A história de israel no antigo testamento



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Mapa 9: Império Persa



Pérsia – 539-400 a.C.

No princípio do primeiro milênio a.C., sucessivas ondas de tribos árias invadiram e se estabeleceram sobre a planície persa 325. Dois grupos surgiram eventualmente como historicamente importantes: os medos e os persas.

Sob o dinâmico governo e mandado de Ciaxares, Média se afirmou como uma ameaça da supremacia assíria durante a última metade do século VII. No 612 a.C., as forças combinadas da Média e Babilônia destruíram Nínive. O matrimônio de Nabucodonosor com a neta de Ciaxares selou esta aliança estabelecendo-se um delicado equilíbrio de poder através de todo o período da expansão babilônica e sua supremacia.
Ciro o Grande

(559-530 a.C.). Pérsia se converteu num poder internacional de primeiro nível sob Ciro o Grande 326. Chegou ao trono no 559 como vassalo da Média, tendo sob seu controle somente a Pérsia e algum território elamita conhecido com Ansham. Para ele, existiam muitos territórios para conquistar. Astiages (585-550) exerceu um governo fraco sobre o Império Medo. Babilônia era ainda muito poderosa sob Neriglisar, porém começou a mostrar sinais de decadência conforme Nabônido descuidou os assuntos do estado para dedicar seu tempo à restauração do culto à lua em Harã. Lídia, no longínquo oeste, tinha-se aliado com a Média, enquanto que Amassis, do Egito, estava nominalmente sob o controle da Babilônia.

Já em época precoce de seu reinado, Ciro consolidou as tribos persas sob seu mandado.

Depois realizou um pacto com Babilônia contra a Média. Quando Astiages, o governante dos medos, tratou de suprimir a revolta, seu próprio exército se rebelou e fez que seu rei se voltasse para Ciro. Como resultado de sua subjugação à Pérsia, os medos continuaram jogando um importante papel (ver Ester 1.19; Dn 5.28, etc.).

Desde o oeste, Creso, o famoso rei transbordante de riqueza da Lídia, cruzou o rio Halys para desafiar o poderio persa. Atravessando a Babilônia na primavera do 547, Ciro avançou ao longo do Tigre e cruzou o Eufrates na Capadócia. Quando Creso declinou as ofertas conciliatórias de Ciro, os dois exércitos se enfrentaram numa batalha decisiva, aproximando-se o inverno, Creso retirou seu exército e se dirigiu a sua capital em Sardis com uma força protetora mínima.

Antecipando que Ciro o atacaria na seguinte primavera, solicitou ajuda da Babilônia, o Egito e a Grécia. Num movimento surpresa, Ciro se dirigiu imediatamente sobre Sardis. Creso dispunha de uma cavalaria superior, porém lhe faltava infantaria para resistir o ataque. Ciro, astutamente, colocou camelos na frente de suas tropas. Assim que os cavalos lídios cheiraram o fedor dos camelos, foram atacados pelo terror e ficaram ingovernáveis. Por esta causa, os persas ganharam a vantagem da surpresa e dispersaram o inimigo. Assegurando-se Sardis e Mileto, Ciro resolveu seu encontro com os gregos na fronteira ocidental e se voltou para o leste, a fim de conquistar outras terras 327. No leste, Ciro marchou vitoriosamente com Estados Unidos exércitos pelos rios Oxus e Jaxartes, reclamando o território sogdiano e expandindo a soberania persa até as fronteiras da Índia 328. Antes de voltar à Pérsia, tinha duplicado a extensão de seu império.

A seguinte empresa de Ciro foi dirigir-se às ricas e férteis planícies da Babilônia, onde uma população insatisfeita com as reformas de Nabônido estava disposta a dar as boas-vindas ao conquistador. Ciro pressentiu que o momento estava maduro para a invasão e não perdeu o tempo em conduzir suas tropas através das montanhas, aproveitando seus passos, e evitando os aluviões. Conforme várias importantes cidades, tais como Ur, Larsa, Ereque e Quis apoiavam a conquista persa, Nabônido resgatou os deuses locais e os levou para salvaguardá-los à grande cidade da Babilônia, que achava fosse inexpugnável. Porém, os babilônicos se retiraram diante do avanço do invasor. Em pouco tempo, Ciro se estabelecia como o rei da Babilônia.

Na Babilônia, Ciro foi aclamado como o grande libertador. Os deuses que tinham sido tomados das cidades circundantes foram devolvidos a seus templos locais. Não só reconheceu Ciro a Merodaque como o deus que o havia entronizado como rei da Babilônia, senão que permaneceu ali durante vários meses, para celebrar o festival do Ano Novo 329. Aquilo foi uma excelente estratégica política para assegurar-se o apoio popular, conforme assumia o controle do vasto Império Babilônico, estendendo-se ao oeste através da Síria e da Palestina até as fronteiras do Egito.

Os assírios e babilônicos foram notórios por sua política de levar povos conquistados a territórios estrangeiros. A conseqüência de semelhante política distinguiu a Ciro como um conquistador ao qual se davam as boas-vindas. Alentou aos povos desarraigados a que voltassem a seus países de origem e a que restabelecessem os deuses em seus templos 330. Os judeus, cuja cidade capital e cujo templo ainda jaziam em ruínas, se encontraram entre aqueles aos que beneficiou a benevolência de Ciro.

No 530, Ciro conduziu seu exército até a fronteira do norte. Enquanto invadia o país existente além do rio Araxes, ao oeste do Mar Cáspio, foi mortalmente ferido na batalha.

Cambisses levou o corpo de seu pai a Passargade, a capital da Pérsia, para dar-lhe um adequado sepultamento.

O túmulo que Ciro tinha construído para si mesmo, estava sobre uma plataforma de uma elevação de 5 m, com seis degraus que conduziam a um pavimento retangular de 13 por 15 m 331. Ali foi depositado, num sarcófago de ouro, descansando numa mortalha de ouro lavrado. Ornamentos adequadamente elaborados, jóias custosas, uma espada persa e tapetes da Babilônia e outros luxuosos adornos foram cuidadosamente colocados no lugar do eterno descanso daquele que tinha sido criador de um grande império. Rodeando o pavimento, existia um canal, e além, uns belíssimos jardins. Uma guarda real montava vigilância perto de seu túmulo. A cada mês se sacrificava um cavalo ao distinguido herói. Dois séculos mais tarde, quando Alexandre Magno descobriu que os vândalos tinham rapinado o túmulo, ordenou a restauração do corpo, assim como dos outros tesouros 332. Ainda hoje, o túmulo vazio é testemunha da grandeza de Ciro, que ganhou para a Pérsia seu império, embora eventualmente foi saqueado o lugar do eterno repouso que o grande Ciro tinha preparado tão elaboradamente.


Cambisses

(530-522 a.C.). Quando Ciro abandonou a Babilônia no 538 a.C., nomeou a seu filho Cambisses para representar o rei persa nas reais procissões do Ano Novo. Devidamente reconhecido por Merodaque, Nebo e Bel, e retendo aos oficiais e dignitários da Babilônia, Cambisses ficou bem estabelecido na Babilônia com seu quartel geral em Sipar.

Com a súbita morte de Ciro em 530, Cambisses se confirmou a si mesmo rei da Pérsia.

Após ter recebido o reconhecimento de várias províncias que seu pai tinha submetido ao poder do trono, Cambisses voltou sua atenção à conquista do Egito, que ainda ficava além dos laços do império.

Amassis fazia anos que se havia antecipados aos sonhos imperialistas da Pérsia. No 547 pôde que tivesse uma aliança com Creso. Ele também fez amizades e buscou uma coalizão com os gregos.

Em seu caminho para o Egito, Cambisses acampou em Gaza, onde adquiriu camelos nabateanos 333 para a marcha de 88 km através do deserto. Dois homens que traíram a Amassis se uniram ao grupo do conquistador. Fanes, um chefe mercenário grego, desertou do Faraó e proporcionou a Cambisses uma importante informação militar. Polícrates de Samos quebrou sua aliança com Amassis para ajudar a Cambisses com tropas gregas e com barcos.

Ao chegar ao Delta do Nilo, soube que o velho Amassis tinha morrido. O novo Faraó, Samtik III, filho de Amassis, enfrentou os invasores com mercenários gregos e soldados egípcios. Na batalha de Pelusium (525 a.C.), os egípcios foram definitivamente derrotados pelos persas. Embora Samtik tentou cobrir-se na cidade de Mênfis, foi incapaz de escapar de sues perseguidores. Cambisses concedeu um tratamento favorável ao rei, porém mais tarde Samtik tentou uma rebelião e foi executado. O invasor vitorioso se apropriou dos títulos do reinado egípcio e fez que se inscrevesse seu nome nos monumentos dedicados ao farão.

Nos seguintes anos, Cambisses cultivou a amizade com os gregos, com o objeto de promover o lucrativo comércio que tinham com o Egito. Esta ação estendeu a dominação persa sobre o mais avançado e o mais rico do mundo grego 334. Cambisses também tratou de expandir seu domínio pelo oeste até Cartago e ao sul da Núbia e a Etiópia, a base de forças militares, porém neste propósito fracassou por completo.

Deixando o Egito sob o mando de Ariandes como sátrapa, Cambisses empreendeu o regresso à Pérsia. Perto de monte Carmelo, lhe chegaram notícias de que um usurpador, de nome Gaumata, tinha-se apoderado do trono da Pérsia. A afirmação de Gaumata de ser Emerdis, outro filho de Ciro a quem Cambisses tinha previamente executado 335, perturbou tão grandemente a Cambisses que se suicidou. Por oito meses, Gaumata susteve as rédeas do reino e do governo.

O fim de seu curto reinado precipitou as revoltas em várias províncias.


Dario I

(522-486 a.C.). Dario I, também conhecido como Dario o Grande, salvou o Império Persa naquele tempo de crise. Tendo servido no exército sob o mando de Ciro, se converteu no braço direito de Cambisses no Egito. Quando o reinado deste último terminou bruscamente no caminho do Egito para a Pérsia, Dario se precipitou para o leste. Executou a Gaumata em setembro do 522 a.C. e se firmou no trono. Três meses mais tarde, a Babilônia rebelada ficou sob seu domínio 336. Após dois anos de dura luta, dissipou toda oposição na Armênia e na Média.

Dario voltou ao Egito como rei no 519-18 337. Não é conhecido o contato que teve com os judeus estabelecidos em Jerusalém. No princípio de seu reinado, garantiu a permissão para a construção do templo (Esdras 6.1; Ageu 1.1). Já que foi completado no 515 a.C., parece razoável assumir que o avanço persa através da Palestina não afetou a situação dos assuntos de Jerusalém 338. No Egito, Dario ocupou Mênfis sem muita oposição e reinstalou a Ariandes como sátrapa.

No 523, Dario pessoalmente marchou com seus exércitos para o oeste, através do Bósforo e do Danúbio, para encontrar-se com os escitas, que vinham das estepes da Rússia 339. Esta aventura não teve êxito; contudo, retornou para agregar a Trácia a seu império, permanecendo um ano em Sardis. Isto iniciou uma série de compromissos com os gregos. O controle persa das colônias gregas deu lugar a um conflito que finalmente se converteu num desastre para os persas. O avanço para o oeste dos persas foi bruscamente detido numa crucial derrota em Maratona, no 490 a.C.

Dario tinha conseguido êxitos suprimindo rebeliões, porém onde foi mesmo um gênio, foi na administração. O demonstrou organizando seu vasto império em vinte satrapados 340. Para reforçar o império interiormente, promulgou leis no nome de Auramazda, o deus zoroástrico simbolizado pelo disco alado. Dario intitulou seu livro de leis "A Ordenança das Boas Normativas". Seus estatutos mostram a dependência da anterior codificação mesopotâmica, especialmente a de Hamurabi 341. Para a distribuição a seu povo, as leis foram escritas em aramaico e em pergaminho.

Um século mais tarde, Platão reconheceu a Dario como o maior legislador da Pérsia.

Um excepcional talento para a arquitetura, estimulou a Dario a empreender a construção de grandes e suntuosos edifícios nas cidades capitais e outras partes. Acmeta, que tinha sido a capital meda em tempos passados, se converteu então no lugar favorito real de verão, enquanto que Susã serviu por eleição como residência de inverno.

Persépole, a 40 km ao sudoeste de Passargade, foi convertida na cidade mais importante de todo o Império Persa. Dario preparou um túmulo na rocha, elaboradamente construído para si mesmo, num precipício perto de Persépole. Na distante terra do Egito, promoveu a construção de um canal entre o Mar Vermelho e o rei Nilo 342.

Susã, a 97 km para o norte da desembocadura do Tigre, foi centralizada para propósitos administrativos. A planície entre Coaspes e Ulai, rios do império, se converteu numa rica e fecunda zona de produção de frutas, por meio de um eficaz sistema de canais. O elaborado palácio real, começado por Dario e embelezado por seus sucessores, foi o maior monumento persa daquela cidade. de acordo com uma inscrição feita por Dario, este palácio foi enfeitado com cedros do Líbano, marfim da Índia e prata do Egito 343. Ainda há hoje restos desta estrutura, embora sejam pouco mais que alguns bosquejos de pátios e pavimentos. A causa do excessivo calor do verão, Susã não era o lugar ideal para uma capital permanente.

Persépole, a primeira cidade do Império Persa, era a mais impressionante das capitais.

O palácio de Dario, o Taxara, foi começado por ele, apesar de ter sido ampliado e completado por seus sucessores. As colunas desta tremenda estrutura ainda nos proporcionam o testemunho da arte e da construção dos persas 344. Persépole estava estrategicamente fortificada por uma tripla defesa. Na cristã da "montanha da Misericórdia", sobre a qual foi construída esta grande capital, havia uma fileira de muralhas e de torres. Ales delas, estava a imensa planície conhecida atualmente como Marv Dasht.

A mais notável entre as inscrições persas é o monumento de rocha lavrada perto de Bisitum. O grande relevo, representando a vitória de Dario sobre os rebeldes, está suplementado por três inscrições cuneiformes em persa antigo, acádio ou babilônico, e elamita. Devido a que o painel da vitória foi talhado sobre a superfície de um precipício de 152 mas por acima da planície, com somente uma estreita borda embaixo dele, a inscrição tem permanecido sem ser lida por mais de dois milênios. Em 1835, Sir Henry C. Rawlinson copiou e descifrou este registro, assegurando aos modernos eruditos a clave para descifrar a linhagem babilônica, e incrementando a compreensão do persa 345. Uma cópia aramaica desta inscrição entre os papiros descobertos em Elefantina, no Egito, indica que foi amplamente difundida entre o Império Persa.


Xerxes

(486-465 a.C.). Xerxes foi o herdeiro eleito para o trono persa quando morreu Dario, no ano 486 a.C.

durante doze anos tinha servido como vice-rei na Babilônia sob o governo de seu pai. Quando se encarregou do Império, se encontrou com projetos de edifícios sem terminar, reformas religiosas e rebeliões em várias partes do domínio, que esperavam sua atenção.

Entre as cidades em rebelião que receberam severo castigo sob o mando de Xerxes, estava Babilônia. Ali, no 482 a.C., as fortificações erigidas por Nabucodonosor foram destruídas, o templo de Esagila foi desfeito e a estatua maciça de ouro de Merodaque, de 363 kg de peso, foi tirada de seu lugar e fundida em lingotes. Babilônia perdeu sua identificação ao ser incorporada com a Assíria 346. Embora vitalmente interessado em continuar o programa de construções de Persépole, Xerxes condescendeu aos insistentes conselhos de seus assessores e contra seu gosto dirigiu seus esforços e energias à expansão da fronteira noroeste. À cabeça daquele enorme exército persa avançou para a Grécia com o apoio de sua armada naval composta de unidades fenícias, gregas e egípcias. O exército sofreu reveses nas Termópilas, a frota foi derrotada em salarais, e finalmente os persas foram decisivamente desagregados em Platéia e no cabo Micale.

Em 479, Xerxes se retirou à Pérsia, abandonando a conquista da Grécia.

Em seu país, Xerxes acabou com seu programa de construções. Em Persépole completou o Apadana, onde treze dos 72 pilares que sustentavam o teto daquele espaçoso auditório ainda continuam em pé. Na escultura, Xerxes desenvolveu o melhor da arte persa. Isto ficou evidenciado ao decorar a escadaria do Apadana com figuras esculpidas dos guardas de Susã e da Pérsia.

Embora Xerxes foi inferior como líder militar e será sempre lembrado pela sua derrota na Grécia, superou aos seus antecessores como construtor. Deve-se lhe conceder o crédito de que Persépole se convertesse na mais sobressalente cidade dos reis persas, especialmente pela escultura e a arquitetura.

No 465 a.C., Xerxes foi assassinado por Artabano, o chefe da guarda do palácio. foi sepultado no túmulo entalhado na rocha que tinha escavado perto do de Dario o Grande.


Artaxerxes I

(464-425 a.C.). Com o apoio do assassino Artabano, Artaxerxes Longímano ocupou do trono de seu pai. Após fazer desaparecer a outros aspirantes ao trono, suprimiu com êxito diversas rebeliões no Egito (460 a.C.) e uma revolta na Síria (448). Os atenienses negociaram um tratado com ele, mediante o qual ambas partes convieram em manter um status quo. Durante seu reinado, Esdras e Neemias marcharam a Jerusalém com a aprovação do rei para ajudar os judeus.

a dinastia caiu em declive sob os reis seguintes: Dario II (423-404 a.C.) e Artaxerxes II (404-359 a.C.). Artaxerxes III (359-338 a.C.) deu lugar a um ressurgir da unidade e da força do império, porém o fim estava preste a chegar. Durante o governo de Dario III, Alexandre Magno, com táticas militares superiores, desfez o poderio do exército persa (331) e incorporou o Próximo Oriente a seu reino.
Condições do exílio e esperanças proféticas

Os últimos dois séculos dos tempos do Antigo Testamento, representam uma era de condições de exílio para a maior parte de Israel. Durante a conquista por Nabucodonosor, muitos israelitas cativos foram levados à Babilônia. Após a destruição de Jerusalém, outros judeus emigraram ao Egito. Embora alguns dos exilados voltaram da Babilônia após o ano 539 a.C., para restabelecer um estado judeu em Jerusalém, nunca tornaram a ganhar a posição de independência e de reconhecimento internacional que Israel teve uma vez sob o governo de Davi.

A transição desde um estado nacional ao exílio da Babilônia foi gradual para o povo de Judá. Pelo menos quatro vezes durante os dias de Nabucodonosor houve cativos de Jerusalém que foram levados à Babilônia.

De acordo com Beroso, o rei babilônico Nabopolassar enviou a seu filho Nabucodonosor, no 605 a.C., para suprimir a rebelião no oeste 347. Durante esta campanha, o último recebeu notícias da morte de seu pai. Deixando os cativos de Judá, Fenícia e Síria com seu exército, Nabucodonosor se deu pressa em voltar para estabelecer-se no trono da Babilônia. A evidência bíblica (Dn 1.1) data o acontecido no terceiro ano de Jeoiaquim,que continuou como governante de Jerusalém por oito anos mais após a crise 348. A extensão de seu cativeiro não está indicada, mas Daniel e seus amigos estão entre a família real e a nobreza, tomada em cativeiro e levada ao exílio naquele tempo. daqueles cativos israelitas, jovens procedentes do Israel foram levados à corte para serem treinados para o serviço do rei. Algumas das experiências de Daniel e seus colegas na corte da Babilônia são bem conhecidas nos relatos do livro de Daniel 1-5.

A segunda invasão babilônica de Judá aconteceu no 597 a.C. Esta foi a mais crucial para o Reino do Sul. Ao reter o tributo da Babilônia, Jeoiaquim invocou um estado de calamidade. Devido a que Nabucodonosor estava ocupado em outros lugares, incitou os estados circundantes a atacar Jerusalém. Aparentemente, Jeoiaquim foi morto durante um destes ataques, deixando o trono de Davi ao jovem de dezoito anos, filho seu, Joaquim. O reinado deste último, de três meses, foi bruscamente terminado quando se rendeu aos exércitos da Babilônia (2 Rs 24.10-17).

Fontes babilônicas confirmam que esta invasão teve lugar no mês de março do 597 a.C. 349 As cartas de Laquis igualmente indicam uma invasão judaica por aquele tempo 350. Não só o rei foi tomado cativo, senão que com ele foram milhares de pessoas importantes de Jerusalém, tais como artesãos, ferreiros, oficiais chefes, príncipes e homens de guerra. Zedequias, um tio de Joaquim, foi deixado para governar as classes mais pobres do que restava do país.

O cativeiro do rei Joaquim não impediu aos cidadãos de Judá, assim como aos exilados, de considerá-lo como seu legítimo rei. Cerâmicas estampadas escavadas na antiga Debir e em Bete-Semes em 1928-30, indicam que o povo conservava suas propriedades no nome de Joaquim, inclusive durante o reino de Zedequias 351. Textos cuneiformes descobertos na Babilônia se referem a Joaquim como o rei de Judá 352. Quando Jerusalém foi destruída mais tarde, os filhos de Joaquim tiveram rações designadas sob a supervisão real e, contudo, os filhos de Zedequias foram todos mortos. Embora Jerusalém reteve um esboço de governo por outros onze anos, o cativeiro do 597 teve um efeito devastador sobre Judá.

No 586 o país sofreu o broto de outra nova invasão, com mais drásticos resultados.

Jerusalém, com seu templo, foi destruída. Judá deixou de existir como estado nacional. Com Jerusalém em ruínas, a capital foi abandonada pelas gentes que permaneceram no país. Sob a liderança de Gedalias, que tinha sido nomeado governador de Judá por Nabucodonosor, o restante regressou a Mispá (2 Rs 25.22; Jr 30.14). Poucos meses depois, Gedalias foi assassinado por Ismael, e o desalentado grupo dos que restavam emigrou ao Egito. Por aquele caminho empoeirado caminhou com eles Jeremias, o profeta.

Uma quarta deportação se menciona em Jeremias 52.30. Josefo 353 informa que foram tomados cativos mais judeus, e levados à Babilônia no 582 a.C., quando Nabucodonosor subjugou o Egito.

De acordo com Beroso, as colônias judaicas receberam adequado estabelecimento por toda a Babilônia, segundo o prescrito por Nabucodonosor. O rio Quebar, perto do qual o profeta Ezequiel teve sua primeira visão e seu chamamento profético (Ez 1.1), tem sido identificado como o Nari Kabari, o canal existente perto da Babilônia 354. Tel-Abibe (Ez 3.15), outro centro de cativeiro, presumivelmente estava na mesma vizinhança.

Nabucodonosor dedicou seu interesse a embelezar a cidade de Babilônia, até tal extremo, que os gregos reconheceram nela uma das maravilhas do mundo antigo. não há razão para duvidar que os judeus cativos foram designados aos trabalhos da grande capital 355. Os textos Weider mencionam nomes judeus junto àqueles destros trabalhadores procedentes de outros estados, que foram utilizados por Nabucodonosor numa empresa de êxito, ao tentar fazer de sua capital a mais impressionante que qualquer das que se haviam visto na Assíria 356. Desta forma, o rei babilônico fez um inteligente uso dos artesãos, especialistas e trabalhadores hábeis e destros e, mais tarde, pelos persas.

As redondezas da Babilônia puderam, no princípio, ter sido o centro dos estabelecimentos judeus; porém os cativos se estenderam por todo o império, ao ser-lhes concedida mais liberdade, primeiro pelos babilônicos, e depois pelos persas.

As escavações em Nipur mostraram tabuinhas contendo nomes comuns ao registro de Esdras e Neemias, indicando que uma colônia judaica existia ali no exílio 357. Nipur, a 97 km ao sudeste da Babilônia, continuou como uma comunidade judaica até sua destruição, aproximadamente por volta do 900 a.C. 358 Outros lugares citados como comunidades judaicas são Tel-Melá e Tel-Harsa (Ne 7.61), Aava e Casifia (Ed 8.15,17). Além delas, Josefo menciona Neerda e Nissibis, situadas em algum lugar no curso do Eufrates (Antiquities 18:9).

A ansiedade por voltar ao lar pátrio invadiu os exilados, sendo uma realidade enquanto que o governo de Jerusalém permaneceu intacto. Falsos profetas semearam um espírito de revolta na Babilônia, com o resultado de que os rebeldes pereceram a mãos dos satélites de Nabucodonosor (Jr 29). Pouco depois do cativeiro, no 597, Hananias predisse que em dois anos os judeus quebrariam o jugo da Babilônia (Jr 28). Ezequiel, nesta época, também encontrou instigadores à insurgência (Ez 13). Jeremias, que era bem conhecido para os cativos a causa de seu longo ministério em Jerusalém, escreveu cartas avisando-os para que se estabelecessem na Babilônia, construíssem casas e semeassem vinhedos, e fizessem planos para permanecer 70 anos em período de cativeiro (Jr 29).

Quando as esperanças de um imediato retorno se desvaneceram com a queda e destruição de Jerusalém no 586, os judeus no exílio se resignaram ao longo cativeiro que Jeremias tinha predito. Nomes babilônicos tais como Imer e Querube (Ne 7.61) sugeriram a Albright que os judeus adotaram uma vida pastoril e de trabalhos na agricultura nas férteis planícies do curso do Eufrates 359. Os judeus também se misturaram em empresas comerciais por todo o império. Informes do século V indicam que se haviam tornado muito ativos nos negócios e no comércio, centrado todo isso em Nipur 360. Lingüisticamente, a média dos judeus deveu encarar-se com um novo problema. Inclusive com anterioridade à época de Senaqueribe, as tribos aramaicas tinham-se infiltrado na Babilônia, e eventualmente se converteram no elemento predominante na população, pelo que o aramaico chegou a ser a linguagem de uso comum 361. A começos do século VII era a linguagem da diplomacia internacional dos assírios (2 Rs 18.17-27) 362. Embora esta transição a uma nova língua criou um problema lingüístico para a maior parte dos judeus, é muito provável que muitos falassem o aramaico; de fato, alguns talvez já tivessem estudado aramaico em Jerusalém. Além disso, os israelitas procedentes do Reino do Norte, que já estavam na Babilônia, sem dúvida se expressavam com tanta fluidez em hebraico como em aramaico.

Ainda que as referências sejam limitadas, a evidência disponível revela que os cativos receberam um tratamento favorável. Jeremias dirigiu sua correspondência aos "anciãos do cativeiro" (Jr 29.1). Ezequiel se reunia com os "anciãos de Judá" (8.1), indicando que estavam em liberdade para organizar-se em questões religiosas. Em outras ocasiões, os "anciãos de Israel" iam ver a Ezequiel (14.1 e 20.1) 363. Ezequiel aparentemente gozava de liberdade para executar um amplo ministério entre os cativos. Estava casado e vivia em seu próprio lar e discutia livremente matérias religiosas com os anciãos, quando os encontrava o iam a visitá-lo a sua casa. Mediante atos simbólicos em público, Ezequiel discutia o estado político e a condenação do Reino do Sul, até que Jerusalém foi destruído no 586. Depois daqueles, continuou alentando seu povo com as esperanças e projetos de restaurar o trono de Davi.

A experiência de Daniel e de seus colegas, igualmente evidencia o tratamento acordado aos cativos procedentes de Judá. Dos primeiros cativos tomados no 605 a.C., os jovens foram selecionados entre a nobreza e a família real de Judá, para a educação e o treinamento da corte da Babilônia (Dn 1.1-7). Mediante a oportunidade de interpretar o sonho de Nabucodonosor, Daniel chegou à posição de chefe entre os homens sábios da Babilônia.

A seu pedido, seus três amigos foram também ascendidos a importantes posições na província da Babilônia. Ao longo de todo o reinado de Nabucodonosor, Daniel e seus amigos ganharam mais que mais prestígio através das crises registradas no livro de Daniel. É razoável presumir que outros cativos, do mesmo modo, foram premiados e lhes confiaram postos de responsabilidade na corte da Babilônia. Daniel foi nomeado segundo no mando, durante a co-regência de Belsazar e Nabônido 364. Após a queda da Babilônia, no 539 a.C., Daniel continuou com seu distinguido serviço de governo sob o mando de Dario, o medo, e de Ciro, o persa.

O tratamento que lhes foi dado a Joaquim e a seus filhos fala igualmente do cuidado benfeitor previsto para alguns judeus cativos 365. Joaquim teve seus próprios criados com adequadas provisões subministradas para toda sua família, inclusive enquanto não foi oficialmente colocado em liberdade da prisão até o 562, na morte de Nabucodonosor (2 Rs 25.27-30).

A lista de outros homens de Judá nessas tábuas indica que o bom tratamento e o outorgamento de tais provisões não ficaram limitados aos membros da família real.

A sorte de Ester na corte persa de Xerxes I tipifica o tratamento acordado aos judeus por seus novos senhores. Neemias foi outro que serviu na corte real. Mediante seu contato pessoal com Artaxerxes teve a oportunidade de aumentar o bem-estar daqueles que haviam regressado a reconstruir Jerusalém.

Whitley, com justificação, duvida das descrições de alguns escritores, que mencionam os judeus cativos na Babilônia como sujeitos ao sofrimento e a opressão 366. Ewald baseou suas conclusões tomando como base pedaços selecionados de Isaias, Is Salmos e as Lamentações, afirmando que as condições se fizeram gradualmente piores para os judeus cativos 367. A evidência histórica parece não ter sustento para a idéia de que os judeus cativos fossem maltratados fisicamente, ou suprimidos em suas atividades cívicas ou religiosas, durante a época da supremacia babilônica 368. A limitada evidência que se extrai das fontes bíblicas ou arqueológicas, apóiam a afirmação de George Adam Smith de que a condição dos judeus foi honorável e sem excessivos sofrimentos 369. Os exilados de Jerusalém, que foram cientes das razões para seu cativeiro, devem ter experimentado um profundo sentido da humilhação e de angústia de espírito.

Durante quarenta anos, Jeremias tinha advertido fielmente aos seus concidadãos do juízo pendente de Deus: Jerusalém seria devastada de forma tal que qualquer transeunte se horrorizaria de sua vista (Jr 19.8). A despeito de seus adversários, eles haviam confiado que Deus não permitiria que seu templo fosse destruído. Como custódios da lei, aquele povo não acreditou nunca que teriam de ir ao cativeiro. Então, em comparação com a glória de Salomão e sua fama e glória internacional, do grande rei de Jerusalém, e ante suas ruínas, muitos liberaram sua vergonha e sua tristeza. O livro das Lamentações deplora vividamente o fato de que Jerusalém tivesse acabado como um espetáculo internacional. Daniel reconheceu em sua oração que seu povo se tinha convertido numa repreensão e num objeto de zombaria entre as nações (Dn 9.16). Tal sofrimento foi mais pesado para os cativos, aos que importava o futuro de Israel, que qualquer sofrimento físico que tivessem de suportar na terra do exílio.

Tanto Jeremias como Ezequiel predisseram que Deus restauraria os judeus em sua própria terra.

Outra fonte de consolo e de esperança para os exilados, foi a mensagem de Isaias. Em seus escritos, tinha predito o exílio da Babilônia (Is 39.6), e também assegurou que voltariam baixo o mandado de Ciro (Is 44.28). Começando com o capítulo 40, o profeta elabora uma mensagem alentadora que já havia declarado em capítulos anteriores. Deus era onipotente. Todas as nações estavam sob seu controle. Deus utilizava as nações e seus ra para levar o juízo sobre Israel, e de igual modo poderia utilizá-los para restaurar a sorte de seu povo. A aparição de Ciro, como rei da Pérsia, deve ter feito surgir as esperanças dos exiladas que exercitaram sua fé na mensagem pressagiada dos profetas.







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