A história de israel no antigo testamento


Esquema 2: O calendário Anual



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Esquema 2: O calendário Anual





Ano

Sagrado

Meses

Hebraicos

Ano

Civil

Equivalência

moderna

Mês

Babilônico

Estação

Agrícola

1

Abibe (Nisã)

1-Lua nova

14-Páscoa

15-Sábado–santa convocatória

16-Semana do pão sem fermento

21-santa convocação



7

Março

Abril


Nisanu

Chuvas fim primavera
Começo da colheita da cevada

2

Iyar (Zif)

1-Lua nova



8

Abril

Maio


Aiaru

Colheita da cevada

3

Siván

1-Lua nova

6-7-Festa das Semanas


9

Maio

Junho


Simanu

Colheita do trigo

4

Tamuz

1-Lua nova



10

Junho

Julho


Duzu




5

Abrão

1-Lua nova



11

Julho

Agosto


Abu

Maturação de figos e palmeiras

6

Elul

1-Lua nova



12

Agosto

Setembro



Ululu

Estação das vindimas

7

Tishri (Etanim)

1-Lua nova

Dia do Ano Novo

Festa das Trombetas

10-Dia da expiação

15-22-Festa de Tabernáculos



1

Setembro

Outubro


Tashritu

Antigas primeiras chuvas
Tempo de arar

8

Marcheshvan (Bul)

1-Lua Nova



2

Outubro

Novembro


Arahsamuu

Tempo de semear cevada e trigo

9

Chislev (Kisleu)

3

Novembro

Dezembro



Kislimu




10

Tebet

4

Dezembro

Janeiro


Tebetu




11

Sebat

5

Janeiro

Fevereiro



Shabatu




12

Adar

6

Fevereiro

Março


Addaru

Floração das amendoeiras


Mapa 2: A rota do Êxodo





• Capítulo 4: A religião de Israel


O acampamento no monte teve um propósito. Em menos de um ano, o povo da aliança com Deus se converteu numa nação. A aliança estabeleceu com o Decálogo as leis para uma vida santificada, a construção do Tabernáculo, a organização do Sacerdócio, a instituição das ofertas e as observâncias das festas e estações do ano, todo o qual capacitava a Israel para servir a Deus de uma forma efetiva (Êx 19.1 e Nm 10.10).

A religião de Israel foi uma religião revelada. Durante séculos, os israelitas tinham sabido que Deus fez um pacto com Abraão, Isaque e Jacó, ainda que experimentalmente não tivessem sido conscientizados de seu poder e manifestações feitas em seu nome. Deus realizou um propósito deliberado com esta aliança ao liberar a Israel do cativeiro egípcio e da escravidão (Êxodo 6.2-9). E foi no monte Sinai onde o próprio Deus se revelou a si mesmo ao povo de Israel.

A experiência de Israel e a revelação de Deus naquele acampamento estão registradas em Êxodo 19 e até Levítico 27. As seguintes subdivisões podem servir como uma guia para ulteriores considerações:


I. Aliança de Deus com Israel Êx 19.3-24.8

Preparação para o encontro com Deus Êx 19.3-25

O Decálogo Êx 20.1-17

Ordenanças para Israel Êx 20.18-23.33

Ratificação da aliança Êx 24.1-8

II. O lugar para a adoração Êx 24.9-40-38

Preparação para sua construção Êx 24.10-31.18

Idolatria e juízo Êx 32.1-34.35

Construção do Tabernáculo Êx 35.1-40.38



III. Instruções para um viver santo Lv 1.1-27.34

As ofertas Lv 1.1-27.34

O sacerdócio Lv 8.1-10.20

Leis de purificação Lv 11.1-15.33

O dia da expiação Lv 16.1-34

Proibição de costumes pagãos Lv 17.1-18.30

Leis da santidade Lv 19.1-22.33

Festas e estações Lv 23.1-25.55

Condições para as bênçãos Lv 26.1-27.34
A aliança

Tendo permanecido em cativeiro e num entorno idolátrico, Israel a partir de então seria um povo totalmente devotado a Deus. por um ato sem precedentes na história, nem repetido desde então, foi repentinamente mudado desde uma situação de escravidão à de uma nação livre e independente. Ali, no Sinai, sobre a base de sua liberação, Deus fez uma aliança pela qual Israel seria sua nação sagrada.

Israel foi instruído para preparar três dias para o estabelecimento desta aliança. Através de Moisés, Deus revelou o Decálogo, outras leis e instruções para a observação de festas sagradas. Sob a liderança de Arão, dois de seus filhos e setenta anciãos, o povo adorou a Deus com oferendas de fogo e de paz. Após de Moisés ter lido o livro da aliança, eles responderam aceitando seus termos. A aspersão do sangue sobre o altar e sobre o povo selou o acordo. Israel teve a seguridade de que seria levado à terra de Canaã a seu devido tempo. A condição da aliança era a obediência. Os membros individuais da nação podiam perder seus direitos à aliança pela desobediência. Sobre as planícies de Moabe, Moisés conduziu os israelitas a um ato público de renovação de tudo aquilo antes de sua morte (Dt 29.1).

O Decálogo 81

As dez palavras ou dez mandamentos constituem a introdução à aliança. As enumerações mais comuns do Decálogo, como se consideram no presente, são:





A maior parte dos protestantes

e a Igreja Católica Grega

(Ordem de Josefo)

Luteranos

e a Igreja Católica Romana

(Ordem de Agostinho)

1. Deuses estranhos Êx 20.2-3.1

1. Deuses estranhos e imagens Êx 20.2-6.2

2. Imagens Êx 20.4-6-2

2. Nome de Deus

3. Nome de Deus

3. Sábado

4. Sábado

4. Pais

5. Pais

5. Matar

6. Matar

6. Adultério

7. Adultério

7. Roubar

8. Roubar

8. Falso testemunho

9. Falso testemunho

9. Desejar a casa do próximo

10. Ambicionar

10. Ambicionar a casa, a propriedade ou a mulher do próximo

Os judeus diferem de Josefo ao utilizar Êx 20.2 como o primeiro mandamento e os versículos 3-6 como o segundo. A divisão usada pelos judeus desde os primeiros séculos do cristianismo, coloca o versículo 2 aparte como o primeiro mandamento, e combina os versículos 3-6 como o segundo. A enumeração agostiniana diferia ligeiramente da lista citada anteriormente, em que o nono mandamento se refere à avareza e ao desejo pela esposa do próximo, enquanto que a propriedade estava agrupada sob o décimo mandamento, seguindo a ordem estabelecida no Deuteronômio.

Distribuindo os dez mandamentos em duas tábuas, os judeus desde Filo até o presente, as dividem em dois grupos de cinco cada. Já que a primeira tabuada é quatro vezes tão longa como a segunda, esta divisão pode estar sujeita a discussão. Agostinho designou três à primeira tábua e sete à segunda, começando a última com o mandamento de honrar pai e mãe. Calvino e muitos outros, que seguiram a enumeração de Josefo, utilizam a mesma divisão em duas partes, com quatro na primeira tábua e seis na segunda. Esta divisão em duas partes por Agostinho e Calvino, assina todos os deveres para com Deus na primeira tábua. Os deveres para com os homens ficam consignados na segunda. Quando Jesus reduziu os dez mandamentos em dois, em Mateus 22.34-40, pôde ter aludido a tal divisão.

A característica distintiva do decálogo é evidente nos primeiros dois mandamentos.

No Egito eram adorados muitos deuses. As pragas foram dirigidas contra os deuses egípcios. Os habitantes de Canaã também eram politeístas. Israel ia a ser distinto e único como o próprio povo de Deus, caracterizado por uma singular devoção a Deus e somente a Deus.

Conseqüentemente, a idolatria era uma das piores ofensas na religião de Israel.

Deus entregou a Moisés a primeira cópia do decálogo no monte Sinai. Moisés rompeu aquelas tábuas de pedra sobre as quais foram escritos os dez mandamentos pelo dedo de Deus, quando comprovou que seu povo estava rendendo culto ao bezerro de ouro fundido. Após que Israel fosse devidamente castigado, porém salvado do aniquilamento mediante a oração intercessora de Moisés, Deus lhe ordenou que proporcionasse duas tábuas de pedra (Dt 10.2-4).

Sobre tais tábuas, Deus escreveu mais uma vez o decálogo. Aquelas tábuas foram mais tarde colocadas na Arca da Aliança.


As leis para um viver santo

A expansão das leis morais e suas normas adicionais para um viver santo foram instituídas para guiar os israelitas em sua conduta como "povo santificado por Deus" (Êx 20-24, Lv 11-26). A simples obediência a essas leis morais, civis e cerimoniais, os distinguiriam de todas as nações que os circundavam.

Essas leis para Israel podem ser entendidas melhor à luz das culturas contemporâneas de Egito e Canaã. O matrimônio entre irmão e irmã, que era coisa comum no Egito, ficava proibido. As ordenações concernentes à maternidade e ao nascimento dos filhos, não somente lembravam que o homem é uma criatura pecadora, senão que se erigia contra a perversão sexual como contraste, contra a prostituição e o sacrifício de crianças, associados com seus rituais religiosos e com as cerimônias dos cananeus. As leis do alimento purificado e as restrições concernentes ao sacrifício de animais, tinham como finalidade evitar que os israelitas se conformassem com os costumes egípcios, associados com rituais idolátricos. Os israelitas, tendo vivido e conservando frescas as memórias e lembranças da escravidão, deviam ser instruídos em deixar algo para os pobres em tempos das colheitas, prover para os sem ajuda, honrar os anciãos, e render um constante exemplo de justiça em todas suas relações humanas. Conforme se dispunha de um maior conhecimento relativo ao médio religioso contemporâneo do Egito e Canaã, resulta verossímil que muitas das restrições para os israelitas parecessem mais razoáveis para a mente moderna.

As leis morais eram permanentes, porém muitas das civis e cerimoniais eram temporárias em natureza. A lei que limitava o sacrifício de animais para alimento destinado ao santuário central, foi ab-rogada quando Israel entrou em Canaã (comparar Lv 17 e Dt 12.20-24).


O santuário

Até aquele momento, o altar tinha sido o lugar do sacrifício e do culto. Um dos costumes dos patriarcas era que deveriam erigir um altar ali onde fossem. Lá no monte Sinai, Moisés construiu um altar, com doze pilares representando as doze tribos, sobre o qual os jovens de Israel ofereciam sacrifícios para a ratificação da aliança (Êx 24.4ss). um "Tabernáculo de Reunião" que se menciona em Êx 33, foi erigido "fora do acampamento".

Aquilo servia temporariamente somente como o lugar de reunião para todo o Israel, mas também como o lugar da divina revelação. Já que nenhum sacerdócio tinha sido organizado, Josué foi o único ministro. Seguindo imediatamente a ratificação da Aliança, Israel recebeu a ordem de construir um tabernáculo de forma tal que Deus pudesse "habitar em meio dele" (Êx 25.8). Em contraste com a proliferação de templos no Egito, Israel tinha um único santuário. Os detalhes se dão explicitamente em Êx 25-40.

Bezaleel, da tribo de Judá, foi nomeado chefe responsável da construção.

Trabalhando junto a ele estava Aoliabe, da tribo de Dã. Esses homens estavam especialmente insuflados com o "Espírito de Deus" e capacidade e inteligência" para supervisionar o edifício do lugar do culto (Êx 31, 35-36). Assistindo-os, se encontravam muitos outros homens que estavam divinamente motivados e dotados com capacidade para executar suas tarefas particulares. Os oferecimentos pela livre vontade do povo subministravam material mais que suficiente para o logro proposto.

O espaço fechado destinado ao tabernáculo era comumente conhecido e chamado o átrio (Êx 27.9-18; 38-9-20). Com um perímetro de 300 côvados (14m), aquele receptáculo estava marcado por uma cortina de fino tecido retorcido pendurada sobre pilares de bronze com ganchos de prata. Aqueles pilares eram de dois metros de altura e distanciados dois metros um do outro. A única entrada (de 9 metros de largo) se encontrava a final da face leste.

A metade oriental deste átrio constituía o quadrado dos adoradores. Ali, o israelita fez suas oferendas no altar do sacrifício (Êx 27.1-8; 38.1-7). Este altar de bronze (três metros quadrados e quase dois de altura), com chifres em cada esquina, foi construído com madeira de acácia recoberta de bronze. O altar era portátil, equipado com degraus e argolas. Além do altar surgia a pia (Êx 30.17-21; 38.8; 40.30), que também foi construída em bronze. Ali os sacerdotes se lavavam os pés em preparação para seu ofício no altar dos sacrifícios ou no tabernáculo.

Na metade ocidental do átrio, aparecia o tabernáculo propriamente dito. Com uma longitude de 13,50 metros e uma largura de 4,80 metros, estava dividido em duas partes. A única entrada aberta para o oriente, que dava acesso ao lugar sagrado, tinha 9 metros de largura, e era acessível aos sacerdotes. Além do véu estava o Lugar Santíssimo (4,5 metros x 4,5 metros), onde o Sumo Sacerdote tinha permissão para entrar no Dia da Expiação.

O tabernáculo em si mesmo estava construído de 48 tábuas de 4,5 metros de altura e quase 70 cm de largura, com 20 a cada lado e 8 no extremo ocidental. Feito tudo com madeira de acácia recoberta em ouro (Êx 26.1-37; 36.20-38), as tábuas estavam sujeitas por meio de barras e encaixes de prata. O teto consistia numa cortina de linho fino torcido em cores azul, púrpura e carmesim com figuras de querubins. A coberta externa principal estava fabricada com pêlos finos de cabras, que serviam como proteção para o lenço. Duas cobertas mais, uma feita com peles de carneiro e outra de peles de texugo, tinham como finalidade proteger as duas primeiras.

Dois véus do mesmo material da primeira coberta eram usados para os lados oriental e ocidental do tabernáculo, e também para a entrada do lugar santo. A exata construção do tabernáculo não pode ser determinada, contudo, já que não se subministram detalhes no relato escriturístico.

No lugar santo havia colocadas três peças de mobília: a mesa dos pães da proposição ao norte, o candelabro de ouro para o sul e o altar do incenso ante o véu, separando o lugar santo do lugar santíssimo.

A mesa dos pães da proposição estava feita de acácia, recoberta de ouro puro, tendo uma coroa de ouro ao redor, rodeada de uma moldura de quatro dedos, coroado tudo de ouro. Se fizeram quatro argolas de ouro para os quatro pés em seus cantos. As argolas estão por defronte da moldura, para passar por elas as varas para levá-la (Êx 25.23-30; 37.10-16). Além disso, pratos, colheres e tigelas para as libações, todo de ouro puro. Sobre a mesa se colocavam cada sábado doze pães para a proposição, que eram comidos pelos sacerdotes (Lv 24.5-9).

O candelabro de ouro puro todo ele em sua base e em seu pé era trabalhado a cinzel (Êx 25.31-39; 37.17-24). A forma e medidas do pedestal aparecem incertas. De seus lados saiam seis braços, três de um lado e três do outro. Três copos a modo de amêndoa, um botão e uma flor, numa haste, e outros três copos iguais na outra. E no candelabro mesmo havia também quatro copos em forma de amêndoas, com seus botões e flores. Um botão debaixo filhas duas primeiras hastes que saem do candelabro, outro embaixo das outras duas, e um terceiro embaixo das duas últimas hastes que saiam também do candelabro. Todo em ouro puro batido a cinzel. Cada tarde os sacerdotes enchiam as lâmpadas com azeite de oliva subministrado pelos israelitas, para prover a luz durante toda a noite (Êx 27.20-21; 30-7.8) 82.

O altar dourado, primeiramente usado para a queima do incenso, ficava no lugar santo ante a entrada no lugar santíssimo. Feito de acácia recoberto de ouro, este altar tinha quase 1 m de altura e 46 cm². Tinha uma borda de ouro em volta da parte superior e uma ponta e uma argola sobre cada canto, de forma que pudesse ser convenientemente transportada com varas (Êx 30.1-10, 28.34-37). Cada manhã e cada tarde, ao chegar os sacerdotes ao candelabro, queimavam incenso utilizando fogo procedente do altar de bronze.

A arca da aliança ou testemunho era o objeto mais sagrado na região de Israel. Esta, e somente esta, tinham seu lugar especial no lugar santíssimo. Feita de madeira de acácia recoberta de ouro puro por dentro e por fora, este cofre tinha 1,15 m de comprimento, com um profundidade e largura de 70 cm (Êx 25.10-22; 37.1-9). Com argolas de ouro e varas a cada lado, os sacerdotes podiam facilmente transportá-la. A coberta da arca era chamada de propiciatório. Dois querubins de ouro permaneciam sobre a tampa, de frente um ao outro, com suas asas cobrindo o centro do propiciatório. Este lugar representava a presença de Deus.

A diferença dos pagãos, não existia nenhum objeto material para representar o Deus de Israel no espaço que mediava entre os querubins. O Decálogo claramente proibia nenhuma imagem ou semelhança de Deus. não obstante, o propiciatório era o lugar onde Deus e o homem se encontravam (Êx 30.6), onde Deus falava ao homem (Êx 25.22, Nm 7.89), e onde o sumo sacerdote aparecia no dia da expiação para aspergir o sangue para a nação de Israel (Lv 16.14). dentro da arca propriamente dita, estava depositado o Decálogo (Êx 25.21; 31.38, Dt 10.3-5), um pote de maná (Êx 16.32-34) e a vara de Arão que florescera (Nm 17.10).

Antes de que Israel entrasse em Canaã, o livro da Lei foi colocado perto da Arca (Dt 31.26).
O sacerdócio

Anterior aos tempos de Moisés, as ofertas eram usualmente feitas pelo cabeça da família, que oficialmente representava a sua família no reconhecimento e a adoração a deus. exceto pela referência de Melquisedeque como sacerdote de deus em Gn 14.18, não se menciona oficialmente o ofício ou cargo de sacerdote. Mas já que Israel tinha sido redimido do Egito, o Ef de sacerdote teve uma significativa importância.

Deus desejou que Israel fosse uma nação santa (Êx 19.6). para uma ministração adequada e uma adoração e culto efetivos, Deus designou a Arão para servir como sumo sacerdote durante a permanência de Israel no deserto. Assistindo-o, estavam seus quatro filhos: Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar. Os dois primeiros mas tarde serão castigados em juízo por levar fogo não sagrado ao interior do tabernáculo (Lv 8.10; Nm 10.2-4). Em virtude de ter escapado da morte no Egito, o primogênito de cada família pertencia a Deus. escolhidos como substitutos pelo filho mais velho de cada família, os levitas auxiliavam os sacerdotes em seu ministério (Nm 3.5-13; 8.17). Desta forma, a totalidade da nação estava representada no ministério sacerdotal.

As funções dos sacerdotes eram várias. Sua primeira responsabilidade era mediar entre Deus e o homem. Oficiando nas ofertas prescritas, eles conduziam o povo assegurando-lhe a expiação pelo pecado (Êx 28.1-43; Lv 16.1-34). O discernimento da vontade de Deus para o povo era a mais solene obrigação (Nm 27.21; Dt 33.8). sendo custódios da lei, também estavam comissionados para instruir os laicos. O cuidado e a administração do tabernáculo também ficava sem embargo sua jurisdição. Conseqüentemente, os levitas estavam facultados para assistirem os sacerdotes na execução das muitas responsabilidades designadas a eles.

A santidade dos sacerdotes é aparente nos requerimentos para um viver santo, igual que ns pré-requisitos para o serviço (Lv 21.1-22.10). A exemplaridade na conduta era especialmente aplicada pelos sacerdotes como obrigação de ter um especial cuidado em questões de matrimônio e de disciplina da família. Enquanto que as taras físicas os excluíam permanentemente do serviço sacerdotal, a falta de limpeza cerimonial resultante da lepra, ou de contatos proibidos, os desqualificava temporariamente do ministério. Os costumes pagãos, a profanação das coisas sagradas, e a contaminação eram coisas que deviam ser evitadas pelos sacerdotes em todas as ocasiões. Para o sumo sacerdote as restrições eram ainda muito mais exigentes (Lv 21.1-15).

A santidade peculiar para os sacerdotes também estava indicada pelos ornamentos que tinham instruções de vestirem. Feitos de materiais escolhidos e da melhor lavor artesanal, tais vestiduras enfeitavam os sacerdotes em beleza e dignidade. O sacerdote vestia uma túnica, um cinto, uma tiara, e calções de linho, tudo isso fabricado com linho fino (Êx 28.40-43; 39.27-29). A túnica era comprida, sem costuras e com mangas de linho fino, que chegavam quase até os pés. O cinto, embora não esteja particularmente descrito, se colocava por acima da túnica. De acordo com Êx 39.29, o azul, a púrpura e o carmesim eram trabalhados no linho branco torcido do cinto, com lavor de bordado, correspondendo aos materiais e cores utilizados no véu e ornamentos do tabernáculo. O manto do sacerdote terminava numa mitra.

Sob a túnica devia usar os calções de fino linho quando entrava no santuário (Êx 28.42).

O sumo sacerdote se distinguia por ornamentos adicionais que consistiam numa túnica bordada, um éfode, um peitoral e uma mitra para a cabeça (Êx 28.4-39). O vestido, que se estendia Deus o pescoço até embaixo dos joelhos, era azul e liso, exceto por umas campainhas e umas romãs aderidas nas bordas. O primeiro, de cor azul, púrpura e carmesim, tinha um propósito ornamental. As campainhas, feitas de ouro, estavam desenhadas para conduzir a congregação que esperava em qualquer momento a entrada do sumo sacerdote no lugar santíssimo, no dia da expiação.

O éfode consistia em duas peças de ouro, de azul, de púrpura, carmesim e linho fino torcido, unidas entre si com fitas nos ombros. Nos quadris, uma peça estendida em forma de banda, na cintura, afirmava ambas em seu lugar. sobre cada peça dos ombros do éfode, o sumo sacerdote vestia uma pedra preciosa com os nomes de seis tribos gravadas pela ordem de seu nascimento. para igualar a conta, os levitas eram omitidos, já que eles assistiam os sacerdotes, ou talvez José contava por Efraim e Manassés. Desta forma, o sumo sacerdote representava a totalidade da nação de Israel em seu ministério de mediação. Adornando o éfode, levava duas bordas douradas e duas pequenas correntes de ouro puro.

No peitoral, numa espécie de sacola quadrada, de 25 cm, estava o mais luxuoso, magnífico e misterioso complemento do vestido do sumo sacerdote. Cadeiazinhas de ouro puro trançado o uniam ao ombro do éfode. O fundo estava amarrado com um cordão de azul à banda da cintura. Todo de pedras gravadas com os nomes tribais, estavam montadas em ouro sobre a lâmina peitoral, servindo como uma visível lembrança de que o sacerdote representava a nação ante Deus. O Urim e o Tumim, que significavam "luzes" e "perfeição" estavam colocados numa dobra da citada lâmina do peito (Êx 28.30, Lv 8.8). Se conhece pouco a respeito de sua função ou do procedimento prescrito do sacerdote oficiante; porém o fato importante permanece, aquilo que provia um médio de discernir a vontade de Deus.

Igualmente significativa era a vestidura da cabeça ou turbante do sumo sacerdote.

Estendido por toda a testa e aderido ao turbante, levava uma lamina de ouro puro sobre a qual estava escrito "Santidade ao Senhor". Isso constituía uma permanente lembrança de que a santidade é a essência da natureza de Deus. mediante um preceito expiatório, o sumo sacerdote apresentava a seu povo como santo ante Deus. por meio dos sagrados ornamentos o sumo sacerdote, igual que os sacerdotes ordinários, manifestava não somente a glória deste ministério de mediação entre Deus e Israel, senão também a beleza no culto pela mistura do colorido da ornamentação corporal com o santuário.

Numa elaborada cerimônia de consagração, os sacerdotes estavam colocados aparte para seu ministério (Êx 29.1-37; 40.12-15; Lv 8.1-36). Após uma lavagem com água, Arão e seus filhos eram vestidos com os ornamentos sacerdotais e ungidos com óleo. Com Moisés oficiando como mediador, se oferecia um boi jovem como oferta pelo pecado, ao somente para Arão e seus filhos, senão para a purificação do altar dos pecados associados com seu serviço. Isto costumava ir seguido por um holocausto onde se sacrificava um carneiro de acordo com o ritual usual. Outros destes animais eram então apresentados como oferta pacífica numa cerimônia especial. Moisés aplicava o sangue ao dedo polegar da mão direita, a orelha direita e o polegar do pé direito de cada sacerdote. Depois tomava "a gordura, a cauda, e toda a gordura que está na fressura, e o redenho do fígado, e ambos os rins, e a sua gordura e a espádua direita" (Lv 8.25, ACF), e os apresentava a Arão e a seus filhos, os quais faziam com eles certos sinais e movimentos antes de ser consumido sobre o altar. Após ser apresentado como oferta, o peito era fervido e comido por Moisés e os sacerdotes. Precedendo esta comida sacrificial, Moisés aspergia o azeite da unção e o sangue sobre os sacerdotes e suas vestes. Esta impressionante cerimônia de ordenação era repetida um de cada setembro dias sucessivos, santificando os sacerdotes por seu ministério no tabernáculo. Desta forma, a totalidade da congregação se conscientizava da santidade de deus quando o povo chegava até os sacerdotes com suas ofertas.
As ofertas

As leis sacrificiales e instruções dadas no Monte Sinai não implicavam a ausência das ofertas anteriormente a este tempo. Se pode ou não ser discutida a questão das várias classes de ofertas no sentido de que fosse claramente distinguidas e conhecidas pelos israelitas, a prática de realizar sacrifícios era indubitavelmente familiar, o que se deduz do registrado acerca de Caim, Abel, Noé e os patriarcas. Quando Moisés apelou a Faraó para deixar em liberdade o povo de Israel, já havia antecipado as ofertas e sacrifícios, fazendo-o assim antes de sua partida do Egito (Êx 5.1-3; 18.12, 24.5).

Agora que Israel era uma nação livre e em eleição da aliança com Deus, se deram instruções específicas que concerniam às várias classes de ofertas. Levando-as como estavam prescritas, os israelitas tinham a oportunidade de servir a Deus de maneira aceitável (Lv 1.7).

Quatro classes de ofertas implicavam o espargir do sangue: a oferta que devia ser queimada, a oferta pacífica, a oferta pelo pecado e a oferta pela expiação da culpa. Os animais estimados como aceitáveis para o sacrifício eram animais limpos de manchas cujo carne podia ser comido, tais como cordeiros, cabras, bois ou vacas, velhos ou jovens. Em caso de extrema pobreza, estava permitida a oferta de rolas ou pombinhos.

As regras gerais para realizar o sacrifício eram como se segue:

1) Apresentação do animal no altar.

2) A mão do oferente se colocava sobre a vítima.

3) A morte do animal.

4) A aspersão do sangue sobre o altar.

5) Queima do sacrifício.

Quando um sacrifício era oferecido para a nação, oficiava o sacerdote. Quando o indivíduo sacrificava por si mesmo, levava o anima, colocava sua mão sobre ele e o matava. O sacerdote, então, aspergia o sangue e queimava o sacrifício. O que oferecia não podia comer a carne do sacrifício, exceto no caso de uma oferta pacífica. Quando se produziam vários sacrifícios ao mesmo tempo, a oferta do pecado precedia sempre ao holocausto e à oferta pacífica.
Holocausto

A característica distintiva a respeito do holocausto era o fato de que a totalidade do sacrifício era consumido sobre o altar (Lv 1.5-17; 6.8-13). Não estava excluída a expiação, já que esta era parte de todo sacrifício de sangue. A completa consagração do oferente a Deus ficava significada pela consumação da totalidade do sacrifício. Talvez Paulo fizesse referência a esta oferta em seu chamamento para a completa consagração (Rm 12.1). Israel tinha ordenado o manter uma contínua oferenda de fogo dia e noite, por meio desse fogo sobre o altar de bronze. Um cordeiro era oferecido cada manhã e cada tarde, e daí a recordação de Israel de sua devoção para com Deus (Êxodo 29.38-42; Nm 28.3-8).



A oferta pacifica

A oferta pacífica era totalmente voluntária. Embora a representação e a expiação estavam incluídas, a característica primeira desta oferta era a comida sacrificial (Lv 3.1-17; 7.11-34; 19.5-8; 22.21-25). Isto representava uma comunicação vivente e uma camaradagem e amizade entre o homem e Deus. Era permitido à família e aos amigos unir-se ao oferente nesta comida sacrificial (Dt 12.6-7,17-18). Já que era um sacrifício voluntário, qualquer animal, exceto uma ave, resultava aceitável, sem levar em conta a idade ou o sexo. Após a morte da vítima e a aspersão do sangue para fazer a expiação pelo pecado, a gordura do animal era queimada sobre o altar. Através dos ritos dos movimentos das mãos do oferente, que mexia a coxa e o peito, o sacerdote oficiante dedicava estas porções do animal a Deus.

O resto da oferta servia como festa para o oferente e seus hóspedes convidados. Esta alegre camaradagem significava o laço de amizade entre deus e o homem.

Existiam três classes de oferendas pacificas, e variavam segundo a motivação do oferente.

Quando o sacrifício se fazia em reconhecimento de uma bênção inesperada ou imerecida, se chamava de oferta de ação de graças. Se a oferta se realizava em pagamento de um voto ou uma promessa, era chamada oferta votiva. Se a oferta tinha como motivo uma expressão de amor a deus, era chamada de oferta voluntária. Cada uma de tais ofertas era acompanhada por uma comida de oferenda prescrita. A oferta de agradecimento durava um dia, enquanto que as outras duas se estendiam a dois, com a condição de que qualquer coisa que restasse devia ser consumida pelo fogo ao terceiro dia. Desta forma, o israelita gozava do privilégio de entrar no gozo prático de sua relação de aliança com Deus.
A oferta pelo pecado

Os pecados de ignorância cometidos inadvertidamente, requeriam uma oferta (Lv 4.1-35; 6.24-30). A violação da negativa de ordens puníveis por dissensão podia ser retificada por um sacrifício prescrito. Embora Deus tinha somente uma pauta de moralidade, a oferta variava com a responsabilidade do indivíduo. Nenhum líder religioso ou civil era tão proeminente que seu pecado fosse condenado, nem nenhum homem tão insignificante que seu pecado puder ser ignorado. Existia uma gradação nas ofertas requeridas: um bezerro para o sumo sacerdote ou para a congregação, um bode para um governante, uma cabra para um cidadão privado.

O ritual variava também. Para o sacerdote ou a congregação, o sangue se aspergia sete vezes ante a entrada do lugar santíssimo. Para o governante e o laico, o sangue era aplicado nas pontas do altar. Já que se tratava de uma oferta de expiação, a parte culpável carecia do direito de comer da carne do animal, em nenhuma de suas partes. Conseqüentemente, este sacrifício ou bem era consumido sobre o altar, ou queimado no exterior, no campo, com uma exceção: o sacerdote recebia uma porção quando oficiava em nome de um governante ou secular.

A oferta pelo pecado era requerida também para pecados específicos, tais como se recusar a testemunhar, a profanação do cerimonial ou um juramento em falso (Lv 5.1-13). Inclusive, ainda que esta classe de pecados podiam ser considerados como intencionais, não representavam um desafio calculado a deus castigado pela morte (Nm 15.27-31). A expiação alcançava a qualquer pecado arrependido, sem levar em conta sua situação econômica. Em casos de extrema pobreza, incluso uma pequena porção de farinha de flor fina —o equivalente de uma ração diária de alimento— assegurava à parte culpada a aceitação por parte de Deus. (Para outras ocasiões que requeiram uma oferta pelo pecado, ver Lv 12.6-8; 14.19-31; 15.25-30, Nm 6.10-14).


A oferta de expiação

Os direitos legais de uma pessoa e de sua propriedade, em situação que implicasse a deus ao igual que a um amigo, estavam claramente estabelecidos nos requerimentos pelas ofertas da transgressão (Lv 5.14-6.7; 7.1-7). O falho no reconhecimento de Deus ao descuidar em levá-lhe os primeiros frutos, o dizimo, ou outras oferendas requeridas, necessitava não somente a restituição, senão também um sem sacrifício. Além disso, era preciso pagar seis quintos das dívidas requeridas, e o ofensor também sacrificava um carneiro com objeto de obter assim o perdão.

Este custoso sacrifício lembrava-lhe o preço do pecado. Quando a má ação era cometida contra um amigo, o quinto era também preciso para fazer a pertinente emenda. Se a restituição não podia ser feita para o ofendido ou um parente próximo, estas reparações eram pagas a um sacerdote (Nm 5.5-10). O infringir dos direitos de outras pessoas, também representava uma ofensa contra Deus. portanto, era necessário um sacrifício.
A oferta de cereal 83

Essa é a única oferta que não implicava a vida de um animal, senão que consistia primeiramente nos produtos da terra, que representavam os frutos do trabalho do homem (Lv 2.1-16; 6.14-23). Esta oferta podia ser apresentada de três diferentes formas, sempre misturadas com azeite, incenso e sal, mas sem fermento nem mel. Se uma oferta consistia nos primeiros frutos, as espigas do novo grão eram tostadas no fogo. Após moer o grão, podia apresentar-se ao sacerdote como farinha fina ou pão sem fermento, tortas, ou ainda em forma de folhas preparadas no forno.

Parece que uma parte destas ofertas era acompanhada de uma quantidade proporcional de vinho para suas libações (Êx 29.40; Lv 23.13, Nm 15.5-10). Uma justificável inferência é que a oferta do cereal não era nunca levada sozinha. primeiramente existia o acompanhamento das ofertas de paz e de fogo. Para estas duas parecia ser o necessário adequado complemento (Nm 15.1-13). Tal era o caso da oferta diária do fogo (Lv 6.14-23; Nm 4.16). A totalidade da oferta era consumida quando estava oferecida pelo sacerdote para a congregação. No caso de uma oferta individual, o sacerdote oficiante apresentava somente um punhado ante o altar do holocausto e retinha o resto para o tabernáculo. Nem na oferta mesma nem no ritual há nenhuma sugestão de que provesse expiação pelo pecado. Por meio destas ofertas, os israelitas apresentavam os frutos de seu trabalho, significando assim a dedicação de seus presentes a Deus.
As festas e estações

Por meio das festas e estações designadas, os israelitas lembravam constantemente que eles eram o povo de Deus. Na aliança com Israel, que este ratificou no Monte Sinai, a fiel observância dos períodos estabelecidos era uma parte do compromisso adquirido.


O Sabbath

O primeiro, e muito principalmente, era a observância do Sabbath. Ainda que o período de sete dias esteja mencionado no Gênesis, o sábado (dia de repouso) foi primeiramente mencionado em Êx 16.23-30. No Decálogo (Êx 20.8-11), os israelitas têm que "lembrar" do dia do descanso, indicando que este não era o princípio de sua observância. Para descansar ou cessar de seus trabalhos, os israelitas lembravam que Deus descansou de sua obra criativa no sétimo dia. A observância do sábado era uma lembrança de que Deus havia remido a Israel do cativeiro egípcio e santificado como seu povo santo (Êx 31.13, Dt 5.12-15). Tendo sido liberado do cativeiro e da servidão, Israel dispunha de um dia de cada semana para dedicá-lo a Deus, o que sem dúvida não havia sido possível enquanto seu povo tinha servido seus amos egípcios. Inclusive seus servos estavam incluídos na observação do dia de descanso. Se prescrevia um castigo extremo para qualquer que deliberadamente desprezasse o sábado (Êx 35.3; Nm 15.32-36). Enquanto que o sacrifício diário para Israel era um cordeiro, no sábado se ofereciam dois (Nm 28.9-19). Este era também o dia em que doze tortas de pão eram colocadas sobre a mesa no lugar santo (Lv 24.5-8).


A lua nova e a festa das trombetas

O som das trombetas proclamava oficialmente o começo de um novo mês (Nm 10.10). Se observava também a lua nova sacrificando ofertas ao pecado e ao fogo, com provisões apropriadas de carne e bebida (Nm 28:11-15). O mês sétimo, com o dia da expiação e a festa das semanas, marcava o clímax do ano religioso, ou o fim de ano (Êx 34.22). no primeiro dia deste mês da lua nova, era designado como o da festa das trombetas e se apresentavam ofertas adicionais (Lv 23.23-25; Nm 29.1-6). Este também era o começo do ano civil.


O ano sabático

Intimamente relacionado com o sábado estava o ano sabático, aplicável aos israelitas quando entraram em Canaã (Êx 23.10-11; Lv 25.1-7). Observando-0 como um ano festivo para a terra, deixavam os campos sem cultivar, o grão sem semear e os vinhedos sem cuidados cada sete anos. qualquer coisa que recolhessem nesse ano devia ser partilhada pelos proprietários, os servos e os estranhos, igual que as bestas. Os que tinham créditos a seu favor, tinham instruções de cancelar as dívidas nas que tivessem incorrido os pobres durante os seis anos precedentes (Dt 15.1-11). Já que os escravos eram liberados a cada seis anos, provavelmente tal ano era também o ano de sua emancipação (Êx 21.2-6; Dt 15.12-18). Desta forma, os israelitas lembravam sua liberação do cativeiro egípcio.

As instruções mosaicas também previam para a leitura pública da lei (Dt 31.10-31). Desta forma, o ano sabático teve sua específica significação para jovens e velhos, para os amos e para os servos.
Ano de jubileu

Depois da observância do ano sabático, chegava o ano de jubileu. Se anunciava pelo clamor das trombetas no décimo diz de Tishri, o mês sétimo. De acordo com as instruções dadas em Lv 25.8-55, este marcava um ano de liberdade no qual a herança da família era restaurada àqueles que tiveram a desgraça de perdê-la, os escravos hebraicos eram libertados e a terra era deixada sem cultivar.

Na possessão da terra o israelita reconhecia a Deus como o verdadeiro proprietário dela. Conseqüentemente, devia ser guardada pela família e passava como se fosse uma herança. Em caso de necessidade, podiam vender-se só os direitos aos produtos da terra.

Já que a cada cinqüenta anos esta terra revertia a seu proprietário original, o preço estava diretamente relacionado com o número de anos que havia antes do ano de jubileu. A qualquer momento, durante este período, a terra estava sujeita a rendição, pelo proprietário ou um parente próximo. As casas existentes nas cidades amuralhadas, exceto nas cidades levíticas, não estavam incluídas sob tais princípios do ano de jubileu.

Os escravos eram deixados em liberdade durante este ano, sem levar em conta a duração de seu serviço. Seis anos era o período máximo de servidão para qualquer escravo hebreu sem a opção da liberdade (Êx 21.1). Em conseqüência, não podia ficar reduzido à condição de perpétuo estado de escravidão, embora pudesse considerar necessário vendê-lo a outro como servo alugado, quando financeiramente for preciso. Inclusive os escravos não hebreus não podiam ser considerados como de propriedade absoluta. A morte como resultado da crueldade por parte do amo estava sujeita a castigo (Êx 21.20-21). Em caso de evidentes maus-tratos pessoais, um escravo podia reclamar sua liberdade (es 21.26-27). Pelo periódico sistema de deixar em liberdade os escravos hebreus e a demonstração de amor e amabilidade aos estrangeiros na terra (Lv 19.33-34), os israelitas lembravam que eles também tinham sido escravos na terra do Egito.

Inclusive quando o ano do jubileu era seguido pelo ano sabático, os israelitas não tinham permissão para cultivar o solo durante esse período. Deus tinha-lhes prometido que receberiam tal abundante colheita no sexto ano que teriam suficiente para o sétimo e o oitavo anos seguintes, que eram tempo para o descanso da terra. Deste modo, os israelitas lembravam também que a terra que possuíam, igual que as colheitas que delas recebiam, eram um presente de deus.


Festas anuais

As três observações anuais celebradas como festas eram:

1) A Páscoa e festa dos pães ázimos,

2) A festa das semanas, primícias ou ceifa,

3) A festa dos tabernáculos ou colheita.

Tinham tal significação estas festas que todos os israelitas varões eram requeridos para sua devida atenção e celebração (Êx 23.14-17).


A Páscoa e a festa dos pães ázimos

Historicamente, a Páscoa foi primeiramente observada no Egito quando as famílias de Israel foram excluídas da morte do primogênito, matando o cordeiro de Páscoa (Êx 12.1-13.10). o cordeiro era escolhido no décimo dia do mês de Abibe e matado no décimo quarto.

Durante os sete dias seguintes somente podiam comer-se os pães ázimos. Este mês de Abibe, mas tarde conhecido por Nisã, era designado como "o começo dos meses", ou o começo do ano religioso (Êx 12.2). A segunda Páscoa era observada no décimo quarto dia de Abibe, um ano depois de que os israelitas abandonassem Egito (Nm 9.1-5). Já que nenhuma pessoa incircuncisa podia partilhar a Páscoa (Êx 12.48), Israel não observou este festival durante o tempo de sua peregrinação pelo deserto (Js 5.6). não foi senão até que o povo entrou em Canaã, quarenta anos depois de deixar a terra do Egito, em que se observou a terceira Páscoa.

O propósito da observância da Páscoa era lembrar aos israelitas, anualmente, a miraculosa intervenção de deus em seu favor (Êx 13.3-4; 34.18; Dt 16.1). Isso marcava a inauguração do ano religioso.

O ritual da Páscoa sofreu sem dúvida algumas mudanças de sua primitiva observância, quando Israel não tinha sacerdotes nem tabernáculo. Os ritos de caráter temporário eram: o sacrifício de um cordeiro pelo cabeça de cada família, a aspersão do sangue nas portas e ombreiras, e possivelmente também a forma em que partilhavam o cordeiro. Com o estabelecimento do tabernáculo, Israel dispunha de um santuário central onde os homens deviam congregar-se três vezes por ano começando com a estação da Páscoa (Êx 23.17; Dt 16.13). Os dias quinze e vinte e cinco eram dias de sagrada convocação. Em toda a semana, os israelitas só podiam comer-se o pão sem fermento. Já que a Páscoa era o principal acontecimento da semana, aos peregrinos era-lhes permitido voltar na manhã seguinte desta festa (Dt 16.7). enquanto isso, durante toda a semana se realizavam ofertas adicionais diárias para a nação, consistentes em dois bezerros, um carneiro e sete cordeiros machos para uma oferta de fogo, com a comida de oferta prescrita e um bode para a oferta do pecado (Nm 28.19-23; Lv 23.8). acompanhando o ritual no qual o sacerdote mexia um feixe ante o Senhor, estava a apresentação de uma oferta de fogo consistente em um cordeiro macho além de uma comida de oferenda de flor de farinha misturada com óleo, e uma oferta de vinho. Nenhum grão devia ser usado da nova colheita, até o público reconhecimento de que eram matérias de bênção que procediam de deus. portanto, em observância da semana da Páscoa, os israelitas eram não somente conscientes de sua histórica liberação do Egito, senão também reconheciam a bênção de Deus, que era continuamente evidente em provisões materiais.

Tão significativa era a celebração da Páscoa, que era feita uma especial provisão para aqueles que estavam impossibilitados de participar no tempo indicado, a fim de observá-la um mês depois (Nm 9.9-12). Qualquer que recusasse observar a Páscoa ficava reduzido ao ostracismo no Israel. Inclusive o estrangeiro era bem-vindo para participar naquela celebração anual (Nm 9.13-14).

Assim, a Páscoa era a mais significativa de todas as festas e observâncias no Israel.

Comemorava o maior de todos os milagres que o Senhor tinha evidenciado em favor do povo de Israel. Isto está indicado por muitas referências nos Salmos e nos livros proféticos. Embora a Páscoa era observada no tabernáculo, cada família tinha uma vivíssima lembrança de sua significação, comendo os pães ázimos. Não havia nenhum israelita isentado de sua participação nela. Isto servia como lembrança anual de que Israel era a nação escolhida de Deus.


Festa das semanas

Enquanto que a Páscoa e a festa dos pães ázimos era observada a começos da colheita da cevada, a festa das semanas tinha lugar cinqüenta dias depois, após a colheita do trigo (Dt 16.9) 84. Embora fosse uma ocasião verdadeiramente importante, a festa era observada somente um dia. Neste dia de descanso, se apresentava uma comida especial e uma oferta consistente em duas peças de pão com fermento que se apresentava ao Senhor para o tabernáculo, significando com isso que o pão de cada dia era proporcionado por obra do Senhor (Lv 23.15-20). Os sacrifícios prescritos eram apresentados com esta oferta. Nesta alegre ocasião, o israelita não esquecia nunca do menos afortunado, deixando alimentos nos campos para os pobres e os necessitados.


A festa dos tabernáculos

O último festival anual era a festa dos tabernáculos 85, um período de sete dias durante o qual os israelitas viviam em tendas (Êx 23.16; 34.22; Lv 23.40-41). Esta festa não só marcava o fim da estação das colheitas, senão que quando estiveram estabelecidos em Canaã, servia de lembrança de sua permanência no deserto no qual deviam viver em tendas de campanha.

As festividades desta semana encontravam sua expressão nos maiores holocaustos jamais apresentados, sacrificando um total de setenta bois. Oferecendo treze no primeiro dia, que se considerava como uma convocação sagrada, o número ia decrescendo diariamente de a um.

Cada dia, além disso, se realizava uma oferta de fogo adicional. Esta oferta consistia em quatorze cordeiros e dois carneiros com suas respectivas ofertas, igualmente de carne e bebida. Uma convocatória sagrada celebrada no oitavo dia levava à conclusão das atividades do ano religioso.

Cada sétimo ano era peculiar na celebração da festa dos tabernáculos. Era o ano da leitura pública da lei. Embora aos peregrinos se pedia que observassem a Páscoa e a festa das semanas durante um dia, eles normalmente utilizavam a totalidade da semana na festa dos tabernáculos, dando ocasião de uma ampla oportunidade para a leitura da lei de acordo com o mandamento de Moisés (Dt 31.9-13).
Dia da expiação

A mais solene ocasião a totalidade do ano era o dia da expiação (Lv 16.1-34; 23.26-32; Nm 29.7-11). Era observada no décimo dia de Tishri com uma sagrada convocatória e jejum. Naquele dia não era permitido nenhum trabalho. Este era o único jejum requerido pela lei de Moisés.

O principal propósito desta observância era realizar uma verdadeira expiação. Em sua elaborada e singular cerimônia, a propiciação foi realizada por Arão e sua casa, o santo lugar, a tenda da reunião, o altar das ofertas de fogo e pela congregação de Israel.

Somente o sumo sacerdote podia oficiar naquele dia. Aos outros sacerdotes nem sequer estava permitido permanecer no santuário, senão que deviam identificar-se com a congregação. Para esta ocasião, o sumo sacerdote luzia seus especiais ornamentos e vestia com linho branco. As ofertas prescritas para o dia eram, como se segue: dois carneiros como holocausto para si mesmo e para a congregação, um bezerro para sua própria oferta de pecado, e dois bodes como uma oferta de pecado pelo povo.

Enquanto que as duas cabras permaneciam no altar, o sumo sacerdote realizava sua oferta pelo pecado, fazendo expiação por si mesmo. Sacrificando uma cabra no altar, fazia expiação pela congregação. Em ambos os casos, aplicava o sangue ao propiciatório. De forma similar, santificava o santuário interior, o lugar sagrado e o altar das ofertas de fogo. Daquele jeito as três divisões do tabernáculo eram adequadamente limpadas no dia da expiação para a nação. Depois, a cabra era levada ao deserto para que com ela se fossem os pecados da congregação 86. Tendo confessado os pecados do povo, o sumo sacerdote voltava ao tabernáculo para limpar a si mesmo e trocar-se em suas vestes oficiais. Mais uma vez voltava para o altar no pátio externo. Ali concluía o dia da expiação e seu ritual com dois holocaustos, um para si mesmo e outro para a congregação de Israel.

As distintivas características da religião revelada de Israel formavam um contraste com o ambiente religioso do Egito e de Canaã. Em lugar da multidão de ídolos, eles adoravam um do deus. em vez de um grande número de altares e nichos de adoração, eles tinham só um santuário. Por meio das ofertas prescritas e dos sacerdotes consagrados, tinha-se realizado a provisão para que o laicato pudesse aproximar-se de Deus sem temor. A lei os conduzia numa pauta de conduta que distinguia a Israel como a nação da aliança com dd., em contraste com as culturas pagãs do entorno. Em toda a extensão na que os israelitas praticavam esta religião divinamente revelada, se asseguravam o favor de Deus, como se expressava na fórmula sacerdotal para abençoar a congregação de Israel (Nm 6:24-26):

"O SENHOR te abençoe e te guarde"

"O SENHOR faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti"

"O SENHOR sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz"




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