A história de israel no antigo testamento


Mapa 8: O reino de Josias (cerca de 625 a.C.)



Baixar 2.27 Mb.
Página20/37
Encontro19.07.2016
Tamanho2.27 Mb.
1   ...   16   17   18   19   20   21   22   23   ...   37

Mapa 8: O reino de Josias (cerca de 625 a.C.)





• Capítulo 14: O desvanecimento das esperanças dos reis davídicos

Durante um século Judá tinha sobrevivido à expansão triunfante do Império Assírio. Desde que Acaz tinha perdido o direito à liberdade de Judá por um tratado executado com Tiglate-Pileser III, este pequeno reino suportou crise após crise como vassalo de cinco governantes mais da Assíria. Tratados, manobras diplomáticas, resistência e a intervenção sobrenatural, tiveram uma vital influência na continuação da existência de um governo semi-autônomo quando os reis, tanto os maus como os justos, ocuparam o trono davídico.

Então, quando a Assíria estava afrouxando sua garra sobre as esperanças nacionalistas de Judá, essas esperanças surgiram uma vez mais durante as três décadas do reinado de Josias. A brusca terminação de sua liderança marcou o começo do fim para o Reino do Sul. Antes que tivessem passado 25 anos, estas esperanças começaram a desvanecer-se sob o poder crescente do Império da Babilônia. Em 586 a.C., as ruínas de Jerusalém foram uma lembrança realista da predição de Isaias de que a dinastia davídica sucumbiria ante Babilônia.
Josias – Época de otimismo

À precoce idade de 8 anos, Josias foi repentinamente coroado rei, sucedendo a seu pai, Amom. Após um reinado de trinta e oito anos (640-609 a.C.) foi morto na batalha de Megido. As atividades de Josias (resumidas em 2 Rs 22.1-23.30 e 2 Cr 34.1-35.27), estão principalmente limitadas a sua reforma religiosa.

A declinação da influência da Assíria nos últimos anos de Assurbanipal, quem morreu aproximadamente no 630 a.C., permitiu a Judá ter a oportunidade de estender sua influência sobre o território do norte. É verossímil que os líderes políticos antecipassem a possibilidade de incluir as tribos do norte e inclusive as fronteiras do reino salomônico no Reino do Sul. Com a queda de Nínive no 612 pelas forças aliadas da Média e a Babilônia, os projetos de Judá ficaram assim mais favoráveis. Durante este período, cheio de intranqüilidade política e de rebeliões no leste, Judá ganhou a completa liberdade da vassalagem assíria, o qual, naturalmente, causou o ressurgir do nacionalismo.

Com a idolatria infiltrada no reino, os projetos religiosos para o rei-menino não foram outra coisa que esperançosos. Não se sabe com certeza se a reforma de Manassés tinha penetrado na massa do povo, especialmente se seu cativeiro e penitente retorno aconteceu durante a última década de seu reinado. Amom foi decididamente malvado. Seu reinado de dois anos proporcionou o tempo suficiente para que o povo revertesse à idolatria na política e na administração do reino. É mais provável que continuassem quando seu filho de oito anos foi subitamente elevado ao trono. Neste discorrer de franca apostasia, Judá não podia esperar outra coisa que o juízo divino, de acordo com as advertências feitas por Isaias e outros profetas.

Conforme Josias crescia e se fazia homem, reagiu ante as pecadoras condições de seu tempo. À idade de dezesseis anos, se aferrou à idéia de Deus, levando-o em conta antes que se conformando com as práticas idolátricas. Em quatro anos, sua devoção a Deus cristalizou até o ponto em que começou uma reforma religiosa (628 a.C.). No ano décimo oitavo de seu reinado (622 a.C.), enquanto que o templo estava sendo reparado, foi recuperado o livro da lei. Impulsionado pela leitura deste "livro da lei do Senhor dado a Moisés" e advertido do juízo divino que pendia sobre ele, feito por Hulda, a profetisa, Josias e seu povo observaram a Páscoa de uma forma sem precedentes na história de Judá. Embora a Escritura guarda silêncio a respeito das atividades específicas durante o resto dos treze anos de seu reinado, Josias continuou sua piedosa regência com a certeza de que a paz prevaleceria durante o resto de sua vida (2 Cr 34.28).

A reforma começou no 628 e alcançou um clímax com a observância da Páscoa no 622 a.C. Devido a que nem o Livro dos Reis nem o das Crônicas proporcionam uma detalhada ordem cronológica dos acontecimentos, muito bem pode ser que os sucessos sumarizados nesses livros sagrados contem e possam ser aplicados para a totalidade deste período 261. Por essa época, era politicamente seguro para Josias o suprimir qualquer prática religiosa que estiver associada com a vassalagem de Judá para a Assíria.

Foram necessárias drásticas medidas para suprimir a idolatria do país. Após uma estimação de doze anos das condições reinantes, Josias afirmou com valentia sua real autoridade e aboliu as práticas pagas por todo Judá, tanto como nas tribos do norte. Os altares de Baal foram derrubados, os aserins destruídos e os vasos sagrados aplicados ao culto do ídolo, retirados.

No templo, onde as mulheres teciam véus para Asera, se eliminaram também os lugares de culto à prostituição. Os cavalos, que tinham sido dedicados ao Sol, foram tirados da entrada do templo e 108 carros foram destruídos pelo fogo. A horrível prática do sacrifício de crianças foi bruscamente abolida de raiz. Os altares erigidos por Manassés no átrio do templo foram esmagados e os restos, espalhados pelo vale do Cedrom. Inclusive alguns dos "lugares altos" erigidos por Salomão e que tiveram um uso corrente, foram desmanchados por Josias e tirados de seu emprazamento.

Os sacerdotes dedicados ao culto do ídolo foram suprimidos em seu ofício por real decreto, já que tinham atuado somente por nomeação dos anteriores reis. Ao depô-los, a queima de incenso a Baal, ao sol, à lua e às estrelas cessou por completo.

Josias aproveitou o valor de todo aquilo em benefício dos ingressos do templo.

Em Betel, o altar que tinha sido erigido por Jeroboão I, também foi desmanchado por Josias.

Durante quase 300 anos, este tinha sido o "lugar alto" público para as práticas idolátricas introduzidas pelo primeiro governante do Reino do Norte. Este altar foi pulverizado e a imagem de Asera, que provavelmente tinha substituído o bezerro de ouro, foi queimada 262. Quando os ossos do adjunto cemitério foram recolhidos para a pública purificação daquele "lugar alto", Josias comprou a existência do monumento ao profeta de Judá que tão valentemente tinha denunciado a João Batista (1 Reis 13). Sendo informado que o homem de Deus estava sepultado ali, Josias ordenou que aquele túmulo não fosse aberto.

Por todas as cidades de Samaria (no Reino do Norte) a reforma esteve à ordem do dia. Os "lugares altos" foram suprimidos e sem sacerdotes foram arrestados por seu idolátrico ministério.

O construtivo aspecto desta reforma chegou a seu topo na reparação do templo de Jerusalém. Com as contribuições de Judá e das tribos do norte, os levitas foram encarregados da supervisão de tal projeto. Desde os tempos de Joás —dois séculos atrás—, o templo tinha estado sujeito a longos períodos de descuido, especialmente durante o reinado de Manassés.

Quando Hilquias, o sumo sacerdote, começou a arrecadar fundos para a distribuição aos trabalhadores, achou o livro da lei. Hilquias o entregou a Safã, secretário do rei. O examinou e logo o leu a Josias. O rei ficou terrivelmente turbado quando comprovou que o povo de Judá não tinha observado a lei. Imediatamente, Hilquias e os oficiais do governo receberam ordens de comunicá-lo a todos. Hulda, a profetisa residente em Jerusalém, teve uma oportuna mensagem, clara e simples para todos eles: os castigos e juízos pela idolatria são inevitáveis. Jerusalém não escaparia à ira de Deus. Josias, porém, seria absolvido da angústia da destruição de Jerusalém, já que tinha respondido com arrependimento ao livro da lei.

Sob a liderança do rei, os anciãos de Judá, sacerdotes, levitas e o povo de Jerusalém, se reuniram para a pública leitura do livro novamente achado. Num solene pacto, o rei Josias, apoiado pelo povo, prometeu que se dedicaria por completo à total obediência da lei.

De imediato se realizaram planos para a fiel observância da Páscoa. Foram nomeados sacerdotes para o serviço do templo, que foi restabelecido a seguir. Foi dada uma cuidadosa atenção à pauta de organização para os levitas, como estava ordenado por Davi e Salomão.

O ritual da Páscoa se realizou com grande cuidado, para conformá-lo todo com o que estava "escrito no livro de Moisés" (2 Cr 35.12). Em sua conformidade com a lei e a extensa participação da Páscoa, sua observância ultrapassou todas as festividades similares desde os dias de Samuel (2 Cr 35.18) 263. O conteúdo do livro da lei achado no templo não está especificamente indicado. Numerosas referências no relato bíblico associam sua origem com o próprio Moisés.

Sobre a base de tão simples fato, o livro da lei pode ter incluído todo o Pentateuco ou conter somente uma cópia do Deuteronômio 264. Aqueles que consideram o Pentateuco como uma produção literária composta que alcança sua forma final no século V a.C., limitam o livro da lei ao que contém o Deuteronômio, ou menos 265. Devido a que a reforma já tinha acontecido em seu processo seis anos antes, quando o livro fora achado, Josias tinha previamente o conhecimento da verdadeira religião. Quando o livro foi lido ante ele, ficou aterrorizado a causa da falha de Judá em obedecer a lei. Nada nos registros bíblicos indica que este livro fosse publicado naquele tempo ou ratificado pelo povo. Foi considerado como possuidor de autoridade e Josias temeu as conseqüências da desobediência. Tendo sido entregue a Moisés, o livro da lei tinha sido o leme das práticas religiosas desde então. Josué, os juízes e os reis, junto com a totalidade da nação, tinham estado obrigados a conformar sua conduta com seus requerimentos para a obediência. O que alarmou a Josias, quando perguntou e solicitou conselho profético, foi o fato de que "nossos pais não guardaram a palavra do SENHOR" (2 Cr 34.21). A ignorância da lei não era escusa inclusive ainda quando o livro da lei tivesse permanecido perdido por algum tempo.

Uma grande idolatria tinha prevalecido por meio século antes que Josias começasse a governar. De fato, Manassés e Amom tinham perseguido àqueles que advogavam pela conformidade com a verdadeira religião. Já que Manassés tinha derramado sangue inocente, era razoável carregá-lo com a destruição de todas as cópias da lei em circulação em Judá. Em ausência das cópias escritas, Josias muito verossimilmente se associou com os anciãos e os sacerdotes, os que tinham suficiente conhecimento da lei para proporcioná-lhe uma instrução oral. Daqui proveio a firme convicção durante os primeiros doze anos de seu reinado, de que era necessária uma reforma a escala nacional. Quando o livro da lei foi lido ante ele, comprovou vividamente que os castigos e juízos eram devidos ao povo idólatra. Conhecendo demasiado bem as práticas malvadas comuns a seus pais, ainda estava surpreendido de que a destruição pudesse chegar em seus dias.

Teria sido perdido realmente o livro da lei? É muito provável que durante o reinado de Manassés houvesse os que tivessem o suficiente interesse em guardar algumas cópias do mesmo. já que as cópias estavam escritas à mão, havia relativamente muito poucas em circulação. Depois que as vozes de Isaias e outros tinham sido silenciadas, o número de pessoas justas decresceu rapidamente sob a perseguição. Se Joás, o herdeiro real, pôde permanecer escondido da malvada Atalia durante seis anos, é razoável chegar à conclusão de que um livro da lei pôde ter sido escondido do odioso e malvado Manassés durante meio século.

Outra possibilidade concernente à preservação deste livro da lei, é a sugestão aportada pela arqueologia 266. Já que informes valiosos e documentos têm sido escondidos sempre nas pedras angulares dos edifícios, tanto em tempos antigos como nos modernos, este livro da lei pôde muito bem ter sido preservado na pedra angular do templo 267. Ali foi onde os homens dedicados à reparação devem tê-lo achado. Antes da morte de Davi, encarregou a Salomão, como rei de Israel, o confirmar todo o que "está escrito na lei de Moisés" (1 Rs 2.3). Na edificação do templo, teria sido apropriado colocar todo o Pentateuco, ou pelo menos as leis de Moisés, na pedra angular. Talvez esta foi a providencial provisão para a segura custodia do Pentateuco durante três séculos, quando Judá, às vezes, esteve sujeita a governantes que desafiavam a aliança feita com Israel pelo Senhor. Tirado do templo nos dias da reforma de Josias, se converteu na "palavra viva" uma vez mais numa geração que levou o livro da lei com ela ao cativeiro da Babilônia.

Se a reforma executada por Josias representou um genuíno avivamento entre o povo comum, resulta difícil de se saber. Já que foi iniciada e executada por ordens reais, a oposição ficou refreada enquanto viveu Josias 268. Imediatamente após sua morte, o povo voltou à idolatria sob Jeoiaquim.

Jeremias foi chamado ao ministério no décimo terceiro ano de Josias, no 672 a.C. Devido a que Josias já havia começado a reforma, é razoável deduzir que o profeta e o rei trabalhassem em estreita colaboração 269. As predicações de Jeremias (capítulos 2-4) refletem a forcada relação entre Deus e Israel. Como uma esposa infiel que quebra os votos do matrimônio, Israel se havia separado de Deus. Jeremias, de forma realista, os advertiu que Jerusalém podia esperar a mesma sorte que havia destruído a Samaria um século antes. Quanto Jeremias (1-20) se relaciona com os tempos de Josias, é difícil de assegurar. Embora possa parecer estranho que a palavra profética proceda de Hulda em vez de Jeremias, quando foi lido o livro da lei a urgência para uma imediata solução ao problema do rei pôde ter implicado a Hulda, que residia em Jerusalém. Jeremias vivia em Anatote, ao nordeste da cidade e a 5 km de distância.

Quando circularam por Jerusalém as notícias da queda de Assur (614 a.C.) e da destruição de Nínive (612 a.C.), sem dúvida Josias voltou sua atenção aos assuntos internacionais. Num estado de falta de preparação militar, cometeu um erro fatal. No 609 os assírios estavam lutando uma batalha perdida com seu governo no exílio em Harã. Neco, rei do Egito, fez marchar seus exércitos através da Palestina para ajudar os assírios. Já que Josias tinha pouco interesse pelos assírios, levou seus exércitos até Megido, num esforço por deter os egípcios 270. Josias foi mortalmente ferido quando seus exércitos ficaram dispersos. As esperanças nacionais e religiosas de Judá se desvaneceram quando o rei de 39 anos foi sepultado na cidade de Davi. Após dezoito anos de íntima associação com Josias, o grande profeta é lembrado no parágrafo que diz: "E Jeremias fez uma lamentação sobre Josias" (2 Cr 35.25).
Supremacia da Babilônia

O povo de Judá entronizou a Joacaz em Jerusalém (2 Cr 36.1-4). E o novo rei teve de sofrer as conseqüências da intervenção de Josias nos assuntos egípcios. Governou só por três meses, no ano 609 a.C. (2 Rs 23.31-34).

Tendo derrotado a Judá em Megido, os egípcios marcharam rumo ao norte, para Carquemis, detendo temporariamente o avanço para o oeste dos babilônicos. O Faraó Neco estabeleceu seu quartel geral em Ribla (2 Rs 23.31-34). Joacaz foi deposto como rei de Judá e levado prisioneiro ao Egito, via Ribla. Ali, Joacaz, também conhecido como Salum, morreu como tinha predito o profeta Jeremias (22.11-12).
Jeoiaquim

(609-598 a.C.). Jeoiaquim, outro filho de Josias, começou seu reinado por eleição de Neco. Não somente o Faraó egípcio trocou o nome de Eliaquim por Jeoiaquim, senão que também exigiu um forte tributo de Judá (2 Rs 23.35), e por onze anos continuou sendo o rei de Judá. Até que os babilônicos desalojaram os egípcios de Carquemis (605 a.C.), Jeoiaquim permaneceu sujeito a Neco.

Jeremias se enfrentou com uma severa oposição enquanto reinou Jeoiaquim. Estando no átrio do templo, Jeremias predisse o cativeiro da Babilônia para os habitantes de Jerusalém.

Quando o povo ouviu que o templo seria destruído 271, apelou aos líderes políticos para matar a Jeremias (Jr 26); não obstante, alguns dos ancião saíram em sua defesa, citando a experiência de Miquéias um século antes. Aquele profeta também tinha anunciado a destruição de Jerusalém, mas Ezequias não lhe fez nenhum dano. Embora Urias, um profeta contemporâneo, foi martirizado por Jeoiaquim por predicar a mesma mensagem, a vida de Jeremias foi salva. Aicão, uma figura política proeminente, apoiou Jeremias naquela época de perigo.

Durante o quarto ano do reinado de Jeoiaquim, o rolo de Jeremias foi lido diante do rei. Enquanto Jeoiaquim escutava a mensagem do juízo, rompeu o rolo em pedaços e o lançou no fogo. Em contraste com Josias —que se arrependeu e se voltou a Deus—, Jeoiaquim ignorou e desafiou depreciativamente as proféticas advertências (Jr 36.1-32).

Jeremias demonstrou de forma impressionante a portentosa mensagem ante o povo, e anunciou que, estando sob ordens divinas, esconderia seu cinto novo numa fenda do rio Eufrates. Quando apodreceu pela ação das águas e já não servia para nada, o mostrou ao povo, dizendo que da mesma forma Jeová aniquilaria o orgulho de Judá (Jr 13.1-11).

Em outra ocasião, Jeremias conduziu os sacerdotes e ancião ao vale do Hinom, onde se ofereciam sacrifícios humanos. Destroçando uma vasilha sacrificial ante a multidão, Jeremias, corajosamente, advertiu que Jerusalém seria quebrado em cacos pelo próprio Deus. tão grande seria a destruição que inclusive aquele vale maldito seria utilizado como lugar de sepultamento. Não é de estranhar que o sacerdote Pasur detivesse a Jeremias e o encerrasse durante uma noite (Jr 19.1-20.18). embora desalentado, Jeremias foi advertido da lição aprendida na olaria, de que Deus deveria expor a Judá ao cativeiro com objeto de modelar a vasilha desejada.

O quarto ano de Jeoiaquim (605 a.C.) foi um momento crucial para Jerusalém. Na decisiva batalha de Carquemis, a princípios do verão, os egípcios foram dispersados pelos babilônicos.

Nabucodonosor tinha avançado o bastante longe dentro da Palestina do sul para reclamar tesouros e reféns em Jerusalém, sendo Daniel e seus amigos os mais notáveis entre os cativos de Judá (Dn 1.1.). embora Jeoiaquim reteve seu trono, o regresso dos babilônicos à Síria no 604, e a Ascalom no 603, e um choque com Neco nas fronteiras do Egito, em 601, frustraram qualquer tentativa de terminar com a vassalagem babilônica. Já que este encontro egípcio não foi decisivo, com ambos exércitos em retirada com fortes perdas, Jeoiaquim pôde ter tido a oportunidade de reter o tributo 272. Embora Nabucodonosor não enviou seu exército conquistador a Jerusalém durante vários anos, incitou ataques sobre Judá por quadrilhas de salteadores de caldeus, apoiados pelos moabitas, amonitas e sírios. No curso deste estado de guerra, o reinado de Jeoiaquim acabou bruscamente pela morte, deixando uma precária política antibabilônica a seu jovem filho Joaquim.

A forma em que Jeoiaquim encontrou a morte não está registrada nem no livro dos Reis nem no das Crônicas. O fato de ter queimado os pedaços do rolo de Jeremias precipitou o juízo divino contra Jeoiaquim, e seu corpo ficou exposto ao calor do sol durante o dia e à geada durante a noite, indicando que não teria um sepultamento real (Jr 36.27-32). Em outra ocasião, Jeremias predisse que Jeoiaquim teria o sepultamento de um asno e que seu corpo seria lançado fora das portas de Jerusalém (Jr 22.18-19). Já que não há um relato histórico das circunstâncias da morte de Jeoiaquim, nem sequer se menciona seu sepultamento, a conclusão é que este rei soberbo e desafiador da lei de Deus foi morto na batalha. Em tempo de guerra, resultava impossível proporcioná-lhe um sepultamento honorável.

Jeoiaquim, também conhecido por Jeconias, permaneceu somente por três meses como rei de Jerusalém. No 597, os exércitos da Babilônia rodearam a cidade. percebendo que seria inútil toda resistência, Jeoiaquim se rendeu a Nabucodonosor. Desta vez, o rei babilônico não se limitou a tomar uns quantos prisioneiros e exigir uma seguridade verbal do tributo mediante a correspondente aliança. Os babilônicos despojaram o templo e os tesouros reais. Jeoiaquim e a rainha-mãe foram tomados também como prisioneiros. Acompanhando-os a seu cativeiro da Babilônia se encontravam os oficiais do palácio, os grandes cargos da corte, artesãos e todos os líderes da comunidade. Nem sequer entre aqueles milhares estava Ezequiel. Matanias, cujo nome foi trocado por Nabucodonosor pelo de Zedequias, ficou a cargo do povo que permaneceu em Jerusalém.
Zedequias

(597-586 a.C.). Zedequias era o filho mais novo de Josias. Já que Jeoiaquim era considerado como o herdeiro legítimo ao trono de Davi, Zedequias foi considerado como um rei marionete, sujeito à soberania babilônica. após uma década de política débil e vacilante, Zedequias perdeu o direito ao governo nacional de Judá. Jerusalém foi destruída no 586.

Jeremias continuou seu fiel ministério através dos angustiosos anos daquele estado de guerra, de fome e de destruição. Tendo sido deixado com as classes mais baixas do povo em Jerusalém, Jeremias teve uma apropriada mensagem para seu auditório, baseado numa visão de dois cestos de figos (Jr 24). Os figos bons representavam os cativos que tinham sido levados ao desterro. Os maus, que nem sequer podiam ser comidos, eram as pessoas que tinham restado em Jerusalém. O cativeiro também lhes aguardava a seu devido tempo.

Jeremias escreveu cartas aos exilados da Babilônia, alentando-os a adaptar-se às condições do exílio. Não podiam esperar o retorno a Judá em setenta anos (Jr 25.11-12; 29.10).

Zedequias esteve sob pressão constante para unir-se aos egípcios numa rebelião contra a Babilônia. Quando Salmético II sucedeu a Neco (594 a.C.), Edom, Moabe, Amom e Fenícia se uniram ao Egito numa coalizão antibabilônica, criando uma crise em Judá. Com um jugo de madeira no pescoço, Jeremias anunciou dramaticamente que Nabucodonosor era o servo de Deus ao qual as nações deveriam submeter-se de boa vontade. Zedequias recebeu a certeza de que a submissão ao rei da Babilônia evitaria a destruição de Jerusalém (Jr 27) 273.

A oposição a Jeremias crescia conforme os falsos profetas aconselhavam uma rebelião.

Inclusive confundiam os cativos, dizendo-lhes que os tesouros do templo logo seriam devolvidos.

Contrariamente ao conselho de Jeremias, asseguravam aos exilados a breve volta ao lar pátrio. Um dia, Hananias tomou o jugo de Jeremias, o quebrou e anunciou publicamente que da mesma forma o jugo da Babilônia seria rompido nos seguintes dois anos. Assombrado, Jeremias continuou seu caminho. Logo voltou portador de uma mensagem de Deus. mostrou de novo o jugo, desta vez de ferro, em vez de madeira, anunciando que as nações cairiam nas garras de Nabucodonosor, onde não haveria escape. No que diz respeito a Hananias, Jeremias anunciou que morreria antes que finalizasse aquele ano, o que se cumpriu. O funeral de Hananias foi a pública confirmação de que Jeremias era o verdadeiro mensageiro de Deus.

Embora Zedequias sobreviveu à primeira crise, ajudou aos planos agressivos para a rebelião no 588, quando o novembro Faraó do Egito organizou uma expedição à Ásia. Com Amom e Judá em rebelião, Nabucodonosor rapidamente se estabeleceu em Ribla, na Síria.

Imediatamente, seu exército sitiou Jerusalém. Apesar que Zedequias não quis render-se, como Jeremias o havia aconselhado, tentou fazer o melhor em busca de uma solução favorável.

Anunciou a liberdade dos escravos, que em tempo de fome eram vantajosos para seus donos, para não ter que lhes dar rações. Quando o assedio a Jerusalém foi subitamente levantado, pois as forças da Babilônia se dirigiram para o Egito, os donos dos escravos lhe reclamaram de imediato (Jr 37). Jeremias então advertiu que os babilônicos logo retomariam seu assédio.

Um dia, enquanto se dirigia a Anatote, Jeremias foi arrestado, espancado e aprisionado com os cargos de ser partidário da Babilônia. Zedequias mandou chamá-lo e numa entrevista secreta, recebeu uma vez mais o aviso de não ouvir àqueles que favoreciam a resistência contra a Babilônia e a Nabucodonosor. Por sua própria petição, Jeremias foi devolvido à prisão, mas colocado no átrio da guarda. Quando os oficiais do palácio objetaram em contra, Zedequias deu seu consentimento de que matassem a Jeremias. Como resultado, os príncipes submergiram o fiel profeta numa cisterna, com a esperança de que pereceria na lama. A promessa de Deus de libertar a Jeremias foi cumprida quando um eunuco etíope o tirou e voltou a levá-lo ao átrio da guarda. Em pouco tempo o exército da Babilônia voltou a sitiar Jerusalém. Sem dúvida muitos dos cidadãos aceitaram o fato de que a capitulação frente a Nabucodonosor era inevitável. Nesse momento, Jeremias recebeu uma nova mensagem.

Dada a opção de comprar um campo em Anatote, Jeremias, inclusive estando encarcerado, comprou logo a propriedade e tomou especial cuidado em executar a venda legalmente. Isto representava a devolução dos exilados à terra prometida.

Numa entrevista secreta final, Zedequias escutou mais uma vez a voz suplicante de Jeremias. A obediência e a submissão eram preferíveis a qualquer outra coisa. A resistência só atrairia o desastre. Temendo que os líderes estivessem determinados a agüentar até um amargo fim, Zedequias falhou em dar seu consentimento.

No verão do ano 586, os babilônicos entraram na cidade de Jerusalém através de uma brecha aberta em suas muralhas. Zedequias tentou fugir mas foi capturado e levado a Ribla. Após a execução de seus filhos, Zedequias, o último rei de Judá, foi cegado e carregado com correntes para levá-lo à Babilônia. O grande templo salomônico, que tinha sido o orgulho e a glória de Israel por quase quatro séculos, foi reduzido a cinzas, e a cidade de Jerusalém ficou num montão de ruínas.




Compartilhe com seus amigos:
1   ...   16   17   18   19   20   21   22   23   ...   37


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal