A mídia, a ditadura civil-militar e a democracia: reflexões sobre a liberdade de imprensa e liberdade de empresa no Brasil



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Avaliação 1: Aula “A mídia, a ditadura civil-militar e a democracia: reflexões sobre a liberdade de imprensa e liberdade de empresa no Brasil”




I - Questões de Reflexão




1) Chico Buarque de Holanda foi um dos compositores mais censurados pela Ditadura Militar (1964-1985). Músicas como “Cálice”, “Apesar de Você”, “Partido Alto”, “Calabar”, entre outras, sofreram sanções da censura.

Chegou um momento, que toda música de Chico que chegava aos censores, recebia a reprovação, tendo a sua veiculação proibida. Ou seja, Chico tornou-se um autor proibido. Só houve uma saída: mudar de nome... Disserte sobre esta vertente da MPB, a música de protesto, e analise especificamente o caso do compositor Chico Buarque de Holanda.


2) proibido proibir, é proibido proibir, é proibido proibir!”, bradava Caetano Veloso, em 1968. Claramente inspirado no movimento estudantil de maio de 1968, que contestava contra o conservadorismo do governo francês.
a) Identifique o movimento artístico (não apenas musical) criado por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Hélio Oiticica, Torquato Neto, entre outros, no fatídico ano de 1968.
b) Explique o motivo da perseguição sofrida pelos artistas deste movimento, por parte do Governo Militar e, também, da esquerda (músicos engajados, estudantes contrários à Ditadura, etc).
Obs.: A perseguição da esquerda era denominada “patrulhamento ideológico” e levou Caetano a fazer um discurso, quando a sua apresentação com os Mutantes foi vaiada: “Vocês não entenderam nada, nada, nada, absolutamente nada.(...) Se vocês em política forem com são em estética, estamos feitos!”.


3). Com relação ao ambiente cultural nos anos 1970 , tendo como referência a música brasileira (tanto a MPB como a popular, chamada de “brega”), disserte sobre a:
a) Censura moral;
b) Censura política.

II – Análise de texto



NOVELA E CENSURA DURANTE A DITADURA MILITAR

http://jeocaz.wordpress.com/2008/07/10/a-censura-do-governo-militar-e-as-novelas-da-globo/
ACESSO: 10/11/2014, às 23:58 h

(...) A censura atingiria a próxima novela de Dias Gomes, a mítica “O Bem-Amado” (1973). A música tema da abertura da novela, “Paiol de Pólvora” (Vinícius de Moraes – Toquinho), foi censurada por causa do verso “Estamos sentados em um paiol de pólvora”, sendo substituída por “O Bem-Amado” (Vinícius de Moraes – Toquinho), tocada pelo Coral Som Livre. Ainda nesta novela, foi proibido que Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo) fosse chamado de “coronel” e Zeca Diabo de “capitão”, o que obrigou a emissora carioca a apagar o áudio em mais de 15 capítulos já gravados em que apareciam as palavras. “Ódio” e “vingança” foram outras palavras proibidas pela censura de serem pronunciadas na novela. O maior golpe que sofreu Dias Gomes foi a censura completa da novela “Roque Santeiro”, em 1975. Já com 36 capítulos gravados e editados, prontos a estrear, a Delegacia de Ordem Pública e Social (DOPS), descobriu que o dramaturgo estava a adaptar o texto teatral “O Berço do Herói”, de sua autoria, que fora escrito e proibido em 1963. A história de Sinhozinho Malta (Lima Duarte), viúva Porcina (Betty Faria) e Roque (Francisco Cuoco) nunca foi ao ar, sendo substituída por uma reprise compacta de “Selva de Pedra”. A novela só seria liberada dez anos depois, em 1985, trazendo o mesmo Lima Duarte no papel de Sinhozinho Malta, mas com Regina Duarte (Porcina) e José Wilker (Roque) como protagonistas. A novela tornar-se-ia um dos maiores sucessos da televisão brasileira.

Durante a ditadura militar e a sua rígida censura, Janete Clair foi a autora de telenovelas que mais produziu grandes sucessos, sendo a que teve mais textos vetados pela censura. “O Homem Que Deve Morrer” (1971), sugeria de forma alegórica, uma adaptação da vida de Cristo. Ciro Valdez (Tarcísio Meira), nascia de uma mulher virgem do interior do Brasil. Dois dias antes da estréia, o tema foi considerado impróprio, os dez primeiros capítulos foram totalmente vetados pela censura. Diante do impasse, Janete Clair baseou a sua novela em “Eram os Deuses Astronautas”, de Erich von Daniken, e o protagonista passou a ser filho não do espírito santo, mas de um ET. Janete Clair voltaria a sofrer com a censura na sua novela seguinte, “Selva de Pedra” (1972). Na novela, o casamento entre Cristiano (Francisco Cuoco) e Fernanda (Dina Sfat) não se realizou porque a censura considerava a união um estímulo à bigamia. Cristiano acreditava que a sua mulher Simone (Regina Duarte), tinha morrido em um acidente, mas a censura não permitiu a cerimônia, alegando que o público sabia que o casamento era bigamia. Janete Clair fez com que Fernanda fosse abandonada no altar e, inutilizou 22 capítulos já escritos, que seriam exibidos logo após o casamento das personagens. Em 1973, a autora teve a novela “Cidade Vazia” vetada pela censura, sendo obrigada a improvisar com “O Semideus”. Após o término de “O Semideus”, “Cidade Vazia” foi liberada com o nome de “Fogo Sobre Terra” (1974). A novela narrava a história da cidade fictícia de Divinéia, que seria inundada por uma hidrelétrica. A novela sofreu grandes problemas com a censura por causa do protagonista Pedro Azulão (Juca de Oliveira), que liderava o povo contra a construção da hidrelétrica. Pedro Azulão foi obrigado a mudar a sua convicção ideológica. Na trama, a autora pensava em matar a personagem no final, mas a censura não deixou, para que não se transformasse em mártir, e, de quebra fez com que a personagem se retratasse. Esta novela teve vários capítulos mutilados pela censura, fazendo a coerência do texto desaparecer por completo. De uma só vez, a autora rasgou 12 capítulos censurados. Mais tarde, Janete Clair declararia que “Fogo Sobre Terra”, tinha sido a sua novela mais prejudicada pela censura. A autora voltaria a sofrer retaliações com “Duas Vidas” (1977), cuja temática mostrava a desapropriação de residências pelas obras da construção do metrô do Rio de Janeiro. Como o metrô era uma obra do governo federal, não podia ser criticado pela televisão. Nenhuma personagem podia reclamar sequer da poeira feita pelas obras. Uma cena entre as personagens Valdo (Luís Gustavo) e Naná (Arlete Salles), que sugeria uma discussão violenta, foi inteiramente cortada, o telespectador ficava sem perceber se Valdo tinha matado ou espancado Naná.

A ditadura dos generais era moralista, pois era sustentada por uma burguesia conservadora e rígida, composta por senhoras de família que saíram às ruas em 1964, com rosários nas mãos, a apoiar o golpe militar. Nas novelas da época, um homem casado não se poderia apaixonar por outra mulher, ter amantes, muito menos trocar um beijo e carinhos com ela. Na novela “Sem Lenço, Sem Documento” (1977), de Mário Prata, Marco (Ney Latorraca) era casado com Iara (Cidinha Milan), nutria uma paixão velada por Carla (Bruna Lombardi), por este motivo, a censura obrigou o autor a matar Iara, fazendo de Marco um viúvo disponível para viver o seu amor por Carla(...).


1) Analise as proibições feitas às formas de tratamento aos personagens da novela O Bem Amado, de Dias Gomes, com relação aos papéis desempenhados por Paulo Gracindo e Lima Duarte.

2) Como a Ditadura usou a censura para agradar as senhoras católicas que participara da “Marcha da Família com Deus e pela Liberdade”, e apoiavam o Governo? Comente a respeito.


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