A ilusão dos inocentes wladimir Pomar tt scritta sumário



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O liberalismo cantou vitória, anunciou o fim da história, prometeu um mundo de paz, prosperidade e democracia. Este é, aliás, o mundo aspirado por bilhões de seres humanos que habitam o globo terrestre, bilhões de inocentes que acredi­taram que o fim do comunismo proporcionaria a civilização do capitalismo, sua humanização. Foi a ilusão dos inocentes.

O capitalismo, ao contrário, passou a remoer sua própria crise. Mais e mais coloca a nu as suas entranhas. Ao acabar com o comunismo do socialismo soviético, arrancou seu próprio véu. Já não há a quem culpar pelas mazelas de seu mundo. Sobra a bar­bárie ou a destruição.

Ou o socialismo. Com o fim do comunismo, o capital repõe a necessidade do socialismo. Um socialismo que se aproveite de todas as lições, das experiências e das vicissitudes do passado. Sem exceções. E que evite que os inocentes tenham novas ilusões e utopias. O socialismo não é, nem será, um caminho calcado de pétalas de rosas.

Em textos anteriores sobre o socialismo, comparei os hor­rores do capitalismo com o das experiências socialistas, afirmando que, afinal de contas, nestas os horrores haviam sido bem menores. Antônio Olivieri considerou que isso não parecia ade­quado. Para as vítimas, não importaria se o carrasco ostenta a suástica ou a foice e o martelo. E acrescentou que uma compara­ção do tipo aparenta reiterar a maquiavélica justificação dos meios pelos fins. Não residiriam neste erro elementos essenciais do próprio stalinismo?, perguntou.

Quem dera! Seria mais fácil eliminar erros desse tipo. O sta­linismo é o exemplo mais acabado do voluntarismo, da ilusão perversa de que seria possível alcançar o reino dos céus socialista por um caminho perfeito, igualitário e reto. Bastaria vontade e firmeza ideológica. E uma atitude inflexível e implacável contra os contra-revolucionários. Ainda hoje, muita gente que se diz contrária ao stalinismo, continua perseguindo um socialismo capaz de evitar qualquer desigualdade, qualquer conflito, qual­quer mancha. Bastaria ter à frente homens retos, dignos, bons e eticamente corretos. Dos quais, diga-se de passagem, o inferno anda cheio.

Isso não será possível, por mais que os socialistas queiram um caminho menos doloroso. Não só porque a burguesia resistirá. Mas porque os bolsões de atraso, de ignorância, de patologias sociais, são não somente grandes, mas imensos. E ainda causarão horrores no próprio socialismo, independentemente do desejo e das ilusões das pessoas de boa vontade e dos inocentes. As vítimas jamais absolverão seus carrascos, mesmo socialistas, e mesmo que hajam tombado em combate aberto e franco.

Apesar disso, sempre será um alento que os horrores do socialismo sejam menores, em relação ao capitalismo, até que possam ser finalmente suprimidos pela elevação da humanidade a um novo patamar de cultura e de vida. Chegado este momento, poderemos pelo menos repor as utopias sobre bases reais. E relembrar as ilusões dos inocentes que, mal ou bem, foram as fontes em que se embeberam os sonhos dos justos. Sonhos que alimentaram as lutas por um mundo melhor e que continuam por concretizar-se. Por isso mesmo, o debate e o combate per­manecem em aberto.

Fontes


Na elaboração deste texto e dos anteriores sobre a crise do socialismo, eu me vali do auxílio de obras, textos e opiniões de diferentes autores. Com eles concordei ou polemizei, aprovei­tando suas idéias para desenvolver minhas próprias teses e hipóteses. Fiz uma transcrição livre dos textos aproveitados, como alertei na Advertência, para facilitar o trabalho dos leitores. Os erros ou omissões são de minha inteira responsabilidade, assim como o conjunto das opiniões expressas nesta obra.

A seguir, o nome dos autores e obras citadas e consultadas, inclusive jornais e revistas, pela ordem em que aparecem no texto.



Citadas:

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K. Marx: Contribuicion a ia critica de Ia Economia política. A. Corazon, Madrid, 1976

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Eric Hobsbawn: "Out of the ashes", in Afier the Fali

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Norberto Bobbio: A era dos direitos. Campus, São Paulo, 1992

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The Economist: Gazeta Mercantil, 12/11 /1992

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Rosa Luxemburgo: Reforma, revisionismo e oportunismo. Laemert, Rio de Janeiro, 1970

Claude Leffort: A invenção democrática. Brasiliense, São Paulo, 1987

Francisco Weffort: Porque democracia. Brasiliense, São Paulo, 1984

C.B. Macpherson: A democracia liberai Zahar, Rio de Janeiro, 1978



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Nicos Poulantzas: O Estado, o poder, o socialismo. Graal, Rio de Janeiro, 1978

Nicos Poulnatzas: Poder político e classes sociais. Martins Fontes, São Paulo, 1986

Robert Nozick: Anarquia, Estado e Utopia. Zahar, Rio de Janeiro, 1991

Perry Anderson e outros: A estratégia revolucionária da atualidade. Jorues, São Paulo, 1986

V.I. Lenin: Contenido econômico dei populismo. Siglo XXI, México, 1974

A. Aganbegyan: Movendo a montanha. Best Seller, São Paulo, 1989



Este livro foi composto, paginado e fil­mado pela divisão de produção da Scritta Editorial, com a fonte New Baskerville. A impressão foi concluída nas ofi­cinas da Press Grafic Editora e Gráfica em outubro de 1994.


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