A história emocionante de um cristão chinês que levou sua fé às últimas conseqüências



Baixar 1.03 Mb.
Página9/31
Encontro29.07.2016
Tamanho1.03 Mb.
1   ...   5   6   7   8   9   10   11   12   ...   31

7. Deus quer todo o meu coração

Passamos meses sendo caçados como animais, sem sa­ber onde dormiríamos à noite ou quando as autorida­des iriam nos encontrar.

O governo e o Movimento Patriótico das Três Autono­mias estão enganando muitos cristãos em todo o mundo. Insistem em dizer que existe liberdade religiosa na China, que o povo tem liberdade de escolha. Com ousadia, afir­mam que nenhum cristão é perseguido por causa da fé.

Minha experiência pessoal - bem como a de milhares de outros crentes das igrejas domésticas - é bem diferente. Em uma ocasião, fui preso e as autoridades me deixaram esco­lher se eu queria receber choques elétricos ou ser açoitado com uma corda. Zombaram de mim, dizendo:

"Você tem liberdade para escolher."

Só existe "liberdade" na China se o indivíduo se dispu­ser a fazer, falar, viver e adorar exatamente como o gover­no determina. Qualquer pessoa que deseje uma vida santa e procure obedecer aos ensinamentos de Jesus logo desco­brirá que a liberdade é bem limitada.

Depois da surra que levei em Shaanxi, minha boca ainda ficou sangrando por várias semanas. Enquanto eu esta­va me recuperando, a igreja decidiu me enviar à Província de Hubei, que fica ao sul do país.

Durante essa viagem, vivenciamos muitos milagres. Aconteceram muitas curas pelo poder do Espírito Santo.

As autoridades estavam empenhadas em nos pegar, de modo que meus colaboradores passaram a se preocupar muito com minha segurança. Assim, fui transferido para o norte de Hubei.

Dormíamos em cavernas e fugíamos a pé de um lugar a outro. Vivíamos com as roupas rasgadas e o cabelo desgre­nhado. Causávamos aversão e éramos considerados "lixo do mundo, escória de todos" (1 Co 4.13).

Passei longo tempo no norte de Hubei. Houve muitos milagres, e o evangelho alcançou milhares de pessoas. Isso chamou a atenção do DSP e do governo, fazendo com que a fronteira entre Hubei e Henan ficasse em estado de aler­ta.

A tempestade da perseguição nos atingiu.

Surgiram cartazes nas ruas das cidades declarando que todas as igrejas domésticas ilegais seriam destruídas, e os líderes, presos. Alto-falantes proclamavam por toda a re­gião que os pastores de Henan infringiam a lei e seriam presos.

As rádios também transmitiam os avisos. Advertiam as pessoas para não darem ouvidos a nós e relatarem às auto­ridades qualquer informação sobre nosso paradeiro.

Dirigimos uma reunião na casa de um crente nos arre­dores de Heping, cidade do norte de Hubei. Um vento frio soprava do Norte, da Sibéria, e a temperatura despencou para bem abaixo de zero.

Ficamos sabendo que um irmão chamado Enshen havia sido condenado à prisão naquela manhã. A situação era tão tensa e os riscos tão grandes que nem os cristãos tive­ram coragem de nos deixar passar a noite na casa deles. Sabiam que seriam condenados a muitos anos de prisão se fossem pegos nos abrigando. A dona da casa em que está­vamos ajoelhou-se e implorou que fôssemos embora.

Pedi a ela:

- Somos estrangeiros procurados pela polícia. Será que a senhora não poderia nos dar pelo menos um cobertor velho para nos aquecermos na noite úmida e fria?

- Se vocês forem pegos, o DSP saberá que o cobertor era nosso e virá atrás de nós, replicou ela.

Por fim, sem esperança de conseguir nem ao menos uma coberta, eu e meus companheiros partimos. Andamos nas tre­vas, tremendo, famintos, molhados e com frio. Vários cachor­ros começaram a uivar. Tivemos a impressão de estarem zom­bando de nós. Tamanha era a escuridão que eu não via nem meus dedos quando estendia o braço à minha frente.

Até nossos irmãos haviam nos rejeitado.

Foi assim que Deus escolheu nos ensinar, para que cla­mássemos e confiássemos apenas nele em busca de proteção e sustento. Em meio a muitas lágrimas clamamos a ele.

O vento gelado nos açoitava. Eu, Zhang Rongliang e os outros companheiros continuamos andando, tentando nos manter aquecidos. Cantávamos, mesmo com os dentes ran­gendo. Andamos um pouco sem rumo e nos deparamos com vima pilha de feno em um campo. Fizemos um buraco na palha, em busca de proteção contra o frio cortante, mas só havia espaço para uma pessoa. Uma das irmãs se arras­tou para dentro do monte de feno. Eu e o Irmão Zhang continuamos a andar na escuridão. Tínhamos enrolado um saco velho, rasgado, em volta do corpo para tentar nos aque­cer um pouco.

Andamos cerca de 2km e chegamos a um grande tan­que de peixes. O DSP nos procurou a noite toda na vila, mas estávamos encolhidos em um arbusto à beira do tan­que. Depois da meia-noite, a temperatura despencou ain­da mais. O vento passou a soprar com mais força, e come­çou a chover. As gotas de chuva congeladas nos perfura­vam como pregos e pareciam atingir os ossos. Nossos den­tes batiam, e o estômago, vazio, roncava. Eu e o Irmão Zhang nos abraçamos, tentando nos manter aquecidos.

Ajoelhamos na beira do tanque de peixes e oramos:

"O Senhor, por amor do teu precioso sangue que derramaste na cruz, tenha misericórdia da nossa nação. Por fa­vor, dissipa as nuvens escuras que cobrem a China."

Por volta das 4:00h da madrugada, eu me sentia tão desalentado que me afastei um pouco e gritei ao Senhor. De repente, no frio, recebi uma visão do Espírito Santo.

Vi o céu escuro. Uma imensa tempestade de areia levantou-se no deserto e me envolveu. Ouvi o som do tro­vão, mas não chovia. Subitamente, uma grande inunda­ção veio do Norte. Um paredão de água se aproximava bem rápido e estava prestes a me carregar. Nesse momen­to eu gritei:



"Ó Deus, salva-me!"

Então vi um jarro imenso, com cerca de um metro de altura, flutuando na minha frente. Agarrei-o e pulei dentro dele o mais rápido que consegui. Imediatamente caiu do céu um guarda-chuva que cobriu a boca do jarro. Segurei o guarda-chuva sobre mim enquanto a chuva torrencial des-pencava. E eu não me molhei. A inundação foi me carre­gando. Pedras e entulho se chocavam com o jarro e o faziam se mover, mas eu estava seguro.

De dentro do jarro, levantei os olhos e vi irmãos e irmãs de muitas partes da China. A polícia os detinha, espanca­va e enviava para as prisões. Vi uma onda terrível de perse­guição, mas eu estava completamente impossibilitado de ajudar. Só podia clamar.

Quando a visão acabou, eu me lamentei, amargurado, com o Senhor:

"Por que não tens força para proteger a mim e aos ou­tros crentes? Sei que também vou ser preso. Vou cair nas mãos do DSP. Eu tenho mãe e esposa. Por que estás me tratando assim?"

Apesar da minha ira, ele não me respondeu.

Eu não podia voltar para casa, pois seria preso. Não po­dia ajudar meus irmãos e irmãs que estavam sendo tortu­rados por toda a China. Sentia-me muito frustrado. Não podia ir para frente nem voltar atrás.

Deus usou essas circunstâncias para me mostrar que queria meu coração totalmente comprometido com ele.

Nessa situação desesperadora, uma nova canção começou a se formar em minha mente:
Enquanto viver, apenas amarei meu Senhor

De todo o coração, força e mente, apenas amarei meu Senhor

Aconteça o que acontecer, apenas amarei meu Senhor

Em todos os atos e palavras, apenas amarei meu Senhor

Em tempos de humildade e aprendizado, apenas amarei meu Senhor

Em tempos de alegria e contentamento, apenas amarei meu Senhor

Viva eu faminto ou saciado, apenas amarei meu Senhor

Sou dele na vida ou na morte, apenas amarei meu Senhor

O Senhor sacrificou sua vida por mim

Meu pecado profundo foi perdoado

Dediquei toda minha vida a ele

Apenas amarei meu Senhor.


Compartilhei a visão com o Irmão Zhang. E em seguida lhe disse:

"Temos de sair daqui agora. O Senhor vai nos proteger. Ele será nosso refúgio."

Prosseguimos em nossa jornada, sem nem esperar o dia amanhecer.

Eu sentia, com mais intensidade, que estava nas mãos do Senhor, a despeito da situação que viesse a enfrentar. Ele me resgataria. Voltei a caminhar, segundo o chamado de Deus.

Senti vergonha e culpa pela forma como havia me quei­xado ao Senhor. Contudo ele foi paciente e amoroso. Não me tratou como eu merecia, mas com bondade cuidou de mim, como a águia faz com seus filhotes.
*****
DELING: No início da década de 1980, desfrutávamos de mais companheirismo e unidade do que antes. A pressão nos obrigava a confiar no Senhor e uns nos outros para sobrevivermos.

O amor dos irmãos encheu meu coração de consolo. Além disso, testemunháva­mos muitos milagres em nosso ministério. Curas, libertação de demô­nios e visitações sobrenaturais eram fatos comuns.

Apesar das dificuldades - ou talvez por causa delas - a igreja cres­cia rapidamente. O fogo do avivamento do Senhor ardia por toda a China.

Alguns eventos notáveis levaram milhares de pessoas a encontrar a salvação na cruz.

Em Yenzhang, minha vila, um secretário do partido comunista, chamado Zhang, perseguira e torturara cristãos por vários anos. Como o apóstolo Paulo antes de se encontrar com Jesus, parecia sentir pra­zer em destruir a igreja.

Numa fria noite de inverno, eu, Yun, minha mãe, o Irmão Fu e alguns irmãos fomos até a Vila Yenzhang. Visitamos uma família cris­tã e oramos por eles. Cerca de 30 crentes foram se achegando. Então resolvemos fazer uma reunião.

Um vizinho ouviu nosso louvor e nos denunciou ao secretário do partido, o Sr. Zhang. Este enviou uma equipe do DSP à casa em que acontecia a reunião. Chegaram com cassetetes e cordas para nos prender e nos levar para o posto policial.

O secretário do partido tinha um irmão doente mental que mora­va numa vila próxima dali. Exatamente na hora em que o DSP foi enviado para acabar com a reunião, o diabo colocou um espírito assassino na mente e no coração do irmão do secretário. O louco agarrou a mãe, que tinha 80 anos, e cortou o pescoço dela com uma faca enferrujada. Depois, jogou o corpo numa latrina do lado de fora da casa.

No momento em que os oficiais entraram no pátio da casa, o Irmão Fu, um senhor já idoso, conduzia os cânticos. Eles chutaram a porta e foram logo batendo no Irmão Fu com os cassetetes. Pareceu uma eternidade o tempo que ficaram torturarando-o. Ele quase mor­reu. Depois, amarraram seu corpo inconsciente. A única coisa que podíamos fazer era orar por nosso amado pastor.

Depois, jogaram a mãe de Yun no chão e a chutaram com brutali­dade. Estavam prestes a amarrá-la também quando repararam que havia jovens na reunião. Preferiram usar as cordas em nós, e nos levaram a todos para a delegacia.

Eles nos colocaram na cela para passar a noite, pretendendo se ocupar de nós quando o dia raiasse. Durante a noite, o secretário recebeu a trágica notícia:

"Seu irmão caçula matou sua mãe! Encontraram o corpo dela, sem a cabeça, na latrina!"

Ele correu para casa e se esqueceu de nós. De manhã, ouvimos a notícia e clamamos ao Senhor por misericórdia para o secretário e sua família, para que eles se arrependessem e recebessem o perdão.

Quando o secretário chegou em casa, encontrou o irmão deitado na cama. Então perguntou a ele:

- Onde está nossa mãe?

- Eu já a matei e joguei o corpo na latrina, respondeu o irmão. Dominado pela ira, o secretário gritou:

- Por que você fez uma coisa tão terrível?

- E você, por que persegue os cristãos? Foi porque você os perse­gue que eu tive de matar nossa mãe, replicou o louco.

Então, ele puxou a longa faca enferrujada e tentou atacar o irmão, mas os oficiais do DSP que haviam acompanhado Zhang o contiveram. Prenderam o assassino e o levaram para o posto policial.

O DSP e todos da região acreditaram que o acontecido fora julga­mento de Deus sobre a família de Zhang por causa da perseguição aos crentes. As autoridades então nos deixaram em paz. Esse incidente deixou todos na vila perplexos. Eles confessaram:

"Jesus é mesmo o Deus vivo!"

Com isso, todos se converteram e foram batizados.

Os cristãos demonstraram amor e compaixão ao secretário e à família dele por causa da perda. A família foi profundamente tocada e todos se humilharam e receberam a Jesus. Isso me fez lembrar de um texto da Bíblia: "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Rm 8.28).

Muitos dos novos convertidos da vila de Yenzhang se compromete­ram a servir a Jesus de todo o coração. Decidiram levar o evangelho a regiões que jamais haviam ouvido o nome de Jesus.

No ano de 1983, de várias maneiras, e através de muito derrama­mento de sangue, o evangelho se espalhou rapidamente enquanto en­frentávamos duras lutas.


Catálogo: autores -> Biografias%20y%20Historia%20de%20la%20Iglesia
autores -> Norman L. Geisler William E. Nix Introdução Bíblica Como a Bíblia chegou até nós
autores -> Intelectuais e resistência democrática: vida acadêmica, marxismo e política no Brasil Milton Lahuerta
autores -> Victorien Sardou Amargo Despertar Comédia dramática em três atos
autores -> Humberto Mariotti Dialéctica y Metapsíquica (1929)
autores -> Herculano Pires Pedagogia Espírita █ Conteúdo resumido
autores -> Sociedade Espírita Fraternidade
autores -> Herculano pires
autores -> A doutrina Espírita Vista por Amílcar Del Chiaro Filho
autores -> ANÁlise do perfil dos usuários dos parques urbanos da bacia da pampulha – belo horizonte, mg
Biografias%20y%20Historia%20de%20la%20Iglesia -> Francisco A. McGaw o homem que Orava a história de João Hyde, que ganhou 100 mil indianos para Cristo


Compartilhe com seus amigos:
1   ...   5   6   7   8   9   10   11   12   ...   31


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal