A importância do lúdico e dos sentidos sensoriais humanos na aprendizagem do meio ambiente



Baixar 48.71 Kb.
Encontro20.07.2016
Tamanho48.71 Kb.
A importância do lúdico e dos sentidos sensoriais humanos na aprendizagem do meio ambiente.

Andrea Inês Goldschmidt1

Dilma Terezinha de Moraes Machado1

Eliana Madalena Souza Staevie2

Ana Luiza Grohe Machado 3

Marluce Ferreira Flores4


Resumo: O presente artigo aborda a importância da prática dos sentidos sensoriais na aprendizagem sobre meio ambiente com base em atividades realizadas durante o primeiro semestre de 2008. Tem-se como objetivo evidenciar a importância da utilização do tato, da visão, da audição, do paladar e do olfato nas práticas ambientais, como também salientar a importância do lúdico na aprendizagem. Para tanto, se abordará a importância dos sentidos sensoriais do corpo humano no processo de ensino-aprendizagem, se ressaltará a influência do lúdico e da prática científica na construção cognitiva das Ciências e se enfatizarão atividades desenvolvidas na construção da consciência ambiental pelo uso dos sentidos.

Palavras-chave: sentidos sensoriais, ensino-aprendizagem, meio ambiente.
1. INTRODUÇÃO

A percepção de mundo, para os seres humanos, se dá por meio dos sentidos sensoriais: audição, tato, paladar, olfato e visão. A união e o estímulo desses sentidos facilitam o processo de aprendizagem do educando, pois o conhecimento do mundo chega por meio desses sentidos, sendo captado por células sensoriais e, posteriormente, interpretado pelo cérebro. Dessa forma, o corpo se estabelece como o principal instrumento de aprendizagem.

O uso de atividades práticas de caráter lúdico ou científico estimula o gosto do educando pela aprendizagem. A prática explora a maior parte dos sentidos sensoriais ao mesmo tempo, tornando maior essa porta de entrada do mundo exterior, facilitando a interpretação do cérebro no processo cognitivo.

____________________________



1 Biólogas, Professoras na ULBRA, Campus Cachoeira do Sul, RS

2 Pedagoga, Professora de Educação Infantil

3 Acadêmica do curso de Biologia da ULBRA, Campus Cachoeira do Sul, RS

4 Acadêmica do curso de Pedagogia da ULBRA, Campus Cachoeira do Sul, RS

Os jogos e as atividades práticas podem ser encarados como simples brincadeiras pelas crianças; mas, no ensino, possuem uma proporção muito maior: levam a uma percepção cognitiva, transformando o concreto em abstrato. As crianças assimilam a cultura do meio em que vivem por meio de jogos e brincadeiras. Durante todo o tempo de desenvolvimento infantil, o lúdico está presente. A partir de uma atividade lúdica, além de sentir prazer e ter diversão, a criança desenvolve habilidades motoras e intelectuais (TAFNER; FISCHER, 2004).

Abordar-se-á a importância dos sentidos sensoriais do corpo humano no processo de ensino-aprendizagem, ressaltando a influência do lúdico e da prática científica na construção cognitiva, enfatizando algumas atividades importantes para o auxílio à educação ambiental.
2. Fundamentação Teórica

O cérebro humano é responsável pelo recebimento e interpretação das sensações captadas pelos órgãos dos sentidos, transformando-as em informações valiosas para o corpo. Essas sensações e informações são preciosas no processo cognitivo do educando.

Os processos, como audição, tato, entre outros, diretamente ligados à aprendizagem, são interpretados por áreas específicas situadas no córtex cerebral. Conforme McCrone (2002, p. 14), “o cérebro contém áreas especializadas em diversas atividades, como planejar movimentos, fazer julgamentos ou mapear o cenário visual”.

Todo ser vivo interage com o mundo a sua volta por meio dos órgãos ou estruturas dos sentidos. Porém, para que essa percepção de mundo ocorra, é imprescindível receber, transportar e transformar estímulos em informações necessárias para interpretação do meio em que se vive. Todo esse processo gera aprendizado cognitivo. No corpo humano, Pocock & Richards, 2006, descrevem que a capacidade de perceber o ambiente é realizada por células sensoriais, altamente especializadas, espalhadas pelo corpo ou concentradas nos chamados órgãos dos sentidos, formando o que se conhece por sentidos do corpo humano. Os estímulos são capturados por essas células sensoriais e levados até o cérebro através de impulsos nervosos. Chegando ao cérebro, o impulso nervoso é interpretado como uma sensação visual, olfativa, auditiva, gustativa ou de toque. Entretanto, os impulsos gerados pelos diferentes órgãos sensoriais são interpretados em regiões distintas no cérebro.

Os sentidos sensoriais são a porta de entrada para aprendizagem no corpo humano. Explorar técnicas que privilegiam o uso dos sentidos auxilia a captação dos mais diversos conteúdos. “Maria Montessori defendia que o caminho do intelecto passa pelas mãos, porque é por meio do movimento e do toque que as crianças exploram e decodificam o mundo ao seu redor. ‘A criança ama tocar os objetos para depois poder reconhecê-los’, disse certa vez.” (NOVA ESCOLA, 2006, p. 32).

Entre todos os sentidos sensoriais, os que mais se destacam é o tato e a visão. Tuan (1980) destaca a importância dos sentidos, sendo o mais utilizado pelos seres humanos na percepção ambiental, a visão. Em relação à visão, o autor ainda ressalta que, dos cinco sentidos tradicionais, o homem depende mais conscientemente da visão do que aos demais sentidos para repensar o mundo. É predominantemente um animal visual. Assim, podemos afirmar que os sentidos são partes necessárias e fundamentais no processo de percepção dos indivíduos e das suas sensações relacionadas ao ambiente, ao seu habitat. Fischer (2001, p. 57) afirma que, “para o ser humano, o rosto, a boca e as mãos são seus principais meios de explorar o ambiente e, por esse mesmo motivo, é grande a inervação nessas áreas. Neste sentido, é fácil entender a importância de utilizar e explorar atividades manuais.

Tafner e Fischer (2004, p. 144) afirmam acreditar na simbiose do corpo e do conhecimento, porque a ação, mediada pelo corpo, ativa outros canais além do visual e do auditivo. O corpo como um todo é um canal de convergência sensorial. Por sabermos que o corpo também participa do aprendizado, também sente e também se recorda, precisamos reconhecê-lo, respeitá-lo e utilizá-lo mais em nossas vidas. E se tem esse atributo de rememoração, por que não ser usado como ferramenta cognitiva no âmbito único de experimentar o conhecimento através da melhor linguagem que o corpo conhece? A linguagem da ação.

Portanto, o tato contribui, também, na ativação dos canais visuais e auditivos, sendo que estes últimos são os mais explorados no processo de ensino-aprendizagem, além de levarem à experimentação prática, que é muito mais prazerosa que a auditiva e a visual, representada pelo professor e o quadro.

Segundo Ferrara (1999), a linguagem ambiental e a percepção que dela se têm, pode ser identificada na observação que capta e registra as imagens e as associa. Assim, o estudo da percepção ambiental se torna fundamental para que possamos compreender melhor as inter-relações entre o homem e o ambiente no qual vive, suas expectativas, satisfações e insatisfações, valores e condutas, como cada indivíduo percebe, reage e responde diferentemente frente às ações sobre o meio. O estudo deve buscar não apenas o entendimento do que o indivíduo percebe, mas também promover a sensibilização, a consciência, bem como o desenvolvimento do sistema de compreensão do ambiente ao seu redor.

Tuan (1980) comenta que existem diversas maneiras de perceber as paisagens, de se construir a realidade através de experiências únicas. Ao entrar em contato com o meio ambiente, as pessoas fazem uso dos cinco sentidos em um processo associado com os mecanismos cognitivos, ou seja, cada indivíduo percebe, reage e responde diferentemente frente às ações sobre o meio. As respostas ou manifestações são, portanto, resultado das percepções, dos processos cognitivos, julgamentos e expectativas de cada indivíduo.

O ambiente natural assim como o ambientes construído, é percebido de acordo com os valores e as experiências individuais dos homens onde são atribuídos valores e significados em um determinado grau de importância em suas vidas.

Diante deste contexto, a percepção individual ocorre através dos órgãos dos sentidos associados a atividades cerebrais. As diferentes percepções do mundo estão relacionadas às diferentes personalidades, à idade, às experiências, aos aspectos sócio-ambientais, à educação e à herança biológica.

Os estímulos sensoriais, os sentimentos relacionados ao espaço e a paisagem originam-se de experiências comuns voltadas para o exterior. A percepção do ambiente, as imagens, seus significados, as impressões absorvidas e os laços afetivos são unos em cada ser humano. Porém, o cognitivismo, a personalidade, o ambiente social e físico tem uma determinada influência direta no processo de percepção do ambiente.

As sensações é que nos dão as qualidades, as impressões dos objetos e conseqüentemente os significados e valores atribuídos por nós. Para termos as sensações, necessitamos dos sentidos: visão, olfato, paladar, audição e tato. Eles permitem-nos formar idéias, imagens e compreender o mundo que nos rodeia. Dessa forma, a percepção apresenta-se como um processo ativo da mente juntamente com os sentidos, ou seja, há uma contribuição da inteligência no processo perceptivo, que é motivada pelos valores éticos, morais, culturais, julgamento, experiências e expectativas daqueles que o percebem.

A Educação Ambiental aliada à Percepção Ambiental devem ter como objetivo, a compreensão de conhecimentos e conseqüentemente provocar uma maior sensibilização das pessoas a respeito da preservação dos recursos naturais (fauna, flora, rios, matas etc).

O processo de sensibilização, de conscientização e conhecimento envolve todo o processo de percepção ambiental presente na Educação Ambiental, despertando na sociedade ações positivas que sensibilizem os indivíduos e os educandos da importância de se preservar o meio ambiente.

Nesta perspectiva, o desenvolvimento de atividades ligadas à Percepção Ambiental e Educação Ambiental deve proporcionar uma maior sensibilização em relação ao meio ambiente com o propósito de fortalecer o exercício da cidadania e as relações interpessoais com a natureza.
3. Material e Métodos:

Durante o primeiro semestre de 2008, no mês do meio ambiente, foi desenvolvida uma prática sobre o desenvolvimento da percepção ambiental pelo uso dos sentidos, com uma turma de educação infantil em uma escola do município de Cachoeira do Sul.

Para tanto, se organizou um roteiro de atividades relacionadas à temática ambiental, pelo uso e exploração dos sentidos.

Inicialmente realizou-se uma conversação sobre os sentidos e a importância dos mesmos; bem como as relações que se estabelecem entre os sentidos e o meio ambiente. Questionaram-se as crianças de como poderíamos nos preocupar em melhorar o meio ambiente e cuidarmos dele, se não fossemos capazes de olhar, ouvir, sentir, cheirar e perceber as belezas de tudo que existe?

Após, os alunos foram guiados a participarem e interagirem em distintas atividades que trabalharam todos os sentidos. Foram confeccionados os órgãos do sentido em tamanhos grandes, para que despertasse o interesse das crianças.

1. Prova do olfato: Inicialmente as crianças participaram de provas que exigiram o olfato, sendo composto por três caixas de tamanho 25x15x15 cm (comprimentoxlarguraxprofundidade), com uma abertura superior, preenchida por uma tela. Cada aluno tinha que cheirar e após numa roda discutir o que havia na caixa, mostrando a importância do olfato. Nas caixas foram colocados, bergamota, marcela e essência de limão. Depois se questionaram os alunos: você sabe como funciona o nariz? Discutiu-se ainda sobre as perturbações do meio ambiente e o olfato. O material confeccionado pode ser observado na Figura 1.

2. Prova do tato e do paladar: Após a prova do olfato, foram submetidos à prova do tato, também contendo três caixas de tamanho 25x15x15 cm, com uma abertura na lateral. Havia nas caixas: pinha, esponja natural, cravo-do-mato (bromélias). Havia ainda uma caixa, considerada do tato e do paladar, por conter pirulitos. Discutiu-se com as crianças que o tato é a maneira como a gente "pega" o mundo pelas sensações da pele. O material confeccionado pode ser observado na Figura 4.

3. Prova da visão: Na próxima etapa, foram colocados individualmente as crianças diante de uma caixa grande (70x70x70cm), tendo três aberturas na parte anterior: uma para introduzir a cabeça, que ficava coberta com um pano preto, e duas para colocar as mãos e poder tatear o objeto. Inicialmente o aluno olhava dentro da caixa, encaixando a cabeça na abertura superior, para ver se era possível enxergar. Após, as crianças colocaram as mãos dentro da caixa e podiam descobrir o objeto pelo uso do tato. Em círculo com as crianças, estas foram questionadas porque não enxergaram nada e como foi possível descobrir o objeto, mesmo sem vê-lo. O material confeccionado pode ser observado na Figura 2.



4. Prova da adição: Por fim, foi desenvolvida com os alunos a percepção do som, pelo uso da audição. As crianças foram dispostas em circulo, com os olhos cobertos com uma faixa e ouviram um CD contendo uma música sobre sons da natureza. Inicialmente a música apresentava sons agradáveis, com sons de aves e outros animais, após ruídos de tratores, máquinas na floresta, motossera e derrubada de árvores. Discutiu-se com as crianças sobre a atividade e após sobre a importância da audição. Foi ensinado como o nosso corpo escuta os barulhos e se discutiu como o meio ambiente sofre pela ação do som. O material confeccionado pode ser observado na Figura 3.









No decorrer da atividade, foi explicado às crianças que diferentes espécies de animais usam diferentes sentidos. Exemplificou-se pela explanação sobre os morcegos e as crianças colocaram acoplados às suas orelhas, dois cones de linha para simular as orelhas dos morcegos. Com o e após foi realizado a construção de um origami, visualizados nas figuras 5 e 6.

Texto: Os Morcegos

Os morcegos são os únicos mamíferos com capacidade de vôo, devido à transformação de seus braços em asas. Em alguns países, há morcegos muito grandes, podendo alcançar até 2 metros de envergadura. Orientam-se no escuro por um mecanismo chamado "ecolocalização" ou "sonar dos morcegos". Estes animais emitem gritos, que consistem em ondas de altíssima freqüência, inaudíveis pelo homem, emitidos pela boca ou pelas narinas. Esses impulsos de ultra-som, ao atingirem um objeto, são refletidos em forma de ecos e captados pelos ouvidos. Com esse sonar, os morcegos conseguem identificar, quando voando, a natureza do ambiente que os circunda, bem como a forma e dimensão do objeto. Os morcegos apresentam uma gestação de dois a sete meses, dependendo da espécie. Os filhotes (geralmente um por gestação) nascem sem pêlos ou com pouca pelagem. São alimentados com leite materno e, gradativamente, começam a ingerir o mesmo alimento dos adultos. Escolhem como abrigos: esconderijos naturais: copas de árvores, folhagens, tronco ôco de árvore, fendas de rochas e cavernas. Em esconderijos artificiais: sótãos e porões, forros e telhados, pisos falsos, garagens, vãos de prédios, caixas de persianas e estábulos.

Você sem dúvida deve ter ouvido muitas lendas sobre morcegos. Vamos ver as mais comuns:

"Morcegos são cegos": os morcegos não são cegos, alguns deles inclusive têm ótima visão.

"Morcegos fazem ninhos nos cabelos das pessoas": morcegos  não fazem ninhos como os pássaros; morcegos empoleiram-se.

"Morcegos atacam as pessoas": morcegos não atacam as pessoas, eles são animais pequenos e tímidos. Lembre-se, somos muito grandes para um morcego e eles têm medo de nós.

"Todos os morcegos têm raiva": não são todos os morcegos que têm raiva. A presença de vírus nas populações de morcegos tem uma taxa muito pequena. A melhor prevenção contra a raiva é não tocar em um animal selvagem doente ou machucado, pois ele provavelmente vai morder para se autodefender.

Curiosidades dos morcegos. Você sabia que...

...são bons nadadores, quando necessário;

...nem todos morcegos tem pelagem escura, algumas espécies tem pelagem clara;

...um morcego insetívoro pode devorar até 3.000 insetos em uma única noite;

...em alguns países as pessoas constroem casinhas para morcegos no quintal, assim como nós construímos para passarinhos;

...morcegos não são cegos, eles possuem visão;

...as fezes dos morcegos foram largamente utilizadas no século passado para fabricação de pólvora.

O morcego hematófago (Demodus rotundus), que secreta uma substância que está sendo estudada para ser usada na medicina: algumas gotas dessa substância poderia dissolver trombos e coágulos em seres humanos, evitando ataques de coração.

Muita gente acha que morcegos só chupam sangue, mas na verdade poucos fazem isto! Podem se alimentar de frutas, néctar, pólen, flores, peixes, insetos e pequenos animais.

Importância dos Morcegos na Natureza: São os únicos predadores eficientes de insetos noturnos (mosquitos, mariposas, besouros, baratas e outros), capturando-os em pleno vôo, desempenhando um importante papel no controle das populações destes insetos. São responsáveis pela polinização de diversas espécies de plantas como: ingá, unha-de-vaca, maracujás e muitas outras. São os mais eficientes dispersores de sementes, pois chegam a transportar aproximadamente 500 sementes de plantas típicas de florestas. Sendo assim, estes morcegos são importantes para a regeneração de ambientes agredidos. São importantes no controle das populações de pequenos animais (peixes, rãs, camundongos, aves e outros morcegos). Fazem o controle da população de pequenos peixes. Nos ecossistemas naturais, os morcegos hematófagos auxiliam no controle das populações de vertebrados evitando que superpopulações dessas presas destruam o ecossistema.



4. Resultados e discussões:

Durante a atividade, foram trabalhadas com vinte e três crianças, com idades entre cinco e seis anos.

1. Prova do olfato: As crianças discutiram ativamente sobre a importância do olfato e participaram das explicações sobre o funcionamento do nariz. Foi explicado que o nariz é como uma caverna, com as paredes recobertas de muco. No teto dessa caverna ficam as membranas olfativas, que captam os cheiros que entram pelo nariz e enviam a informação, através de órgãos especializados ao cérebro. Discutiu-se ainda sobre as perturbações do meio ambiente e o olfato. Concluiu-se com as crianças que o olfato é maltratado pela fumaça dos carros e das fábricas. Não é à toa que registramos esses cheiros como ruins: a fumaça faz mal para nosso corpo. O cheiro ruim nos rios, causado pelos esgotos, além de não ser desejado para visitação, é um alerta para repensarmos o futuro! Após, o órgão confeccionado passou entre as crianças, que se divertiram muito.

2. Prova do tato e do paladar: As crianças ficaram bastante ansiosas para esta prova, tinham de colocar a mão na caixa e após, em roda discutir os resultados. Discutiu-se com as crianças que o tato é a maneira como a gente "pega" o mundo pelas sensações da pele. Logo abaixo da pele, os neurônios sensoriais registram as sensações que chegam por ali. Nós sentimos a forma pela ponta dos dedos. Os neurônios sensoriais pegam essa sensação, mandam a informação adiante e assim podemos perceber o que estamos tocando. Desta forma, quando não estamos vendo, pelo tato, sentimos e depois descobrimos o objeto! Ao final da prova, receberam os pirulitos. A caixa do paladar foi a mais esperada.

3. Prova da visão: As crianças foram questionadas porque não enxergaram nada na caixa, onde introduziram a cabeça e como foi possível descobrir o objeto, mesmo sem vê-lo. Foi explicado a elas que a luz carrega tudo o que vemos sobre o mundo para dentro do olho. A luz é a grande responsável por enxergarmos todas as formas e cores. Nosso olho capta a imagem do que estamos vendo. É como tirar uma foto. Mas ela não chega diretamente ao cérebro como a vemos. Primeiro, ela é projetada dentro do nosso olho de cabeça para baixo! Parece estranho, mas é assim mesmo. Só então uma das partes do olho reenvia à imagem na posição certa para o cérebro. Para melhor ilustrar, mostrou-se o órgão construído em MDF e explicou-se a importância da pupila. Para ilustração da capacidade de abertura desta, para entrada de luz, usou-se uma lanterna e colocava-se próximo ao olho da acadêmica monitora que auxiliava na atividade. As crianças puderam perceber que o tamanho da pupila ela modificado; ou seja, dilatava-se para que maior quantidade de luz penetrasse. À medida que a lanterna era afastada, o contrário acontecia.

4. Prova da adição: Por fim, foi desenvolvida com os alunos a percepção do som, pelo uso da audição. As crianças dispostas em circulo, com os olhos cobertos com uma faixa, ouviram um CD contendo uma música sobre sons da natureza. Durante os sons agradáveis, com sons de aves e outros animais, houve crianças que dançavam e balançavam o corpo e a cabeça. À medida que após ruídos de tratores, máquinas na floresta, motossera e derrubada de árvores, ficaram agitadas, algumas arrancaram a faixa e discutiam sobre a ação do homem. Foi ensinado como o nosso corpo escuta os barulhos, exemplificando que quando se está debaixo d’água, os movimentos do corpo criam ondinhas. Quando uma coisa se move e bate em outra, acontece uma explosão chamada som, ou barulho. E como aconteceu um movimento, o ar leva o som através dessas ondas, chamadas ondas sonoras. O ouvido é nosso órgão especializado em captar o som das ondas sonoras. É a antena de rádio que nós temos em nosso corpo. Dali, as informações são transmitidas para o cérebro, que vai interpretar cada som: o canto dos pássaros, o zumbido da abelha e o vento. Após se discutiu como o meio ambiente sofre pela ação do som? As crianças conseguiram identificar que é pela poluição sonora. Assim, foi discutido que o som é medido em decibéis. Um jato decolando, por exemplo, faz um barulho de 140 decibéis; uma conversa produz, em média, 60 decibéis. Os sons acima de 90 decibéis fazem mal ao nosso organismo, e podem causar desde um zumbido no ouvido até nervosismo e complicações no sistema digestivo, reação muscular e constrição dos vasos sangüíneos, perturbação do sono, entre outros.

As crianças demonstraram interesse todo o tempo da atividade, que teve duração de 2 horas e meia. Participaram ativamente, se divertiram e aprenderam consideravelmente sobre os sentidos, despertando o amor à natureza. As imagens das atividades podem ser visualizadas nas Figuras 7 a 22.



5. Conclusões

A prática por meio de atividade lúdica fornece subsídio para o educando observar, interagir, experimentar, investigar e formar o verdadeiro conhecimento científico. Dessa forma, as atividades favorecem a aprendizagem sobre Ciências.

As atividades interessantes permitam a exploração e a sistematização de conhecimentos compatíveis ao nível de desenvolvimento intelectual dos estudantes, em diferentes momentos do desenvolvimento.

O professor desempenha o papel de mediador, e não de detentor e reprodutor do conhecimento. Portanto, o aluno tem o dever de organizar o conhecimento adquirido por meio de observações, experimentações e investigações. A aprendizagem, sob esse ponto de vista, é construída pelo próprio aluno, sendo o professor o elo comunicante entre a teoria e a prática científica e o mundo do educando.

A aula de caráter prático tem tendência a ser mais motivadora do que simplesmente o uso do quadro, do giz e do livro didático.

Para estudar o ambiente, deve-se reportar a interdisciplinaridade, o que pode ser realizado através do uso do conhecimento explorado: os cinco sentidos.

O recurso utilizado possibilitou a exploração de movimentos corporais e a utilização de todos os sentidos sensoriais, desenvolvendo a percepção cognitiva. Fica evidente a importância do uso de todos os sentidos sensoriais nas atividades, pois o tato, por exemplo, facilita o processo de transformação do concreto para o abstrato, levando o educando à cognição significativa. Trabalhar com atividades práticas é um valioso recurso no processo de aprendizagem; auxilia a acompanhar os processos de descoberta do aluno, ver como ele faz para chegar a um raciocínio lógico. As atividades lúdicas levam à fantasia, isto é, à abstração. O processo cognitivo na educação ambiental tem que ocorrer desta maneira para ser significativo, encurtando o caminho entre o ensino e a aprendizagem.

6. Referências bibliográficas

BRASIL, Secretária de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ciências Naturais. Brasília: MEC/SEF, 1998.

FISCHER, Julianne. Uma abordagem prática da neurociência como contribuição para alfabetização de pessoas portadoras de necessidades educativas especiais. 2001. 140f Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2001.

FISCHER, Julianne; TAFNER, Malcon Anderson. Alfabetização ao alcance de suas mãos. Blumenau: Estúdio Criação, 2005.

LEVIN, Esteban. O corpo ajuda o aluno a aprender. Nova Escola, São Paulo, v. 20, n. 179, p. 20-22, jan-fev. 2005.

McCRONE, John. Como o cérebro funciona: uma análise da mente e da consciência. Série mais ciência. Trad. Vera de Paula Assis. São Paulo: Publifolha, 2002.

NOVA ESCOLA, edição especial, Grandes Pensadores. São Paulo: Abril, v.2, n.10, ago. 2006. ISSN 0103-0116.

TAFNER, Malcon Anderson; FISCHER, Julianne. O cérebro e o corpo no aprendizado. Indaial: ASSELVI, 2004.

FERRARA, L. Olhar periférico: linguagem, percepção ambiental. 2 ed. São Paulo: Editora da USP, 1999.

GUIMARÃES, M. A dimensão ambiental na educação. Campinas: Papirus, 1995.

RIO, V. D. Cidade da mente, cidade real: percepção ambiental e revitalização na área portuária do Rio de Janeiro. In: OLIVEIRA L.; RIO V. de (org.). Percepção ambiental: a experiência brasileira. São Paulo: UFSCAR/Estúdio Nobel, 1996, p. 3-22.

TUAN, Yi-Fu. Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. São Paulo: Difel, 1980.



POCOCK & RICHARDS Fisiologia Humana: a base da medicina, Rio de Janeiro: Guanabara, 2006, 2ª edição


Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal