu o mando total da expansão do Reino do Norte.

A liberação de Amasias pôde ter sido parte de sua política de boa vontade para com Judá, conforme dirigia seus esforços a recuperar o território que tinha sido perdido para a Síria.

A íntima associação de Israel e Judá nos dias de Joás e Amasias, verossimilmente conta pela mudança no sistema de datas. O sistema do ano de não acessão tinha sido usado em Israel desde os tempos de Jeroboão I, e em Judá desde o reinado de Jorão. Então ambos adotaram o sistema do ano de acessão. Se Judá for tributária de Israel, segue-se logicamente que ambas adotassem o sistema de calcular que se fez comum na Ásia Ocidental sob a crescente influência da Assíria 246. Embora a princípios de seu reinado Amasias tinha abrigado esperanças de melhorar a fortuna de Judá, seus propósitos para o êxito da empresa foram desfeitos com sua captura por Joás. Quando foi restaurado no trono de Davi em Jerusalém, bem fosse no 790 ou no 781, deve ter sido completamente ineficaz em conduzir sua nação para um lugar de supremacia, como anteriormente tinha sido. Por todo o resto de seu reino, Judá foi escurecida pela expansão israelita. Amasias, finalmente escapou a Laquis, onde foi vítima de assassinos que o perseguiram.

Uzias ou Azarias – Prosperidade

Sobressalente na história de Judá figura o reino de Uzias (791-740 a.C.). Inclusive ainda quando sucederam diversos acontecimentos durante seu governo de cinqüenta e dois anos, o relato bíblico é relativamente muito breve (2 Cr 26.1-23; 2 Rs 14.21-22; 15.1-7). É notável o fato de que durante este longo período, Uzias foi o único governante só por dezessete anos. tão eficaz foi em levantar Judá da vassalagem, até convertê-la num poder nacional forte, que é reconhecido como o mais capaz dos soberanos do Reino do Sul que se conhece desde Salomão 247. A ordem dos acontecimentos durante esta parte do século VIII pode apreciar-se na seguinte tábua:




798

Joás começa seu reinado em Israel.

797-96

Amasias sucede a Joás em Judá.

793-92

Jeroboão II faz de co-regente com Joás.

791-90

Uzias começa a co-regência com Amasias (Judá é derrotada e Amasias feito prisioneiro).

782-81

Joás morre. Jeroboão II fica sozinho como governante (Possivelmente Amasias tenha sido deixado em liberdade neste momento).

768-67

Amasias é assassinado. Uzias assume o governo.

753

Fim do reino de Jeroboão. Zacarias governa seis meses.

752

Salum (um mês de governo) é substituído por Menaém.

750

Uzias é atacado pela lepra. Jotão faz de co-regente.

742-41

Pecaías se converte no rei de Israel.

740-39

Fim do reinado de Uzias.

Quando Uzias foi subitamente elevado ao trono, as esperanças nacionais de Judá estavam afundadas em seu ponto mais baixo desde a divisão do reino salomônico. A derrota a mãos de Israel não foi mais que uma enorme calamidade. Resulta duvidoso que Uzias for capaz de fazer mais que reter um esboço de governo organizado durante os dias de Joás. Pôde ter reconstruído as muralhas de Jerusalém, mas se Amasias permaneceu em prisão durante o resto do reinado de Joás, teria sido cosa fútil para Judá afirmar sua força militar nesse momento. Embora Amasias ganhou sua liberdade em 782 a.C., quando morreu Joás, é também duvidoso que tivesse o respeito de seu povo quando a totalidade da nação estava sofrendo as conseqüências de sua desastrosa política. Muito verossimilmente Uzias continuou usando com plena autoridade de uma considerável influência nos assuntos de estado, já que Amasias fugiu finalmente a Laquis.

O silêncio da Escritura no concernente à relação entre Israel e Judá nos dias de Jeroboão II e Uzias, parece garantir a conclusão de que prevaleceu a amizade e a cooperação. A vassalagem de Israel deve ter acabado, quanto muito à morte de Amasias, ou talvez com sua liberação, quinze anos antes. Além de restaurar as muralhas de Jerusalém, Uzias melhorou as fortificações que rodeavam a cidade capital. O exército foi bem organizado e equipado com as melhores armas.

Uma boa preparação militar conduz à expansão. Para o sudoeste, as muralhas de Gate foram atacadas e destruídas. Jabne e Asdode também capitularam a Judá, conforme Uzias pressionava até derrotar os filisteus e os árabes. Enquanto Amasias tinha subjugado Edom, Uzias estava então em condições de estender as fronteiras de Judá tão ao sul como Elate, no golfo de Acaba. O recente descobrimento do selo de Jotão, filho de Uzias, testemunha a atividade judaica no Elate durante este período 248. Para o leste, Judá impôs seu poder sobre os amonitas, que tiveram de pagar tributo a Uzias. Por outra parte, as dificuldades internas de Israel, após a morte de Jeroboão, podem ter permitido a Uzias o ter as mãos mais livres na zona transjordana 249. Economicamente, Judá marchou bem sob Uzias. O rei estava vitalmente interessado na agricultura e no crescimento do boiadeiro. Grandes rebanhos em zonas do deserto necessitavam cavar poços e levantar torres de proteção. Os cultivadores de vinhedos expandiram sua produção. Se Uzias promoveu esses interesses a começos de seu longo reinado, deve ter tido um efeito muito favorável sobre o estado econômico de toda a nação.

A expansão territorial colocou a Judá no controle de cidades comercialmente importantes, e nas rotas que conduziam à Arábia, o Egito e outros países. No Elate, sobre o Mar Vermelho, as industrias e as jazidas de cobre e ferro que tanto floresceram sob o reinado de Davi e no de Salomão, foram reclamadas para o Reino do Sul. Embora Judá ficou para atrás a respeito do Reino do Norte em sua expansão econômica e militar, gozou de um sólido crescimento sob a liderança de Uzias, e continuou sua prosperidade inclusive quando Israel começou a declinar após a morte de Jeroboão. O crescimento de Judá e sua influência durante este período só foram inferiores aos experimentados nos dias de Davi e Salomão 250.

A prosperidade de Uzias esteve diretamente relacionada com sua dependência de Deus (2 Cr 26.5,7). Zacarias, um profeta, por certo desconhecido, efetivamente instruiu o rei, quem aproximadamente no 750 a.C. tinha uma atitude totalmente saudável e humilde para com o Senhor.

À altura de seu êxito, porém, Uzias assumiu que podia entrar no templo e queimar o incenso. Com o apoio de oitenta sacerdotes, o sumo sacerdote —cujo nome era também o de Azarias— enfrentou a Uzias, ressaltando que aquilo era prerrogativa daqueles que estavam consagrados para tal propósito (Êx 30.7 e Nm 18.1-7). Irritado, o rei desafiou os sacerdotes.

Como resultado do juízo divino, Uzias enfermou de lepra. Pelo resto de seu reinado, ficou reduzido ao ostracismo fora de seu palácio, e lhe foram negados seus privilégios sociais. Não pôde nem sequer entrar no templo. Jotão foi elevado à categoria de co-regente e assumiu as responsabilidades reais pelo resto da vida de seu pai.

A ominosa ameaça da agressão síria também afundou as esperanças nacionais de Judá durante a última década do longo e proveitoso reinado de Uzias. Se havia acariciado as esperanças de restaurar a totalidade do império salomônico para Judá, após a morte de Jeroboão II, Uzias as viu desfeitas pelo ressurgir do poderio assírio. No 745 a.C., Tiglate-Pileser III começou a expandir seu império. Em seu ataque inicial, submeteu a Babilônia. Então, se voltou para o oeste, para derrotar a Sarduris III, rei de Urartu. Durante esta campanha norocidental (743-738 a.C.) encontrou oposição quando se dirigiu à Síria. Em seus anais, se menciona combatendo em Arpal contra Azarias, rei de Judá 251. Esta batalha está datada por Thiele a começos da campanha norocidental, preferivelmente no 743. embora Tiglate-Pileser esmagou a oposição conduzida por Azarias (Uzias), não afirma ter tomado tributos procedentes de Judá. Devido a que Menaém tinha pagado uma enorme soma para evitar uma sangrenta invasão dos ferozes assírios, Tiglate-Pileser não fez avançar seus exércitos para o sul, sobre Judá, nesta época. Uzias esteve, portanto, em condições de manter uma política antiassíria com um Israel pró-assírio como estado-tampão no norte.
Jotão – Política antiassíria

Jotão esteve intimamente associado com seu pai desde o 750 ao 740 a.C. devido a que Uzias era o governante forte e decidido, Jotão teve uma posição secundária como regente de Judá, quando assumiu plenas funções de governo no 740-39, continuou com a política de seu pai.

As empresas do interior do país de Jotão proporcionaram a construção de cidadelas e torres para alentar o cultivo da terra por toda Judá. Foram construídas cidades em lugares estratégicos. Em Jerusalém promoveu o interesse religioso, construindo uma porta superior no templo, mas não interferiu com os "lugares altos", onde o povo rendia culto aos ídolos.

Os amonitas, com toda probabilidade, tinham-se rebelado contra Judá após da morte de Uzias. Jotão, portanto, sufocou a revolta e exigiu tributos. O fato de que o pagamento esteja registrado no segundo e terceiro ano de Jotão (2 Cr 27.5), pode implicar que os problemas com Assíria ficaram tão graves que Judá foi incapaz de insistir sobre a leva 252.

Com uma temível invasão assíria pendente, Jotão encontrou problemas em manter sua política antiassíria. Quando os exércitos assírios se puseram em atividade nas regiões do monte Nal e Urartu em 736-735, um grupo pró-assírio em Jerusalém elevou a Acaz ao trono de Davi como co-regente com Jotão. Os registros assírios confirmam o ano de 753 como a data da acessão de Acaz.

Jotão morreu no 732 a.C. O total de seu reinado se calcula em vinte anos, mas tinha reinado somente por três ou quatro. Como co-regente com seu pai, teve poucas oportunidades de afirmar-se por si mesmo. Mais tarde, a ameaça assíria precipitou a crise que o colocou no retiro, enquanto que Acaz fez de campeão de boa amizade com a capital sobre o Tigre.


Acaz – Administração pró-assíria

O reinado de vinte anos de Acaz (2 Cr 28.1-27; 2 Rs 16.1-20) esteve acossado pelas dificuldades. Os reis assírios avançavam em seu propósito de conquistar e fazer-se com o controle do Crescente Fértil, e Acaz esteve continuamente sujeito à pressão internacional.

O Reino do Norte já havia subscrito à política da resistência de Peca. A idade de vinte anos, Acaz teve de encarar-se com o formidável problema da paz entre a Síria e o Israel, e de mantê-la. No 734, Tiglate-Pileser III marchou com seus exércitos contra os filisteus. É perfeitamente possível que Acaz possa ter apelado ao rei assírio, quando os filisteus atacaram em grande extensão os distritos fronteiriços de Judá. Seu alinhamento com Tiglate-Pileser logo levou Acaz a sérios problemas. Mais tarde e naquele mesmo ano, após que os invasores assírios se tiverem retirado, Peca e Rezim declararam a guerra a Judá.

Ao mesmo tempo e nesta tremenda crise, Isaias tinha permanecido ativo em seu ministério profético aproximadamente por seis anos. com sua mensagem de Deus, encarou Acaz com a solução de seu problema. A fé em Deus era a clave da vitória sobre Israel e a Síria. Peca e Rezim tentaram colocar um governante marionete no trono de Davi em Jerusalém. Porém Deus anularia o projeto sírio-efraimita em resposta à fé (Is 7.1ss). o malvado e teimoso Acaz ignorou a Isaias. Como desafio, encontrou uma saída de suas dificuldades fazendo um desesperado chamamento a Tiglate-Pileser III.

Quando os exércitos da Síria e o Israel invadiram Judá, sitiaram, ainda que não capturaram, a Jerusalém, que tinha sido tão recentemente fortificada por Uzias. Contudo, Judá sofreu grandes perdas, enquanto mataram milhares e outros foram levados como cativos a Samaria ou a Damasco. Porém, afortunadamente existia alguém no Reino do Norte, que não tinha repudiado a Deus. quando um profeta repreendeu sua conduta ao clã dos líderes, estes responderam com o ato de deixar em liberdade os prisioneiros de Judá.

Embora fortemente pressionado, Acaz sobreviveu ao ataque sírio-efraimita. Sua súplica a Tiglate-Pileser teve resultados imediatos. Em duas campanhas sucessivas (733 e 732), os assírios submeteram a Síria e o Israel. Em Samaria, Peca for substituído por Oséias, quem rendeu ato de submissão e lealdade ao rei assírio.

Acaz se encontrou com Tiglate-Pileser em Damasco e lhe deu seguridades da vassalagem de Judá. Tão impressionado estava Acaz que ordenou a Urias, o sacerdote, duplicar o altar de Damasco no templo de Jerusalém. A seu retorno o próprio rei assumiu a decisão de conduzir o culto pagão, atraindo para si a condenação sobre sua própria cabeça.

Em todo seu reinado, Acaz manteve uma política pró-assíria. Conforme mudavam os governantes na assíria e o Reino do Norte se encaminhava para seu fim com a rebelião de Oséias, Acaz conduziu sua nação com êxito através das crises internacionais. E ainda quando Judá tinha perdido o direito de sua liberdade e pagava pesados tributos à Assíria, a prosperidade econômica prevaleceu como tinha sido estabelecida sob a sã política de Uzias. A riqueza estava menos concentrada que no Reino do Norte, onde tinha sido de exclusivo uso da aristocracia. Enquanto que os devastadores exércitos não turvaram o status quo, Judá pôde permitir-se o pagar uma considerável leva a Assíria.

Inclusive com o grande profeta Isaias como contemporâneo, Acaz promoveu o mais aborrecível dos usos e práticas idolátricos. De acordo com os costumes pagãos, fez que seu filho caminhasse sobre o fogo. Não só tomou muito do tesouro do templo para enfrentar as demandas do rei assírio, senão que também introduziu cultos estranhos no mesmíssimo lugar aonde somente Deus devia ser adorado. Por isso, na era de maravilhar-se que incorre-se na ira de Deus.
Ezequias – Um rei justo

Ezequias 253 começou seu reinado no 716 a.C. Seu governo de vinte e nove anos marca uma era sobressalente em matéria religiosa de Judá. Embora bloqueado pelos assírios, Ezequias sobreviveu ao crucial ataque sobre Jerusalém, executado no 701 a.C. Durante a última década de seu reinado, Manassés esteve associado com Ezequias como co-regente. Em adição ao que relata 2 Reis 18-20 e 2 Crônicas 29-32, existe uma pertinente informação em Isaias 36-39, a respeito da vida de Ezequias.

Numa drástica reação à deliberada idolatria de seu pai, Ezequias começou seu reinado com a maior e mais extensa reforma da história do Reino do Sul. Como um jovem de vinte e cinco anos, tinha sido testemunha da gradual desintegração do Reino do Norte e da conquista assíria da Samaria, somente a uns 64 km, aproximadamente, do norte de Jerusalém. Com a certeira constatação de que o cativeiro de Israel era a conseqüência de uma aliança rompida e da desobediência a Deus (2 Rs 18.9-12), Ezequias colocou toda sua confiança no Deus de Israel.

Durante os primeiros anos de seu governo, realizou uma efetiva reforma, não somente em Judá, senão em partes de Israel. Devido a que Judá já era um vassalo da Assíria, Ezequias reconheceu a soberania de Sargão II (721-705 a.C.). Embora as tropas assírias fossem enviadas para Asdode no 711 a.C., o rei de Judá não teve serias interferências de parte da Assíria.

Ezequias imediatamente voltou a abrir as portas do templo. Os levitas foram chamados para reparar e limpar o lugar do culto. O que tinha sido utilizado para os ídolos, foi suprimido e lançado ao rio Cedrom, enquanto que os vasos sagrados que tinham sido profanados por Acaz, foram santificados. Em dezesseis dias, o templo ficou pronto para o culto.

Ezequias e os oficiais de Jerusalém iniciaram os sacrifícios no templo. Grupos musicais com suas harpas, címbalos e liras participaram, como tinha sido o costume em tempos de Davi. Os cantos litúrgicos foram acompanhados com a apresentação de holocaustos. Os cantores louvavam a Deus nas palavras de Davi e Asafe, enquanto o povo rendia culto.

Numa tentativa de cicatrizar a brecha que tinha separado Judá e Israel desde a morte de Salomão, o rei enviou cartas por todo o país, convidando a todos a virem a Jerusalém para celebrar a Páscoa judaica. Embora alguns ignorassem o chamamento de Ezequias, muitos, porém, acudiram desde Aser, Manassés, Efraim e Issacar, assim como de Judá, para celebrar as festas sagradas. Reunido em conselho com aqueles que iniciaram o culto no templo, Ezequias anunciou a celebração da Páscoa um mês mais tarde do que estava prescrito, para dar tempo a uma adequada celebração. Por outra parte, a observância foi executada de acordo com a lei de Moisés. O ter posposto a data foi mais uma medida conciliatória para ganhar a participação das tribos do norte que tinham seguido a observância da data instituída por Jeroboão (1 Rs 12.32). quando alguns sacerdotes chegaram sem a adequada santificação, Ezequias orou por sua limpeza. Uma grande congregação se reuniu em assembléia em Jerusalém para participar na reforma executada. Os altares de toda a capital foram arrancados e lançados no vale do Cedrom para sua destruição. Conduzido por sacerdotes e levitas, o povo ofereceu sacrifícios, cantando jubilosamente, alegrando-se ante o Senhor. Em nenhuma época, desde a dedicação do Templo, tinha visto Jerusalém tão gozosa celebração.

Desde Jerusalém, a reforma se estendeu por todo Judá, Benjamim, Efraim e Manassés.

Ezequias inclusive tinha quebrado a serpente de bronze que Moisés tinha feito (Nm 21.4-9), porque o povo estava utilizando-a como objeto de culto. Inspirado pelo exemplo do rei e de sua liderança, o povo se dedicou a demolir os "lugares altos", as colunas, os aserins e os altares pagãos existentes em todo Israel.

Em Jerusalém, Ezequias organizou os sacerdotes e levitas para os serviços regulares. O dízimo foi restituído para ajudar os que dedicavam sua vida à lei do Senhor. Se fizeram plano para a observância regular das festas e das estações, segundo estava prescrito na lei escrita (2 Cr 31.2ss). o povo respondeu tão generosamente a Ezequias que suas contribuições foram suficientes para manter os sacerdotes e levitas dedicados ao serviço do Senhor. A reforma executada por Ezequias teve um êxito rotundo e definitivo, respondendo assim a seu intento de conformar as práticas religiosas de seu povo com a lei e os mandamentos de Deus.

Em todo este sistema de reforma religiosa não se faz menção de Isaias. Tampouco o profeta se refere a reforma de Ezequias em seu livro. Embora Acaz tinha desafiado a Israel, é razoável assumir que Ezequias e Isaias cooperaram por completo em restaurar o culto de Deus. Uma única referência a Sargão, rei da Assíria (Is 20.1) mostra a atividade de Israel nesta época.

Além disso, a conquista de Asdode pelos assírios é a ocasião para Isaias pronunciar sua advertência profética de que era inútil para Judá depender do Egito para sua liberação.

Afortunadamente, Ezequias não chegou a ver-se envolvido na rebelião de Asdode, e assim evitou o ataque a Jerusalém.

Com a morte de Sargão II (705), a revolução explodiu em muitos lugares do império assírio. No 702, Merodaque-Baladã foi subjugado, destronado da coroa da Babilônia, e substituído por Bel-Libni, um nativo caldeu que provavelmente era membro da mesma família real. No Egito, surgiu o nacionalismo, sob a enérgica ação governante de Sabako, um rei etíope que tinha fundado a Dinastia XXV (cerca de 710 a.C.). com outras nações no Crescente Fértil rebeladas contra ele, Senaqueribe, filho de Sargão, voltou seus exércitos para o oeste. Após submeter a Fenícia e outras resistências costeiras, os exércitos assírios ocuparam triunfalmente a área dos filisteus no 701 a.C.

Ezequias tinha participado do ataque assírio. Seguindo sua grande reforma religiosa, se concentrou num programa de defesa, em conselho com seus mais importantes oficiais do governo. Foram reforçadas as fortificações existentes ao redor de Jerusalém. Os artesãos produziram escudos e armas, enquanto que os comandantes de combate organizavam as forças de luta. Para assegurar a Jerusalém um adequado subministro de água durante um assedio prolongado, Ezequias construiu um túnel que conectava com o estanque de Siloé e os mananciais de Giom. Através de 542 m de rocha sólida, os engenheiros judeus canalizaram água fresca e potável no tanque de Siloé, também construído durante esta época. Desde seu descobrimento em 1880, quando as inscrições em seus muros foram decifradas, o túnel de Siloé tem constituído uma atração turística 254. O estanque de Siloé, situado ao sul de Jerusalém, se protegeu com uma extensão da muralha para deixar encerrada esta vital fonte de elemento líquido. Quando chegou o momento de que os exércitos assírios marchavam sobre Jerusalém, outras fontes foram fechadas para que o inimigo não pudesse utilizá-las.

Embora Ezequias fez o que estava em seu poder ao preparar-se para o ataque assírio, não dependeu por completo dos recursos humanos. Antes, quando o povo se congregou em assembléia na praça da cidade, Ezequias o havia alentado, expressando valentemente sua confiança em Deus. "Com ele está o braço de carne, mas conosco o SENHOR nosso Deus, para nos ajudar, e para guerrear por nós" (2 Cr 32.8).

A ameaça de Senaqueribe ao reino de Judá se fez realidade o 701 a.C. Já que o relato bíblico (2 Reis 18-20, 2 Crônicas 32; Isaias 36-39) se refere a Tiraca, que chegou a ser co-regente do Egito no 689 a.C., parece verossímil que este rei assírio realizasse outro intento para submeter a Ezequias, aproximadamente nem 688 a.C. Num recente estudo, a integração do secular e do bíblico proporciona a seguinte seqüência de acontecimentos 255:

Os assírios entraram na Palestina procedentes do norte, tomando Sidom, Jope e outras cidades da rota de penetração. Durante o cerco e a conquista de Ecrom, Senaqueribe derrotou os egípcios em Elteque. Ezequias não só foi forçado a abandonar Padi, o rei de Ecrom a quem tinha feito cativo, senão também a pagar um forte tributo, despojando o templo de grandes quantidades de ouro e prata (2 Rs 18.14).




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