A história de israel no antigo testamento


• Capítulo 22: Em tempos de prosperidade



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• Capítulo 22: Em tempos de prosperidade


A independência política, a expansão e a prosperidade caracterizaram Israel durante o apogeu do êxito de Jeroboão. Desde os dias do derramamento de sangue e da opressão no 841 a.C., a dinastia de Jeú, eventualmente conduziu o Reino do Norte ao topo do prestígio político e econômico durante a primeira metade do século VIII. Eliseu continuava com seu ministério, mantendo-se como o mensageiro de Deus durante aqueles anos tumultuados de princípios da dinastia de Jeú.

O sangue marcou os passos de Jeú ao trono da Samaria. Não satisfeito com matar os reis de Judá e Israel, Jeú tinha matado por prazer, até exterminar a família real. Acicatado por um traiçoeiro fanatismo, reuniu a todos os entusiastas de Baal para um massacre massivo.

O êxito local de Jeú foi logo escurecido pelos problemas internacionais. A horrenda morte de Jezabel não provocou certamente a boa vontade da Fenícia. Jerusalém, com seu rei como vítima da revolução da Samaria, foi lançada a um redemoinho sangrento sob o terror de Atalia. Moabe se rebelou contra Israel. Desde Damasco, Hazael pressionou ferozmente para o sul, ocupando o território israelita ao leste do Jordão. Jeú estava desamparado —demasiado fraco para salvar o povo de Gileade e Basã da opressão síria. Além disso, achou necessário enviar tributos a Salmaneser III, com o objeto de evitar a ominosa ameaça da invasão assíria 554. Hazael chegou a ser o pior inimigo de Israel. Enquanto governou a Síria existiram problemas e dificuldades para Jeú e seus sucessores. Hazael não só invadiu Basã e Gileade, senão que também avançou para o sul na Palestina, para capturar Gate. Além disso, ameaçou com a conquista de Jerusalém (2 Rs 12.17). Rodeado e oprimido pelos sírios, Israel parecia ter um futuro sem esperança. Aparentemente, os estados vizinhos levaram vantagem da importância de Israel por repetidas pilhagens e saqueios (Amós 1.6-12).

Pouco antes do final do século, as perspectivas de alívio para Israel começaram a surgir com a morte de Hazael. Com Assíria dominando Damasco, Israel teve a oportunidade de ressurgir mais uma vez no concerto internacional. Em seguida Joás tinha disposto uma poderosa força de combate para desafiar o novo rei sírio, Ben-Hadade, em seu controle do território israelita. no despertar para o êxito, a morte de Eliseu o veterano profeta de Israel, chegou como um golpe tremendo para Joás.

O exército de Joás era tão grande que Amasias, o rei de Judá, pediu-lhe emprestados cem mil homens para ajudar à submissão do Edom. Seu êxito nesta aventura fez a Amasias tão arrogante que voltou as tropas israelitas contra Joás, num desafio para encontrar-se as forças de Judá com as de Israel na batalha. Quando sua advertência verbal foi ignorada, Joás invadiu Judá, destrocou parte das muralhas de Jerusalém, devastou o palácio e tomou reféns que levou a Samaria. Com Judá como vassalo de Israel, Amasias deve ter sido feito prisioneiro ou, pelo menos, destronado por um extenso período 555. Jonas fez sua aparição por esta época 556. Sua predição foi precisa e, sem dúvida, popular.

Declarou que Jeroboão estava a ponto de reclamar o território perdido a Hazael em tempos passados. Certamente, não transcorreu muito antes de seu êxito militar, a extensão territorial e a prosperidade econômica se fez uma realidade sob a enérgica e agressiva política de Jeroboão II (793-753 a. C.). Com a Síria debilitada pela pressão de Hadade-Nirari III, Jeroboão voltou a recuperar seu território nacional desde o Mar Morto até "a entrada de Hamate" (o passo entre o Líbano e sua cordilheira e monte Hermom). Em conseqüência, Jeroboão II teve sob seu controle um domínio maior que qualquer outro de seus predecessores.

As relações comerciais se expandiram. Floresceu o comércio internacional além de tudo o conhecido por Israel desde os dias de Salomão. Nesta era de êxito econômico e expansão territorial, Samaria se fortificou contra qualquer invasão estrangeira 557. Com a Síria como estado-tampão, os israelitas esqueceram complacentemente o perigo que representava a Assíria. Embora Judá começou a mostrar sinais de um reavivamento político e econômico, o Reino do Sul era ainda pouco forte e estava comparativamente adormecido, ao tempo que Jeroboão continuava governando na Samaria.

Com Israel em seu apogeu, dois profetas fizeram sua aparição: Amós e Oséias. Cada um deles, por turno, tratou de despertar os cidadãos de Israel de seu letargo, porém nenhum deles conseguiu que o povo voltasse de sua apostasia.
Jonas – A missão de Nínive 558

Jn 1.1-4.11

Jonas teve uma mensagem popular para predicar em Israel. Em épocas de opressão, a promessa de dias prósperos foi muito bem acolhida. Sem dúvida, o cumprimento de única predição, na extensão do território de Israel sob Jeroboão, aumentou sua popularidade em seu lar pátrio.

Não há indicação de que tivesse uma mensagem de advertência ou de juízo para liberar seu próprio povo (2 Rs 14.25).

O sermão de Jonas aos ninivitas não foi senão adulação. O juízo e a condenação para esta cidade estrangeira está resumido no tema: "Daqui a quarenta dias Nínive será destruída". Quando finalmente ele completou esta afirmação, registrou suas experiências no livro que leva seu nome. Observe-se a seguinte breve analise:


I. A viagem de Jonas para o oeste, num itinerário

de ida e volta Jn 1.1-2.10

II. Uma missão de predicação com êxito Jn 3.1-10

III. A lição para Jonas Jn 4.1-11


Jonas foi divinamente comissionado para ir a Nínive, uma desagradável missão para um israelita. Durante os tempos de Jeú, Israel tinha pagado tributo ao rei assírio Salmaneser III. Jonas conhecia o sofrimento a qual a Síria estava sujeita, repelindo os ataques recentes dos assírios. Por que deveria expor-se a tão perigosa missão? As atrocidades dos assírios, que mais tarde aterrorizaram as nações em sua missão a Tiglate-Pileser III, podem ter sido praticadas naquele tempo. desde o ponto de vista humano, Assíria era o último lugar que um israelita teria escolhido para uma aventura missionária.

Jonas começou sua viagem numa direção oposta. Em Jope, abordou um barco que se dirigia ao Mediterrâneo ocidental, ao porto de Târsis. Em rota para seu destino, uma tormenta de grande magnitude encheu de alarme os corações da tripulação, ainda que o mal tempo não fosse coisa desconhecida para eles. Enquanto Jonas dormia, os marinheiros atacados de pânico esvaziaram o barco e apelaram a seus deuses. Jonas foi convidado a levantar-se e a unir-se a suas orações pagãs. Os passageiros restantes decidiram que Jonas era o responsável de sua desgraça. Temerosos da ira divina, o lançaram pela borda. Imediatamente cessou a tormenta e prevaleceu uma grande calma no mar. No que diz respeito aos marinheiros, a questão estava resolvida. Não assim para Jonas. Seus problemas apenas tinham começado.

Tinha sido engolido por um grande pez 559. Três dias e três noites Jonas deveu permanecer no ventre do monstro marinho.

Apelando a Deus, reconheceu francamente que estava perdido, a não ser por uma divina intervenção. Fez a simples promessa de que cumpriria seus votos uma vez que fosse liberado. E assim, sob o poder divino, o pez levou a Jonas até depositá-lo em terreno seco.

Mais uma vez Jonas é convidado a ir a Nínive. Desta vez se dirigiu rumo ao leste, à distante terra da Assíria, aproximadamente a 1287 km de Israel. Localizada na margem oriental do Tigre, Nínive era uma grande cidade, com numerosos subúrbios além de suas muralhas 560. Ali Jonas começou sua missão de predicar. Sofisticado e pecador como era aquele povo, as gentes o escutaram e ouviram sua advertência: "em quarenta dias Nínive será destruída". Apenas tinha começado Jonas seu itinerário, quando o povo respondeu. Arrependendo-se, vestiram de saco e jejuaram, voltando-se a Deus com fé 561. Assim que sua mensagem se deixou ouvir no palácio, o rei entrou em ação 562. Mudaram suas vestes reais por sacos, se cobriram com cinzas. Para os cidadãos de Nínive, emitiu um decreto real, admoestando-os a que voltassem a Deus seus caminhos pecadores e se arrependessem 563. Jonas se desconcertou ao ver tão amplos sinais de arrependimento. Para sua grande surpresa, sua missão tivera um êxito impressionante. E para sua decepção, a cidade não foi destruída; foi salva, ao responder Deus com sua misericórdia ao arrependimento do povo 564. Talvez Jonas experimentasse uma reação nervosa. É difícil avaliar seu estado mental e físico, não só por sua azarada viagem, senão ao ter de predicar uma mensagem de juízo divino a um povo estranho. De qualquer forma, Jonas ficou terrivelmente confuso 565. Não satisfeito com a resposta que Deus lhe dera como aviso, Jonas se retirou a uma colina próxima, desde a qual podia ver a cidade que tinha sido indicada para sua destruição.

Parece que o período de quarenta dias não tinha acabado ainda, e assim ele antecipou a possibilidade da condenação que se aproximava sobre Nínive.

Refugiado à sombra de uma aboboreira, Jonas recebeu alento quando Deus fez com que a planta crescesse rapidamente, brindando-lhe uma abobada de sombra para protegê-lo do calor do dia.

Porém Jonas tinha uma outra lição que aprender. Em lugar de ser testemunha da ruína da cidade, um verme destruiu a planta que tanto o havia deliciado. Deus ressaltou com isso que o profeta estava muito mais preocupado com seu próprio conforto que a respeito do bem-estar das 120.000 crianças inocentes que ainda não tinham chegado à idade do discernimento 566. Para Deus, a conversão dos assírios era muito mais importante que a preservação da planta que servia para o desfrute de uma única pessoa.

O que aconteceu afinal não está relatado no livro que leva seu nome. Aparentemente, Jonas voltou ao seu lar pátrio, para registrar e deixar constância de sua missão em Nínive 567.
Amós – Pastor e profeta

Am 1.1-9.15

Nos últimos anos do reinado de Jeroboão, Amós proclamou a palavra de Deus no Reino do Norte. Amós chegou a Samaria procedente do pequeno povoado de Tecoa, localizado a uma 8 km ao sul de Belém. Para ganhar-se a vida, pastoreava ovelhas e cultivava sicômoros 568. Enquanto estava entre os pastores de Tecoa, Amós recebeu o chamamento de Deus para ser um profeta. Esta chamada foi tão clara como o cristal, de forma tal que quando o sumo sacerdote lhe chamou a atenção em Betel, Amós recusou ser silenciado (7.10-17).

A mensagem de Amós refletiu o luxo e a comodidade de Israel durante o reinado de Jeroboão 569. O comércio com a Fenícia, a passagem do tráfego das caravanas através de Israel e a Arábia, e a expansão para o norte a expensas da Síria, aumentaram extraordinariamente as arcas de Jeroboão. O rápido crescimento do nível de vida entre os ricos ampliou a distância entre classes. Prevaleceram os males sociais. Com uma sagaz visão das coisas, Amós observou a corrupção moral, o luxo egoísta e a opressão dos pobres, enquanto a riqueza rapidamente acumulada produzia mais ricos. Numa linguagem simples, porém cheia de força, denunciou, corajosamente, os males que se tinham introduzido na vida social, política e econômica de todo Israel. Nos rituais religiosos, não havia substituto para a justiça, sem a qual a nação de Israel não poderia escapar ao juízo de um Deus justo.

Por quanto tempo profetizou Amós? Já que chegou de Judá ao domínio de Jeroboão para denunciar a aristocracia da riqueza e do luxo, é razoável assumir que seu ministério somente foi tolerado por um breve período de tempo. o que aconteceu a Amós após que Amasias informasse dele a Jeroboão, é algo que não está registrado. Pode ter sido encarcerado, expulsado ou incluso martirizado 570. Com lucidez literária e um magnífico estilo, Amós predica a mensagem de Deus para sua geração 571. Numa clássica simplicidade, descreve seu encontro com a pecadora nação contemporânea. Para uma breve analise do livro de Amós, note-se o seguinte:


I. Introdução Am 1.1-2

II. Denúncia das nações Am 1.3-2.16

III. As acusações ampliadas de Deus contra Israel Am 3.1-6.14

IV. O plano de Deus para Israel Am 7.1-9.15


Deve ter-se em conta como Amós começou sua missão predicadora. Anunciando valentemente o juízo para as nações circundantes, atraiu a atenção dos israelitas. A ação do profeta, verossimilmente provocou uma alegria maliciosa em mais que uns poucos corações endurecidos.

Damasco foi a primeira a ser denunciada. Seguramente alguns dos israelitas mais velhos puderam lembrar de como Hazael havia trazido a destruição sobre eles, pela invasão, ocupação e o cativeiro durante o reinado de Jeú. Outros, no auditório de Amós, lembraram com desagrado os filisteus, que traficaram com cativos em seu comércio com Edom. Tiro tinha sido culpável do mesmo lucrativo negócio. Os edomitas, que eram notórios por sua animosidade e ódio para com Israel, já desde os dias de Jacó e Esaú, não puderam escapar ao juízo e castigo de Deus. as atrocidades dos amonitas e os traiçoeiros moabitas, com suas más ações, foram igualmente indicados pelo juízo divino.

Enquanto os israelitas escutaram aquelas terríveis denúncias feitas por Amós, se alegraram, indubitavelmente, pelo fato de que o juízo divino estiver dirigido a seus pecadores vizinhos.

Aqueles pagãos se mereciam o castigo. Por então, Amós já tinha avisado a Israel ao julgar seis nações circundantes. O sétimo na lista era o próprio reino de Judá. Talvez o povo de Jerusalém tinha-se refugiado no orgulho de ser e considerar-se a atalaia da lei e do templo. Amós, sem temor, os condenou por sua desobediência e desprezo da lei. Com toda certeza, isto resultava mais agradável aos israelitas nacionalistas, que se ressentiam do orgulho religioso de Judá.

Caso Amós tiver concluído sua mensagem por ali, poderia ter sido mais popular; porém não foi assim o caso. Os seguintes na ordem do dia eram os próprios israelitas aos que estava falando. Os males sociais, a imoralidade, a profanação —tudo aquilo existia em Israel. Deus não podia deixar passar tais pecados no povo de sua aliança, ao qual tinha remido do Egito. Se outras nações mereciam o castigo, muito mais o merecia a própria Israel. Não, não escapariam ao escrutínio do Senhor.

Certamente, era íntima a relação entre Deus e Israel (3.1-8). De todas as nações da terra, Deus tinha escolhido a Israel para ser o povo de sua aliança. Porém, havia pecado. somente restava uma alternativa: Deus deveria castigá-lo. O falho em apreciar e medir os maiores privilégios e as mais abundantes bênçãos, traria a visita de Deus em seu juízo.

Será que o juízo chega por casualidade? Por uma série de questões retóricas, onde a resposta é evidentemente "Não", Amós expressou a verdade evidente de que o mal ou o castigo não chegam a uma cidade sem o conhecimento de Deus. Deus o revela aos profetas. E quando Deus fala a um profeta, que pode este fazer, senão profetizar? Em conseqüência, Amós não tinha alternativa.

Deus tinha-lhe falado. Ele estava sob a divina compulsão para pronunciar a palavra de Deus.

Apelando aos vizinhos pagãos como testemunhas, Amós perfila seus cargos contra Israel (3.9-6.14). Em Samaria, os ricos bebiam e gozavam a expensas dos pobres. Persistindo naqueles males, multiplicaram as transgressões com sacrifícios rituais. Ao mesmo tempo, odiavam a reprovação, resistiam à verdade, aceitavam subornos, descuidavam o necessitado e afligiam o justo. Em essência, tinham tornado a justiça em veneno. A avaliação de Deus das condições de Israel deixou somente uma alternativa. O exílio em massa tinha sido decretado para os israelitas.

Incluída nestes cargos estava a explícita aclaração da condenação que se aproximava. Um adversário rodearia o país. Nem a religião nem a política salvariam Israel quando os altares de Betel e os palácios de marfim fossem derrubados sob as pancadas dos invasores. Como peixes colhidos com anzóis, os cidadãos de Israel seriam arrastados ao exílio. Deus estava levando a uma nação sobre eles em juízo, para oprimir a terra desde a fronteira do norte em Hamate até um rio do Egito.

A misericórdia tinha precedido o juízo 572. Deus tinha enviado a seca, as pragas e a peste para despertar Israel ao arrependimento; porém o povo não tinha respondido.

Continuando em sua vida ímpia, tinham antecipado o dia em que o Senhor lhes traria as bênçãos e a vitória. Que trágica ilusão! Amós ressaltou que para eles este seria um dia de escuridão antes que de luz. Como um homem que corre perseguido por um leão, somente para deparar-se com um urso, assim Israel encarava a inevitável calamidade no dia do Senhor. Deus não podia tolerar seus rituais religiosos, festas e sacrifícios ao tempo que eram culpados de pecados contra seus concidadãos. Sua única esperança para viver era buscar a Deus, odiar o mal, amar o bem, e demonstrar a justiça em sua total pauta de vida. Já que não tinham respondido às repetidas advertências e avisos, o juízo de Deus era irrevogável. Deus não podia ser subornado mediante ofertas e sacrifícios para afastar a aplicação de Sua justiça. A completa ruína, e não o triunfo, os aguardava no dia do Senhor.

O plano de Deus para Israel estava claramente perfilado, eles tinham ignorado Sua misericórdia.

O juízo estava agora pendente. Em cinco visões, Amós previu os futuros acontecimentos, aonde lhe fora dado uma mensagem de advertência (7-9). Aquelas visões aclaravam vividamente a condenação em marcha. Em ordenada progressão, as quatro primeiras visões —os gafanhotos, o fogo, o prumo e o cesto de frutos— conduziam à quarta, que significava a real destruição.

Quando Amós viu a terrível formação de gafanhotos, sentiu-se profundamente comovido por seu povo. De ser libertados da terra, seriam roubados de seu sustento, incluso ainda se o rei tinha sua participação na erva serôdia. Imediatamente, Amós gritou: "Senhor DEUS, perdoa, rogo-te" (7.2), e a mão de Deus do juízo foi detida.

Logo a seguir, o profeta percebeu um fogo destruidor que Deus estava a ponto de soltar em juízo contra Israel. Amós não podia suportar o pensamento de que o povo de Deus fosse consumido pelo fogo. Mais uma vez intercedeu, e em resposta, Deus evitou o juízo.

Na terceira visão, o Senhor aparecia com um prumo em sua mão, para inspecionar um muro. Isto significava claramente a inspeção de Deus para com Israel. Ninguém sabia melhor que Amós que os israelitas não poderiam passar este exame; porém o profeta foi advertido com antecipação que Deus não passaria novamente a mão com misericórdia. Por duas vezes Deus tinha estendido sua complacência misericordiosa, mas agora os santuários seriam derrubados. A família real se encarava com a espada.

Aparentemente, esta mensagem era demasiado forte para os que o ouviam em Betel.

Amasias, o sacerdote, se levantou em cólera contra Samuel. imediatamente avisou o rei, e logo a seguir encarou o profeta com o dilema e o ultimato de voltar a Judá e ganhar lá sua vida.

Com a firme convicção de que Deus o tinha chamado, Amós anunciou valorosamente a condenação de Amasias. Não somente seria morto e sua família exposta ao sofrimento, senão que, além do mais, Israel seria arrancado de raiz e levado ao exílio.

Na quarta visão, lhe apareceu uma cesta de frutos de verão. Enquanto o prumo significava a inspeção, a fruta de verão indicava a iminência do juízo. Como a fruta madura espera ser consumida, assim Israel estava presta para a condenação. Aquele era o fim, Deus não esperaria mais. Os opressores, os que quebrantavam o sábado e os negociantes sem escrúpulos, eram chamados para renderem contas de suas ações. Os lamentos iriam substituir a música. As condições pendentes eram tais, que o povo desejaria ouvir a palavra de Deus, mas não poderiam achá-la. Todos pereceriam no juízo.

Na visão final, o Senhor aparece junto ao altar para executar a sentença contra Israel.

O tempo chegara para destruir as cidades e derrubar toda a estrutura do templo. Deus, que havia repartido entre eles a bondade, estava agora dirigindo a execução. Deus tinha colocado seu olho sobre eles pelo mal, e não pelo bem. Não importa aonde fugissem, não poderiam escapar do cativeiro.

Israel está a ponto de ser peneirada para separar o grão dentre as nações.

Todos os profetas tiveram uma mensagem de esperança. Em seu parágrafo final, Amós insere uma promessa alentadora (9.11-15). A dinastia davídica será restaurada, o reino será reafirmado.

Todas as nações sobre as quais "é invocado meu nome" serão tributárias de Israel. O vigor e o êxito prevalecerão mais uma vez, quando a fortuna de Israel seja recuperada. O tempo chegará quando Israel seja restabelecida em sua própria terra, e nunca mais voltará a ser abatida.


Oséias – O mensageiro do amor de Deus

Os 1.1-14.9

Oséias, cujo livro é o primeiro na lista dos profetas menores, começou seu ministério na última década do governo de Jeroboão. Em contraste com Amós, cujo ministério parece ter sido breve, Oséias continuou por várias décadas no reino de Ezequias. Com toda probabilidade, ele foi testemunha da queda de Samaria. Oséias não está mencionado em outros livros e é conhecido por nós somente porque registra fatos que são citados no livro que leva seu nome. Ainda sendo um homem do norte, seu ministério pode ter-se estendido a ambos reinos (ver 6.4).

Demos uma olhada aos tempos de Oséias. Nasceu e se criou numa época de prosperidade e de paz. Para o final deste período, quando Israel tinha um lugar proeminente entre as nações da Palestina, Oséias começou seu ministério anunciando o juízo de Deus sobre a dinastia reinante de Jeú. Antes que se passassem muitos anos, a nação levava luto pela morte de Jeroboão, o notável governante do Reino do Norte. O ano 753-2 a.C. levou o derramamento de sangue e a morte até o palácio real. Zacarias governou seis meses, quando o assassino Salum acabou com a dinastia de Jeú. Após o governo de um mês, Salum foi assassinado por Menaém. Embora a capital estava sobressaltada, o Reino do Norte manteve o status quo econômico durante os primeiros anos do reinado de Menaém.

A cena internacional mudou bruscamente. Tiglate-Pileser se apoderou do trono da Assíria no 745. Isto marcou o reavivamento de uma agressão pelo oeste, que pôs o Crescente Fértil sob o controle assírio durante o seguinte século. Ultimamente, sob reis sucessivos, o cinturão comercial do velho mundo que chegava até Tebas tinha sido controlado desde a capital assíria. O terror se apoderou das nações que se viram sob a ominosa ameaça dos exércitos triunfantes de Tiglate-Pileser. Havia razão para sentir medo. Sob a nova polca militar da Assíria, o nacionalismo foi submetido ao remover as populações das cidades conquistadas, levando-as a distantes partes do império. Por sua vez, os estrangeiros foram assentados em terras ocupadas, para evitar as subseqüentes rebeliões. Uma vez conquistada por Assíria, era mais difícil, certamente, para qualquer nação o poder liberar-se do jugo imposto.

Tempos turbulentos perturbaram os reinos da Palestina durante a segunda metade do século VIII a.C. Inicialmente Uzias, o rei de Judá, capitaneou a coalizão palestina contra o avanço assírio, porém sem êxito duradouro 573. Menaém reteve seu trono somente em troca de pagar excessivos tributos, extraindo-os a viva força de seu povo para entregá-los ao monarca assírio 574. Embora isto resolveu o problema temporalmente, Menaém levantou o ressentimento dos cidadãos ricos de Israel. Após sua morte, seu filho Pecaías somente governou por dois anos, antes de ser assassinado numa rebelião contra a liderança que favorecia a política pró-assíria.

Peca, o assassino, levou vantagem da concentração dos assírios na campanha de Urartu.

Aliando-se com os sírios de Damasco, se preparou para o dia do retorno dos assírios. Esta tentativa abortada de libertar Israel da ameaça assíria, somente piorou as coisas. Por volta do 732 a.C., Rezim, o rei sírio, foi morto na ocupação de Damasco pelos assírios. Israel tinha pouca chance, já que Acaz, o rei de Judá, tinha feito aliança com Tiglate-Pileser.

Peca foi destronado numa morte sangrenta, para deixar passagem a Oséias, quem imediatamente assegurou ao rei assírio sua lealdade e o tributo de Israel.

Oséias começou seu reinado como vassalo da Assíria. Quando Salmaneser substituiu a Tiglate-Pileser no trono da Assíria, no 727 a.C., os israelitas tentaram outra rebelião. Em poucos anos, os exércitos de Salmaneser V rodearam Samaria. Após um assédio de três anos, a capital israelita capitulou no 722 a.C. Passadas três décadas depois da morte de Jeroboão, o Reino do Norte foi reduzido de um lugar de governo entre as nações da Palestina a uma província assíria.

Estas turbulências e vicissitudes do reino naquelas décadas quase apagaram a voz do profeta Oséias. Os tempos eram tão bons, nos primeiros anos de seu ministério, que os israelitas não queriam ser perturbados por advertências proféticas. A dinastia de Jeú tinha retido, afortunadamente, o trono durante quase um século. Antes de que se passasse muito tempo, contudo, a predição de Amós do exílio de Israel cobrou uma portentosa significação quando a política militar dos assírios desarraigou as populações nas terras ocupadas e as enviou a lugares distantes do império, levando à prática o exílio. As repetidas mortes de palácio, a invasão assíria, os pesados tributos e contribuições, as vacilantes alianças com estrangeiros e, finalmente, a queda da Samaria, figuraram nos turbulentos tempos do ministério de Oséias.

Passando tudo ao longo das tribulações e problemas dos cambiantes tempos, Oséias fielmente serviu a sua geração como porta-voz de Deus. não se dão detalhes a respeito de seu chamamento ao ministério profético, além do fato de que o Senhor falou com ele. Oséias foi compelido a descrever o fato de que Deus ainda amava a um Israel que tinha voltado a seus antigos pecados. Pacientemente, rogou a seu povo que se arrependesse, enquanto via o reino deslizar-se desde a posição arrogante que tinha com Jeroboão II, ao nível de uma província assíria ocupada.

Durante seu longo ministério, Oséias partilhou o empenho de seu povo num reino titubeante. Com compaixão e amor por seus concidadãos, manifestou uma sensitiva resposta às necessidades de Israel em sua pecadora condição. Além de sua experiência pessoal, expressou num tom de tristeza o amor de Deus por um povo que tinha falhado em responder a sua bondade.

Não se dão datas específicas no livro de Oséias. Já que Jeroboão e Uzias são mencionados no versículo inicial, é geralmente conveniado que Oséias começou seu ministério por volta do 760 a.C., nos últimos anos do reinado de Jeroboão 575. Certamente, suas predição concernente à dinastia de Jeú no primeiro capítulo e possivelmente as sucessivas mensagens nos primeiros três capítulos do livro, foram publicamente dados antes da morte de Jeroboão. É razoável associar as mensagens dos capítulos 4-14 com os acontecimentos que espalharam as grandes sombras da dominação assíria sobre a terra da Palestina. Para uma analise completa de sua mensagem, como está registrada no livro que leva seu nome, pode considerar-se a seguinte perspectiva:
I. O matrimônio de Oséias e sua aplicação a Israel Os 1.1-3.5

II. As acusações de Deus contra Efraim Os 4.1-6.3

III. A decisão de Deus de castigar Efraim Os 6.4-10.15

IV. A resolução de Deus nos juízos e misericórdia Os 11.1-14.9


Única entre os profetas foi a experiência matrimonial de Oséias. Sob divina compulsão, Oséias casou com Gomer. No curso do tempo, lhe nasceram três filhos, Jizreel, Lo-Ruama e Lo-Ami, esta relação de família se converteu na base para várias mensagens que Oséias entregou a seu povo na primeira década de seu ministério.

A brevidade de Oséias no informe de seu matrimônio e a vida de família, deixa um número pendente de problemas 576. A despeito disso, o leitor não pode falhar em ver a progressiva revelação da mensagem de Deus através de Oséias. Com o nascimento de cada filho, a advertência do juízo pendente era apresentada com maior força e exata clareza.

O nome "Jizreel" remove numerosas lembranças de triste memória nas mentes dos israelitas. Como cidade real de Israel, estava associada com o assassinato de Nabote por Jezabel.

Correntemente, isso lembrava os israelitas que a poderosa dinastia reinante de Jeú marcou seu caminho para o trono com um excessivo derramamento de sangue em Jizreel (2 Reis 9-10).

Desta forma, Oséias advertiu a sua geração que o Reino do Norte estava perto de seu fim.

Seu poder seria destruído e ficaria quebrado no vale de Jizreel.

Outra advertência chegou a Israel com o nascimento da filha de Oséias, Lo-Ruama. O significado "não compadecida" levou aos israelitas a mensagem de que Deus retiraria sua misericórdia. Já não os perdoaria totalmente. Subseqüentemente, o nascimento do terceiro filho trouxe o anúncio de que Deus estava fazendo mais severas suas relações com Israel. Na aliança existia um mútuo laço de união entre Deus e seu povo. Então Oséias deu a notícia a Israel de que aquele laço seria dissolvido. Já não era Israel o povo de Deus; nem Deus, o Deus de Israel. A relação da aliança tinha alcançado seu ponto de ruptura.

Apesar de tudo, Oséias, olhando ao longe no futuro, injetou um raio de esperança nos projetos de total abandono de Deus 577. A sentença contra Israel ia realmente ser executada; porém, chegaria um dia quando tanto Israel como Judá seriam reunidas de novo sob um único governante em sua própria terra. Esta multidão incontável seria identificada como os "filhos do Deus vivente".

Oséias, então, voltou aos problemas contemporâneos. A esperança da última restauração necessitava pouca ênfase quando sua geração estava a ponto de perder o favor de Deus. a fórmula legal do divórcio (2.2) indica que o profeta dissolveu seu matrimônio com a adúltera Gomer. De igual forma, Israel, por sua terrível atuação, é culpável de adultério. O grão, o vinho, o azeite, a prata e o ouro que Deus tinha generosamente subministrado a seu povo, tinham sido utilizados pelos israelitas em oferendas a Baal. Israel, como sua conduta tinha demonstrado, não "sabia" nem percebia que Deus tinha-lhe outorgado todas aquelas coisas boas ao povo de sua aliança 578. Então, Deus estava a ponto de visitá-los com seu juízo.

Todas as festividades religiosas cessariam. Israel seria castigada por sua apostasia ao ser desarraigada e exilada —abandonada por Deus.

E mais uma vez, o futuro ficava desvendado. A seu devido tempo, Deus concederia a graça de restaurar a Israel (2.14-23). O dia se aproximava em que a aliança seria renovada de tal forma que mais uma vez gozaria das bênçãos do Altíssimo como povo de Deus. esta promessa foi confirmada na própria existência de Oséias (3.1-5). O profeta foi convidado a buscar sua esposa e reinstalá-la em sua família. Mas, onde estava ela? O que tinha acontecido com ela?

Aparentemente, ela tinha ido embora e tinha chegado a um limite tal de imoralidade que ninguém tinha necessidade de sua companhia. Oséias a achou na praça do mercado, sendo oferecida à venda ao melhor concorrente 579. Indo muito além de suas obrigações morais e religiosas, pagou seu preço e pôs nela seu amor, renovando os votos de seu matrimônio. Esta ação simbolizava a atitude de Deus para com a adúltera Israel 580. A simples promessa de Deus é que Israel, mais uma vez, será restaurada nos últimos dias sob o governo de um rei, Davi.

Que cargos tinha Deus contra Israel? Linguagem blasfema, mentira, assassinato, roubo, adultério e crime —todos esses foram os sintomas do fracasso de Israel em reconhecer a seu Deus. o povo tinha ignorado a lei de Deus 581 e, em conseqüência, Deus o havia rejeitado. Em sua idolatria, Efraim era pior que uma prostituta 582. Os sacerdotes e os profetas igualmente tinham falhado até o extremo de que incluso Judá foi advertida de não se contaminarem com Efraim. O sacerdote, o rei e o povo foram alertados no fato de que o juízo se aproximava (5.1). com trombetas ressoando o alarme por toda a terra, Deus estava avisando Israel que estava a ponto de abandoná-la. Não tinha buscado a Deus, senão que tinha olhado para a Assíria em busca de ajuda. Deus ia abandoná-la até o tempo em que Israel genuinamente O buscasse (6.1-3).

Que faria Deus com Efraim? Esta pergunta sobressai na objetiva discussão representada por 6.4-10.15. Esta seção reflete a mensagem de Oséias durante as décadas em que Efraim estava em trance de desintegração sob a esmagadora marcha e o avanço da máquina assíria de guerra. Gradativamente, as nuvens do exílio foram expandindo uma sombra crescente sobre Efraim e, por último, foram extintos os últimos raios das esperanças nacionais de Israel.

Em relação com a aliança, o amor de Israel por Deus tinha vacilado constantemente.

Repetidamente, Deus havia tratado de fazer voltar seu povo de seus caminhos errados, ao enviar os profetas para chamar sua atenção. Em outras ocasiões, Ele a tinha visitado com calamidades e juízos. Ainda persistia em substituir as ofertas pelo verdadeiro amor e a lealdade. Quando Deus tiver revivido a Israel após seu castigo, que acharia? Ações más, engano, roubo, bebedices —tudo isso era nauseabundo para Deus, como um bolo a meio cozer. Ninguém em Israel buscava realmente a Deus. Efraim era demasiado orgulhosa. Agindo como uma pomba facilmente enganada, os oficiais buscavam a segura ajuda do Egito ou da Assíria pela diplomacia, esperando assim fugir do juízo de Deus. em vez de confiar em Deus, continuavam manifestando sua dependência de Baal. que podia fazer Deus, senão executar a sentença contra o povo infiel e ingrato!

Outra acusação contra Israel era que os reis tinham sido entronizados sem a aprovação de Deus. Fazendo ídolos, o povo tinha-se afastado e desprezado o Decálogo, que claramente limitava seu pacto e lealdade a Deus, quem os libertou da escravidão do Egito 583. Além disso tudo, a multiplicação de altares e sacrifícios não resultava agradável a Deus, entretanto que não estava acompanhada das devidas atitudes. A hipocrisia religiosa de Israel era patente para Deus nos dias de Oséias. A causa de sua evidente maldade, a morte e a destruição aguardavam a todo Israel. O rei seria completamente destronado na terminação do reino (8.1-10.15).

Como poderiam o eterno amor de Deus e sua justiça para com o Israel rebelde serem resolvidos? Poderia Deus abandonar por completo e esquecer-se de seu povo? A solução a este problema se dá em 11.1-14.9. Israel era o filho de Deus 584. No Egito, Deus tinha confirmado sua aliança com os israelitas e os havia redimido de sua escravidão. Como um pai cria com carinho a seu filho vacilante, o provê em todas suas necessidades e lhe outorga seu amor sem medida, assim Deus tinha-se cuidado continuamente de Israel. Agora, o povo tinha pecado e estava na necessidade de receber a correspondente disciplina o castigo deveria chegar, mas não voltariam ao Egito. Assíria era designada como a terra do exílio 585. Ainda lutando com o problema do amor compassivo para com um filho descaminhado e contumaz, a mensagem profética faz uma transição desde uma ameaça a uma promessa pela questão de "Como poderei abandonar-te, oh, Efraim?". O problema é resolvido ao enviar a Israel ao exílio com a seguridade de que retornará. Tanto Judá como Efraim são culpáveis de confiar no Egito e na Assíria, procurando ajuda. Israel tem provocado a ira de Deus e se convertido em repreensão para Ele. Por um tempo, irá à nação como um leão devorador para executar a sentença decretada sobre ela. Isto não pode ser alterado, porém no futuro, Deus será sua ajuda. Esta promessa proporciona a Israel consolo, e será como uma baliza durante os escuros dias do exílio.

Para seu povo, Oséias dá uma simples fórmula para que volte a Deus: abandonar os ídolos, transferir sua fé e confiança da Assíria a Deus, e confessar suas iniqüidades. Somente em Deus acharão a misericórdia os que estão abandonados pelo Pai (14.1-4).

A última esperança é a restauração de Israel. O dia chegará em que os ídolos serão abandonados e a devoção para Deus terá uma plenitude piedosa. Restaurada em sua própria terra, Israel gozará mais uma vez da prosperidade material e das bênçãos divinas.







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