A história de israel no antigo testamento



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• Capítulo 5: Preparação para a nacionalidade


Nas redondezas do Monte Sinai, Israel celebrou o primeiro aniversário de sua emancipação. Aproximadamente um mês mais tarde, o povo levantou acampamento, buscando a imediata ocupação da terra prometida. Uma marcha de onze dias os levou até Cades-Barnéia, onde uma crise precipitou o divino veredicto da marcha errabunda pelo deserto. Não foi senão até passados trinta e oito anos mais tarde que o povo chegou às planícies do Moabe (Nm 33.38), e dali ao Canaã.


Organização do Israel 87

Enquanto ainda estavam estacionados no Monte Sinai, os israelitas receberam detalhadas instruções (Nm 1.1-10.10), muitas das quais estavam diretamente relacionadas com sua preparação para continuar a jornada até o Canaã. Na Bíblia este material está apresentado de uma forma e numa disposição lógica antes que cronológica, como pode ver-se pelo seguinte esquema:


I. A enumeração de Israel Nm 1.1-4.49

O censo militar Nm 1.1-54

Designação do acampamento Nm 2.1-34

Levitas e seus deveres Nm 3.1-4.49



II. Normativas do acampamento Nm 5.1-6.21

Restrições de práticas do mal Nm 5.1-31

Votos nazireus Nm 6.1-21

III. A vida religiosa de Israel Nm 6.22-9.14

A adoração instituída do tabernáculo Nm 6.22-8.26

A segunda Páscoa Nm 9.1-14

IV. Provisões para a condução do povo Nm 9.15-10.10

Manifestações divinas Nm 9.15-23

Responsabilidade humana Nm 10.1-10
As instruções expostas nos primeiros capítulos pertencem em grande medida à questões e matérias de organização. Muito verossimilmente, o censo datado no mês da partida de Israel ao Monte Sinai representa uma tabulação da conta tomada previamente (Êx 30.11ss; 38.26). enquanto que em princípio Moisés teve como primordial preocupação a coleção do necessário para a construção do tabernáculo, depois deve ser instruído no concernente ao serviço militar. Excluídas as mulheres, crianças e levitas, o conjunto era de uns 600.000 homens. Quase quatro décadas mais tarde, quando a geração rebelde tinha perecido no deserto, a cifra era aproximadamente a mesma (Nm 26).

O passo de tão grande hoste de gente através do deserto transcende a história ordinária 88. Não só o fato em si deve ter requerido um subministro sobrenatural de provisões matérias de maná, codornas e água, senão uma cuidadosa organização. Tanto se estava acampado ou em marcha, a lei e a ordem eram necessárias para o bem-estar nacional do Israel .

Os levitas estavam numerados separadamente. Substituídos pelo primogênito em cada família, os levitas tinham como missão servir sob a supervisão de Arão e seus filhos, que já tinham sido designados como sacerdotes. Como assistentes aos sacerdotes aarônicos, tiveram designadas certas responsabilidades. Os levitas maduros, entre as idades de trinta e cinqüenta anos, exerciam missões especiais no próprio tabernáculo. A idade limite mínima, dada como a de vinte e cinco anos em Números 8-23-26, pode ter previsto um período de aprendizado de cinco anos.

O acampamento de Israel foi cuidadosamente planejado, com o tabernáculo e seu átrio ocupando o lugar central. Rodeando o átrio, estavam os lugares destinados aos levitas, com Moisés e os sacerdotes de Arão colocados na parte oriental ou frente à entrada. Depois dos levitas, havia quatro acampamentos encabeçados por Judá, Rubem, Efraim e Dã. A cada acampamento foram indicadas outras duas tribos adicionais. O cuidado e a eficiência na organização do acampamento estão indicados pelas designações realizadas nas várias famílias dos levitas: Arão e seus filhos tinham a supervisão sobre a totalidade do tabernáculo e seu átrio; os gersonitas tinham sob seu cuidado as cortinas e cobertas, os coatitas estavam encarregados da mobília, e os meraritas eram responsáveis das colunas e das mesas. O seguinte diagrama indica a posição de cada grupo no acampamento de Israel:



Os problemas peculiares de um acampamento de tão populosa nação, requeriam normativas especiais (5.1-31). Desde o ponto de vista higiênico e cerimonial, se tomavam medidas de precaução necessárias para os leprosos e outras pessoas enfermas, existindo os que cuidavam dos que morriam. O roubo requeria uma oferta e a restituição. A infidelidade marital estava sujeita a severo castigo, após uma comprovação fora do usual, o que implicava um milagre e que tiver revelado a parte culpável. Sem ter subseqüentes referências para tais procedimentos, é razoável considerar isto como um método temporal usado somente durante a longa jornada no deserto.

O voto nazireu pode ter sido uma prática comum que requeria de normalização (6.1-21).

Ao realizar este voto, uma pessoa se consagrava voluntariamente a si mesma para o serviço especial de Deus. Três em número eram as obrigações de um nazireu: negar a si mesmo o uso dos produtos da videira, inclusive o suco de uvas e a própria fruta, deixar-se crescer o cabelo como sinal público de que havia tomado um voto, e abster-se do contato de qualquer corpo morto. Impunha-se um severo castigo quando se quebrantava um de tais votos, inclusive acontecendo sem intenção. O voto costumava terminar com uma cerimônia pública na conclusão do período prescrito.

Uma das ocasiões mais impressionantes durante o acampamento de Israel no Monte Sinai, era o princípio do segundo ano. Naquela ocasião, o tabernáculo com todos seus ornamentos e acessórios era erigido e dedicado (Êx 40.1-33). Proporciona-se informação adicional a respeito deste acontecimento, quando o tabernáculo se converteu no centro da vida religiosa de Israel, no livro de Números 6.22-9.14. Moisés, que oficiava na iniciação do culto no tabernáculo, comunicava ao povo e aos sacerdotes as diretivas procedentes do Senhor, a respeito de seu serviço religioso (ver 6.22; 7.89; 8.5).

Os sacerdotes recebiam uma fórmula para abençoar a congregação (Nm 6.22-27). Esta oração, bem conhecida, assegurava aos israelitas não somente o cuidado de Deus e sua proteção, senão também a prosperidade e o bem-estar.

Quando o tabernáculo tinha sido totalmente dedicado, os chefes das tribos apresentavam suas ofertas. Antecipando os problemas práticos do transporte para o tabernáculo, havia doze carros cobertos e doze bois dedicados para este propósito. Disso estavam encarregados os levitas de serviço. Para a dedicação do altar, cada chefe aportava uma série de elaborados sacrifícios, que eram oferecidos em doze dias sucessivos. Tão significativos eram aqueles presentes e oferendas, que cada uma delas era, diariamente, colocada numa lista (Nm 7.10-88). Arão recebia também instruções à luz das lâmpadas do tabernáculo (8.1-4).

Os levitas eram publicamente apresentados e dedicados para seu serviço em assistir os sacerdotes (8.5-26). Quando Moisés tinha oficiado sozinho, Arão e seus filhos eram santificados para o serviço sacerdotal e estava assistido por Arão na instalação dos ritos e cerimônias para os levitas.

A Páscoa, que marcava o primeiro aniversário da partida do Egito, era observada durante o primeiro mês do segundo ano (9 1-14). O que se registra sobre esta festiva celebração é breve, porém se realizava uma especial ênfase em que participassem todos, inclusive os estrangeiros 89 que se encontrassem no acampamento. Existia uma especial provisão para aqueles que não podiam participar por causa de alguma contaminação, de modo que pudessem observar a Páscoa no segundo mês. Já que os israelitas não levantavam o acampamento até o vigésimo dia, todos estavam em condições de tomar parte na celebração da primeira Páscoa, depois do Êxodo.

Antes que Israel levantasse o acampamento do Monte Sinai, se fez a adequada provisão para a condução em sua viagem para Canaã (9.15-10.10). com a dedicação do tabernáculo, a presença de Deus era visivelmente mostrada na coluna da nuvem e o fogo que podiam observar-se dia e noite. A mesma divina manifestação tinha provido proteção e guia quando o povo escapou do Egito (Êx 13.21-22; 14.19-20). Quando Israel acampava, a nuvem pairava sobre o Lugar Santíssimo. Estando em caminho, a nuvem marcava a senda a seguir.

A contrapartida da condução divina era a eficiente organização humana. O sinal que subministrava a nuvem era interpretado e executado por homens responsáveis da liderança. A Moisés foi-lhe ordenado que provesse duas trombetas de prata. O som de uma trombeta levava os chefes tribais para o tabernáculo. O som de ambas chamava a pública assembléia de todo o povo. Um longo e prolongado toque de ambas trombetas ("som de alarme") era o sinal para os vários acampamentos se disporem a avançar numa ordem pré-estabelecida. Assim, a adequada coordenação do humano e o divino possibilitavam que tão grande nação pudesse seguir sua rota de uma forma ordenada através do deserto.


Peregrinação no deserto

Após ter acampado no Monte Sinai por quase um ano, os israelitas continuaram rumo ao norte, em direção à terra prometida. Quase quatro décadas mais tarde chegaram à margem oriental do rio Jordão. Comparativamente breve é a narração de sua viagem em Nm 10.11-22.1.

Pode ser conveniente considerá-la sob as seguintes subdivisões:
I. Desde o Monte Sinai até Cades-Barnéia Nm 10.11-12.16

Ordem de procedimento Nm 10.11-35

Murmurações e juízos Nm 11.1-12.16

II. A crise de Cades Nm 13.1-14-45

Os espias e seus informes Nm 13.1-33

Rebelião e juízo Nm 14.1-45

III. Os anos de peregrinação Nm 15.1-19.22

Leis – futuro e presente Nm 15.1-41

A grande rebelião Nm 16.1-50

Vindicação dos chefes nomeados Nm 17.1-19.22



IV. Desde Cades às planícies de Moabe Nm 20.1-22.1

Morte de Miriã Nm 20.1

Pecados de Moisés e Arão Nm 20.2-1.3

Edom recusa o passo a Israel Nm 20.14-21

Morte de Arão Nm 20.22-29

Israel vinga a derrota pelos cananeus Nm 21.1-3

A serpente de bronze Nm 21.4-9

Marcha em volta de Moabe Nm 21.10-20

Derrota em Siom e Ogue Nm 21.21-35

Chegada às planícies de Moabe Nm 22.1


Após onze dias Israel alcançou Cades-Barnéia no deserto de Parã (Dt 1.2). marchando como uma unidade organizada, o acampamento de Judá abria a marcha, seguido pelos gersonitas e os meraritas, que tinham a seu cargo o transporte do tabernáculo. O seguinte, na ordem combinada, era o acampamento de Rubem. Depois seguiam os coatitas, que carregavam os ornamentos da Arca e outros do tabernáculo. Completando a procissão estavam os acampamentos de Efraim e Dã. Além da divina guia, Moisés solicitou a ajuda de Hobabe 90, cuja familiaridade com o deserto o qualificava para proporcionar um serviço de exploração para a marcha de Israel. Aparentemente esteve conforme em acompanhá-los, já que seus descendentes mais tarde residiram em Canaã (Juízes 1.16-; 4.11).

Rumo ao seu destino, os israelitas se queixaram e se rebelaram. Perplexo e preocupado, Moisés acudiu a Deus em oração. Em resposta, lhe foram dadas instruções para escolher setenta pessoas anciãs as quais Deus tinha dotado para partilhar suas responsabilidades. Além disso, Deus enviou um forte vento que lhes aportou uma abundante quantidade de codornas para os israelitas 91. A intemperança e o desordem fez que a gente as comesse sem cozinhar, e assim, sua gula se converteu numa praga que causou a morte de muitos. Apropriadamente este lugar se chama "Kibrot-hataava", que significa "os túmulos da cobiça".

A insatisfação e a inveja se estenderam até os chefes. Inclusive Arão e Miriã discutiram a posição de liderança de seu irmão 92. Moisés foi vindicado quando Miriã foi afetada pela lepra. Arão se arrependeu imediatamente, nunca mais desafiou a autoridade de seu irmão e através da oração intercessora de Moisés, Miriã foi curada.

Desde o deserto de Parã, Moisés enviou doze espias à terra de Canaã. Quando voltaram, estavam acampados em Cades-Barnéia, aproximadamente a 80 km ao sul e um pouco ao oeste de Berseba. Os homens, unanimemente, informaram da excelência da terra e da força potencial e ferocidade de seus habitantes. Porém não estiveram de acordo com seus planos de conquista. Dez declararam que a ocupação era impossível e manifestaram publicamente seu desejo de voltar ao Egito, imediatamente. Dois, Josué 93 e Calebe afirmaram confiadamente que com a ajuda divina a conquista seria possível. O povo, não querendo crer que o Deus que os havia recentemente liberado da escravidão do Egito fosse também capaz de conquistar e ocupar a terra prometida, promoveu um insolente motim, ameaçando apedrejar a Josué e a Calebe. Em desespero, inclusive consideraram o fato de escolher um novo líder.

Deus, em seu juízo da situação, contemplava a aniquilação de Israel em rebelião.

Quando Moisés percebeu aquilo, fez a necessária intervenção e obteve o perdão para seu povo. Contudo, os dez espias sem fé morreram numa praga, e toda a gente com idade de vinte anos e mais, excetuando Josué e Calebe, ficaram sem o direito de entrar em Canaã.

Comovidos pela morte dos dez espiões e o veredicto de outro prolongado período de peregrinação no deserto, confessaram seu pecado. Que seu arrependimento não é genuíno é aparente em sua tentativa de rebelião para entrar na Palestina imediatamente. Nisto foram derrotados pelos amalequitas e os cananeus.

Enquanto os israelitas passavam o tempo no deserto (15.1-20.13), morreu uma geração inteira. As leis em Nm 15, talvez dadas logo após este punitivo veredicto anunciado, mostram o contraste entre o juízo pelo pecado voluntário e a misericórdia pelo arrependimento individual de quem havia pecado na ignorância. Além disso, as instruções para sacrificar em Canaán subministravam uma esperança para a geração mais jovem em sua antecipação de viver realmente na terra que lhes tinha sido prometida.

A grande rebelião liderada por Coré, Datã e Abirão, representava dois grupos de amotinados, mutuamente reforçados pelo seu esforço cooperativo (Nm 16.1-50) 94. A liderança eclesiástica da família de Arão, aos que foi reduzido e restringido o sacerdócio, foi desafiado por Coré e os levitas que o apoiaram. Se apelou à autoridade polca de Moisés na qst por Datã e Abirão, que aspiravam a tal posição em virtude de serem descendentes de Rubem, o filho mais velho de Jacó.

Em juízo divino, tanto Moisés como Arão foram vindicados. A terra abriu-se para tragar a Datã e Abirão junto com suas famílias. Coré desapareceu com eles 95. Antes que esta rebelião cedesse, no acampamento de Israel tinham perecido 14.000 pessoas.

Após a morte dos insurretos, Israel recebeu um sinal miraculoso evitando qualquer posterior desejo de pôr em dúvida a autoridade de seus chefes (17.1-11). Entre doze varas, cada uma representando uma tribo, a de Levi produziu brotos, flores e amêndoas. Além de confirmar a Moisés e a Arão em suas nomeações, a inscrição do nome de Arão em sua vara especificamente o designou como sacerdote de Israel. A preservação daquela vara no tabernáculo servia como permanente evidência da vontade de Deus.

Para aliviar o temor do povo de aproximar-se ao tabernáculo, as responsabilidades dos sacerdotes e levitas foram reafirmadas e claramente delineadas (17.12-18.32). o sacerdócio foi restringido para Arão e sua família. Os levitas foram designados como assistentes do sacerdotes. A provisão para sua manutenção se fez através do dizimo entregue pelo povo. Os levitas davam um dizimo também de sua renda aos sacerdotes. Por esta razão, os levitas não foram incluídos no reparto da terra, quando os israelitas se assentaram em Canaã.

A poluição resultante da praga e o sepultamento de tanta gente ao mesmo tempo fez necessária uma cerimônia especial para a profecia do acampamento (19.1-22).

Eleazar, um filho de Arão, oficiou. Este ritual, que de forma impressionante lembrou aos israelitas a natureza da morte (5.1-4) e proporcionou uma higiênica proteção, foi ordenado como um estatuto permanente.

As experiências dos israelitas enquanto viajavam por Eziom-Geber e Elate rumo às planícies do Moabe, estão resumidas em Nm 20.1-22-1. Antes de sua partida de Cades-Barnéia, Miriã morreu. Quando o povo se enfrentou com Moisés a causa da escassez de água, recebeu instruções de ordenar que uma rocha subministrasse o líquido elemento. Irado e impaciente, Moisés bateu na rocha e a água surgiu em abundância. Porém, pela sua desobediência, foi-lhe negado o privilégio de entrar em Canaã.

Desde Cades-Barnéia, Moisés enviou mensageiros ao rei do Edom solicitando permissão para marchar através de suas terras pelo Caminho Real. Não só lhe foi negada a permissão, senão que o exército edomita foi enviado a vigiar a fronteira. Esta inamistosa atitude foi freqüentemente denunciada pelos profetas 96. Antes que Israel deixasse a fronteira edomita, Arão morreu na cima do monte Hor.

Eleazar foi revestido com os ornamentos de seu pai e nomeado sumo sacerdote em Israel. E antes de continuar a viagem, Israel foi atacado por um rei cananeu, mas Deus lhes deu a vitória.

Aquele lugar foi chamado Horma.

Percebendo que se moviam rumo ao sul rodeando o Edom, o povo se impacientou e se queixou contra Deus tanto como contra Moisés. O castigo divino chegou em forma de uma praga de serpentes, causando a morte de muitos israelitas 97. Em penitência, o povo se tornou a Moisés, quem aportou o consolo mediante a ereção de uma serpente de bronze.

Qualquer um que for mordido por uma serpente, era curado com só dirigir o olhar à serpente de bronze. Jesus utilizou este incidente como um símbolo de sua morte sobre a cruz, aplicando o mesmo princípio: qualquer que se voltasse a ele não pereceria, senão que teria a vida eterna (João 3.14-16).

Israel continuou seu caminho rumo ao sul pela senda de Elate e Eziom-Geber, rodeando o Edom, e também o Moabe, e continuando para o norte pelo vale de Amom. Os três relatos, tal e como se apresentam em Números 21 e 33 e em Deuteronômio 2, referem vários lugares não identificados até o dia de hoje. Israel tinha proibido lutar contra os moabitas e os amonitas, os descendentes de Ló. Contudo, quando os dois governantes amorreus, Siom, rei de Hesbom e Ogue, rei de Basã, recusaram o passo de Israel e responderam com um exército, os israelitas os derrotaram e ocuparam a terra que havia ao norte do vale do Arnon. Ali, nas planícies do Moabe, recentemente tomadas dos amorreus, os israelitas estabeleceram seu acampamento.
Instruções para entrar em Canaã

Enquanto permaneceram acampados ao nordeste do Mar Morto, a nação de Israel recebeu as instruções finais para a conquista e ocupação total da terra prometida. O cuidado providencial de Israel nas sombras de Moabe e a cuidadosa preparação do povo na véspera da entrada em Canaã, estão registrados em Nm 22-36. os vários aspectos desta provisão podem ser observados no seguinte esquema:


I. Preservação do povo escolhido de Deus Nm 22.2-25.18

O desígnio de Balaque para amaldiçoar o Israel Nm 22.2-40

Bênçãos de Balaão Nm 22.41-24.24

Sedução e juízo Nm 24.25-25.18



II. Preparação para a conquista Nm 26.1-33.49

A nova geração Nm 26.1-65

Problemas de herança Nm 27.1-11

Um novo chefe Nm 27.12-33

Sacrifícios e votos Nm 28.1-30-16

Vingança sobre os midianitas Nm 31.1-54

Reparto e divisão da Transjordânia Nm 32.1-42

Revisão da marcha de Israel Nm 33.1-49



III. Antecipação da ocupação Nm 33.50-36-13

A terra sem conquistar Nm 33.50-34.15

Os chefes nomeados para distribuir a terra Nm 34.16-29

As cidades levíticas e seu refúgio Nm 35.1-34

Normativas sobre a herança Nm 36.1-13
Os sutis desígnios dos moabitas sobre a nação escolhida de Deus, foram mais formidáveis que uma guerra aberta (22.2-25.18). dominado pelo medo quando os amorreus foram derrotados, Balaque, o rei moabita, ideou planos para a destruição de Israel. Em cooperação com os anciãos de Midiã, comprometeu ao profeta Balaão da Mesopotâmia para amaldiçoar o povo acampado através do rio Arnon.

Balaão recusou o primeiro convite, sendo explicitamente advertido de não ir e não amaldiçoar Israel. Os honorários para a adivinhação foram tão incitantes, porém, que arrastaram Balaão a aceitar o repetido convite do rei. Balaão teve a surpreendente experiência de ser audivelmente admoestado por sua própria burra. Foi-lhe lembrado de forma impressionante que ia para Moabe para falar somente da mensagem de Deus 98. Balaão declarou fielmente a mensagem de Deus quatro vezes. Sobre três diferentes montanhas, Balaque e seus príncipes prepararam oferendas para proporcionar uma atmosfera de maldição, porém cada vez o profeta pronunciou palavra de bênção. Profundamente decepcionado, o rei moabita o recriminou e lhe ordenou que cessasse. Embora Balaque o despediu sem nenhuma recompensa, Balaão proferiu uma quarta profecia antes de ir embora. Nela, delineou claramente a futura vitória de Israel sobre Moabe, Edom e Amaleque 99. Balaque teve mais êxito em seu seguinte plano contra Israel. Em lugar de regressar a seu lar na Mesopotâmia, Balaão permaneceu com os midianitas e ofereceu um mau conselho a Balaque (31.16).

Os moabitas e midianitas seguiram seu conselho e seduziram a muitos israelitas para caírem na imoralidade e a idolatria. Mediante o culto de Baal-peor com ritos imorais, os participantes incorreram na ira divina. Com objeto de salvar um grande número de pessoas do juízo, os chefes israelitas culpáveis foram imediatamente enforcados. Finéias, um filho de Eleazar, demonstrou um grande zelo e se revoltou contra aqueles que precipitaram a praga na qual morreram milhares.

Subseqüentemente, os descendentes de Finéias serviram como sacerdotes em Israel. A ordem de castigar os midianitas por sua desmoralizadora influência sobre Israel, foi executada sob a liderança de Moisés (31.1-54). Não escapou do castigo dos chefes notáveis o próprio Balaão, filho de Beor.

Depois desta crise, Moisés fez a necessária preparação para condicionar a seu povo na conquista de Canaã. O censo tomado sob a supervisão de Eleazar foi em parte uma apreciação militar do potencial em homens de Israel (26.1-65). A conta total foi realmente em certo modo mais baixa que a que se havia realizado quase quarenta anos antes. Josué foi nomeado e publicamente consagrado como o novo líder (27.12-23). A solução dada ao problema da herança, surgido pelas filhas de Zelofeade, indicou a vontade de Deus de que a terra prometida seria conservada em pequenas posses que passariam a seus herdeiros. Se deram também outras instruções adicionais concernentes às oferendas regulares, festivais, e o mantimento dos votos, uma vez assentados na terra prometida (28.1-30.16).

Vendo que o terreno oriental do Jordão era um excelente território para pastoreio, as tribos de Rubem e Gade apelaram a Moisés para assentar-se nelas permanentemente. Ainda com certo desgosto, o permitiu, acedendo a sua demanda. Para ficarem seguros de que a conquista de Canaã não seria colocada em perigo por falta de cooperação, exigiu uma prenda para garanti-lo. Aquela promessa verbal foi pronunciada duas vezes. A terra de Gileade foi então outorgada a Rubem e a Gade, e à metade da tribo de Manassés (32.1-42).

Moisés preparou também um informe escrito sobre sua jornada através do deserto (Nm 33.2). A causa de seu treinamento e experiência, parece razoável assumir que ele conservou detalhados informes e registros daquela marcha cheia de incidentes desde o Egito até o Canaã, para consideração da posteridade (33.1-49).

Pensando no futuro, Moisés se antecipou às necessidades dos israelitas quando entrassem no Canaã (33.50-36.13). Os advertiu claramente de destruírem os idólatras habitantes e possuir suas terras. Além disso, aparte de Josué e Eleazar, dez líderes tribais foram designados para a responsabilidade de dividir a terra às restantes nove tribos e meia. Nenhum dos príncipes, mencionados em Nm 1, nem nenhum de seus filhos, estão neste novo grupo. Em lugar de terras, quarenta e oito cidades situadas por todo Canaã são designadas para os levitas. Cidades de refúgio, designadas para prevenir o começo das dissensões sangrentas, foram descritas por Moisés. Antes de sua morte, deixou três cidades ao leste do Jordão para este propósito (Dt 4.41-43) 100. No capítulo final de Números, Moisés trata do para da herança, limitando às mulheres a herdarem terra por matrimônio com membros de sua própria tribo.


Passado e futuro

Moisés estava advertido de que seu ministério estava quase completado. Embora não lhe foi permitido entrar na terra prometida, pediu a Deus bênçãos para os israelitas, antecipando o privilégio de sua conquista e possessão. Como chefe fiel, entregou diversas diretrizes a seu povo, admoestando-o a serem fiéis a Deus. o livro do Deuteronômio, que consiste principalmente nestes discursos de Moisés, pode ser considerado sob as seguintes subdivisões:


I. A história e sua significação Dt 1.1-4.43

Revisão dos fracassos de Israel Dt 1.1-3.29

Admoestação à obediência Dt 4.1-40

As cidades de refúgio na Transjordânia Dt 4.41-43



II. A lei e sua significação Dt 4.44-28.68

A Aliança e o Decálogo Dt 4.44-11.32

Leis para a vida em Canaã Dt 12.1-26.19

Bênçãos e maldições Dt 27.1-28.68



III. Preparação final e adeus Dt 29.1-34.12

Eleição de Israel entre bênção e maldição Dt 29.1-30-20

Josué comissionado Dt 31.1-29

O canto e a bênção de Moisés Dt 31.30-33.29

A morte de Moisés Dt 34.1-12
Ninguém esteve mais familiarizado com as experiências de Israel que Moisés. Tinham se passado quarenta anos desde que escapara das garras do Faraó e conduzira com êxito o povo escolhido fora do Egito. Após a única revelação de Monte Sinai feita por Deus, a ratificação da aliança, e quase um ano de preparação para ser nação, Moisés conduzira sua nação à terra de Canaã. Em lugar de avançar sobre a conquista e a ocupação da terra prometida, o tempo tinha se passado no deserto até que a geração irreligiosa e revolucionária houvesse morrido. Então Moisés dirige a nova geração que está a borda de tomar possessão da terra prometida aos patriarcas e seus descendentes.

Em seu primeiro discurso público revisa a história (1.6-4.40). começando com seu acampamento e partida do Monte Horebe, ele lembra a seus ouvintes que através da dúvida e da rebelião, seus pais perderam o direito à terra prometida e morreram no deserto.

Também os lembrou das recentes vitórias sobre os amorreus e o reparto de sua terra a diversas tribos que se haviam comprometido a ajudar o resto dos israelitas na conquista da terra além do Jordão. Embora por si mesmo não podia conservar o privilégio de continuar como chefe, lhes assegurou que Deus lhes garantiria a vitória sob o mandato de Josué.

Em vista do acontecida à precedente geração, Moisés adverte a seu povo de evitar que se cometam os mesmos erros. As condições para obter os favores de Deus são: obediência à lei e uma total devoção realizada com toda a alma e o coração para o único Deus. Se desobedecerem e se conformam com as formas idolátricas dos cananeus, os israelitas somente podem esperar o cativeiro.

Moisés começa seu segundo discurso com uma revisão da lei (4.44ss). Os lembra que Deus fez uma aliança com eles e que estão sob a obrigação de guardar a lei, se têm verdadeiros desejos de manter sua relação. Repete o Decálogo, que é básico para uma vida aceitável aos olhos de Deus. chamado a ser um povo separado e santo, eles só podem continuar assim mediante um genuíno amor a Deus e a diária obediência a Sua vontade, como está expressado na revelação feita no Sinai. Moisés também lhes adverte contra os perigos de falhar em tais propósitos.

Antecipando-se à residência do povo em Canaã, Moisés os instrui a respeito de sua conduta em seu estado de assentamento da terra prometida (12.1ss). A idolatria deve ser absolutamente suprimida, assim como os idólatras. Devem render culto somente a Deus, nos lugares divinamente designados, advertindo-lhes também acerca do culto que façam os habitantes da terra. Algumas das leis, tal como a de restrição de matar animais em uma praça pública (Lv 17.3-7), é revisada de novo e adaptada a novas condições. Para guiá-los em sua vida doméstica, civil e social, Moisés promulga leis e ordenanças para sua guia e ânimo. Revisa brevemente muitas das leis já dadas, e se pronuncia sobre numerosas instruções que os ajudarão a conformar-se aos desejos de Deus. em todo seu discurso, os exorta à mais completa obediência.

Finalmente, Moisés especifica certas bênçãos e maldições (27.11.20). Pela obediência Israel prosperará, porém com a desobediência atrairá sobre si a maldição do exílio e do cativeiro, dos quais foi liberada como nação. Para impressionar mais vividamente o povo, Moisés dá instruções de que se leiam essas bênçãos e maldições antes que a inteira congregação entre no Canaã.

Ao delegar Moisés sua liderança em Josué e seu ministério de ensinar aos sacerdotes, os provê de uma cópia da lei. Não se conhece o completo conteúdo do existente naquela cópia escrita. Familiarizado com os acontecimentos instáveis da história de Israel, Moisés sem dúvida deve ter provido uns extensos informes desde que Israel trocou seu estado de escravidão pelo de nação livre. O mais provável é que tivesse sido assistido e ajudado pelos escribas 101. Com arranjos finais para a liderança contínua de seu povo, Moisés expressa seu louvor a Deus pelo cuidado providencial (32.1-43). Ele faz uma contagem do nascimento e da infância da nação. Os israelitas foram castigados por sua ingratidão e apostasia, porém foram depois restaurados na graça. Prevaleceu a justiça e a misericórdia de Deus, demonstrando-se em amoroso cuidado para com seu povo escolhido. Em uma declaração profética de oração e louvor, Moisés apresenta as bênçãos para cada tribo individualmente (33.1-29). Antes de sua morte, ele teve o privilégio de ver a terra prometida desde o monte Nebo.



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