A matemática no curriculo da engenharia mecânica na ufes1



Baixar 18.9 Kb.
Encontro28.07.2016
Tamanho18.9 Kb.


A MATEMÁTICA NO CURRICULO

DA ENGENHARIA MECÂNICA NA UFES1.
Autora: Luana Poltronieri de Souza 2

Orientadora: Circe Mary Silva da Silva Dynnikov

PPGE – Programa de Pós Graduação em Educação

UFES – Universidade Federal do Espírito Santo

Tema: Educação Matemática no Ensino Superior

Categoria: Pôster


Apresentamos neste pôster, a abordagem histórica que nos propusemos a percorrer, neste projeto de pesquisa (mestrado), cujo objeto de estudo é a aplicabilidade das disciplinas matemáticas no curso de Engenharia Mecânica na Universidade Federal do Espírito Santo, matemática esta necessária para ensino-aprendizagem das disciplinas técnicas. Este projeto está inserido na linha Educação e Linguagens, sublinha Educação Matemática e tem a orientação da Profa. Dra. Circe Mary Silva da Silva Dynnikov. A Escolha pela Engenharia Mecânica se dá visto que ingressei neste curso em 1982, na Universidade Federal do Espírito Santo, infelizmente não tendo podido concluir por motivos alheios à minha vontade, mas onde cursei todas as disciplinas matemáticas do curso e baseando-me também em minha atuação profissional como docente de matemática no ensino fundamental e médio, onde constatei nos meus alunos as mesmas inquietações que me povoavam a mente nos meus tempos de estudante de engenharia, que se referem à importância da matemática nos conhecimentos técnicos.
Nossa pesquisa se desenha em três fases e como estamos iniciando nossa caminhada, nos encontramos na primeira delas, quais sejam:

1) Revisão de Literatura, onde estamos procurando compreender como se deu a criação dos cursos de engenharia no Brasil e para isso estamos recorrendo a TELLES(1984 e 1993, v. 1 e 2), que realizou um brilhante levantamento histórico e traça um panorama que vai desde os primórdios da engenharia no Séc. XVI até o século XX e nos conta como se deu a criação dos cursos, da Engenharia e das escolas politécnicas, inspiradas nas École Politechnique de Paris, que inspirou nossos cursos de Engenharia aqui no Espírito Santo com a criação da Escola Politécnica do ES. Estamos buscando igualmente estudos realizados no Brasil sobre a questão curricular das disciplinas matemáticas na engenharia e verificamos que nossas inquietações encontram eco em alguns estudos já realizados tais como a tese de doutorado de SOARES(1997), “Comportamentos matemáticos e o ensino de matemática para cursos de Engenharia” onde o foco principal abordado é o comportamento dos engenheiros em relação aos conhecimentos matemáticos e o ensino superior de matemática como um processo comportamental. Mesmo com um enfoque não voltado para currículo, consideramos a tese da Soares de fundamental importância na construção deste projeto pela clareza na sua apresentação e conteúdo. Estamos analisando igualmente BIEMBENGUT (1997) com sua tese intituladaQualidade no ensino de matemática na engenharia: uma proposta metodológica e curricular”, que com sua vasta experiência como docente e pesquisadora aplicou/aplica e pesquisa a Modelagem Matemática nos ensinos fundamental, médio e superior e também verifica e se preocupa com a interação entre as disciplinas de matemática e as disciplinas específicas. Biembengut analisa em sua tese particularmente as engenharias Civil e Química, por serem campos de atuação como docente no ensino superior. Outra fonte de referência em que nos inspiramos é o trabalho de CURY (2004, p.64) onde encontramos eco para as nossas inquietações quando ela diz que as disciplinas matemáticas,

“muitas vezes, não conseguem estabelecer relações com as demais atividades do curso, com a futura atuação profissional dos alunos e o exercício da cidadania. Nesse caso, tais disciplinas tornam-se ilhas no currículo, sem que os alunos e, muitas vezes, os professores percebam sua raison d´être.”

Assim, Cury reúne relatos e propostas de professores que analisam esta questão no Rio Grande do Sul. Verificamos que em alguns dos artigos compilados nesta obra, aparece igualmente os conceitos de Matemática Crítica e Modelagem Matemática abordadas por Biembengut, o que nos sinaliza uma tendência e que procuraremos investigar nos currículos da UFES. Ainda verificando a Engenharia do Brasil, chegou-nos às mãos o trabalho de MONTENEGRO(1995), que realizou na ocasião do centenário da Universidade Federal de Pernambuco o resgate histórico que realizou através de entrevistas com ex-alunos e ex-professores, o que nos auxiliará consideravelmente em nosso trabalho de História Oral. O que nos aproxima desta obra é a forma como a história é contada, através de diversas fontes, e nos embasa para considerarmos como fonte, vários dos documentos encontrados no arquivo do Centro Tecnológico da UFES (atas departamentais, avaliação de alunos, cadernos, ofícios, etc.) e ainda a história oral, através de entrevistas com professores para verificar a modificação ocorrida no currúculo. Para isso recorremos a LE GOFF(1998) com seu conceito de História total, onde pensamos que não podemos considerar o nosso objeto de estudo que é o currículo isolado da história pessoal e da história político-social do local onde ocorreu. Para nortear nossos questionamentos e considerações acerca de currículo, recorremos a SACRISTÁN(1998), onde consideramos currículo como composto de alguns eixos como: grade curricular, material didático, avaliação e práticas de sala de aula, eixos estes que serão nosso azimute na construção da pesquisa.

2) Nesta fase apenas iniciada, recorreremos diversas fontes documentais, como arquivos públicos, jornais da época, arquivos da UFES, buscando uma totalidade histórica, que nos aproxime com mais verossimilhança do objeto do nosso estudo, inspirados na nova história proposta por LE GOFF(1998, p.27), quando diz que a história nova “se afirma como história global, total, e reivindica a renovação de todo o campo da história”. Iniciamos nossos estudos com a história da Universidade Federal do Espírito Santo, através de BORGO (1995), onde verificamos que a Engenharia no Espírito Santo iniciou-se com a criação da Escola Politécnica do Espírito Santo em 1951, a Universidade do Espírito Santo em 1954, a federalização em 1961 e a criação do curso de Engenharia Mecânica em 1966, que será o nosso marco inicial de delimitação da pesquisa, os dados anteriores nos auxiliarão na compreensão deste contexto de criação apenas, visto que a leitura deles nos permite traçar um panorama dos momentos político-sociais em que ocorreram estes fatos históricos, de relevada importância para o nosso projeto. O marco final de delimitação será a última reforma curricular ocorrida em 2006.

3) Após a reunião dos dados, iniciaremos a fase de análise dos mesmos e construção desta história da matemática, inserida no currículo da Engenharia Mecânica. Através desta análise, procuraremos responder à nossa pergunta principal que é: Qual é a matemática necessária à Engenharia Mecânica? e ainda as outras decorrentes destas:

A partir de que foi montada a grade curricular da Engenharia Mecânica na UFES?

Com relação ao material didático, o que era utilizado na época da criação do curso? Quais as mudanças ocorridas até 2006 e por que elas ocorreram?

Sobre avaliação, como era aplicada na época da criação do curso? Como ocorrem hoje? O que os professores exigiam/exigem em suas avaliações?

Estas são as perguntas que vamos responder durante esta trajetória de pesquisa de dissertação de mestrado.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BIEMBENGUT, Maria Sallet. Qualidade no ensino de matemática na engenharia: uma proposta metodológica e curricular. Santa Catarina: 1997. 302p. Tese de doutorado em Engenharia de Produção e Sistemas. Universidade Federal de Santa Catarina.
BORGO, Ivantir Antonio. UFES: 40 anos de história. Vitória: UFES. Secretaria de Produção e Difusão Cultural. 1995. 386p. il.
CURY, Helena Noronha (org.). Disciplinas matemáticas em cursos superiores: reflexões, relatos, propostas. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004. 430p.
GOFF, Jacques Le (Org.). A História Nova. 4.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
MONTENEGRO, Antônio Torres, SIQUEIRA, Antônio Jorge de. (Compilado). Engenheiros do Tempo: história da vida dos professores. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 1995. 297p. : il – (Memórias da Escola de Engenharia. Série Documentos).
TELLES, Pedro C. da Silva. História da Engenharia no Brasil (séculos XVI a XIX). Rio de Janeiro: LTC – Livros Técnicos e Científicos Editora S.A. 1984.
TELLES, Pedro C. da Silva. História da Engenharia no Brasil (século XX). Rio de Janeiro: Clavero Editoração 1984-1993. 2v.
SACRISTÁN, J. Gimento e GÓMEZ, A. L. Pérez. Compreender e transformar o ensino. 4.ed. Porto Alegre: Artmed 1998. 2v.
SOARES, Eliana M. S. Comportamentos matemáticos e o ensino de matemática para cursos de Engenharia . Rio Grande do Sul:1997. 257p. Tese de doutorado em Metodologia de Ensino. Convênio Universidade Federal de São Carlos e Universidade de Caxias do Sul.


1 Projeto de pesquisa em desenvolvimento para obtenção do grau de mestre no programa de Pós Graduação em Educação da Universidade Federal do Espírito Santo.

2 Mestranda em Educação na Universidade Federal do Espírito Santo na Linha de Pesquisa Educação e Linguagens, sub-linha Educação Matemática,

sob orientação da Professora Doutora Circe Mary Silva da Silva Dynnikov.





©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal