A história de israel no antigo testamento



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Mapa 10: Palestina depois do Exílio – cerca de 450 ac






• Capítulo 16: A boa mão de Deus

Com a crise internacional do 539 a.C., mediante a qual a Pérsia ganhou a supremacia sobre a Babilônia, deu a oportunidade aos judeus para voltar a estabelecer-se em Jerusalém. Porém na época, muitos dos exilados estavam tão confortavelmente situados junto às águas da Babilônia, que ignoraram o decreto que lhes permitia retornar à Palestina. Conseqüentemente, a terra do exílio continuou sendo o lar dos judeus para as gerações que haveriam de vir.

As fontes bíblicas tratam em primeiro lugar com os exilados que retornaram a seu lar pátrio. As memórias de Esdras e Neemias, embora breves e seletivas, apresentam os fatos essenciais que concernem ao bem-estar do restaurado estado judeu em Jerusalém. Ester, o único livro do Antigo Testamento dedicado em exclusividade aos que não voltaram, também pertence a este período. Com objeto de manter uma seqüência histórica, o presente estudo trata a história de Ester junto com Esdras e Neemias. Cronologicamente, esta matéria se divide em quatro períodos:

1) Jerusalém restabelecida Esdras 1-6 (por volta de 539-515 a.C.)

2) Ester a rainha Ester 1-10 (por volta de 483)

3) Esdras o reformador Esdras 7-10 (por volta de 457)

4) Neemias o governador Neemias 1.13 (por volta de 444)
Jerusalém restabelecida

De face à oposição e aos sofrimentos da Judéia, os judeus que voltaram não estiveram logo em condições imediatamente de completar a construção do templo. Aproximadamente vinte e três anos se passaram antes que lograssem seu primeiro objetivo. O relato, segundo dado em Esdras, pode ser convenientemente subdividido como se segue:


I. Retorno da Babilônia a Jerusalém Ed 1.1-2-70

O édito de Ciro Ed 1.1-4

A preparação Ed 1.5-11

A lista de emigrantes Ed 2.1-70



II. O estabelecimento em Jerusalém Ed 3.1-4.24

A ereção do altar: o culto instituído Ed 3.1-3

A observância das Festas do Tabernáculo Ed 3.4-7

A colocação dos fundamentos do Templo Ed 3.8-13

Terminação da construção Ed 4.1-24

(Oposição em tempos posteriores) Ed 4.6-23



III. O novo Templo Ed 5.1-6.22

Os líderes entram em ação Ed 5.1-2

Chamamento a Dario Ed 5.3-17

O decreto real Ed 6.1-12

O Templo completado Ed 6.13-15

O Templo dedicado Ed 6.16-18

Instituição das Festas Ed 6.19-22
O retorno da Babilônia

Quando Ciro entrou na cidade da Babilônia no 539, afirmou que tinha sido enviado por Merodaque, o chefe dos deuses babilônicos, quem buscava um príncipe justo 370. Conseqüentemente, a ocupação da Babilônia aconteceu sem nenhuma batalha, nem a destruição da cidade.

Imediatamente, Ciro anunciou uma política que era o reverso exato da prática brutal de deslocar os povos conquistados. Começando por Tiglate-Pileser III (745), os reis assírios tinham aterrorizado as nações subjugadas, trasladando as gentes a terras distantes. Portanto, os babilônicos tinham seguido o exemplo assírio. Ciro, por outra parte, proclamou publicamente que o povo trasladado podia voltar ao seu lar pátrio e render culto a seus deuses em seus próprios santuários 371.

Existem cópias da proclama de Ciro para os judeus, que estão preservadas no livro de Esdras. O primeiro relato (1.2-4) está em hebraico, enquanto que o segundo (6.3-5), está redigido em aramaico. Um estudo recente revela que o último representa um "dikrona", um termo oficial aramaico que denota um decreto real oral dado por um governante 372. Isto não se fazia com a intenção de ser publicado, senão que servia como um memorando para que o oficial apropriado iniciasse uma ação legal. Esdras 6.2 indica que a cópia aramaica estava guardada nos arquivos do governo em Acmeta, a residência de verão de Ciro no 539 a.C.

O documento hebraico foi destinado aos israelitas no exílio. Nas comunidades judaicas por todo o império, foi verbalmente anunciado em idioma hebraico. Adaptando-o a sua religião, o rei persa afirmou que ele estava comissionado pelo senhor Deus dos céus para construir um templo em Jerusalém. De acordo com isso, permitiu aos judeus que voltassem ao país de Judá. Alentou àqueles que permaneceram, a fim de ajudarem os emigrantes com oferendas de ouro, prata, animais e outros fornecimentos para o restabelecimento do templo de Jerusalém. Inclusive Ciro, assim como tinha rendido reconhecimento a Merodaque quando entrou na Babilônia, naquela ocasião Quis prestar reconhecimento ao Deus dos judeus.

Embora isto pôde ter sido somente uma questão de manobra política de sua parte, contudo cumpriu a predição de Isaias de que, depois do exílio, Deus utilizaria a Ciro para que os judeus voltassem a seu lar pátrio (Is 45.1-4).

Em resposta a esta proclama, milhares de exilados prepararam o retorno. Ciro ordenou a seu tesoureiro que devolvesse aos judeus todo o que Nabucodonosor tinha tomado de Jerusalém 373. O tesouro, especialmente consistente nos vasos sagrados de Jerusalém, foi confiado a Sesbazar, um príncipe de Judá, para transportá-lo 374. Únicos entre todas as nações, os judeus não tinham nenhuma estatua de seu Deus para ser restaurada, embora esta provisão fica incluída no decreto de Ciro, a tal efeito375. A arca da aliança, que era o objeto mais sagrado de Israel, entre seus pertences, dever, sem dúvida, ter-se perdido na destruição de Jerusalém. Com a aprovação e o apoio do rei da Pérsia, os exilados fizeram com êxito o longo e difícil caminho rumo a Jerusalém, sempre com a idéia de reconstruir o templo, que tinha permanecido em ruínas por quase cinqüenta anos. Embora não se saiba com certeza a data deste retorno, deve ter acontecido, muito verossimilmente, no 538 a.C., ou possivelmente no ano seguinte.

De acordo com o registrado por Esdras, 50.000 exilados aproximadamente retornaram a Jerusalém 376. Dos onze chefes mencionados, Zorobabel e Josué aparecem como os mais ativos em guiar o povo em sua tentativa de restaurar a ordem, naquelas caóticas condições. O primeiro, sendo o neto de Joaquim, representava a casa de Davi na liderança política. O último serviu como sumo sacerdote oficiando em questões religiosas.


O estabelecimento em Jerusalém

Por volta do sétimo mês do ano de seu retorno, o povo estava suficientemente bem assentado nas redondezas de Jerusalém, como para reunir-se em massa e construir o altar do Deus de Israel, e restabelecer os sacrifícios de fogo, tal como estava prescrito por Moisés (Êx 29.38ss). No décimo quinto dia desse mês, observaram a Festa dos Tabernáculos de acordo com os requerimentos escritos (Lv 23.34ss). Com aquelas impressionantes festividades, se restaurou o culto em Jerusalém, de forma tal que a lua nova e outras festas se seguiram a seu devido tempo e na época propícia. Com a restauração do culto, o povo proporcionou dinheiro e alimento para os pedreiros e marceneiros, que negociaram com os fenícios, a fim de obter materiais de construção de acordo com a permissão outorgada por Ciro.

A construção do tempo começou no segundo mês do seguinte ano, sob a supervisão de Zorobabel e Josué. Os levitas de vinte anos e mais velhos, serviram como capatazes. Os fundamentos do templo foram colocados durante uma apropriada cerimônia com os sacerdotes vestidos com adequados ornamentos e soando as trombetas. Segundo as diretivas dadas por Davi, rei de Israel, os filhos de Asafe ofereceram louvores acompanhados por címbalos.

Aparentemente houve um canto de antífonas 377, onde um coro cantava "Louvai a Deus porque é bom", enquanto que outro respondia com "E sua misericórdia permanece para sempre" 378. A partir dali a multidão reunida em assembléia se uniu num louvor de triunfo.

Mas nem todos gritavam de alegria; a gente velha que ainda podia lembrar a glória e a beleza do templo de Salomão chorava amargamente dolorida.

Quando os oficiais de Samaria ouviram dizer que se estava reconstruindo o templo, tentaram interferir, já que aparentemente consideravam a Judá como parte da província.

Reclamaram que eles tinham rendido culto ao mesmo Deus sempre, desde os tempos de Esar-Hadom (681-668 a.C.), que os havia situado na Palestina, e solicitaram de Zorobabel e dos outros chefes que lhes permitissem tomar parte na construção do templo. Quando sua solicitude foi denegada, se voltaram abertamente hostis, e adotaram uma política de frustração e de desalento sobre a colônia que lutava entre si. E obstaculizaram o trabalho no templo por todo o resto do reinado de Ciro e o de Cambisses, inclusive até o segundo ano do reinado de Dario (520 a.C.).

Inserto na narrativa de Esdras, nesta questão, está o informe da subseqüente oposição. Esdras 4.6-23 é o relato da interferência inimiga durante os dias de Assuero ou Xerxes (485-465 a.C.) e o reinado de Artaxerxes (464-424). Os forasteiros, assentados nas cidades de Samaria, apelaram a Artaxerxes para pesquisar os registros históricos concernentes às rebeliões que tinham acontecido em Jerusalém em tempos passados. Como resultado, se produziu um édito real dando poderes aos samaritanos para deter os judeus em seus esforços para reconstruírem a cidade de Jerusalém. Devido a que Neemias chegou a Jerusalém no 444 a.C., autorizado por Artaxerxes para reconstruir as muralhas, resulta verossímil que este decreto que favorecia os da Samaria fosse emitido nos primeiros anos de seu reinado, presumivelmente com anterioridade à chegada de Esdras no 475 a.C. 379


O novo templo

No ano segundo de Dario (520 a.C.), os judeus acabaram o trabalho no templo.

Ageu, com a mensagem de Deus para a ocasião, comoveu a gente e os chefes, lembrando-lhes que tinham ficado tão absortos em reconstruírem suas próprias casas que tinham descuidado o lugar do culto 380. Em menos de um mês, Zorobabel e Josué levaram o povo num renovado esforço para reconstruir o templo (Ag 1.1-15). Pouco depois, o profeta Zacarias colaborou com Ageu em estimular o programa de construção (Zacarias 1.1).

O reinício das atividades construtoras em Jerusalém captou logo a atenção de Tatenai, o sátrapa da Síria, e de seus colegas, os que representavam os interesses da Pérsia naquela época. Embora tinham ido a Jerusalém para fazer uma completa investigação, pospuseram a ação enquanto aguardavam o veredicto de Dario. Numa carta dirigida ao rei persa, informaram de seus achados a respeito do passado e dos acontecimentos do presente, referentes ao levantamento do templo. Ocuparam-se primeiramente da afirmação judaica de que Ciro tinha garantido a permissão para construir o templo.

Seguindo esta advertência, Dario ordenou uma pesquisa nos arquivos da Babilônia, em Acmeta, capital da Média. Nesta última se achou um dikrona, onde estava, escrito em aramaico, o édito de Ciro. Além de verificar este decreto, Dario emitiu ordens estritas para que Tatenai e seus associados se abstivessem de interferir de modo algum. Também ordenou que o tributo real da província da Síria fosse entregue aos judeus para seu programa de construções. E também deu instruções para proporcionar um adequado subministro que permitisse sacrifícios diários de tal forma que os sacerdotes de Jerusalém pudessem interceder pelo bem-estar do rei da Pérsia. Conseqüentemente, a pesquisa de Tatenai, que tinha intenções injuriosas, providencialmente resultou não somente no favor do apoio político de Dario, mas também na ajuda material dos distritos imediatos oficiais, para realizar o projeto.

O templo foi completado em cinco anos, 520-515 a.C. Embora erigido no mesmo lugar, não podia ter a mesma beleza nem o precioso acabamento artesão que a estrutura construída por Davi e Salomão, com a elaborada preparação que fez o primeiro com seus infinitos recursos. Baseando-se em 1 Mc 1.21 e 4.49-51, se evidencia que o resultado foi inferior. No sagrado lugar do altar dos incensos, estavam os sagrados ornamentos e o candelabro de sete braços (Salomão, em sua época tinha provido o altar com dez candelabros). A arca da aliança se perdera no lugar mais sagrado do templo. Josefo indica que cada ano, no Dia da Expiação, o sumo sacerdote colocava seu incensário na lousa de pedra que marcava a antiga posição da arca 381. Parrot, em seus estudos sobre o templo, conclui que os planos de Salomão e do santuário foram seguidos, provavelmente, por Zorobabel 382. Referências soltas em Esdras e nos livros dos Macabeus podem somente servir como sugestões. De acordo com Esdras 5.8 e 6.3-4, se utilizaram grandes pedras com vigas de madeira na construção dos muros. As medidas dadas são incompletas no presente texto. Uma recente interpretação de um decreto de Antíoco III da Síria (223-187), indica a existência de um átrio interior e outro exterior 383. Todos eram admitidos no último, porém somente os judeus que estavam conformes com a pureza das leis levíticas tinham permissão para entrar no átrio interior 384. Foram feitas também provisões de habitações adequadas onde armazenar os utensílios utilizados no templo. Uma dessas habitações foi a que se apropriou o amonita Tobias por um curto período, durante a época de Neemias (Ne 13.4-9).

As cerimônias de dedicação para este templo devem ter sido algo impressionante 385. Complicadas ofertas consistentes em 100 touros, 200 carneiros, 400 cordeiros e uma oferenda de 12 bodes, representando as doze tribos de Israel. A última oferta significava que este culto representava a nação inteira com quem se tinha realizado o pacto. Com este serviço de dedicação, os sacerdotes e os levitas iniciaram seus serviços regulares no santuário, segundo estava prescrito para eles na lei de Moisés.

No mês seguinte, os judeus observaram a Páscoa. Com as adequadas cerimônias de purificação, os sacerdotes e levitas foram preparados para oficiar na celebração desta histórica observância. Os sacerdotes foram assim qualificados para aspergir o sangue, enquanto que os levitas matavam os cordeiros para a totalidade da congregação. Embora originalmente o cabeça de cada família mata o cordeiro da Páscoa (Êx 12.6), os levitas tinham sido designados para esta obrigação para toda a comunidade desde os dias de Josias (2 Cr 30.17), quando a maior parte do laicato não estava qualificada para fazê-lo. Deste modo, os levitas também aliviavam as extenuantes obrigações dos sacerdotes, ao oferecer os sacrifícios e aspergir o sangue (2 Cr 35.11-14).

Os israelitas que ainda estavam vivendo na Palestina se uniram com os exilados que voltavam nesta alegre celebração. Separando-se das práticas pagas às quais tinham sucumbido, os israelitas renovaram sua aliança com o Deus ao qual davam culto no templo.

A dedicação do templo e a observância da Páscoa na primavera do 515 a.C. marcaram uma crise histórica em Jerusalém. As esperanças dos desterrados tinham-se realizado ao restabelecer o templo como um lugar de culto divino. Ao mesmo tempo, eram lembrados, pela Páscoa, da redenção da escravidão do Egito. Também gozaram, com a realidade de voltar à pátria, procedentes do exílio da Babilônia. Historicamente está identificado com o reinado de Assuero ou Xerxes (485-465 a.C.), e está restringido ao bem-estar dos exilados que não voltaram a Jerusalém 386.

Embora o nome de Deus não é mencionado no livro de Ester, a divina providência e o cuidado sobrenatural aparecem por toda parte. O jejum está reconhecido como uma prática religiosa. A festa do Purim, comemorando a libertação dos judeus, encontra uma razoável explicação quando os acontecimentos no livro de Ester são reconhecidos como o fundo histórico. A referência a esta festa em 2 Mc 15.36 como o dia de Mardoqueo, indica que era observada no século II a.C. Nos dias de Josefo, o Purim era celebrado durante toda uma semana (Antiquities, XI, 6:13).

O livro de Ester pode ser esquematizado da seguinte forma:


I. Os judeus na corte persa Et 1.1-2.23

Vasti suprimida por Assuero Et 1.1-22

Ester escolhida como rainha Et 2.1-18

Mardoqueo salva a vida do rei Et 2.19-23



II. A ameaça ao povo judeu Et 3.1-5-.14

O plano de Hamã para destruir os judeus Et 3.1-15

Os judeus temem o aniquilamento Et 4.1-3

Mardoqueo alerta a Ester Et 4.4-17

Ester arrisca a sua vida Et 5.1-14

III. O triunfo dos judeus Et 6.1-10.3

Mardoqueo recebe honras reais Et 6.1-11

Ester intercede: Hamã é enforcado Et 6.12-7.10

Mardoqueo promovido Et 8.1-17

Vingança dos judeus Et 9.1-15

A festa do Purim Et 9.16-32

Mardoqueo continua em altas honras Et 10.1-3
Susã, a capital da Pérsia, é o ponto geográfico de interesse no livro de Ester. Desde os dias de Ciro tinha partilhado a distinção de ser uma cidade real, como Babilônia e Acmeta.

O magnífico palácio de Xerxes ocupava 10.000 m² da acrópole desta grande cidade elamita. Cronologicamente, os acontecimentos de Ester estão datados no ano terceiro ao décimo segundo de Xerxes (cerca do 483-471 a.C.).


Os judeus na corte persa

De todo este vasto império que se estendia desde a Índia até a Etiópia, Xerxes reuniu seus governadores e oficiais em Susã por um período de seis meses, durante o terceiro ano de seu reinado. Numa celebração de sete dias, o rei os atendeu com banquetes e festas, enquanto que a rainha Vasti era a anfitriã no banquete para as mulheres. No sétimo dia, Xerxes, intoxicado, solicitou a aparição de Vasti para mostrar sua coroa e beleza ante seu festivo auditório e os dignitários do governo. Ela ignorou as ordens do rei, recusando com isso pôr em perigo seu real prestígio. Xerxes ficou furioso. Conferenciou com os sábios, os quais o aconselharam que depusesse a rainha. O rei agiu de acordo com este conselho e suprimiu a Vasti da corte real.

As mulheres de todo o império receberam o aviso de honrar e obedecer a seus maridos, a menos que quisessem seguir o exemplo de Vasti.

Quando Xerxes comprovou que Vasti tinha ficado relegada ao esquecimento por seu édito real, dispôs a eleição de uma nova rainha. Foram escolhidas donzelas por toda a Pérsia, e levadas à corte do rei, em Susã. Entre elas estava Ester, uma órfã judaica que tinha sido adotada por seu primo Mardoqueo. A seu devido tempo, quando as donzelas apareceram ante o rei, Ester, que tinha escondido sua identidade racial, foi agraciada por acima de todas as outras e coroada rainha da Pérsia. No sétimo ano do reinado de Xerxes, ela recebeu público reconhecimento e se celebrou um banquete ante os príncipes 387. O rei mostrou seu prazer pelo reconhecimento de Ester como rainha, ao anunciar a redução de tributos, ao tempo que distribuiu liberalmente presentes.

Com anterioridade à elevação de Ester, Mardoqueo expressou sua profunda preocupação a respeito do bem-estar de sua prima, deambulando constantemente na corte real. Da mesma forma, manteve estreito contato com Ester após ela ter sido proclamada rainha. Foi assim como Mardoqueo, enquanto estava por perto das portas do palácio, soube que dois guardas conspiravam para matar o rei. Através de Ester, o complô foi comunicado às autoridades pertinentes e os dois criminosos foram enforcados. Na crônica oficial, Mardoqueo gozou do crédito por ter salvado a vida do rei.
Ameaça ao povo judeu

Hamã, um membro influente da corte de Xerxes, gozava de um elevado posto sobre todos os outros favoritos da corte. De conformidade com a ordem do rei, foi devidamente honrado por todos, exceto por Mardoqueo, que como judeus recusou prestar obediência 388. Sabendo disso, Hamã não tomou nenhuma medida para castigar a Mardoqueo. Contudo, Hamã sabia que Mardoqueo era judeu e em conseqüência desenvolveu um plano para a execução de todos os judeus. Não somente espalhou o rumor e a suspeita acerca de que eram perigosos para o império, senão que assegurou ao rei que obteria enormes ganhos ao confiscar seus bens e propriedades. O rei deu ouvidos à sugestão de Hamã e emprestou seu selo real para dar a correspondente ordem. Em conseqüência, no décimo terceiro dia de Nisã (o primeiro mês) se publicou um édito para a aniquilação de todos os judeus por todo o Império Persa. Hamã designou o dia décimo terceiro de Adar (o mês décimo segundo) como a data para a execução 389. Por todas partes, este decreto, ao ser publicado, fez que os judeus respondessem com jejuns e luto. Quando o próprio Mardoqueo apareceu às portas do palácio vestido de saco e coberto de cinzas, Ester lhe enviou um traje novo. Mardoqueo recusou a oferta e alertou a Ester no que dizia respeito à sorte dos judeus. quando Ester falou do perigo pessoal que implicava o aproximar-se do rei sem um convite, Mardoqueo sugeriu que ela tinha sido dignificada com a posição de rainha precisamente para uma oportunidade como aquela. Portanto, Ester resolveu arriscar sua vida por seu povo e solicitou que este fizesse um jejum de três dias.

No terceiro dia, Ester apareceu diante do rei. Ela convidou o rei e a Hamã para jantar. Naquela ocasião não deu a conhecer sua preocupação verdadeira, senão simplesmente solicitou que o rei e Hamã aceitassem o convite para jantar na noite seguinte. Caminho a sua casa, Hamã se enfureceu de novo quando Mardoqueo recusou inclinar-se diante dele. Ante sua esposa e um grupo de amigos reunidos, se vangloriou de todas as honras reais que lhe haviam concedido, porém indicou que todas as alegrias tinham-se dissipado pela atitude de Mardoqueo. Recebendo o conselho de enforcar Mardoqueo, Hamã imediatamente ordenou a construção de uma forca para a execução.
Triunfo dos judeus

Naquela mesma noite, Xerxes não pôde conciliar o sono. Sua insônia pôde ter evocado nele o fato de que algo tinha ficado sem ser feito. Não lhe haviam lido as crônicas reais. Imediatamente, após que soube, para sua surpresa, que Mardoqueo nunca tinha sido recompensado por descobrir o complô do palácio, Hamã chegou Nazaré corte, esperando ter a certeza da aprovação do rei para a execução de Mardoqueo. O rei perguntou logo a Hamã que deveria fazer-se por um homem ao qual o rei desejava honrar.

Hamã, com a segura confiança de que se tratava dele, recomendou que tal homem deveria ser vestido com vestes reais e escoltado por um nobre príncipe através da praça principal da cidade, montado no cavalo do rei, e proclamando a decisão do rei para tão elevada honra. A surpresa que recebeu Hamã foi indescritível quando soube que era Mardoqueo quem receberia semelhantes honras reais que ele mesmo tinha sugerido.

As coisas se precipitaram. No segundo banquete, Ester não vacilou mais. Corajosamente e na presença de Hamã, a rainha implorou ao rei que a salvasse a ela e a seu povo da aniquilação. Quando o rei inquiriu quem tinha realizado semelhantes projetos contra o povo de Ester, ela, sem vacilar, indicou a Hamã como o criminoso instigador. Furioso, o rei saio da habitação real. Percebendo a seriedade da situação, Hamã rogou por sua vida diante da rainha. Quando o rei voltou, achou a Hamã prostrado no divã real onde a rainha permanecia sentada. Errando as intenções de Hamã, Xerxes ordenou sua execução.

Ironicamente, Hamã foi enforcado na mesma forca que ele havia preparado para Mardoqueo (Et 7.10).

Após a desonrosa morte de Hamã, Mardoqueo se converteu numa passagem influente na corte de Xerxes. O último édito de matar os judeus foi anulado imediatamente.

Além disso, com a aprovação do rei, Mardoqueo emitiu um novo édito estabelecendo que os judeus puderam vingar-se por si mesmos de qualquer ofensa que lhes fosse feita. Os judeus ficaram tão alegres com este anúncio, que muitos começaram a temer as conseqüências. Não poucos adotaram as formas externas da religião judaica, com o objeto de evitar a violência 390. A data crucial foi o décimo terceiro dia de Adar, que Hamã tinha designado para a aniquilação dos judeus e a confiscação de suas propriedades. Na luta que se seguiu, milhares de não-judeus foram mortos. Contudo, a paz foi logo restaurada e os judeus instituíram uma celebração anual para comemorar sua libertação. Purim foi o nome que se deu a este dia de festa, pois Hamã tinha determinado aquela data lançando sortes, ou Pur 391.

Esdras, o reformador

Cinqüenta e oito anos se passaram em silêncio entre Esdras 6 e 7. Conhece-se muito pouco a respeito dos acontecimentos em Jerusalém desde a dedicação do templo (515 a.C.) até o retorno de Esdras (457) no ano sétimo de Artaxerxes, rei da Pérsia 392. Um breve informe das atividades de Esdras em Jerusalém, e no retorno dos exilados sob sua liderança, se dá em Esdras 7.1-10.44. Para um analise desta passagem, note-se o seguinte:


I. Retorno de Esdras Ed 7.1-8.36

Preparação Ed 7.1-10

Decreto de Artaxerxes Ed 7.11-28

Organização para o retorno Ed 8.1-30

Viagem e chegada Ed 8.31-36

II. A reforma de Jerusalém Ed 9.1-10.44

Problema de matrimônio misto Ed 9.1-5

A oração de Esdras Ed 9.6-15

Assembléia pública Ed 10.1-15

Castigo do culpável Ed 10.16-44
Cronologicamente, as datas dadas nestes capítulos não cobrem necessariamente mais de um ano. A seguinte parece ser a ordem dos acontecimentos:
Nisã (primeiro mês)

1-3 – Acampamento junto ao rio Aava

4-11 – Preparações para a jornada

12 – Começo da jornada até Jerusalém

Ab (mês quinto)

No primeiro dia deste mês chegam a Jerusalém

Kislev (mês nono)

Assembléia pública convocada em Jerusalém após de que Esdras é informado a respeito dos matrimônios mistos

Tabete (mês décimo)

Começo da investigação sobre a culpabilidade dos grupos e final do primeiro dia de Nisã


O retorno de Esdras

Entre os exilados da Babilônia, Esdras, um levita piedoso da família de Arão, se dedicou ao estudo da Torá. Seu interesse em dominar a lei de Moisés encontrou expressão num ministério de ensino a seu povo. Sempre disposto a voltar à Palestina, Esdras apelou a Artaxerxes para a aprovação de seu movimento de retorno à pátria. Para alentar os exilados a retornar a Jerusalém sob o mando de Esdras, o rei persa emitiu um decreto importante (Esdras 7.11-16), comissionando a Esdras para nomear magistrados e juízes na província judaica.

Além disso, Esdras recebeu poderes para confiscar as propriedades e encarcerar ou executar a qualquer dos que não estiverem conformes.

Artaxerxes fez um generoso apoio financeiro, aprovisionando a missão de Esdras.

Generosas contribuições reais, ofertas feitas por livre vontade pelos próprios exilados e vasos sagrados, foram entregues a Esdras para o templo de Jerusalém. Artaxerxes tinha tal confiança em Esdras que lhe entregou um cheque em branco contra o tesouro real para qualquer coisa que estimasse necessária no serviço do templo. Os governadores provinciais situados além do Eufrates receberam a ordem de subministrara Esdras em dinheiro e alimentos, sob advertência de que a família real cairia sob o castigo da ira divina do Deus de Israel. Para maior vantagem ainda, todos aqueles que estivessem dedicados ao serviço do templo —cantores, servos, porteiros, guardiões e sacerdotes—, ficaram isentos de tributos.

Reconhecendo o favor de Deus e alentado pelo cordial e generoso apoio de Artaxerxes, Esdras, reuniu os chefes de Israel sobre as margens do rio Aava no primeiro dia de Nisã 393. Quando Esdras percebeu que os levitas estavam ausentes, nomeou uma delegação para chamar a Ido em Casifia 394. Em resposta, 40 levitas e 220 servos do templo se reuniram à emigração.

Ante o grupo expedicionário de 1800 homens e suas famílias, Esdras confessou candidamente que estava envergonhado de pedir ao rei a proteção da policia. Jejuando e orando, apelou a Deus para sua divina proteção, ao começar a longa e traiçoeira viagem de quase 160 km, até Jerusalém.

A marcha começou no décimo segundo dia de Nisã. Três meses e meio mais tarde, no primeiro dia de Ab, chegaram a Jerusalém. Após que os sacerdotes e levitas comprovaram os tesouros e os vasos sagrados procedentes da Babilônia no templo, os exilados que tinham retornado ao lar pátrio apresentaram elaboradas ofertas no átrio. A seu devido tempo, os sátrapas e governadores de toda a Síria e Palestina asseguraram a Esdras o aporte de sua ajuda e apoio para o estado judeu.


A reforma em Jerusalém

Um comitê local de oficiais informou a Esdras que os israelitas eram culpados de ter-se casado com habitantes pagãos. Entre os participantes havia inclusive chefes religiosos e civis. Esdras não se desgarrou suas vestes em sinal de seu profundo desgosto, também arrancou seus cabelos para expressar sua indignação moral e sua ira. Surpreendido e aturdido, sentou-se no átrio do templo, enquanto o povo temia as conseqüências que se amontoavam em sua volta. Ao tempo do sacrifício do entardecer, Esdras se levantou de seu jejum e, com as vestes rasgadas, se ajoelhou em oração, confessando audivelmente o pecado de Israel.

Uma grande multidão se uniu a Esdras enquanto orava e chorava publicamente. Secanias, falando pelo povo, sugeriu que existia a esperança para eles numa nova aliança, e assegurou a Esdras todo seu apoio para suprimir todos os males sociais. Imediatamente, Esdras emitiu um juramento de conformidade dos chefes do povo.

Retirando-se à câmara de Joanã pela noite 395, Esdras continuou jejuando, orando e levando luto pelos pecados de seu povo. mediante uma proclama por todo o país, o povo foi citado com urgência, sob pena de excomunhão e perda dos direitos de suas propriedades, a reunir-se em Jerusalém no termo de três dias. No vigésimo dia do mês de Kislev, se reuniram na praça quadrada diante do templo.

Esdras se dirigiu à trêmula congregação e lhe fez saber da gravidade de sua ofensa.

Quando o povo lhe expressou sua boa vontade de aceitar o que ele ordenasse, Esdras ficou conforme em deixar que os oficiais que representavam o povo dissolvessem a congregação, já que era a estação das chuvas. Assistido por um grupo seleto de homens e ajudado por representantes de várias partes do estado judaico, Esdras efetuou um exame de culpabilidade dos grupos durante três meses.

Uma lista impressionante de sacerdotes, levitas e laicos, totalizando 114 pessoas, eram os culpados de terem contraído matrimônios mistos. Entre os dezoito sacerdotes culpáveis, havia parentes próximos de Josué, o sumo sacerdote, que havia retornado com Zorobabel. De fato, uma comparação de Esdras 10.18-22 com 2.36-39, indica que nenhum dos sacerdotes que voltara estava livre de ter contraído matrimônio misto. Sacrificando um carneiro por cada oferenda de culpa, os grupos acusados fizeram um solene juramento de anularem seus respectivos matrimônios.
Neemias, o governador

A historicidade de Neemias não tem sido nunca colocada em dúvida por nenhum erudito competente 396. Emergindo como uma das figuras mais destacadas na era post-exílica, serviu a seu povo efetivamente desde o ano 444 a.C. Perdeu seus direitos à posição que desfrutava na corte persa para servir sua própria nação na reconstrução de Jerusalém. Sua desvantagem física como eunuco se converteu num mérito em seu devotado serviço e distinguida liderança durante os anos que foi um ativo governador do estado judeu 397. Esdras tinha estado em Jerusalém treze anos quando chegou Neemias. Enquanto que o primeiro era um escriba instruído e um mestre, o último demonstrou uma forte a agressiva capacidade de condução política nos assuntos públicos. O êxito da reconstrução das muralhas, a despeito da posição do inimigo 398, proporcionou seguridade para os exilados que retornaram, de tal forma, que podiam dedicar-se por si mesmos, sob a chefia de Esdras, às responsabilidades religiosas que estavam prescritas pela lei. Desta forma, o governo de Neemias procurou as mais favoráveis condições para o engrandecido ministério de Esdras.

As datas cronológicas dadas em Neemias, supõem 12 anos para o primeiro mandato de Neemias como governador, começando no vigésimo ano de Artaxerxes (444 a.C.). No décimo segundo ano de seu mandato (Neemias 13.6), Neemias voltou à Pérsia (432). Não se indica quão logo voltou a Jerusalém ou quanto tempo continuou como governador.

Os sucessos relatados em Ne 1-12, podem todos ter acontecido durante o primeiro ano de seu mandato 399. No primeiro dia do primeiro mês, Nisã (444 a.C.), Neemias recebeu seguridade para sua volta a Jerusalém (Ne 2.1). sendo um homem de ações decisivas, sem dúvida deve ter partido sem perda de tempo. a reparação das muralhas foi completada por Elul, no mês sexto (Ne 6.15). Já que este projeto foi começado uns poucos dias após sua chegada e completado em cinqüenta e dois dias, o tempo permitido para sua preparação e viagem é de aproximadamente quatro meses. Durante o mês sétimo (Tishri), Neemias cooperou totalmente com Esdras nas observâncias religiosas (Ne 7-10), continuou seu cadastramento e muito verossimilmente dedicou as muralhas no período imediatamente seguinte (Ne 11-12). Exceto por umas poucas declarações que resumem a política de Neemias, o leitor fica com a impressão de que todos esses acontecimentos aconteceram dentro do primeiro ano após seu retorno.


I. Comissionado por Artaxerxes Ne 1.1-2.8

Informe de Jerusalém Ne 1.1-3

A oração de Neemias Ne 1.4-11

O favor do rei Ne 2.1-8



II. A missão de Jerusalém Ne 2.9-6.19

Viagem com êxito Ne 2.9-10

Inspeção e avaliação Ne 2.11-16

Oposição – Sambalate e Tobias Ne 2.17-20

Êxito da construção e defesa Ne 4.1-23

Política econômica Ne 5.1-19

Terminação das muralhas Ne 6.1-19

III. A reforma sob Esdras Ne 7.1-10.39

Os planos de cadastramento de Neemias Ne 7.1-73

A leitura da lei de Moisés Ne 8.1-12

A festa dos tabernáculos Ne 8.13-18

Serviço do culto Ne 9.1-5

A oração Ne 9.6-38

Aliança para guardar a lei Ne 10.1-39

IV. O programa e política de Neemias Ne 11.1-13.31

Registro do estado judaico Ne 11.1-12.26

Dedicação da muralha Ne 12.27-43

Indicações do templo Ne 12.44-47

Leitura da lei Ne 13.13

A expulsão de Tobias Ne 13.4-9

Reinstalação do apoio levita Ne 13.10-14

A restrição do comércio no sábado Ne 13.23-29

Matrimônios mistos Ne 13.30-31

Sumário Ne 13.15-22




Comissionado por Artaxerxes

Entre os milhares de judeus exilados que não tinham retornado a Judá, estava Neemias. Em sua busca do êxito, tinha sido especialmente afortunado em ocupar um alto cargo entre os oficiais da corte persa, sendo copeiro de Artaxerxes Longimano. Vivendo na cidade de Susã, aproximadamente a 160 km ao nordeste do Golfo Pérsico, estava confortavelmente situado na capital da Pérsia, quando lhe chegou o informe de que as muralhas de Jerusalém estavam ainda em ruínas, Neemias sentiu-se dolorosamente surpreendido. Durante dias e dias jejuou e levou luto, chorou e rogou por seu povo em Jerusalém.

A oração registrada em Ne 1.5-11 representa a essência da intercessão de Neemias durante este período de luto e choro. Reflete sua familiaridade com a história de Israel, a aliança do monte Sinai, a lei dada a Moisés que tinha sido quebrantada por Israel, e a promessa da restauração pelos migrantes arrependidos. Neemias reconheceu o Deus da aliança como ao Deus de Israel e dos céus, apelando a ele para que fosse misericordioso com Israel. Em conclusão, pediu que Deus pudesse concedê-lhe o favor do rei da Pérsia, seu dono.

Após três meses de oração constante, Neemias enfrentou-se com uma dourada oportunidade. Enquanto esperava, o rei percebeu a enorme tristeza de Neemias. À pergunta de seu rei, Neemias, com medo e tremendo, expressou sua dor pela caótica condição de Jerusalém. Quando Artaxerxes, graciosamente, lhe pediu que declarasse seus desejos, Neemias se apressou a orar em silêncio e pediu, corajosamente, que o rei o enviasse a reconstruir Jerusalém, a cidade dos sepulcros de seus pais. O rei da Pérsia não só autorizou devidamente a Neemias para executar tal missão, senão que enviou cartas em seu nome a todos os governadores de além do Eufrates, para que lhe fornecessem de materiais de construção para as muralhas e das portas da cidade, assim como para sua casa particular.


A missão em Jerusalém

Achegada de Neemias a Jerusalém, completada com os oficiais do exército e com cavalaria, alarmou os governadores circundantes. Acompanhado por um pequeno comitê, Neemias logo fez um plano para recorrer a cidade de noite, inspecionando a condição das muralhas. Uma vez ali, reuniu o povo e o enfrentou com o propósito de reconstruí-las.

Entusiasticamente, achou o mais caloroso apoio por parte de todos. como eficiente organizador, Neemias designou ao povo as diferentes portas e seções das muralhas de Jerusalém (3.1-32).

Tão súbita e intensa atividade fez surgir a oposição das províncias circundantes.

Chefes influentes, tais como Sambalate, o horonita, Tobias o amonita e Gesem o árabe, culparam os judeus com a rebelião, assim que começou o trabalho 400. Quando comprovaram que o projeto de reparação ia desenvolvendo-se com grande rapidez, se enfureceram até o ponto de organizar uma resistência. Sambalate e Tobias, ajudados pelos árabes, os amonitas e os asdoditas, fizeram plano para atacar a Jerusalém.

Por aquele tempo, a muralha estava completada até a metade de sua altura. Neemias não só orou, senão que nomeou guardas, dia e noite. A todo o longo da parte mais baixa da muralha, o dever da guarda foi confiado a várias famílias. Com a comprobação de que os inimigos estavam fracassados em seu projeto, por este eficiente e eficaz sistema da guarda, os judeus reuniram seus esforços para a construção. Uma metade do povo continuou com as reparações com a espada disposta, enquanto que a outra metade permanecia em guarda permanente. Além disso tudo, ao toque da trombeta, todos os que estavam sob ordens se apressavam em acudir imediatamente até o ponto do perigo, para resistir o ataque inimigo. Não se permitiu a nenhum dos trabalhadores sair de Jerusalém. Trabalharam desde o amanhecer até o crepúsculo e permaneciam de guarda durante a noite.

O esforço intensivo para completar a reparação das muralhas, foi especialmente difícil para as classes mais pobres do povo. Economicamente encontraram demasiado duro pagar tributos e impostos, interesses, e socorrer às famílias enquanto ajudavam a reconstruir as muralhas. Alguns inclusive se encararam com o propósito de fazer escravos a seus filhos em lugar de aumentarem suas dívidas. Imediatamente, Neemias convocou uma assembléia pública e exigiu uma promessa dos agressores de devolver ao povo necessitado o que tinham tomado deles. Os pagamentos com interesses foram cancelados. Como administrador, o próprio Neemias deu o exemplo.

Deixou de perceber do povo seus direitos de governo em alimentos e em dinheiro durante os doze anos de seu primeiro período, como tinham feito seus antecessores. Além disso, 150 judeus e oficiais que visitavam Jerusalém foram hospedes da mesa de Neemias gratuitamente. Nem ele nem seus servos adquiriram hipotecas sobre a terra por empréstimos de dinheiro e grão, ao ajudar o necessitado. Desta forma, Neemias resolveu efetivamente a crise econômica durante os dias cruciais da reparação.

Quando os inimigos dos judeus ouviram que as muralhas estavam quase completas, a despeito da oposição que haviam oferecido, esboçaram planos para enganar Neemias.

Quatro vezes, Sambalate e Gesem o convidaram a encontrar-se com eles num dos povoados do vale de Ono. Suspeitando suas más intenções, Neemias declinou os convites, dando a razoável escusa de que estava demasiado ocupado. A quinta tentativa foi uma carta aberta de Sambalate, acusando Neemias de preparar planos para rebelião e de ter pessoal ambição de ser rei. Com a advertência de que isto poderia ser informado ao rei da Pérsia, Sambalate urgiu a Neemias para que se reunisse com eles e discutisse a questão. Neemias, corajosamente, replicou a tal ameaça acusando Sambalate de estar imaginando coisas. Ao mesmo tempo, elevou uma oração a Deus para que reforçasse sua responsabilidade.

O seguinte passo de seus inimigos foi repreender Neemias ante seu próprio povo.

Astutamente, Sambalate e Tobias se valeram de um falso profeta, Semaías, para intimidar e enganar o governador judeu. Quando Neemias teve ocasião de falar com Semaías, que estava confinado em sua residência, o falso profeta sugeriu que procurassem refúgio no templo 401. Neemias respondeu que não com veemência. Em primeiro lugar, ele não queria fugir a nenhuma parte. Do resto, não queria refugiar-se no templo 402. Sem dúvida, Neemias previu que tal ação o exporia a uma severa crítica de parte de seu próprio povo, e talvez ao juízo de Deus, por entrar no templo, já que ele não era sacerdote. Percebeu que Semaías era um falso profeta que tinha sido alugado por Sambalate e Tobias. Em oração, Neemias expressou seu desejo de que Deus não somente se lembrasse dos inimigos seus, senão também da falsa profetisa Noadia e outros falsos profetas que tratavam de intimidá-lo.

Além de todos estes problemas, estava o fato de que Tobias e seu filho Joanã estavam relacionados com famílias proeminentes em Judá. O sogro de Tobias, Secanias, era o filho de Ara, quem retornou com Zorobabel (Ed 2.5), e o sogro de Joanã, Mesulão, era um ativo participante na reconstrução das muralhas (Ne 3.4, 30). Inclusive o sumo sacerdote Eliasibe estava aliado com Tobias, embora esta relação não fique estabelecida. Em conseqüência, havia uma freqüente correspondência entre Tobias e aquelas famílias de Judá. Este efetivo canal de comunicação fez as coisas mais difíceis para Neemias, já que suas ações e planos eram constantemente apresentados para o conhecimento de Tobias. Apesar que os parentes de Tobias deram informes complementares a respeito de suas boas ações, Neemias tinha a certeza de que Tobias somente albergava más intenções para com o povo de Jerusalém.

Apesar destas oposições e dificuldades, a muralha de Jerusalém foi completada em cinqüenta e dois dias 403. Os inimigos das nações circundantes ficaram frustrados e impressionados, comprovando que, de novo, Deus tinha favorecido Neemias. O êxito da terminação do projeto de reparação de Neemias, em face à oposição feita por seus inimigos, estabeleceu o respeito e o prestígio do estado judaico entre as províncias ao oeste do Eufrates.


A reforma sob Esdras

Com Jerusalém segura dentro de suas muralhas, Neemias voltou sua atenção a outros problemas. Um sistema de guarda essencial para prever ataques inimigos foi confiado a Hanani, o irmão de Neemias, e a Hananias, que já estava encarregado da cidade anexa à zona do templo, no norte. Além dos guardiões das portas, que eram responsáveis do átrio, Neemias recrutou cantores e levitas, designando-os a postos nas portas e muralhas da totalidade de Jerusalém.

O pessoal civil que morava dentro de Jerusalém foi encarregado de montar guarda durante a noite nas partes respectivas próximas a suas casas. Embora tinham se passado noventa anos desde que a cidade fora reedificada, existiam zonas povoadas a grandes distâncias, para as quais a defesa resultava inadequada. Encarando-se com este problema, Neemias fez um chamamento aos chefes para registrar a todo o povo na província, com o objeto de recrutar alguma parte de seus habitantes para estabelecê-la em Jerusalém. Enquanto contemplava a execução de seu plano, encontrou o registro genealógico do povo que tinha regressado do exílio nos dias de Zorobabel. Com exceção de pequenas variações, este registro em Neemias 7.6-73 é idêntico à lista registrada em Esdras 2.3-67.

Antes de que Neemias tivesse a oportunidade de executar seus planos, o povo começou a reunir-se para as atividades religiosas do sétimo mês, Tishri, durante o qual se observavam a festa das trombetas, o dia da Expiação e a festa dos Tabernáculos (Lv 23.23-43) 404. Neemias apoiou completamente o povo em sua devoção religiosa, e seu nome aparece o primeiro na lista daqueles que assinaram a aliança (Ne 10.1). sem dúvida, seu programa administrativo deu precedência às atividades religiosas durante este mês, e foi reassumido com renovado esforço no período seguinte. Neemias, que não era sacerdote, fica relegado durante as atividades religiosas, sendo somente mencionado duas vezes, em Ne 8-10.

Esdras, o sacerdote e escriba, emerge como o líder mais sobressalente. Tendo chegado antes como um mestre de fama no ensino da lei, sem dúvida alguma era bem conhecido pela gente de toda a província. Embora não esteja registrado em Esdras ou em Neemias, é sumamente razoável assumir que Esdras tinha, em anos anteriores, reunido o povo para a observância das festas e das estações. Aquele ano, o povo tinha uma poderosa razão para realizar uma celebração mais importante que nunca. Trás das fechadas muralhas de Jerusalém, pôde reunir-se em paz e segurança, sem temor a nenhum ataque inimigo. Sem dúvida, a moral do povo deve ter sido reforçada mediante a liderança que com tanto êxito havia ostentado Neemias.

A festa das trombetas distinguia o primeiro dia do sétimo mês, de todas as outras luas novas. Conforme o povo se reunia aquele ano na porta das Águas, ao sul do átrio do templo, unanimemente solicitava a Esdras que lesse a lei de Moisés. Situado sobre uma plataforma de madeira, leu a lei à congregação, que permaneceu de pé desde o amanhecer até o meio-dia. Para ajudar o povo em sua compreensão, os levitas expunham a lei, intermitentemente, enquanto Esdras lia. Quando a leitura arrancou lágrimas dos olhos do povo, Neemias, ajudado por Esdras e os mestres levitas, os admoestaram a regozijar-se e a fazer daquela festiva ocasião uma oportunidade para partilhar os alimentos preparados numa comum camaradagem.

No segundo dia, os representantes das famílias, os sacerdotes e os levitas, se reuniram com Esdras para um cuidadoso estudo da lei. Quando comprovaram que Deus tinha revelado, mediante Moisés, que os israelitas deviam habitar em cabanas para a observância da festa dos Tabernáculos (Lv 23.39-43), instruíram o povo mediante uma pública proclama. Com entusiasmo, o povo saiu às colinas e trouxeram ramos de oliveiras, de zambujeiros, de murtas e de palmeiras em abundância, levantando cabanas por todas partes, sobre os telhados das casas, em privado e em público, nos pátios e nas praças públicas. Tão ampla foi a participação que resultou a mais importante e festejada observância da festa dos Tabernáculos ddd os dias de Josué, que havia conduzido Israel à conquista de Canaã 405. A lei foi lida publicamente cada dia durante os sete dias desta festa (Tishri 15-21). No oitavo dia houve uma sagrada convocatória e se ofereceram os sacrifícios prescritos.

Após dois dias de descanso, o povo voltou a reunir-se para a oração e o jejum. Esdras e os levitas assistentes dirigiram os serviços públicos, conduzindo o povo na leitura da lei, a confissão do pecado e a oferta de graças a Deus. numa longa e significativa oração (9.6-37), a justiça e a misericórdia de Deus foram devidamente reconhecidas 406. Numa aliança escrita, assinada por Neemias e outros representantes da congregação, o povo se ligou mediador um juramento, obrigando-se a manter a lei de Deus que tinha sido dada por meio de Moisés. Duas leis foram escritas com especial ênfase: os matrimônios mistos com pagãos e a observância do sábado. Esta última não só impedia toda atividade comércio no sábado, senão que incluía a observância de outras festas e a promessa de deixar descansar as terras cada sete anos.

A implicação deste compromisso era realista e prática. Cada indivíduo estava obrigado a pagar anualmente um terço de um siclo para a ajuda do ministério do templo 407, o que assegurava a constante provisão dos pães ázimos, e as ofertas especiais diárias e dos dias festivos. A madeira para as ofertas se arrecadava em conjunto. O povo reconhecia sua obrigação de dar o dizimo, os primeiros frutos, o primogênito e outras contribuições prescritas pela lei. Enquanto que o primogênito e os primeiros frutos eram levados aos sacerdotes ao templo, o dizimo podia ser arrecadado pelos levitas em toda a província e trazido por eles para ser depositado nas câmeras do templo. Deste modo, o povo fazia um compromisso público para não descuidar a casa de Deus.
O programa de Neemias e sua política

Neemias concluiu a execução de seu plano, para incrementar a população de Jerusalém, assegurando assim a defesa civil. Ele estava convencido de que aquilo era uma ordem divina (Ne 7.5). Sem dúvida, ajornou o cadastramento, utilizando o registro genealógico da época de Zorobabel. Foi conseguido que uma décima parte da população mudasse sua residência e fosse morar a Jerusalém. Assim, as zonas escassamente povoadas dentro da cidade estiveram suficientemente ocupadas para proporcionar uma adequada defesa da cidade.

O registro daqueles que viviam em Jerusalém e em povoados circundantes (Ne 11.3-36) representa a população como estava no dias de Esdras e Neemias. Os residentes em Jerusalém foram catalogados por cabeças de famílias, enquanto que os habitantes de toda a província eram simplesmente anotados por povoados. O registro de sacerdotes e levitas (Ne 12.1-26) em parte procede do tempo de Zorobabel e se estende ao tempo de Neemias 408. A dedicação das muralhas de Jerusalém implicou a totalidade da província. Os chefes civis e religiosos e outros participantes foram organizados em duas procissões.

Encabeçados por Esdras e Neemias, uma avançava à direita e a outra à esquerda, ao marcharem sobre as muralhas de Jerusalém. Quando os dois grupos se encontraram no templo, se realizou um grande serviço de ação de graças com música proporcionada pela orquestra e coros. Foram apresentados abundantes sacrifícios como expressão de alegria e ação de graças. Inclusive as mulheres e as crianças partilharam do gozo daquela festiva ocasião, ao participarem nas festas que acompanhavam as ofertas. Tão extensa e alegre foi a celebração, que o triunfal barulho foi ouvido desde muito longe.

Como um eficiente administrador, Neemias organizou os sacerdotes e levitas para que cuidassem dos dízimos e outras contribuições feitas pelo povo (Ne 12.44ss). Desde várias aldeias da província, aqueles presentes foram apropriadamente canalizados para Jerusalém mediante levitas responsáveis, de forma tal que os sacerdotes e levitas puderam efetivamente executar seus deveres 409. Os cantores e os guardiões das portas da cidade também receberam seu apoio regular, para que pudessem prestar seus serviços como estava prescrito por Davi e Salomão (2 Cr 8.14). O povo se gozava com o ministério dos sacerdotes e levitas, e os apoiava, de todo coração, na ministração do templo.

A leitura do livro de Moisés os fez conscientes do fato de que os amonitas e moabitas não deveriam ser bem-vindos na assembléia judaica 410. Foi feito o necessário para conformar todo aquilo com a lei.

Durante seu décimo segundo ano de governador de Judá (por volta do 432 a.C.), Neemias fez uma viagem de regresso à Pérsia. A duração de sua estância não está indicada, porém após algum tempo Artaxerxes novamente lhe deu permissão para voltar a Jerusalém.

Durante o tempo da ausência de Neemias, prevaleceu a lassidão religiosa. Eliasibe, o sumo sacerdote, tinha concedido a Tobias, o amonita, uma câmara no átrio do templo. Não foram pagas as retribuições aos levitas e os cantores do templo. E, devido a que o povo havia descuidado levar os quinhões, os levitas saíram ao campo para fazer suas vidas.

Neemias se indignou quando descobriu que a câmara dedicada a armazenar as provisões levíticas tinha sido ocupada por Tobias o amonita. Imediatamente, lançou fora a mobília, ordenou a renovação das câmaras, restaurou os utensílios sagrados e restituiu as ofertas e o incenso.

O seguinte passo foi chamar os oficiais para que dessem conta de seus atos.

Valentemente, Neemias os acusou de terem descuidado o templo, falhando em arrecadar o dizimo. Os homens aos que considerou dignos de confiança, foram nomeados tesoureiros dos armazéns. Os levitas tornaram a receber suas assinações. Neemias novamente expressou, mediante uma oração, seu desejo de que Deus lembrasse as boas ações feitas anteriormente a respeito do templo e seu pessoal.

A observância do sábado foi o passo seguinte. Não somente os judeus tinham trabalhado no sábado, senão que haviam permitido aos tírios residentes em Jerusalém, que promovessem negócios nesse dia. Advertiu aos nobres de Judá que aquele tinha sido o pecado que precipitou a Judá no cativeiro e na destruição de Jerusalém. Em conseqüência, Neemias ordenou que as portas de Jerusalém fossem fechadas no sábado. Ordenou a seus servidores e os guardas que detivessem o tráfego comercial. Uma advertência pessoal de Neemias terminou com a chegada no sábado de mercadores e comerciantes que deveram esperar que as portas da cidade se abrissem no dia seguinte, no final do dia sagrado.

Os mandamentos mistos foram o maior problema com que Neemias teve de enfrentar-se. Alguns judeus tinham casado com mulheres de Asdode, Moabe e Amom. Já que as crianças falavam a mesma língua que suas mães, é muito provável que aquela gente vivesse nos extremos do estado judaico. Daqueles homens que tinham casado com mulheres pagãs, Neemias obteve o juramento para desistir de tais relações, lembrando-lhes que inclusive Salomão tinha sido conduzido ao pecado por suas esposas estrangeiras.

Com o neto de Eliasibe, o sumo sacerdote, Neemias tomou drásticas medidas. Tinha casado com a filha de Sambalate, governador da Samaria, quem tinha causado problemas sem fim a Neemias durante o ano em que os judeus restauravam as muralhas de Jerusalém. Neemias o expulsou imediatamente de Judá 411. Com um breve sumário das reformas religiosas e provisões para o adequado serviço do templo, Neemias conclui o relato de suas atividades. Zeloso e entusiasmado sempre pela causa de Deus, pronuncia uma oração final: "Lembra-te de mim, Deus meu, para bem".



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