A história emocionante de um cristão chinês que levou sua fé às últimas conseqüências



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16. Deus derrama seu tremendo poder



"Pois tu, ó Deus, nos provaste; acrisolaste-nos como se acrisola

a prata. Tu nos deixaste cair na armadilha; oprimiste as nossas

costas; fizeste que os homens cavalgassem sobre a nossa cabeça;

passamos pelo fogo e pela água; porém, afinal, nos trouxeste para

um lugar espaçoso... Vinde, ouvi, todos vós que temeis a Deus, e

vos contarei o que tem ele feito por minha alma."

(Sl 66.10-12,16.)


Eu estava quase terminando de cumprir a sentença de quatro anos quando a situação piorou e acabei enfiado em uma cela minúscula. Tinha certeza de que seria con­denado à morte.

Certa manhã, um guarda se aproximou e me levou para uma sessão de interrogatório aberta, programada para du­rar o dia todo. Quando ele chegou, eu tinha acabado meu momento de oração e estava louvando o Senhor de todo o coração.

O guarda viu a alegria em meu rosto e perguntou:

- O que você sonhou esta noite que o deixou tão feliz? Continuei cantando. Ele me interrompeu:

- Não fique tão feliz. Hoje você vai enfrentar uma situ­ação muito difícil e não estará cantando no fim do dia.

Conferiu minhas algemas e me empurrou para a sala de interrogatório. Oito oficiais esperavam por mim assenta­dos. Sobre uma mesa, vi uma coleção de instrumentos de tortura. Deus já retirara do meu coração todo traço de medo, então examinei tudo com cuidado, sem nenhuma angús­tia.

Assentei-me em uma cadeira.

Um juiz falou:

_ Esta é sua última oportunidade, Yun. Tenho poder para condená-lo a mais quinze ou vinte anos se você se recusar a cooperar e a admitir seus crimes.

Olhei para ele, mas não falei nada.

O segundo líder no comando do DSP da comarca falou:

- Yun, de acordo com seu dossiê, você teve muito contato com o criminoso Xu Yongze. Vocês dois interagiram com estrangeiros para tramar contra nosso governo. Esses fatos são suficientes para condená-lo à morte, se quisermos. Mas agora queremos que você confesse que cometeu esses crimes. Diga quem são os principais líderes do grupo de Xu. Se disser os nomes, seremos benevolentes com você. Caso contrário, você se arrependerá amargamente.

Nesse instante fiquei com muita ira. Coloquei-me de pé e levantei as mãos algemadas. Em voz alta, declarei:

- Não diga mais nada! Estou pronto para ser condena­do à morte! Não vou responder. Pode fazer o que quiser comigo!

Depois de falar, assentei-me de novo.

Bem no fundo do coração eu dizia:

"Senhor Jesus, mesmo que eles me matem, eu continua­rei amando o Senhor."

Todos na sala ficaram atônitos. Um juiz experiente, do governo da província, interpôs:

- Certo, Yun, sabemos que você é um cristão sincero, mas o governo está disposto a ajudar. Não pretendemos matá-lo, não fique tão nervoso. Apenas ouça as perguntas. volte hoje para sua cela. Daqui a alguns dias você pode nos dar as respostas.

De volta ao meu chão úmido e solitário, cantei:


O, Senhor, não sei o que o amanhã me reserva,

Mas prefiro morrer por ti,

Pois sei que me escolheste

E me chamaste para te amar e obedecer.


Alguns dias depois, por volta das 9:00h da manhã, o diretor da prisão foi até minha cela pessoalmente. Fiquei surpreso quando ele falou:

- Yun, arrume suas coisas e prepare-se para deixar esta cela.

- Por quê? perguntei.

- Vamos mandá-lo de volta à prisão original, em sua comarca. Você vai ser julgado de novo, respondeu ele.

Fui levado até Nanyang em um carro da polícia. Meu cobertor, minhas roupas, a Bíblia e tudo mais que eu pos­suía neste mundo foi comigo. Transportaram-me algema­do, e me mandaram assentar no banco traseiro, com um guarda armado de cada lado.

Era fim de tarde quando chegamos a Nanyang. Fazia quase quatro anos que eu não via minha cidade. Em vez de me levarem para a prisão, eles me conduziram a um gran­de pátio. Vi uma placa no local: "Departamento de Segu­rança Pública da Prefeitura".

Os guardas soltaram as algemas e permitiram que eu lavasse as mãos e o rosto. Levaram-me até uma sala luxuo­sa. Umas dez pessoas esperavam por mim - o chefe do DSP, o diretor do Departamento de Assuntos Religiosos, repre­sentantes do partido comunista local e líderes da Igreja dos Três Poderes.

O chefe do DSP falou:

- Yun, achamos que você já sabe que sua situação é muito delicada; então não vamos repetir as acusações. Segundo a lei, poderíamos condená-lo a uma sentença mais longa, mas deduzimos que você é obstinado demais e não vai mudar seu comportamento. Depois de muitos debates entre os vá­rios departamentos, resolvemos mandá-lo para casa.

O Espírito Santo me fez lembrar de sua Palavra: "Ne­nhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fos­se dada" (Jo 19.11).

Os oficiais prosseguiram:

- Temos algumas condições com as quais você deve con­cordar antes de o liberarmos:


1. Durante dois anos, será destituído de todos os direitos políticos. Não há como fugir à vergonha de ter sido preso político.

2. Durante dois anos, ficará sob supervisão atenta da polí­cia.

3. Relatará mensalmente suas atividades ao DSP.

4. Não tem permissão para sair de sua vila. Não pode ir pre­gar em lugar nenhum. Se alguém for à sua casa, informará às autoridades. Se não fizer isso, será severamente puni­do.

5. Você tem de se filiar à Igreja Patriótica dos Três Poderes, que é reconhecida e autorizada pelo governo.
Leram os cinco pontos e me pediram para assinar um documento concordando com as condições. Com educação, respondi:

- Caros líderes respeitáveis, não posso obedecer a uma das condições. A de número cinco. Não posso e não me filiarei à Igreja dos Três Poderes. Ela é uma organização política nacional. Estou destituído dos direitos políticos, então também não me qualifico para participar da Igreja dos Três Poderes.

Eles acharam meu argumento razoável. Não sabiam o que responder, então me advertiram:

- Yun, sabemos que você é como um cachorro que sem­pre volta ao próprio vômito. Estamos cientes de que é difícil para você mudar seu comportamento. Por mais que você pense que é esperto, se continuar a incitar seus seguidores contra a política religiosa da nossa nação, acabará sofren­do as consequências pelo resto da vida.

Descobri que já haviam comprado uma passagem de ônibus para eu voltar à minha vila. Era o último ônibus daquela noite. Mandaram um carro me levar à estação. Meu coração explodia de alegria e gratidão.

Era 25 de janeiro de 1988 - quatro anos depois do dia em que eu fora levado de volta a Nanyang no carro da polícia, algemado de forma dolorosa à barra de ferro, com meu sangue espalhado por toda parte. Fazia também qua­tro anos que eu havia começado o jejum que durara 74 dias.

Fui, finalmente, liberto da cadeia!

Pouco antes da meia-noite eu estava perto da minha vila. Percorri o caminho escuro e gelado até minha casa. Estava empolgado e nervoso ao mesmo tempo. Sabia que minha família havia sofrido muito durante minha ausência.

Segui apressado pelo caminho estreito. Passei por uma fila de casas e vi a fumaça saindo das chaminés; o fogo lá dentro protegia os lares do ar congelado do inverno.

Ao avistar minha casa, fiz uma pausa, desfrutando do momento. Era como um sonho.

Tinha passado por tantas experiências nos últimos qua­tro anos, e Deus permanecera fiel. Havia sofrido torturas horríveis, e Deus permanecera fiel. Fora arrastado diante de juízes e tribunais, e Deus permanecera fiel. Sentira fome, sede e desmaiara de exaustão, e Deus permanecera fiel.

Através de tudo, Deus sempre foi fiel e amoroso. Nunca me deixou nem me abandonou. A graça dele foi sempre suficiente, e ele providenciou tudo de que precisei.

Eu não sofri na prisão por Jesus. Não! Eu estava com ele e experimentei sua presença, alegria e paz verdadeiras a cada dia. Os que sofrem não são os que estão presos por causa de Jesus, mas aqueles que nunca desfrutam da inti­midade da presença de Deus.

De certa forma, apesar de estar livre, eu achava difícil deixar a prisão. Em meu íntimo, a comunhão espiritual com meus companheiros cristãos havia sido muito doce e pro­funda. Formamos laços bem fortes. Servimos uns aos ou­tros em amor, compartilhamos toda nossa vida. No mundo exterior todos vivem ocupados e têm muitas coisas a fazer. A maioria dos relacionamentos é apenas superficial.

Minha família não me esperava. Tinham uma idéia quan­to à época em que eu deveria ser solto, mas não haviam recebido nenhuma notificação das autoridades. Encontrei a porta da minha casa fechada. Bati, e minha preciosa es­posa Deling, com expressão completamente atônita, abriu a porta e me deixou entrar. Isaque, meu garotinho, já esta­va dormindo. Deling acordou-o e, juntos, olharam para mim com os olhos arregalados, tentando acreditar que era eu mesmo, não um sonho nem visão.

Isaque tinha quatro anos, e nós nunca tínhamos nos vis­to. Ele agarrou-se à mãe e disse:

"Quem é ele? Não é meu pai! Quem é ele?"

Isso partiu meu coração. Nos dias seguintes, porém, ele foi aprendendo a gostar de mim, e nos aproximamos um pouco mais.

Nós nos ajoelhamos e agradecemos a Deus por ele nos ter reunido. Depois eu e Deling nos abraçamos, rimos e choramos durante a noite toda, enquanto contávamos as histórias das lutas que enfrentamos e comentávamos sobre a bondade de Deus conosco.

Quando cheguei, minha mãe não estava em casa. Tinha ido a Nanyang para tentar descobrir quando eu seria libe­rado. As autoridades a ignoraram e não responderam a nenhuma das perguntas que ela fez. Na segunda noite de­pois que fui solto ela voltou, desanimada e com o coração partido. Dá para imaginar a alegria indescritível que ela sentiu quando viu que eu já estava em casa!

Certa noite, três dias depois que fui solto, tive um sonho estranho, mas soube imediatamente que era do Senhor.

Sonhei que uma multidão de cristãos corria atrás de mim. Eu carregava uma luz brilhante, do tamanho de um ovo. As pessoas tentavam tomar a luz de mim, então eu quis escondê-la, mas ela continuava brilhando através da mi­nha roupa. Por mais que eu tentasse escapar, todo mundo ficava correndo atrás de mim.

Acordei com a camisa encharcada de suor. Chamei mi­nha esposa e disse:

- Precisamos orar. Tive um sonho assustador. Contei os detalhes e Deling falou:

- O Senhor está nos dizendo que é difícil demais escon­der você dos crentes. Quando descobrirem que você está aqui, eles virão para vê-lo. E as autoridades vão prender a todos. Foi por isso que soltaram você; para usá-lo como isca. Os crentes virão, e as autoridades cairão sobre eles como aves de rapina.

O sonho começou a se tornar realidade. Duas semanas depois que voltei para casa, houve um grande encontro do Congresso Popular e do DSP. Na reunião, declararam que havia liberdade religiosa total na China. Criticaram as igre­jas domésticas e anunciaram que eu estava sob observação cuidadosa do governo local. Informaram aos delegados as cinco condições impostas para minha libertação. Tentaram me envergonhar durante a reunião.

Certo dia, vários colaboradores importantes foram à minha casa antes do amanhecer para me levarem a uma reunião especial da liderança. Meu coração queimava com o Espírito Santo. Oramos pelo avivamento. Muitos jovens choravam diante do Senhor. Todos voltamos a dedicar a vida aos propósitos de Deus.

O fogo do Espírito Santo ardia em minha comarca, Nanyang. Muitos milagres e milhares de conversões acon­teceram em pouco tempo. Então o fogo se espalhou para outros lugares.

Minha liberdade era limitada, por causa da vigilância cerrada. Tinha de pedir permissão para sair da vila. Todo mês era obrigado a ir ao Departamento de Segurança Pú­blica local e relatar minhas atividades. Para mim, era um espinho na carne.

Certo dia, orei:

"Senhor, tu disseste a Pedro que devemos obedecer a Deus e não aos homens, então, de agora em diante, não vou mais prestar contas ao governo. Obedecerei apenas a ti."

Imediatamente, o Senhor falou ao meu coração: "Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor... Por­que assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos" (1 Pe 2.13,15).

Assim, nos primeiros dois anos, fiz tudo que me manda­ram e todos os meses me apresentei ao DSP. Aproveitei to­das as oportunidades para compartilhar a Palavra de Deus com os oficiais. Nunca contei onde havia pregado o evangelho. Contava as revelações que o Senhor me fizera em sua Palavra naquele mês.

Em março de 1988, soubemos que havia Bíblias disponí­veis no sul da China, na cidade de Guangzhou. Os cristãos estrangeiros que as levaram cruzaram a fronteira em Hong Kong. Ouvi falar também sobre um pastor americano que morava em Hong Kong e amava a China de todo o cora­ção. Ele falava chinês fluentemente e até pregava em nossa língua.

Quando minha esposa ficou sabendo desse pastor, incentivou-me a ir a Guangzhou visitá-lo e conseguir algu­mas Bíblias para nossa igreja. Ela me disse para não me preocupar com as autoridades, pois arrumaria uma des­culpa para o meu afastamento da vila.

Enfrentei a viagem de trem que durava 30 horas. Assim, fiquei conhecendo o irmão americano. Ele compartilhou seu amor pela China e declarou que estava disposto a sacrifi­car a própria vida pelo povo chinês. Essa experiência me­xeu comigo. Essa foi a primeira vez que tive contato com crentes ocidentais. Eles começaram a separar para mim várias sacolas com Bíblias. E precisávamos muito delas nas igrejas domésticas.

A partir dessa época passamos a receber alguns estran­geiros em nosso meio. Gostávamos da companhia deles e fi­cávamos gratos pelas Bíblias e outros materiais que levavam. Mas às vezes tínhamos dificuldade para hospedá-los. Por exemplo, sempre nos levantávamos às 5:00h da manhã para nossas reuniões de oração. Depois de orar e tomar café, tra­balhávamos diligentemente pelo Senhor até meia-noite.

As igrejas domésticas gostavam de ouvir mensagens lon­gas da Palavra de Deus. Os pregadores chineses falavam com poder, sem fazer pausas, durante várias horas. Então, faziam um intervalo para a refeição e continuavam por mais algumas horas. Esse padrão se repetia dia após dia. Desco­brimos que alguns dos nossos visitantes estrangeiros só fa­lavam por 45 minutos e depois não tinham mais o que di­zer! Por isso, pedimos que só os que conseguissem ensinar por pelo menos duas horas fossem nos visitar.

O ano de 1989 foi um marco para as igrejas domésticas. No dia 4 de junho, aconteceu o massacre na Praça Tiananmen (Praça da Paz Celestial). Esse episódio mudou o coração de muita gente. Deixou o comunismo desacreditado aos olhos de milhões de pessoas e levou-as a procurarem a verdade espiritual. Passamos então a agir em conjunto para colher os frutos.

Nesse ano, o poder do Espírito Santo explodiu por toda a China, de muitas formas. Poucos se dispunham a se unir ao partido comunista, enquanto cada vez mais gente que­ria entrar para a igreja cristã.

Desde 1978, o congingente cristão era formado, em sua maioria, por fazendeiros idosos. Em 1989, porém, muitos estudantes, universitários e funcionários do governo come­çaram a seguir a Cristo. Até mesmo comunistas experien­tes voltaram as costas à ideologia vazia de Marx e decidi­ram aceitar Jesus.

Também em minha vila o evangelho prosperou imensa­mente. Vários membros do partido comunista se afastaram do partido, creram em Jesus, foram batizados e passaram a pregar o evangelho! Pecadores encontraram salvação, e do­entes foram curados. O poder do evangelho tornou-se as­sunto comum entre os habitantes da vila. Todos pareciam cativados pelo poder tremendo e a realidade de Deus. Até vizinhos que zombavam da minha esposa enquanto eu es­tava preso se arrependeram e se tornaram crentes fiéis. Arrependeram-se profundamente da forma como haviam per­seguido minha família.

Na noite em que fui preso, em 1983, eu havia gritado: "Sou um homem do céu! Moro na vila do evangelho!" Isso virou realidade! Pela graça de Deus nossa vila tornou-se de fato numa vila do evangelho.

As autoridades sabiam que muitos estavam se converten­do e que grandes milagres aconteciam. Mas preferiram per­manecer nos postos policiais em vez de perseguir as igrejas domésticas. Temiam tocar em nós, porque reconheciam que havia um grande poder em ação. Tinham ciência de que uma oposição ao povo de Deus seria tolice e seria algo perigoso.

Nossos colaboradores nunca estudaram em seminários, mas estavam verdadeiramente cheios do Espírito Santo. Sempre que pregavam o evangelho, as pessoas ficavam maravilhadas com o que eles ensinavam, e o nome de Jesus era divulgado. "Ao verem... sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus." (At 4.13.)

Os líderes cristãos viviam tão ocupados que não tinham tempo nem para se alimentar direito nem para ficar com a família. Em toda parte havia um chamado da Macedônia para irmos pregar o evangelho. Foi um tempo maravilho­so, quando apenas tentávamos acompanhar a Deus e pro­duzir uma colheita enquanto ainda era dia.

Certa ocasião fui convidado para dirigir reuniões espe­ciais em Wenzhou, na Província de Zhejiang. Houve gran­des milagres. Cegos voltaram a ver, surdos ouviam e coxos andavam. Pessoas com uma necessidade urgente de Deus nos cercavam. Chegavam a tocar em minhas roupas na es­perança de receber cura do Senhor. Por fim, precisei de seis ou sete colaboradores, mais fortes fisicamente, para me ti­rar do meio da multidão e me ajudar a sair da reunião.

Na Província de Anhui, mais de duas mil pessoas se reu­niram. Havia no local quatro homens que eram considera­dos possessos de demônios. Todos que os conheciam ates­tavam isso. Eles foram levados à frente enquanto eu prega­va. Fazia vários anos que ninguém conseguia controlá-los. Médicos e especialistas haviam tentado curá-los, mas eles pioravam cada vez mais.

Um deles era um verdadeiro flagelo para a igreja. Havia tentado assassinar o pastor várias vezes e exigia que ele se curvasse e adorasse os demônios que estavam em seu inte­rior. Era considerado perigoso e, quando piorava, a polícia o mantinha algemado. Os crentes vinham orando por ele havia algum tempo, mas ainda não tinham visto resulta­dos.

Oramos em nome de Jesus por esses quatro infelizes, e três deles foram libertos no mesmo instante. Mas justamen­te o que tinha o espírito assassino começou a lutar. Continuamos orando com fervor pela libertação dele até às 4:00h da madrugada, porém ele prosseguia com maldições e ame­aças. O que ele mais queria era me matar. Os poderes das trevas que estavam dentro dele me insultavam:

"Você diz que tem poder sobre os demônios, mas não consegue me expulsar! Aqui é minha casa, e não vou a lu­gar nenhum!"

Durante várias horas, usamos todas as técnicas que co­nhecíamos. Fizemos muitos tipos de orações, mas nada fun­cionou. Por fim desistimos, por pura frustração. Nós nos assentamos e dissemos a Deus:

"Senhor, não podemos fazer nada."

De repente, enquanto estávamos assentados, nos sen­tindo derrotados, o Espírito de Deus desceu sobre nós, e o possesso começou a tremer incontrolavelmente. Levantamo-nos de um salto e impusemos as mãos sobre o homem. Des­sa vez os demônios o deixaram na mesma hora.

Aprendemos uma lição naquela manhã. Quando che­gamos ao fim das nossas forças, não estamos derrotados, mas apenas começando a penetrar nos recursos infinitos do Senhor. É na hora da fraqueza que somos fortes em Deus.

Nesse período, as pessoas sentiam uma fome exagerada de Deus. É difícil descrever essa situação. Só quem já expe­rimentou sabe o que é. Em algumas regiões, o poder de Deus foi derramado com tanta intensidade que o Espírito Santo já convencia as pessoas do pecado enquanto estas se dirigiam para a reunião. Elas se ajoelhavam no caminho e se arre­pendiam ali mesmo.

As necessidades eram tão grandes que não sabíamos o que fazer. O Irmão Zhang Rongliang e seus colaboradores perguntavam:

"O que faremos? Todo mundo está nos convidando para realizar reuniões de cura e de salvação. Estamos ficando sobrecarregados."

Um dia, ouvi uma voz me dizer com toda clareza:

"Vá para o deserto e ore. Você tem de orar antes de pre­gar. Ore primeiro e pregue depois."

Nessa época, muitos líderes sentiram um peso para ini­ciar o treinamento dos novos convertidos. Nosso foco tinha sido o evangelismo, mas decidimos não apenas ganhar al­mas, mas também alimentá-las e acompanhar o crescimen­to dos discípulos do Senhor.

Em abril de 1989, começamos programas intensos de trei­namento. Os seminários funcionavam dentro de cavernas abertas nas encostas das montanhas.

Quando Deus começa a agir, o melhor que temos a fazer é acompanhar o seu mover. Todos os planos humanos se tornam inúteis e sem valor, e somos carregados, como um guarda-chuva no meio de um furacão.

Pouco depois de sair da cadeia, cumpri a promessa de visitar os pais do falecido Irmão Huang. Fazia três anos e meio que ele se convertera e fora executado. Eles ainda guar­davam a "carta de sangue" do filho.

Eu disse a eles:

"O corpo do seu filho morreu, mas o espírito dele está vivo no céu, com Jesus. As palavras que ele escreveu com sangue também vivem. Vim aqui hoje para falar sobre o último pedido do seu filho. Ele disse que vocês precisam acreditar em Jesus!"

O pai e a mãe de Huang eram membros do partido co­munista, gente da alta sociedade. Vi que o Espírito Santo estava agindo, mas eles sabiam que pagariam um alto pre­ço se viessem a se tornar cristãos.

Conversamos durante algumas horas, e depois eles enfi­aram dinheiro em meu bolso e me agradeceram pela visita. Retirei o dinheiro, coloquei-o na bandeja de chá e em segui­da lhes falei:

"Não quero o dinheiro de vocês. Quero sua alma! Ago­ra, no nome santo de Jesus Cristo de Nazaré, eu ordeno que vocês se ajoelhem e o aceitem como Salvador!"

Imediatamente os pais de Huang caíram de joelhos e, em lágrimas, confessaram seus pecados diante de Deus.

Até hoje eles seguem fielmente o Senhor.


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