A história do pensamento econômico brasileiro entre 1964 e 1989: um método para discussão



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VI . Conclusão
O método que propomos para analisar a história do pensamento econômico brasileiro pretende fornecer uma ampliação das perspectivas já existente para a sistematização da HPE brasileira na medida em que inclui, para além das questões ideológicas e de filiação teórica, aquelas de fundo teórico-analítico, indicando ainda como norte fundamental a questão do desenvolvimento.

Espera-se com este procedimento um enriquecimento crítico do debate de HPE no Brasil e da própria HPE brasileira, colocando a história do pensamento econômico, bem como a produção intelectual sobre economia no Brasil, no espaço da discussão teórica.

A urgente deste projeto se justifica pela retomada progressiva do debate sobre desenvolvimento a partir do final dos anos 90 indica uma tendência, reforçada ao longo da década atual, de revigorar as idéias desenvolvimentistas. Sendo assim, consideramos que quase vinte anos depois do fim da “era desenvolvimentista” não apenas chegou “a hora em que alça seu vôo a coruja – Pássaro de Minerva”, como diria Fiori (1995) em referência à Hegel, mas também já se estabelecem as necessidades práticas de revisão, sistematização e análise da história do pensamento econômico brasileiro do para o período entre 1964 e 1989, especialmente como um estudo das raízes políticas e econômicas do debate atual.
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1 Maria Mello de Malta é coordenadora do Laboratório de Estudos Marxistas José Ricardo Tauile (LEMA) e Professora Adjunta do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE/UFRJ). Todos os co-autores são pesquisadores do LEMA.

Agradecemos, sem responsabilizar de nenhuma forma, à Professora Angela Ganem e ao Professor Claudio Salm por seus comentários ao trabalho, bem como aos estudantes Cristina Reis, Carla Curty, Laura Beraldo, Rodrigo Bonecini e Rodrigo Lima no auxilio à pesquisa. Finalmente agradecemos ao apoio financeiro do IPEA, em especial ao Projeto Catedras IPEA que recolocou o tema do desenvolvimento como um debate central para a pesquisa no Brasil.



2 Biderman, Cozac e Rego (1995) e Mantega e Rego (1999).

3 Loureiro (1997).

4 Na concepção de Mantega o pensamento econômico brasileiro torna-se economia política a partir da publicação de Formação Economia do Brasil por Celso Furtado em 1959. Em suas palavras “após muitos anos de análises parciais e fragmentadas sobre este ou aquele aspecto da economia brasileira, vinha a público um trabalho de fôlego que, respaldado num sólido arcabouço teórico, procurava concatenar os vários aspectos da dinâmica do nosso sistema econômico” (Mantega, 1984, p. 11). Depois deste primeiro esforço mais sistemático vão se produzindo contribuições teóricas que poderiam ser agrupadas em modelos que representam as três principais correntes de pensamento brasileiro, quais sejam, Modelo Democrático-burguês, Modelo de Subdesenvolvimento Capitalista e o Modelo de Substituição de Importações.

5É pelas mãos de autores brasileiros como Celso Furtado, Francisco de Oliveira e os marxistas da Teoria da Dependência como Ruy Mauro Marini e Theotônio dos Santos que o subdesenvolvimento deixa de ser visto como uma fase anterior ao pleno desenvolvimento.

6 É importante ressaltar que consideramos que a sistematização do pensamento econômico brasileiro até 1964 já foi feita e está no trabalho dos dois autores mencionados nesta seção. Nada além de uma contribuição marginal adviria de refazê-la sob nossa proposta metodológica, por isso nos concentraremos em elaborá-la e aplicá-la ao período posterior àquele mencionado.

7 Para a apresentação do debate sobre esta visão de história do pensamento econômico ver Ganem (2003), Malta (2005) e Tolipan (1998). Para uma apresentação mais tradicional ver Arida (1996).

8 Exemplos deste destaque retórico são os discursos do então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, e o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, que se pronunciaram sobre o tema no primeiro mandato da gestão FHC com duas importantes intervenções políticas e acadêmicas no debate (Cardoso, 1995; Franco, 1998)




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