A história emocionante de um cristão chinês que levou sua fé às últimas conseqüências


Deus abençoa toda a minha família



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4. Deus abençoa toda a minha família

Sou grato a Deus porque ele salvou toda a minha família. Meu pai partiu para o céu alguns anos depois de ser milagrosamente curado do câncer.

Sofri e me alegrei ao mesmo tempo. Sofri por tê-lo perdi­do tão cedo, mas fiquei feliz porque o Senhor o salvou. Deus usou a enfermidade do meu pai para levar toda nossa fa­mília ao pé da cruz.

Minha mãe era exatamente como a profetisa Ana. Ela "adorava noite e dia em jejuns e orações" (Lc 2.37).

Agradeço a Deus, porque ele me deu não apenas pais maravilhosos, mas também uma esposa virtuosa. A Bíblia diz: "Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas jóias. O coração do seu marido confia nela, e não haverá falta de ganho. Ela lhe faz bem e não mal, todos os dias da sua vida" (Pv 31.10-12).

Deus, em sua graça, preparou uma esposa assim e a deu para mim!

Deling decidiu se casar comigo por causa do seu amor e obediência a Deus. Nossas mães combinaram o casamento. A mãe dela é uma mulher sincera e honrada, e ama o Senhor.

Em nosso primeiro encontro, eu disse a Deling:

- Deus me escolheu para ser testemunha dele e segui-lo através de dificuldades imensas, no caminho da cruz. Não tenho dinheiro, e as autoridades estão sempre me perse­guindo. Você quer mesmo se casar comigo?

- Não se preocupe. Nunca abandonarei você. Vamos nos unir e serviremos juntos ao Senhor, respondeu ela.

Fomos ao cartório de registro civil. Respondemos a algu­mas perguntas e preenchemos os formulários com nossos nomes. Ao terminarmos, o funcionário pediu a Deling para sair e me esperar do lado de fora. Depois mandou que eu fosse para outra sala. Ele havia notado que meu nome cons­tava da relação de "Procurados" do Departamento de Se­gurança Pública. Logo, vários policiais chegaram e me le­varam preso.

Foi assim que começou nossa vida conjugal. E, apesar de tudo, Deling nunca me abandonou nem lamentou a exis­tência para a qual Deus a chamou. Decidiu percorrer o ca­minho da cruz.

Desde que nos casamos, Deling tem enfrentado pressões tremendas de sua família, da comunidade, das autorida­des, enfim, de toda parte. E, mesmo assim, permaneceu to­talmente fiel. Decidiu ficar comigo e chegou a sofrer na pri­são por causa do Senhor.

Eu não poderia ter melhor esposa e parceira!

Poucos dias depois do nosso casamento, pegamos um ônibus para ir a uma reunião importante de líderes. Do lado de fora da rodoviária, o líder do Departamento de Assun­tos Religiosos me reconheceu. Agarrou-me pelo colarinho e falou:

- Fique quieto! Você não vai a lugar nenhum. Vai comi­go para o escritório do Departamento de Segurança Públi­ca (DSP).

Pegou também a maleta de Deling. De repente, o Espírito do Senhor me mandou correr. Gri­tei para Deling:

- Corra!


Com um salto, livrei-me do policial antes que ele se desse conta do que estava acontecendo. Ele largou a maleta e correu atrás de mim. Corria e gritava:

- Espião! Peguem o espião!

O tumulto se instalou na rodoviária. Pulei por cima de um muro e escapei da multidão. Foi um milagre. Depois, me contaram que o muro era alto demais e que uma pessoa nunca conseguiria pular por cima dele.

Durante a confusão, Deling também conseguiu escapar.

O DSP recuperou a maleta da minha esposa e encon­trou o endereço da reunião. Policiais foram até lá e prende­ram vários líderes que já haviam chegado.
*****
DELING: Gostaria de contar como conheci Yun. Depois da minha conversão, fui a uma vila próxima da minha, onde, uma vez por ano, era realizado um grande culto com batismos. Eu também, nova con­vertida, seria batizada.

Era novembro, e já fazia bastante frio. Por motivos de segurança, o batismo começou por volta da meia-noite. Achávamos que os funcio­nários do DSP jamais deixariam a cama quentinha no meio da noite fria para nos prender, mas estávamos enganados. Por volta de 1:00h da madrugada eles chegaram e levaram mais de cem cristãos.

O Irmão Yun era um dos que estavam batizando os convertidos. O DSP mandou fazermos duas filas para anotar os nomes e identificar cada um. Yun também se encontrava na fila, mas escapou quando os funcionários estavam distraídos. Foi como se Deus os tivesse cegado para que eles não enxergassem Yun.

Eu já o vira algumas vezes, nas reuniões de domingo à noite na casa dele. Mas essa experiência no batismo me causou uma impres­são muito forte. Achei que ele era meio louco!

Nosso casamento foi arranjado por nossas mães, como é nosso costume. Depois que minha mãe foi curada e salva, ela decidiu que iria encontrar um pregador para casar comigo, e Yun era o único dispo­nível em toda a região! Minha mãe visitou a dele, e as duas acertaram tudo.

Essa decisão teve preço elevado para minha mãe. Quando ela con­tou à minha família que eu ia me casar com um pregador, meu pai e meus irmãos ficaram furiosos. Para eles, isso era pior do que me entregar a um mendigo. Sabiam que Yun não tinha dinheiro e não pode­ria dar à minha família presentes nem dinheiro, como era o costume. Tentaram de todas as formas impedir nossa união, mas minha mãe permaneceu inflexível.

Dessa forma se arranjavam os casamentos em nossa região na­quela época. Embora ainda hoje muitos casamentos sejam combina­dos, cada vez mais jovens escolhem, eles mesmos, com quem vão se casar.

Mesmo depois que ficamos noivos, minha família continuou a dei­xar claro que não tinha nada a ver com Yun. Sendo assim, embora a vila em que ele morava ficasse a apenas 1,5km da nossa, não voltamos a nos encontrar nem a conversar antes do casamento. O pai de Yun mor­reu antes da nossa união, e não tive a oportunidade de conhecê-lo.

Quando nos casamos, eu era muito nova, tinha apenas 18 anos. Minha mãe disse que, apesar de Yun ser um pregador muito pobre, era para eu me casar com ele; então não questionei. Não tinha a menor idéia do que fosse o casamento. Não havia como saber o que o futuro reservava para mim. Era apenas uma garota observadora, muito sim­ples e inocente.

Antes da cerimônia, eu e Yun fomos ao cartório de registro civil para requerer a licença. Depois que terminamos de preencher toda papelada, aguardei-o do lado de fora durante muito tempo, mas ele não saiu. Vi que não adiantava ficar esperando e voltei para casa.

Só mais tarde soube que os funcionários haviam notado, quando ele escrevera seu nome nos formulários, que ele era procurado pelo DSP por ser pregador ilegal, e ele havia sido preso na mesma hora! Eles já sabiam que ele estava pregando o evangelho por toda a provín­cia.

Foi assim que a nossa vida em comum começou! Mesmo com a demora que a prisão dele ocasionou, passou-se pouco mais de um ano entre o dia em que ficamos noivos e a data do casamento.

Nós nos casamos em 28 de novembro de 1981, um lindo dia ensolarado. O Presbítero Fu dirigiu a cerimónia na casa de Yun. Foram montadas mais de vinte mesas que acomodavam de oito a dez convi­dados cada uma, então havia cerca de 200 pessoas. Seguindo nossa cultura, o casamento foi na casa do noivo, e meus pais não tiveram permissão de ir. Meus irmãos e todos os parentes de Yun estavam presentes.

Lembro-me de que houve uma pregação, depois o Presbítero Fu nos abençoou e, de repente, estávamos casados!

Na lua-de-mel, viajamos junto com uma irmã para uma reunião. Estávamos acabando de sair da cidade de Nanyang quando o líder do Departamento de Assuntos Religiosos do nosso distrito reconheceu Yun e agarrou-o pelo colarinho.

Eu e a irmã corremos para o banheiro feminino e começamos a rasgar a Bíblia de Yun e os livros cristãos. Sabíamos que seria um problema sério se eles descobrissem que os livros haviam vindo de outros países.

O homem começou a gritar todos os crimes que Yun supostamente cometera e, na confusão, meu marido conseguiu se safar e fugiu. Encontrei-me com ele mais tarde, no mesmo dia.

Três ou quatro meses depois, estávamos em uma reunião a cerca de 30km da nossa casa. Yun havia sido preso mas conseguira fugir. Então, daquele tempo em diante, tornou-se foragido e não podia voltar para casa. Assim, ficava sempre indo de um lugar a outro, pregando o evangelho por toda a China.

O Irmão Xu nos apresentou a Zhang Rongliang, que se uniu a Yun para a obra. Xu e Zhang lideravam redes diferentes de igrejas domésti­cas, mas o irmão Xu disse ao meu marido:

"Vá como representante do nosso movimento. Faça novas amiza­des e seja uma bênção no grupo de Zhang."

A tensão de saber que meu marido estava constantemente fugindo da polícia mais as dificuldades cotidianas foram demais para mim. Engravidei, mas sofri um aborto meses depois. Perdemos um menino.

Era muito penoso ir à estação de trem ou de ônibus e ver nas paredes fotografias do meu marido como "procurado", um fugitivo da lei.

Por certo há muita ação no cargo de esposa de Yun! Meus instintos femininos muitas vezes ansiavam por uma existência mais tranquila e uma vida familiar estruturada, mas a perseguição em geral tornou isso impossível.


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