A instruçÃo primária sorocabana: uma história através da historiografia do grupo escolar antonio padilha



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A INSTRUÇÃO PRIMÁRIA SOROCABANA: UMA HISTÓRIA ATRAVÉS DA HISTORIOGRAFIA DO GRUPO ESCOLAR ANTONIO PADILHA
Leandro Nunes da Silva

Maria Lucia de Amorim Soares
Introdução

Estudar a história do primeiro Grupo Escolar de Sorocaba/SP – Grupo Escolar Antonio Padilha, é resgatar parte da história da própria cidade, tendo como pano de fundo a questão da cultura escolar embutida na própria questão de cultura. Nesse sentido, compactuamos com Julia (2001:9) quando diz que:

[...] a cultura escolar não pode ser estudada sem o exame preciso das relações conflituosas ou pacíficas que ela mantém a cada período de sua história, com o conjunto das culturas que lhe são contemporâneas. A cultura escolar é descrita como um conjunto de normas que definem conhecimentos a ensinar e a inculcar e um conjunto de práticas que permitem a transmissão desses conhecimentos e a incorporação desses comportamentos.
É através do surgimento das escolas primárias, no Brasil, que se firma a cultura escolar como objeto histórico. Porém, este objeto é um conjunto de circunstancias econômicas, sociais, políticas e geográficas que são traçadas no decorrer do tempo dando origem e formato à história e a historiografia da cultura escolar. Souza (1998:279) demonstra o contexto ao qual a criação de grupos escolares está inserida ao revelar que:
[...] a criação dos grupos escolares significou a implantação de uma nova modalidade escolar, isto é, o estabelecimento de uma organização administrativa e didática pedagógica cujos desdobramentos institucionais e históricos suscitam a discussão sobre os problemas da inovação educacional e sua articulação com a democratização do país.
Com isso, estudar o papel dos grupos escolares e as articulações políticas que se fazem no e ao redor de um determinado grupo, desde sua fundação até os dias atuais, ou às vezes sua extinção, é estudar as convergências e contradições, principalmente políticas, que vêm sustentando a república no Brasil. Para tanto, este trabalho, busca reconstruir parte da história do Grupo Escolar Antonio Padilha fazendo a leitura de quatro momentos históricos distintos: dos anos de 1896 a 1913 - período de fundação e instalação definitiva do Grupo Escolar Antonio Padilha; dos anos de 1925 a 1927 - período de luta para a consolidação do grupo como modelo educacional na cidade de Sorocaba; de 1952 a 1990 – período de transformações políticas educacionais e, por fim, 2006, entendendo este como sua atualidade. Foram utilizadas as seguintes fontes: as referências bibliográficas sobre a instrução sorocabana, os arquivos do Grupo Escolar Antonio Padilha, os manuscritos de Aloísio de Almeida, informações dos jornais locais sobre a instrução primária em Sorocaba e a memória de ex-professoras que atuaram no Grupo Escolar.
Conhecendo Sorocaba

Situada a 87 km da cidade de São Paulo, Sorocaba foi oficialmente fundada em 1654 pelo capitão, Baltazar Fernandes. Antes de sua fundação, a cidade era passagem de tribos indígenas Tupi e Guarani. Foi em 1599 que dom Francisco de Souza, fidalgo português que governou o Brasil em nome do rei Felipe II da Espanha, rumou à região em busca de ouro, pois soubera, através do cronista Pedro Taques, que o bandeirante Afonso Sardinha teria encontrado indícios de ouro e prata na região. Hospedando-se aos pés do atual morro de Ipanema1, junto com escravos, índios catequizados e padres jesuítas, levantou um pelourinho, símbolo do poder real, e fundou a Vila de Nossa Senhora de Mont Serrat de Araçoiaba. Não obtendo sucesso, retornou a corte. Foram necessários 12 anos para que dom Francisco de Souza voltasse à região e, em seu retorno já não encontrou a vila fundada aos pés do morro de Ipanema. Os escravos e índios que ele havia deixado, para a garimpagem, haviam seguido o curso do rio Sorocaba levando o pelourinho, fundando um vilarejo às margens do rio. Posteriormente, ao encontrar o novo vilarejo, dom Francisco de Souza o batizou como São Felipe, que ficou conhecido como Vila Itavuvu.


Com um pouco mais de setenta anos, em 1654, o capitão Baltazar Fernandes, filho de um fidalgo Português e irmão do fundador de Itu Domingos Fernandes, e do fundador de Parnaíba – André Fernandes, distrito ao qual a Vila de Itavuvu respondia juridicamente, instalou-se na região com a família e escravaria formando um povoado, ao qual deu o nome de Sorocaba, que na linguagem Tupi-Guarani significa “Terra Rasgada”. Foram necessários, apenas 07 anos para que Baltazar Fernandes solicitasse ao governador geral Côrrea de Sá e Benevides a elevação da pequena aldeia para Vila, sendo prontamente atendido. Com isso, a administração da região passou a dar-se em Sorocaba, sendo transferido o pelourinho da Vila de Itavuvu para a Vila de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba. Através dessa medida, Sorocaba entra no cenário político nacional, pois, através dela, foi realizada a construção da primeira Câmara Municipal, sendo nomeados, pelo governo, como juízes: Baltazar Fernandes e André de Zunega; como vereadores: Cláudio Furquim e Paschoal Leite Paes; como procurador: Domingos Garcia e como escrivão: Francisco Sanches.
Através de uma política que visava o povoamento e desenvolvimento da região, foi doada, aos Beneditinos da Parnaíba, uma imensurável quantidade de terras, tendo como condição única a construção de um convento e de uma escola para que a cultura chegasse à população.
Caminho de bandeirantes, Sorocaba teve como principal fonte de renda, até 1733, o comércio de escravos, principalmente índios. Após este período, com a chegada da primeira tropa de muares conduzida pelo coronel Cristóvão Pereira de Abreu, substituiu-se o comércio de índios pelas Feiras de Muares. Por estar, geograficamente, no eixo que liga o Norte e o Nordeste ao Sul, com o tropeirismo Sorocaba torna-se eixo econômico nacional, passando a circular pelo distrito grande fluxo de dinheiro oriundo de todo país como, também, gerado pela diversidade comercial local e pelas indústrias caseiras da cidade. O dizer de Almeida (2002:63) exemplifica como Sorocaba era vista no cenário nacional:
A feira de Sorocaba era expressão conhecida no Centro, Oeste e Bahia, mais tarde até no Amazonas, significava o encontro anual, dos meses de inverno, ou no final de outono (abril a julho) dos tropeiros de muares xucros do Rio Grande, Uruguai e Argentina, e cavalos de Curitiba e Guarapuava (estes depois de 1781) com os compradores do Centro e Norte do país em Sorocaba.
Devido à riqueza adquirida, através do tropeirismo, em 1872 Sorocaba já possuía, aproximadamente, 12.999 habitantes. Desses, 2493 adultos sabiam ler e de 2315 menores de 15 anos, apenas 631 freqüentavam a escola. Em 1890, para uma população de 17.068 habitantes, havia 13.976 analfabetos entre crianças e adultos. Em 1920, a cidade já possuía feições de centro urbano regional com 43.329 habitantes, conforme informa o recenseamento. No início do século XX vai ganhando feições de modernidade: água e esgoto são instalados em 1902; o cinema em 1906; o telefone em 1907; o bonde em 1915, o calçamento, em 1921. Além desse mobiliário a cidade já contava com teatro, hospital, jardins, orquestra, várias casas comerciais e fábricas, igrejas, escolas, vilas operárias, cortiços e estalagens (GASPAR, 1954:207).
Entretanto, com acumulo razoável de capital, Sorocaba que já havia investido no plantio de algodão, torna-se exportadora do produto para a Inglaterra. As fábricas inglesas “encontravam-se com fome de algodão por causa da guerra civil dos Estados Unidos” (ALMEIDA, 2002:285) e, como conseqüência, chega, em 1870, a estrada de ferro para o distrito, elevando-o, em 1871, para a condição de cidade. A transformação de Sorocaba em cidade, as estradas de ferro e a experiência de Sorocaba no plantio de algodão transformou-a num cenário ideal para a instalação das primeiras fábricas têxteis da região.
No período da instauração da República, o poder político e econômico da cidade a transforma em “Manchester Paulista”, numa alusão à cidade Inglesa de Manchester, símbolo de riqueza e de progresso. O poder, neste momento, era dividido entre dois grupos que dominavam as esferas estatais: a Igreja Católica, através da ordem dos Beneditinos e a Maçonaria, através da loja Perseverança III, que representados no poder legislativo articulavam-se para a criação do primeiro Grupo Escolar em Sorocaba.

Grupo Escolar Antonio Padilha: o modelo da Instrução Primária Sorocabana – 1896 a 1913

O projeto de criação dos grupos escolares foi debatido por educadores e políticos que visavam firmar a república como modelo gestor. Marcilio (2005:165) nos lembra que “Antonio Caetano de Campos, Rangel Pestana e Gabriel Prestes, buscavam um tipo de escola renovada, atuante”. Apesar de vários decretos anteriores, o conceito de Grupo Escolar só ganhou clareza através do Decreto 248, de 26 de julho de 1894, que dizia em seu artigo 81: “Nos lugares em que, em virtude da densidade da população, houver mais de uma escola no raio fixado para a obrigatoriedade (02 km) o Conselho Superior poderá fazê-las funcionar em um só prédio para este fim construído ou adaptado” (apud MENON, 2000:138).


A escola renovada e atuante a qual algumas autoridades se referiam teve seu processo de fundação articulado, em Sorocaba, pelo Legislativo, a Maçonaria e a Igreja que exigiram do Estado à implantação de um Grupo Escolar na cidade. O mentor e articulador da proposta foi o então Maçom, Comerciante, Vereador, Subdelegado e Intendente Municipal, Sr. Antônio Egídio Padilha2, filho de José Egídio Padilha que era Juiz, Vereador e Presidente da Maçonaria circulando, com isso, entre os mais importantes cargos da cidade por mais de 20 anos. Antônio Egídio Padilha, por falecer antes de ver seu projeto concluído, em uma homenagem realizada no dia 28 de março de 1896, data da inauguração do Grupo Escolar Antonio Padilha, teve seu nome dado ao primeiro Grupo Escolar de Sorocaba. Na ata da solenidade está registrado:
O nome “Antonio Padilha” foi uma homenagem ao ilustre elemento da Perseverança III, Antonio Egidio Padilha, que tanto batalhou pela criação do primeiro Grupo Escolar em sua terra. Por isso mesmo, quando da inauguração do Grupo, outros não menos intimoratos filhos da Perseverança III prestaram a homenagem ao irmão de saudosa memória que partira em 1895 para o Oriente Externo. (apud ALEIXO, 1969:430)
A criação do Grupo Escolar Antonio Padilha foi marcada com grande festa popular, que foi, segundo Menon (2000:141):
Propagandeada como uma nova escola, reunindo professores em um só lugar, com um novo tipo de ensino, o intuitivo, munida de material didático, com carteiras novas para todos os alunos, com funcionários para cuidar da limpeza, com diretor para administrar e, sobretudo, com o ensino graduado, surgia como espaço organizado capaz de resolver questões que tinham permanecido pendentes durante o tempo passado.
As primeiras aulas do Grupo Escolar Antonio  Padilha ocorreram em um prédio no centro da cidade oferecido pela municipalidade. Era um conjunto formado por dois sobrados que pertenceram à família Lopes de Oliveira e que passaram a sediar, a partir de 1896, três outros colégios religiosos: o Diocesano, que foi dirigido por Mons. João Soares de 1896 a 1889; o dos padres Agostinianos espanhóis, de 1900 a 1907 e, a partir de então, o Santa Escolástica, das madres Beneditinas, este último existente até os dias atuais no centro histórico da cidade de Sorocaba, mas em outro prédio.
Buscando responder ao solicitado no Decreto 248 de 26 de julho de 1894, o Grupo Escolar Antonio Padilha foi criado com “quatro classes para cada sexo”, correspondentes ao 1º, 2º, 3º e 4º anos do curso preliminar. Um dos manuscritos de Aloísio de Almeida3 nos fornece a seguinte informação sobre o local e os mestres do Grupo Escolar Antonio Padilha:
Dirigido pelo notável mestre Amaro Egidio de Oliveira, São Roquense aqui casado na família Monteiro de Carvalho, 1897 o ainda novinho Grupo Antonio Padilha funcionava graças ao apoio da Câmara Municipal que alugava e conservava um prédio na esquina das atuais ruas Souza Pereira e Dr Braguinha. Entre os professores lembramos Dona Ana de Barros, que é hoje decana dos professores sorocabanos, viúva do Sr Oscar de Barros, bem como Joaquim Izidoro Marins, Álvaro Rosa, dona Maria B. Stein, Dona Escolástica Rosa de Almeida.
Aluisio de Almeida informa ainda que:

O ensino primário era quase como no ginásio, pelo menos se concebia uma importância enorme na vida da cidade depois da República, principalmente quando São Paulo principiou a levar a sério a instrução pública construindo imediatamente após 1889, a escola normal da Praça da Republica e muitos prédios escolares.
O Grupo Escolar Antonio Padilha era considerado na sociedade sorocabana como o modelo da república que levava a “educação para todos”. Porém, longe de cumprir sua emblemática tarefa o grupo era destinado à elite sorocabana e os cidadãos providos de mais recursos financeiros, que não dependiam dos salários de seus filhos para sobreviverem como os operários, os pequenos chacareiros e os pequenos comerciantes. Porém, o funcionamento do Grupo, nesse primeiro prédio, durou poucos meses, pois o sobrado, que até então funcionava como residência e não dispunha de estrutura para o abrigo de um Grupo Escolar, começou a apresentar problemas para a acomodação dos alunos, professores, funcionários e falta de condições de higiene. Por não existir na cidade um local que poderia servir como Grupo Escolar, as aulas foram sendo constantemente canceladas. O modelo educacional, proposto por Caetano de Campos, não conseguia ser implantado na cidade de Sorocaba, conforme revela o editorial do jornal Cruzeiro do Sul4, mantido pela Maçonaria:
A Câmara, que não ignora este fato devia reunir os seus esforços perante o governo para a obtenção de um edifício nas condições desejáveis, assim como outras localidades de menos importância e menor população tem sido favorecidas com este melhoramento. As despezas que não só feitas no Grupo Escolar e no que estão fazendo no novo edifício são despezas em que nada adiantam, a perfeição de uma necessidade palpitante que traria o edifício próprio e em lugar apropriado, são por conseguinte despezas inúteis que o povo vê com máos olhos de compaixão.
Ainda que provisoriamente, em 1905 o Grupo Escolar Antonio Padilha muda-se para um novo endereço, localizado na Rua das Flores, hoje Monsenhor João Soares, enquanto aguardava o término da construção de seu prédio definitivo. Em 1910, o Estado inica a construção do novo prédio, que é inaugurado em 1913, na Rua Cesário Motta. Este prédio foi recebido com festividades e muito entusiasmo para “fazer da pátria brasileira a nação mais culta, mais admirada e invejada de todo mundo”. (MENON, 2000:149)
O jornal Cruzeiro do Sul, nº 2.228, de 22 de outubro de 1913, informa que seu jornalista, ao visitar o prédio a convite de seu diretor teve agradabilíssima impressão, sem poder definir sua satisfação e indivisível contentamento ao observar como ali seria ministrada a instrução à 600 crianças, rebentos promissores de uma geração nova, intelligente. Com isso o Brasil, ou antes o Estado de São Paulo, já olhava com verdadeiro interesse as coisas da instrução e tudo tinha feito para tornar os representantes dos heróicos bandeirantes, um povo livre, sagaz e cultivado, merecendo, por isso mesmo, calorosos applausos o nosso governo que nos dá vida, fornecendo os meios de instruirmo-nos, de aprendermos, de sermos úteis à pátria e a família.

Localizado num prédio apropriado, o Grupo Escolar Antonio Padilha apresentava-se com o que havia de mais rico e inovador no que diz respeito à estrutura, mobiliário, higienização e materiais para o ensino. Seu corpo docente contava, na data da inauguração do prédio definitivo, com os seguintes professores:


Na ala masculina: Maria Annunciação de Almeida, Anna de Barros, Laudelinna Rolim, Luiz Gonzaga Fleury, Salvador Santos, Ozório de Campos Maia, Fernando Rios, Florentino Bella, Luiz Vagner e Aristides de Campos.
Na ala feminina: Francisca de Almeida, Angelina Grohamann, Antonia Nogueira Padilha, Isoulaide Vieira Soares, Dinorah de Toledo, Maria José Loureiro, Escolástica Rosa de Almeida, Amélia Cezar, Benedicta Leite de Faria e Enygdia de Almeida.
Segundo relatório da época, a estrutura continha 16 salas muito bem ventiladas, tendo ao centro uma área cimentada, nos lados dois gabinetes, um para a reunião dos professores e o outro para as crianças que preferissem ficar dentro dos prédios, aos fundos dois pavilhões e o campo de exercícios físicos. O prédio contava ainda com o gabinete do Diretor, o museu escolar e mictórios com privadas em extrema higiene. A água fornecida aos alunos vinha de “filtros especiais” e o terreno, onde o prédio foi construído, era todo murado com grades nas entradas que, por sua vez, eram separadas para meninos e meninas. A construção era assinada por José Barros, construtor, arquiteto e coronel na cidade e o projeto por Manuel Sabater.
Contudo, ao lado das festividades, o Grupo Escolar Antonio Padilha, através de seu diretor, comunicava, pela imprensa, que as 08 classes haviam preenchido totalmente suas vagas e que mais de 200 crianças não puderam ser atendidas. Para diminuir a pressão social, o Estado, através do Decreto 1.239, de 30 de setembro de 1904, autorizou a criação de duas escolas isoladas no perímetro urbano: uma de 4ª série e outra de 2ª série.
Mesmo com a criação das escolas isoladas, a república não dava conta da educação primária, que sofria com a evasão escolar. A impossibilidade de adequar os horários de trabalho das fábricas aos das aulas determinava a freqüência às aulas, como também o fato de os alunos irem à escola de acordo com suas possibilidades econômicas mantendo-se, desta forma, os mais pobres longe dos bancos escolares.
A imprensa operária, através do jornal O Operário, nº 94 de 06/08/1911 chama a atenção para esse fato dizendo:

Nosso dever havemos que o cumprir, novo há de ser os arreganhos dos que possuem ouro que nos fará retroceder da linha que traçamos. [...] A nossa questão é nas fábricas de tecidos, porque são nellas que labutam pela vida milhares de jovens expostos a tuberculose e as engrenagens das máquinas. Porque é nellas que vivem essa imensidade de meninos pobres que necessitam da luz bendicta da intrucção, o guia abençoado do estudo da vida.
No Grupo Escolar Antonio Padilha, os alunos oriundos da famílias proeminentes da sociedade, eram preparados para os exames, presididos pelo Inspetor Literário e, intercalados por apresentações individuais. Os exames eram públicos e assistidos por numerosa platéia, composta por pais, autoridades e convidados representantes da elite. No programa de exames do sexo masculino, realizada em 1897, constava:
1 – Hymno triumphal da Republica pelo distincto Maestro Elias Álvares Lobo, cantado pelos alumnos, acompanhados por piano e violinos (na entrada comissão examinadora). 2 – Gymnastica escholar ensinada pelo cidadão Inspetor Literário José Manuel de França Junior. 3 – Língua Materna, Leitura, exposição e analyse. 4 – Dialogo Nº 5 pelosalumnos Totico5 e José (ambos com 07 annos). 5 – Canto coral. À carta, arranjo do Mastro Vicente Zeferino Sant´Anna. 6 – Arithmetica, 4 operações, fracções. Systema Métrico e Álgebra. 7 – Dialogo N.º 3 pelos alumnos Patrocinio e Armando. 8 – Canto coral. Os tanoeiros, arranjo do Maestro Vicente Zeferino Sant´Anna. 9 - Geographia ; América, Cosmographia, a terra considerada como um astro. 10 – Geometria, linhas, ângulos, triângulos, quadriláteros e polygonos. 11 – Dialogo Nº 2 pelos alumnos Bento e Renato. 12 – CantoCoral. Os passarinhos, arranjo do Maestro Vicente Zerefino Sant´Anna. 13 – Historia natural, sua divisão, Zoologia, Phytologia. Dialogo Nº 8 pelos alumnos Totico e José. 15 – canto coral. Os lenhadores, arranjo do Maestro Vicente Zerefino Sant´Anna. 16 – Mineralogia, sua divisão, Geologia, sua Divisão. Muzica, divisão, claves, notas. 17 – Dialogo Nº 7 pelos alumnos Padilha e Redondo. 18 – Canto coral, Juvenis representantes, arranjo do Mastro Vicente Zerefino Sant´Anna. 19 – Physica. Os três estado do corpo, mistura. Chimica, qual a diferença entre mistura e combinação, exemplos. Ar athmospherico, agua. 20 – Dialogo Nº 04 pelos alumnos Renato e Redondo; Nº6 pelos alumnos Vicente e Patrocínio. 21 – Canto coral. Os carpinteiros, arranjo do Maestro Vicente Zeferino Sant´Anna. 22 – Educação cívica, autoridades locaes, máximas moraes e instructivas (Márquez de Maricá). 23 – Dialogo Nº1 pelos alumnos José e Totico. 24 – canto coral, O café, arranjo do Maestro Vicente Zerefino Sant´Anna. 25 – Historia do Brazil, seus primeiros habitantes. Anatomia, descripção do corpo humano. 26 – Poesia, A caridade e a Justiça (Guerra Junqueira) pelo Antonio Francisco Redondo. 27 – Final, Canto coral, Hymno de S. Paulo, do immortal dr. Cezario Motta Junior.
Já Aloísio de Almeida, descrevendo os exames do mesmo Grupo Escolar transcreve que o médico Carvalho argüiu as meninas sobre anatomia e comenta: Que tempos! (ALMEIDA, 1965:06)
Os arquivos do Grupo Escolar Antonio Padilha: 1925 a 1927

Desde sua criação, o Grupo Escolar Antonio Padilha acumulou um vasto e rico acervo de informações históricas em seus arquivos escolares. Como um importante instrumento de exposição dos fatos de uma determinada época, os registros são capazes de demonstrar a inquietação, o desejo e as articulações de uma sociedade. São fontes, de acordo com a concepção de Le Goff (1994:547), cheias de intencionalidade e “seus autores ao elaborá-los, tinham, consciente ou inconscientemente, objetivos a serem alcançados através deles”. Porém, os registros escolares são documentos que podem trazer a tona informações preciosas, pois não se caracterizam como os documentos oficiais, aqueles que nos revelam apenas regulamentações institucionais e convenções de um determinado período, mas como documentos que relatam acontecimentos e noticiam o cotidiano experimentado pelos autores.


Acessando o arquivo escolar, foram examinados seus diários, livros de matrículas, atas de reuniões, registros oficiais e extra-oficiais que atravessam vários momentos desde a criação do Grupo Escolar Antonio Padilha tendo como objetivo desvelar a historiografia desta instituição, fica entendido que:
Compreender e explicar a existência histórica de uma instituição educativa é, sem deixar de integrá-la na realidade mais ampla que é o sistema educativo, contextualizá-la implicando-a no quadro de evolução de uma comunidade e de uma região, é por fim sistematizar e (re) escrever o itinerário da vida na sua multidimensionalidade, conferindo-lhe um sentido histórico. (MAGALHÃES, 1999:64).
A leitura de vários registros permitiu inferir que com o objetivo de formar cidadãos críticos e conscientes na nova ideologia política que a Republica aspirava, o Grupo Escolar foi protagonista e responsável pela implantação deste ideário na cognominada Manchester Paulista. Aqueles contidos no Livro de Apontamentos referentes a primeira professora, Sra Escolástica, professora do Grupo Escolar Antonio Padilha desde a inauguração até o momento sua aposentadoria, são um precioso indício, como revela o que segue:
Sra Escolástica Rosa de Almeida, nascida em 22/10/1864 era normalista e exerccia o cargo de adjuncta ingressada no mágistério em 22/05/1887, foi professora da segunda cadeira de Socorro e da Primeira Cadeira de Sorocaba e das escolas reunidas desta mesma cidade. Iniciou suas atividades na Antonio Padilha em 1896. Foi elogiada pela delegacia regional de ensino, em 10/05 de 1923 pela óptima porcentagem de freqüência apresentada em abril. Aposentada em 2/05/1925.
É no Livro de Apontamentos, aberto em 01/02/1922 pelo então diretor Luiz de Campos, que se iniciaram os registros dos primeiros professores que lecionavam e lecionaram no Grupo Escolar Antonio Padilha. A abertura apresenta os seguintes termos:
No livro de apontamentos sobre o pessoal do Grupo Escolar” Antonio Padilha “, nº 1º do município de Sorocaba, aberto em 01/02 de 1922 por Sr Luiz de Campos que nascido em 09/06/1861 concluiu sua habilitação em normalista e iniciou seu magistério em 3/10/1883 passando pelas Escolas Isoladas de Barro Branco (Capital), de Campinas, Leme, Mogim-Mirim, Perus e Caieiras, dirigindo os grupos escolares de Serra Negra, Leme, Campinas Mogim-Mirim e Itu, sendo também inspector escolar do 18º distrito (Campinas), aposentando se em 18/05/1922.”
Os registros escolares de um Inspetor Distrital de Ensino revelam como realizava articulações com os poderes executivo, legislativo e privado, buscando alcançar as metas necessárias para concretizar a escolarização dos alunos. Foi possível perceber que, muitas vezes, o Inspetor intervia no ambiente familiar do aluno, ou desobedecia às determinações do Inspetor Geral da Instrução, visando promover a expansão educacional de acordo com as necessidades locais por ele percebidas.
O Inspetor Distrital, José Paes, era responsável pela organização e bom andamento do 41º Distrito de Ensino. José Paes assumiu suas funções em 01/07/1925 tornando-se responsável por doze escolas em Sorocaba e região, localizadas em Sorocaba, Tatuí, Vila de Votorantim, Piedade, Porto Feliz, Campo Largo, Boituva, Pilar do Sul, Jupirá, Aluísio Moraes, Bacaetava e Salto de Pirapora.
Obter um maior índice de freqüência dos alunos era em 1925, tão necessário como nos dias atuais. A evasão escolar era, também, preocupação do governo, no caso no período histórico onde ocorria a expansão das fábricas na região de Sorocaba. Para as famílias, que necessitavam da contribuição financeira de seus filhos, a educação era algo colocado em segundo plano. As fábricas utilizavam com intensidade a mão de obra infantil, pois desta forma diminuíam os gastos com a folha de pagamento, aumentando, conseqüentemente, seus lucros. Já na zona rural, a produção era mantida com intensa mão de obra familiar, também dificultando o acesso das crianças à escola. Transcrevendo trechos do Diário de Trabalho do Inspetor Distrital, José Paes, na perspectiva de um discurso datado e circunscrito, tem se:
02/07/1925. Quinta feira. Estive no Grupo Escolar “Antonio Padilha” conhecendo seu pessoal e organização./Telephonei ao inspector de Botucatu sobre o título do professor José Odim de Arruda. O Sr. Benedicto Rosa communicou-me que o director das reunnidas de Piedade estava procedendo a inúmeras eliminações de alunos injustificadamente. Visita official ao Sr. Prefeito Municipal./ Expediente. Papéis: Recebidos,2.
03/07/1925. Sexta feira. Visitei o Grupo Escolar e as maternais de Santa Rosalia, para conhecer seu pessoal e organização./Visita official ao Sr. Inspetor Regional de Polícia, com quem troquei idéias sobre o trabalho dos menores nas fábricas locaes. Telephonei ao director das reunnidas de Piedade, determinando que sustasse as eliminações a que me referi no registro de ontem até a minha visita ao estabelecimento. Paguei 1$600 por esse telephonema. Expediente. Papéis recebidos, 1. Viagem de auto 4kms ida e volta, por 10$000.
Pode-se observar através dos registros existente no Grupo Escolar Antonio Padilha, que a implantação da atual Escola Estadual Francisco Eufrásio Monteiro, antiga Escola mista rural da Vila Barcelona, bairro sorocabano, se deu através de exaustivas articulações. Os registros de freqüência da Escola mixta rural de Vila Barcelona informa que, em 1925, a escola contava com 21 alunos do sexo masculino e 19 do sexo feminino, matriculados em abril daquele ano; já em setembro estes números eram de 15 alunos do sexo masculino e 20 do sexo feminino. Nessa escola os alunos estudavam sentados em tocos ou caixões de madeira, apoiando seu material nas mãos. Essa escola contou com mobiliário somente em dezembro de 1925 graças às manobras efetuadas pelo Inspetor Distrital de Ensino, conforme se lê a seguir:
12/07/1925. Visitei a escola mixta de vila Barcelona para conhecer sua organização e pessoal. Condiccções de ensino más. Os alunnos estudam sentados em tijolos e caixões. Dona Maria Amália ensina com muita dificuldade devido a falta de recursos. Excelente professora causou-me optima impressão.
25/11/1925. Examinei a escola mixta de Villa Barcelona no mesmo dia, por uma director, foi examinada a escola noturna de Santa Rosália./ As escolas de Bacaetava e Ipanema, em campo largo, foram neste dia examinada por dois auxiliares de director de Sorocaba.
04/12/1925. De 8 as 15 horas estive na estação de Sorocaba. Na providenciando para retirada de material escolar, tendo pago 30$200 de armazenagem e 45$000 de carreto. Este material veio consignado para as escolas de Itavuvú e Caputera, mas como já possuíam mobiliário, distribui-a carteiras pelas escolas de Piragibú e Villla Barcelona, que funcionou a mais de 6 meses sem uma só carteira. As carteiras restantes recolhi-as ao grupo “Porto Seguro”.
31/03/1926. Retirou-se o auxiliar de exerccicios physicos./ Visitei a escola da villa Barcelona, que já tem algum mobiliário. Este mobiliário, como o de Piragibú, não foi remetido a esta escola. Veio para outra que já tinha mobília e eu enviei para o da villa Barcelona. Não fosse tal providência os allunos continuariam sentados em caixão. A professora Dona Maria Amália, optima. As 15 horas telephonei ao Sr Inspector Geral sobre a reforma do prédio de Tatuhy, sabendo de sua passagem por esta cidade amanhã.
O Diário de Trabalho do Inspetor Distrital registra como as famílias não pertencentes a elite sorocabana mas que enviavam seus alunos ao Grupo Escolar por este ter excelência no ensino, mas que possuíam escolas mistas rurais e/ou isoladas no bairro em que residiam tinham seus filhos remanejados para as escolas locais:
20/03/1926. Devido a um a reclamação do Sr Pereira Ignácio, proprietário da fábrica Votorantim, e por determinnação da Directoria Geral, estive nos grupos “Porto Seguro”e “ Antonio Padilha”, organnizando uma rellação de allunos do terceiro e quarto annos que se acham matticulados naquelles estabelecimentos e residem em Votorantim...
No arquivo do Padilha foi possível perceber, também, que os grupos escolares da região já sofriam, em 1925, com a falta de pessoal e o excesso de burocracia. A falta de verbas colocava freio no progresso. Souza (1998:98) retrata a situação vivida ao dizer que:
As dificuldades de implantação de Grupos Escolares no Estado de São Paulo residiram, sobretudo, na falta de recursos financeiros necessários para atender a demanda crescente por educação, remuneração de professores, construção de prédios escolares e para equipar as escolas.
Nesse sentido, os relatos do Inspetor Distrital de Ensino, aqui brevemente apresentados revelam como os problemas enfrentados em 1925, período de expansão das escolas no Brasil são atuais, é claro que em outra dimensão. Com o surgimento dos grupos escolares “permaneceram os problemas das escolas isoladas e surgiram tantos outros...” (idem, p.99). Um século depois esses problemas ainda assolam nossa sociedade.
Ex-professoras “contam” o Grupo Escolar Antonio Padilha: 1952 a 1990

Em importante trabalho realizado por Meira (2005) sobre a reconstrução da história do Grupo Escolar Antonio Padilha no período de 1952 a 1990, a memória e os relatos de ex-professoras resgatam, através de dez entrevistas, as lembranças de quem trabalhou na escola. Com Lowenthal (1998:103) fica explicitada a importância da memória na busca do ritmo das transformações que o Grupo Escolar Antonio Padilha vai vivendo ao longo de sua história:


Longe de simplesmente prender-se as experiências anteriores, a memória nos ajuda a entendê-la. Lembranças não são reflexões do passado, mas reconstruções ecléticas, seletivas, baseadas em ações e percepções posteriores e em códigos que são constantemente alterados, através dos quais delineamos, simbolizamos e classificamos o mundo em nossa volta.
A professora Maria Apparecida Ferreira Pavlovsky, legitíma a racionalidade burguesa ao dizer para o período em que trabalhou no Antonio Padilha – 1952/1978, (apud MEIRA, 2005:35):
Olha, eu tive somente uma classe de meninos, você sabe que o Padilha foi referencia de boa escola em Sorocaba, era uma escola de elite, e também não havia a moda das escolas particulares, então todas as crianças da elite estavam lá, incluindo algumas carentes também, todos aprendiam da mesma maneira”.
Ivone Soranz, professora no período 1959/1977 abre com ufanismo seu coração: Lembro-me e conto com emoção, que também fui aluna do Padilha (id.,ib., p.43). Dalma Kalil, para o período 1962/1983, confessa seu sonho ao dizer que, desde pequena, tinha vontade de lecionar, ensinar crianças e foi feliz na profissão (id., ib., p.54):
Nossas crianças do Padilha sabiam todos os hinos, ainda tinha aula de Educação moral e cívica que além de ensinar hinos, ainda ensinava quem tinha escrito as letras e as músicas, os alunos copiavam a letra, contavam se divertiam, ficavam felizes, gostavam de seu país.
Maria de Lourdes Coelho Fleury, trabalhava no Padilha em 1969/1987. Mãe do ex-governador do Estado de São Paulo, Luiz Antonio Fleury Filho, muito emocionada abre-se em suas memórias (id., ib., p.84): Os anos do Padilha foram excelentes, eu fui muito feliz lá, tenho a sensação de dever cumprido, ainda mais quando encontro com ex-alunos tão importantes na sociedade atual.
A expansão do ensino e o fracasso das políticas educacionais nos anos 70 não respigaram no Grupo Escolar Antonio Padilha quando analisadas as colocações de suas professoras. Entretanto, Marcilio (2005:268) refere-se a esse período dizendo como “o fracasso educacional persistia e de forma grave. Em termos de evasão escolar, o Brasil situava-se, dentre os piores da América Latina, à frente de Haiti e Nicarágua e atrás dos demais países inclusive os mais pobres que ele”. Porém, Maria Valdividia Angeli de Toledo Almeida, que foi professora do Grupo Escolar Antonio Padilha no período de 1962 a 1978, designada para a quarta série de meninos, refere-se a esses meninos nos dias atuais como: “estes são a elite da cidade, tem médicos, promotores, advogados, enfim todos se deram bem na vida. O Padilha era da Elite” (apud Meira 2005:59).

E hoje, o que é o Grupo Escolar Antonio Padilha?

Em 2006, com aproximadamente 3.000 alunos, divididos em 22 salas em três períodos o antigo Grupo Escolar e hoje Escola Estadual Antonio Padilha ainda ostenta a fama da melhor escola pública estadual da região de Sorocaba. Mantém o Ensino Fundamental e o Ensino Médio contando, também, com um centro de línguas. Suas instalações continuam no mesmo terreno do antigo Grupo Escolar, mas em um prédio anexo que tem sua entrada pela Rua Professor Toledo. A Diretoria de Ensino de Sorocaba ocupa o velho prédio de mais de cem anos, tombado em 1996 pelo Conselho Estadual de Patrimônio Histórico, sob o seguinte registro:


Juntamente com outras 122 escolas públicas da capital e do interior, pelo alto valor histórico na evolução educacional do Estado de São Paulo, seu prédio foi tombado pelo Conselho do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT), conforme publicação do Diário Oficial do Estado de São Paulo, do dia 7 de agosto de 2002, páginas 1 e 52.” (disponível em www.crmariocovas.sp.gov.br).

A reconstrução da história da instrução primária sorocabana, através da historiografia do Grupo Escolar Antonio Padilha, sob o viés do levantamento de registros arquivados na escola, dos relatos de ex-professores, da leitura de manuscritos e de jornais da época, bem como de estudos bibliográficos sobre o tema, ilustra uma escola proposta pelo ideário republicano – uma nova ordem, rumo a um futuro luminoso de progresso, mas preservada para filhos dos grupos hegemônicos que dominavam a cidade. No cotidiano urbano - industrial, ficou distante da população empobrecida, conforme denuncia o jornal O Operário, em 20/08/1911:


Existem nessas fabricas de tecidos uma enorme quantidade de creanças que estão na edade de freqüentarem escolas. Coitados... criam-se nas fábricas, tornam-se homens nas mesmas, passam a quadra mais feliz da existência – a mocidade – n´esses antros de entorpecimento sem nunca lembrarem-se que com a instrccção e a força de vontade poderiam melhorar suas sortes.

Referências:


ALMEIDA, Aloísio de. Sorocaba – 3 Séculos de História. Sorocaba: Editora Ottoni, 2002.

GASPAR, Antonio Francisco. Sorocaba de Ontem. s. ed. , 1954.

IRMÃO, José Aleixo. Loja Perseverança III e Sorocaba. Sorocaba: Fundação Ubaldino do Amaral, 1969.

JULIA, D. A cultura escolar como objeto histórico. Revista Brasileira de História da Educação. Campinas, SP: Autores Associados, Sociedade Brasileira de História da Educação, n.1, jan./jun. 2001, p-9-43.

LE GOFF, J. História e memória. Campinas: Editora da UNICAMP, 1994.

LOWENTHAL, D. Como conhecemos o passado. Revista de Estudos Pós Graduados em História e do Departamento de História da PUC/SP – Trabalhos de memória. Revista, São Paulo, nov. 1998. Projeto História 17.

MAGALHÃES, J. Contributo para a história das instituições educativas – entre a memória e o arquivo. In: Para a história do ensino liceral em Portugual. Universidade do Minho, Braga, 1999.

MARCILIO, M. L. História da Escola em São Paulo e no Brasil. São Paulo: Imprensa Oficial, 2005.

MENON, O. N. A Educação Escolarizada em Sorocaba entre o Império e a República. São Paulo: PUC, São Paulo, 2000 (Tese de Doutorado).

MEIRA, R. F. Memórias e Histórias de ex-professoras do Grupo Escolar Antonio Padilha. Sorocaba: Dissertação de Mestrado, Universidade de Sorocaba, 2005.

SOUZA, R. F. de. Templos de civilização: A implantação da escola primária graduada no Estado de São Paulo. São Paulo: Editora da UNESP, 1998.

Arquivos Escolares:


Acervo: Escola Estadual “Antonio Padilha” – Sorocaba, São Paulo:

Livro de freqüência – Escola Mista Rural da Vila Barcelona, 1925.


Livro de correspondencia – Grupo Escolar Antonio Padilha, 1925.

Livro Diário de Atividades – Inspetor Distrital de Ensino, 1925.

Arquivos digitais disponíveis na internet:


Conselho Estadual de Patrimônio Histórico (CONDEPHAAT )www.crmariocovas.sp.gov.br Data do acesso: 18/08/2006.
Jornais e outros arquivos:

Recenseamento do Brasil de 1872 e 1920, Rio de Janeiro: Typ. Do Estado.

A Instrução Pública em Sorocaba. Grupo Escolar Antonio Padilha. Jornal Cruzeiro do Sul, Anno XI, nº 2228, 22/10/1913.

Pelas Fábricas. Jornal O Operário, ano III, nº 94, 06/08/1911.

Por entre os echos da victoria. Jornal O Operário, ano III, nº 96, 20/08/1911, p.02.

1 O morro de Ipanema é, atualmente, base de experimentos científicos e tecnológicos da Marinha do Brasil. Devido a grande quantidade de urânio encontrado em suas terras, é considerado um vulcão ainda ativo.


2 Ao analisar os documentos existentes no Instituto Geográfico e Genealógico de Sorocaba, nos deparamos com um documento citando o patrono do Grupo Escolar como sendo o Sr. Antonio Padilha de Camargo. Porém, a maior evidencia é que o Patrono do Grupo Escolar seja o Sr. Antônio Egídio Padilha, pois este era uma autoridade política local da época. Os documentos que se referem ao Sr. Antonio Egídio Padilha, são fontes primárias, diferentes do único documento que se reporta ao Sr. Antonio Padilha de Camargo. Este, último, segundo levantamento efetuado no Instituto Histórico Geográfico e Genealógico de Sorocaba, se candidatou uma única vez a eleição de um cargo público, em 1877, permanecendo na suplência deste pleito.


3 Monsenhor Luis Castanho de Almeida (1904 – 1981), conhecido como Aluísio de Almeida, fundou em 03 de março de 1954 o Instituto Histórico Geográfico e Genealógico de Sorocaba, onde se encontram os manuscritos sobre a educação sorocabana utilizados neste texto.


4 Jornal Cruzeiro do Sul. Anno I, n. 97, 21/05/1904, p.01. O leitor se identifica como Um Sorocabano.


5 Totico era o “nome” que o professor Joaquim Izidoro Marins deu a sua filha Judith, a fim de te-la como aluna. Sendo, o professor, da classe masculina era lhe vedado dar aula para o sexo feminino. A solução que encontrou foi dar à sua filha um nome masculino apenas para fins escolares. E para sedimentar a troca, vestia-a com roupas masculinas o que causava estranheza aos outros alunos. Jornal Diário de Sorocaba, 12/03/1969, p. 03.



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