A história nas obras do pas/UnB



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A história nas obras do PAS/UnB
1ª Etapa


A obra

O período histórico

Discurso da servidão voluntária

Etienne La Boétie



Outro filósofo desse período, e grande amigo do autor, chamado Michel de Montaigne, foi quem divulgou esse trabalho pela Europa. Foi ele também que disse que o livro foi escrito por La Boétie quando esse tinha entre 16 e 17 anos. Quase a mesma idade dos estudantes que farão o PAS/UNB. O livro foi produzido em pleno Renascimento Cultural na França, em meados do século XVI, e é uma grande defesa à liberdade individual. É o momento histórico em que se desenvolveram novas formas de interpretar a realidade partir da razão e da observação, usando e desenvolvendo novos conhecimentos científicos e matemáticos. Isso provocou uma grande mudança na forma como os homens enxergavam e compreendiam o universo, o mundo, a natureza, a sociedade e a si próprios

Cartas Chilenas

Tomás Antônio Gonzaga



O autor, filho de mãe portuguesa e pai brasileiro, nasceu em 1744 em Portugal, residiu em várias cidades do Brasil, estudou direito em Portugal onde teve contato com as idéias de autores iluministas que pregavam a razão e a liberdade e, por fim, era magistrado em Vila Rica, Minas Gerais, durante a decadência da mineração do ouro na região (décadas de 70 e 80 do século XVIII). O momento era de crise na extração do ouro e Portugal apertava cada vez mais a região em busca do metal. Essa pressão levou ao desenvolvimento de um movimento de independência colonial conhecido como Inconfidência Mineira no ano 1789 e que teve a participação do autor. A Revolta não chegou a acontecer, mas, pela participação nesse movimento, Tomás Antônio Gonzaga ficou preso por três anos e por fim foi mandado para Moçambique, na África. A Inconfidência Mineira não consta nos objetos de avaliação da 1ª etapa/2009, mas, atenção, o Iluminismo apareceu na prova do PAS/UnB 2007 ligado ao Arcadismo, escola literária que o autor faz parte, e às revoltas coloniais do século XVIII.

A pele do lobo

Arthur de Azevedo



Artur de Azevedo é irmão de outro importante autor brasileiro da segunda metade do século XIX, Aluísio de Azevedo. O autor foi dramaturgo, poeta, contista e jornalista em um momento muito especial do Segundo Reinado (1840 – 1889) onde dois importantes movimentos se desenvolveram no Brasil: o abolicionismo e o republicanismo. A peça, A pele do lobo, é uma sátira a sociedade do Rio de Janeiro e foi encenada pela primeira vez em 1877. Desde o fim da Guerra do Paraguai (1864 – 1870) a monarquia e a escravidão perdiam força e muitas foram as críticas e sátiras a elas. É importante perceber nesse período a oposição entre a defesa da liberdade e dos direitos do cidadão e de outro lado a sociedade e os poderes de agentes governamentais mostrados pelo autor na obra. Esse período histórico não esta dentro dos objetos de avaliação da 1ª etapa, mas certos aspectos podem ser apontados na avaliação, como por exemplo, liberdade, direitos, cidadania e democracia.

A alma encantadora das ruas

João do Rio



Há uma coincidência de datas entre essa obra, de João do Rio, e Artur de Azevedo, a obra foi publicada em 1908 no Rio de Janeiro, mesmo ano que Artur de Azevedo faleceu na mesma cidade. Outra semelhança é a preocupação de João do Rio em querer retratar a cidade e as pessoas, assim como fez Artur de Azevedo. A mesma cidade observada em épocas diferentes: 1877 e 1908. Será que muita coisa mudou nesse período de tempo, em que ocorre o fim da monarquia e o início da república no Brasil? Abolição da escravidão, implantação da república, a Constituição e a ampliação do direito ao voto são algumas mudanças, mas muitas se mantiveram como o preconceito, a pobreza e a marginalização de muitos. Assim como no caso do livro A pele do lobo esse período não consta nos objetivos de avaliação da 1ª etapa, mas certos conceitos, ligados ao conhecimento histórico de outros períodos e a obra, podem ser avaliados no PAS.

Almanaque Brasil Socioambiental 2008

Beto Ricardo e Maura Campanili

(Instituto Socioambiental)


O almanaque apresenta um panorama atualizado dos ambientes brasileiros e das discussões atuais sobre as questões socioambientais no Brasil e no Mundo. A situação ambiental atual é vista, por muitos, como crítica e uma consequência do processo histórico mundial ocorrido nos últimos séculos e, dessa forma, podemos usar o conhecimento histórico para entender como se desenvolveram problemas ambientais tão complexos e que refletem na vida de bilhões de pessoas. Saber como chegamos a essa situação nos dá condições de mudarmos de rumo e tomarmos decisões que, no futuro, podem evitar grandes crises ambientais.

Artigo 5.º da Constituição da República Federativa do Brasil (dos direitos e garantias fundamentais)

O artigo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil é, talvez, o mais importante da nossa atual Constituição por definir a igualdade entre todos e nossos direitos básicos como cidadãos. Pode parecer pouca coisa, mas se olharmos ao longo da História do Brasil perceberemos que isso é o resultado de séculos de lutas e que muitos morreram defendendo algo tão simples aos nossos olhos hoje em dia. De certa forma, grande parte das obras adotadas para 1ª etapa do PAS/UnB estão ligadas a esse artigo da Constituição: A defesa de liberdade por La Boétie ainda no século XVI; a liberdade e igualdade pregada pelos iluministas europeus no século XVIII e materializada na inconfidência de Tomás Antônio Gonzaga; as críticas aos poderes do Estado e de seus servidores na peça de Artur de Azevedo; a crítica social de João do Rio mostrando a marginalização e o preconceito no meio urbano; e, finalmente, os dados e discussões levantadas pelo Almanaque Socioambiental chamando nossa atenção para a responsabilidade de todos, de igual maneira, para a preservação ambiental.

2ª Etapa



A Obra

O período histórico

Alegoria da caverna

Platão


Alegoria da caverna é um dos livros que compõem a obra República. Escrito por Platão durante o auge de Atenas como potência econômica no mundo grego, é uma crítica a falta de objetividade dos homens ao enxergar a realidade, já que não vêem além de sombras e por isso não interferem na mesma realidade para alterá-la ou transformá-la.

Discurso do Método

Renê Descartes



No Discurso do Método, René Descartes, que viveu em várias regiões da Europa no século XVII, apresenta seu método de pesquisa, que tem como orientação a razão. Seu objetivo era se afastar de toda a influência externa e assim alcançar uma verdade absoluta e inegável racionalmente. Apesar dessa obra ter sido criticada por outros filósofos e cientistas nos séculos posteriores, sua importância histórica é inegável para o desenvolvimento do Iluminismo. O Iluminismo talvez seja o mais importante objeto de conhecimento da 2ª etapa do PAS/UnB, já que a divulgação e aplicação de suas idéias provocaram inúmeras transformações e revoluções na Europa e na América, como por exemplo, a Revolução Inglesa, a Francesa e as independências dos EUA e da América espanhola. Nas origens desse movimento político-filosófico racionalista está o Discurso do Método de René Descartes. Uma dica, a crítica de Platão aos homens que não enxergam a realidade e pouco fazem para alterá-la, na Alegoria da Caverna, está sendo retomada por Descartes e os iluministas do século XVIII.

Juiz de paz na roça

Martins Pena



A obra é uma sátira a sociedade e a política brasileira do início do século XIX. A história se passa durante o Período Regencial (1831 -1840), que foi a época mais conturbada do período imperial brasileiro por conta das revoltas que explodiram de norte a sul no Brasil. A trama se desenvolve em uma pequena cidade do interior do Rio de Janeiro em meio as confusões provocadas pela convocação obrigatória de homens, determinada pelo governo regencial, para lutar na guerra da Farroupilha contra os revoltosos do sul e os mandos e desmandos do juiz de paz, a maior autoridade da região. Deve-se dar atenção especial aos elementos históricos da obra, tais como as características do Período Regencial, suas origens, as leis e atos criados nesse período que mudaram a interpretação da Constituição de 1824, criaram a Guarda Nacional, estabeleceram o Ato Adicional de 1834, aumentaram os poderes dos juízes de paz e, claro, as revoltas, principalmente a Revolução Farroupilha (1835 – 1845).

Germinal

Emile Zola



Essa fantástica obra de Emile Zola mostra de maneira extremamente realista a péssima situação dos trabalhadores franceses nas minas de carvão do século XIX em meio a uma crise econômica mundial que reduziu o consumo e o preço do carvão mineral, matéria-prima fundamental para a Revolução Industrial. O autor apresenta dois mundos: o dos trabalhadores famintos e doentes e o dos patrões, a burguesia, ricos e fúteis. Nesse ambiente de profundos contrastes e em meio a organização de uma greve de mineiros, comunistas e anarquistas disputam a atenção dos trabalhadores e apresentam seus argumentos para a radicalização do movimento e transformação social. São inúmeras as referências históricas nessa obra: marxismo e o anarquismo, as conseqüências sociais da Revolução Industrial, o papel do Estado repressor que defende os interesses da burguesia, a futilidade da vida burguesa, a promiscuidade sexual entre os trabalhadores, a xenofobia européia e o desenvolvimento da globalização econômica.

Dom Casmurro

Machado de Assis



A estória de Dom Casmurro se passa na segunda metade do século XIX, em pleno Segundo Reinado, no Rio de Janeiro. O autor colocou as personagens interagindo com a cidade em seus bairros, ruas, igrejas, nobres e pessoas comuns, explorando assim a verossimilhança, que é uma de suas marcas. Em vários trechos da obra personagens reais, importantes figuras políticas do Império, aparecem ou são citados por Machado de Assis, como, por exemplo, o Imperador e o Padre Diogo Feijó. Essa obra é um documento histórico por caracterizar a capital imperial em seu auge, mostrando os tipos urbanos, fazendo referências a lugares e paisagens, inclusive alguns que não existem mais. A sociedade da Corte, o Rio de Janeiro, é mostrada de uma forma crítica em relação às suas tradições, mitos, estruturas e preconceitos, como, por exemplo, os papéis sociais da mulher e do homem em uma sociedade que queria ser moderna, mas ainda era regida pelo machismo. Uma dica: dê uma olhada nas provas do PAS/UnB dos dois anos anteriores para ver como essa obra foi usada para fazer ligações entre os objetos de avaliação de história e literatura.

3ª etapa


A Obra

O período Histórico

O Manifesto do Partido Comunista

Karl Marx e Friedrich Engels



Essa obra foi escrita publicada em 1848 no auge da Revolução Industrial e se baseou nas péssimas condições de vida e trabalho da classe trabalhadora, principalmente a inglesa. Marx e Engels apontam o caminho que a classe trabalhadora tomaria para chegar ao poder e acabar com o Capitalismo e a divisão de classes sociais imposta pela burguesia. Para eles, esse caminho era inevitável e fatalmente os trabalhadores se uniriam e fariam uma revolução operária. A argumentação parte de uma análise histórica, que na visão marxista, prova a inevitabilidade de uma revolução operária e o fim do capitalismo, gerando uma sociedade mais justa e igualitária: o comunismo. O fim inevitável do capitalismo pregado por eles não ocorreu, mas o livro é um grande documento histórico de um período de profundas contradições socioeconômicas.

Crepúsculo dos Ídolos - A filosofia a Golpes de Martelos

Friedrich Nietzsche



Nietzsche escreveu esse livro em 1888 pouco antes de perder a sanidade mental definitivamente e é uma grande explicação de suas idéias e críticas aos filósofos e escolas filosóficas do período. Historicamente é o momento do nascimento da modernidade, marcado pela formação de dois novos Estados-nações na Europa, Alemanha e Itália, ambas em 1870, pelo auge do imperialismo europeu sobre a África e Ásia, pelo rápido crescimento econômico dos EUA, pelos avanços científicos, principalmente da biologia e da consolidação do capitalismo industrial-financeiro.

Vestido de Noiva

Nelson Rodrigues



A peça Vestido de noiva foi encenada pela primeira vez em 1943 e é um marco do teatro brasileiro. Seu texto, ácido e crítico, é um ataque a classe média do início dos anos quarenta com suas hipocrisias e suas famílias perfeitas aos olhos de todos, mas podres por dentro. O nome da peça é uma alusão ao destino reservado às mulheres nessa sociedade: o casamento, onde elas se realizariam como mães e esposas. A peça foi encenada em pleno Estado Novo (1937 – 1945), a ditadura de Getúlio Vargas, com forte repressão e censura aos meios de comunicação através do DIP, o Departamento de Imprensa e Propaganda e pela participação do Brasil na 2ª Guerra Mundial (1939 – 1945).

Incidente em Antares

Érico Veríssimo



No livro Incidente em Antares, em função de uma greve dos coveiros, sete pessoas mortas não foram enterradas e se levantam de seus caixões para exigir seus enterros. Isso ocorre no dia 13 de dezembro de 1963. Esse fato marca o início da segunda parte o livro e para chegar até ai e contar essa estaria fantástica, Érico Veríssimo, apresenta na primeira parte do livro uma viagem a história do Brasil e do Rio Grande do Sul. O autor criou uma cidade fictícia, Antares, no Rio Grande do Sul e narra desde a sua fundação no início do século XIX a trajetória das duas famílias latifundiárias e mandatárias da cidade (os vacarianos e os campolargos) até dezembro de 1963, passando por várias fases da história brasileira e do Rio Grande do Sul: o Período Regencial e a Farroupilha, todo o Segundo Reinado e sua bipolarização partidária, a abolição da escravidão, a proclamação da República, as disputas regionais entre castilhistas e borgistas nos primeiros governos republicanos, a política do café-com-leite, a aliança dos coronéis em torno de Getúlio Vargas e sua ascensão política nacional, a Revolução de 30, a ditadura de Vargas e o Estado Novo, a redemocratização, a volta de Vargas e seu suicídio em 1954, o governo JK, o curto governo de Jânio Quadros e o conturbado governo de João Goulart até meses antes do golpe militar de 1964.

Critica da Razão Tupiniquim

Roberto Gomes



Escrito no final dos anos 70 esse livro é uma crítica a forma submissa como os brasileiros pensam e enxergam as influências culturais externas, que fizeram com que no Brasil haja uma supervalorização daquilo que é externo, principalmente europeu e estadunidense, e uma desvalorização do que é interno, ou nacional. Esse tema permeia várias obras de referência do PAS/UnB na 3ª fase.

Saber cuidar

Leonardo Boff



O livro de Leonardo Boff é um convite a reflexão sobre temas atuais e delicados como a preservação ambiental e o respeito e o cuidado com o próximo e a si mesmo em meio ao mundo moderno tecnológico, resultado das transformações ocorridas desde a Revolução Industrial, e que nos leva ao isolamento e a falta de sentimento em relação aos outros.



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