A história de israel no antigo testamento


• Capítulo 3: A emancipação de Israel



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• Capítulo 3: A emancipação de Israel


Os séculos se passaram em silêncio desde a morte de José, até o amanhecer da consciência nacional, sob Moisés. A História Sagrada, não obstante, se refere a novas e excitantes dimensões com a única transição dos israelitas desde as garras faraônicas da escravidão à situação de uma nação independente como povo escolhido de Deus. em menos do que pareceu uma eternidade, superaram e obtiveram uma miraculosa libertação do imperador mais poderoso da época, receberam uma divina revelação que os fez conscientes de serem o povo da aliança de Deus, e lhes foi transmitido um código de leis em preparação para ocupar a terra da promessa dos patriarcas. Não é surpreendente que esta notável experiência fosse recordada e volta a viver anualmente na observância da Páscoa dos judeus. Repetidamente os profetas e salmistas aclamam a libertação de Israel do poder do Egito como o mais significativo milagre de sua história.

Tão cheia de significado foi aquela emancipação e tão vital foi aquela interpretação entre Deus e Israel para as gerações vindouras, que quatro quintas partes do Pentateuco, ou mais de um sexto da totalidade do Antigo Testamento está dedicado a este curto período na história de Israel. Depois dos anos da opressão egípcia, que recebe uma breve consideração nos capítulos introdutórios, os acontecimentos destes quatro livros. Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, estão confinados a menos de cinco décadas. No bosquejo seguinte se lembra sumariamente o material de referência:
Desde o Egito até o Monte Sinai Êx 1-18

Acampamento no Sinai Êx-19-Nm 10

Recorridos pelo deserto Nm 10-21

Acampamento ante Canaã Nm 22-Dt 34


Acontecimentos contemporâneos

Não existe desacordo entre os eruditos, que aceitam a historicidade do cativeiro de Israel no Egito e que o Êxodo teve lugar durante a era do Novo Reino. Já que os capítulos que encerram o Gênesis já relatam a imigração de Israel para o Gósen, os acontecimentos contemporâneos no Egito são de primordial importância.


A invasão dos hicsos

A poderosa Décimo Segunda Dinastia do Reino Médio no Egito foi seguida (1790 a.C.) por duas outras fracas dinastias sob as quais o governo ficou desintegrado. Os invasores semitas procedentes da Ásia, conhecidos como os hicsos, povo que já utilizava o cavalo e o carro de guerra, desconhecidos pelos egípcios, ocuparam Egito aproximadamente por volta do 1700 a.C. é muito pouco o que se conhece acerca do povo, embora Manetho atribui às XV e XVI Dinastias a estes governantes estrangeiros que controlaram o Baixo Egito durante quase um século e meio. No transcurso do tempo, rivais de Tebas dominaram a utilização do cavalo e o carro de guerra, e sob Amosis, da XVII Dinastia, estiveram em condições de expulsar os hicsos do país (1500 a.C.). Aquela circunstância deu a oportunidade para o ressurgimento de um governo poderoso conhecido como o Novo Reino. É compreensível que os egípcios não deixassem testemunhos escritos de tão grande humilhação perpetrada pelos hicsos durante a dominação destes. Portanto, nosso conhecimento deste período e, desafortunadamente, muito limitado.


O novo reino (1546-1085 a.C.)

Neste período reinaram no Egito três dinastias. Sob os três primeiros governantes da XVIII Dinastia, Amenofe e Tutmose I e II (1550-1500 a.C.), Egito ficou estabelecido com a força e a grandeza de um Império. Embora Tutmose III foi o supremo governante desde 1504 a 1450 a.C., seu poderio ficou escurecido durante os primeiros vinte e dois anos de seu reinado pela rainha Hatshepute, que obteve o controle completo de todo o governo. Como conseqüência de seu poderoso e brilhante liderança, foi reconhecida tanto pelo Baixo como pelo Alto Egito.

Entre os impressionantes edifícios construídos, não foi o menor o projeto de um templo branco de pedra calcaria. Este mortuário foi construído em terraços sustentados por colunas, com o imponente maciço rochoso de Deir-el-Bahri como fundo. Um de seus grandes obeliscos (contendo 130 m³ de granito, e que alcançava quase 30 metros de altura), ainda se mantém em pé em Karnak.

Tutmose III, cujas ambições tinham sido neutralizadas durante muitos anos, ganhou a possessão completa e sem disputa da coroa Hatshepute ao morrer esta. Estabeleceu o poder absoluto no Egito, afirmando-se como o maior líder militar na história do Egito. Em dezoito campanhas, estendeu o alcance de seu reinado até o Eufrates, marchando seus exércitos através da Palestina ou navegando pelo Mediterrâneo até a costa fenícia. Como militar e construtor de impérios, tem sido freqüentemente comparado com Alexandre Magno e Napoleão. Devido a que tais campanhas eram executadas durante o verão, costumava promover a construção de grandes edifícios durante o inverno, embelezando e ampliando o grande templo de Karnak, que tinha sido erigido para Amom durante o Reino Médio. Os obeliscos que erigiu podem ser contemplados em nossos dias em Londres, Nova Iorque, o Lateralense e Constantinopla.

Tutmose III foi seguido por Amenofe II (1450-1425, que foi um grande esportista; Tutmose IV (1425-1417), que escavou a esfinge e casou com uma princesa mitanni, e Amenofe III (1417-1379). Amenofe IV, ou Akh-en-Aton (1379-1362) é melhor conhecido pela revolução efetuada em matéria religiosa. É muito provável que os Faraós fossem progressivamente enfastiando-se do crescente poder dos sacerdotes de Amom, em Tebas. Tutmose IV tinha subscrito previamente sua real descendência ao antigo deus solar Ra, antes que a Amom; porém Amenofe IV foi além disso, tentando negar o opressivo poder dos sacerdotes tebanos. Ele foi o campeão da adoração de Aton, que estava representado pelo disco solar. Construindo um templo a seu novo deus em Tebas, enquanto que era co-regente com seu pai, se proclamou a si mesmo o primeiro sacerdote de Aton. Não satisfeito com erigir templos em várias cidades por todo seu império, escolheu o novo emprazamento de Amarna para a localização de seu deus. desde esta capital, situada aproximadamente a meio caminho entre Tebas e Mênfis, estabeleceu a adoração de Aton como a religião do Estado. Tomou as medidas precisas para que se adorasse e servisse somente a este deus. Tão dedicado esteve a Aton que ele e seus devotos esqueceram as demandas de ajuda procedentes de várias partes do reino. Os arquivos de Amarna, descobertos em 1887, proporcionam um testemunho a este respeito 56. Quando Akh-en-Aton morreu, a capital novamente estabelecida foi abandonada. Seu genro, Tut-ank-Amon, assegurou o trono renunciando a Aton e restaurando a antiga religião dos deuses de Tebas. O túmulo de Tut-ank-Amon, descoberto em 1929, subministrou abundante evidência de sua devoção a Amon. Com a curta vida e o breve reinado de Ay, a XVIII dinastia terminou em 1348 a.C.

Os dois grandes reis da seguinte dinastia, que durou até 1200 a.C., foram Seti I (1318-1304) e Ramsés II (1304-1237). O primeiro começou a reconquista do império asiático, que tinha sido perdido durante os dias de Akh-en-Aton, e levou a capital à parte oriental do Delta. O último continuou sua tentativa de reconquistar a Síria, mas eventualmente assinou um tratado de paz com o rei hitita, que selou seu acordo ao dar sua filha em matrimônio a Ramsés II. Este é o primeiro dos pactos de não-agressão entre nações conhecido até hoje. Além do extenso plano de construções em ou perto de Tebas, Ramsés II também embelezou Tânis, a capital do Delta, que os governantes hicsos tinham utilizado séculos antes.

Durante o resto das dinastias XIX e XX, os governantes egípcios lutaram para reter seu reinado. Conforme foi decrescendo o poder central, o sacerdócio local de Amom ganhou bastante força para estabelecer a XXI Dinastia por volta de 1085 a.C., e o Egito nunca mais tornou a recuperar, como resultado do declive que sofria, sua posição como potencia mundial.
A religião no Egito 57

Egito era um país politeísta. Com deidades locais como base da religião, os deuses egípcios se fizeram numerosos. Os deuses da Natureza foram comumente representados por animais e pássaros. Eventualmente, as divindades cósmicas, personificadas nas forças da Natureza, foram elevadas por acima dos deuses locais e foram teoricamente considerados como deidades nacionais ou universais. Havia uma tal quantidade, que chegaram a ser agrupados em famílias de tríades e novenários 58.

De igual forma, os templos foram numerosos por todo o Egito. Com a provisão de um lar ou templo para cada deus, chegou o sacerdócio, as ofertas, os festivais, ritos e cerimônias, para sua adoração e culto. Como resposta a tais circunstâncias, o povo considerava a seus deuses como seus benfeitores. A fertilidade da terra e dos animais, a vitória ou a derrota, a enchente do Vale do Nilo e de fato, qualquer fator que afetasse seu bem-estar, estava indiciado a qualquer deus.

A proeminência nacional acordada a respeito de qualquer deus estava intimamente relacionada com a política. O deus falcão, Hórus, surgiu como uma deidade local e depois passou a ter caráter de deidade estatal quando o rei Menes uniu o Baixo e o Alto Egito nos começos da história egípcia. Quando a Quinta Dinastia patrocinou o deus-sol de Heliópolis, Ra se converteu na cabeça do panteão egípcio. A mais achegada aproximação a um deus nacional no Egito foi o reconhecimento dado a Amom durante o Médio e Novo Reino. Os magníficos templos erigidos em Karnak e Lúxor, nas proximidades de Tebas, ainda mostram o real patrocínio deste deus. na cidade de Tebas, com a XVIII dinastia, o culto de Amom com seu sacerdócio tebano se fez tão forte que o desafio feito aos Faraós teve êxito no poder com a morte de Akh-en-Aton. A despeito da proeminência dos deuses nacionais, em nenhuma ocasião foram adotados pela população egípcia. Para um camponês egípcio, o deus local foi sempre o da maior importância.

Os egípcios acreditavam numa vida após a morte. Uma conduta irrepreensível sobre a terra conduzia à imortalidade do homem. Isto é válido também para os sepultamentos reais representados pelas pirâmides e outros túmulos, nos quais se depositava toda classe de provisões, tais como alimentos, bebidas e objetos de luxo com a intenção de sua utilização na vida do além. Nos primeiros tempos, inclusive os servos eram mortos e guardavam junto o corpo de seus amos. Como Osíris, o símbolo divino da imortalidade, o egípcio morto antecipava assim o juízo de um tribunal do outro mundo com a esperança de estar moralmente destinado à felicidade de uma vida eterna.

A extrema tolerância da religião egípcia se explica pela existência sem fim e o reconhecimento de tantísimos deuses. Nenhum deles foi nunca eliminado por completo. Já que o moderno estudioso encontra difícil fazer uma analise lógica de tão incontáveis elementos misturados de sua religião, é difícil também pensar que o fizesse qualquer egípcio nativo.

A confusão resulta de qualquer tentativa de relacionar entre si a hoste de deidades existentes com seus respectivos cultos e rituais. Tampouco pode ser racionalizado tão enorme conjunto de crenças e mitos.
A data do Êxodo

Que Israel abandonasse a escravidão durante a última metade do segundo milênio a.C. é algo que está sujeito sem dúvidas e discussões. Muito poucos eruditos poderiam datar o Êxodo além de uma duração de tempo de dois séculos e meio (1450-1200). Dado que não há referências ou incidentes no livro do Êxodo que possam ser definitivamente relacionados com a história do Egito, poder datar o momento demanda ulteriores pesquisas.

A respeito de uma data mais específica da era mosaica, duas classes de evidências podem garantir uma cuidadosa investigação e minucioso exame: a arqueologia e a bíblica. Até agora, nenhuma tem proporcionado uma conveniente resposta que obtenha o apoio dos eruditos do Antigo Testamento.

A queda de Jericó, que aconteceu dentro do meio século seguinte ao Êxodo, está ainda sujeita a uma datação arqueológica que se balanceia entre aproximadamente dois séculos (1400-1200).

As recentes escavações confirmaram antigos achados e conclusões para seu re-exame.

Garstang, quem escavou Jericó (1930-36), arrazoou que a invasão de Josué está melhor datada por volta de 1400ac 59. Miss Kathleen Kenyon mantém que os achados sobre os quais estavam baseadas estas conclusões procedem da primitiva Idade do Bronze (terceiro milênio), e que virtualmente não resta nada dos séculos durante os quais se datam a ocupação israelita (1500-1200). Em conseqüência, ela afirma que sua recente escavação (1952-56) não brinda luz alguma sobre a destruição de Jericó. Enquanto que Garstang datou a última cerâmica procedente da Idade do Bronze não mais tarde de 1385 a.C., Kenyon prefere uma data mais tardia (1350-1325 a.C.) 60. já que isto representa a ocupação da Idade do Bronze, ela data a destruição de Jericó pelos israelitas no terceiro quarto do século XIV 61. Albright, Vincent e Vaux, e Rowley estão a favor da última metade do século XIII para a queda de Jericó sob Josué 62. Os exames da superfície da cerâmica na Arábia e na Transjordânia, indicam que os reinos moabitas, amonitas e edomitas não foram estabelecidos até o século XIII 63. Tudo isto não tem sido confirmado pelas extensas escavações, pelo que essa cerâmica que corresponde a essa zona ainda pode estar sujeita a posteriores reajustes cronológicos 64. Comparativamente se conhece pouco a respeito das condições de vida do povo a quem os israelitas acharam em seu caminho rumo o Canaã. Embora Glueck não achou evidência de habitantes na Transjordânia para o período anterior ao século XIII, é possível que esse povo estivesse vivendo em cidades feitas com tendas, mas cujo caso, naturalmente, não restariam ruínas 65. Tampouco tem a identificação de Píton e Ramsés uma resposta conclusiva para evidenciar a data da partida de Israel do Egito 66. Essas cidades poderiam ter sido construídas pelos israelitas, porém construídas novamente, e assim terem recebido novos nomes por Ramsés durante seu reinado. Em conseqüência, a evidência arqueológica, que de momento está sujeita a várias interpretações, não oferece uma prova conclusiva para a precisa datação cronológica do Êxodo.

Os informes bíblicos provêm dados limitados para o estabelecimento de uma data definitiva para a época da escravidão de Israel. Somente uma referência cronológica, especificamente, liga a era salomônica 67 — que tem datas bem estabelecidas— com o Êxodo. A suposição de que os 480 anos anotados em 1 Rs 6.1 provêm uma base para a datação exata, proporciona uma data para o Êxodo, aproximadamente no 1450 a.C. 68 embora outras referências 69 e o relato de outros acontecimentos apontem a uma longa era entre a entrega do Egito e a era do reinado de Israel, nenhuma das passagens bíblicas implicam a garantia de uma datação precisa.

Mais numerosas são as anotações bíblicas que aproximam o período que precedeu o Êxodo. Apesar de que os problemas de interpretação estejam ainda sem resolver-se, tudo conduz à impressão de que os israelitas passaram vários séculos no Egito 70. As referências genealógicas podem sugerir um período comparativamente curto de tempo entre José e Moisés; porém o uso de uma genealogia como base para uma aproximadamente de tempo está ainda sujeito a discussão 71. As genealogias com freqüência têm amplas lagoas que as fazem inutilizáveis para a fixação de uma cronologia 72. O crescimento dos israelitas desde setenta até uma grande multidão, que ameaçava a ordem egípcia, favorece igualmente o lapso de séculos para a residência de Israel na terra do Nilo.

As considerações bíblicas indicam cronologias mais extensas antes e depois do Êxodo. Sobre esta base, é razoável considerar 1450 como uma data apropriada para o Êxodo e permite a migração de Jacó e seus filhos na era dos ossos e de sua supremacia no Egito.

O relato bíblico

A dramática fuga da escravidão egípcia está vividamente retratada em Êx 1.1-19.2. começando com uma breve referência a José e à adversa fortuna de Israel, os histriônicos acontecimentos centrados por volta de Moisés culminam na emancipação de Israel. A narrativa, em si mesma, conduz às seguintes subdivisões:


I. Israel livre da escravidão Êx 1.1-13-19

Condições no Egito Êx 1.1-22

Moisés, nascimento, educação, chamamento Êx 2.1-4.31

Enfrentamento com o Faraó Êx 5.1-11.10

A Páscoa dos judeus Êx 12.1-13.19

II. Desde o Egito ate o Monte Sinaí Êx 13.20-19.2

Libertação divina Êx 13.20-15-.21

A caminho do acampamento do Sinai Êx 15.22-19.2


Opressão sob o Faraó

Nos dias de José, os israelitas, que tinham interesses pastoris, receberam permissão de desfrutar a terra mais fértil do Delta do Nilo. O invasores hicsos, povo também de pastores, muito verossimilmente estiveram favoravelmente dispostos para os israelitas. Com a expulsão dos hicsos, os governantes egípcios assumiram mais poder e com o tempo, começou a opressão dos israelitas. Um novo governante, não familiar a José, não tinha interesse pessoal em Israel; senão que introduziu uma série de medidas que tinham como fim aliviar o temor de uma rebelião israelita. Conseqüentemente, o povo escolhido foi destinado a uma dura lavoura construindo cidades, tais como Píton e Ramsés (Êx 1.11). Um édito real ordenou aos egípcios que matassem, a seu nascimento, a todos os varões nascidos aos israelitas. Este foi o desígnio do Faraó para frear a bênção de Deus sobre Israel conforme o povo crescia e aumentava e prosperava (Êx 1.15-22). Anos depois, quando Moisés desafiou o poder do Faraó, a opressão foi intensificada, retendo aos escravos israelitas a palha tão útil na produção de tijolos (Êx 5.1-21).


A preparação de um líder

Moisés nasceu em tempos perigosos. Foi adotado pela filha do Faraó e lhe deram facilidades e vantagens para sua Ec no mais importante centro daquela civilização.

Embora não esteja mencionado no Êxodo, Estevão, dirigindo-se ao Sinédrio em Jerusalém, se refere a Moisés como tendo sido instruído na sabedoria egípcia (Atos 7.22). Uma extensa facilidade educacional na corte egípcia foi efetuada durante o Novo Reino e seu período, para treinar os reais herdeiros dos príncipes tributários. Embora retidos como reféns para assegurar-se a percepção dos tributos, eram magnificamente tratados em sua principesca prisão. Se um distante príncipe morria, um filho que tinha estado submetido à cultura egípcia era designado para o trono com a esperança de que seria um leal vassalo do Faraó 73. É altamente provável que Moisés recebesse sua educação egípcia juntamente com os herdeiros reais da Síria e de outras terras.

O corajoso intento de Moisés de ajudar a seu povo finalizou no fracasso. Temendo a vingança do Faraó, fugiu para a terra de Midiã, onde passou os seguintes quarenta anos.

Ali foi favoravelmente acolhido no lar de Reuel, um sacerdote de Midiã, que era também conhecido como Jetro 74. Com o passar do tempo, Moisés tomou por esposa a filha de Zípora, e se estabeleceu dedicando-se à vida dos pastores no deserto de Midiã. Através da experiência adquirida do pastoreio na zona que rodeava o Golfo de Ácaba, Moisés indubitavelmente adquiriu um grande conhecimento daquele território. Sem estar ciente de sua importância, recebeu uma excelente preparação para conduzir a Israel através daquele deserto muitos anos mais tarde.

O chamamento de Moisés é certamente significativo à luz do passado e seu treinamento (Êx 3-4). Na corte do Faraó percebeu que haveria de contender com a autoridade. Não sem razão solicitou a liberdade dos israelitas. Deus assegurou a Moisés a divina ajuda, e que proveria sua atuação com três milagres que lhe dariam crédito ante os israelitas: a vara que se converteu em serpente, a mão do leproso e a água que se converteria em sangue. Isto proporcionou uma base razoável para que os israelitas acreditassem que Moisés estava comissionado pelo Deus dos patriarcas. Tendo recebido a certeza de que Arão seria seu porta-voz, Moisés cumpriu com a chamada de Deus e voltou ao Egito.


A confrontação com o Faraó

Durante o período do Novo Reino, o poder do Faraó era soberano e não ultrapassado por nenhuma nação contemporânea. Seu domínio, às vezes, se estendia tão longe como o Eufrates.

A aparição de Moisés na corte real, demandando a liberação de seu povo de Israel, significava um desafio ao poder de Faraó.

As pragas, que aconteceram durante um período relativamente curto, demonstraram o poder do Deus de Israel, não só ao Faraó e aos egípcios, senão também aos próprios israelitas. A atitude do Faraó desde o princípio é a do desafio expressado na pergunta: "Quem é esse Senhor cuja voz eu deveria obedecer para deixar a Israel ir embora?" (Êx 5.2). quando se enfrentou com a oportunidade de dar cumprimento à vontade de Deus, o Faraó se resistiu, endurecendo seu coração no curso daquelas circunstâncias que com tal motivo se desenvolveram 75. As três diferentes palavras hebraicas advertindo a Faraó sua atitude —como se estabelece por dez vezes em Êx 7.13-13.15— denota a intensificação de uma condição já existente. Deus permitiu viver ao Faraó dotando-o com a capacidade de resistir as divinas ofertas (Êx 9.16). Deste modo Deus endureceu seu coração como está indicado em duas proféticas referências (Êx 4.21 e 7.23), igual que na narrativa (9.12-14.17). o propósito das pragas —claramente estabelecidas em Êx 9.16— é mostrar ao Faraó o poder de Deus em nome de Israel. O governador do Egito era assim desafiado pelo poder sobrenatural.

De que modo foram afetados os egípcios pelas pragas, não está totalmente declarado.

A última praga consistia em levar a juízo a todos os deuses do Egito (Êx 12.12). a incapacidade do Faraó e de seu povo para repelir aquelas pragas deve ter demonstrado aos egípcios a superioridade do Deus de Israel em comparação com os deuses que eles adoravam.

Aquilo foi a causa de que alguns egípcios chegassem ao conhecimento do Deus de Israel (Êx 9.20).

Israel se fez consciente, do mesmo modo, da divina intervenção. Tendo permanecido na escravidão e o cativeiro por diversas gerações, os israelitas não tinham sido testemunhos de uma demonstração do poder de Deus em sua época. Cada praga triunfante aportava uma maior manifestação do sobrenatural, de modo tal que com a morte do primogênito, os israelitas comprovaram que estavam sendo liberados por Um que era onipotente.

As perigosas estão melhor explicadas como uma manifestação do poder de Deus, através de fenômenos naturais. Nem o elemento natural, nem o sobrenatural, deveriam ser excluídos. Todas as pragas tinham elementos comumente conhecidos pelos egípcios, tais como as rãs, os insetos e as enchentes do Nilo. Porém, a intensificação daquelas coisas que eram naturais, a exata predição da chegada e desaparição das mesmas, o mesmo que a discriminação mediante a qual os israelitas foram excluídos de certas pragas, foram sucessos que devem ter causado o reconhecimento do sobrenatural.
A Páscoa dos judeus

Os israelitas receberam instruções específicas por Moisés a respeito da última praga (Êx 12.1-51). A morte do primogênito não afetou àqueles que cumpriram com os divinos requerimentos.

Um cordeiro ou cabrito, sem mácula, foi escolhido no décimo dia de Abibe. O animal foi morto no dia décimo quarto perto do pôr-do-sol e seu sangue aplicado nas ombreiras e na verga das portas de cada casa. Com a preparação para a partida completada, os israelitas comeram o alimento da Páscoa que consistia em carne, pão sem fermento e ervas amargas. Abandonaram o Egito imediatamente após que o primogênito de cada lar egípcio tiver morrido.

Para os israelitas o Êxodo da terra do Egito foi o maior dos acontecimentos do Antigo Testamento e sua época. Quando o Faraó comprovou que o primogênito de cada lar tinha morrido, ficou conforme com a partida dos israelitas. A observância da Páscoa foi uma rememoração anual de que Deus os tinha deixado em liberdade do cativeiro

O mês de Abibe, mas tarde conhecido como Nisã, marcou desde então o começo de seu ano religioso.
A rota para o monte Sinai

A viagem de Israel para o Canaã por via da península do Sinai foi divinamente ordenada.

Não havia dúvida do caminho direto —um caminho em bom uso utilizado para propósitos comerciais e militares— e que os deveria levar a terra prometida numa quinzena. Para uma desorganizada multidão de escravos liberados, o desvio sinaítico não só tinha uma vantagem militar, senão que também os provia de tempo e oportunidade para sua organização.

O incrementado conhecimento arqueológico e topográfico tem dissipado as antigas disputas a respeito da historicidade 76 deste caminhar rumo ao sul, inclusive apesar de que algumas identificações geográficas sejam ainda incertas. A imprecisa significação de nomes de lugares tais como Sucote, Etã, Pi-Hairote, Baal-Zefom e Migdol, dá margem a diversas teorias que concernem à rota exata 77. Os Lagos Amargos podem ter estado relacionado com o Golfo de Suez, pelo que este canal lamacento poderia ser "mar das Canas" (Yam Suph) 78. É muito provável que os egípcios tivessem uma linha de fortificações mais ou menos parecidas com o Canal de Suez para protegê-los dos invasores asiáticos.

O ponto exato da passagem das águas por Israel é de importância secundária, pólo fato que esta massa de água, além de ter afogado os egípcios perseguidores, subministrou uma infranqueável barreira entre os israelitas e a terra do Egito. Um forte vento do leste abre as águas para a passagem das gentes de Israel. Embora isto possa ter similar em algum fenômeno natural 79, o elemento tempo claramente indica uma intervenção sobrenatural realizada em seu favor (Êx 14.21). A proteção divina foi aparente também quando a coluna em forma de nuvem os ocultou dos egípcios e evitou que estes os atacassem antes que as águas se abrissem. Após esta triunfal libertação, Israel tinha razão para dar graça a Deus (Êx 15).

Uma jornada de três dias através do deserto de Sur levou Israel a Mara onde as águas amargas se converteram em águas doces. Avançando rumo ao sul, os evadidos acamparam no Elim, onde desfrutaram da comodidade de doze mananciais de água e de setenta palmeiras. No deserto de Sim, Deus miraculosamente os proveu de maná, que lhes serviu de alimento diário até que entraram no Canaã. As codornas também foram subministradas em abundância quando os israelitas tiveram necessidade de carne. Em Refidim aconteceram ter coisas significativas: a água que brota da rocha quando Moisés a toca com sua vara, Amaleque foi rejeitado pelo exército israelita sob o mando de Josué enquanto Moisés orava, e Moisés delegando seus deveres de administração aos anciãos, de acordo com o conselho de Jetro 80.

Em menos de três meses, os israelitas chegaram ao Monte Sinai (Horebe). Ali permaneceram acampados por aproximadamente um ano.





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