A história emocionante de um cristão chinês que levou sua fé às últimas conseqüências


Reflexões sobre os quatro anos no Ocidente



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25. Reflexões sobre os quatro anos no Ocidente

Minha primeira experiência em uma igreja ocidental foi bem interessante! Era uma igreja luterana que fi­cava perto do centro de detenção de refugiados na Alemanha. Todo domingo de manhã eu ia ao culto para me encontrar com outros crentes no dia do Senhor e tentar aprender um pouco de alemão reproduzindo as palavras do pregador.

Pelo que eu conhecia na China, achei as reuniões dessa igreja muito estranhas! Sempre me assentava no primeiro banco do imenso e antigo edifício, bem na frente do pastor. Ele usava vestes eclesiásticas, e subia em uma plataforma para pregar. Olhava diretamente para mim durante o ser­mão. Apesar do tamanho do santuário, a congregação era formada por umas poucas senhoras de cabelos grisalhos.

Tanto o pastor como as mulheres pareciam gostar de mim. Embora não fosse possível nenhuma comunicação verbal, sempre trocávamos sorrisos. Eu tinha a impressão de que o pastor achava agradável a presença de um chinês pobre e sorridente em sua igreja todos os domingos de ma­nhã.


*****
Algum tempo depois, eu me encontrava assentado no primeiro banco de outra igreja ocidental, mas o cenário era bem diferente do que vira na igreja luterana alemã. Eu ia pregar na igreja da Times Square, em Nova Iorque.

Arregalei os olhos para contemplar bem a cena maravi­lhosa que se apresentava diante de mim. Um grande coral com gente de várias etnias, trajando beca, balançava-se e cantava a Jesus de todo o coração. Atrás de mim milhares de nova-iorquinos declaravam louvores a Deus do fundo da alma.

Já tive a honra de pregar em centenas de igrejas pelo mundo ocidental, mas preciso confessar que a da Times Square é uma das minhas prediletas.

Há nela uma atmosfera de graça e fogo que arrebata os visitantes, e um espírito de verdade e aceitação que deixa o coração das pessoas dócil, ansioso por ouvir da Palavra de Deus.

Toda vez que vou a essa grande igreja, no centro de Nova Iorque, fecho os olhos e sinto que estou de volta à China.
*****
Cerca de seis meses depois de chegar a Frankfurt, recebi do governo alemão o status de refugiado e documentos que me autorizavam a viajar. Amigos ocidentais me visitavam. Orávamos para discernir os propósitos de Deus ao me tirar da China. Queríamos saber como poderíamos trabalhar juntos para a glória do Senhor.

Além disso, buscamos a sabedoria de Deus para levar minha esposa e meus filhos para a Alemanha, a fim de po­dermos reiniciar nossa vida familiar. Em maio de 1999, Deling, Isaque e Yilin foram pelo sudoeste da China para Mianmar (que antes se chamava Birmânia), onde acreditá­vamos que eles ficariam por pouco tempo, até os papéis necessários para levá-los para a Alemanha ficarem pron­tos.

O Senhor abriu muitas portas para eu compartilhar mi­nhas experiências em igrejas do Ocidente. Viajei com meu fiel amigo escandinavo que traduzia meus sermões. É o mesmo irmão que encontrei na cidade de Guilin anos atrás, quando Deus uniu nossos corações para servir ao Senhor.

Nos anos que se seguiram, viajamos muito pela Europa, Ásia e América do Norte. Fomos para desafiar o povo de Deus a orar e a se colocar ao lado das igrejas domésticas, para que, com essa união, toda a China seja alcançada e vejamos o reino de Deus estabelecido em todo o caminho que leva a Jerusalém.

Visitei minha família muitas vezes em Mianmar, mas tirá-la do país acabou sendo muito mais difícil e trabalhoso do que eu havia previsto. Demorou tanto que eles tiveram de ir morar em um quarto num seminário, e meus filhos come­çaram a frequentar a escola pública.

Antes de conhecer o Ocidente, eu não fazia a menor idéia de quantas igrejas vivem adormecidas espiritualmente. Pre­sumi que todas eram fortes e vibrantes, pois, afinal, leva­ram o evangelho ao meu país com grande fé e tenacidade. Muitos missionários deixaram exemplos poderosos ao per­der a vida por amor a Jesus.

Houve ocasiões em que senti dificuldade para pregar em igrejas ocidentais. Parece que falta alguma coisa e isso me traz um sentimento horrível. Muitas reuniões são frias e destituídas do fogo e da presença de Deus que temos na China.

Apesar da abundância de bens materiais, muitos cris­tãos do Ocidente vivem em apostasia. Possuem ouro e pra­ta, mas não se levantam nem andam em nome de Jesus. Na China, não temos bens que nos prendam, então nada nos impede de avançarmos pelo Senhor. A igreja chinesa assemelha-se a Pedro na Porta Formosa. Ele viu o mendigo alei­jado e disse: "Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta e anda!"(At 3.6).

Oro a Deus para que, de modo semelhante, a igreja chi­nesa ajude a ocidental a se levantar e andar no poder do Espírito Santo. Na situação atual, é quase impossível a igre­ja adormecer na China. Há sempre algum motivo para fugirmos, e é muito difícil alguém dormir enquanto foge. Temo que, se a perseguição acabar, fiquemos complacentes e aca­bemos adormecendo.

Muitos pastores europeus e americanos me dizem que querem ver um grande avivamento. Perguntam-me frequen­temente por que a China passa por essa experiência, en­quanto a maioria do Ocidente, não. E uma pergunta difícil de responder, mas alguns motivos me parecem evidentes.

No Ocidente, vejo templos belíssimos, possuem equipa­mentos caros, carpete macio e sistema de som de última geração. Posso afirmar, sem nenhuma sombra de dúvida, que a igreja ocidental não precisa construir nem mais um único templo sequer. Edifícios nunca trarão avivamento. Andar à cata de mais bens jamais resultará em avivamen­to. Jesus declarou com toda razão: "A vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui" (Lc 12.15).

O primeiro passo a ser dado para que haja um aviva­mento é voltar à Palavra do Senhor. Nas igrejas do Ociden­te, falta a Palavra de Deus. Sei que há muitos pregadores e milhares de fitas e vídeos com ensinamentos bíblicos, mas muito pouco desse material contém a verdade cortante da Palavra de Deus. O que liberta é a verdade.

Falta não apenas conhecimento da Palavra de Deus, mas também obediência a ela. Vejo pouca gente agindo.

Quando o avivamento aconteceu entre os crentes da China, o resultado foi milhares de evangelistas enviados a todos os cantos do país, levando o fogo do altar de Deus com eles. Quando o Senhor se move no Ocidente, parece que as pessoas querem parar e desfrutar da presença e das bênçãos dele por tempo demais. Depois, constroem um al­tar às suas experiências.

Uma pessoa só conhece as Escrituras de verdade quan­do permite que elas transformem sua vida.

Todos os avivamentos genuínos do Senhor resultam em crentes agindo para conquistar almas. Quando Deus se move realmente no coração de uma pessoa, ela não conse­gue permanecer calada. Sentirá fogo nos ossos, como Jeremias, que disse: "A tua mensagem fica presa dentro de mim e queima como fogo no meu coração. Estou cansado de guardá-la e não posso mais aguentar" (Jr 20.9 - BLH).

Além do mais, só quando partimos em obediência e compartilhamos o evangelho com os outros é que passa­mos a ver a bênção de Deus em todas as áreas da nossa vida. Foi por isso que o apóstolo Paulo escreveu a seu com­panheiro Filemon: "Oro para que a comunhão que proce­de da sua fé seja eficaz no pleno conhecimento de todo o bem que temos em Cristo" (Fm 1.6 - NVI).

Tenho visto, nas igrejas ocidentais, pessoas adorando como se já estivessem no céu. Depois, invariavelmente, al­guém transmite uma mensagem de consolo como: "Meus filhos, amo vocês. Não temam, estou com vocês".

Não me oponho a essas palavras, mas parece estranho ninguém nunca ouvir a seguinte mensagem do Senhor: "Meu filho, quero enviá-lo às favelas da Ásia ou às regiões tenebrosas da África para ser meu mensageiro aos que es­tão morrendo em pecado".

Multidões de membros das igrejas ocidentais se satisfa­zem em dar o mínimo, e não o máximo, a Deus. Observei homens e mulheres durante a entrega das ofertas nas igre­jas. Abrem as carteiras recheadas e procuram a menor nota para entregar. Esse tipo de atitude nunca será suficiente! Jesus deu toda a sua vida por nós, e devolvemos a Deus o mínimo possível da nossa vida, tempo e dinheiro. Isso é uma vergonha! Arrependam-se!

Talvez pareça estranho, mas chego a sentir saudade das ofertas que eu dava na China. Inúmeras vezes ouvi o diri­gente de uma reunião anunciar:

"Temos um novo obreiro que vai partir amanhã para servir ao Senhor."

Imediatamente todos os presentes tiravam tudo que tinham no bolso e doavam. Com esse dinheiro o obreiro comprava uma passagem de trem ou de ônibus e partia no dia seguinte.

Frequentemente esse dinheiro era não somente tudo que tínhamos no bolso, mas também tudo que possuíamos nes­te mundo. O fato de possuir um templo não implica necessariamen­te que a pessoa tem Jesus em sua vida. Para muitas igrejas hoje, ele não é bem-vindo. Em Apocalipse 3.20, ele disse: "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo".

Esse versículo costuma ser usado como convite à salva­ção, mas o verdadeiro contexto em que Jesus fala é muito diferente. Ele está do lado de fora da igreja de Laodicéia, batendo na porta e pedindo para entrar!

Claro que nem todas as igrejas ocidentais estão ador­mecidas! Notei um denominador comum a todas as con­gregações fortes que visitei: compromisso firme e sacrificial com as missões entre as nações não-alcançadas. Não me refiro apenas a esforços locais, nem a tentativas de plantar igrejas em outras cidades do mesmo país. Falo de coração ardendo de desejo de estabelecer o reino de Deus nas áreas mais carentes do evangelho e dominadas por trevas espirituais em todo o mundo, lugares em que ninguém nunca ouviu falar o nome de Jesus. Os que co­meçarem a dedicar tempo, oração e recursos para isso logo verão a bênção de Deus sobre o trabalho de suas mãos.

A "grande comissão" permanece a mesma. Muitas co­munidades tentam criar o céu na Terra, mas, enquanto não obedecerem à grande comissão e levarem o evangelho aos confins do mundo, as igrejas ocidentais estarão apenas brin­cando de Deus, sem seriedade diante da verdade. Muitas igrejas são lindas por fora, mas estão mortas onde é impor­tante, no interior. Quem quiser mesmo ver o Senhor se mo­ver precisa fazer duas coisas: conhecer a Palavra de Deus e obedecer às ordens divinas.

Em 1999, fui convidado para ser preletor em um con­gresso que reuniu cerca de mil líderes eclesiásticos na Fin­lândia. O preletor principal era um conhecido pregador norte-americano. Ele falava sempre sobre o amor e a bon­dade de Deus. No período de oração, todos caíam no chão e riam. Depois de pregar, mandei as pessoas se ajoelharem no chão ao pé da cruz de Jesus, e elas choraram! As lágrimas sempre vêm antes do verdadeiro mover do Senhor. Ele não derrama sua bênção sobre carne impura e egoísta. A cruz tem de ser o centro de tudo.

Quem fizer tudo isso verá o avivamento. Você se dispõe a entregar todo seu ser a Deus para o serviço dele? "Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firma­mento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas, sempre e eternamente." (Dn 12.3.)

Muitos cristãos me perguntam também por que aconte­cem tantos milagres, sinais e maravilhas na China e tão poucos no Ocidente.

Os ocidentais gozam de uma boa vida. Têm seguro para tudo. De certa forma, não precisam de Deus. Quando meu pai estava morrendo de câncer no estômago, vendemos tudo que possuíamos para tentar encontrar a cura para ele. Ficamos sem nada e nossa única esperança era Deus. Voltamo-nos para ele no desespero e vimos que, em sua misericórdia, ele atendeu nossa oração e curou meu pai. Raciocinamos assim: se Deus foi capaz de fazer isso, então ele pode fazer qualquer coisa. Com isso, nossa fé cresceu, e vimos muitos milagres.

Na China, os maiores milagres não são as curas e outros fatos semelhantes, mas sim as vidas transformadas pelo evangelho. Não pensamos que fomos chamados para se­guir sinais e maravilhas, mas acreditamos que estes nos se­guem quando pregamos o evangelho. Não fixamos os olhos neles, mantemos o olhar fixo em Jesus.

Os pastores das igrejas domésticas da China estão pre­parados para morrer pelo evangelho. Quem vive assim vê Deus realizar grandes coisas pela graça divina.
*****
Uma das maiores dificuldades que enfrentei nos últimos anos foi ficar afastado da minha querida mãe.

Com pouco mais de 70 anos, ela sofreu um derrame que a fez perder a consciência e a deixou paralisada. Após uma série de exames, os médicos declararam que não havia nada a fazer e que ela jamais se recuperaria. Eu estava preso, não podia visitá-la e fui informado de que ela morreria a qualquer momento.

Eles lhe deram alta para que morresse em casa. Os cren­tes se reuniram e oraram por ela. Imediatamente, no quar­to repleto de gente, ela recuperou a consciência e começou a louvar a Deus! As forças voltaram, e ela foi me ver na prisão. Contou que, se não fosse pela misericórdia do Se­nhor, eu não teria voltado a ver o rosto dela.

Anos mais tarde, em setembro de 1996, um ano antes de eu partir da China, fui pregar em outra província. Ali rece­bi um telefonema. Minha mãe havia sofrido outro derrame e estava parcialmente paralisada.

Deixei a reunião imediatamente e peguei o trem para Henan. Fui ao hospital e vi que os músculos do rosto dela haviam ficado bem contorcidos e ela estava muito pálida.

Ela abriu os olhos e, num sussurro, falou que queria que a vestíssemos com uma roupa branca no funeral, pois ia se encontrar com Jesus. Entretanto, durante a visita, o Senhor me mostrou com a maior clareza que a enfermidade não a levaria à morte. Orei com fervor e grande autoridade, e re­preendi a doença no nome de Jesus. Ela sentiu força fluin­do por seu corpo, levantou-se da cama e andou pelo quar­to! O rosto dela ficou normal. Os médicos entraram no quar­to e ficaram atônitos.

No verão de 1998, eu já estava na Europa, e minha mãe adoeceu gravemente pela terceira vez. Nessa ocasião, to­dos tinham certeza de que ela iria morrer. Até minha famí­lia havia perdido a esperança, e a vestiram para o funeral. Chegaram a comprar o caixão, que foi entregue em nossa casa.

Sempre fui muito chegado à minha mãe. Passamos por muitas experiências juntos, tanto de alegria quanto de so­frimento. Recebi essa notícia do outro lado do mundo, na Suíça, onde estava pregando. Telefonei para a China e pedi que colocassem o aparelho no ouvido da minha mãe. Per­guntei:

"Mamãe, está me ouvindo? Jesus ama a senhora, e vai curá-la!"

Assim que ouviu as palavras "Jesus ama a senhora", ela pulou da cama e começou a dançar em triunfo! Mais uma vez o Senhor a poupou e a livrou das garras da morte.

Por fim, no dia 5 de dezembro de 2000, minha mãe par­tiu para a presença de Jesus. Eu estava na Alemanha quan­do recebi um telefonema da China avisando-me. Desejei ir ao funeral, mas, se entrasse na China, seria preso por todos os meus "crimes" passados. Chorei muito e agradeci a Deus pela mãe que ele me dera e por todas as dificuldades que ela enfrentara por amor ao evangelho. Como um barco à vela no meio da tempestade, ela foi atingida duramente nos anos de provações e tribulações, mas havia alcançado em paz o porto seguro.

Alguém filmou o funeral e enviou-me a fita, o que me trouxe grande consolo. Centenas de crentes das igrejas do­mésticas, inclusive líderes, participaram. Irmãos que eu não via há muitos anos - inclusive vários citados neste livro -foram prestar a última homenagem à minha mãe.

Ir ao enterro acarretou um grande risco para os líderes, pois as autoridades estavam à caça de muitos deles. Al­guns se achavam foragidos havia anos, e o nome deles cons­tava da lista dos criminosos mais procurados na China. Mes­mo assim, não conseguiram deixar de ir. Voltaram todos à Comarca de Nanyang, no sul da Província de Henan, para homenagear minha mãe no lugar em que Deus nos tocara pela primeira vez, tanto tempo antes.

Durante a cerimônia, o Irmão Xu levantou-se e falou:

"O Irmão Yun, a esposa dele e os dois filhos não podem estar aqui no funeral da mãe dele, mas todos nós aqui reu­nidos somos filhos dela no Senhor."

Agradeci a Deus pela vida da minha mãe. Lembrei-me de que 26 anos antes o Senhor havia estendido sua mão do céu para abençoá-la, e depois a todos nós, embora fôsse­mos pobres e desprezados e vivêssemos em um cantinho pequeno e insignificante da China.

Pensei em como ele operara com tanto poder desde aquele dia, tanto em nossa família como em milhares de outras pessoas. E, como resultado, hoje existem milhões de crentes só na Província de Henan, e muitas dezenas de milhões espalhados pela China.

Lembro-me bem de que, quando eu ainda era adolescen­te, minha mãe me entregou, em oração, para missões mun­diais. Naqueles dias isso era impossível, pois as fronteiras da China estavam fechadas. Mesmo assim, em fé, ela acreditou que Deus faria o impossível. A oração dela foi atendida.

A maior tristeza que carrego é nunca ter me despedido direito da minha mãe. Eu a vi pela última vez depois de fugir da cadeia. Sabia que eu e minha família teríamos de nos separar durante muito tempo. As últimas palavras que ela me dirigiu pessoalmente foram:

- Filho, quando você vai voltar? Quis animá-la e respondi:

- Logo, mamãe. Volto logo.
*****
DELING: Quando chegamos a Míanmar, não tínhamos idéias pre­concebidas sobre o que iria acontecer. Eu sabia que Deus queria que avançássemos, então obedecemos e, se ele quisesse que ficásse­mos em Mianmar, ficaríamos. Na verdade, foi um período bem agra­dável para mim. Desfrutava de comunhão diária com irmãos. Eu e meus filhos finalmente estabelecemos uma rotina em nossa vida, de­pois de anos, um tanto loucos, fugindo pela China. Desde 1996 pedí­amos ao Senhor que nos desse um ambiente mais tranquilo, para que pudéssemos ter uma vida familiar normal.

Quando vimos que ficaríamos em Mianmar durante algum tempo, matriculei Isaque e Yilin na escola. Eles se desenvolveram muito, e sinto orgulho deles. Isaque é muito inteligente. Só posso dizer que Deus realizou uma obra especial na vida dele. Yun jejuou durante 74 dias, sem alimento nem água, quando Isaque ainda estava no meu ventre, e permaneceu na cadeia durante os quatro primeiros anos da vida do nosso filho. Creio que, de certa forma, o Pai celestial assumiu o lugar de pai do meu filho, já que o pai terreno dele estava sofrendo por Jesus. O próprio Deus ensinou Isaque, porque, enquanto Yun esta­va preso, meu filho ficou longos períodos sem frequentar a escola.

Na China, colegas e professores humilhavam Isaque, e ele passou por experiências que nenhum menino da idade dele deveria ter de en­frentar. Chegou a fugir da polícia conosco. Depois, foi para um país estranho, cuja língua ele desconhecia.

Quando chegamos a Mianmar, Isaque e Yilin não falavam nem uma palavra sequer de birmanês, língua que não tem nenhuma seme­lhança com o chinês. Deus ajudou-os a aprender a língua com uma rapidez notável e, menos de um ano e meio depois que chegamos, Isaque já era um dos melhores alunos da sua escola! Recebeu até uma menção honrosa. Com isso, publicaram o nome dele no jornal, o que nos deixou preocupados. Não era nem para estarmos no país e, portanto, tentávamos permanecer incógnitos!

Depois de tudo que passou, é espantoso ver que Isaque não apenas é um garoto normal, mas ainda por cima fala mandarim, yunnanese, lisu, jingpo - línguas de grupos minoritários da China - birmanês e ale­mão! Ele é inteligente assim porque o professor dele foi o próprio Deus, que atendeu nossos pedidos desesperados de ajuda. Ele ama o Senhor de todo o coração. Em sua formatura no seminário, ele se levantou e anunciou-.

"Consagro-me para servir a Deus pelo resto da minha vida."

Yilin é um presente especial de Deus. O coração dela é sensível ao Senhor, mas ela possui uma personalidade forte e ardente. O maior desejo dela é servir a Jesus. Sente compaixão pelos outros e está dis­posta a defender a verdade sem jamais se dobrar.

Eu e Yun temos sido tremendamente abençoados pelos filhos que Deus nos concedeu.




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