A magia do Pensamento Lateral



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Encontro27.07.2016
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A Magia do Pensamento Lateral
Para que o leitor possa entender bem essa coisa de "pensamento lateral", vamos contar uma pequena estorinha:
Antigamente, na Inglaterra, quando "dever dinheiro" era um crime passível de prisão, um mercador teve a infelicidade de pegar dinheiro emprestado com um agiota e não ter como saldar a dívida na data marcada. O agiota, que era velho e feio, estava apaixonado pela filha do mercador, uma bela adolescente. E propôs ao mercador um negócio: disse que cancelaria a sua dívida se, em troca, pudesse casar a moça.
Tanto o mercador quanto a filha ficaram horrorizados com essa proposta. Então, o esperto agiota propôs que deixassem a Sorte decidir a questão. Disse-lhes que colocaria duas pedrinhas, uma preta e outra branca, em uma bolsa vazia, e a jovem teria de pegar uma das pedrinhas. Se pegasse a preta, tornar-se-ia sua esposa e a dívida do pai seria cancelada; se pegasse a branca, permaneceria com o pai e a dívida também seria cancelada. Mas se a jovem se recusasse a tirar uma das pedrinhas, o pai seria posto na cadeia e ela morreria de fome.
Relutante, o mercador concordou, e o agiota curvou-se para pegar as duas pedrinhas na rua. A moça, entretanto, percebeu que ele escolhera duas pedrinhas pretas, enfiando-as disfarçadamente na bolsa. Depois, virou-se para a moça e pediu a ela que pegasse a pedrinha que decidiria o seu destino e o de seu pai.
O que você teria feito se fosse a jovem infeliz? E se tivesse como aconselhá-la, que conselho teria dado? Talvez você acredite que uma cuidadosa análise lógica servisse para solucionar o problema, caso houvesse uma solução. Essa espécie de pensamento é tipicamente vertical. A outra espécie - a que a moça exercitou - é o pensamento lateral.
Quem pensa de forma vertical não poderia ser de grande ajuda a uma jovem naquela situação já que enxergaria no máximo três possibilidades:
1 - A jovem deveria se recusar a tirar uma pedrinha.

2 - A jovem deveria denunciar o agiota, mostrando que havia duas pedrinhas pretas na bolsa.



3 - A jovem deveria tirar uma pedrinha preta e sacrificar-se para evitar que o pai fosse para a prisão.
Nenhuma dessas sugestões, entretanto, ajudaria muito, pois se a moça não tirasse uma pedrinha, o pai iria para a prisão, e se tirasse, teria que se casar com o agiota.
Essa história demonstra a diferença entre pensamento vertical e pensamento lateral. Os que pensam na vertical preocupam-se com o fato de que a jovem tem que tirar uma pedrinha. Os que usam o pensamento lateral preocupam-se com a pedrinha que foi deixada para trás - a branca. Porque a sorte da moça seria decidida tanto pela pedra que ela tirasse como também pela pedra que ficaria na bolsa.
Foi pensando na "pedra que ficou na bolsa" que a moça enfiou a mão na bolsa, retirou uma pedra e, sem mostrar a pedra a ninguém, fingiu uma tonteira e deixou a pedrinha cair na rua, em meio de todas as outras. “Oh, como sou desastrada!”, disse, então. “Mas não tem importância. Se o senhor olhar na bolsa, poderá saber qual foi a pedrinha que peguei, pela cor da que ficou aí. Certo?”
Uma vez que a pedrinha que ficara na bolsa era, evidentemente, a preta, deve-se concluir (por lógica) que ela tirou a pedrinha branca. Além do mais, o agiota não ousaria admitir que foi desonesto. Dessa forma, utilizando o pensamento lateral, a moça transformou o que parecia uma situação impossível em uma situação extremamente vantajosa.
Pensar lateralmente não é pensar só naquilo que estamos vendo e que a lógica nos sugere ver, mas sim naquilo que não estamos vendo e que esconde, quase sempre, o outro lado da verdade .


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