A história emocionante de um cristão chinês que levou sua fé às últimas conseqüências



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24. De volta a Jerusalém

Embora a distância que separa China e Jerusalém seja enorme, um dos fatos notáveis da história é que há uma estrada ligando a Terra Santa e meu país, construída há mais de dois milénios.

Alguns registros antigos até indicam que talvez o evan­gelho tenha chegado à China por essa estrada poucas dé­cadas após a morte e ressurreição de Jesus. Há sete séculos, o famoso explorador Marco Polo percorreu o mesmo cami­nho. Por essa rota entravam e saíam da China especiarias, tesouros, novas religiões e exércitos invasores. Na outra extremidade, Jerusalém funcionava como centro distribui­dor dos produtos para a Europa, Norte da África e Oriente Médio.

A aristocracia européia ficou maravilhada quando des­cobriu e importou a criatura mais fantástica da China - o bicho-da-seda - que deu nome à estrada acidentada - co­nhecida popularmente como Rota da Seda.

Hoje, as nações que a Rota da Seda atravessa são as mais carentes do evangelho em todo o mundo. As três maiores fortalezas religiosas que se recusam a ceder ao avanço da mensagem de Jesus - islamismo, budismo e hinduísmo -têm seu centro ali. Mais de 90% dos grupos não-alcançados do mundo vivem ao longo da Rota da Seda e nas na­ções que cercam a China. Dois bilhões dos habitantes da Terra vivem e morrem nessa região, desconhecendo por completo as boas-novas de que Jesus morreu pelos pecados deles e é o único caminho para o céu!

Na década de 1920, Deus levantou um grupo chamado "Família de Jesus" para levar o evangelho a pé, da China a Jerusalém. Deram a essa iniciativa o nome de "Volta a Je­rusalém". Outros grupos chineses receberam visão seme­lhante e iniciaram movimentos missionários que causariam impacto em muitas nações da Ásia e do Oriente Médio.

A Família de Jesus foi fundada em 1921, na Província de Shandong, por um cristão chamado Jing Dianying. Os mem­bros do grupo acreditavam que deviam vender tudo que possuíam e distribuir seus bens aos outros membros. O slogan de cinco palavras resumia o compromisso com Cristo e a opção pela vida simples: "Sacrifício, renúncia, pobreza, so­frimento, morte".

Tinham como alvo vilas e povoados. Iam de um lugar a outro a pé, pregando o evangelho pelo caminho. O exem­plo de vida comunitária e amor cristão profundo impressi­onava quem os via. Atraíam os que buscavam respostas para a vida e também os desabrigados, miseráveis e

des­prezados. Muitos cegos e mendigos se uniram à Família de Jesus e encontraram a vida eterna em Cristo.

A Família de Jesus continuou a crescer e enfrentou gran­des sofrimentos. Muitas vezes, quando a comunidade itinerante chegava a uma localidade, a população se apro­ximava para agredi-los, humilhá-los e zombar deles. Entre­tanto a oposição não os deteve, e toda vez que pregavam o evangelho algumas pessoas abandonavam tudo para se­guir Jesus.

No fim da década de 1940 havia cerca de 20.000 crentes chineses envolvidos em mais de 100 grupos de Famílias de Jesus espalhados pela China.

Muitos grupos acreditavam que Deus os chamara para levar o evangelho de volta a Jerusalém a pé, pregando e estabelecendo o reino de Deus por todo o caminho. Depois de milhares de quilômetros e de muitos anos de viagens, pregadores fiéis alcançaram a cidade fronteiriça de Kashgar, na região de Xinjiang, no noroeste da China.


*****
No outono de 1995, eu estava pregando em uma igreja doméstica no centro da China. O Senhor colocara em mim o desejo profundo de participar de seu plano para enviar missionários chineses aos países hinduístas, budistas e mu­çulmanos. Encorajei os crentes a buscarem em Deus uma visão que abrangesse todo o mundo. Desafiei-os a prosse­guir com o ministério que realizavam, e a ir além e abrir os horizontes para incluir as nações não-alcançadas que cer­cam a China.

Com lágrimas nos olhos, entoei uma canção que havia aprendido em um livro antigo sobre o Movimento Volta a Jerusalém:


Levante os olhos para o Oeste,

Não há obreiros para a grande seara.

O coração do meu Senhor sofre todo dia.

Ele pergunta: "Quem irá por mim?"


Com os olhos cheios de lágrimas

E sangue espalhado pelo peito,

Levantemos o pendão de Cristo

E resgataremos as ovelhas que perecem!


Nos últimos dias a batalha se aproxima,

E a trombeta já soou.

Vistamos logo toda a armadura de Deus

E avancemos contra as ciladas de satanás!


A morte bate à porta de muitos,

E o pecado domina o mundo.

Trabalhemos com fidelidade enquanto avançamos,

Lutando mesmo que morramos!


Com esperança e fé marcharemos,

Dedicando nossa família e tudo que temos.

Tomemos nossa cruz pesada enquanto

Marchamos rumo a Jerusalém!


Enquanto cantava, reparei que havia na congregação um senhor idoso visivelmente emocionado. Chorava tanto que mal conseguia se controlar. Eu não tinha a menor idéia de quem era ele, e pensei que minha pregação deveria ter sido muito poderosa, para levar a uma reação daquelas! Esse irmão, coroado por cabelo e barba brancos, caminhou devagar até a frente do recinto e pediu a palavra. Um silên­cio respeitoso tomou conta da audiência.

Ele contou:

- Sou Simon Zao, servo do Senhor. Há quarenta e oito anos escrevi, com meus companheiros, as palavras que você acabou de cantar. Todos eles foram martirizados por causa do nome de Jesus.

Ele prosseguiu:

- Eu era um dos líderes do Grupo Volta a Jerusalém. Marchamos a pé por toda a China, proclamando o evange­lho em cada vila e povoado que encontramos. Finalmente, em 1948, depois de muitos anos de lutas, alcançamos a ci­dade de Kashgar, que fica na fronteira do país, na Provín­cia de Xinjiang. Paramos um pouco para pedir visto para entrar na União Soviética. Estávamos nervosos e empolga­dos com a perspectiva do que nos esperava!

- Antes de conseguirmos sair da China, continuou ele, o exército comunista liderado por Mao assumiu o contro­le de Xinjiang, fechou imediatamente as fronteiras e im­plantou o governo de opressão armada. Todos os líderes do nosso movimento foram presos; cinco deles, condena­dos a 45 anos de prisão com trabalhos forçados. Todos os outros morreram na cadeia, há muitos anos. Só eu sobre­vivi. Em 1988, fui solto, cinco anos antes do fim da pena. Passei 40 anos preso por amor à visão de levar o evange­lho de volta a Jerusalém.

Ficamos todos atônitos. Olhamos para ele de boca aberta enquanto as lágrimas corriam por nossos rostos e pinga­vam no chão.

Perguntei a Simon Zao, o homem de Deus:

- Tio, o senhor poderia nos contar mais? Ele continuou:

- Quando o Senhor nos chamou para essa visão, fazia apenas quatro meses que eu me casara. Minha linda espo­sa acabara de descobrir que estava grávida! Ela também foi presa. A vida na cadeia era muito difícil, e ela sofreu um aborto.

Ele enxugou as lágrimas antes de prosseguir:

- Nesse tempo, os comunistas mataram muitos missio­nários e cristãos convertidos pelo trabalho deles. Nos primei­ros meses de cadeia, ainda em 1948, vi minha amada esposa de longe duas vezes, através das barras de ferro da janela. Nunca mais a vi. Quando saí da cadeia, 40 anos depois, mi­nha preciosa esposa já havia morrido muito tempo antes.

Nesse momento, chorávamos alto. Sentíamos que está­vamos em terreno santo, na presença do Senhor. Perguntei ao Tio Simon:

- Quando o senhor foi solto, em 1988, ainda tinha em seu coração essa visão da volta a Jerusalém?

Ele respondeu com uma canção:
Há quantos anos o vento cortante sopra?

Há quanto tempo as nuvens carregadas se juntaram?

Não víamos, através da chuva torrencial, o altar de Deus;

O altar de Deus, onde ele aceita nossos sacrifícios.


Os líderes de Deus choram com coração partido,

As ovelhas de Jeová se espalharam por toda parte,

Lágrimas de tristeza de juntam sob o vento gelado.

Aonde foste, Bom Pastor?

Aonde fostes, soldados de Deus?

Aonde fostes? Oh, aonde fostes?


Depois que o Tio Zao descansou um pouco, voltei a perguntar-lhe:

- Tio, a visão continua em seu coração? Ele prosseguiu com a música:


Jerusalém está em meus sonhos.

Jerusalém está em minhas lágrimas.

Procurei por ti e te encontrei no fogo do altar.

Procurei por ti e te encontrei nas mãos feridas de Jesus.


Vagamos através de vales de lágrimas.

Vagamos rumo ao nosso lar celeste.

Após passar quarenta anos no vale da morte,

Minhas lágrimas secaram.

Jesus veio para destruir as cadeias da morte.

Veio para abrir o caminho para a glória!

Os primeiros missionários derramaram lágrimas e sangue por nós.

Vamos nos apressar para cumprir a promessa de Deus!


Ele falou, com voz entrecortada:

- Toda noite, durante os 40 anos que passei no cam­po de trabalhos forçados, eu me virava para o Oeste, na direção de Jerusalém, e clamava ao Senhor: "Ó Deus, jamais conseguirei ir até Jerusalém a pé. Nossa visão pe­receu. Pai celestial, peço que levantes uma nova geração de cristãos chineses dispostos a entregar a vida para le­var o evangelho de volta ao lugar de onde ele partiu, Jerusalém".

Segurei a mão dele e afirmei:

- A visão que Deus lhe deu não está morta! Nós a leva­remos adiante!

Com isso, consolamos o coração do Tio Zao. Ele se le­vantou, abençoou-nos estendendo suas mãos santas e nos encorajou com Lucas 24.46-48: "Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém. Vós sois testemunhas destas coisas".

Em seguida nos exortou:

- Vocês precisam entender que o caminho da cruz é o chamado para derramar sangue. Vocês têm de levar o evan­gelho de Jesus Cristo aos países muçulmanos e por todo o caminho que leva até Jerusalém. Voltem os olhos para o Oeste!

Essa reunião foi um marco de mudança em minha vida. Senti que Deus havia passado a tocha das mãos desse ama­do senhor para as das igrejas domésticas, colocando sobre nós a responsabilidade de completar a visão.

O Senhor já havia colocado a visão do Movimento Volta a Jerusalém em meu coração. Contudo, depois de conhecer Simon Zao, ela se tornou o principal foco da minha vida. Entendi com toda clareza que o destino das igrejas domés­ticas da China é derrubar os últimos gigantes espirituais deste mundo - o budismo, o islamismo e o hinduísmo - e proclamar o evangelho glorioso a todas as nações antes da segunda vinda do Senhor Jesus Cristo!

E preciso deixar claro que, quando falamos sobre "Volta a Jerusalém", nosso alvo principal não é chegar a essa cida­de. Não pretendemos apenas organizar um grande con­gresso lá! Jerusalém foi o ponto de partida do evangelho há dois mil anos, e acreditamos que este vai percorrer o mun­do todo e voltar ao ponto onde começou. Nosso alvo não é evangelizar somente a cidade de Jerusalém, mas sim pre­gar aos milhares de grupos de povos, cidades e vilas não-alcançados que ficam entre a China e Jerusalém.

Hoje essa visão é o alvo principal de todos os líderes que compõem a Comunidade Sinim. Não é um projeto entre muitos outros. É a motivação e o foco de todas as nossas atividades. Conversamos sobre isso no café da manhã, no almoço e no jantar. Oramos sem cessar, pedindo a Deus que levante obreiros e remova obstáculos. E quando dormi­mos, a visão está em nossos sonhos.

Há alguns anos, os líderes da Sinim oraram sobre seu envolvimento com o Movimento Volta a Jerusalém. Depois nos reunimos e cada rede de igrejas domésticas revelou quantos missionários se comprometia a treinar e enviar para o campo. Fizemos o levantamento e descobrimos que o total era de cem mil. Isso significa que pretendemos enviar cem mil missionários para fora da China nos próximos anos!

Um exame histórico mais atento mostra que, na verdade, saíam três "rotas da seda" da China. Uma começando em Xian e se dirigindo para a Ásia Central e o coração do mundo islâmico. É a mais conhecida. A segunda rota de comércio passava pelo Tibet, cruzava o Himalaia e chegava ao Butão e Nepal. De lá, seguia para o Paquistão, o Afeganistão e o Irã, juntando-se então à estrada principal para Jerusalém. A ter­ceira rota atravessava o sudoeste da China, onde vive atualmente a maioria dos grupos não-alcançados. Seguia para o Sul, passava pelo Vietnã e depois ia para o Oeste, cruzando países como Laos, Camboja, Tailândia, Mianmar (ex-Birmâ-nia) e índia. Essa rota penetrava fundo no coração dos mun­dos budista e hinduísta de hoje.

Depois de analisar esses fatos, os líderes da igreja enten­deram que Deus nos chamara para seguir nas três direções com o evangelho. O Espírito Santo já havia chamado deter­minadas redes para focar áreas específicas. Por exemplo, uma rede tinha muitas famílias de missionários na região do Tibet. Então, era natural que dirigisse seus esforços para o mundo tibetano budista. Outra sentia, havia vários anos, um peso para alcançar grupos minoritários no sudoeste da China. A maior parte dessas tribos se espalha pelas fronteiras e pene­tra em países como Vietnã, Laos, Tailândia e Mianmar (ex-Birmânia). Essa rede assumiu a responsabilidade de levar o evangelho de volta a Jerusalém pela via que fica ao Sul.

Sabemos muito bem que essas nações não querem rece­ber o evangelho! Temos plena consciência de que países como Afeganistão, Irã e Arábia Saudita jamais receberão os pregadores de braços abertos!

Entendemos também que os missionários, antes de ser enviados, precisam aprender a língua e a cultura e, quan­do partirem, necessitam de apoio para conseguir lutar pelo Senhor com a maior eficiência possível. Há hoje centenas de cristãos na China aprendendo línguas estrangeiras, como árabe e inglês, preparando-se para o serviço missionário fora do país.

Descobrimos também que os últimos 30 anos de sofri­mento, perseguição e tortura que as igrejas domésticas en­frentaram na China foram parte do treinamento de Deus. Ele nos preparou perfeitamente para irmos como missioná­rios aos mundos muçulmano, budista e hinduísta.

Certa vez, preguei em uma igreja no Ocidente, e um cris­tão me disse:

"Faz muitos anos que oro para que o governo comunista na China caia, para os cristãos poderem viver em liberdade."

Não é assim que oramos! Nunca oramos contra nosso governo nem lançamos maldições contra ele. Pelo contrá­rio, aprendemos que Deus controla tanto a nossa vida como também o governo que está acima de nós. Isaías profetizou sobre Jesus: "O governo está sobre os seus ombros" (Is 9.6).

Deus tem usado o governo chinês para seus propósitos, formando e moldando seus filhos do jeito que acha melhor. Em vez de focar as orações contra o sistema político, pedi­mos que, a despeito do que acontecer conosco, estejamos sempre agradando a Deus.

Não ore pelo fim da perseguição! Não devemos pedir carga mais leve, e sim costas mais fortes! Então o mundo verá que Deus está conosco, capacitando-nos para viver de uma forma que reflita seu amor e seu poder.

Essa é a verdadeira liberdade!

Os países muçulmanos, budistas e hinduístas têm muito pouco a fazer contra nós que já não tenhamos experimen­tado na China. A maior ameaça é nos matarem, mas isso significa apenas que seremos elevdos à presença gloriosa do Senhor por toda a eternidade!

O Movimento Volta a Jerusalém não é um exército com armas humanas, nem um grupo de profissionais espertos e bem-vestidos. E um exército de homens e mulheres chine­ses de coração quebrantado que Deus purificou com fogo poderoso e que já sobreviveram a anos de lutas e privações por amor ao evangelho. Em termos deste mundo, não têm nada e parecem simples demais, mas na esfera espiritual são poderosos guerreiros de Jesus Cristo! Agradecemos a Deus, pois ele "escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar as sábias e escolheu as coisas fracas do mun­do para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus" (1 Co 1.27-29).

Deus chamou milhares de guerreiros das igrejas domés­ticas para escreverem seu testemunho com sangue. Atra­vessaremos as fronteiras da China e levaremos a Palavra de Deus ao mundo muçulmano, budista e hinduísta. Mi­lhares estarão prontos para morrer pelo Senhor. Eles verão milhares de almas salvas e também despertarão muitas igre­jas ocidentais adormecidas.

Centenas de missionários ocidentais derramaram seu sangue no solo chinês no passado. O exemplo deles nos ins­pirou, e estamos prontos a morrer pelo Senhor em qual­quer lugar aonde ele nos levar para pregarmos sua mensa­gem. Muitos dos nossos missionários serão capturados, tor­turados ou martirizados por amor ao evangelho, mas isso não nos deterá.

Nos últimos 30 anos, Deus não apenas tem nos refinado no fogo da aflição, mas também tem aperfeiçoado nossos métodos de trabalho. Por exemplo, somos totalmente com­prometidos com o estabelecimento de grupos de crentes que se reúnem em lares. Não temos o menor interesse em cons­truir edifícios para abrigar igrejas! O sistema que adotamos facilita a propagação rápida do evangelho, atrapalha a polícia e permite que dediquemos todos os recursos diretamente ao ministério de pregação do evangelho.

Há quem conteste nossa decisão de enviarmos missioná­rios para fora da China. Dizem que deveríamos conquistar nosso país antes de pensar nos outros. É um argumento ilógico, e respondo a ele com uma pergunta simples:

"Então, por que seu país envia missionários? Todo mun­do lá já é salvo?"

Se permanecermos em um só lugar e nos recusarmos a avançar até terminar totalmente o trabalho, jamais conse­guiremos impactar o mundo com o evangelho. Com certe­za, a vontade de Deus é que conquistemos nossa casa e ao mesmo tempo enviemos novos obreiros até os confins da Terra! Nossa visão para alcançar o mundo não é um indí­cio de que vamos parar ou diminuir o esforço para ganhar toda a China para o evangelho!

As duas ações caminham lado a lado.

Na verdade, creio que o melhor caminho para a igreja chinesa permanecer forte é continuar motivada para alcan­çar as nações do mundo. Quando os crentes pensam em servir ao Senhor e alcançar os perdidos, ele os abençoa e a igreja continua forte. Se nos voltamos para nós mesmos e começamos a criticar um ao outro, Satanás vence, e a igre­ja se torna uma ferramenta cega e inútil.

Desde o início, sabemos que há um preço alto a pagar por esse Movimento Volta a Jerusalém. E não estou falando de dinheiro! Refiro-me aos muitos chineses que serão mar­tirizados e sofrerão à medida que formos agindo. Muitos receberão passagens só de ida, cientes de que nunca volta­rão a ver seus amados na China.

Sabemos também que Volta a Jerusalém exigirá muitos recursos financeiros, mas, embora nossas igrejas sejam muito pobres, já conseguimos levantar dezenas de milhares de dólares para sustentar nossos missionários. A semelhança da igreja da Macedônia, muitos crentes chineses deram li­teralmente tudo que tinham: "No meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a pro­funda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade. Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram volun­tários" (2 Co 8.2,3).

A igreja chinesa está disposta a pagar o preço.

Desde a minha fuga da China, em 1997, sou responsá­vel pelo treinamento dos missionários e pela implementação do Volta a Jerusalém.

Em março de 2000, o primeiro grupo de missionários partiu da China. Eram 39. Destes, 36 foram presos. Entre­tanto eles não perderam a visão. Voltaram para casa, ora­ram e encontraram outro jeito de cruzar a fronteira.

Pouco mais de um ano depois, o número de missionários das igrejas domésticas fora da China já havia passado de 400, espalhados por mais de dez países. As comportas estão começando a se abrir.

Os missionários recebem treinamento em várias áreas, que incluem:

1. Como sofrer e morrer pelo Senhor. Estudamos o que a Bí­blia revela sobre o sofrimento e sobre como pessoas que serviam ao Senhor deram a vida pelo avanço do evange­lho durante toda a história.

2. Como testemunhar do Senhor. Ensinamos a falar do Se­nhor em todas as circunstâncias, em trens ou ônibus, e até na traseira de um carro da polícia ou a caminho do local de execução.

3. Como fugir pelo Senhor. Sabemos que algumas vezes Deus nos envia para a prisão para pregarmos. Mas acreditamos também que em certas ocasiões o diabo quer nos levar pre­sos para deter o ministério que Deus nos chamou para realizar. Ensinamos aos missionários habilidades especiais, como se libertar de algemas e pular do segundo andar de um prédio sem se machucar.

Não estou falando aqui de um seminário "normal"!

Quem visita os locais de treinamento dos nossos missio­nários do Volta a Jerusalém vê que levamos a sério o propó­sito de cumprir nosso destino em Deus. Sempre é possível encontrar gente algemada pulando de janelas do segundo andar!

Nada menos que isso nos capacitará a quebrar as barrei­ras que separam muçulmanos, hinduístas e budistas do conhecimento da doce presença de Jesus.


*****
Os presbíteros da Comunidade Sinim ficaram sabendo que Deus havia me retirado de forma milagrosa da China. Imediatamente indicaram-me como "Representante Auto­rizado", para falar em nome das igrejas domésticas por todo o mundo.

Em seguida, eles me enviaram a seguinte carta:

"Ao Irmão Yun, nosso irmão santo, companheiro chega­do de Cristo, o Senhor, homem cheio do Espírito do Poder de Deus:

"Você é como 'carros e cavaleiros de Israel' para Deus! Leva em você mesmo a mensagem vitoriosa do reino de Cristo!

"Querido irmão, você foi enviado por Deus e pelo Comitê de Presbíteros Siním das igrejas domésticas chinesas como nosso representante autorizado no exterior!

"Deus mostrou-lhe, seguindo a orientação e o senhorio dele, que a vida é a base, a edificação da igreja é o centro, e o treinamento de obreiros, o ponto de ruptura das linhas inimi­gas - o lugar estratégico de onde a expansão pode acontecer em todas as direções, irradiando-se para todas as nações e povos do mundo, para que o solo que a planta de seus pés pisar seja sua herança!

"Avance rumo aos muçulmanos, hinduístas e budistas na Europa, na América, na África, na Australásia e na Ásia!

"Oramos para que o Senhor lhe dê sabedoria e poder do alto, para que suas mensagens sejam cheias da autoridade do céu. Esse fogo, como aquele que Sansão amarrou na cauda das raposas, arderá em todo lugar aonde você for.

"Que você cumpra a missão santa que Deus lhe deu, para levar o evangelho de volta a Jerusalém, até que o último discí­pulo santo se una à igreja, e a noiva esteja pronta para receber a volta do nosso Salvador Senhor Jesus Cristo, para que os reinos do mundo se tornem propriedade do nosso Rei! Nosso alvo santo é que ele seja Rei para sempre e sempre.

"Estamos prontos para trabalhar duramente com servos do Senhor de todo o mundo, que sejam membros do seu Cor­po. Desejamos servir com os dons espirituais que recebemos, para que a missão santa de Deus seja realizada!

"Querido Irmão Yun, essa é a convicção de todos os ser­vos de Deus do Comitê de Presbíteros Sinim. Que o Senhor fortaleça a tarefa que entregou a você, o oriente e abra o cami­nho à sua frente. Nós e todos os nossos colaboradores somos escudos sólidos para você. Que a vontade de Deus seja feita logo, na Terra e no céu. Amém!

"Seus co-obreiros em Cristo e presbíteros da Comunidade Sinim."




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