A história de israel no antigo testamento



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• Capítulo 24: Depois do exílio

Depois que as esperanças nacionalistas de Judá foram perdidas e ficaram reduzidas a pó, com a queima de Jerusalém no 586, o profeta Jeremias acompanhou um restante de judeus ao Egito e ali concluiu seu ministério. Ezequiel, um profeta entre os exilados da Babilônia, dedicou sua mensagem aos projetos e perspectivas de uma última restauração do lar pátrio. Seu ministério profético provavelmente terminou por volta do 570 a.C. Com a volta dos judeus a seu país nativo, Ageu e Zacarias começaram a exercer sua eficaz influência, estimulando os judeus em seus esforços para reconstruírem o templo. Antes de que transcorresse outro século, Malaquias surgiu em Judá como um profeta do Senhor.


Os tempos da reconstrução de Jerusalém 599

As predições escritas de Jeremias concernentes a um período de setenta anos do cativeiro dos judeus já eram conhecidas e estavam em circulação entre os exilados na Babilônia.

De frente aos judeus se estendiam dias transcendentais. Pouco depois da queda da Babilônia, Ciro assinou um pertinente decreto. Revertendo a política de desarraigar de seu lar os povos conquistados —uma prática dos assírios e dos babilônicos de quase dois séculos—, Ciro favoreceu o povo judeu e outros povos cativos com uma proclama na qual lhes era permitido voltar a sua terra Natal. Aproximadamente cinqüenta mil judeus se reuniram na longa viagem desde a Babilônia a Jerusalém, para restaurar seus destinos nacionais sob a chefia de homens tais como Zorobabel e Josué (Esdras 1-3).

Os judeus voltaram cheios de otimismo e começaram a tremenda tarefa de reconstruir seu país. Erigiram um altar e restituíram o culto em Jerusalém, de acordo com a lei de Moisés. Com renovado entusiasmo, tornaram a celebrar as festas e as ofertas prescritas. Corajosamente, empreenderam a reconstrução do templo no segundo ano depois da volta do exílio. Enquanto muitos gritavam de alegria, outros choraram enquanto refletiam na belíssima estrutura salomônica que tinha sido reduzida a um montão de ruínas pelos exércitos da Babilônia cinco décadas antes.

O otimismo deu passo ao desalento. Recusando a ajuda da população misturada na província da Samaria, os judeus se converteram em vítimas do ódio. Tão hostis foram seus vizinhos do norte que o projeto de reconstrução foi completamente abandonado por quase dezoito anos.

Não foi senão até o segundo ano do reinado de Dario (520 a. C.), quando os judeus estiveram em condições de renovarem seus esforços. Naquele tempo, os profetas Ageu e Zacarias insuflaram o zelo e o patriotismo de uma nova geração 600. Menos de um mês depois de que Ageu fizesse sua aparição em público, o povo recomeçou o programa de reconstrução.

Seu incentivo aumentou quando umas semanas mais tarde Zacarias se uniu a Ageu em mensagens de repreensão, alento e segurança. Zorobabel e Josué deram a seu povo uma valente chefia no nobre esforço, a despeito da oposição de Tatenai (Esdras 4-6). Quando o último apelou ao rei persa, Dario fez uma investigação e emitiu um édito favorável aos judeus. no termo de cinco anos, o povo de Judá viu cumpridas suas esperanças na reedificação do novo templo.

Ageu e Zacarias apenas se são mencionados no livro de Esdras (5.1-2 y 6.14) como profetas que ajudaram a Zorobabel e Josué. A efetividade de seu ministério e o impacto que causaram sobre o povo de Judá se aprecia mais claramente em seus escritos.


Ageu – Promotor do programa de construção

Ag 1.1-2.23

Pouco se conhece a respeito de Ageu, além de sua identificação como profeta. Muito provavelmente nasceu na Babilônia e retornou com a migração a Jerusalém nos anos 539-38 a.C. Sua tarefa específica foi induzir os judeus a renovarem seu trabalho no templo.

Começando a finais de agosto do 520 a.C., Ageu emitiu quatro mensagens ao povo, antes que terminasse esse ano. A brevidade de seu livro pode indicar que ele registrou somente suas mensagens orais. A seguinte perspectiva do livro está baseada em quatro oráculos:
I. Admoestação e resposta do povo Ag 1.1-15

II. A maior glória do novo templo Ag 2.1-9

III. A seguridade das bênçãos Ag 2.10-19

IV. Uma mensagem pessoal Ag 2.20-23


A segunda década, depois que se colocou a primeira pedra ao templo, transcorreu rapidamente. O entusiasmo religioso expressado quando se lançaram os fundamentos tinha sido decisivamente sufocado pelos hostis samaritanos. Enquanto isso, o povo tinha-se dedicado à construção de seus próprios lares.

Ageu dirigiu suas primeiras palavras a Zorobabel, o governador, e a Josué, o sumo sacerdote. Valentemente, declarou que não era justo que o povo demorasse a construção do templo. Voltando-se ao laicato, os lembrou de que o Senhor dos Exércitos era forte e possuidor de todas as bênçãos materiais. Em lugar de dedicarem seus esforços ao santo projeto, tinham-se dedicado a construir seus próprios lares. Portanto, a seca e as más colheitas tinham sido seu prêmio (1.1-11).

Até então, nenhum profeta tinha gozado de tão rápidos resultados em Judá. O povo respondeu entusiasticamente à exortação de Ageu. Vinte e cinco dias depois, Ageu teve a satisfação de ver renovada a atividade na construção (1.12-15).

A construção do novo templo continuou a passos agigantados por quase um mês antes que Ageu entregasse uma nova mensagem. A ocasião se produziu no último dia da Festa dos Tabernáculos 601. Até ali, somente tinha havido uma colheita escassa e portanto a celebração foi notavelmente medíocre em comparação com as elaboradas festividades no átrio do templo nos tempos pré-exílicos. Provavelmente, deviam restar ainda uns poucos dentre os anciãos que tinham visto o anterior templo —menos em número, contudo, que no 538 a.C., quando a nova fundação tinha sido assentada. Comparando o que se fazia com a estrutura salomônica, ficaram pessimistas e desencorajados. O trabalho se retrasava conforme o espírito do desânimo começou a penetrar na totalidade do grupo.

A oportuna mensagem de Ageu salvou a situação. Admoestando os judeus a renovarem seus esforços, o profeta lhes assegurou que Deus, através de seu Espírito, estava entre eles. Além disso, lhes chegou a palavra procedente do Senhor dos Exércitos: Deus sacudiria as nações, o Senhor faria que a glória daquele templo excedesse a do primeiro, e o Todo Poderoso forneceria a paz e a prosperidade naquele lugar. Embora a promessa era inequívoca e específica, o tempo para seu cumprimento está velado nas ambíguas palavras "daqui a pouco". Para a geração de Ageu, esta promessa foi uma fonte de alento em sua tarefa imediata.

Após dois meses de rápido progresso no programa da construção, Ageu recebeu outra mensagem de Deus 602. O povo tinha experimentado anos de escassez no período em que tinha descuidado a construção do templo, porém assim que tinham recomeçado os trabalhos, Deus os abençoaria abundantemente. Embora a semente não tinha sido segada, eles marcaram aquele dia como o começo das bênçãos materiais muito maiores 603. Melhores colheitas viriam para deu desfrute imediatamente.

No mesmo dia teve uma mensagem pessoal para Zorobabel. Como descendente da linhagem real e como governador de Judá, ele representava o trono de Davi. Naquele dia, quando Deus faça estremecer os céus e a terra, derrube os Ts, e destrua a força das nações pagãs, o Senhor dos Exércitos fará um selo para Zorobabel. Já que tais acontecimentos não aconteceram nos tempos de Zorobabel, a promessa dirigida a ele o foi como feita a um representante da linha hereditária do trono de Davi, a qual aguarda seu cumprimento 604. A declaração, estabelecendo que ele era escolhido pelo Senhor dos Exércitos, proporcionou o valor necessário para a efetiva chefia num tempo em que os governadores persas naquela zona ameaçavam com deter a construção em Jerusalém.
Zacarias – Israel no mundo do ocaso

Zc 1.1-14.21

Jerusalém fervia com atitude e movimento, quando Zacarias anunciou suas declarações apocalípticas. Nos dias de vacilação que seguiram a Ageu em sua segunda mensagem, Zacarias recebeu ulterior inspiração para os bandos em luta dos judeus. com toda probabilidade, pertencia à linhagem sacerdotal de Ido, que tinha retornado à Palestina (Ne 12.1,4,16). Se ele é o sacerdote citado em Ne 12.16, era ainda um homem jovem no 520 a.C., quando começou seu ministério.

As mensagens de Zacarias em 1-8 estão definitivamente relacionadas com a época da reconstrução do templo. O resto deste livro pode ser razoavelmente datado No-Amom últimos anos de sua vida e subseqüentes à dedicação do templo. Observe-se a seguinte analise do livro de Zacarias 605:
I. A chamada ao arrependimento Zc 1.1-6

II. As visões noturnas Zc 1.7-6.8

III. A coroação de Josué Zc 6.9-15

IV. O problema do jejum Zc 7.1-8.23

V. O pastor-rei Zc 9.1-11.17

VI. O governante universal Zc 12.1-14.21


As palavras de apertura de Zacarias seguem em pós da mensagem de alento de Ageu na Festa dos Tabernáculos. Citando a desobediência de seus antepassados a modo de advertência, Zacarias apóia o esforço de seu colega para ativar os judeus. Somente uma genuína mudança de coração evocará o favor de Deus (1.1-6).

O segundo oráculo de Zacarias chega numa seqüência de visões noturnas 606. Em rápida sucessão se apreciam, descritos pelo profeta, os acontecimentos corriqueiros e os problemas com os que se encarava o povo. Com cada aspecto desta revelação, chegam as provisões de Deus para seu estímulo. Embora cada visão merece um estudo especial a respeito de sua significação para o futuro, o efeito de conjunto de panorama era vitalmente significativo para o auditório de Zacarias em sua nobre luta durante aqueles meses cheios de ansiedade.

Quatro cavalheiros aparecem na cena do começo. Voltando de uma patrulha de rigor, informam que todo está em calma. Em resposta a uma pergunta que se refere ao fado de Jerusalém, o Senhor dos Exércitos anuncia que Sião será confortado na restauração do templo de Jerusalém (1.7-17).

Quatro chifres e quatro carpinteiros são apresentados então ao profeta. A destruição dos primeiros pelos últimos representa a ruína das nações responsáveis da dispersão de Judá, Israel e Jerusalém (1.18-21).

Um homem que tinha na mão um cordel de medir aparece à vista de Zacarias. Tão populosa e próspera terá ficado Jerusalém que será necessário alargá-la além das muralhas. Quando o Senhor apareça como a glória desta cidade, Ele será também como uma muralha de fogo protetor. Reunindo a Israel, o Senhor aterrorizará as nações de tal forma que se convertam num despojo para o povo que uma vez foi levado em cativeiro. Judá será de novo herança de Deus quando o Todo Poderoso escolha, mais uma vez, a Jerusalém como seu lugar de morada (2.1-13).

Em outra visão ainda, Zacarias vê a Josué vestido com roupas sujas. Satanás, o acusador do sumo sacerdote de Israel, é repreendido por Deus, que tem escolhido a Jerusalém. Josué é vestido logo com os devidos ornamentos. Condicionado por sua obediência, Josué recebe a seguridade de que então pode representar aceitavelmente a seu povo diante de Deus. a promessa para o futuro está investida no servo identificado como "o renovo" 607. Num único dia o Senhor dos Exércitos apagará todas as culpas da terra, para que regressem a paz e a prosperidade (3.1-10).

Especialmente digna de notar-se é a visão do castiçal de ouro com duas oliveiras. Por sua importância, Zacarias é acordado por um anjo. O recipiente que serve como depósito reservatório para a lâmpada, aparentemente estava continuamente alimentado pelo óleo das duas oliveiras. Mediante esta visão, chega a seguridade para Zorobabel de que Deus, por meio de seu Espírito, cumpriria seu propósito. Zorobabel tinha começado a construção do templo e a completaria. Mantendo a vigília, o Senhor de toda a terra é ajudado por dois ungidos, que obviamente são Josué (3.1-10) e Zorobabel (4.1-14; Ageu 2.20-23).

Certamente a seguinte visão é dramática. Zacarias vê um rolo voador, de um tamanho fantástico (uns 4,5 m por 9 m), que anuncia uma maldição contra o roubo e o perjúrio. A maldição é enviada pelo Senhor para consumir toda a culpa que há sobre a terra (5.1-4).

Imediatamente depois, chega o necessário para suprimir a maldade. Uma mulher, que representa a iniqüidade da terra, é levada a Babilônia com uma ânfora.

Na visão final, uns carros de guerra partem dos quatro pontos cardeais para patrulhar a terra. De novo, o Senhor de toda a terra exerce um controle universal como o fez na primeira visão mediante os cavalheiros (6.1-8).

A situação em Jerusalém se aproximava rapidamente a um estado crítico quando Zacarias entregou esta série de mensagens, que lhe chegaram durante a noite em visões. Tinham se passado exatamente cinco meses desde a reconstrução do templo em seu começo, em resposta à mensagem de Ageu. Entretanto, Tatenai e outros oficiais persas tinham chegado a Jerusalém para investigar o que ali acontecia, implicando que os judeus estavam rebelando-se contra a Pérsia (Esdras 5-6). Embora não ordenam logo um cesse dos trabalhos, tomam nota de todos os nomes dos chefes judeus, e fazem uma relação formal a Dario. Não está indicado quanto tempo transcorreu desde o envio da mensagem ao rei até que receberam a resposta. é provável que os judeus não conhecessem o veredicto do rei da Pérsia, quando Zacarias começou suas profecias.

Sem dúvida, haveria muitos que se perguntaram por quanto tempo estariam em condições de continuar o programa construtivo empreendido. Já tinham sido detidos uma vez; poderia acontecer de novo. o problema de seu imediato futuro que dependia do decreto do rei persa, molestou bastante a comunidade judaica.

Durante os dias da incerteza, o profeta teve uma mensagem alentadora. Mediante aquela série de visões noturnas, lhe chegou a certeza de que Deus, que vigia sobre toda a terra, tinha prometido a restauração de Jerusalém. As nações, em cujas mãos os israelitas tinham sofrido tanto, seriam destruídas, como os quatro carpinteiros destruíram os quatro chifres. A paz e a plenitude estavam asseguradas na promessa da expansão de Jerusalém fora de suas muralhas. Já que a muralha da cidade proporcionava seguridade contra o inimigo nos tempos do Antigo Testamento, o pacífico lugar além dos muros implicava liberdade de ser atacado. Na visão de Josué se fez provisão para uma adequada intercessão em favor de Israel. Imediatamente depois foi-lhe dada a seguridade de que Zorobabel seria revestido de poder pelo Espírito de Deus para completar a construção do templo. Apesar da maldição aplicada aos malvados e pecadores, a iniqüidade estava sendo realmente suprimida da terra. Em conclusão, a patrulha de carros sob o mando do Senhor da terra levaria a tranqüilidade aos reconstrutores do templo. A todos aqueles que foram receptivos à mensagem do profeta e exerceram sua fé em Deus, aquela oportuna palavra deve ter-lhes proporcionado um verdadeiro alento, em momentos em que tanta ansiedade existia enquanto não se recebia o veredicto de Dario.

Extraordinária e profética foi a ação simbólica do profeta (6.9-15). Com uma coroa de ouro e prata, e acompanhado por três judeus da Babilônia, Zacarias coroou a Josué como sumo sacerdote 608. Muito significativa também foi a eleição de Josué, para significar o Renovo que construiria o templo quando as nações, de longe, prestariam seu apoio e ajuda 609. A glória, a honra e a paz acompanham a este governante em sua combinação única de realeza e sacerdócio. Estas dignidades estavam separadas em Judá inclusive nos dias de Zacarias.

A coroa simbólica era para ser colocada no templo como monumento comemorativo. A mensagem do profeta seria certificada pela imediata ajuda que iam receber (6.15).

Tampouco se indica com que prontidão chegou a resposta de Dario. Porém chegou com o veredicto favorável para os judeus. Dario, o rei persa, não somente anulou a tentativa de Tatenai e seus colegas de governo para deter a construção, senão que ordenou que eles ajudassem aos judeus com subministros materiais e com tributos e ajuda econômica (Esdras 6.6-15).

Dois anos se passaram no programa da construção. Uma delegação de Betel chega a Jerusalém com uma consulta referente ao jejum 610. Zacarias os lembra de que da ira de Deus tinha caído sobre Jerusalém por causa de que seus antepassados não obedeceram a lei nem escutaram os profetas, que os advertiram (7.4-14). O Senhor dos Exércitos é zeloso por Sião e restaurará Jerusalém. Os que restem serão reunidos desde o leste e desde o oeste de forma tal que uma ligação satisfatória e de mútua dependência será forjada entre Deus e seu povo (8.1-8).

A imediata aplicação a seu auditório é dada em 8.9-19. A admoestação de Zacarias é que se dupliquem os esforços no programa de reconstrução. Deus fez de Israel um objeto de zombaria entre as nações, porém agora se propõe fazer o bem para seu próprio povo. permitirá que a verdade, a justiça e a paz prevaleçam entre eles. Permitirá também que o jejum se torne em dias de alegria 611. Quando Deus é reconhecido em Jerusalém, o povo ambicionará o favor divino. Os judeus serão procurados pelas nações porque reconhecerão que Deus está com seu povo (8.20-23).

Não se dá a data para a última parte do livro de Zacarias. Já que não se dão referências ao projeto da reconstrução, é verossímil que esta mensagem fosse dada após a dedicação do templo. Presumivelmente isto representa uma mensagem de Zacarias durante um período posterior a sua carreira profética.

Enquanto as nações circundantes estão sujeitas à ira de Deus (9.1-8), Jerusalém tem projetos de contar com um rei triunfante (9.9-10). Embora humilde e simples em aparência, o rei é justo e levará a salvação. Em seu domínio universal, falará de paz a todas as nações.

Em nome de Jerusalém, o Senhor dos Exércitos exercitará seu poder protetor contra o inimigo (9.11-17). Ele salvará seus filhos, já que são o rebanho de seu povo. Como uma ovelha sem pastor, os israelitas estão dispersos, mas Deus os resgatará. Eles virão desde todas as nações, inclusive desde terras distantes, enquanto que o orgulho dos pagãos cairá por terra (10.1-12).

Os pastores infiéis de Israel estão a ponto de serem consumidos num terrível juízo (11.1- 3). Mediante um segundo ato simbólico, Zacarias é convidado a converter-se no pastor de Israel (11.4-7) 612. Num sentido, o profeta está agindo com a capacidade do Senhor dos Exércitos, quem é o verdadeiro pastor de Israel 613. Enquanto ele assume este papel, Deus descreve a terrível sorte que aguarda a Israel em mãos dos falsos pastores. Israel está condenada. Em vão o pastor tenta salvar seu rebanho, porém este o detesta. Patético também é o fado do rebanho entre os traficantes de ovelhas cujos pastores não se cuidam delas. De igual modo, Deus exporá Israel para sofrer entre as nações, a causa de ter rejeitado seu verdadeiro pastor.

Mesmo que abandonada às nações para seu juízo, Israel tem um lugar nos planos de Deus. O dia chegará em que Israel se converterá numa pedra onerosa para as nações. Sião se sentirá reforçada e Judá emergirá com a vitória sobre todas as nações que foram contra ela (12.1-9).

Nesse dia de vitória, os israelitas se tornarão num espírito de graça e de súplica Àquele que uma vez rejeitaram (12.10-14) 614. O povo de Jerusalém terá e se servirá de uma fonte para limpar-se do pecado e da sujeira. Não só o povo, senão também a terra será limpa. Os ídolos serão banidos da memória e os falsos profetas, relegados ao esquecimento (13.1- 6).

O sofrimento e a dor do verdadeiro pastor terão como resultado a dispersão das ovelhas. Embora perecerão dois terços do povo, o restante sobreviverá aos fogos purificadores. Esses tornarão a Deus e reconhecerão que é o Senhor (13.7-9).

No dia do Senhor, todas as nações serão reunidas em Jerusalém para a batalha. Desde o monte das Oliveiras, o Senhor resistirá aos inimigos e se converterá no rei de toda a terra.

Jerusalém, com um subministro de água sobrenatural, ficará estabelecida em segurança. A oposição, presa do pânico, se desintegrará de tal forma que a riqueza de todas as nações será recolhida sem interferência. Todos os sobreviventes irão a Jerusalém a adorar ao Rei, o Senhor dos Exércitos, e a guardar a Festa dos Tabernáculos. Com Jerusalém estabelecida como o ponto focal de todas as nações, o culto a Deus será purgado de toda impureza a tal grau que toda a vida possa redundar em seu engrandecimento.
Malaquias – O aviso profético final

Ml 1.1-4.6

A única menção do nome "Malaquias" está no primeiro versículo deste livro.

Já que Malaquias significa "meu mensageiro", a Septuaginta o considera como um nome comum. O fato de que todos os outros livros neste grupo estejam associados com os nomes dos profetas, favorece o reconhecimento de Malaquias como seu nome próprio.

É difícil afirmar o tempo em que se desenvolveu o ministério de Malaquias. O segundo templo já estava em pé, o altar dos sacrifícios em uso e os judeus e sua comunidade estavam sob a jurisdição de um governador persa. Isto coloca sua atitude com posteridade aos tempos de Ageu e Zacarias, quando o templo tinha sido reconstruído. Se conhece tão pouco a respeito da condição do estado de Judá desde a dedicação do templo e até a chegada de Esdras, que é impossível fixar uma data conclusiva para as profecias de Malaquias. O conteúdo do livro tem conduzido a alguns a associarem a Malaquias com os tempos de Neemias 615. Outros preferem datá-lo com anterioridade à estância de Esdras em Jerusalém, aproximadamente no 460 a.C. 616 Malaquias tem a distinção de ser o último dos profetas hebraicos 617. Chega como um mensageiro final para advertir a uma geração apóstata. Com vigorosa clareza, perfila a vida e a esperança final do justo em contraste com a maldição que aguarda aos malvados. Sua mensagem entra nas seguintes subdivisões:


I. Israel como nação favorecida de Deus Ml 1.1-5

II. A falta de respeito de Israel para Deus Ml 1.6-14

III. Repreensão aos sacerdotes infiéis Ml 2.1-9

IV. A Judá infiel Ml 2.10-16

V. Requerimentos de Deus Ml 2.17-3.15

VI. O destino final dos justos e dos malvados Ml 3.16-4.6


A peculiar relação de Israel com Deus é o tema introdutório da mensagem de Malaquias. O Senhor dos Exércitos tem escolhido a Jacó. Edom, que descende de Esaú, o irmão gêmeo de Jacó, não voltará a estar em condições de afirmar-se sobre Israel. O domínio do Senhor se estenderá além das fronteiras de Israel, para incluir à subjugada terra do Edom (1.2-5).

Todavia, Israel tem desonrado a Deus. Ao oferecê-lhe animais impuros ou roubados em sacrifício, o povo demonstra seu desrespeito para Deus. eles não se atreveriam a tratas a seu governador dessa forma. O nome de Deus é reverenciado entre as nações, mas não em Israel. Ele não será tratado desta maneira por seu povo escolhido. A fraude garante a maldição divina (1.6-14).

Os sacerdotes são retirados para sua retribuição. Deus tem feito uma aliança com a tribo de Levi, de forma tal que, mediante eles, o conhecimento e a instrução podem ser transmitidos ao povo. Por infidelidade em sua responsabilidade, chegarão a serem desprezados pelo povo ao qual eles conduzem (2.1-9).

O povo de Judá tem profanado o santuário, pelos matrimônios mistos com gentes pagãs. As esposas estrangeiras têm introduzido a idolatria. Igualmente saturados de divórcios, o povo não pode merecer a aceitação de suas ofertas diante do Senhor dos Exércitos (2.10-16).

Depois de tudo isso, Malaquias lembra bruscamente a seu auditório que têm irritado a Deus por seu fracasso em buscar os caminhos justos, Deus está a ponto de enviar seu mensageiro a seu templo para julgar, purificar e refinar a seu povo. Os cargos contra eles são: feitiçaria, adultério, perjúrios, o falho em entregar os dízimos, e a injustiça social para com os assalariados, as viúvas, os órfãos e os estrangeiros. Por sua conduta, eles menosprezaram a sabedoria de servir a Deus fielmente (2.17-3.15).

Deus é conhecedor daqueles que lhe temem, eles são sua especial possessão. Registrados no memorial, os justos estão designados para a salvação no dia da ira de Deus.

Aqueles que têm sido presunçosos e promoveram a maldade, perecerão como a palha num campo em chamas após a colheita. O temor de Deus, por outra parte, se acrescentará (3.16-4.3).

Em conclusão, Malaquias exorta a sua própria geração para que obedeça a lei de Moisés (4.4-6). Com o terrível dia do Senhor pendente, o profeta os lembra que o juízo será precedido por um período de misericórdia aliviado com a chegada de Elias. Profético em importância, o nome "Elias" sugere um tempo de ressurgimento mediante um indivíduo enviado por Deus. tal pessoa já foi prometida (3.1). Quatro séculos mais tarde, este mensageiro foi identificado (Mat. 11.10,14).


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