A história emocionante de um cristão chinês que levou sua fé às últimas conseqüências



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26. Outro tipo de perseguição

Em setembro de 2000, viajei para o Canadá a fim de iniciar um período de três semanas de pregações. Mi­nha agenda estava cheia. Toda noite haveria reunião em uma cidade diferente. Eu me sentia empolgado por dois motivos. Primeiro, pela oportunidade de compartilhar com os crentes do Canadá as obras que Deus estava realizando na China. E, segundo, porque queria incentivar a igreja de lá a se tornar nossa parceira na visão de levar o evangelho de volta a Jerusalém.

Na noite anterior à partida para Toronto, recebi um so­nho do Senhor. Eu estava na sala de uma igreja, preparan­do a mensagem que pregaria em seguida. Abri minha Bí­blia e descobri que minhas anotações haviam sumido. En­quanto tentava descobrir onde elas estavam, tirei a carteira do bolso e coloquei-a sobre a Bíblia aberta. De repente, um rato saiu de um buraco na parede atrás de mim. Rápido como um raio, comeu minha carteira e voltou para o bura­co!

Senti que era um ataque de um espírito maligno em for­ma de rato, e não de um animal de verdade.

No sonho, fiquei muito bravo, peguei uma longa barra de ferro e enfiei-a no buraco para matar o roedor. Senti que o ferro bateu no fundo do buraco e pensei que tinha mata­do o rato. Puxei, e ele veio preso na barra. No instante em que saiu da parede, transformou-se em um galo.

O galo cocoricava e pulava por toda parte, fazendo mui­to barulho e batendo as asas. Ataquei-o com a barra de ferro. Assim que o atingi na cabeça, ele se transformou em um espírito sedutor com a aparência de uma mulher de cabelos longos. Ela se esquivou e protestou:

- Por que você está batendo em mim? Sou só uma pes­soa como você. Não entendo por que você está me perse­guindo. Por favor, deixe-me ir embora!

Repliquei:

- Não quero saber quem você é. Você roubou minhas anotações e a carteira que estava sobre a minha Bíblia.

Tentei me colocar entre ela e a porta para impedir que fugisse. Sabia que estava diante de um demônio, e não de uma mulher de verdade. No sonho, eu a atingi, e ela caiu no chão, inconsciente.

Então eu acordei.

Não entendi o sonho, por isso pedi a Deus que me reve­lasse o significado.

Quando cheguei ao Canadá, compartilhei sobre isso com meus companheiros, e meditamos no assunto. Durante o café da manhã, disse ao meu tradutor:

"O Senhor me mostrou que alguém está tentando tirar a Palavra de Deus das minhas mãos, e também roubar o sus­tento financeiro das igrejas domésticas. Vou ser alvo de um ataque espiritual e, quando resistirmos a ele, haverá duas reações demoníacas. Primeiro encontraremos uma reação barulhenta e agressiva, como a do galo. Depois, um espíri­to sedutor tentará argumentar conosco, alegando inocên­cia e tentando deter nosso ministério com mentiras e enga­no."

No segundo dia em Toronto, estava marcada uma en­trevista em um programa de televisão. Depois que a entre­vista acabou, um irmão aproximou-se de nós com um artigo impresso que ele recebera por e-mail. Ele estava pálido, com a fisionomia séria. Falou:

"Irmão Yun, precisamos conversar. Tenho más notícias."

Com a ajuda do tradutor, leu o artigo escrito por um jornalista cristão da Califórnia. A história fora enviada para milhares de leitores de todo o mundo naquela manhã. Eu não conhecia o autor e nunca ouvira falar dele. Ainda as­sim, ele, citando um "informante chinês" anônimo, desfe­chou um ataque feroz contra mim.

Afirmou que a fuga milagrosa da cadeia, em 1997, era mentira; que meu jejum de 74 dias sem alimento nem água na prisão havia sido forjado; que minhas pernas nunca haviam sido despedaçadas; e que eu não era representante nem presbítero da Comunidade Sinim.

De tudo no artigo, dois pontos me magoaram mais. Ele revelou que minha família estava escondida em Mianmar, e isso colocava meus amados em grande perigo. Temi pela segurança deles. Além de me preocupar com as autorida­des de Mianmar, que poderiam ler o artigo e começar a procurar por eles, preocupei-me também com o governo chinês, que ficaria exultante se conseguisse levá-los de vol­ta para a China a fim de castigá-los.

Eu estava ansioso para passar o Natal com eles em Mianmar. O ano anterior (1999) fora o primeiro, em 13 anos, que pude passar essa data importante com minha esposa e filhos. Desses 13 Natais, passei sete na prisão e os outros, fugindo das autoridades ou doente.

Com a revelação pública da presença da minha família em Mianmar, parecia impossível eu ir passar lá o Natal. Fiquei profundamente perturbado.

O segundo ponto que me magoou foi uma acusação: "O mais provável é que tenha sido ele o Judas que entregou os principais líderes na calamidade de 1999 [...] Ele causou divisão e danos às atividades das igrejas domésticas dentro da China".

Quando ouvi isso, foi como se uma faca atravessasse meu coração. Desde que o Senhor se revelou a mim, em 1974, eu, pela graça dele, nunca traí nenhum outro crente. Passei muitos anos sob tortura na prisão exatamente por ter me recusado a ser um Judas para o corpo de Cristo.

Agradeci a Deus por ter me preparado antes com o so­nho do rato, do galo e da mulher.

Toda a viagem pelo Canadá ficou ameaçada, pois os lí­deres liam o artigo e pensavam em cancelar as reuniões.

Em 24 horas, vários líderes das igrejas domésticas chine­sas e todos os presbíteros da Comunidade Sinim foram no­tificados da situação. Líderes conhecidos, como Xu Yongze e Zhang Rongliang, enviaram da China, por fax, declara­ções assinadas de que as acusações eram completamente infundadas e confirmando que eu era presbítero e repre­sentante autorizado da Comunidade Sinim.

Nos dias seguintes a esse ataque, que parece ter sido cal­culado com precisão para coincidir com o início da viagem pelo Canadá, senti dificuldade para lidar com essa nova forma de perseguição.

Na China eu estava acostumado a surras, tortura com cassetetes elétricos e todo tipo de humilhação. Acho que no fundo do meu coração eu presumia que no Ocidente os dias de perseguição haviam chegado ao fim.

Eu não conseguia entender como alguém que não me co­nhecia era capaz de escrever um artigo tão perverso. Queixei-me com meus amigos cristãos:

- Por que essas pessoas não telefonam para nós e nos pedem os documentos? Não entendo! Por que não procu­ram descobrir a verdade? Ela está bem aqui, para quem quiser ver.

Meu tradutor me falou:

- Irmão Yun, essas pessoas não querem saber a verda­de. Foi por isso que não telefonaram nem quiseram conhecê-lo. Na China, os cristãos são perseguidos com surras e prisões. No Ocidente, pelas palavras dos outros cristãos.

Esse novo tipo de perseguição não era mais fácil de su­portar do que a perseguição física na China. Era apenas diferente.

Chorei em oração, e pedi forças ao Senhor. Perdoei, do fundo do coração, aos que me atacaram. Depois prossegui­mos nossa viagem.

Fomos a Winnipeg, Edmonton e outras cidades do Ca­nadá, e o Senhor operou com poder. Muitas igrejas e inú­meros crentes se uniram em oração e parceria às igrejas domésticas da China.
*****
IRMÃO XU: Ficamos preocupados quando soubemos que o Irmão Yun havia sido caluniado e atacado em seu ministério no Ocidente. Então, eu e os outros presbíteros da Comunidade Sinim e líderes das igrejas domésticas na China escrevemos a seguinte carta de apoio ao trabalho dele:

"O Irmão Yun é servo de Deus e um dos cinco presbíteros da Comu­nidade Sinim de igrejas domésticas da China. A Bíblia declara: 'Não aceites denúncia contra presbítero, senão exclusivamente sob o depo­imento de duas ou três testemunhas' (1 Tm 5.19). Através deste

do­cumento, testificamos que o Irmão Yun tem nos servido como teste­munha dos sofrimentos de Cristo e é um servo fiel do Senhor. É solda­do de Cristo, ungido pelo Espírito Santo, guerreiro da verdade, pioneiro do evangelho na presente era. O serviço dele testemunha com poder a presença do Espírito Santo.

"Em 1996, o Senhor usou-o para iniciar a Comunidade Sinim de igrejas domésticas da China. Ele é não apenas um dos cinco presbíteros, é também um servo de Deus fiel, honesto, confiável, puro, apaixonado pela verdade e cheio do temor de Deus. Desfruta de boa reputação fora da igreja e é bom filho, pai e marido.

"Testemunhamos aqui que ele frequentemente se esforça para ter a mesma atitude de Cristo Jesus. É por isso que afirmamos que ele é inculpável diante de Deus. As igrejas domésticas oram em acordo e apoiam o servo de Deus em seu ministério por todo o mundo, e que ele seja uma bênção para a casa do Senhor, do Leste ao Oeste. Podemos resumir o testemunho dele em uma só palavra: 'genuíno'.

"Os presbíteros da Comunidade Sinim e muitos co-obreiros oram com fervor e testificam por ele no Senhor, apoiando todo o serviço dele e sustentando-o. Como já proclamamos, ele tem autorização para representar a Comunidade Sinim nos cinco continentes (Europa, Amé­rica, África, Australásia e Ásia).

"Que as igrejas da China e de outros países, que são membros do corpo de Cristo, trabalhem em união para se edificarem mutuamente, de modo que o evangelho de Jesus Cristo se espalhe por todo o mundo rapidamente, voltando inclusive a Jerusalém.

"Amém!"
*****


YUN: O Senhor pode conduzir a vida de um crente de muitas maneiras, mas estou convicto de que o caminho de todos incluirá, mais cedo ou mais tarde, o sofrimento. Deus nos manda as provações para nos manter humildes e de­pendentes dele para o nosso sustento.

Em 1 Pedro 4.1, a Bíblia afirma: "Ora, tendo Cristo sofri­do na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamen­to; pois aquele que sofreu na carne deixou o pecado". Creio que, quando a dor e o sofrimento crescem, o pecado dimi­nui. Claro que ainda não alcancei o ponto de resolver o problema do pecado para sempre. Continuo reclamando com Deus quando sofro.

O amadurecimento do cristão depende em larga escala de sua atitude quando se defronta com o sofrimento. Al­guns tentam evitá-lo ou fingir que ele não existe, mas isso só piora a situação. Outros tentam permanecer inflexíveis até que chegue o alívio. Isso é melhor, mas ainda não é a vitória completa que Deus deseja dar a cada um de seus filhos.

O Senhor quer que aceitemos o sofrimento como um amigo. Precisamos da compreensão profunda de que a per­seguição por amarmos Jesus é um ato de bênção de Deus sobre nós. Isso parece impossível de aceitar, mas consegui­mos, com a ajuda de Deus. Foi por isso que Jesus falou: "Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos in­juriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus" (Mt 5.11,12).

Podemos crescer até chegar a uma situação de rirmos e nos regozijarmos quando alguém nos calunia, porque sa­bemos que não somos deste mundo e que nossa segurança está no céu. Quanto mais formos perseguidos por amar­mos a Deus, maior será nossa recompensa no céu.

Quando alguém nos difama, devemos nos regozijar e exultar. Quando alguém nos amaldiçoa, devemos retribuir com uma bênção. Quando enfrentarmos uma experiência dolorosa, devemos aceitá-la e, assim, seremos livres!

O mundo não pode atingir quem aprende essas lições.

Deus é minha testemunha de que, em todas as torturas e surras que recebi, nunca odiei meus perseguidores. Nunca. Eu os considerava instrumentos da bênção de Deus e vasos escolhidos por ele para me purificar e me tornar mais se­melhante a Jesus.

Algumas vezes, visitantes ocidentais que vão à China perguntam aos líderes das igrejas domésticas em que semi­nário eles estudaram. Respondemos, brincando, mas com um fundo de seriedade, que fomos treinados no Seminário Devoção Pessoal do Espírito Santo (prisão) durante vários anos.

Ocasionalmente nossos amigos ocidentais não entendem e perguntam:

- Que material didático vocês usam no seminário? Respondemos:

- Só as correntes que prendem nossos pés e os chicotes que marcam nossa pele.

No seminário das prisões aprendemos muitas lições va­liosas sobre o Senhor que nunca teríamos aprendido em livros. Ficamos conhecendo a Deus de forma mais profun­da. Conhecemos a bondade e a fidelidade dele e seu amor por nós.

Os cristãos presos por amor a Jesus não são os únicos que sofrem. Muitos que ouvem meu testemunho comen­tam:

- Você deve ter sofrido demais quando estava preso. E eu respondo:

- Nada disso. Eu estava com Jesus e sentia alegria e paz tremendas na comunhão íntima com ele.

Os que sofrem realmente são os que nunca desfrutaram da presença de Deus. O caminho para estar com ele é seguir através de privações e sofrimentos - o caminho da cruz. Nem todos serão espancados e presos pela fé, mas estou convicto de que cada cristão tem uma cruz a carregar em sua vida. No Ocidente pode ser zombaria, calúnia ou rejei­ção. Quando confrontados com a provação, o segredo não é fugir nem combater, mas sim aceitá-la como amiga. Com isso, sem dúvida, a pessoa experimenta a presença e o so­corro do Senhor.

Um filho de Deus que sofre precisa entender que o Se­nhor permitiu que isso acontecesse. Ele não se esqueceu do sofredor! O diabo não consegue arrancar ninguém das mãos do Pai. Jesus fez uma promessa maravilhosa a seus filhos: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perece­rão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar" (Jo 10.27-29).

Na primeira vez que fui preso eu questionei e perguntei a Deus por que ele havia permitido que aquilo acontecesse. Aos poucos fui entendendo que ele tinha um propósito mais elevado para mim do que apenas trabalhar para ele. Que­ria me conhecer, desejava que eu o conhecesse profunda e intimamente. Ele sabia que o melhor jeito de chamar mi­nha atenção era me colocar atrás das grades.

Às vezes fico sabendo da prisão de um cristão das igre­jas domésticas. Quando isso acontece, eu digo às pessoas para só orarem pedindo a libertação se Deus revelar com clareza que é isso que ele deseja.

E essencial que o pintinho fique 21 dias aquecido na proteção do ovo antes de sair da casca. Se alguém o tirar um dia antes, ele morrerá. De modo semelhante, os patinhos precisam de 28 dias de confinamento. Se alguém quebrar a casca do ovo no 27º dia, o patinho morrerá.

Há sempre um propósito quando Deus permite que um filho dele seja preso. Às vezes é testemunhar para os de­mais prisioneiros, em outras é para Deus desenvolver um aspecto do seu caráter. Mas, se usarmos nossas próprias forças para tirá-lo da prisão antes do momento que Deus escolheu, podemos frustrar os planos dele e o crente talvez não esteja totalmente formado, como Deus quer que ele viva.

Muitas vezes me questionam sobre os direitos dos pasto­res na China. Eles possuem tantos direitos quanto os escra­vos! Todos neste mundo são escravos, do pecado ou de Cris­to. Nossos "direitos" estão nas mãos de Jesus. Precisamos cair de joelhos em dependência completa dele.

Os cristãos chineses apreciam os esforços dos crentes de todo o mundo para ajudar os que são presos ou persegui­dos. Contudo toda tentativa de ajudar deve ser coberta por oração e enraizada na vontade de Deus; se não, o único resultado será a piora da situação.

O mundo não tem poder para causar nenhum dano ao cristão que não teme o ser humano.


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