A igreja de São Tiago de Belmonte e Panteão dos Cabrais Manuel Marques



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Revista “Cabral, o Viajante do Rei” - 8ª Edição


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A Igreja de São Tiago de Belmonte e Panteão dos Cabrais

Manuel Marques


Não se sabe ao certo quando foi construída a Igreja de São Tiago, a principal do termo de Belmonte. Alguns dão-na como sendo de 1390, porque a confundem com a Capela de Nossa Senhora da Piedade, edificada por esta data, dentro da Igreja de São Tiago. Esta mesma confusão leva outros a atribuírem a construção da mesma igreja a D. Maria Gil Cabral. Outros ainda dizem que, à falta de Igreja paroquial, o culto era praticado numa ermida que Álvaro Gil Cabral e sua mulher D. Maria Eanes de Loureiro construíram nos Montes Crestados, para testemunhar a posse daquelas terras.

Veremos que a Igreja era já mais velha que D. Maria Gil e que a Sé da Guarda.

Logo por fora, olhando as paredes, podemos perguntar: o que são tantas pedras reutilizadas, algumas reincorporadas, tão diferentes do geral da construção? Cruzes, abundantes cabeceiras de sepulturas ...

São elementos de antigo templo e cemitério visigóticos.

Encontraremos outros lá dentro, na que pode ter sido a antiga base desse templo visigótico, a mesma que, em parte, serviu para montar a reconstrução do templo românico. E, nestes pormenores, começamos por encontrar um pouco de história original que falta noutras localidades em redor.

Portanto, a Igreja de São Tiago começa por ser um testemunho, pequeno mas vivo, de uma época obscura e quase omitida na história comum.

É um dos pontos avançados da Diocese de Coimbra no cristianismo da reconquista e do repovoamento, nomeado, algumas vezes como igreja, outras como Castro de Belmonte, um conjunto encontrado arruinado e posteriormente recomposto.

Foi palco de lutas entre Bispos e Clero de Coimbra e Guarda. Foi berço, primeiro pacífico, piedoso e generoso, e depois, absorvente e dominador, dos Cabrais em Belmonte; e destes adjetivos históricos mantém testemunhos de pé.

São páginas e páginas de história seguidas, sobrepostas, de que os Cabrais passaram a ser os protagonistas.

As várias épocas marcantes da história deste templo são percebidas antes que se entre na Igreja.

É construção essencialmente românica, com planta semelhante aos templos românicos mais primitivos. E tem a originalidade de ter em abundância, nas paredes, elementos visigóticos reutilizados.

Comparada com outras igrejas semelhantes, como São Martinho da Covilhã, Mileu da Guarda, Paroquial de Valhelhas, e até com as de Monsanto, São Miguel e São Pedro de Vir a Corça, esta tem elementos que a podem situar, como reconstruída, em época mais recuada.

Os bispos de Coimbra obtiveram-na com outras desde 1186, por doação régia, porque já as tinham fundado antes, e reclamaram-na em 1203 contra a usurpação dos bispos da Guarda, alegando que as possuíam há mais de trinta anos. Por isso e pelo estilo, tem-se apontado os séculos XII - XIII, fora as diversas modificações sofridas, como o tempo da sua construção.

A inscrição existente por cima da pequena janela da sacristia continua a desafiar os epigrafistas. Poderia lançar alguma luz sobre a construção ou modificações sofridas.

A frontaria do Panteão é renascença, de 1630; a inscrição assinala a data e os nomes de Fernão Cabral que a mandou fazer, e o de Francisco Cabral que a reforçou.

Esta inscrição alude a uma primeira capela feita antes desta, que está acostada à parede Norte de São Tiago.

A legenda, na qual atualmente não se pode ler bem a data diz:



ESTA CAPELLA MANDOU FAZER FERNÃO CABRAL O P.ro DESTE NOME E S.or DA CASA DE BEL.te NO ANNO DE 148., E FR.co


CABRAL S.or DA MESMA CASA MANDOU REFORÇAR NO ANNO DE 1630 (12)
A frontaria da Igreja é de estilo barroco. A inscrição que ostenta por cima da porta principal dá-lhe o seu maior valor, que é histórico, social e cultural: é a primeira obra que não é feita pelo Senhor de Belmonte, Bispo ou Cabral.

Lê-se, na pedra da inscrição:


O PRIOR LUIS JOSÉ (VES) DE BRITO MANDOU FAZER ESTA OBR(A) NO ANNO DE 1751
Até ali, os senhores dispuseram e fizeram. A demonstrá-lo, no exterior, lá estão, lado a lado, a entrada barroca e a entrada do Panteão, última intervenção conhecida e feita pelos Cabrais na Igreja de São Tiago de Belmonte, com todas as modificações que tiveram de acompanhar a sua intervenção, como todas as outras feitas dentro da Igreja.

Esta capela mandou fazer Fernão Cabral, o 1º deste nome e Senhor da Casa de Belmonte, no ano de 148., e Francisco Cabral, Senhor da mesma Casa, mandou reforçar, no ano de 1630 )



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