A linha do tempo e a teoria administrativa Na Antiguidade



Baixar 86.94 Kb.
Encontro07.08.2016
Tamanho86.94 Kb.
Aula 2 - Resumo

A linha do tempo e a teoria administrativa

Na Antiguidade

A história da Administração iniciou-se num tempo muito remoto, aproximadamente no ano 5.000 a.C, na Suméria, quando os antigos sumerianos procuravam melhorar a maneira de resolver seus problemas práticos, exercitando assim a arte de administrar. Na Grécia, uma cidade como Atenas era vista como reflexo de uma boa administração. No Egito há 4.000 a.C. a maneira de governar dos faraós e as pirâmides, na China a administração de um grande império...

Na evolução histórica da administração, duas instituições se destacaram: a Igreja Católica Apostólica Romana e as Organizações Militares.

A Igreja Católica Apostólica Romana pode ser considerada a organização formal mais eficiente da civilização ocidental. Organização hierárquica simples e eficiente pode operar satisfatoriamente sob o controle de uma só cabeça executiva, o Papa, cuja autoridade coordenadora mantém o conceito de hierarquia vigente na Igreja. Essa estrutura da organização eclesiástica serviu de modelo para muitas organizações.

As Organizações Militares evoluíram das displicentes ordens dos cavaleiros medievais e dos exércitos mercenários dos séculos XVII e XVIII até os tempos modernos com uma hierarquia de poder rígida e adoção de princípios e práticas administrativas comuns a todas as empresas da atualidade. Princípio de unidade de comando. A escala hierárquica. Autoridade delegada. O comando militar do Império Romano e o exercito liderado por Napoleão Bonaparte, são exemplos de boa administração militar.
Na Idade Média: os nobres detinham o direito de explorar e tributar grande parte dos terrenos agrícolas; os servos se submetiam a isto em troca de proteção econômica e militar. A nobreza tinha a “administração” dos castelos, das terras agrícolas e do serviço militar/cavalaria pesada.

A Revolução Industrial

Foi o fenômeno que provocou o aparecimento da empresa e da moderna administração ocorreu no final do século XVIII e se estendeu ao longo do século XIX, chegando ao limiar do século XX.

A Revolução Industrial teve início na Inglaterra, com a invenção da máquina a vapor, por James Watt, em 1776. A aplicação da máquina a vapor no processo de produção provocou um enorme surto de industrialização, que se estendeu rapidamente a toda a Europa e Estados Unidos.

Influências da Revolução Industrial

1ª. Revolução Industrial

1ª. Fase : Mecanização da indústria e agricultura; Máquina de fiar; Tear hidráulico e o Tear mecânico.

Obs.: Os grandes equipamentos substituem o homem e sua força muscular, o animal e a roda d’ água.



2ª. Fase : A aplicação da força motriz à indústria; Máquina a vapor (converteram as oficinas e fábricas ); Desenvolvimento da produção, dos transportes,das comunicações e da agricultura.

3ª.Fase : O desenvolvimento do sistema fabril; O artesão e sua oficina deram lugar aos operários e suas fábricas; Novas indústrias em detrimento a atividade rural; Imigração do campo para próximo das indústrias.

4ª. Fase: Acelerado crescimento dos transportes e comunicação; Navegação a vapor (1807 - Robert Fulton); 1ª. Estrada de ferro com locomotivas a vapor. (1825 - Inglaterra); Telégrafo elétrico (1835 - Morse); Telefone (1876 - Graham Bell).

2ª. Revolução Industrial


- desenvolvimento de novo processo de fabricação de aço (1856);

- aperfeiçoamento do dínamo (1873);

- invenção do motor de combustão (1873 - Daimler)

- a substituição do vapor pela eletricidade e derivados de petróleo;

- substituição do ferro pelo aço;

- construção do automóvel (Alemanha - Dainmler e Benz )

- melhoria do pneumático (1888 - Dunlop )

- inicio da produção do Automóvel modelo “T” ( 1908 - Ford );

- primeira experiência do avião (1906 - Santos Dumont )

- fortalecimento das instituições de crédito;

- acumulação de capital pela fusão de pequenas oficinas;

- expansão da industrialização no mundo;

- transferência da habilidade do artesão para as máquinas;

- a força animal os músculos humanos deram lugar a potência das máquinas a vapor;

- primeiras tensões entre operários e os proprietários com intervenção do estado através de leis do trabalho;

- trabalho mecanicista.


Consequências da Revolução Industrial:


  • Rápida e intensa urbanização;

  • Durante o século XIX, duplicação da população da Europa;

  • Início do desenvolvimento industrial;

  • Aperfeiçoamento dos meios de transporte;

  • Incremento do comércio interno e do internacional;

  • Redistribuição das riquezas e do poder entre os países.

CONCEITOS DE ADMINISTRAÇÃO:
“Administrar é um processo pelo qual o administrador cria, dirige, mantém, opera e controla uma organização.” (Kwaniscka, Eunice Lacava; 2010)
“Administração é um conjunto de atividades dirigidas à utilização eficiente e eficaz dos recursos, no sentido de alcançar um ou mais objetivos ou metas organizacionais”. (SILVA, Reinaldo O; 2001).
Objetivos da Administração
A Administração tem objetivos que são: proporcionar eficiência e eficácia com efetividade às empresas. Este termo efetividade é novo e diz que uma empresa deve ser eficiência ou eficaz sempre. A administração interpreta os objetivos da empresa e busca meios para alcançá-los através da ação administrativa, que compreende planejamento, organização, direção e controle.
Princípios Gerais da Administração

Segundo CHIAVENATO (1989, p.6) a administração não é uma ciência exata. Ela não pode se basear em leis rígidas. Portanto, a administração deve se basear em princípios flexíveis. Ainda segundo CHIAVENATO (1989, p.6) princípios são condições ou normas dentro das quais o processo administrativo deve ser aplicado e desenvolvido.


Os princípios administrativos:

Princípio da divisão do trabalho e da especialização;


Princípio da autoridade e responsabilidade;
Princípio da hierarquia;
Princípio da unidade de comando;
Princípio da amplitude administrativa;
Princípio da definição.

A Evolução do Pensamento Administrativo
ANOS - PRINCIPAIS TEORIAS DA ADMINISTRAÇÃO – quadro resumo

1903 - Administração científica


1909  - Teoria da burocracia
1916  - Teoria clássica
1932  - Teoria das relações humanas
1947  - Teoria estruturalista
1951  - Teoria dos sistemas
1953  - Abordagem sociotécnica
1954  - Teoria neoclássica
1957  - Teoria comportamental
1962  - Desenvolvimento organizacional
1972  - Teoria da contingência

A Administração Científica

Frederick Winslow Taylor (1856 - 1915 )

Conhecido como o precursor da TEORIA DA ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA, Taylor preconizava a prática da divisão do trabalho, enfatizando tempos e métodos a fim de assegurar seus objetivos “de máxima produção a mínimo custo”, seguindo os princípios da seleção científica do trabalhador, do tempo padrão, do trabalho em conjunto, da supervisão e da ênfase na eficiência.

Nas considerações da Administração Científica de Taylor, a organização é comparada com uma máquina, que segue um projeto pré-definido; o salário é importante, mas não é fundamental para a satisfação dos funcionários; a organização é vista de forma fechada, desvinculada de seu mercado; a qualificação do funcionário passa a ser supérflua em consequência da divisão de tarefas que são executadas de maneira repetitiva e monótona e finalmente, a administração científica, faz uso da exploração dos funcionários em prol dos interesses particulares das empresas.



As propostas básicas de Taylor:

Planejamento, padronização, especialização, controle e remuneração trouxeram decorrências sociais e culturais da sua aplicação, pois representaram a total alienação das equipes de trabalho e da solidariedade grupal, fortes e vivazes no tempo da produção artesanal.

Apesar das decorrências negativas para a massa trabalhadora, que as propostas de Taylor acarretaram, não se pode deixar de admitir que elas representaram um enorme avanço para o processo de produção em massa.

As 05 (cinco) funções precípuas da gerência administrativa como: planejar, comandar, organizar, controlar e coordenar, o já conhecido e exaustivamente estudado nas escolas de administração – PCOCC – são os fundamentos da Teoria Clássica defendida por Fayol.

Esta Teoria considera: a obsessão pelo comando, a empresa como sistema fechado e a manipulação dos trabalhadores, que, semelhante à Administração Científica, desenvolvia princípios que buscavam explorar os trabalhadores.

Traçando-se um paralelo entre a Administração Científica e a Administração Clássica, conclui-se que enquanto Taylor estudava a empresa privilegiando as tarefas de produção, Fayol a estudava privilegiando as tarefas da organização. A ênfase dada pelo primeiro era sobre a adoção de métodos racionais e padronizados e máxima divisão de tarefas, enquanto o segundo enfatizava a estrutura formal de empresa e a adoção de princípios administrativos pelos altos escalões.


ADIMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA constitui na combinação global de:

  • “Ciência, em lugar do empirismo”.

  • Harmonia, em vez da discórdia.

  • Cooperação, não individualismo.

  • Rendimento máximo, em lugar de produção reduzida.

  • “Desenvolvimento de cada homem, no sentido de alcançar maior eficiência e prosperidade”.

PRINCIPAIS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA



- A prosperidade do patrão acompanha a prosperidade do empregado.

-

Organização Racional do Trabalho (Planejamento)



- Divisão do Trabalho (administração e trabalhador operacional).

Supervisão funcional (centralização de comando).

- Atribuir a cada trabalhador a tarefa mais elevada (seleção científica do trabalhador);

- Solicitar produção nunca inferior ao padrão estabelecido;

- Atribuir remuneração por unidade de produção;
Desenvolver: Estudo cronometrado (T & M); Tornou mecânico e repetitivo o trabalho operário (Filme: Tempos Modernos); Eliminou desperdício de esforço e tempo humano; Instituiu prêmios de produção; Melhorou a distribuição do trabalho e das responsabilidades; Melhorou o adestramento “dos trabalhadores”; Criou ferramentas e métodos; Garantia de amplo material para os trabalhadores.

Taylor assegurava que as indústrias padeciam da vadiagem sistemática por parte dos operários que:

- acreditavam que o aumento da produção causaria desemprego;

- protegiam seus interesses gerais;

- havia nas empresas, métodos empíricos de produção.

FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA

A . Objetivo principal da Administração:

Máxima prosperidade para o Patrão e empregador.

B. Identidade de interesse dos empregados e empregadores:

Empregados: altos salários

Empregadores : baixo custo


C. Influência da produção na prosperidade de empregados e empregadores:

Substituição de movimentos lentos por rápidos

Substituição do empírico pelo científico
D. Sistema de Iniciativa e Incentivo:

O operário não tem capacidade e meios de analisar seu trabalho e de estabelecer qual o processo ou método mais eficiente.


E. Princípios de Administração Científica:

Eliminar trabalho de improvisações e atuação empírica-prática;

Melhor seleção e preparo dos trabalhadores;

Controlar o trabalho para atender padrões;

Melhor distribuição de atribuições e responsabilidades.
G.Divisão do trabalho e especialização:

O empregado deveria executar mais de uma tarefa eliminando a execução única.


H. Supervisão funcional:

Organização linear ou militar extremamente centralizada, com um chefe comandando sub-chefes, que comandam grupos,...., até o nível dos operários.




HENRY FAYOL – (1841 –1924)

Foi considerado um dos maiores colaboradores para o campo da gerência e da administração. Ao contrário de Taylor, que começou no nível operacional de uma organização (oficinas), Fayol trabalhou nos níveis organizacionais de cúpula administrativa, buscando definição das responsabilidades em todos os níveis organizacionais.



Seis funções básicas
Função Técnica (relacionadas com bens e serviços)

Função comercial (relacionadas com compra, venda e permuta)

Função financeira (relacionadas com a gerencia de capitais)

Função de Segurança (relacionadas com proteção de bens e pessoas)

Função Contábil (relacionadas com as informações)

Função Administrativa (relacionadas com a integração das funções)



Funções universais segundo Fayol
PREVISÃO

Envolve avaliação do futuro e aprovisionamento em função dele. Unidade, continuidade, flexibilidade e precisão são os aspectos principais de um bom plano de ação.



ORGANIZAÇÃO

Proporciona todas as coisas úteis ao funcionamento da empresa e pode ser dividida em organização material e organização social.



COMANDO

Leva a organização a funcionar. Seu objetivo é alcançar o máximo retorno de todos os empregados no interesse dos aspectos globais.



COORDENAÇÃO

Harmoniza todas as atividades do negócio, facilitando seu trabalho e seu sossego. Ela sincroniza coisas e ações em suas proporções certas e adapta os meios aos fins.



CONTROLE

Consiste na verificação para certificar se todas as coisas ocorrem em conformidade com o plano adotado, as instruções transmitidas e os princípios estabelecidos. O objetivo é localizar as fraquezas e erros no sentido de retificá-los e prevenir a recorrência.



PRINCÍPIOS UNIVERSAIS DE FAYOL

1. Divisão do Trabalho: especialização dos trabalhadores e gerentes.

2. Autoridade e Responsabilidade: o direito de dar ordens e o poder de esperar obediência; responsabilidade com autoridade.

3. Disciplina: obediência, energia, comportamento e respeito

4. Unidade de Comando: Cada empregado deve receber ordens de apenas um superior.

5. Unidade de Direção: caberá um plano para cada grupo de atividades que tenham o mesmo objetivo.

6. Subordinação dos Interesses Individuais aos Interesses Gerais.

7. Remuneração do Pessoal: Deve haver justa e garantida satisfação para os empregados e a organização.

8. Centralização: um conceito relativo (a centralização) que pode ser aplicado de acordo com as circunstâncias.

9. Cadeia Escalar: a linha de autoridade.

10. Ordem: um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar.

11. Equidade: devoção do pessoal, bondade e justiça com os subordinados.

12. Estabilidade e duração (num cargo) do pessoal: a rotação tem um impacto negativo sobre a eficiência da organização.

13. Iniciativa: a capacidade de visualizar um plano e assegurar seu sucesso.

14. Espírito de equipe: harmonia e união entre as pessoas são grandes forças para a organização

Henry Ford (1863 - 1947)
Outra importância contribuição para a administração foi feita pelo o Engenheiro Mecânico Henry Ford, fundador da Ford Motor Company e criador da linha de montagem móvel. Ford, com a linha de montagem móvel estabeleceu o padrão organizacional de processos produtivos que tornaria universal.

O serviço artesanal na linha de montagem

Até o começo do século XX, a atividade industrial era dominada pelos métodos artesanais. Um automóvel era fabricado da mesma forma como ainda hoje se constrói uma casa. A produção artesanal é custosa e demorada. Quando há um grande mercado, com potencial ansioso por uma grande quantidade de produtos de baixo custo, produzidos rapidamente, o artesanato é desvantajoso. Esse era um dos ingredientes do contexto que impulsionou a produção em massa, que é essencialmente, a fabricação de produtos não diferenciados em grandes volumes.



Princípios da produção em massa

Foi Henry Ford quem aplicou na fabricação de automóveis os dois princípios fundamentais da produção em massa.

Primeiro principio é a divisão do trabalho, o processo de produzir um produto é dividido em partes, cada pessoa participa com uma parte totalizando o produto final.

O padrão das peças e do serviço

O segundo principio é a fabricação de peças e componentes padronizados, sendo todos fabricados com a mesma qualidade e com o mesmo tamanho e cor. Cada peça ou componente pode ser montado em qualquer sistema ou produto.

Já em seus primeiros modelos Ford vinha utilizando esses princípios de produção. Em 1912, o conceito de linha de montagem, sem mecanização, foi aplicado à fabricação de motores, radiadores e componentes elétricos. Numa linha de montagem, o trabalhador fica numa posição fixa para executar uma tarefa única. O produto movimenta-se ao longo de um processo que é feito de uma sequência de tarefas, realizadas pelos os trabalhadores em posição fixas. Conforme o produto avança de uma posição para outra, vai sendo progressivamente construído.

A evolução do tempo para se montar um automóvel

No começo de 1914, a Ford adotou uma linha montagem móvel e mecanizada para montagem de chassis. Esse processo passou a consumir 1h33min minutos de trabalho, ao contrário no ano anterior se gastava 12: e 28, quando a montagem era artesanal. Também em janeiro de 1914, Ford adotou o dia de 8 horas e duplicou o valor do salário para 5 dólares por dia.



A linha de montagem estava a todo vapor, mas tinha administração da empresa.

Ford e os primeiros fabricantes de automóveis tiveram que desenvolver soluções para os problemas de controle de qualidade, controle de estoque, administração de pessoal, etc. Para fabricar com eficiência dezenas de milhares de peças. Foi essa necessidade que criou o ambiente propicio para disseminação das técnicas da administração cientifica, posteriormente, esse mesmo contexto iria vim o surgimento das técnicas da administração da qualidade.

Junto com a administração cientifica, o sistema Ford espalhou-se rapidamente para outras empresas, ramos industriais e países. Os fabricantes europeus copiaram a ideia da linha de montagem de Ford, que impulsionou a internacionalização de muitas empresas. Na década de 20, em certos países, como foi o caso do Japão e do Brasil. A Ford e outros fabricantes estabeleceram linhas de montagens, para onde eram enviados os kits de peças e componentes produzidos nos países de origens das empresas. Mas tarde, nos anos 50, as empresas automobilísticas Americanas e europeias estabeleceram fabricas de montadoras no Brasil, desenvolvendo uma grande indústria de fornecedores de peças e componentes.

A ideia de Ford ganhou o mundo

O sistema organizacional industrial criado por Henry Ford tornou-se universal. Não há empresa industrial que, em algum ponto de processo produtivo, não utilize alguma variante do sistema de montagem móvel por ele criado. Muitos conceitos novos surgiram depois dele, no entanto, os princípios que Ford utilizou colaboraram de alguma forma dentro da linha de produção atual.


Max Weber e a Burocracia


De acordo com Chiavenato (2003, p. 254-255), na teoria administrativa, a abordagem estruturalista surgiu com o crescimento das burocracias, em uma perspectiva de análise que vai além dos fenômenos internos da organização, visão pela qual as escolas de até então se restringiam. Para Motta, essa abordagem sintetiza as teorias clássicas e as de relações humanas, porém ganhando novas dimensões que envolvem todas as variáveis da organização.

Como afirma Chiavenato (2003), Max Weber foi o primeiro teórico dessa abordagem, que em uma análise voltada para a estrutura, acreditava que a burocracia era a organização por excelência. Segundo Motta (1975, p. 46), a preocupação de Weber está na racionalidade, entendida como a adequação dos meios aos fins. E uma organização é racional quando é eficiente. Assim, para Weber a burocracia era a forma mais eficiente de uma organização. Max Weber descreveu um tipo de estrutura burocrática acreditando que era comum à maioria das organizações formais. No entanto, como ressalta Maximiano (2000), Weber não definiu um modelo padrão para ser aplicado, apenas esquematizou as principais características da burocracia existente. Weber, como citado em Maximiano (2000, p. 88), ao sistematizar seu estudo da burocracia, começa com a análise dos processos de dominação ou autoridade. Para Weber, “a autoridade é a probabilidade de haver obediência dentro de um grupo determinado”. Ele distinguia três tipos de sociedade e autoridade, descritas a seguir. De acordo com Chiavenato (2003, p. 258-262), na sociedade tradicional (tribo, clã, família) predominava características conservacionistas, patriarcais e patrimonialistas; a autoridade que a preside é dita tradicional, na qual a obediência é justificada pela tradição, pelo hábito ou pelo costume. Na sociedade carismática (partidos políticos, grupos revolucionários, nações em revolução), onde geralmente existem características místicas, arbitrárias e personalísticas; a autoridade (carismática) que a preside é justificada pela influência de um líder detentor de qualidades que o destacam. As sociedades burocráticas (as grandes empresas, os estados modernos, os exércitos) são caracterizadas por predominar normas impessoais racionalmente definidas; o tipo de autoridade (burocrática, legal ou racional) é justificado pela técnica, pela justiça na lei e pela meritocracia. De acordo com Chiavenato (2003, p. 266-267), a burocracia, segundo Weber, traz consigo diversas vantagens. Primeiramente, devido a sua racionalidade, o que significa dizer que procura os meios mais eficientes para atingir as metas da organização. A precisão com que cada cargo é definido proporciona o conhecimento exato de cada responsabilidade. Como as atividades são organizadas em rotinas e realizadas metodicamente, e, consequentemente, tornam-se previsíveis, acaba por conduzir a confiabilidade entre as pessoas, evitando, assim o atrito entre elas. A rapidez nas decisões, obtida pela tramitação de ordens e papéis, e pela uniformidade de rotinas e regulamentos que colaboram para a redução de erros e custos. A facilidade de substituição daquele que é afastado e os critérios de seleção apenas por competência técnica garantem a continuidade do sistema burocrático, e este último evita o nepotismo. O trabalho é profissionalizado, assim os funcionários são treinados e especializados pelo seu mérito, trazendo benefícios para as organizações. Como descrito por Chiavenato (2003, p. 268), o tipo ideal de burocracia weberiana tinha como uma das características a previsibilidade do seu funcionamento contribuindo para a obtenção de maior eficiência organizacional. Porém, autores como Merton, encontraram limitações na obra de Weber, partindo para uma análise crítica da realidade descrita por ele. Para Merton não existe uma organização completamente racional, como proposto por Weber. Até porque, o tipo ideal de burocracia tendia a ser modificado pelos homens. Merton notou que a burocracia leva também a consequências imprevistas que conduzem às ineficiências e às imperfeições, e estas por sua vez, são enfatizadas e exageradas pelos leigos. A esse fenômeno, Merton denomina de disfunções da burocracia, que serão descritas a seguir, segundo Chiavenato (2003), como internalização das regras e apego aos regulamentos, excesso de formalismo e de papelório, resistência às mudanças e dificuldade no atendimento a clientes e conflitos com o público.

Segundo Weber (1946 apud Chiavenato, 2003), a autoridade racional-legal prevalece nas sociedades ocidentais e apresenta o modelo para todas as sociedades. Este modelo, também chamado burocrático, caracteriza-se pelos seguintes elementos:



  • A lei representa o ponto de equilíbrio último, ao qual se devem reportar as regras e regulamentos, constituindo aplicações concretas de normas gerais e abstratas;

  • A burocracia, em qualquer organização, é estabelecida seguindo o princípio da hierarquia. As relações hierárquicas entre superiores e subordinados são preenchidas por cargos de direção e chefia e cargos subalternos claramente definidos, de forma que a supervisão, a ordem e a subordinação sejam plenamente assimiladas e realizadas;

  • A avaliação e a seleção dos funcionários são feitas em função da competência técnica. Daí a exigência de exames, concursos e diplomas como instrumentos de base à admissão e promoção;

  • As relações informais não têm razão de existir. O funcionário burocrático é uma peça de uma máquina, esperando-se dele um comportamento formal e estandardizado, de forma a cumprir com exatidão as tarefas e funções que lhes estão destinadas;

  • O funcionário recebe regularmente um salário, não determinado pelo trabalho realizado, mas segundo as funções que integram esse trabalho e o tempo de serviço;

  • O funcionário burocrata não é proprietário do seu posto de trabalho, as funções que executa e o cargo que ocupa são totalmente independentes e separados da posse privada dos meios de produção da organização onde trabalha;

  • A profissão de funcionário de tipo burocrático supõe um emprego fixo e uma carreira regular;

  • O desempenho de cada cargo por parte dos funcionários burocráticos pressupõe uma grande especialização na execução das suas tarefas e trabalho.

Weber concebeu a Teoria da Burocracia para tornar a organização eficiente e eficaz, garantindo rapidez; racionalidade; homogeneidade de interpretação das normas; redução dos atritos e discriminações; padronização da liderança (decisões iguais em situações iguais) e o alcance dos objetivos. A burocracia busca amenizar as consequências das influências externas à organização, harmonizar a especialização dos seus colaboradores e o controle das suas atividades de modo a se atingir os objetivos organizacionais, através da competência e eficiência, sem considerações pessoais.


As Teorias da Administração
Na história da evolução da Administração não se pode esquecer a valiosa contribuição de Elton George Mayo, o criador da Teoria das Relações Humanas, desenvolvida a partir de 1940, nos Estados Unidos e mais recentemente, com novas ideias, com o nome de Teoria do Comportamento Organizacional.

A Teoria do Comportamento Organizacional foi, basicamente, o movimento de reação e de oposição à Teoria Clássica da Administração, com ênfase centrada nas pessoas. Teve como origem: a necessidade de humanizar e democratizar a administração, o desenvolvimento das chamadas ciências humanas (psicologia e sociologia), as ideias da filosofia pragmática de John Dewey e da Psicologia Dinâmica de Kurt Lewin e as conclusões do Experimento de Hawthorne.

Em 1932, quando a experiência foi suspensa, estavam delineados os princípios básicos da Escola de Relações Humanas, tais como: o nível de produção como resultante da integração social, o comportamento social do empregado, a formação de grupos informais, as relações interpessoais, a importância do conteúdo do cargo e a ênfase nos aspectos emocionais.

A partir de 1950 foi desenvolvida a Teoria Estruturalista, preocupada em integrar todas as teorias das diferentes escolas acima enumeradas, que teve início com a Teoria da Burocracia de Max Weber, que se baseia na racionalidade, isto é, na adequação dos meios aos objetivos (fins), para que se obtenha o máximo de eficiência.

Convém citar ainda, a Teoria de Sistemas desenvolvida a partir de 1970, que passou a abordar a empresa como um sistema aberto em contínua interação com o meio ambiente que o envolve e a Teoria da Contingência, desenvolvida no final da década de 1970. Para essa teoria a empresa e sua administração são variáveis dependentes do que ocorre no ambiente externo, isto é, a medida que o meio ambiente muda, também ocorrem mudanças na empresa e na sua administração como consequência.

Assim sendo, os princípios fundamentais das Teorias de Taylor, Fayol, Mayo e Weber foram e serão sempre os pilares da evolução e do desenvolvimento da ciência da Administração e que têm motivado e impulsionado os estudos, pesquisas, trabalhos e obras dos seus seguidores até os nossos dias.





Abordagem Comportamental

A escola comportamental surgiu por volta do ano de 1940. Surgiu devido a ineficiência da administração científica em relação a produção e a harmonia no local de trabalho, se preocupava com as pessoas, com os grupos sociais e com a organização informal. Esta escola lida mais com o lado humano nas organizações, isto é, com as relações humanas dentro das organizações. Segundo STONER (1999, p.30) relações humanas é um termo frequentemente usado para descrever o modo como os administradores interagem com seus subordinados. Dentro de uma organização podemos ter dois tipos de relações humanas: relações humanas eficazes e relações humanas ineficazes. O estudo das relações humanas data entre início da década de 20 a início da década de 30. Esta teoria foi desenvolvida em estudos realizados na Western Electric Company, e passou a ser conhecida como as experiências de Hawthorne, pois este estudo foi desenvolvido numa fábrica da Western Electric Company, na cidade de Hawthorne. O referido estudo tinha como objetivo verificar a relação existente entre o nível de iluminação no local de trabalho e a produtividade dos operários. Durante o estudo foram trocadas várias variáveis além da iluminação para verificar a influência das variáveis na produtividade dos operários. Os resultados foram ambíguos. Elton Mayo e seus colegas da Haward Business School foram os pioneiros no uso do método científico em seus estudos sobre as pessoas no ambiente de trabalho e concluíram que uma cadeia complexa havia interferido na produtividade dos operários.



Abordagem de Relações Humanas

Elton Mayo e seus colegas chegaram a conclusão de que não é somente uma variável que altera a produtividade dos operários, mais sim um conjunto de variáveis interligadas. Segundo STONER (1999, p.31) Elton Mayo e seus colegas concluíram que os empregados trabalhariam mais caso acreditassem que a administração estava preocupada com o seu bem-estar e que os supervisores prestavam atenção especial neles. Portanto, foi a partir deste estudo de Elton Mayo que se criou o conceito de homem social. Com esta abordagem das relações humanas, redescobre-se um antigo conceito de Robert Owen, que as pessoas são máquinas vitais que produzem dividendos, além de somente produtos. Portanto, esta teoria foca mais o lado humano do que o lado técnico. Até hoje é causa de debates e confusão, pois o modelo de Elton Mayo não conseguia descrever o homem no local de trabalho, e que o nível de satisfação não acompanha proporcionalmente o nível de produtividade. Depois que Elton Mayo e seus colegas desenvolveram a abordagem das relações humanas, surgiram alguns pesquisadores que utilizavam métodos sofisticados e ficaram conhecidos como cientistas do comportamento. Entre os cientistas do comportamento estão Argyris, Maslow, McGregor e Herzberg. Uma das mais famosas teorias de motivação foi desenvolvida por Abhram Maslow. Ele desenvolveu a teoria de que a satisfação dos desejos e necessidades motiva o ser humano a buscar o objetivo de auto-realização. A abordagem da hierarquia de necessidade de Maslow se baseia em quatro premissas: 1) Todos os seres humanos adquirem um conjunto semelhante de motivos através de dotação genérica e de interação social;


2) Alguns motivos são mais básicos ou fundamentais do que outros; 3) Os motivos mais básicos têm que ser satisfeitos primeiro, 4) A medida que os motivos mais básicos forem satisfeitos, surgirão os motivos mais avançados, Maslow propõe uma hierarquia de motivos compartilhados por todos. Quando se fala em motivos, não se pode deixar de mencionar o constructo de Freud, envolvendo os três componentes mais básicos do indivíduo: O id, o ego e o superego. O id é o reino dos instintos, dos impulsos mais básicos do indivíduo. Como parte desses impulsos são anti-sociais, é necessário que haja um controlador para eles. Tal é a tarefa do ego.

Frederick Herzberg desenvolveu uma teoria de dois fatores: fatores insatisfatórios e fatores satisfatórios. Para motivar a compra, os fatores de satisfação devem estar sempre presente. As empresas devem estar atentas para dois aspectos muito importante: devem evitar os fatores que causam insatisfação e identificar os fatores de satisfação ou motivadores dos consumidores. Muitas foram as contribuições que os cientistas comportamentais deram a administração, entre as contribuições estão: compreensão da motivação, comportamento de grupos, relações no trabalho e muitas outras. Alguns autores acreditam que este campo do comportamento não foi investigado com tanta profundidade e que se tem muito ainda em pesquisar. [...] finalmente, uma vez que essas necessidades fisiológicas, de segurança, sociais e de estima sejam satisfeitas, as pessoas começam a explorar e a estender as fronteiras do seu potencial - buscando auto-realização. Esse é o motivo pelo qual uma pessoa se empenha em atividades de auto melhoria, tais como fazer um curso de educação para adultos ou perseguir tenazmente as habilidades em busca da perfeição. SHETH (2001, p.147).
Abordagem Sistêmica

Segundo STONER (1999, p.33) a abordagem sistêmica vê a organização como um sistema unificado e propositado, compostos de partes inter-relacionados. Isso permite que as pessoas enxerguem a empresa como um todo e parte do ambiente externo. Segundo STONER (1999, p.33) a teoria dos sistemas nos diz que a atividade de qualquer segmento de uma organização afeta em graus variados a atividade de todos os outros segmentos.Entre eles estão os sistemas, subsistemas, sinergia, sistema aberto, sistema fechado.



Abordagem Contingencial


Esta abordagem foi criada por vários administradores e consultores que em campo procuram colocar em prática as teorias das escolas de administração. Descobriram então, que determinado método funciona bem em um ambiente e que o mesmo método não funciona bem em outro ambiente, portanto, concluíram que não existe um modelo padrão de abordagens que funcione bem em todos os ambientes. Portanto, segundo STONER (1999, p.35) a abordagem contingencial é a concepção que a técnica de administração que melhor contribui para o alcance dos objetivos organizacionais pode variar em situações ou circunstâncias diferentes. Verifica-se então que a abordagem contingencial é mais abrangente que a sistêmica, pois focaliza os pormenores das relações entre as partes.

Uma Nova Abordagem das Relações Humanas


Esta nova abordagem das relações humanas surgiu por volta da década de 50 e se fortificou na década de 60, com diversos pensadores. Entre os pensadores estão Tom Burns e G. M. Stalker, que defendem que a nova abordagem das relações humanas está intimamente ligada à abordagem contingencial, porém, vai muito além, pois propõem um novo modelo de administração. Outros cientistas, entre eles W. Edwards Deming e Tom Peters elaboraram um conjunto de princípios de Administração, como o fez Fayol na sua teoria. Estes conceitos de Deming e Peters concentram-se nos princípios de qualidade. Esta nova abordagem das relações humanas ganhou formas quando em 1982 os consultores Thomas J. Peters e Robert H. Waterman publicaram estudos feitos em empresas, onde aplicaram a nova abordagem das relações humanas. Em seus trabalhos, os consultores explicam como as pessoas interagem nas organizações e suas pesquisas revelam que as pessoas são sociais, intuitivas e criativas. Os pesquisadores também citam regras de como tratar as pessoas com dignidade e respeito que merecem. Sendo assim, STONER (1999, p.36) conclui que a nova ênfase na administração, a partir das relações humanas, é um passo importante na evolução do pensamento sobre Administração. [...] esta nova abordagem é integrativa à teoria da Administração, combinando uma visão positiva da natureza humana com o estudo científico das organizações e visando a prescrever como os administradores eficazes devem agir na maioria das circunstâncias. STONER (1999, p.35).


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal