A história emocionante de um cristão chinês que levou sua fé às últimas conseqüências



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23. Deixando a cortina de bambu


Na manhã seguinte à fuga, pedi aos meus amigos que entrassem em contato com um líder da igreja domés­tica de Zhengzhou. Deveriam contar a ele que eu ha­via escapado e que iria visitá-lo à noite.

Na mesma manhã, por volta de ll:00h, Deling recebeu uma visão do Senhor. Ela fora solta duas semanas antes e estava escondida na casa de crentes.

Na visão, o Senhor lhe mostrou que eu havia sido solto. Estava assentado na frente dela e sorria, cheio de alegria e contentamento. Pedi a ela que chamasse todos os presbíteros e co-obreiros da igreja para uma reunião. Ela apontou o dedo para mim e falou:

"Nem pense nisso! Você não tem medo? Não tem medo de morrer?"

Eu sorri para ela e não falei nada.

Em resposta à visão, Deling pegou um ônibus para Zhengzhou. O primeiro lugar em que parou foi a casa do líder que eu pretendia visitar à noite!

Assim que minha esposa entrou, o casal idoso lhe per­guntou:

- Você já sabe que o servo de Deus, o Irmão Yun, fugiu da prisão?

Deling pediu, gaguejando:

- Vocês podem repetir? É verdade? Ele fugiu mesmo? Minha esposa desabou em uma cadeira e contou a visão que o Senhor havia lhe dado naquela manhã. O irmão riu e exclamou:

- Arrá! Isso prova que a comunicação do Senhor é mui­to mais rápida do que telefones e computadores!

Naquela noite, cheguei à casa dos irmãos e fiquei mara­vilhado de ver o rosto amado da minha esposa, e de encon­trar vários companheiros reunidos para me ver.

Na manhã antes de Deus me tirar da prisão, ele havia me mostrado em uma visão que minha esposa estava livre. Ela recebera uma visão contando que eu estava livre e, nes­se momento, pela mão poderosa do Senhor, estávamos jun­tos! Abraçamo-nos e cantamos o Salmo 126.1-3:


"Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha. Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então, entre as nações se dizia: Grandes coisas o Senhor tem feito por eles. Com efeito, grandes coisas fez o Senhor por nós; por isso, estamos alegres."
Eu estava livre, mas desejava voltar à cadeia para visitar meus companheiros e compartilhar com eles o que Deus havia feito. É difícil explicar como são fortes os vínculos entre os cristãos presos. Sentia falta deles e estava preocu­pado com o seu bem-estar.
*****
DELING: Depois que fui solta, fiquei escondida na casa de duas irmãs. Um dia, elas saíram, e o Senhor me deu uma visão. Vi que Yun estava livre, preparando-se para ir a uma reunião! Perguntei a ele:

- Como você fugiu? Por que está tão ocupado? Ele respondeu:

- O Senhor me ajudou a sair. Agora, tenho de ir pregar o evange­lho.

Quando as duas irmãs voltaram, contei a elas que Deus havia me mostrado que Yun não estava mais na cadeia. Como os irmãos ti­nham certeza de que ele seria executado ou condenado à prisão perpé­tua, as duas não acreditaram em mim. Falaram:

- Puxa, você deve estar sentindo muita falta dele! E acrescentaram:

- Sentimos muito por você estar sofrendo tanto com a prisão do seu marido.

Pensaram que eu estava louca! Uma riu de mim, e a outra ficou preocupada. Olhou bem em meus olhos para ver se eu não estava perdendo o controle. Ignorei as duas e peguei um ônibus para Zhengzhou.

Poucas horas depois me contaram que Yun estava livre!

Tudo que aconteceu na fuga do meu marido e a forma como Deus me contou na visão aumentaram minha compreensão da grandeza de Deus. Pela primeira vez vi com toda clareza que nada, absolutamente nada, é impossível para ele!
*****
YUN: Os líderes da igreja em Zhengzhou queriam que partíssemos para o mais longe possível, pois acreditavam ser muito perigoso ficarmos na cidade.

A polícia continuava me procurando por toda parte. Minha fuga foi uma grande humilhação para o governo e principalmente para as autoridades penitenciárias.

Mais tarde me contaram que o Departamento de Segu­rança Pública chegou a mandar mulheres fingindo ser cren­tes às reuniões das igrejas domésticas. Elas diziam:

"Somos amigas do Irmão Yun e ouvimos dizer que Deus o ajudou a fugir. Alguém sabe como ele está?"

Com isso, tentavam obter informações sobre o meu pa­radeiro.

Como Deling também foi presa, nossos amigos manda­ram nossos filhos para outra província, onde ficaram sob os cuidados de um casal cristão. Quando fomos soltos, pro­videnciaram uma forma de reunir nossa família.

Uma tarde, quando já estávamos juntos, fazia um calor sufocante. Eu e minha família fomos nos encontrar com alguns líderes de igrejas domésticas. Minha filhinha Yilin entrou no quarto correndo, em prantos e gritando:

"Mamãe, a polícia está chegando! Papai, precisamos fugir agora mesmo!"

Corremos para o telhado da casa e estávamos prestes a pular, quando nos disseram que os policiais haviam segui­do em outra direção e não estavam atrás de nós. Ficamos aliviados, mas esse fato nos levou a pensar na pressão cons­tante em que vivíamos.

Nessa época, Deling começou a compartilhar comigo que vinha pedindo a Deus que ele abrisse uma porta para po­dermos ter uma vida familiar mais tranquila. Ela estava profundamente preocupada com o impacto de tanta ten­são sobre nossos filhos.

Eu andava meio adoentado. Sentia muita dor no peito e não conseguia respirar direito, então fui a uma clínica e tirei uma radiografia. O médico me informou, em tom mui­to sério:

- Você está com tuberculose ou tem um tumor. Falou que seria bom me internar imediatamente. Minha esposa também me alertou:

- Isso mostra que Deus quer que você descanse.

Sou teimoso e a princípio recusei-me a ir para o hospital. Queria continuar nas reuniões com os cristãos, mas os líde­res da igreja da minha vila me visitaram e disseram:

- Você tem de parar de trabalhar e esperar um pouco em Deus. As autoridades o procuram por toda parte. Você não pode, em hipótese nenhuma, voltar para sua casa, para não se colocar em risco nem levar perigo aos outros crentes.

Pela primeira vez, desde que comecei a pregar o evange­lho em Henan com apenas 16 anos, todas as portas se fe­charam. Minha fuga era conhecida em toda parte, e as au­toridades se esforçavam ao máximo para me capturar. Os líderes da igreja sabiam que, se me convidassem para pre­gar, e o DSP invadisse a reunião, todos seriam punidos com severidade. Simplesmente era arriscado demais, então me aconselharam a me afastar do ministério. O tempo em que estive enfermo foi um período de gran­des lutas para mim. A verdade é que não queria ficar só descansando em Deus, sentia vontade de descansar na obra dele. Voltei a perceber que eu era um obreiro que trabalha­va sem a verdadeira paz do Senhor. Amava fazer coisas para ele, a tal ponto que a ação havia se tornado minha fonte de segurança e alegria. Deus queria remover esse ído­lo da minha vida.

A doença também me fez passar mais tempo com mi­nha esposa e meus filhos. Orávamos juntos e esperávamos que o Senhor nos mostrasse que caminho deveríamos se­guir.

Certa manhã, eu estava orando e senti a presença arre­batadora de Deus. Ele falou como um amigo:

"Vou mandá-lo para outro lugar. Você não vai enten­der nem uma palavra do que eles falam. Haverá muitos rostos desconhecidos, mas você tem de obedecer à minha ordem: 'Vá e desperte essas pessoas!'"

Compartilhei isso com minha esposa e meus filhos, mas eles ficaram sem saber o que dizer. Guardei a promessa em meu coração.

Em outra ocasião, estava meditando na vida e no minis­tério do apóstolo Paulo. O Senhor falou comigo: "Apressa-te e sai logo... porque não receberão o teu testemunho a meu respeito" (At 22.18). E prosseguiu: "Yun, você deve se apressar. Parta da China. Não demore! Seu testemunho por mim na China está completo. As pessoas não aceitarão seu ministério porque estão com muito medo."

No dia seguinte, recebi um telefonema de um amigo muito querido. Ele - sem saber o que Deus havia me dito -confirmou a orientação que eu havia recebido:

"Irmão Yun, Deus me mostrou que está preparando um novo ministério para você, cumprindo o que ele o chamou para fazer quando você ainda era bem jovem: 'Vá para o Oeste e para o Sul pregar o evangelho'."

Depois desse telefonema, entendi que Deus estava mu­dando drasticamente o rumo da minha vida.

Compartilhei tudo com minha esposa. Ela concordava, do fundo do coração, que Deus queria que eu saísse da China e fosse para o Oeste e para o Sul.

Havia um problema enorme. Eu não tinha passaporte e nunca havia saído da China. Era um criminoso foragido e não podia entrar com o requerimento para tirar o passa­porte. Se fizesse isso, seria preso no mesmo instante.

Oramos e entregamos o problema a Deus.

Pouco tempo depois, participei de uma reunião com al­guns irmãos. Compartilhei o chamado de Deus para mim, e um empresário sentiu que o Senhor o estava mandando me dar o passaporte dele. Falou:

"Irmão Yun, tome meu passaporte. Use-o como Deus mandar. Não se preocupe comigo. Se depois enfrentar pro­blemas por causa disso, aceitarei."

Olhamos o documento e logo reparamos em outro pro­blema. Ele era totalmente diferente de mim! Era careca e usava óculos. Eu tinha cabelo espetado; enfim, era diferen­te. Além disso, ele era bem mais velho que eu!

Eu cria que o Senhor me mandara pregar o evangelho às nações do mundo, então compramos uma passagem de Pequim para Frankfurt pela Air China para o dia 28 de setembro de 1997.

Passei a véspera da minha partida ensinando em um seminário que havia ajudado a fundar nas proximidades de Pequim. Compartilhei com os alunos que Deus me man­dara levar o evangelho às nações e eles foram profunda­mente tocados. Oraram fervorosamente por mim, com muitas lágrimas. Pedi que continuassem a orar sem cessar até às 12:00h do dia seguinte, horário do vôo. Os rapazes e as moças passaram a noite em claro, clamando a Deus e pedindo a ele para me proteger e me dar vitória. Até hoje relembro com frequência o profundo amor dos estudantes por Deus e por mim. Hoje servem a Deus na China, em regiões remotas como o Tibet e a Mongólia Interior.

Fiquei muito nervoso na noite anterior à viagem. Nunca havia entrado em um avião grande. Sabia que, se me pegas­sem e descobrissem que eu havia fugido da cadeia, seria pre­so, acusado dos crimes mais graves e, com certeza, se Deus não interferisse, condenado à morte. Eu queria ter certeza de que estava agindo segundo a vontade do Senhor e que tínhamos o selo da aprovação dele. Se uma única pessoa ti­vesse demonstrado qualquer reserva diante da minha deci­são, eu provavelmente teria cancelado tudo. Mas os co-obreiros e os alunos só expressaram estímulo e confirmação.

Eu e três companheiros passamos a noite implorando a proteção do Senhor. De manhã, eu estava exausto da luta noturna, como Jacó depois de enfrentar a Deus. Fiquei ima­ginando o que poderia acontecer e o que deveria dizer se os oficiais me interrogassem no aeroporto. Além disso, tinha outro motivo de preocupação: faltavam poucos dias para o Dia Nacional (1º de outubro), então a preocupação com a segurança em Pequim era maior do que o normal.

A oração era intensa enquanto amanhecia, e um dos companheiros me disse:

"Servo de Deus, não se apavore. Recebi uma palavra do Senhor para você."

A mensagem estava em Génesis 27.20: "Aí Isaque per­guntou: - Mas como foi que você achou a caça tão depres­sa, meu filho? Jacó respondeu: - O seu Deus, o Eterno, me ajudou" (BLH).

Esse versículo me animou tremendamente, pois resumia o que havia acontecido comigo. Em resposta à oração de tanta gente, Deus havia me ajudado com rapidez. Um dia eu me encontrava na prisão, com as pernas quebradas e sem esperança para o futuro. Poucos meses depois, estava me preparando para sair da China pela primeira vez, em­bora fosse um "criminoso" procurado, sem passaporte nem documento de identidade.

Respondi citando o apóstolo Paulo: "Portanto, senho­res, tende bom ânimo! Pois eu confio em Deus que sucede­rá do modo por que me foi dito" (At 27.25).

Antes de amanhecer, o Senhor me avisou com firmeza: "Quando você estiver na alfândega do aeroporto, só fale se eu mandar", e junto com isso recebi um versículo: "No muito falar não falta transgressão, mas o que modera os lábios é Prudente" (Pv 10.19).

Do lado de fora do aeroporto de Pequim, chamei Deling e as crianças e pedi que orassem por mim. Minha esposa estava muito calma, pois sentia paz completa na orienta­ção de Deus para eu sair da China.

Eu não conhecia os procedimentos de embarque, por isso um irmão me ajudou a preencher os formulários, a fazer o check-in e a pagar a taxa de embarque. Depois fui para a alfândega, lembrando-me do que o Senhor havia me dito: "Quando você estiver na alfândega do aeroporto, só fale se eu mandar".

Esperei na fila para a conferência dos documentos. Fi­nalmente chegou minha vez. Entreguei o passaporte e o cartão de embarque. O funcionário olhou para a fotografia e depois para mim. Começou a rir:

"Ah, não é você nesta foto! Não parece nada com você!"

Mostrou o passaporte para os funcionários dos outros guichês. Todos riram em deboche.

Talvez seja difícil de acreditar, mas eu estava totalmente calmo. Passara a noite nervoso, mas o Senhor deixara claro que eu deveria partir da China. Tinha plena certeza de que me achava dentro da vontade dele. Uma paz sobrenatural inundou meu coração.

O oficial foi a um escritório que ficava ao lado, voltou e afirmou:

"Não é você nesta foto!"

Estava determinado a descobrir quem eu era. Olhei fixa­mente para os olhos dele.

Vários minutos depois os passageiros na fila atrás de mim começaram a ficar impacientes e a reclamar da demora. Ele percebeu que a situação estava ficando tensa e me man­dou ficar de lado enquanto continuava atendendo os pas­sageiros da fila.

Quando acabou, ele me disse:

"Está evidente que este passaporte não é seu. Mas, mes­mo que eu autorize sua saída, você nunca vai receber per­missão para entrar na Alemanha. Vão mandar você de volta no primeiro vôo!"

É incrível, mas ele carimbou o passaporte e falou:

"Vá!"


Nenhum argumento humano levaria o funcionário a fazer isso. Eu só posso dizer que Deus estava no controle e forçou o homem a cumprir a vontade divina.

Em seguida, avancei para a máquina de raios X. Colo­quei minha maleta na esteira e reparei que um oficial fala­va no rádio e olhava fixamente para mim. Avancei e pe­guei a maleta, e o homem não falou nada. Mais uma vez, pela mão de Deus, recebi autorização para passar!

Na sala de espera, telefonei para um irmão a fim de di­zer que havia conseguido. Embarquei poucos minutos de­pois. Fecharam a porta, e o avião da Air China afastou-se do portão de embarque. Logo decolei! Uma torrente de ale­gria e gratidão jorrou em meu interior. Assim que as rodas do avião deixaram a pista, comecei a cantar em voz alta, sem conseguir me conter:

Senhor, tu me escolheste entre muitos, Colocaste tuas asas de amor sobre mim. Tua graça salvou muitas almas perdidas E nos ensinou a viver em tua luz, Por isso te louvarei para sempre!

Os passageiros da frente se viraram e me encararam, sem saber como haviam deixado um homem tão doido embarcar no avião!

Saí da China pela primeira vez em minha vida para dar glória ao Rei dos reis perante muitos povos e nações.

O vôo foi longo; deu tempo para relembrar minha vida e agradecer a Deus por sua graça infinita. Sei que sou a me­nor porção do corpo de Cristo na China. Não sou nada. Tenho certeza de que não foi por causa de nenhuma habi­lidade ou capacidade especial em mim que Deus me esco­lheu como seu embaixador às nações. Tudo se deve unica­mente à graça misteriosa dele, a qual não mereço.

Cerca de dez horas mais tarde o avião pousou em Frank­furt, na Alemanha, e eu me dirigi ao balcão da imigração.

Entrei na fila, e por fim chegou minha vez. O funcionário alemão olhou meu passaporte, levantou as sobrancelhas imediatamente e um ar sério tomou conta do seu rosto. Fa­lou alguma coisa que não entendi, de modo que me limitei a olhar para ele e sorrir. Ele fez sinal para eu ficar de lado.

Mais três funcionários examinaram meu documento. Viram que não era meu. Balançaram a cabeça e disseram, com ameaça na voz:

"No! No!"

Aí um versículo surgiu em minha mente: "O justo é in­trépido como o leão." (Pv 28.1). Encarei o chefe deles com um olhar de reprovação, devido ao fogo de Deus em meu coração. Ele olhou para mim, carimbou o passaporte e o devolveu para mim. Em seguida, fez um sinal para eu pas­sar!

Tudo aconteceu apenas pela graça de Deus.

Eu estava na Alemanha! Entrei no carro que me levaria à casa de um pastor, e o Espírito Santo falou com poder ao meu coração:

"Assim como tirei você da prisão, e também da China, vou trazer cem mil filhos meus da China para testemunhar de mim por toda a Ásia."

Dois dias depois, telefonei para Deling e meus filhos na China, e contei que o Senhor me levara em segurança para a Alemanha. A primeira pergunta da minha esposa foi:

"Quando você vai voltar?"

Disse a ela que me sentia como o bebê Jesus, quando José e Maria o levaram para o Egito. Fizemos um trato solene, diante do Senhor: se em dois anos parecesse que eu não voltaria à China, então lhe pediríamos que fizesse o mila­gre de tirar também minha família do país para ficarmos juntos.

Quinze dias depois da minha chegada, um amigo cristão me levou a um centro de refugiados em Hamburgo. Os oficiais de lá ficaram muito intrigados com minha história e me trans­feriram para outro centro de refugiados, no leste do país.

Eu não tinha documento e não podia provar quem eu era. Oficiais do governo levaram ao centro um tradutor chinês e fizeram muitas perguntas sobre meu passado, so­bre as vezes que eu tinha sido preso e como havia fugido. Respondi a tudo com a verdade, mas eles não acreditaram e me trataram com brutalidade. O tradutor chegou a me mandar parar com mentiras fantásticas, porque estava atra­palhando a concessão do meu pedido! Afirmou que a Ale­manha nunca havia concedido status de refugiado por pra­zo maior do que dois anos a nenhum chinês.

A essa altura, cristãos alemães já sabiam que eu estava no país deles. Alguns desses irmãos amados haviam minis­trado conosco na China antes. Levaram ao centro de refu­giados cópias de artigos de jornal com meu nome, publica­dos depois da minha detenção em março. Mostraram ain­da fotografias deles comigo na China, para provar que me conheciam antes que eu chegasse à Alemanha. Assinaram declarações e me apoiaram em tudo que foi possível. Apa­rentemente, os oficiais pediram à Embaixada da Ale­manha em Pequim para investigar também minhas afir­mações. Logo descobriram quem eu era.

No centro de detenção fiz um exame médico completo e eles encontraram as cicatrizes das torturas. Fui informado de que tinha tuberculose ou câncer no pulmão, e que preci­sava ser internado. Fazia mais de dez anos que eu sofria com problemas pulmonares, desde que os guardas pisotearam meu peito, na prisão.

As instalações do centro de detenção eram simples, mas muito melhores do que a prisão chinesa! Podíamos sair durante o dia, embora não pudéssemos nos afastar mais do que 50km.

Passei 69 dias no hospital e mais três meses no centro de detenção, enquanto meu pedido para ser aceito como refu­giado na Alemanha era analisado.


*****
DELING: Depois que Yun saiu milagrosamente da cadeia, parecia que todo o país estava atrás dele. Havia muita tensão. Os líderes da igreja disseram que era melhor ele não treinar obreiros nem dirigir reu­niões, porque o risco que os crentes corriam com isso era muito grande. O DSP estava sempre seguindo as pegadas dele, e todos que ti­nham qualquer contato com ele se expunham a sério perigo.

Ficamos escondidos na cidade de Wuhan, em Hubei, durante um mês, mas a família que nos abrigava sentia tanto medo que não con­seguia dormir.

Nós nos transferimos para a Província de Shandong, mas logo des­cobrimos que esses anfitriões também não conseguiam dormir, preocu­pados com sua segurança e as consequências que enfrentariam se Yun fosse preso na casa deles. Clamamos a Deus-.

"Senhor, como vamos servi-lo? Em todo lugar que chegamos as pessoas ficam preocupadas, nem conseguem dormir."

Parecia que Deus estava nos dizendo para Yun sair da China e ir para o Ocidente. Oramos por isso durante mais de um mês, para descobrir se era mesmo a vontade do Senhor. Por fim recebemos a confirmação. Colocamos um pouco de lã diante do Senhor:

"Pai, se é tua vontade que Yun deixe a China, pedimos que o ajude a partir sem nenhum problema."

Em Pequim, Yun embarcou por milagre em um avião e partiu da China. Todos sabíamos que tinha sido apenas pela vontade de Deus.
*****
YUN: Mais de dois anos depois, em uma reunião na Fin­lândia, testemunhei sobre minha fuga da cadeia e contei como o Senhor me tirara da China.

Quando a reunião acabou, um empresário cristão aproximou-se para relatar ao meu tradutor um fato notável, que me fez entender como Deus tinha sido misericordioso no dia em que parti de Pequim.

O irmão finlandês contou:

"Trabalho em uma companhia de segurança em teleco­municações. Há alguns anos, ganhamos a concorrência para instalar um equipamento de última geração para reconhe­cimento de voz em vários pontos da fronteira chinesa. Um deles foi o aeroporto de Pequim."

"Os programas", prosseguiu, "usam microfones escondi­dos e permitem que os funcionários comparem rapidamente a voz de passageiros suspeitos com as vozes armazenadas em um banco de dados que contém o padrão de voz dos criminosos procurados. Pode ter certeza de que sua voz está na memória do computador, porque há muitas gravações de seus sermões. Se você tivesse falado alguma coisa naquele dia no aeroporto de Pequim, teria sido preso na hora."

Agradeci a Deus sua sabedoria e misericórdia, pois ele havia me dito: "Quando você estiver na alfândega do aero­porto, só fale se eu mandar". Como ele não me mandou dizer nada, fiquei calado. Sempre vale a pena obedecer a Deus!


*****
Meu querido Irmão Xu me havia dito para fugir da pri­são em 1997, mas ele continuava atrás das grades, e eu, no Ocidente.

Deus realizou um grande milagre na vida dele. Muitos acreditavam que ele seria condenado à morte, e, poucos meses depois que fomos presos, jornais de todo o mundo chegaram a dar a notícia de que ele seria executado. Mas isso não era verdade.

Durante o julgamento, o Irmão Xu se recusou a se de­fender e a responder às acusações, pois alegou que tudo não passava de um ato falso que visava conferir legitimida­de a um veredicto pré-determinado. Foi condenado a dez anos de cadeia. Por algum motivo desconhecido, mais tar­de reduziram a sentença para três anos, e ele acabou solto em maio de 2000. Sabemos que isso foi mais um grande milagre e uma benção maravilhosa de Deus.

Nos três anos em que ficou preso, o Irmão Xu sofreu muita tortura e aflição. Os oficiais algemaram cada pulso dele a um dos lados de um portão. Abriam o portão, e ele era esti­cado até sair do chão, em formato de cruz. Os órgãos inter­nos dele era esticados e isso lhe causava grande agonia.

Então, os torturadores fechavam o portão, davam-lhe alguns instantes de alívio e recomeçavam tudo de novo. Repetiram o processo inúmeras vezes, e meu amado irmão comentou mais tarde:

"Tive uma idéia do que Jesus sentiu na cruz."

Em maio de 2000, eu estava pregando nos Estados Unidos. Sabia que naquele dia o Irmão Xu seria solto e quis fazer uma surpresa para ele. A segurança na prisão ficou tão severa depois da minha fuga que ele nem sabia o que havia acontecido comigo. Passou três anos sem saber se eu tinha sido morto, capturado ou se continuava livre.

Minutos depois que ele saiu da prisão, telefonei para o celular do co-obreiro do Irmão Xu. Quando ouvi a voz pro­funda e harmoniosa do meu amigo, exclamei, empolgado:

- Querido irmão Xu! Aqui é seu velho companheiro de cela, Irmão Yun! Estou telefonando dos Estados Unidos! Deus me tirou da China com sua mão poderosa!

Com a alegria vibrando na voz, ele gritou:

- Aleluia! Deus o enviou para fora da China a fim de as igrejas ocidentais e as chinesas trabalharem juntas pelo evangelho. Você será testemunha da obra poderosa do Se­nhor na China!

Gritamos e conversamos entusiasmados, tentando colo­car em dia, em poucos minutos, o assunto de três anos.

Nos primeiros anos, eu considerava o Irmão Xu meu pai na fé. Olhava para ele como um grande líder da igreja chi­nesa. Ainda o vejo assim, claro, mas nos últimos anos pas­sei a ver nele um irmão na fé muito amado. Fora minha família, ele é o meu amigo mais querido e meu companhei­ro mais próximo na obra do evangelho.


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