A história no pensamento de professores das séries iniciais do ensino fundamental



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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRAN DE DO NORTE

CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO

DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO

A HISTÓRIA NO PENSAMENTO DE PROFESSORES DAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Autora: Francisca Lacerda de Góis – PPGEd/DEPED/UFRN


I – INTRODUÇÃO
O trabalho se insere num projeto de pesquisa por nós coordenado, denominado O Ensino da História através de conceitos: uma perspectiva para formação continuada de professores. Essa pesquisa se encontra atrelada a um estudo mais amplo intitulado Currículo, saberes e práticas educacionais, coordenado pelo professor Jefferson Alves do DEPED / UFRN.

Trata-se de uma proposta de intervenção na formação continuada de 70 professores oriundos do PROBASICA Pólo Ceará-Mirim, e alunos do 6º período do Curso de Pedagogia da UFRN, com o propósito da construção de novos conhecimentos. No momento, para esse evento, estamos trazendo alguns resultados atinentes a questão da PROBASICA, dada a exigüidade do espaço – tempo.

Não é nossa intenção aprofundarmos o debate a respeito das mudanças paradigmáticas, sobretudo das que se referem a “Racionalidade Técnica” e ao “pensamento do professor”. No entanto, compreendemos que a natureza e a consistência desse pensamento incide diretamente na atuação dos professores em sala de aula. Cabrinni (2000).

Conhecer essas idéias, ou seja, as idéias dos professores a respeito da disciplina História e de seus conceitos básicos é imprescindível no sentido da elaboração de itinerários didáticos que considerem a perspectiva de se proceder uma mudança didática e conceitual como forma de produção de novos conhecimentos.

É nesse sentido, que o nosso estudo atenta para a necessidade de se compreender o pensamento dos(as) professores(as) sobre a história, com vistas a construção de novos conhecimentos, por compreender que as idéias são produtos de uma gênese e de uma transmissão sócio-cultural. O seu caráter individual tem suas raízes nas experiências do individuo, por sua vez, contextualizadas e mediadas sócio-culturalmente, conforme Rodrigo, Rodriguez e Marrero (1993).

A pertinência deste enfoque se deve a constatação da forma pela qual a referida disciplina é ministrada no contexto do sistema educacional brasileiro, particularmente no RN, com ênfase, entre outras coisas, a fatos já consagrados pela erudição.

Diversos estudos (Núñez e Ramalho, 2004; Bitencourt, 1997; Cabrinni, 1986), vem revelando a importância de se compreender a formação inicial e continuada dos professores no sentido da construção de novos saberes e, conseqüentemente, de itinerários didáticos capazes de promover mudanças substantivas na cotidianidade da atuação docente, ponto fundamental na questão compreensão e transformação do ensino.

As idéias dos professores elaboradas e influenciadas por seu contexto expressam e caracterizam um corpo de conceitos, valores e crença, muitas vezes ambivalentes, que influenciam diretamente a sua ação em sala de aula.

Segundo Martinez (1995) essas idéias,”são construtos psicológicos” que, dependendo da concepção que se tem sobre sua natureza e sua configuração, assumem diferentes termos no sentido de conceber a prática educativa e a função ou figura do professor. Esses termos são: atitudes, valores, juízos, axiomas, opiniões, ideologias, percepções, concepções, sistemas conceituais, teorias explicitas, teorias implícitas, entre outros. Esses termos se referem a forma pela qual o professor percebe, processa e integra a informação subsidiaria de sua ação em sala de aula.

Nesse estudo, optamos por investigar as idéias já internalizadas sobre a disciplina História, pelos alunos oriundos do PROBASICA, além dos alunos do 6º Período do Curso de Pedagogia, já mencionados anteriormente, por considerarmos que eles serão professores polivalentes.

Estudo a respeito das idéias dos professores revelam que elas são indiciárias de determinados construtos mentais que afloram como soluções para determinados problemas. Nesta mesma ordem, Marrero, (1997) e outros atentam para o fato de que os professores tem idéias bastante arraigadas sobre o mundo e seu funcionamento. Essas idéias, muitas vezes persistem apesar de, na escola, serem confrontadas com outras, passando algumas vezes, a coexistirem com os conhecimentos científicos. Os professores, portanto, possuem um marco conceitual internalizado que, por vezes, se apresenta inconsistente. Todavia, o esquema organizacional de cada pessoa é único, de forma que se torna difícil compreender e usar plenamente o esquema de outra pessoa. Por esta ótica de pensamento Ramalho e Núñez (1999) afirmam que o “modelo de atuação profissional é influenciado pelas idéias e concepções já internalizadas e se constitui num ponto de partida para se estudar os processos formativos.”

II - OBJETIVOS

Investigar a respeito das idéias dos(as) professores(as) sobre:

- O processo ensino-aprendizagem da História;

- A História como disciplina escolar;

- Os conceitos básicos da História: Tempo histórico, sujeito histórico e fato histórico.


III – QUESTÕES DE ESTUDO

- As idéias dos professores sobre o processo ensino-aprendizagem da História;

- As idéias dos professores sobre a disciplina História e sua importância no currículo do Ensino Fundamental;

- Os saberes já internalizados pelos professores a respeito dos conceitos de Tempo histórico, sujeito histórico e fato histórico.


IV – METODOLOGIA

Para identificação das idéias dos professores utilizamos dois instrumentos: o teste de associação livre de palavras e o questionário de perguntas abertas. A construção e validação destes instrumentos se fundamentaram na aceitação de que as informações obtidas seriam de grande importância para a formulação e práxis de estratégias didáticas subsidiárias da construção de novos conhecimentos.

Compreendemos que a utilização de diferentes instrumentos sobre o mesmo tema, assim como o cruzamento dos dados obtidos possibilitam a aquisição de maiores e mais completas informações para assim podermos emitir conclusões mais apuradas e consonantes com os objetivos do trabalho.

Para tanto, utilizamos a triangulação (cruzamento) de dados dada sua relevância no que se refere a validez dos dados obtidos, graças a possibilidade de contrastação, confirmação e correção. As informações obtidas através da contraposição e superposição das várias informações possibilitam a sua comparação e contrastação o que implica numa maior veracidade nos resultados obtidos.

Nesse estudo, os dados foram triangulados com base nos dois instrumentos já mencionados: o questionário de perguntas abertas e a associação livre de palavras. Dessa forma, esperava se obter um maior número de informações sobre a História e seu ensino escolar, assim como dos conceitos que lhe são inerentes no sentido da produção de novos saberes.

O questionário em primeiro lugar, tratou de caracterizar os professores envolvidos na pesquisa para, em seguida, utilizar perguntas abertas sobre o tema posto para estudo. O outro instrumento, qual seja a “associação livre de palavras”, constou da apresentação de uma palavra estímulo, no caso História e da solicitação para que, num certo espaço de tempo fossem associadas palavras afins, no sentido de detectar as idéias dos alunos sobre o tema.

Para o processamento dos resultados foi utilizada a análise de conteúdo, tendo em vista a possibilidade de reunir e quantificar determinadas categorias no sentido de diagnosticar as idéias internalizadas pelos professores a respeito da disciplina História.


V - CONCLUSÕES

A análise dos resultados sugere que a História enquanto disciplina ainda se encontra atrelada ao aporte tradicionalista, de inspiração positivista, cartesiana, associada a um modelo disciplinar específico: a historiografia oficial. É importante esclarecer que analisamos apenas uma parte dos instrumentos, qual seja a que se relaciona com as idéias dos professores a respeito da História.

A maioria dos professores ( 42%) identificaram a História com o passado. Um número significativo (28%) a associaram ao presente, ou seja, o presente compreendido à luz do passado. Para 1,4 % dos professores, “a História é a ciência que estuda o passado para compreender o presente com vistas ao futuro,” o que é indiciário de leituras de materiais didáticos diversos que apresentam graves erros conceituais, enquanto 1,1% a associaram a “própria vida do homem em sociedade”, demonstrando uma posição mais clara sobre o tema. 0,2% dos professores não responderam.

O nosso estudo se encontra em pleno desenvolvimento. A análise dos dados obtidos nos traz subsídios para continuidade de nossa proposta no sentido da busca e construção de novos significados para a História e seu ensino escolar.

Sabemos que o processo de mudanças, particularmente, de idéias já sedimentadas pelos professores não é espontâneo. Trata-se de um processo intencional que exige, continuamente, a análise crítica do percurso que está sendo percorrido.

Faz-se necessário, portanto, a continuidade da formação desses professores no sentido de dotá-los de possibilidades para que eles, de fato, exerçam seu papel de mediadores do processo ensino-aprendizagem da História, considerada a ciência que tem por objeto a explicação integral da evolução das sociedades humanas.

REFERÊNCIAS

BITTENCOURT, Cirse (Org.). O saber histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1997


______________ . Os currículos no ensino fundamental para as escolas brasileiras.: Campinas, São Paulo: Autores Associados, 1998.

CABRINI, C. et al. O ensino da História: revisão urgente. São Paulo: Brasiliense, 2000.


MARREIRO, Javier. Lãs Teorias Implícitas Del Professorado: Vínculo entre la cultura y la prática de la enseñanza. In: RODIGO, M. JOSÉ; RODRÍGUEZ, Armando; MARREIRO, Javier. Lãs Teorias Implícitas: uma aproximacion al conocimiento cotidiano. Madrid: Visor Editora, 1993.
NÚÑEZ, I. B. e RAMALHO (orgs.) 2004 Fundamentos do Ensino Aprendizagem das Ciências Naturais e da Matemática: O novo Ensino Médio. Porto Alegre – Sulina.
RAMALHO. B. L. e NÚÑEZ, I. B, 2003. Formar o professor, profissionalizar o ensino. Perspectivas e desafios. Publicidade. Porto Alegre: Sulina.

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