A história emocionante de um cristão chinês que levou sua fé às últimas conseqüências


Deus me dá um filho e muitos irmãos



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12. Deus me dá um filho e muitos irmãos



"Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em

triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância

do seu conhecimento. Porque nós somos para com Deus o bom

perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se

perdem." (2 Co 2.14,15.)
Depois que fui carregado de volta à cela, um guarda me chutou e gritou: - Por que você comeu e falou hoje, depois de ficar ca­lado tanto tempo? Vou esfolar você vivo! Espere só para ver! Bateu a porta de ferro e saiu. O líder da cela me insultou:

- Você é falso! Todo dia finge que vai morrer. Eu estu­prei e matei muitas mulheres e agora estou vivo e muito bem aqui na prisão. Você veio para cá por causa da sua fé em Jesus e está morrendo como um cão doente.

Outro prisioneiro, que era muçulmano, falou em tom rís­pido:

- Quem mandou você falar de Jesus, violando as leis do nosso país? Você merece morrer. A lei celestial julgará por­cos como você!

Os prisioneiros sabiam que eu estava tão fraco que era necessário me carregar para toda parte. E fazia semanas que não me ouviam pronunciar nem uma palavra sequer. Mas, quando ouvi esses insultos, o Espírito Santo desceu sobre mim. Para grande espanto deles, fiquei em pé e pro­clamei em voz bem alta:

- Companheiros de prisão, tenho uma mensagem do meu Senhor. Por favor, ouçam com atenção!

Todos ficaram atônitos ao me ver em pé, falando com poder e autoridade. Eu não passava de um saco de ossos. Eles vinham apostando sobre o momento em que eu morre­ria, mas agora eu estava em pé diante deles, falando em voz bem alta!

Eu lhes disse:

- Amigos, Deus me enviou para cá especialmente por amor a vocês. Desde o dia em que entrei nesta cela eu falei que sou pastor e acredito em Jesus. Na primeira noite, can­tei para vocês e compartilhei sobre a salvação de Jesus. Vocês têm me observado atentamente e sabem que não comi nem um grão de arroz nem bebi gota de água durante 74 dias. Então pergunto a vocês: Em milhares de anos de história, alguém já viu uma pessoa fazer isso e continuar viva? Não percebem que esse milagre é uma demonstração do poder de Deus e da proteção dele sobre mim?

E continuei lhes falando:

- Agora meu Senhor permitiu que eu me pusesse dian­te de vocês para dizer que Jesus é o Deus vivo e verdadeiro. Vocês não podem prosseguir pecando, fazendo o que é mau! Amigos, como vocês pretendem escapar do inferno quan­do chegar o dia do julgamento? Só Jesus pode perdoar-lhes! Hoje o Senhor demonstra sua misericórdia para com vocês e lhes oferece a oportunidade de se arrependerem e recebe­rem o perdão. Todos devem se ajoelhar diante de Jesus Cris­to, confessar os pecados e pedir perdão a Deus. Não há outra forma de vocês escaparem da punição do inferno!

Quando acabei de falar, foi como se uma bomba tivesse caído sobre aqueles homens! Eles não conseguiam se con­trolar. O líder da cela foi o primeiro a se aproximar e cair de joelhos. Ele gritou:

- Yun, o que eu tenho de fazer para ser salvo?

Os outros também se ajoelharam, inclusive o muçulma­no. Todos gritavam:

- O que temos de fazer para ser salvos? Como podemos receber o perdão de Deus?

Cada um daqueles homens endurecidos pelo pecado re­cebeu o Senhor Jesus Cristo, arrependendo-se dos seus pe­cados com muitas lágrimas.

Além disso, sentiam-se culpados pela forma como haviam me tratado. Eu lhes perdoei, exatamente como José perdoou a seus irmãos. Animei-os, dizendo:

- "Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; po­rém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida." (Gn 50.20.)

Tínhamos pouca água, então usei algumas gotas para batizar cada homem.

Um guarda que estava no corredor ouviu a comoção e correu até a porta. Ficou imóvel, grudado no lugar por vá­rios minutos, sem dizer nenhuma palavra, totalmente ma­ravilhado pelo que testemunhava.

A atmosfera dentro da cela transformou-se imediatamen­te. Os homens endurecidos agora eram compassivos. A lin­guagem e o comportamento deles mudou por completo. Antes, ódio e egoísmo dominavam a cela número dois. Agora, reinavam paz e alegria.

Os homens passaram vários dias com lágrimas nos olhos, maravilhados porque o Senhor havia derramado misericór­dia sobre eles. Quando recebiam permissão para ir ao pá­tio, aproveitavam a oportunidade para compartilhar o evangelho com prisioneiros de outras celas. Assim, a men­sagem se espalhou por toda a cadeia, e muitos se arrepen­deram e creram no Senhor!

Em sua graça, Deus me deu uma nova missão: discipular os novos convertidos na cadeia!
*****
Nessa época, o Irmão Fu estava para ser libertado. Es­crevi algo para Deling em um pedaço de papel higiênico e pedi que ele entregasse a ela. Na mensagem, eu a desa­fiei:

"O que está acontecendo com você é o caminho da cruz. Você falou sério quando entregou a vida a ele? Continuará fiel ao Senhor?"

Escrevi também um poema para ela:
Nosso corpo envelhece e enfraquece.

O número de amigos e parentes diminui.

Nosso caminho é cada vez mais difícil.

Mas obedeça em tudo à vontade do Senhor,

Pois você é a filha que ele ama.
Logo que nos casamos, eu e Deling pensamos em ter um filho. Mas o fato de a polícia espalhar meu nome e minha foto por toda parte fez com que passássemos pouco tempo juntos. Em uma ocasião, pouco antes de ser preso, conse­gui ir escondido até minha casa. E foi durante essa visita que ela ficou grávida.

Fui preso em seguida.

Certa noite, em minha cela, recebi um sonho do Senhor. Vi minha esposa feliz, segurando um bebê do sexo mascu­lino. Ela se aproximou de mim e perguntou baixinho:

"Que nome vamos dar ao nosso filho?"

Peguei o bebê e imediatamente um versículo bíblico me veio à mente. Foi justamente o que conta de Abraão esco­lhendo o nome do seu filho. Eu disse a ela: "O nome dele será Isaque". Ela sorriu e, toda feliz, afastou-se com o bebê.

Acordei e não consegui dormir de novo. Ficava pensan­do no que acabara de ver.

Na manhã seguinte, 19 de abril de 1984, minha família veio dar a boa notícia. Um guarda me falou, de forma direta:

"Yun, sua esposa deu à luz um menino. Daqui a uns dias sua família vai dar uma festa para celebrar. Tome papel e ca­neta. Sua esposa quer que você escolha o nome do seu filho."

Lembrei-me imediatamente do sonho da noite anterior. Agradeci ao guarda e escrevi: "O nome dele será Isaque". Em seguida, rabisquei algumas palavras para o meu bebê:

Para meu amado filho Isaque.

Quando você nasceu, seu pai estava preso por causa do nome de Jesus Cristo. Meu filho, não sei se vou viver para conhecê-lo. As pessoas costumam querer que seus filhos se­jam bem-sucedidos, mas seu papai deseja apenas que você siga o Senhor Jesus e o ame. Isaque, sempre confie no Senhor e obedeça aos mandamentos dele, e você crescerá para ser um homem de Deus. Do seu papai.

O guarda examinou o bilhete e atestou: "Aqui não tem nada relacionado com o caso dele." Pegou o papel e a caneta e entregou a mensagem à mi­nha família.


*****
DELING: Logo depois da visita dramática a Yun na cadeia, dei à luz nosso filho.

O parto foi, por si mesmo, um milagre. A parteira que me ajudou disse que foi a primeira vez que viu uma mulher ter um bebê sem sentir dor. Estou dizendo a verdade: não senti nenhum tipo de dor. Foi um presente gracioso de Deus.

Poucos dias antes do parto, recebi ordem de ir ao hospital para abortar. O Departamento de Planejamento Familiar do governo me disse:

"Seu marido nunca sairá da prisão. Faça um favor a si mesma e impeça essa criança de vir ao mundo."

Mandaram que eu voltasse dali a uns dias para fazer o aborto.

Fiquei apavorada. Claro que eu jamais concordaria com isso, mas, se eu não voltasse à clínica, eles iriam me procurar e fazer o aborto à força.

Compartilhei minha preocupação com minha mãe e os irmãos e irmãs em Cristo. Eles oraram com fervor, pedindo que Deus me aju­dasse nessa situação difícil. O Senhor atendeu às orações! Dei à luz de repente, dois meses antes da hora, antes que o governo pudesse me fazer abortar. Quando os funcionários do Departamento de Planeja­mento Familiar vieram verificar por que eu não havia ido à clínica no dia marcado, me encontraram assentada em uma cadeira com meu precioso bebê nos braços! Não puderam fazer nada!

Enviamos um bilhete à cadeia para informar Yun. Ele escreveu de volta: "O nome dele será Isaque". O Senhor mostrara a ele, em sonho, que nome deveria dar ao nosso bebê.

Foi um tempo muito difícil. Enfrentamos pobreza extrema. A polí­cia veio à nossa casa e confiscou tudo: tigelas, panelas, móveis e até roupas. Eu e a mãe de Yun não tínhamos escolha, éramos obrigadas a trabalhar nas plantações para não morrer de fome. Ela já tinha mais de 60 anos, mas era forte e gozava de boa saúde.

Uma semana antes do nascimento de Isaque, irmãos e irmãs amo­rosos viajaram mais de 100km para nos ajudar na plantação. Em nossa região, poucas senhoras idosas trabalhavam fora de casa. Era serviço para os jovens e fortes. Apesar disso, quando chegaram à nossa casa, esses irmãos viram a mãe de Yun trabalhando no campo todos os dias, lutando para levar a carga.

Os amigos juntaram o trigo e o ataram para nós, depois o deixa­ram em um dos lados da plantação, mas não o levaram para o celei­ro. Depois que eles partiram, despencou uma tempestade. A mãe de Yun correu para recolher o trigo antes de a chuva cair.

Enquanto trovejava, o grande carro de madeira em que ela amon­toava o trigo virou sobre ela, prendendo-a ao chão. Um dos braços e uma das pernas dela ficaram sob a carga. Ela permaneceu muito tem­po presa na lama, ensopada pelo temporal. Eu estava dentro de casa com o bebê e não tinha idéia do que estava acontecendo.

A mãe de Yun sofreu fraturas graves no braço e no fémur.

Foi um completo desastre. Cheguei ao fim das minhas forças. Meu marido estava preso, meus amigos e parentes me abandonaram, eu lidava com um recém-nascido e agora a mãe de Yun se achava grave­mente ferida.

Um dia, fiquei tonta e desmaiei no campo, de pura exaustão. De­pois de muito tempo, recuperei a consciência e comecei a chorar por­que minha própria família havia me rejeitado; minha cunhada e meus vizinhos me insultavam. Olhei para o céu e comecei a cantar o Salmo 123. "A ti, que habitas nos céus, elevo os olhos!... Os nossos olhos estão fitos no Senhor, nosso Deus, até que se compadeça de nós. Tem misericórdia de nós, Senhor, tem misericórdia; pois estamos sobremo­do fartos de desprezo. A nossa alma está saturada do escárnio dos que estão à sua vontade e do desprezo dos soberbos".
*****
YUN: Durante essa época de perseguição, eu e mais nove obreiros da nossa igreja fomos jogados na prisão. As famí­lias tiveram a casa vasculhada e receberam multas vultosas por terem em seu poder Bíblias e outros materiais cristãos.

Muitos crentes se encheram de medo, mas o Espírito Santo acalmou o coração deles e deu nova direção à igreja. Uma brisa fresca de avivamento soprou. As reuniões de oração duravam a noite toda, e muitas almas adormecidas se despertaram. Sinais e maravilhas aconteciam a toda hora. Muitos levavam enfermos às igrejas domésticas e estes eram curados. Doentes mentais e endemoninhados recebiam cura e libertação no nome de Jesus.

Os cristãos presos viam seu testemunho fortalecido pe­las orações constantes em seu favor. Como consequência, inúmeros prisioneiros se converteram.

Vários oficiais do governo e membros do partido comu­nista aceitaram Jesus nessa época. Alguns até começaram a testemunhar com ousadia.

A l0km da minha casa fica uma vila chamada "Templo Budista de Ferro". Lá morava a Irmã Zhi. O marido dela, um homem rico, era incrédulo. Na verdade, adorava ídolos e ignorava o conselho de sua esposa para abandonar os falsos deuses e adorar Jesus. O filho deles estava em estado terminal, e a medicina não tinha mais recursos para ajudá-lo.

Esse homem rico, que tinha parentes nos postos eleva­dos do governo, pediu que os crentes fossem até a casa dele para orar em favor do filho. Dezenas de cristãos atende­ram ao convite. Na mesma noite, o Irmão Fong foi de bici­cleta até a vila para contar aos crentes tudo o que se passa­ra na visita que ele me fizera na prisão.

O que ele falou a respeito do meu jejum e do quanto eu estava sofrendo deixou os cristãos profundamente comovi­dos. Choraram em oração por mim e se esqueceram de orar pelo menino doente!

O marido da Irmã Zhi reclamou:

"Convidei vocês para virem aqui hoje orar pelo meu filho. Quem é esse tal de Yun? Faz 74 dias que ele não come e ainda está vivo? Isso não é possível! Ele é um deus?"

E em seguida ele deu uma ordem:

"Parem de chorar por Yun! Por favor, orem agora pelo meu filho, no nome desse Jesus em quem Yun confia. Se Jesus ajudar meu filho, eu vou usar meus contatos no go­verno para ajudar Yun a sair da cadeia."

Deus, para sua glória, ouviu a oração deles. O garoto foi curado imediatamente. A família toda aceitou Jesus. O marido da Irmã Zhi mobilizou toda a vila para ouvir o evan­gelho, e a maioria das pessoas entregou a vida a Deus. De­pois que fui solto, visitei a vila e pude ouvir as pessoas con­tarem essa história.

Um dia, a Irmã Zhi disse a seu marido:

- Ouvi a notícia de que a esposa de Yun teve um bebê hoje. Seria bom irmos visitá-la e levar um presente. É o filho de Yun, cujo Deus curou nosso filho e salvou sua alma.

Ele levou muitos presentes para minha família. Ao ver minha mãe, disse:

- Senhora, não nos conhecemos, mas trago para a se­nhora presentes de gratidão. Vocês não sabem que eu sou, mas gostaria de lhes contar uma história...

Deling, que estava descansando no quarto, levantou-se e se aproximou quando ouviu o homem contar sua experi­ência.

Ele explicou em detalhes o que tinha acontecido, como o Senhor, em sua graça, havia curado o filho dele e salvado a maioria das famílias da vila.

Todos agradeceram juntos a Deus. Minha família rogou a ele que pedisse a seus parentes do governo para eu ser informado do nascimento do meu filho.

Um dos primos do marido de Zhi era guarda na prisão em que eu estava. Era um dos que me torturava com casse­tete elétrico e me jogava no excremento.

O irmão recém-convertido procurou o primo e lhe disse:

"Yun é meu parente (ele quis dizer parente no Senhor). O Jesus em que ele acredita é o Deus vivo e verdadeiro. Cuide dele; trate-o bem."

O guarda sentiu vergonha do que havia feito comigo. Meu jejum de 74 dias, sem comida nem água, era conheci­do em toda a prisão e também entre os oficiais do Departa­mento de Segurança Pública local. Desse ponto em diante, minha situação na cadeia ficou mais fácil. A perseguição cessou, e fui até promovido a lí­der da minha cela.

O nascimento de Isaque trouxe esperança e alegria à minha família e também foi um raio de luz em nossa vida no meio de um ano tenebroso.




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