A lei da oferta e da procura



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A LEI DA OFERTA E DA PROCURA
Gerson LIMA1

O mercado de cada produto ou serviço e, portanto, todos os mercados vistos isoladamente ou em conjunto, funcionam sob a “Lei da Oferta e da Procura”, ou “Lei da Oferta e Demanda”. Esta Lei é considerada como um dos princípios básicos, aliás quase um sinônimo, da teoria econômica.

Durante algum tempo pretendeu-se eleger o mercado como um mecanismo que teria o poder de garantir a justiça econômica, no sentido de que, se o governo não interferisse, as forças de oferta e demanda levariam o mercado de cada produto ou serviço a se auto-regular no sentido de garantir emprego para todos e, ao mesmo tempo, que o salário e o lucro seriam “justos”. Porém, caso o mundo real se afastasse deste modelo, a teoria afirmava que o governo deveria intervir para que voltassem a funcionar as forças de oferta e demanda, assim assegurando o retorno da auto-justiça do mercado. A perfeição dos mercados e das pessoas levaria a oferta ao nível do emprego máximo que a economia pode oferecer. É só se e quando o mercado deixasse de ser perfeito, por acidente ou por erro dos trabalhadores ou empresários, é que a política econômica poderia ser usada para aumentar a produção e o emprego.

A idéia moderna é a de que a teoria de oferta e demanda dispensa a hipótese ad hoc da perfeição do mundo e que, portanto, o mercado não é auto-regulador no sentido da justiça ou do pleno emprego. A Lei da Oferta e Demanda assegura que o preço e a produção e, por conseqüência, todas as demais variáveis endógenas do sistema econômico, terão seus valores definidos pela interação entre ofertantes e demandantes e pelos níveis das variáveis exógenas, por exemplo as compras do governo e os impostos sobre a renda do consumidor e sobre o produto vendido, ou seja, pelas variáveis típicas de política econômica. A política econômica pode deslocar as curvas de oferta e de demanda e, assim, aumentar ou diminuir a produção e o ritmo de atividade da economia.

O método básico da análise econômica pode ser resumido na proposição originalmente feita por Alfred Marshall em 1860 “a teoria geral do equilíbrio entre oferta e demanda é uma Idéia Fundamental”. Há então dois grupos de agentes, os consumidores e os produtores, que se relacionam mutuamente de forma tal que, dentro de certas condições ambientais concretas, espera-se que um certo preço faça com que a quantidade demandada seja igual à quantidade produzida. O sistema terá pois que conter ao menos três variáveis básicas: a quantidade comprada, a quantidade produzida e o preço. Para que este sistema funcione é necessário que a competição entre os produtores e entre os compradores seja “livre”, o que corresponde a uma certa composição indefinida entre concorrência acirrada e cooperação amigável das empresas entre si e dos consumidores entre eles.

Na sua forma mais simples, o modelo de oferta-e-demanda é composto de três equações simultâneas, pois são três as variáveis a serem explicadas. O analista tem que estar certo de que tem tantas equações quantas são as variáveis do problema, nem mais nem menos. Uma destas equações é a curva de demanda, que traduz uma relação negativa entre a quantidade consumida e o preço. A segunda relação é a curva de oferta, que é uma relação positiva entre a quantidade produzida e o preço de venda do produto. A terceira relação é a condição de equilíbrio, dada pela igualdade entre a quantidade consumida e a quantidade produzida. Porém, considerando que o equilíbrio é inatingível no mundo real, esta condição de equilíbrio é, na verdade, apenas uma construção teórica, uma espécie de experiência de laboratório.



I. A DEMANDA

Os termos demanda e procura representam um dos conceitos mais importantes e de uso mais freqüente na ciência econômica, sendo também utilizado, com significado diferente, no campo do Direito. Além disso, demanda e procura são palavras tão consagradas no uso cotidiano que às vezes elas são aplicadas, em textos introdutórios de teoria econômica, com rigor científico menor que o desejável. Em economia, demandar ou procurar é o mesmo que buscar, é o mesmo que solicitar, por exemplo quando alguém pede a outro alguém que lhe dê algum objeto material como um copo de água, ou ainda algo imaterial como uma aula de economia. Em princípio, as pessoas demandam porque, por alguma razão fisiológica ou psicológica, estão interessadas no benefício que podem obter, direta ou indiretamente, com a posse ou o uso daquilo que está sendo demandado. De modo geral, não é obrigatório que, para ter o direito de demandar e de ser atendida em sua demanda, a pessoa proponha qualquer coisa em troca daquilo que ela pede.

Esta questão passa para o universo da ciência econômica apenas quando aquele que demanda propicia um certo pagamento, normalmente na forma de dinheiro, em troca daquilo que recebeu, que pode ser um bem material (“produto”) ou imaterial (“serviço”). Surge então o preço, que é a razão entre o quanto foi dado em dinheiro e a quantidade levada em troca. Em economia, para demandar é preciso ter renda disponível para trocar (gastar), renda esta que não aumenta pela livre e expontânea vontade do demandante. Quando, por um motivo qualquer, acontece do preço aumentar e a renda não, tem-se observado que a quantidade que o demandante leva é menor. Assim, como o preço não é constante,

define-se demanda como uma relação entre duas grandezas:

o preço e a quantidade de um produto ou serviço

ou ainda de um conjunto de produtos e serviços. Além disso, esta relação tem o sinal negativo pois, não tendo havido aumento da renda, a um preço maior o consumidor só pode comprar uma quantidade menor.

Quem demanda produtos e serviços é o ser humano, cuja principal razão para esta atitude está no seu conjunto de “necessidades”. As necessidades humanas, sejam elas fisiológicas ou psicológicas, reais ou imaginárias, naturais ou induzidas, foram classificadas por Maslow em cinco categorias que seguem a ordem hierárquica mostrada na pirâmide abaixo. A primeira preocupação do homem é a de atender às suas necessidades em nível fisiológico, o que ele faz demandando bens de alimentação, bebidas, vestuário, etc. Nesta etapa, os produtos e serviços demandados em geral são consumidos diretamente, ou seja, a finalidade da demanda é a de consumir os bens em si mesmos. A necessidade que é atendida por um produto típico da fase fisiológica geralmente implica na sua destruição mais ou menos rápida.

A maioria das pessoas já ultrapassou esta fase inicial, mas há regiões e camadas da população de certos países que, mesmo na era moderna, não têm renda suficiente para satisfazer sequer estas necessidades fisiológicas, situando-se abaixo da linha de pobreza. Neste caso, o futuro destes estratos sociais fica comprometido, pois é limitada a possibilidade de investimento com recursos próprios, por exemplo em educação. É difícil até mesmo pensar em política econômica autônoma numa situação como esta.


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