A importância das histórias em quadrinhos na educaçÃo do peru no século XXI



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A IMPORTÂNCIA DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NA EDUCAÇÃO DO PERU NO SÉCULO XXI

Rosa Alicia Nonone Casella – Universidade Federal De Pernambuco – UFPE

Thiago Vasconcellos Modenesi – Faculdade Dos Guararapes - FG

Grupo de Trabajo 30


RESUMO
Este artigo é fruto de uma pesquisa em curso que tem como principal objetivo analisar as possibilidades educacionais contidas em histórias em quadrinhos peruanas, as chamadas historietas. Estas tratam desde os Incas até suas figuras heroicas nacionais, sendo materializadas em experiências práticas realizadas na rede de ensino do país. Para tanto, aqui estudamos as historietas utilizadas em salas de aula do ensino regular peruano, juntamente com as cartilhas e manuais que orientam os estudantes na confecção e elaboração das mesmas produzidas por Organizações Não-Governamentais (ONGs), criando uma política educacional diferenciada. Aqui buscamos responder a seguinte pergunta: as histórias em quadrinhos são parte relevante da política educacional que objetiva a preservação da tradição histórica contribuindo na construção do homem peruano do século XXI? Queremos demonstrar que as histórias em quadrinhos tem e tiveram relevância no processo educacional peruano, destacamos que isso não se dá apenas em atividades que se apoiam nas leituras da mesma, mas também em outras que estimulam a produção de quadrinhos como instrumentos que tem a intenção em ajudar na comunicação entre os sentimentos e ideais dos estudantes para com o resto da sociedade. Fazemos tal construção a partir do debate da edificação do processo civilizacional daquele país nos apoiando nas teorias de Norbert Elias, dialogando com o sentimento de valorização do passado e de suas tradições que há naquele país.
PALAVRAS-CHAVE: Educação; histórias em quadrinhos; Peru.

INTRODUÇÃO
O Peru é um dos principais países latino-americanos, possui rica tradição histórica e uma civilização que já se encontrava bastante consolidada quando os espanhóis aqui chegaram, essa consolidação se apresentava nas edificações dos prédios, nos cultos religiosos, na organização de sua sociedade e também na educação.

Antes da chegada dos espanhóis os incas já habitavam o território que hoje corresponde ao Peru, são parte indissociável da história do país, estão intrinsicamente ligados a suas origens sendo até anteriores a formalização do mesmo enquanto nação.

O estudo da influência do povo inca sobre os peruanos na atualidade colabora para melhor entendermos a força que tal civilização tem até o presente sobre o povo do Peru, em particular no que diz respeito a educação no século XXI.

Nosso trabalho busca estudar como, mesmo com o passar de séculos, a tradição incaica se mantém viva e influente, pautando desde as refeições diárias que vão as mesas até o comportamento de toda uma nação.

O orgulho do passado e da tradição incaica se materializa na história do Peru, esta prima pelo resgate e valorização dos seus antepassados, seja na cultura, nos hábitos ou nas figuras históricas de relevo.

Essa história, baseada em figuras nacionais de cunho heroico e proeminente, cumpre função educacional nas escolas peruanas do século XXI, estão na forma de educar apoiada em figuras de destaque histórico associada a valorização do construído enquanto nação no processo civilizador deste país, a abordaremos a partir das histórias em quadrinhos e seu uso nas escolas do Peru. A civilização inca teve relevância para a América, assim como os Astecas e os Maias tiveram para México mas, em particular, a educação na civilização incaica.

As figuras heroicas incas se somam as da atualidade, a exemplo de Miguel Grau, general peruano que foi considerado um dos principais herói do século XX deste país, geralmente retratado na forma de histórias em quadrinhos publicadas pela Marinha peruana e depois por várias outras editoras, fato que detalhamos de maneira mais especifica ao tratar da relevância do mesmo como o mais importante vulto histórico adaptado aos quadrinhos com fins educacionais no Peru.

Aqui estudamos a atualidade da edificação dos heróis, algo recorrente nas historietas, maneira que se chamam as histórias em quadrinhos naquele país, com o corte específico das peculiaridades educacionais e culturais de hoje, isso nos ajuda a compreendermos melhor o povo do Peru, a influência real que tal civilização tem até os nossos dias nos peruanos e o que ela mudou nos hábitos, no educar e discutir de todo um país.

Mas não só, buscamos apresentar as políticas educacionais apoiadas em histórias em quadrinhos, também chamadas de historietas no Peru, com a finalidade da formação do processo da construção da preservação da memória histórica construída junto as novas gerações que frequentam as escolas públicas do país.

Aqui buscamos responder a seguinte pergunta: as histórias em quadrinhos são parte relevante da política educacional que objetiva a preservação da tradição histórica e da construção do homem peruano civilizado do século XXI?



Para elucidar esta questão apresentamos e analisamos a construção do processo civilizador peruano e da sociologia da cultura deste país a partir de Norbert Elias. Com essa finalidade problematizamos a relação do processo civilizacional com a educação e as políticas educacionais peruanas do século XX e XXI, por fim estudamos a utilização das histórias em quadrinhos pelos professores e estudantes, bem como a publicação das mesmas dirigidas especificamente para a educação nesta nação, em particular as que se relacionam com os incas e com as figuras históricas proeminentes do Peru.
O PROCESSO CIVILIZADOR PERUANO
Aqui vamos analisar elementos na educação que demonstram a forte presença destas particularidades na atualidade. Os incas são retratados recorrentemente nas histórias em quadrinhos peruanas, exemplo recente disso é a obra Ayar, la leyenda, criação de  Óscar Barriga, Virginia Borja, Kaimer Dolmos, Erly Almanza y Christian Ramos que possui alcance internacional e penetração nas escolas peruanas.

Os incas e as historietas não vieram a participar do processo educacional só recentemente, pesquisadores da origem das histórias em quadrinhos no Peru, a exemplo de Luis Rachitoff Infantas em seu livro Historietas de ayer...y de hoy, argumentam que os primeiros a registrarem a história daquele país nos anos de 1500 o fizeram em parte com representações artísticas que poderiam ser consideradas historietas por conter a associação entre texto e imagem:

Alrededor del año 1536, nacía en Ayacucho, Perú, Felipe Huamán Poma de Ayala, el mejor de los cronistas indígenas de nuestra historia.
Tal vez no sea tan interesante el estudio de las 1296 páginas manuscritas de que consta la obra de Huamán, (quien se ocupa desde la prehistoria peruana, hasta el año 1615, en que envía su trabajo al Rey de España), como el análisis de todos y cada uno de los 398 dibujos con que ilustró su obra; la que según confesión del autor, le tomó 30 años de su vida; y un año más, el pasarla "en limpio" para presentarla debidamente al monarca hispano. Tanto respeto le infundía el Rey, que no se atrevió a escribir la larga carta de presentación de su obra, de su puño y letra, sino que contrató a un experto calígrafo de la época, quién con hermosísimos caracteres, copió el dictado de Huamán, con fecha 14 de febrero de 1615; carta que se conserva en el Archivo General de Indias, en Madrid.
En su libro, Huamán informa sobre los usos y costumbres del Perú; y sobre todo, de los abusos que se cometían contra los indígenas, con la idea de que el Rey terminara con tales injusticias. Por ello, algún cronista llama a Huamán "el Quijoteindio. Los dibujos de Huamán, tienen un valor incalculable: no solo porque el cronista autor de "El Primer Nueva Crónica y Buen Gobierno" estuviera bien dotado para graficar correctamente su obra, sino por el peculiar estilo de sus dibujos, en los que observamos curiosos detalles. Por ejemplo, al analizar el cuadro 3, vemos como ese equívoco personaje llamado "Felipillo", muestra una cara de pícaro vividor y sinvergüenza que contrasta con la expresión ingenua de otros indígenas; y así, cada uno de sus dibujos merece el más detenido examen, para valorizar debidamente esta gigantesca obra. (INFANTAS, 1981, p. 24)
A partir de tal experiência peruana, que remonta a mais de 500 de anos de distanciamento histórico, relacionamos com a construção do estereótipo do forte, do referencial a seguir, da tradição histórica que precisava ser lembrada e que é motivo de orgulho para os peruanos, bem como da revolta histórica do trato violento com os índios por parte do colonizador espanhol.

Aqui cabe destacar que, diferente do Brasil e dos Estados Unidos, os peruanos tem uma ligação mais sólida com o povo inca que antecede a ocupação de seu território antes da colonização espanhola do país.

A afirmação de suas tradições, a vinculação com a capacidade que os incas tiveram de edificar em tempos tão distantes sua civilização, seus hábitos e seus costumes tem uma clara admiração e uma busca de perpetuação destas características por parte expressiva dos peruanos do século XXI.

O povo inca é descrito como heroico, combatente, trabalhador, visionário e capaz de resistir bravamente a colonização. Embora tenha sido sumariamente destruído, manteve uma ligação, uma presença sobre o imaginário do Peru atual que os índios brasileiros e norte-americanos não tem na mesma proporção em seus referidos países.

Aqui fazemos um estudo nos documentos do Ministério da Educação do Peru e nas publicações que orientam o uso de historietas em ambiente escolar sobre a maneira como se conduz o ensino do período incaico aos estudantes peruanos na atualidade, entendendo isso como parte da educação e da formação do processo civilizador de um povo.

Para tanto ressaltamos a importância que estes têm para todo um país como referência de comportamento e espelho de uma tradição que parece pautar os peruanos até o presente, isso sendo feito através da ludicidade e do fácil acesso proporcionado pelas histórias em quadrinhos daquele país.

Fizemos a análise dos hábitos e costumes peruanos bem como as mudanças das tradições incas do Peru materializadas na educação. Aqui cabe uma reflexão sobre a formulação de Norbert Elias que não vê a edificação da civilização necessariamente como algo positivo, já que a mesma também pode se prestar a destruir culturas, costumes e hábitos que a antecedem.

Elias (1990), em particular no seu livro O Processo Civilizador, estuda e retrata as relações intraclasse e extraclasse existentes na construção do que hoje chamamos civilização, neste trabalho se destaca o gesto de situar historicamente o processo civilizador e a capacidade de estudar as contradições e detalhes que existe dentro de um mesmo setor, uma mesma classe social.

A partir deste autor buscamos analisar e entender a edificação da nação inca e seu entrelace com o processo civilizador peruano, além de discutir os hábitos e costumes de todo um império, como foram irradiados para além do núcleo de poder maior na sociedade incaica chegando a influenciar na atualidade do povo peruano.

Com isto, vamos estudar o passado e o estudo dos incas nas escolas no Peru, formas de aprendizagem, comportamento social de acordo a grau hierárquico entre os incas e influencia cultural incaica na sociedade peruana dentro do campo educacional nos dias de hoje.

O fazemos dentro dos conceitos eliasianos de relacionamentos como teias que entrelaçam vários matizes de diferentes aspectos de um povo, que caracterizam toda uma complexidade e interdependência.

Isso é muito marcante numa sociedade complexa como foi a inca no Peru, com suas fortes tradições, religiosidade, costumes alimentares e arte. Expressão disso é a construção de todo um império, inclusive físico, pelos seus membros o que, em nossa opinião, demonstra uma integração grande em volta de um projeto e de uma civilização que ia sendo edificada.

Elias nos ajuda ao explicar o funcionamento e evolução do que define uma civilização, da inclusão gradual de conceitos, hábitos e práticas nas sociedades, passando a fazer parte do cotidiano, da paisagem de cada uma dessas.

Isso se dá nas tradições atualmente seguidas na sociedade peruana, como no aspecto dos empréstimos linguísticos do idioma incaico quéchua, considerada segunda língua oficial do Peru.

São exemplos o uso da papa (um tubérculo oriundo dos incas) na culinária, comemorações de datas festivas onde se seguem as tradições cerimônias ao Deus Sol, uso de trajes típicos, criações artísticas no aspecto artesanal e arquitetônico, a domesticação das lhamas, vicunhas e alpacas que são animais andinos tidos com meios de transporte na civilização incaica até os dias de hoje.

Com a teoria eliasiana podemos estudar esta experiência que o Império viveu de incorporar expressões culturais carregadas de significância e com ressonância em parte da população que teve contato com essas ideias. Podemos analisar seu impacto na elite e nas camadas populares.

O desafio proposto aqui neste artigo é de desvendar se na atualidade do século XXI o ensino da história do Peru, no que se refere aos incas, os apresenta como uma referência do ponto de vista comportamental e de hábitos a ser seguida ou negada, outro enfoque que buscarmos analisar é se o passado inca se insere meramente na cronologia da disciplina de História como algo a ser apreendido mas não perpetuado, algo em desuso ou superado no desenvolvimento do Peru dos dias de hoje.
A ANÁLISE DA HISTÓRIA INCA E O PERU DE HOJE NA EDUCAÇÃO
Analisamos aqui o processo de ensino-aprendizagem através de seus procedimentos metodológicos. Há que se entender que o fato do Peru possuir uma civilização estruturada bem antes dos demais povos da América Latina parece ter acabado por ajudar na introjeção de um orgulho desta herança e na perpetuação de rituais, músicas, artes em geral e hábitos durante todos estes séculos.

Os incas viveram no Peru nos anos de 1100 até 1532. Este império se estendia desde as montanhas da Colômbia de hoje para o norte do Chile e Argentina, e da costa do Pacífico para as florestas da Amazônia. Eles tinham uma civilização avançada, mas não tinham uma linguagem escrita.

Sua capital era em Cusco. Os Incas chamavam seu território Tawantinsuyu, que em Quechua, a língua Inca, significa as quatro partes (no centro do Império Inca e dominava as áreas que foram conquistados no comando dos chefes, os curacas).

Acreditava-se que os incas eram chamados pelos deuses para dar conhecimento a sua civilização. Os pais eram os educadores por excelência entre o povo comum. Os homens aprendiam a cultivar, caçar, fazer cerâmica e tecer, já as mulheres aprendiam a cozinhar, limpar, e cuidar dos animais.

Os pais também transmitiam hábitos e atitudes materializando um comportamento social majoritário e, consequentemente, tido como o mais adequado devido a sua aceitação entre a maioria da população. Esta educação tinha dois lados: positivo, de bons conselhos, e corretivo, castigando-os quando violavam as pautas de comportamento estabelecidas.

Depois dos pais, os mais velhos constituíam o segundo nível pedagógico daquela civilização. Sua influência educativa era enorme porque eram considerados portadores de valores fundamentais como a experiência e o tempo.

Nessa civilização só os filhos da família real e dos nobres concorriam às escolas. Acreditava-se que as ciências pertenciam somente a estes. Os mesmos eram a referência de comportamento e hábito de toda uma sociedade

A educação nas escolas se limitava à aprendizagem de conteúdos de memória. Compreendia um extenso programa de religião, governo, civilidade, arte militar, cronologia, história, educação dos filhos, poesia, música, filosofia e astrologia.

Os professores eram chamados de amautas, um sinônimo de sábio ou filósofo, eram muito queridos e referências de comportamento naquela sociedade, cabe aqui um paralelo com o papel do educador que o pedagogo Paulo Freire discute em sua obra Pedagogia do Oprimido, ressaltando a importância de uma relação de amor entre professores e estudantes no sentido da devoção do primeiro e seu compromisso em colaborar ativamente para a ampliação dos horizontes dos seus alunos, ajudando-os a se libertarem dos grilhões não literais que os prendem nas limitações educacionais e sociais.

Os amautas eram a personificação do prestígio educacional e a referência de educação e civilização para os estudantes, espelhos da sociedade e instrumentos para viabilizar a aceitação dos alunos junto a esta.

O paralelo com o pedagogo brasileiro nos mostra um projeto na educação inca que caminha no sentido oposto, não busca o rompimento mas a aceitação perante a sociedade consolidada do povo inca.

O processo que aqui estudamos edificou uma civilização que colaborou na formação de uma particularidade, uma forma de educar fortemente influenciada pelas tradições incaicas, exemplo disso se faz presente na matemática.

Também destacamos as possibilidades contidas em nosso trabalho na perspectiva deste poder colaborar na elucidação de questões, ao exemplo de como se transmitiu o conhecimento adquirido na civilização incaica até hoje no Peru, a aplicação da educação no período inca e como é transmitida a história e costumes dessa civilização hoje nas escolas públicas de Lima.

Nosso objetivo geral é o de traçar um paralelo no estudo das diferenças e similaridades da civilização incaica e a educação atual no Peru a partir da análise das histórias em quadrinhos que tratam sobre o tema.

Para tanto partimos do objetivo específico de estabelecer um paralelo na presença e evolução da educação oriunda dos incas até a atualidade no Peru apoiado no que o Ministério da Educação elabora e planeja para as séries que compõe o ensino fundamental e médio, bem como a análise de materiais didáticos e paradidáticos que dialoguem com as historietas peruanas.

Partindo da análise dos dados, expomos a presença da civilização incaica no período atual na rede de ensino demonstrando a perpetuação do legado incaico até o século XXI no que tange a educação. Nesse interim, trabalhamos com um binômio que comporta o estudo de como essa civilização é tratada nas salas de aula da capital do Peru a partir das histórias em quadrinhos.



AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS E AS HISTORIETAS PERUANAS
Os quadrinhos tem tomado um papel de destaque na cultura de nossos dias, em pleno século XXI ocupam espaço considerável na mídia, geram produções cinematográficas, inspiram roupas e artefatos para casa, se tornaram algo plasmado aos dias que vivemos.

Dito isto, um passo depois os quadrinhos chegaram a escola peruana, apresentando e perpetuando tradições e hábitos históricos, trazendo heróis que edificaram a civilização do país e orientando os estudantes nos mais variados aspectos.

Exemplos como o de Miguel Grau ajudam a ilustrar a política de publicação nos quadrinhos, publicado em 1970 pela Editora da Marinha de Guerra do Peru o personagem teve várias outras representações nas historietas no passar dos anos, um exemplo mais recente é um novo enfoque do herói histórico feito pela editora Andares em 2007, ambos com clara característica pedagógica na maneira que foi construída a história e sua narração.

A evolução do personagem com características educacionais da valorização da história peruana, seus heróis e seus feitos chegou a construção recente de nova historieta aonde o general de guerra Miguel Grau ressurge no futuro lutando contra alienígenas, a mesma é publicada em redes sociais e atinge uma parcela do público diferenciada ao vincular ficção e fatos históricos, a obra é atualizada periodicamente na página do Facebook.

Além disso, manuais de Organizações Não-governamentais orientam aos estudantes como desenhar e escrever histórias em quadrinhos, numa demonstração de uma tentativa respaldada pelo governo do Peru para tentar sensibilizar os alunos a exporem seus pensamentos, dúvidas e angústias.

Exemplo é a obra Cómo usar la historieta en la escola, publicada pela Associação dos Comunicadores Sociais Calandria com apoio internacional do governo canadense. A publicação tenta sistematizar orientações para estimular os estudantes a criarem suas próprias histórias em quadrinhos, argumenta que tal iniciativa os permitirá expor sensações e opiniões difíceis de serem verbalizadas, se articula para além da palavra e, poderia vir a ser, um instrumento pedagógico importante ligado ao estudo regular que ocorre nas escolas:

La historieta es un medio de comunicación privilegiado. Nos permite contar historias desde la penumbra de nuestra timidez, soldando imágenes que dibujan sueños y escenarios con las emociones, situaciones y pensamientos descritos por las palabras. Pues hay cosas que no se dicen fuera del grupo de amigos, y muchas veces ni dentro de él. Hay ideas y sentimientos que escondemos tras las frases y aventuras de algún personaje, trazado con apuro en un papel cualquiera sin destinatario preciso. Hay historietas cuyas viñetas semejan umbrales que nos van aproximando, como lectores, al mundo más íntimo de su autor o autora. (Calandria, 2007, p. 1)
A articulação entre o estimulo a criar as histórias em quadrinhos associado a leitura das mesmas pode colaborar decisivamente numa visão mais multifacetada do mundo que o cerca, permitindo a leitura da realidade ao redor e a introjeção de valores de maneira mais lúdica e descontraída.
CONCLUSÃO
Educar e formar são duas categorias que caminham juntas, se misturam e dependem uma da outra. Nosso estudo busca colaborar no melhor entendimento da influência incaica sobre o povo peruano no passar dos séculos, com destaque no século XXI.

Buscamos apresentar nesse trabalho a maneira como o povo peruano teve a presença das suas tradições como algo relevante no seu modo de encarar o mundo atual, como o peso dessa tradição que está situada séculos distantes no processo civilizador se faz presente no cotidiano contemporâneo de todo um país, com destaque nos estudantes de algumas escolas da cidade de Lima, capital do Peru.

Possuímos ligação com o objeto, temos nacionalidade peruana e vivemos em nossa infância e adolescência o contexto de habitar um país contagiado em todos os seus aspectos pelo orgulho de ser parte da civilização e tradição incaica, o processo civilizador peruano tem sua marca mais forte na presença dos incas no passado de nosso povo.

Na escola tivemos contato com as historietas que retratavam Miguel Grau, bem como o tiveram também outros membros de nossa família, conhecidos e amigos. As histórias em quadrinhos possuem tradição e importância no Peru, são muito vinculadas a análise e sátira politica e a retratação histórica e construção de personagens que carregam essa herança.

Não há como estudar o passado do Peru e sua civilização sem analisar e entender a sociedade inca com toda sua complexidade para o período em que existiu, ali se começou a edificação de uma nação, se expressou com força parte importante do processo civilizador do Peru. Nosso trabalho busca aproximar este passado do Peru nos dias de hoje, entendendo melhor toda uma nação e seus costumes a partir da educação.


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