A história emocionante de um cristão chinês que levou sua fé às últimas conseqüências



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3. "Vá para o Oeste e para o Sul"

Eu lia a Palavra de Deus todos os dias, desde a manhã até tarde da noite. Quando era necessário ir trabalhar na plantação, embrulhava a Bíblia, colocava-a por dentro da roupa e aproveitava todas as oportunidades para as­sentar e ler. Na hora de dormir, levava-a para minha cama e a colocava sobre o peito.

A princípio, foi difícil ler, porque eu só havia frequenta­do a escola por três anos. Além disso, meu exemplar era em chinês tradicional, e eu tinha aprendido a escrita simplifi­cada. Encontrei um dicionário e, com muito esforço, fui pro­curando um caractere de cada vez e assim avancei na lei­tura.

Depois que consegui ler a Bíblia inteira, passei a decorar um capítulo por dia. Depois de 28 dias, eu já sabia de cor todo o Evangelho de Mateus. Li rapidamente os outros três Evangelhos antes de passar para o livro de Atos e começar a decorá-lo.

Certa manhã, por volta das 9:00h, estava lendo o pri­meiro capítulo de Atos e comecei a meditar no versículo 8: "Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra".

Eu não sabia muito bem quem era o Espírito Santo. Cor­ri para perguntar à minha mãe, mas ela também não sabia. Disse simplesmente:

"Já falei para você tudo que lembro. Por que você não pede a Deus o Espírito Santo do jeito que você orou pela Bíblia?"

Minha mãe não sabia ler, de modo que seu conhecimen­to da Bíblia não era muito profundo. Conseguia apenas re­citar uns poucos versículos que ouvira de outros crentes.

Foi um momento decisivo em minha vida. Eu desejava a presença e o poder de Deus, e agora estava entendendo a importância de conhecer a Palavra escrita.

Orei ao Senhor:

"Preciso do poder do Espírito Santo. Estou disposto a ser sua testemunha."

Após a oração, o Espírito me encheu de alegria. Uma revelação profunda do amor e da presença dele inundou meu ser. Antes eu não gostava de cantar, mas depois disso muitas canções de adoração começaram a brotar dos meus lábios. Eram palavras que eu nem conhecia. Mais tarde eu as escrevi. E até hoje as igrejas domésticas da China can­tam esses hinos.

Passei a esperar a direção do Senhor, e uma coisa mara­vilhosa aconteceu. Certa noite, por volta das 10:00h - an­tes de meus pais irem se deitar - acabei meu período de oração e decorei o capítulo 12 de Atos. Quando já estava deitado em minha cama, senti alguém cutucar meu ombro e ouvi uma voz:

- Yun, vou mandar você para o Oeste e para o Sul, a fim de que seja minha testemunha.

Pensei que fosse minha mãe. Pulei da cama, fui até o quarto dos meus pais e perguntei:

- A senhora me chamou? Quem cutucou meu ombro?

- Nenhum de nós dois chamou você. Vá dormir, res­pondeu minha mãe.

Orei de novo e me deitei.

Meia hora depois, ouvi uma voz clara que insistia comi­go:

- Yun, você irá para o Oeste e para o Sul a fim de pro­clamar o evangelho. Será minha testemunha e falará em meu nome.

Levantei-me imediatamente e contei à minha mãe o que havia acontecido. Ela mandou que eu voltasse para a cama e que ficasse calmo. Estava com medo, de novo, de que eu enlouquecesse!

Ajoelhei-me e orei ao Senhor:

- Jesus, se estás falando comigo, estou pronto para ou­vir. Se estiveres me chamando para pregar as boas-novas, vou obedecer, de boa vontade, ao teu chamado para mi­nha vida.

Na madrugada seguinte, por volta das 4:00h, recebi um sonho do Senhor. Vi o mesmo homem idoso cheio de amor que me dera o pão na visão anterior. Ele veio andando em minha direção com os olhos fixos nos meus e disse:

"Você deve ir rumo ao Oeste e ao Sul para proclamar o evangelho e ser testemunha do Senhor."

Vi ainda uma enorme reunião, com milhares de pessoas. O senhor idoso irradiava grande autoridade diante da mul­tidão. Disse-me ele:

"Você será minha testemunha para eles."

Eu não sabia o que fazer. Uma mulher endemoninhada que estava na reunião veio em minha direção. O homem falou:

"Coloque suas mãos sobre ela e expulse os demônios em nome de Jesus."

E fiz isso no sonho. A mulher se contorcia, como se esti­vesse nos espasmos da morte. Depois, foi totalmente liberta das forças demoníacas que a controlavam. Todos ficaram espantados, porque ninguém nunca havia visto uma coisa como aquela.

De repente, ainda no sonho, um jovem saiu da multidão e perguntou:

- Você é o Irmão Yun? Nossos irmãos estão orando e jejuando por você há três dias. Esperamos que você venha pregar o evangelho para nós. Precisamos desesperadamente que você venha à nossa vila.

O jovem me contou seu nome, idade e a vila em que morava. Senti-me tocado e disse a ele:

- Irei lá amanhã.

Assim que o dia raiou, chamei meus pais e contei-lhes que iria pregar o evangelho, pois Jesus Cristo havia me man­dado fazer isso. Minha mãe perguntou aonde eu ia. Res­pondi:

"Na noite passada o Senhor falou comigo três vezes. Ele me disse: 'Vá para o Oeste e para o Sul pregar o evange­lho'. E eu vou ser obediente ao chamado celestial."

Eu sabia que o sonho tinha vindo de Deus, então estava confiante de que tudo aconteceria como havia sido mostra­do. Disse à minha mãe:

"Hoje, depois que eu sair, vai chegar aqui um rapaz vin­do do Sul. Ele tem 24 anos e estará usando camisa branca e calça cinza com remendos nos joelhos. Os cristãos da vila em que ele mora estão orando e jejuando há três dias. Eles precisam que eu vá lá testemunhar do Senhor. Eu o vi esta noite no sonho. Prometi que irei com ele para o Oeste e para o Sul."

Minha mãe não entendeu nada do que falei, então ex­pliquei com clareza:

"Um rapaz chamado Yu Jing Chai virá aqui em casa hoje. Por favor, fique aqui para recebê-lo. Não o deixe ir embora antes que eu volte."

Naquela manhã, parti da minha vila, andando no senti­do Oeste. Cruzei uma ponte, e encontrei-me com um cris­tão idoso chamado Yang. Ele me perguntou aonde eu ia e respondi:

"Hoje de manhã, Deus falou comigo três vezes. Ele quer que eu pregue o evangelho no Oeste e no Sul."

O coração do Irmão Yang foi profundamente tocado. Ele disse:

- Eu estava indo exatamente ver você. Recebi a incum­bência de levá-lo rumo ao Oeste, até a Vila Gao, para você compartilhar o evangelho. Os irmãos e irmãs de lá ouviram contar como você orou e recebeu um livro do céu. Quere­mos que você compartilhe conosco o que está escrito nele. Estamos em jejum e oração por você há três dias. Eles me mandaram vir aqui para levar você até lá.

Era tempo da colheita, de modo que o pessoal estava trabalhando nas plantações quando chegamos. Mas, ao nos aproximarmos, o Irmão Yang disse a eles:

"Vejam, este é o homem por quem vocês estão orando."

Imediatamente eles largaram as ferramentas e correram para perto de nós.

Entramos todos numa casa. Assentei-me no chão e os demais se apertaram à minha volta. Eu estava nervoso, por­que nunca tinha falado para um grupo. Trinta ou quarenta rostos me fitavam, me esquadrinhando com os olhos, ansi­osos para ouvir a Palavra de Deus. Estavam mesmo famin­tos da verdade. Já havia alguns convertidos na Vila Gao, mas a maioria ainda não era crente.

Fiquei assentado, com os olhos bem fechados e segurei a Bíblia acima da cabeça. Então declarei:

"Esta é a Bíblia. O anjo do Senhor a mandou para mim em resposta às minhas orações. Se vocês quiserem uma Bí­blia, terão de orar e buscar a Deus como eu fiz."

Todos olharam para mim de boca aberta, atônitos. A forma que Deus usou para me dar a Bíblia causou grande espanto. Eles queriam que eu os ensinasse. Naquela época, eu não conhecia o significado de "pregar". Só sabia recitar os versículos que havia decorado. Por isso recitei todo o Evangelho de Mateus em voz alta, do capítulo 1 ao 28.

Não sabia se os ouvintes estavam entendendo. Para não me perder nem esquecer de nada, repeti tudo bem depres­sa, deixando as palavras fluírem como um rio.

Quando terminei, estava cheio do Espírito Santo. Nesse momento cantei alguns cânticos das Escrituras, músicas que eu nem conhecia.

Ao abrir os olhos, descobri que a Palavra de Deus havia cativado todos os presentes. O Espírito Santo estava convencendo-os dos pecados. Todos se ajoelharam e se arre­penderam, com lágrimas correndo pelo rosto. Naquela noite, embora eu tivesse apenas 16 anos, aprendi que a Pala­vra de Deus é poderosa. Quando a compartilhamos com o coração ardente, muitos são alcançados. Logo na primeira reunião, graças ao poder de Deus, dezenas de pessoas en­tregaram o coração a Jesus.

Eles insistiram comigo para ficar e continuar a ler a Bí­blia. Mas eu disse a eles:

"Deus me mandou ir testemunhar no Sul também."

A explicação não lhes agradou. E eles não queriam me deixar partir! Por isso, fiquei e recitei para eles os doze pri­meiros capítulos de Atos. Prometi que depois que decoras­se mais eu voltaria e repetiria tudo para eles.

Enquanto me preparava para partir de Gao, uma jovem se aproximou e me perguntou:

- Você disse que vai para o Sul. Para onde, exatamen-te?

- Lá no Sul mora um homem chamado Yu Jing Chai. Eu prometi a ele hoje de manhã que o acompanharia até sua vila.

A mulher ficou surpresa e me perguntou se eu o conhe­cia.

- Sim, eu o conheço, repliquei.

- De onde? indagou ela.

- Eu o conheci em um sonho que o Senhor me deu hoje de manhã, expliquei.

Ela começou a chorar bem na minha frente e falou:

- Yu Jing Chai é meu irmão!

Ela fora a primeira da sua família a se converter. Levara a mãe e o irmão a conhecerem o Senhor. Embora moras­sem em lugares diferentes, os três haviam jejuado e orado por mim durante três dias. O Senhor organizara tudo isso, e de um jeito que só ele é capaz de fazer. O Espírito Santo estava agindo de forma maravilhosa.

Os habitantes de Gao se despediram de mim com amor, com os olhos cheios de lágrimas.

E algo extraordinário aconteceu quando tomei o cami­nho para casa. Gao fica a uns 6km da minha vila. A maior parte do caminho é em trilhas estreitas, então o percurso pode levar até duas horas. Eu sabia que Yu Jing Chai pro­vavelmente estava me aguardando na minha casa, portan­to achei melhor correr para ele não esperar muito.

Fui repetindo versículos da Bíblia em voz alta enquanto corria e não prestei atenção ao caminho. Não senti nem notei nada diferente. Mas o fato é que entrei na minha vila sem que o tempo tivesse passado! O caminho que levaria mais de uma hora gastou apenas alguns minutos.

Embora seja difícil explicar, essa experiência é inesque­cível. Creio que Deus repetiu o milagre que realizara com Filipe, em Atos 8.39,40: "... O Espírito do Senhor arrebatou a Filipe... Filipe veio a achar-se em Azoto; e, passando além, evangelizava todas as cidades até chegar a Cesaréia".

Cheguei em casa e encontrei minha mãe exultante. Nem me chamou pelo meu verdadeiro nome, mas de Samuel. Ela chorava:

- Samuel, Samuel, o jovem de quem você falou hoje de manhã, Yu Jing Chai, veio aqui. A roupa dele era exatamente como você descreveu.

Perguntei onde ele estava, mas ela me disse que ele tinha ido embora. Exclamei:

- Ah, mãe, eu pedi para a senhora não deixar que ele partisse! Eu prometi a ele, no sonho, que iria pregar o evan­gelho na vila dele.

Minha mãe me acalmou, dizendo:

- Não se preocupe! Seja paciente e espere eu terminar de falar. Quando esse querido rapaz chegou hoje à tarde, vi que era o jovem de quem você tinha falado de manhã. O nome dele é Yu Jing Chai mesmo. Perguntei se ele se cha­mava Irmão Yu. Ele ficou muito surpreso e perguntou como eu sabia o nome dele. Então perguntei: "Você é Yu Jing Chai?" Ele ficou temeroso, e quis saber como eu sabia o nome dele todo. Perguntei-lhe: "Você veio pedir a meu fi­lho que vá com você para o Sul para compartilhar o evan­gelho?"

Bom, resumindo, o Irmão Yu ficou atônito e indagou a ela:

- Como a senhora sabe?

Minha mãe explicou:

- Os irmãos estão orando e jejuando há três dias pedin­do que meu filho vá pregar o evangelho para vocês. Ele já prometeu que irá, mas foi ao Oeste de manhã. Estará de volta no fim da tarde. Você não quer se assentar e tomar um copo de água?

Ao ouvir isso, Yu ficou tão feliz que deu meia-volta e correu para casa. Saiu com tanta pressa que até esqueceu o chapéu de palha! Disse que voltaria no fim da tarde para me levar.

No instante em que o sol estava se pondo, Yu Jing Chai entrou em nosso jardim. Achava-se todo suado por causa da longa corrida. Era exatamente como eu o vira no sonho da noite anterior. Peguei a mão dele e falei:

"Você é o Irmão Yu, e, com outras pessoas, está orando há três dias para que eu vá até vocês. Eu o encontrei hoje de manhã, no meu sonho. Saiba que Jesus ama você. Eu vou acompanhá-lo até sua casa."

Nós nos abraçamos e choramos juntos. Minha mãe pa­rou de questionar minha sanidade. Depois, estendeu as mãos sobre nós e nos abençoou enquanto partíamos, na escuri­dão, rumo à vila ao Sul. Lá, voltei a recitar todos os versículos que havia decorado.

O fogo do evangelho passou a arder em nossa região naquele dia. Não apenas no Oeste, mas também no Sul. Muita perseguição e grande sofrimento pela fé nos aguar­davam no futuro, mas, naqueles primeiros dias, tudo era doce e maravilhoso.

Deus derramou seu Espírito sobre muitas almas deses­peradas. Como sedentos no deserto, bebiam com alegria a água da Palavra de Deus. Embora eu fosse apenas um ado­lescente, o Senhor me capacitou a levar mais de duas mil pessoas a Jesus em meu primeiro ano de convertido.

Naquela época, meu entendimento de "Oeste e Sul" se limitava à região em volta da nossa vila. Aos poucos, pela graça de Deus, o território foi se expandido à medida que os anos passavam, e chegou a incluir toda a China e até outros países.


*****
Na primeira vez em que compartilhei o evangelho na Vila de Gao, o Senhor me deu cânticos baseados nas Escri­turas para entoar na reunião. As pessoas anotaram as le­tras para lembrarem depois.

Uma das músicas era o trecho do Evangelho de Mateus em que Jesus nos instrui a voltarmos a face esquerda a quem nos bater na direita. Outra ensinava a nos regozijarmos quando formos perseguidos por causa do evangelho. Ha­via ainda outra que dizia que jamais devemos ser como Judas, que negou seu Mestre.

O fato de tanta gente se converter ao mesmo tempo cha­mou a atenção das autoridades. Todos os crentes em Gao foram presos e levados para o posto policial. Os policiais faziam perguntas e exigiam respostas:

- Quem trouxe o nome de Jesus para vocês? Como foi que todos vocês começaram a acreditar nessas superstições?

Os crentes estavam cheios de uma alegria arrebatadora. E só diziam:

- Não seremos como Judas! Jamais trairemos o Senhor Jesus!

Os policiais começaram a bater neles, e eles ficaram ain­da mais alegres. Falavam:

- Por favor, senhor, bata também na outra face! Os cristãos riam e se regozijavam.

Por fim, os policiais cansaram de bater neles e concluí­ram:

- Vocês, cristãos, são todos loucos!

Fizeram algumas advertências, e mandaram todos para casa.


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