A II cecti&es as Conferências Regionais



Baixar 114.85 Kb.
Página2/2
Encontro19.07.2016
Tamanho114.85 Kb.
1   2

A Palavra das Universidades

O Professor Antonio Colaço Martins – Reitor da Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA) e Presidente do Conselho dos Reitores das Universidades Cearenses (CRUC) – explicitou a posição do CRUC na Conferência. Enfatizou o papel central das Universidades Estaduais para o Desenvolvimento Sustentável do Ceará. Apresentou um panorama da Educação Superior no nosso Estado e discorreu sobre as funções precípuas da Universidade, que são: Gerar, Transmitir e Estender Conhecimento. Tratou de temas como Conhecimento, Matéria e Forma do Desenvolvimento. Lembrou que as Universidades e IES são o locus, habitat, berços da Educação Superior. Por fim, realizou uma reflexão sobre A Valorização das Universidades e das IES e trouxe algumas indagações sobre CTIES para o Desenvolvimento Sustentável do Ceará bem como o papel da Universidade neste Processo de Desenvolvimento, por exemplo: Que modelo de desenvolvimento queremos? (Desenvolvimento diferente de crescimento econômico); A quem se destina o desenvolvimento?; O que se entende por desenvolvimento sustentável? “ Desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações.” O que e para que a academia pesquisa?; Como cultivar o empreendedorismo no ambiente acadêmico?; Como mudar a cultura

da relação empresa / universidade; Como alinhar as IES para que contribuam para o desenvolvimento do Estado?



O Pró-Reitor de Pesquisa e Pós Graduação , Gil Aquino Farias, disse ser Físico atuante. Opinou que nos globalizamos. Na feirinha da Beira Mar tem cópias de coleções de Paris. Não podemos ser competidores e sim parceiros. Qualquer pesquisa aqui tem que ter competitividade. Se na feira um produto sai por R$2,00 compramos no Paraná a R$1,00. O processo de trazer indústrias tem de ser diferente. Hoje na UFC tem mais de mil doutores. UFC capta da FINEP 18 milhões. Mais do que competitividade a parceria é a palavra-chave. Temos hoje um representante da C&T na Assembléia o Deputado Roberto Claudio. Temos de ter mais pessoas. Há pouco tempo não havia na Assembléia quem entendesse no assunto.

O Reitor do IFCE, professor Cláudio Ricardo Gomes de Lima, Histórico da Instituição, desde a sua criação como Escola de Aprendizes Artífices, em 1909, passando pela Escola Técnica Federal do Ceará, criada em 1968, até atualmente, quando foi criado o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), em 2008. Apresentou a expansão da Educação Tecnológica no Ceará, principalmente sua interiorização. Falou sobre a proposta de formação profissional do IFCE e apresentou uma lista de cursos de Formação Inicial e Continuada, Técnicos, Superiores (Tecnológicos, Bacharelados e Licenciaturas), ministrados pelo IFCE, além dos previstos. Explicitou ainda os Cursos a Distância (Técnico e Superior) e enumerou os Cursos de Pós-Graduação (strito e lato sensu) que estão em funcionamento na IFCE. Por último apresentou as estatísticas do IFCE que demonstram o tamanho da instituição.

A Palavra das Entidades

O Presidente da FUNCAP, professor Tarcísio Haroldo Cavalcante Pequeno, discorreu sobre Ciência e Tecnologia no Estado do Ceará. Apresentou a Nova Estrutura da C,T&I, o Novo Marco Legislativo para C,T&I, a Nova Política de C,T&I no Ceará. Citou a criação do Conselho Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (CEC-TI)‏, que foi criado pela Lei 14.016 de 10.12.2007 e foi instituído em 14/03/2008 e é presidido pelo Governador do Estado. Descreveu o Plano Integrado de Educação Tecnológica Profissional enfatizando a interiorização do sistema IFET e integração do sistema IFET com o sistema CVT – CENTEC, com o Sistema S e com a Secretaria de Educação. Falou sobre a implantação do Instituto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Ceará – IPDI. Falou ainda da Lei de Estadual de Inovação – Lei nº. 14.220, de 16/10/2008 (D.O. De 21/10/08). Continuou sua palestra apresentando informações sobre a FUNCAP e frisou que a Constituição do Estado destina-lhe recursos correspondentes a 2% da arrecadação tributária líquida do Estado. Após falar sobre a criação e a missão da FUNCAP

enumerou as modificações nela introduzida como a Nova Estrutura a sua Nova Política bem com as Grandes Linhas de Atuação. Por fim, passou a descrever os últimos Editais realizados pela FUNCAP, acompanhado dos recursos envolvidos e fonte de financiamento, enfatizou os programas de interiorização da FUNCAP, além de citar o total de bolsas de mestrado, doutorado e iniciação científica que foram concedidas em 2010 e o número de cursos beneficiados.



O Presidente do CENTEC, professor Luiz Odorico Monteiro de Andrade, comentou que estava assumindo o CENTEC e vê tal fato como um desafio de vez que sempre militou na área de Saúde. Realçou que vivemos um “momento de inflexão” caracterizado pela incorporação dos jovens à Educação e a Saúde como formas de inclusão social. Destacou a importância e alguns aspectos do “Plano Integrado de Educação Profissional e Tecnológico”. Falou da atual possibilidade de construção de um itinerário formativo para os jovens dentro do atual arranjo institucional público, com oportunidades de educação pública desde o ensino fundamental até o ensino universitário. Concentrou sua manifestação na relação entre Educação e o Mundo do Trabalho, com base em um Quadro (em Anexo), em que são destacadas os diversos níveis educacionais dentro de uma visão integrada da Educação Profissional e Tecnológica do Ceará e os Autores e Demandas Sociais dentro do Mundo do Trabalho. Em especial destacou o papel estratégico do Instituto CENTEC dentro do itinerário formativo dos jovens cearenses.

O Representante da FIEC, Lima Matos, falou sobre os problemas das empresas que não podem fazer planejamento de longo prazo. Falou sobre projetos estruturantes; siderurgia, refinaria, o Ceará como exportador de energia (eólica), energia solar (2ª do mundo), Cinturão Digital, reformulação geral da Educação. Falou sobre as diretrizes da Conferência de Minas C&T (2006). O Ceará tem quase 2% do PIB nacional há 40 anos. Estamos abaixo das demais regiões. Necessitamos de saltos. Citou o sociólogo Domenico de Masi, que diz que necessitamos de engenheiros. Na FIEC temos o Fórum de Engenharia. Último ponto: Precisamos nos apropriar dos conhecimentos das nossas Universidades. Tirar das prateleiras o P&D produzidos e dirigidos para o aproveitamento de nossas matérias primas / mármore, granito, etc. Temos grandes indústrias, mas os centros de excelência, estão fora do Estado. Falou do fato do Governador ser um engenheiro cartesiano. Há necessidade de maximizar este momento, temos R$40 bilhões de investimentos para dez anos.

A Palavra da Sociedade

Após a apresentação do Painel, os participantes da Conferência Estadual foram distribuídos em três grupos de trabalhos; a saber: i) GT1 – CTI&ES para o Desenvolvimento Social; ii) GT2 – Inovação nas Empresas e Formação Empreendedora; iii) GT3 – PDI em Áreas Estratégicas.

Cada um destes Grupos de Trabalho, dentro do tema especificado, apresentou propostas. Elas foram consolidadas de acordo como formato dado a seguir:

A SECITECE destacou as seguintes propostas oriundas das diretrizes emanadas da II CECTI&ES, conforme listadas abaixo.



Principais Propostas da II Conferência Estadual

Interiorização da Pesquisa e da Pós-Graduação

Ampliação do Fomento Regional

Multiplicação das Oportunidades de Formação para o Empreendedorismo

Ampliação no número de incubadoras de empresas na Região

Maior número e melhor divulgação dos editais de fomento para pequenos e médios empresários

Editais voltados para prioridades regionais

Avaliação do impacto das ações voltadas para Inovação nas Empresas

Capacitação de mão de obra básica para os projetos estruturantes do Estado, tais como: refinaria da Petrobrás, siderúrgica, energias renováveis e mineração (CTTC).

Consolidação das três Universidades Estaduais - UECE, UVA e URCA - através do fortalecimento da infra-estrutura física e de equipamentos e da valorização dos recursos humanos.

Consolidação do Fundo de Inovação Tecnológica – FIT através do lançamento de novos editais para os diversos setores da economia e destinados a grandes, médias e pequenas empresas. Valor: R$ 20 milhões

Implantação da Universidade do Trabalho Digital. Valor : 6 milhões

Consolidação e expansão da Educação Superior à Distância através da implantação do Centro de Educação à Distância do Estado
Consolidação e expansão da educação profissional e tecnológica através da revitalização da rede de CVT’se da implantação de 2 novas faculdades de tecnologia (ensino técnico e tecnológico)

Consolidação e expansão do programa de fixação de Doutores no interior do Estado (bolsas para professores e estudantes e financiamento para projetos de pesquisa)

Formação de gestores de Ciência e Tecnologia e de Educação Superior.

Instalação do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento – IPDI





  1. As Contribuições para a 4ª CNCTI

A 4ª CNCTI tratará de uma série de temas, a serem definidos por subcomissões e grupos de trabalho constituídos com a participação das comunidades científica e tecnológica, acadêmica, empresarial e governamental, bem como do terceiro setor. Esses comitês buscarão identificar não apenas os temas mais relevantes, mas também estudos já realizados e especialistas que possam desenvolvê-los e aprofundá-los.

O formato da conferência foi organizado de modo a nortear as discussões segundo as quatro linhas do PAC,T&I - 2007-2010: Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação; Inovação na Sociedade e nas Empresas; Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Áreas Estratégicas; Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social.

A 4a CNCTI foi convocada por Decreto Presidencial de 03 de Agosto de 2009, com o título “Política de Estado para Ciência, Tecnologia e Inovação com vista ao Desenvolvimento Sustentável”. Sua realização será de 26 a 28 de maio de 2010 em Brasília. Comparada com as precedentes, a 4a Conferência se propõe a agregar a sustentabilidade às discussões anteriores preocupando-se, ao mesmo tempo, com as estratégias que possibilitem alcançar a estabilidade necessária às ações em ciência, tecnologia e inovação, por meio de uma política reconhecida como de Estado, e não apenas de Governo; Ela será precedida de cinco conferências regionais (CO, N, NE, S, SE), que foram realizadas até meados de abril de 2010. A realização de encontros estaduais e fóruns de discussão por todo o país foram também estimuladas como importante mecanismo de mobilização e de levantamento das principais questões e aspectos a serem abordados no evento nacional. A Conferência deverá nortear suas discussões segundo as linhas do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional 2007-2010: 1) Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação; 2) Inovação na Sociedade e nas Empresas; 3) Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Áreas Estratégicas; 4) Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social.

Uma das características desta 4a CNCTI, obviamente dentro de uma preocupação maior de servir de base para uma Política de Estado para a área de CTI, usando o Desenvolvimento Sustentável com um horizonte temporal de 10(dez) anos é a estratégia de mobilização e participação dentro de cada uma das nossas Unidades Federativas. As Conferências que ocorreram nas regiões (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste) funcionaram como uma primeira síntese das Conferências Estaduais.


O Estado do Ceará organizou toda a sua Conferência Estadual de CTI num contexto mais amplo, contemplando não só os conteúdos dos Termos de Referência da 4a CNCTI mas, também, incluindo a Educação Superior como um dos eixos a serem contemplados em todo o processo de mobilização e participação. A inclusão da Educação Superior permitiu que os Referenciais para a Conferência Estadual do Ceará contemplasse os resultados de uma I CECTI&ES, realizada em 2007, de um Colóquio de Educação Superior, realizado em 2009, bem como de reuniões, fóruns e workshops nas áreas industriais e de inovação. A Secretaria de Ciência Tecnologia e Educação Superior definiu entrão que o Estado do Ceará realizaria uma II CECTI&ES com todo um aparato logístico que atendesse a dois objetivos principais: gerar contribuições à 4a CNCI e apresentar sugestões que pudessem embasar uma Política Estadual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Superio. Essa opção levou o Estado do Ceará, sob a liderança da SECITECE, a construir todo um processo hierarquizado de mobilização e participação com a realização de 4(quatro) Conferências nos municípios de Limoeiro do Norte, Crato, Tauá e Sobral (com participação de municípios dos respectivos entornos) e uma Conferência Estadual, em Fortaleza, tendo como uma de suas partes a Conferência do município do Fortaleza (com participação dos municípios de sua micro-região acrescido daqueles municípios que constituem seus respectivos entornos), seqüenciada por todo um processo de síntese das sugestões e propostas oriundas dos encontros municipais (Conferências Regionais do Ceará).

2.1 – A Conferência Regional Nordeste para CTI

Mais de 800 pessoas participaram no dia 15 de abril, em Maceió (AL), da abertura da Conferência Regional Nordeste de Ciência, Tecnologia e Inovação, uma iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Esta é a última das cinco conferências regionais realizadas para levantar suas indicações a serem incorporadas na proposta para uma política de Estado de Ciência e Tecnologia, foco de debate na 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (4ª CNCTI), a ser realizada de 26 a 28 de maio, em Brasília. 

Na abertura do evento, a secretária de Ciência e Tecnologia de Alagoas, Janesmar Cavalcante, defendeu a proposta de que o Brasil adote um sistema único, nacional, de ciência, tecnologia e inovação. Ela acredita que a região Nordeste deve discutir e formular um documento específico com as demandas regionais, mas que na 4ª CNCTI todos os agentes públicos e privados envolvidos com a área de CT&I defendam um modelo nacional universal para o setor.
A mesma tese foi defendida pelo secretário de Planejamento e Orçamento de Alagoas, Sérgio Moreira, representante do governador do estado, Teotônio Vilela Filho, no evento. Para ele, o mais importante é que todos os participantes compreendam a necessidade de estabelecer um pacto de idéias para que se possa avançar em um novo modelo de CT&I para o País, incorporando antigos e novos agentes na discussão deste modelo para que se busque uma política sólida de desenvolvimento. “Espero obter nesta conferência um pacto, precisamos nos unir em torno das mesmas idéias para colocar um novo projeto de desenvolvimento em prática”, observou ele.

O secretário Executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Luiz Antonio Elias, fez a Conferência Magna de abertura do evento. A palestra versou sobre uma Política de Estado de CT&I para o Desenvolvimento Sustentável e incentivou os participantes a “olharem a dimensão regional com uma visão estratégica para que o novo Plano Nacional de Ciência e Tecnologia possa alavancar o desenvolvimento do País, para torná-lo um protagonista na produção de conhecimento científico.

“Não teremos uma posição destacada no cenário internacional se não tivermos uma produção inovativa de conhecimento”, sustentou Elias. Ele também salientou a necessidade da construção de um pacto federativo, nascido das realidades regionais, que transborde para a edificação de uma política estruturada de Estado para ciência e tecnologia.

Temos de aceitar os desafios de pensar a realidade em que vivemos, visualizar as oportunidades e definir uma agenda ousada para os próximos anos. “Temos que decidir que modelo de desenvolvimento queremos, que sistema de redução das desigualdades sociais queremos, que modelo de inovação queremos”, definiu o secretário.

A Conferência Regional do Nordeste foi finalizada no dia 16 de abril no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, em Maceió (AL). O evento foi uma oportunidade para que os estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe apresentem relatos sobre discussões feitas em suas Conferências Estaduais, e tirem um documento comum sobre as propostas da região para a CNCTI.

2.2 – A Palavra do Ceará na Conferência Regional Nordeste

Na Conferência Regional NE em Maceió, o Secretário da SECITECE, professor Renê Teixeira Barreira, apresentou um resumo do ocorrido na II CECTI&ES com as contribuições do Estado do Ceará a serem discutidas e analisadas para posteriormente serem levadas para a IV CNCTI.

Na sua fala, o Secretário descreveu o tema da II CECTI&ES, falou sobre as Conferências Regionais e sobre a Estadual, ocorrida em Fortaleza. Citou o número de participantes tanto nas Conferências Regionais (cerca de 800 pessoas) como na Conferência Estadual (cerca de 450 participantes). Informou que a II CECTI&ES deu continuidade a I CECTI&ES e que teve como objetivo apresentar contribuições para a IV CNCTI, por meio da Conferência Regional de CTI-NE e subsidiar uma Política Estadual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Superior. Citou que, além da I CECTI&ES, a II CECTI&ES teve como referenciais os Colóquios de Educação Superior, a Avaliação das Universidades Estaduais, o Plano de Ação do MCT 2007-2010 bem como a Carta da Indústria, a Semana Nacional de CT&I e a Lei Estadual de Inovação. Na palestra, o professor Renê Barreira mostrou os desdobramentos do Plano de Ação do MCT 2007-2010 ocorridos no Ceará enumerando as ações implementadas pelo Estado nos eixos: i) Expansão e Consolidação Institucional do Sistema Nacional de CT&I; ii) Promoção da Inovação Tecnológica nas Empresas; iii) PD&I em Áreas Estratégicas; e iv) CT&IPara o Desenvolvimento Social. Resumiu e listou as principais propostas da II CECTI&ES a serem discutidas na Conferência Regional de CTI-NE. De forma mais sistematizada, segue o resumo apresentado pelo Secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Superior do Estado do Ceará, professor Renê Teixeira Barreira:

Tema: Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Superior para o Desenvolvimento Sustentável do Ceará.

Conferências Regionais: Limoeiro do Norte, Crato, Tauá e Sobral.

Conferência Estadual: Fortaleza, Região Metropolitana.

800 participantes no interior e 200 na capital.

Deu continuidade e aprofundou discussões da I Conferência (2007)‏

Subsídios para IV Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (26 a 28 de maio, em Brasília).



Objetivos: Apresentar contribuições para a IV CNCTI, através da Conferência Regional de CTI-NE. Subsidiar uma Política Estadual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Superior

Referenciais: I CECTI&ES - Colóquios de ES e Avaliação das Universidades Estaduais; Plano de Ação do MCT 2007-2010.
Outros Referenciais: (Carta da Indústria, Semana Nacional de CT&I, Lei Estadual de Inovação).

Alguns Resultados do Plano de Ação do MCT no Ceará: Expansão e Consolidação Institucional do Sistema Nacional de CT&I; Criação e Instalação do Conselho Estadual de CT&I; Lei de Inovação do Estado do Ceará; Implantação do Fundo de Inovação Tecnológica (FIT) – 6 milhões para 88 empresas.

Formação de RH para CT&I: Bolsas de Mestrado, Doutorado – Fixação no Interior do Ceará; Bolsas Concedidas em 2010: 250 Doutorado, 595 Mestrado, Acadêmico: 520 em Iniciação Cientifica e Tecnológica.

Alguns Resultados do Plano de Ação do MCT no Ceará: Promoção da Inovação Tecnológica nas Empresas; Criado o Instituto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (IPDI); Adesão aos programas da FINEP de subvenção econômica (PAPPEII): R$9 milhões; Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento de Bio Fármacos R$12 milhões e 400 mil reais; Projetos de Pesquisa em Tecnologia da Informação – R$6 milhões do tesouro

Edital Projeto de Núcleos de Excelência – PRONEX R$10 milhões e 500 mil reais; Alguns Resultados do Plano de Ação do MCT no Ceará.



PD&I em Áreas Estratégicas: PP-Sus; Segurança Pública (R$6 milhões); Tecnologia de Informação e Comunicação (R$6 milhões); Renorbio; Desertificação; Projeto CEUAB: Confiabilidade em Ensaios Laboratoriais em Biocombustíveis; Apoio Laboratorial às micro e pequenas empresas nas áreas de alimentos, química e matérias cerâmicos.

Alguns Resultados do Plano de Ação do MCT no Ceará: CT&I Para o Desenvolvimento Social; Adesão aos Editais dos Arranjos Produtivos Locais da FINEP; Adesão da Mídia para a Popularização da Ciência; Zoneamento Agrícola do Semi-Árido; Manejo da Irrigação com Base nas condições Atmosféricas; Certificação da Apicultura; Cinturão Digital – rede 2500km de fibra ótica 82% da população: valor R$55 milhões.

FINAL: O Ceará depois de ter feito uma avaliação das três Universidades Estaduais vai elaborar o Plano Estadual de Ciência e Tecnologia: de longo prazo; de Estado não de Governo; Vai utilizar as recomendações da II Conferência Estadual.

SUGESTÃO: Realização de estudos para avaliar o Impacto da Lei de Inovação Tecnológica, tanto a nível nacional quanto dos Estados que adotaram.



  1. Para uma Política Estadual de CT&ES

3.1 - Considerações Preliminares

O processo de desenvolvimento econômico e social pode ser associado aos avanços científicos e tecnológicos e, sobretudo, à apropriação de conhecimentos. Entretanto para apropriar-se de conhecimentos é preciso que os avanços científicos e tecnológicos sejam transformados em inovações, incorporadas ao processo produtivo, aos produtos e serviços e ao cotidiano das pessoas, resultando em maior competitividade da economia e mais riqueza para a sociedade. A crescente intensificação das mudanças tecnológicas, uma das características marcante das últimas décadas, relaciona-se, fundamentalmente, ao incremento do processo de produção de conhecimento e à velocidade cada vez maior de sua incorporação às atividades econômicas.

A educação superior e a pesquisa cientifica constituem componentes fundamentais para a construção da sociedade do conhecimento, criticamente importantes para a mudança e a inovação.

Existem grandes desafios a enfrentar. No Brasil cientistas, técnicos e engenheiros envolvidos com inovação e desenvolvimento tecnológico trabalham, principalmente, em ambiente universitário ou em institutos de pesquisa governamentais e somente 23% trabalham em empresas. Nas empresas da Coréia do Sul, esse número chega a 59% e, nos Estados Unidos, a 80%.

A universidade e os institutos de pesquisa não podem substituir sistematicamente as empresas na tarefa de gerar novos produtos e processos, ainda que possam contribuir decisivamente para isso, principalmente com a formação de recursos humanos de nível internacional e com resultados de pesquisa acadêmica básica e aplicada de alto nível.

Nosso crescimento econômico tem sido decorrência da expansão das exportações em que predominam os segmentos com menor grau de intensidade tecnológica. O Ceará não foge à regra. Para um Estado que aspira sair do atraso tecnológico, as políticas de CT&I e do Ensino Superior devem ser focalizadas na transformação de conhecimento tácito em conhecimento codificado, para que este último se converta em negócios, pois só assim se elevará a produtividade e a competitividade do Estado para Resultados – é o que se propôs nesta II Conferência.

Pensar no longo prazo nunca significou tanto. A incerteza cada vez mais robusta é o direcionador dessa nova atitude que deve ser disseminada. Esta é a razão para a elaboração de um Plano Estratégico de longo prazo para o Estado do Ceará.
Nesse documento sugere-se haver no Ceará um estrangulamento na seguinte condicionante de futuro: “Baixa articulação entre o setor produtivo e instituições de pesquisa, com produção tecnológica de sofisticação reduzida”. No que se refere à articulação entre os atores, afirma-se que o Estado possui características que fazem com que seu potencial inovador não seja devidamente aproveitado.

Tratando-se de educação, o documento sugere baixo nível educacional da população do Ceará, com padrões insuficientes de infra-estrutura e qualidade do sistema de formação de capital humano.

O sistema de Educação Básica no Ceará é ineficiente e ineficaz. É ineficiente, pois de 100 alunos que entram no Ensino Fundamental, apenas cerca de 30 concluem o Ensino Médio. É ineficaz já que, mesmo com essa baixa produtividade, boa parte dos concluintes tem baixa proficiência em português e em matemática. Apenas 18 deles possuem proficiência razoável em português e este número despenca para 8 quando se refere a proficiência em matemática. São estes os alunos que entram na Educação Superior. Além de um número aquém do que poderia ser, a sua maioria possui baixa qualidade acadêmica.

Na Educação Superior, em 2008, havia quase 137 mil alunos matriculados. Estes números eram 56,7 mil e quase 38 mil em 2000 e 1991, respectivamente. Eles mostram o grande crescimento da Educação Superior no Estado do Ceará. Por outro lado, este crescimento não vem acompanhado de um bom desempenho do sistema. Em 2008, por exemplo, cerca de 39 mil alunos novos entraram na Educação Superior quando apenas aproximadamente 13,5 mil concluíram este grau de ensino. Estes números indicam a existência de elevada evasão acompanhada de alta retenção na Educação Superior do Ceará. A qualidade do ensino é mediana, conforme os resultados do ENADE no Estado entre 2004 e 2008 foram avaliados 320 cursos, alguns deles mais de uma vez. Destes 85 tiveram desempenho abaixo de 3 enquanto que 88 superaram esta média.

Na pós-graduação há 3.133 alunos matriculados em 2010 nos mestrados do Estado e 1.904 em cursos de doutorado. Em 2009 esses números eram 2.772 e 1.424, respectivamente. Isto mostra o crescimento do sistema de pós-graduação no Estado do Ceará. O desempenho dos programas de mestrado parece ser bom, já que em 2009 entraram 960 novos alunos e obtiveram o grau de mestre 996. Nos programas de doutorado, no entanto, esse desempenho não se repete. Enquanto entraram 388 alunos novos em 2009, somente 191 concluíram o programa naquele ano. Quanto a qualidade dos programas observa-se que dos 68 programas de mestrados avaliados pela CAPES, 42 obtiveram resultados superior a 3. Nos programas de doutorado, a avaliação não segue este

padrão, dos 38 programas deste nível somente 2 foram avaliados com conceito 6 pela CAPES e apenas 11 obtiveram nessa avaliação resultado acima de 4.

A produção acadêmica do Ceará se encontra na 9ª posição no rank nacional. Em 2008, foram publicados quase 2 mil artigos em periódicos, enquanto cerca de 300 deles foram publicados em periódicos indexados. Em 2009 esses números cresceram para quase 1,5 mil publicações, sendo aproximadamente 350 deles em periódicos indexados, o que demonstra o crescimento da produção científica no Estado.

Compete à SECITECE, como coordenadora da política estadual de CT&I e do Ensino Superior, apoiar o desenvolvimento sustentável do Estado, estabelecendo prioridades focalizadas em problemas e oportunidades, regiões e mercados, promovendo ações em resposta às demandas identificadas e estimulando a inovação, bem como assegurando um ensino superior de qualidade.



3.2 - Momento Histórico Promissor

O Ceará vive um momento econômico diferenciado. Aliado a uma situação financeira confortável do Governo Estadual, estão sendo viabilizados projetos estruturantes com capitais privados e estatais. Estão sendo, finalmente, iniciadas a siderurgia, a refinaria e a extração e a industrialização de fosfato e urânio de Itataia, além de existirem expectativas concretas com relação à Zona de Processamento de Exportações. Esses empreendimentos estarão em grande parte localizados no Complexo Industrial Portuário do Pecém a 100 km de Fortaleza. Trata-se de um porto em operação, mas em fase de expansão e que deverá constituir-se no pólo industrial mais dinâmico do Estado. Cita-se ainda o grande número de indústrias atraídas para o estado graças à incentivos fiscais, mão de obra mais barata e infra-estrutura razoável.

Na agropecuária, anteriormente baseada na subsistência e no extrativismo, aconteceu uma mudança de perfil muito rápida. Com o aproveitamento da infra-estrutura dos perímetros irrigados e dos açudes do DNOCS, que não prosperaram sob administração pública, instalaram-se empresas privadas, locais e multinacionais que desenvolveram um próspero agronegócio baseado em fruticultura, floricultura, carcinocultura e aqüicultura, dentre as principais.

As lideranças empresariais se preocupam com a possibilidade de um “apagão de mão de obra” que poderia por em risco a viabilização dos novos empreendimentos. No caso da tecnologia no Ceará, a CGDT (Centro de Gestão e Desenvolvimento Tecnológico), Organização Social criada pelo Governo do Estado para viabilizar contratos com empresas locais do setor da Tecnologia de Informação já se queixa de escassez de pessoal qualificado. O Governo Estadual, como o país

como um todo, historicamente não deu atenção devida ao ensino profissionalizante em todos os níveis. Nota-se no momento uma mudança de percepção e uma busca para retomar o tempo perdido. O atual Governo Estadual partiu do zero e vai estabelecer 125 novas escolas de cunho profissionalizante. Em três anos já são 50. Vamos ter 60.000 matriculados, hoje são 19.000. Duas novas FATEC, da rede CENTEC estão sendo construídas em Iguatu e Itapipoca.

Nas 3(três) Universidades estaduais houve uma duplicação de recursos para o custeio e investimentos, com expressiva elevação de salários. A UFC tem 3 novos campi: Quixadá, Zona Norte e Cariri e está com cursos voltados para a refinaria e siderurgia. O Instituto Federal (antigo CEFET) deverá atuar em 12 localidades. O CENTEC constrói ainda um grande Centro de Treinamento de Mão de Obra na área do Porto do Pecém para atender a demanda das indústrias. Em suma, para elaborar um Plano Estratégico de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Superior, a equipe terá de examinar os cenários de desenvolvimento para o Ceará e as necessidades daí geradas. Em seguida, detalham-se alguns acontecimentos em andamento na área de infra-estrutura e economia.

O ano de 2010 cria a perspectiva concreta de viabilização de alguns dos projetos mais esperados e importantes do Ceará que vêm provocando o imaginário do cearense por décadas. Percebe-se, também, uma lenta e gradual descentralização dos investimentos para o interior, principalmente nos últimos cinco anos. A criação da Região Metropolitana do Cariri e nas cidades pólos definidas pela Secretaria das Cidades, são exemplos da decisão de levar o desenvolvimento para fora do entorno da Capital.

Na área de infra-estrutura, a ampliação do Porto do Pecém, com a conclusão do Terminal de Múltiplo Uso (TMUT) deverá criar as bases para a chegada da siderúrgica e da refinaria, liberando outros píeres para estas finalidades e ampliando o papel do Ceará na área do comércio exterior (área onde ainda tem que crescer bastante, já que detém menos de 2% das exportações nacionais), consolidando também o Estado como um dos principais exportadores de frutas do País. A dragagem do Porto do Mucuripe também terá importante participação nisso.

O Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) começará a receber, ainda neste ano, as primeiras intervenções diretas para a implantação dos dois maiores empreendimentos programados para o Estado: a refinaria e a siderúrgica. Cerca de três mil hectares, ao todo, serão terraplanados para o recebimento dos projetos. Esta é a primeira etapa física para o início da instalação dos projetos. Mais avançada, no momento, está a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP). Toda a área de 1 mil hectares já está desapropriada pelo Estado. A CSP está programada,

em sua primeira fase, para operar em 2013. Nesta etapa, orçada em R$ 7,6 bilhões, ela poderá produzir 3 milhões de toneladas de placas de aço anuais. Nesta etapa, serão gerados 15 mil empregos diretos e, quando em operação, serão quatro mil.

Já a refinaria Premium II, da Petrobras, ainda não tem datas definidas para o início dos trabalhos. A estatal ainda espera a definição da Fundação Nacional do Índio (Funai) sobre a existência de tradição indígena em parte da área reservada ao empreendimento.

Outro empreendimento está em Santa Quitéria. Descoberta ainda em 1976, somente este ano, a mina de urânio e fosfato de Itataia, deverá começar a ter sua exploração econômica tornada realidade. A usina deverá gerar cerca de três mil empregos diretos e indiretos e associados na região, com a implantação das atividades básicas e de apoio que se instalarão na localidade. Persistem problemas com o IBAMA.

O Metrofor, deve enfim começar a operar em 2010. Entretanto, a operação comercial ficará somente para o primeiro semestre de 2011. Já a linha Parangaba-Mucuripe, que funcionará por VLTs, está com seu projeto executivo em contratação, para início das obras em 2010. Os recursos estão integrados ao plano da Copa 2014.

Além do Metrofor, dois outros metrôs estão programados para operar no Ceará: o do Cariri e o de Sobral. O primeiro está funcionando em fase de testes, e deve entrar na fase de operação comercial completa até março de 2010. O de Sobral, este mais recente, tem a expectativa de, em 2010, dar início às suas obras.

O escoamento de cargas, por sua vez será fortemente beneficiado com a entrada em operação da Transnordestina, que terá suas bases implementadas no Estado em 2010. A ferrovia, que integrará a estrutura produtiva da região Nordeste com as demais regiões brasileiras, tem previsão de estar concluída até dezembro de 2011.

O novo espaço para a realização de eventos e feiras no Estado estará pronto entre setembro e outubro de 2010. Até agora, cerca de 15% das obras do equipamento, orçado em R$ 280,3 milhões, estão concluídos. O centro ocupará uma área total de 173 mil metros quadrados (com urbanização, estacionamento e edificação).

Diferente do anteriormente planejado, uma das principais obras na área do Turismo no Estado, o Acquario Ceará, não deverá estar pronta em 2010. Por atrasos no processo licitatório, com a apresentação de recursos judiciais por parte das empresas concorrentes, o prazo para a conclusão do equipamento foi revisto para 2011.

O Aeroporto de Aracati estará pronto em meados de 2010. O terminal poderá receber qualquer tipo de jato nacional. Já o aeroporto de Jericoacoara, que será localizado no município de Cruz, terá suas obras iniciadas em 2010, mas poderá sofrer atraso por questões burocráticas.Em relação ao Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, está sendo elaborado o edital para sua ampliação e a licitação ocorrerá no próximo ano.

Até dezembro de 2010, deverá estar concluída a maior obra executada no Terminal Portuário do Pecém desde sua inauguração. O Terminal de Múltiplo Uso (TMUT) elevará significativamente a capacidade de escoamento de cargas por meio de contêineres no Pecém e dará espaço para que o porto comece a operar nas áreas para as quais foi inicialmente concebido: a siderurgia e a petroquímica. O TMUT, que envolve investimentos da ordem de R$ 350 milhões.

A burocracia ainda emperra o início da dragagem do Porto do Mucuripe, obra que ampliará a profundidade da área de atracação de navios dos atuais 11,5 metros para 14 metros, permitindo ampliar a movimentação do terminal com a chegada de navios de grande porte.

Além disso, um outro projeto programado para o porto é o terminal de passageiros, fortalecendo o turismo marítimo no Estado, ainda pouco significativo por aqui. A previsão é de que seja lançado ainda no primeiro trimestre de 2010 a licitação para a construção do terminal, que será localizado em parte da Praia Mansa, em área contígua às Docas.

Por último, prossegue o Canal da Integração que deverá levar as águas do açude Castanhão para Fortaleza e Pecém, dentro de um processo de integração de bacias.

O momento nacional, que serve de moldura e, ao mesmo tempo, de pano de fundo para as transformações do estado do Ceara revela que entramos num circulo virtuoso capaz de resistir mesmo às turbulências da economia internacional. O Brasil sai da recente crise mundial em boas condições e retoma o ritmo de desenvolvimento em patamares consistentes. Os investimentos públicos e privados seguem positivamente.

No campo ciência e tecnologia há que se registrar a continuidade do processo de expansão dos orçamentos federais, em particular com o fortalecimentos dos fundos setoriais e com a revitalização do FNDCT na FINEP e do FUNTEC do BNDES e com a consolidação do Portal de Periódicos da CAPES. O Portal é, sem dúvida, o instrumento mais importante de democratização do acesso ao conhecimento científico e motor da produção de conecimento no sistema acadêmico de pesquisa. Nota-se enorme efervescência e forte disposição federal de diversificar os mecanismos de fomento da atividade de inovação e é intensa a atividade de investimentos das grandes empresas estatais, com destaque para a PETROBRAS. Os principais órgãos federais de formulação política e fomento nesta área reiteram sua disposição de trabalhar

em parceria com os estados e suas agencias de fomento à ciência e tecnologia e inovação. Está em curso uma transformação radical na base do sistema de pesquisa nacional e o estado do Ceará precisa mostrar-se parceiro nesse processo. Trata-se do enorme esforço para a construção de uma base de pesquisa sobretudo tecnológica e com vistas à inovação independente do meio acadêmico.

No campo do ensino superior, o governo federal implantou intensa política de expansão do ensino publico federal tanto no nível superior como no da formação profissional e técnica. Essa política mostra resultados importantes, mas precisa ser melhor coordenada com as políticas regionais. Há, portanto, espaço para a construção de uma plataforma de diálogo em torno de investimentos nesses campos de tal forma que os ganhos sejam convergentes com as políticas do estado do Ceará.

As iniciativas do governo cearense no campo da educação superior e da ciência e tecnologia mostram a vitalidade necessária para que o estado se transforme em interlocutor privilegiado neste processo de transformações nacionais. Cabe, assim, o passo definitivo no sentido de construção de uma política de ciência, tecnologia e educação superior como projeto de estado e que tenha consistência e durabilidade.

O momento é muito promissor e os desafios ao sistema de ensino profissional e superior e de ciência e inovação revelam-se cada vez de modo mais nítido.



3.3 - As Bases da Política de CTI&ES

A política de C,T e I é de formulação complexa. Ela envolve inúmeros atores públicos e privados na explicitação das estratégias, bem como na execução dos programas prioritários e na consecução de seus objetivos. Esses atores, normalmente, gozam de ampla autonomia e só se deixam mobilizar mediante estímulos positivos e diante da perspectiva de ganhos concretos. São, além do mais, suficientemente esclarecidos para distinguirem o que lhes beneficia e conseguem manter o controle amplo das atividades que lhe são afetas.

Diante disto, é inevitável que a formulação de uma política de C,T e I. requeira forte capacidade de coordenação e mobilização, vale dizer, requeira a disposição para o uso conseqüente de mecanismos de estímulos e mobilização por parte do Estado. Ela deve ter caráter amplo e mirar o longo prazo. Uma Secretaria de Ciência e Tecnologia só consegue exercer o trabalho de coordenação da ação governamental no seu conjunto quando representa efetivamente a vontade estratégica do governo como um todo e logra motivar e mobilizar os demais órgãos de governo e seus recursos de modo orgânico e duradouro.

Os recursos de que dispõe o Estado na condução da política de C,T e I envolvem instrumentos de regulação, de política fiscal e financeira, estímulos pecuniários e recursos simbólicos. Muitos desses recursos não estão sob controle direto da Secretaria de Ciência e Tecnologia. Estas observações valem para qualquer esfera de governo.

Por isso mesmo, a política de C,T e I não se deve imaginar como exercício centralizado de planejamento global, mas como conjunto orgânico e flexível de proposições e iniciativas. Essas proposições e iniciativas precisam ser multidirecionadas e precisam estar apoiadas em recursos variados e cumulativos com execução descentralizada.

Aspecto importante nesse contexto, diz respeito à discussão sobre o espaço regional de formulação da política de C, T e I e a dimensão nacional desse processo. Em matéria de P&D é totalmente descabida a pretensão de se estabelecer uma política regional que não esteja em ampla sintonia com as orientações e prioridades do país. Isto não significa que se deva desconsiderar as especificidades, as necessidades e as vantagens relativas da região. É necessário que as instâncias estaduais tenham clareza sobre a importância da ampliação de espaços de interferência na formulação e execução das políticas nacionais. Para tanto, os atores regionais precisam atuar mais proativamente na esfera nacional. Precisam se esforçar por nacionalizar as demandas e possibilidades regionais, encontrar os meios para a coordenação dos programas nacionais com a realidade regional e, ainda, precisam lograr uma forte e coordenada mobilização dos recursos humanos da região para a consecução dos objetivos e metas prioritários.

A boa política de P&D depende da correção das estratégias adotadas na sua formulação e execução. Nesse sentido, tudo começa com um amplo mapeamento das demandas e potencialidades. Esse mapeamento reporta às peculiaridades de cada elemento básico a ser considerado como precondição do desenvolvimento cientifico e tecnológico. Uma vez reconhecido cada um desses elementos em sua especificidade, é necessário proceder-se a um diagnóstico das condições existentes numa situação dada. O primeiro aspecto a ser considerado é o de que há desafios básicos e permanentes. É um desafio básico e permanente da política de C,T e I, que ela deve assegurar uma forte e competente base para o desenvolvimento da pesquisa científica e tecnológica. Isto implica cuidar da formação e fixação de recursos humanos para a pesquisa, da infra-estrutura física e material das instituições acadêmicas e do complexo de C&T em geral e do provimento dos recursos para a execução de projetos tanto por meio de editais abertos como por meio de ações de indução.

Contemporaneamente, a formação, ampliação e consolidação da base da pesquisa cientifica e tecnológica supõe a superação da visão que privilegiava a independência e o isolamento das

instituições. A política, hoje, deve construir sinergias, estabelecer redes, explorar as convergências de potencialidades complementares de grupos e instituições sem distinção entre atores públicos e privados.

Subjacente a esta postura, está a importância de se remover os entraves e obstáculos jurídicos e burocráticos aos arranjos que, concretamente, possam estimular e impulsionar ações coordenadas e cooperativas.

Um segundo aspecto crucial na construção de estratégias eficazes envolve reconhecer a importância de certa especialização funcional das instituições e da necessidade de sua articulação sistêmica. Não se pode exigir tudo de cada instituição, por mais qualificada que ela seja. Por exemplo, não se pode imaginar que cada instituição de ensino superior possa atender à massificação da oferta de vagas para contribuir com o objetivo da ampliação da escolaridade da população e, simultaneamente, produzir conhecimento cientifico e tecnológico de excelência e ser competente na consecução de projetos de inovação. Diferenciação e especialização funcional caracterizam a evolução dos sistemas de ensino superior dos países avançados. Do mesmo modo, o desafio da inovação, nesses países, não foi enfrentado tendo-se o sistema universitário como ator principal. O sistema universitário foi fator interveniente, mas o motor do processo estava nas empresas e nos institutos especializados de P&D. O Brasil tem uma experiência bem sucedida que é a EMBRAPA. O trabalho do conjunto dos institutos e centros da EMBRAPA revolucionou a agropecuária brasileira. Ela deve ser tomada como referência no esforço atual para se construir a base para uma forte ação de estimulo à inovação no setor industrial e de serviços.

Um terceiro aspecto a ser considerado, nesse contexto, remete à urgência do reconhecimento de que há carências estruturais que precisam ser superadas sobretudo no tocante à qualidade da educação fundamental e média de um modo geral e, em particular, nas disciplinas cientificas e na matemática. É tão grave a situação que a melhoria da educação fundamental e média transforma-se em prioridade da política de ciência e tecnologia. É preciso sanar as deficiências do sistema escolar e ao mesmo tempo, desenvolver medidas capazes de disseminar o interesse da população pelos temas da ciência e da tecnologia.

O campo da inovação tecnológica traz desafios específicos para os formuladores de políticas. As recentes Leis de Inovação em sua versão nacional e nas versões estaduais dirigem-se claramente à mobilização do potencial de nossas instituições de ensino superior para a tarefa de acelerar a transformação do conhecimento em bem econômico. É preciso ter cuidado com essa pretensão. As instituições acadêmicas de excelência perseguem valores que nem sempre se coadunam com

os que presidem a inovação tecnológica. Há que se considerar a oportunidade de constituição de instâncias de mediação entre o setor acadêmico e o produtivo. Do mesmo modo, os formuladores da política de P&D devem explicitar o alvo de suas iniciativas no campo da inovação tecnológica.

Convencionalmente, o apoio público, nesse campo, em diferentes países, dirige-se à pequena e média empresa e ao estimulo das novas iniciativas empresarias através das incubadoras. Esses estímulos supõem a disseminação de uma nova cultura e de uma nova atitude na população: a do empreendedorismo.A grande empresa, se estiver comprometida com a inovação, tem condições, de mobilizar os recursos requeridos para P&D.

3.4 - Elementos Estruturantes: À Guisa de Conclusão

A II Conferência Estadual delineou, nos diferentes encontros e debates, a moldura adequada para a explicitação da política estadual de P&D e Ensino Superior. Esta Conferência possibilitou que alguns elementos estruturantes devessem ser levados em conta. São eles:



    1. Diagnóstico do Sistema de Ensino Superior e de Ciência e Tecnologia.

    2. Análise dos grandes investimentos no estado e a demanda por recursos humanos e tecnologia.

    3. Fortalecimento das agências de fomento e de estratégias de envolvimento do conjunto do estado no esforço de desenvolvimento cientifico e tecnológico.

    4. Criação de instâncias capazes de fazer a interface entre o sistema acadêmico e de formação de recursos humanos e as demandas do setor produtivo.

    5. Aprimoramento dos instrumentos jurídicos de modo a estimular a sinergia entre os atores, a articulação e a cooperação público-público e público-privado.

    6. Estratégias de atuação junto aos órgãos de formulação e execução da política de C&T em âmbito nacional com vistas à articulação das prioridades regionais com os grandes projetos nacionais.

    7. Construção de um mapa geopolítico do investimento em C&T no estado que leve em conta o potencial de cada região e suas demandas e explicitação de estratégias de atuação que tratem diferenciadamente regiões com problemáticas e potencialidades distintas.

    8. Construção de um sistema de acompanhamento dos investimentos e da consecução das metas estipuladas.



    9. Manutenção de um fórum permanente de debates sobre C&T no Estado.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os documentos das quatro Conferências Regionais ocorridas no estado do Ceará e os depoimentos trazidos à conferencia de Fortaleza indicam, claramente, o alto grau de consciência quanto aos pontos e reflexões anteriormente desenvolvidas.

As carências do sistema educacional são reconhecidas. A necessidade de se socializar o interesse pela ciência e pela tecnologia foi objeto de muitas manifestações. A urgência de se ampliar o acesso ao ensino superior e de se multiplicar a oferta de oportunidades de formação pós-graduada, especialmente do interior foi reivindicação freqüente. A importância de se garantir as condições humanas e materiais para a consolidação de centros de excelência na pesquisa científica e tecnológica aflorou em todas as conferências. Do mesmo modo, foi clara a preocupação com políticas que produzissem sinergia e integração entre os diferentes atores públicos e privados maximizando o uso dos recursos e o potencial de cada um desses atores. A inovação tecnológica foi reconhecida como desafio e compromisso de todos e focada no estímulo às novas e às pequenas e medias empresas. Por fim, a exigência de mais agressividade na defesa dos interesses e na valorização das potencialidades regionais na esfera nacional também marcou os debates e as proposições ao longo das conferencias regionais e em Fortaleza.

Há nítido reconhecimento do esforço do governo estadual em fortalecer a rede de Instituições de Ensino Superior Estaduais e suas agencias de fomento. Do mesmo modo, é evidente que o governo tem ampliado sua percepção dos novos desafios na área de ciência e tecnologia com particular interesse pelo tema da inovação. A grande expectativa, por isso mesmo, remete à necessidade de se fortalecer a estrutura da SECITECE e de sua capacidade de atuação como instância coordenadora das iniciativas governamentais para o setor como um todo. Esta é vista como tarefa urgente que deve se completar com o aprimoramento dos instrumentos de fomento da Fundação de amparo à pesquisa e de sua adequada flexibilização para que ela possa dar conta da enorme diversidade de desafios e peculiaridades de resposta de seus parceiros em todo o estado do Ceará.



Por fim, há que se ressaltar a urgência da construção de um dialogo mais claro e efetivo entre o governo do estado e as instâncias federais no tocante a aspectos centrais da formulação e execução da política nacional de Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior. Também é importante destacar o papel mais incisivo do Estado na tentativa de inclusão das prioridades regionais no rol de prioridades nacionais, bem como de articulação das iniciativas estaduais com as federais pode significar ganhos enormes para o desenvolvimento do Ceará. Além disso, essa

articulação permitirá que se evite a concorrência improdutiva entre políticas das duas esferas de governo com objetivos semelhantes. Esse foi, certamente, o caso dos efeitos do REUNI sobre o esforço de consolidação dos campi das universidades estaduais do Ceará no interior. Há, nesse sentido, uma boa experiência a ser amplificada no trabalho de coordenação das ações da FUNCAP com os programas das principais agências federais de fomento.
1   2


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal