A hora do conto



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Encontro28.07.2016
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A HORA DO CONTO

Por Leda Fernandes

INTRODUÇÃO:

Sentadas em um espaço aconchegante de um a biblioteca pública, um grupo de crianças aguardam uma personagem muito especial: Uma viajante que traz em sua bagagem não roupas ou objetos, mais muitas histórias. É desta maneira que a atriz e pedagoga Leda Fernandes vem desenvolvendo na cidade de Lençóis Paulista o projeto “Hora do Conto”. Utilizando técnicas de interpretação e o direcionamento pedagógico adquirido a partir de sua formação, Leda procura conduzir as crianças pelo universo da literatura provocando a imaginação e a reflexão, agindo assim como facilitadora do processo de descoberta do prazer pela leitura. Realizado há dez anos nas Bibliotecas e Escolas de Lençóis Paulista (SP), a Hora do Conto tem o apoio da Prefeitura Municipal e empresas locais.



DESCRIÇÃO:

O projeto é dividido em dois momentos, a CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS e a OFICINA DE CAPACITAÇÃO DE CONTADORES DE HISTÓRIA. Nas sessões de contação, a atriz e pedagoga Leda Fernandes, devidamente caracterizada com o “Vendedora Viajante”, apresenta para as crianças um a seleção de livros, com o se fossem produtos valiosos, sentimentos e emoções indispensáveis que todos precisam adquirir. Estimulados pela atriz as crianças escolhem um dos exemplares para que esta lhes narre a história. Para a execução da narrativa, são utilizadas técnicas específicas para obter a atenção e envolver o público. As sessões de contação tem duração aproximada de 40 minutos e são realizadas em espaços que comportem um número médio de 30 a 50 expectadores por sessão. Para a acomodação do público é recomendada a utilização de pufes, tapetes e almofadas. O que possibilita conforto e o aconchego necessários para que a “magia” da contação de histórias opere com mais eficácia.

A oficina de capacitação tem duração média de 2 horas e é formatada para um grupo máximo de 30 pessoas, que são apresentados aos fundamentos pedagógicos e técnicas de contação de história. No primeiro momento, a pedagoga faz um a explanação das teorias que embasam a contação, das técnicas interpretativas (respiração, pausas, condução, preparação vocal) e narrativas para, a seguir, propor exercícios práticos. Nesta fase, os participantes deverão se experimentar na condição de contadores. Monitorados pela pedadoga, deverão criar seu próprio roteiro de contação, utilizando as técnicas recém-adquiridas e a criatividade.

A oficina tem ainda o objetivo de estimular o participante a manter seu próprio projeto de contação, provocando assim um efeito de continuidade do projeto nas bibliotecas e outros núcleos culturais.



OBJETIVOS

• Incentivar o hábito e o interesse pela leitura entre crianças e adultos;

• Divulgar e fomentar a tradição oral de transmissão de conhecimentos através da contação de histórias;

• Contribuir para um desenvolvimento infantil integral;

• Conscientizar sobre a conservação e cuidados com o livro;

• Capacitar educadores, pais e demais interessados a se tornarem contadores de história;



JUSTIFICATIVA DO PROJETO

A atividade de contação de histórias é antiga. Faz parte da aurora da cultura humana, quando o conhecimento era transmitido entre as gerações através da oralidade. As fontes orais permitem de um a forma organizada, o conhecimento e compreensão de valores sociais, religiosos e educacionais, normas, comportamentos veiculados de indivíduo para indivíduo. A tradição oral constitui um patrimônio imaterial. A adoção de técnicas, narrativas e dramáticas dentro das sessões de contação, criam um a atmosfera lúdica, propícia a uma melhor fruição desta arte, permitindo ao indivíduo o acesso à literatura na forma de uma experiência sensorial e, portanto, mais marcante. Segundo a Professora Marly Amarilha, Mestra em Literatura Brasileira, “...o acesso à contação de histórias promove condições de a criança desenvolver sua habilidade discursiva, quando lhe é conferida a possibilidade de recontar a história, desenhar e identificar os personagens e outras formas de representação. Enquanto lhes conta a história, o ouvinte (a criança) é levado a com portar-se com tão grande fascínio, que vai sendo envolvido para o livro e para o silêncio que são comportamentos comuns somente aos que conseguem exercer com o livro grande intimidade”.

Como ação social, a contação de história pode influenciar mudanças de comportamento através do estímulo ao o desenvolvimento de funções cognitivas importantes para o pensamento da criança, tais como a comparação (entre as figuras e o texto lido ou narrado) o pensamento hipotético, o raciocínio lógico, pensamento divergente ou convergente, as relações espaciais e temporais (toda história tem princípio, meio e fim). O s enredos geralmente são organizados de forma que um conteúdo moral possa ser inferido das ações dos personagens - porém sem o objetivo de limitar a interpretação da criança em sua individualidade - e isso colabora para a construção da ética e da cidadania em nossas crianças. Economicamente falando, o projeto pode beneficiar e estimular o oficio da contação de histórias que possui um a relação de simbiose com o mercado editorial brasileiro. Cada sessão é em si mesma um a divulgação do hábito da leitura e, por sua vez, uma divulgação do objeto livro.

METODOLOGIA

O trabalho foi desenvolvido embasado na pesquisa de ordem aplicada, onde segundo Rodrigues (2005, p.37): “objetiva a produção de conhecimentos que tenham aplicação prática e dirigidos à solução de problemas reais específicos. Envolve verdades e interesses locais” e teve como forma de avaliação a abordagem qualitativa, que segundo Demo (1995, p. 241):

Avaliação qualitativa é participativa, porque fazemos qualidade coincidir com participação, em seu núcleo mais central. Não é possível fazer avaliação qualitativa à distância, ou de modo intermitente, esporádico, por encomenda, por terceiros. Convivência é o mínimo que se exige.

A metodologia do trabalho também foi pesquisada e elaborada de acordo com Melo e Urbanetz (2009, p. 20):

Ser pesquisador é uma atividade de muita responsabilidade, o que, no geral, é atributo de qualquer profissão. Consideramos apenas que, nessa atividade, a responsabilidade do pesquisador é referente a toda a sociedade, a qual deposita no seu grupo de pesquisadores as esperanças de estes possam, com suas descobertas, melhorar a qualidade de vida, encontrar a cura para os males, como de fato acontece, ou no nosso caso, encontrar a solução para a grave crise educacional brasileira.

Em se tratando de procedimentos técnicos, a metodologia empregada foi de ordem Pesquisa-Ação onde contou com o envolvimento ativo do pesquisador e ação por parte das pessoas ou grupos envolvidos no problema. Seguindo o pensamento de Thiollent (apud RODRIGUES, 2005, p. 39):

A pesquisa ação é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo no qual os pesquisadores e participantes representativos da situação ou problema estão envolvidos de modo cooperativo.

AVALIAÇÃO

Alguns professores municipais foram investigados, acompanhados em relação ao uso da literatura infantil em sala de aula, bem como se o educador conta histórias e de que maneira o faz. Também foi acompanhada a visita de grupos de alunos nas bibliotecas municipais e a atuação de atores contando histórias para crianças.



Após o acompanhamento, os dados foram analisados, interpretados e o resultado do trabalho culminou em propostas onde a teoria e prática foi unida concretamente, aliando mais uma vez o pensamento de Demo (1995, p. 101) que diz: “a prática é um critério da verdade. A teoria necessita de prática, mas a prática não faz necessariamente verdadeira, pois, da mesma teoria, pode-se chegar a várias práticas, até mesmo contraditórias”.


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